01 homicídio

  • View
    78

  • Category

    Law

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

Text of 01 homicídio

  • 1. LFG PENAL ESPECIAL Aula 01 Prof. Rogrio Sanches Intensivo II 14/09/2009 HOMICDIO HOMICDIO Art. 121, do CP A partir da aula de hoje at janeiro, no vamos ver outra coisa que no Penal Especial. Talvez eu no consiga terminar o programa do jeito que ele foi anunciado no site. Por qu? Porque vieram leis que no espervamos. Ento, os crimes contra a dignidade sexual foram todos introduzidos e eu vou ter que tirar alguns crimes para incluir crimes novos. Por exemplo, ameaa. Crime de ameaa ridculo, a gente esquece omisso de socorro e inclui tipos novos. Eu sempre costumo comear a aula, fazendo o resumo da aula anterior. Hoje, eu no vou fazer isso porque o resumo ser feito durante a exposio do assunto e no por aula. Hoje, ns vamos ver: Reabilitao que o ltimo assunto de Penal Geral (isso est transcrito na aula 07 de Penal Geral) para, em seguida, analisarmos homicdio. E o que fica para o Intensivo III? Analisamos alguns crimes de competncia exclusiva da Justia Federal e temas variados como, v.g., Tribunal Penal Internacional. Essa a minha participao no curso. 1. CONCEITO Se vocs tivessem que dar um conceito de homicdio, qual seria? H o conceito legal, matar algum, mas se voc for questionado na prova, ele vai querer mais do que o conceito legal. Ele vai querer o conceito doutrinrio. Eu sempre incentivo o aluno, quando for falar do conceito de homicdio, dar o conceito de Nlson Hungria. Para Nlson Hungria, homicdio o tipo central de crimes contra a vida e o ponto culminante na orografia dos crimes. O homicdio o crime por excelncia. Orografia montanha, cume da montanha. Como utilizar isso em prova? No MP de So Paulo, homicdio j foi dissertao de concurso. E um dos tpicos, conceito. E a tendncia dos MP's e magistraturas, a dissertao ser penal especial. Imagine uma dissertao sobre homicdio. uma oportunidade para voc usar o conceito de Nelson Hungria. Magistratura/MS: na fase oral tem um jri simulado. E quem o jurado simulado? o seu examinador. Um aluno nosso em 2005 disse que comeou simulando a acusao falando para os jurados simulados o conceito de Nelson Hungria sobre homicdio. No que ele tenha passado por causa disso, mas ajudou. Vamos decorar isso, ento! Vamos para a topografia do homicdio e uma pergunta que caiu na prova para delegado/PR. O art. 121, caput, traz o homicdio doloso simples. O art. 121, 1, traz o homicdio doloso privilegiado. Vejam que no deixa de ser doloso, mas privilegiado. O 2 traz o homicdio doloso qualificado. O 3 traz o homicdio culposo, o 4 traz majorantes, causas de aumento de pena e o 5 traz o perdo judicial. Cuidado! Vocs j tiveram aula comigo sobre os crimes hediondos e vo lembrar o que vou falar agora. Ns temos um projeto de lei, na marca do pnalti para ser votado, que vai criar um 6 (quase que foi na onde dos crimes contra a dignidade sexual, mas no foi) e que vai trazer majorante no caso de grupo de extermnio, principalmente quando se tratar de milcias (est na iminncia de ser votado e voc no vai ser pego de surpresa). Para delegado de polcia/PR o examinador perguntou: onde est o homicdio preterdoloso? onde est? Em qual dispositivo supracitado vocs enquadram o homicdio preterdoloso? Ele est no art. 129, 3. 1
  • 2. LFG PENAL ESPECIAL Aula 01 Prof. Rogrio Sanches Intensivo II 14/09/2009 HOMICDIO Ele sinnimo de leso corporal seguida de morte. Foi dissertao em concurso. O homicdio preterdoloso sinnimo de leso seguida de morte. Vamos analisar o art. 121, caput, e depois eu passo a analisar o resto. Homicdio Simples Art. 121 - Matar algum: Pena - recluso, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos. O art. 121, caput, pune com 6 a 20anos de recluso, matar algum. Vejam que a doutrina chega a dizer: antes todos os tipos penais fossem como o art. 121, claro o objetivo. 2. SUJEITOS DO HOMICDIO Quem o sujeito ativo do homicdio? Quem poder ser? Qualquer pessoa, sozinha ou associada a outra, crime comum. Crime comum: o tipo no exige qualidade ou condio especial do agente. O sujeito ativo do homicdio ridculo. O problema no est a. O problema que a doutrina resolve complicar e decide explorar os irmos xifpagos: Paulo e Joo. Paulo quer matar, Joo diz que no pra fazer isso. Paulo mata uma pessoa. E agora, como punir Paulo? Enclausurar Paulo enclausurar Joo, que mera testemunha. E a, como que voc vai punir Paulo se punir Paulo punir tambm Joo. E agora? A doutrina divergente. 1 Corrente: Paulo deve ser absolvido. A primeira corrente diz que voc tem dois interesses em jogo: interesse de punir vs. estado de liberdade de Joo. So dois interesses se digladiando. O embate de dois interesses. Nestes dois interesses, deve prevalecer o estado de liberdade de Joo, sucumbindo o interesse de punir. Euclides da Silveira adota essa corrente. 