Acórdão do agravo regimental de Romildo Titon

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Acrdo do agravo regimental de Romildo Titon no rgo Especial do TJ-SC

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  • 1. Agravo Regimental em Medida Cautelar Incidental em Inqurito n. 2013.088693-6/0009.01, de Videira Relator: Des. Trindade dos Santos AGRAVO REGIMENTAL. PREVISO LEGAL NOS ARTS. 39 DA LEI N. 8.038/1990 E 195 DO REGIMENTO INTERNO DO TRIBUNAL DE JUSTIA DE SANTA CATARINA. MEDIDA CAUTELAR. SUSPENSO DO EXERCCIO DA FUNO PBLICA DE PRESIDENTE DA CORTE LEGISLATIVA CATARINENSE. MOTIVAO SEDIMENTADA NA NECESSIDADE DE NEUTRALIZAO DO AGENTE PBLICO, COMO FORMA DE INIBI-LO DA PRTICA DE INFLUNCIA NO AMBIENTE DE TRABALHO OU A REITERAO DELITIVA. FASE INSTRUTRIA QUE NO SE ENCERRA COM O INQURITO. NO ADMISSO, PELA CORTE, POR MAIORIA, DO CMPUTO DO VOTO DO RELATOR. SOLUO ILEGAL. REGIMENTO INTERNO DO TRIBUNAL DE JUSTIA. ART. 196. ATO REGIMENTAL N. 70/05-TJ, DE 1 DE JUNHO DE 2005. NO OBSERVNCIA DO DISPOSTO NO ART. 282 DO MESMO REGIMENTO C/C O ART. 317, 2., DO REGIMENTO INTERNO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, APLICVEL SUBSIDIARIAMENTE AO CASO. SUSPENSO DAS ATIVIDADES FUNCIONAIS QUE NO IMPLICA NO CORTE DOS VENCIMENTOS. RECLAMO RECURSAL DESPROVIDO. 1 No alcana provimento o agravo regimental que ataca a deciso cautelar que suspendeu de suas funes pblicas indiciado em investigatrio criminal, quando os elementos constantes dos autos, mormente aqueles decorrentes de escutas telefnicas autorizadas pelo Judicirio, indicam a necessidade de se tolher qualquer influncia que possa exercer o agente pblico na colheita da prova testemunhal, inibindo-se-o, de outro lado, de novas prticas delituosas do mesmo jaez. 2 totalmente ilegal a deciso do rgo Especial que, com supedneo em proposio formulada de ofcio pela Presidncia da Corte, sustentada em redao de dispositivo do Regimento Interno do Tribunal, de h muito revogada, impede o relator de agravo regimental de exercer o seu direito de voto. 3 O afastamento do indiciado das funes de seu cargo pblico no acarreta a perda dos correspondentes vencimentos, vez ser a suspenso de suas atividades decorrente, de determinao judicial, sendo, pois, involuntria.
  • 2. Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo Regimental em Medida Cautelar Incidental em Inqurito n. 2013.088693-6/0009.01, da comarca de Videira (Vara Criminal), em que agravante Romildo Luiz Titon, sendo agravado o Ministrio Pblico do Estado de Santa Catarina: O rgo Especial decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, consubstanciando-se os votos vencidos no sentido substituir, de ofcio, a cautelar de suspenso das funes de Presidente da Mesa da Assemblia Legislativa do Estado de Santa Catarina, reintegrando o agravante no cargo, mediante as seguintes condies: a) no poder dirimir, decidir ou despachar qualquer ato que diga respeito aos codenunciados do presente inqurito ou s testemunhas arroladas, incluindo-se os atos de nomeao ou de exonerao da Casa Legislativa; b) que sejam delegadas ao 1. Vice-Presidente da Mesa, na forma do pargrafo 3. do art. 65 do Regimento Interno da ALESC, todas as atribuies inerentes ao Presidente da Mesa que digam respeito a este Inqurito, tal como o ato de receber ou de prestar informaes, entregar documentos requisitados por este Tribunal ou pelo Ministrio Pblico. Custas legais. O julgamento, realizado em 16 de abril de 2014, foi presidido pelo Exmo. Sr. Des. Nelson Schaefer Martins, dele participando, com votos vencedores, os Exmos. Srs. Des. Cludio Barreto Dutra, Luiz Czar Medeiros, Eldio Torret Rocha, Monteiro Rocha, Fernando Carioni, Torres Marques, Salim Schead dos Santos, Jnio Machado, Snia Maria Schmitz, Paulo Roberto Camargo Costa e Gaspar Rubick, vencidos os Exmos. Srs. Des. Moacyr de Moraes Lima Filho, Joo Henrique Blasi, Jorge Luiz de Borba, Newton Trisotto, Srgio Luiz Baasch Luz, Rui Fortes, Marcus Tlio Sartorato, Cesar Abreu, Alexandre D'Ivanenko e Ldio Rosa de Andrade. Florianpolis, 5 de maio de 2014. Trindade dos Santos RELATOR SEM VOTO Gabinete Des. Trindade dos Santos