2 Corrente: Paulo deve ser condenado, mas s vai cumprir pena quando Joo praticar um crime sujeito a priso. Flvio Monteiro de Barros. Qual prevalece? Pelo amor de Deus! Voc imaginou voc fazer um jri desse? Explicar isso pro jurado? Quem pode ser sujeito passivo? o ser vivo nascido de mulher. H discusso se extraterrestre pode ser vtima. E a doutrina discorda. Voc j imaginou isso? Devem ter passado frias em So Tom das Letras ouvindo duendes. (Intervalo) Magalhes Noronha entende que o Estado to vtima quanto a pessoa que morreu. Ele equipara vtima que morreu o prprio Estado. E faz essa equiparao porque a vida humana condio de existncia do prprio Estado. Ento, cada ser humano que voc elimina, voc enfraquece a pessoa do Estado. uma observao interessante para voc diferenciar sua prova do concorrente. Se o sujeito passivo for Presidente da Repblica, Presidente do Senado, Presidente da Cmara ou Presidente do Supremo, pode ser crime contra a Segurana Nacional. Poder ser o art. 121, do CP ou o art. 29, do 7.170/83. O art. 121 pune matar, o art. 29 pune matar com motivao poltica. Matou o Presidente da Repblica? Matou o Presidente do Senado? Matou o Presidente da Cmara? Matou o Presidente do STF? Pode ser o art. 121 ou o art. 29, da Lei 7.170/83, se houver motivao poltica. Art. 29 - Matar qualquer das autoridades referidas no art. 26. Pena: recluso, de 15 a 30 anos. Onde est escrito motivao poltica a? Vocs anotaram motivao poltica. E onde est escrito no art. 29, da Lei 7.170 se houver motivao poltica? A gente j viu isso quando estudamos reincidncia e eu 2
  • 3. LFG PENAL ESPECIAL Aula 01 Prof. Rogrio Sanches Intensivo II 14/09/2009 HOMICDIO falei de crime poltico. Eu disse que a definio de crime poltico est o art. 2., da Lei 7.170/83. Todo e qualquer crime aqui tem que ter motivao poltica. Art. 2 - Quando o fato estiver tambm previsto como crime no Cdigo Penal, no Cdigo Penal Militar ou em leis especiais, levar-se-o em conta, para a aplicao desta Lei: I - a motivao e os objetivos do agente; II - a leso real ou potencial aos bens jurdicos mencionados no artigo anterior. Estes crimes, se previstos tambm no CP, s sofrero a aplicao da Lei 7.170 se tiverem motivao poltica. 3. TIPO OBJETIVO O art. 121 pune matar algum. Mais simples que isso, impossvel. Na verdade, pune-se tirar a vida de algum. Pergunto: qual vida? Extrauterina. Ns precisamos diferenciar muito bem a conduta que recai sobre vida intra e sobre vida extrauterina. Se tirar a vida intrauterina crime, o crime de aborto. Tirar a vida extrauterina homicdio ou infanticdio. Reparem que existe uma linha divisria separando a vida intra da extra-uterina. Essa linha divisria representada pelo qu? Qual o marco da passagem da vida intra para a vida extrauterina? o incio do parto. No iniciou o parto? Aborto. J iniciou o parto? Homicdio ou infanticdio. Mas quando que se inicia o parto? H trs correntes discutindo o incio do parto: 1 Corrente: O incio do parto se d com o completo e total desprendimento do feto das entranhas maternas. 2 Corrente: O incio do parto se d desde as dores caractersticas do parto. 3 Corrente: Dilatao do colo do tero. No h nenhuma que prevalea. Tem gente que fala em rompimento do saco amnitico, mas muito pouca gente comenta isso. Detalhe importante: existe homicdio mesmo que a vida extra-uterina no seja vivel. Mesmo no se tratando de vida vivel, voc antecipar a morte natural, no Brasil, homicdio. A pessoa tem vida. Mesmo que essa vida no seja vivel, ela j foi desenganada. Antecipar a morte natural, no Brasil, homicdio. O Brasil pune a eutansia e eu j vou explicar como. No Brasil homicdio, mesmo que a vida no seja vivel. Basta ser vida. Luiz Flvio discorda. Ele tem uma tese no blog. Antecipou a morte natural? Homicdio. O homicdio um crime de execuo livre. Quando eu digo isso, significa que pode ser praticado por ao ou omisso, que pode ser praticado por meios diretos ou indiretos, que pode ser praticado por meios fsicos, psicolgicos ou mesmo emocionais. O crime que estamos estudando punido a ttulo de dolo direto ou eventual. Quando que se consuma o homicdio? Com a morte. E quando se d a morte? O crime material, se consumando com a morte. Quando se d a morte? Parou de respirar, morreu? No. Parou de bater o corao, morreu? No? Casou, morreu? Morreu, mas uma morte que tem ressurreio. Hoje acabou o problema. Hoje, pela Lei 9.434/97, a morte se d com a cessao da atividade enceflica. 3
  • 4. LFG PENAL ESPECIAL Aula 01 Prof. Rogrio Sanches Intensivo II 14/09/2009 HOMICDIO Admite tentativa. Ele plurissubsistente. Isso significa que a execuo admite fracionamento. Terminamos o homicdio simples, do caput. Mas para prosseguir, eu vou ter que perguntar: o homicdio simples hediondo? Em regra, no. Salvo, quando prati