  • 3. RELATRIO Subsidiado nos arts. 39, da Lei n. 8.038 e 195, do Regimento Interno do Tribunal de Justia de Santa Catarina, ingressou Romildo Luiz Titon com agravo regimental, objetivando ver cassada a deciso que, proferida nos autos do Inqurito n. 2013.088693-6/0009.00, da comarca de Videira, promovido pelo Mistrio Pblico do Estado de Santa Catarina, em que figura o seu nome no rol dos indiciados, determinou a suspenso do exerccio de sua funo pblica de Presidente da Assemblia Legislativa de Santa Catarina. Exps o agravante estar a deciso combatida impregnada de ilegalidade por ter tomado como verdadeiros os fatos que compem o contedo do inqurito e ter adentrado no campo da presuno, configurando-se, em sendo assim, a arbitrariedade do relator, sustentando que, para a aplicao da medida cautelar deferida devem ser observados os requisitos do art. 282, incs. I e II, do Cdigo de Processo Penal, pressupostos esses no integrados na hiptese vertente. Argumentou que, ao contrrio do alegado pelo rgo ministerial, ao Presidente da Assemblia Legislativa no compete a "gesto de pessoas", conforme se denota do Regimento Interno daquela casa legislativa. No tocante nomeao de Lissandra Duwe Passeto como Chefe de Gabinete, disse o agravante no ter essa nomeao qualquer relao com os fatos narrados da denncia ou com a exonerao do marido da mesma, o coindiciado Evandro Carlos dos Santos do cargo que ocupava na ALESC, posto que trata-se de pessoa de sua confiana e que consigo trabalha desde 4 de dezembro de 1995, consoante faz prova a Resoluo n. 1.403/95 e a certido juntada ao caderno processual. E o mesmo ocorre referentemente s testemunhas arroladas na denncia e que, inclusive, j foram ouvidas na fase inquisitorial e trabalham h anos com o recorrente. Em continuidade, refutou os fundamentos da deciso impugnada, afirmando ter havido afronta ao dever de explicitar o magistrado o seu convencimento quanto necessidade da segregao cautelar, indicando os motivos concretos pelos quais se torna absolutamente necessria a priso ante tempus, pois a deciso teria se utilizado de expresses vagas e elementos abstratos, assumindo aparncia de execuo antecipada de pena. Aduziu mais, ter a deciso incorrido em ofensa ao princpio constitucional da presuno de inocncia, inexistindo nos autos, de outro lado, qualquer indicativo de justo receio da utilizao da funo pblica para o cometimento de crimes. Finalizando, enfatizou que "o afastamento da funo pblica revela-se prudente e recomendvel se os indcios indicarem interferncia do agente na instruo processual, notadamente, o que no restou comprovado no presente caso", pugnando, ento, pelo provimento do agravo regimental, com a revogao da deciso questionada. Gabinete Des. Trindade dos Santos
  • 4. Gabinete Des. Trindade dos Santos
  • 5. VOTO Enfeixam os autos presentes agravo regimental, recurso esse com previso no art. 39, da Lei n. 8.038/1990 e no art. 195, do Regimento Interno do Tribunal de Justia de Santa Catarina, atacando o recorrente a deciso singular que, exarada na medida cautelar incidental em inqurito n. 2013.088693-6/0009.00, da Comarca de Videira, determinou o afastamento do agravante Romildo Luiz Titon da funo pblica de Presidente da Assemblia Legislativa do Estado de Santa Catarina. De incio, de se observar que talvez o termo "voto" seja imprprio para a presente manifestao, posto ter sido cassado deste relator o direito ao voto, conforme determinao da eg. Presidncia deste Tribunal. Talvez melhor seria dizer-se "manifestao" ou "defesa da medida agravada", pois est-se diante de um tpico caso de relator sem voto. Entretanto, por questes apenas ligadas ao sistema computadorizado deste Pretrio, que o termo "voto" mantido, ainda que de voto no se trate. Retornando-se ao caso sob exame propriamente dito, tem-se que, do contedo do caderno investigatrio, despontam vrios fatos que apontam o agravante como autor de diversos delitos graves, dentre eles, participao em duas organizaes criminosas, alm de que teria praticado, por conta do cargo pblico em que foi investido, crimes contra administrao pblica: recebimento de vantagens indevidas, caracterizadoras de corrupo passiva, por quatro vezes, alm de advocacia administrativa. Enfatizou a deciso combatida, em um de seus tpicos, que "ante a assuno pelo denunciado Presidncia do Poder Legislativo estadual, razo assiste ao Ministrio Pblico, no que tange presena de risco imediato e concreto instruo processual; ordem pblica, aqui compreendida na dimenso da prpria credibilidade do Judicirio em face de situao de grande repercusso na sociedade catarinense; e, ainda, reiterao delituosa, em face de anncio prvio de tal inteno, extrado da prova j constante do feito". Em razo de tais fundados receios, a medida extrema de suspenso temporria do exerccio da funo de Chefe do Poder Legislativo Estadual teve que ser decretada e impe-se, data vnia, confirmada por este Colegiado no julgamento presente, pelas razes que a seguir se elenca. de se destacar, ab initio, a importncia da estrita obedincia ao princpio constitucional de presuno inocncia ressaltada em brilhante deciso da nossa Corte Suprema de Justia, sob a seguinte ementa: "HABEAS CORPUS" - PRISO CAUTELAR DECRETADA COM APOIO NA GARANTIA DA ORDEM PBLICA, NA NO FRUSTRAO DA APLICAO DA LEI PENAL E NA SEGURANA DA PROVA PROCESSUAL - ILEGITIMIDADE JURDICA DA PRISO CAUTELAR QUANDO DECRETADA, UNICAMENTE, COM SUPORTE EM JUZOS MERAMENTE CONJECTURAIS - INDISPENSABILIDADE DA VERIFICAO CONCRETA DE RAZES DE