Cartilha do Empregado e do Empregador Doméstico

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  • 2 EDIO

  • Tribunal Regional do Traballho da 4 regio RS

    proibida a reproduo parcial ou total desta obra sem autorizao do TRT-RS.

    Impresso: Noschang Artes Grficas Ltda.

    Contato para obteno de exemplares:Secretaria de Comunicao Social: 51 3255-2060secom@trt4.jus.br

    JUSTIA DO TRABALHO DO RIO GRANDE DO SUL

    Criao, Pesquisa e Reviso Juiz do Trabalho Marcelo Bergmann Hentschke

    Ilustrao Marcelo Lopes de Lopes

    Porto Alegre RS2012

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  • JUSTIA DO TRABALHO DO RIO GRANDE DO SUL

    CARTILHA DO EMPREGADO E DO EMPREGADOR DOMSTICO

    ApresentaoO empregado e o empregador domsticoCarteira de TrabalhoContrataoRemuneraoCarga horriaFriasLicenasAfastamento por doena Estabilidade gestanteResciso do contratoAposentadoriaDeveres do empregado e do empregador domsticoDiaristasJustia do TrabalhoLegislaoEndereos e telefones teis

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  • O Brasil possui aproximadamente 7 milhes de trabalhadores domsticos, segundo o Instituto Brasileiro de Engenharia e Estatstica, o IBGE. Entretanto, um estudo da Organizao Internacional do Trabalho (OIT) indica que o nmero de trabalhadores com carteira

    assinada nesta categoria no chega a 40% em nenhum dos estados brasileiros.

    Visando a contribuir para a formalizao do trabalho domstico e a informar os cidados sobre os direitos e deveres da categoria, a Justia do Trabalho da 4 Regio (RS) apresenta a Cartilha do Empregado e do Empregador Domstico, j na sua segunda edio.

    Esta publicao no responde a todas as questes legais relativas matria, mas aborda os principais pontos, com linguagem simples e objetiva. Esperamos que a cartilha possa servir de norte s relaes de trabalho domstico, auxiliando empregados e empregadores.

    Informar a sociedade sobre seus direitos um dos objetivos estratgicos da Justia do Trabalho. Acreditamos que quanto mais informado estiver o cidado, mais a legislao trabalhista ser respeitada e os direitos dos trabalhadores, honrados.

    Boa leitura a todos!

    Maria Helena MallmannDesembargadora-Presidente do TRT da 4 Regio

    APRESENTAO O EMPREGADO E O EMPREGADOR DOMSTICO

    Empregado domstico o trabalhador que presta servios de natureza contnua na residncia de uma pessoa ou famlia, de forma pessoal (a prpria pessoa, no podendo ser representada por outra), onerosa (paga) e subordinada (seguindo ordens do

    empregador). O empregador domstico a pessoa ou a famlia que contrata, a seu servio, um trabalhador domstico.

    So empregados domsticos, portanto, todos aqueles que realizam servios de limpeza, cozinha, lavagem de roupas, bab, caseiro, motorista, enfermeiro, jardineiro, dentre outros, desde que sejam prestados na residncia do empregador (pessoa fsica).

    A principal caracterstica que diferencia o emprego domstico o carter no econmico da atividade exercida na residncia do empregador. Ou seja, os servios do empregado no podem gerar qualquer tipo de lucro para a pessoa ou a famlia que o contrata. Por exemplo: a trabalhadora que cozinha para que o empregador venda a comida que ela prepara no considerada empregada domstica. Da mesma forma, o trabalhador que presta servio em um stio no qual existe algum tipo de produo econmica, como pecuria ou agricultura, tambm no pode ser considerado empregado domstico. O mesmo vale para o trabalhador de um condomnio de apartamentos ou casas, como porteiro, faxineira ou segurana: estes tambm no so considerados empregados domsticos.

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  • CARTEIRA DE TRABALHOAo contrrio do que acontece com outros trabalhadores, o empregado domstico tem a maior parte dos seus direitos regulamentada em lei prpria. Alm de alguns artigos da CLT, os direitos do trabalhador domstico esto previstos no artigo 7 da Constituio Federal, pargrafo nico; na Lei n 5.859, de 1972; e no Decreto n 71.885, de 1973.

    O empregado domstico tem direito a Carteira de Trabalho assinada.

    O empregador deve fazer as seguintes anotaes na carteira: data de admisso; salrio ajustado, atualizaes e aumentos; incio e trmino de frias; e data da dispensa.

    Como obter a Carteira de Trabalho

    A Carteira de Trabalho deve ser requerida junto ao Ministrio do Trabalho, por meio da Superintendncia Regional do Trabalho (tambm conhecida como Delegacia Regional do Trabalho) ou junto aos rgos conveniados, como as Prefeituras e o SINE (Sistema Nacional de Emprego).

    Documentos necessrios: duas fotos 3x4 recentes, certido de nascimento ou de casamento ou, ainda, atestado de viuvez, e qualquer documento oficial de identificao, no qual constem dados referentes ao nome completo, filiao, data e ao local de nascimento.

    Ateno

    O empregado deve conservar sua Carteira de Trabalho sem rasuras. proibido alterar anotaes ou trocar a fotografia da carteira.

    O empregador no pode registrar, na Carteira de Trabalho, anotaes negativas sobre a conduta do empregado, inclusive sobre eventual despedida por justa causa.

    Anotaes

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  • CONTRATAO

    O contrato de trabalho do empregado domstico pode ser feito por escrito ou verbalmente.

    O empregador tem o direito de exigir, no momento da contratao, a apresentao da Carteira de Trabalho, de atestado de boa conduta e de atestado de

    sade do empregado.

    O contrato por prazo determinado para o trabalhador domstico (por exemplo, um contrato de experincia) no est previsto em lei, mas a Justia do Trabalho tambm tem admitido esta forma de contratao.

    O empregador tem o direito de exigir do empregado domstico a execuo dos servios previstos na contratao, de forma pessoal, assdua, com empenho e dedicao.

    REMUNERAO

    A remunerao do empregado domstico pode ser paga de forma fixa, em espcie (dinheiro), ou parte em utilidades (habitao, alimentao, vesturio, transporte, lazer, educao, sade, etc.).

    Ateno

    Toda utilidade fornecida para que os servios sejam executados no tem natureza salarial (caso do uniforme, por exemplo).

    Salrio

    Conforme entendimento dominante na Justia do Trabalho, o empregado domstico tem direito, no Rio Grande do Sul, ao piso salarial regional. Em estados em que no h piso regional estabelecido, deve ser considerado o salrio mnimo nacional.

    Valor do piso salarial regional do Rio Grande do Sul:

    - O empregado domstico pode receber salrio-hora, respeitado, sempre, o valor-hora do salrio mnimo ou do piso salarial regional.

    Anotaes

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    R$ 700,00R$ 610,00 _________ _________ ____ ____ ____ 2011 2012 2013 2014 2015

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  • - O empregador pode exigir a assinatura de recibos de pagamento de salrio.

    - permitido o adiantamento do salrio do empregado domstico ou o fornecimento de vales, com posterior abatimento dos valores pagos. O empregador pode exigir recibos desse adiantamento.

    - Ao empregador proibido efetuar descontos no salrio do empregado a ttulo de alimentao, vesturio, higiene ou moradia.

    - Deve-se evitar o fornecimento de vales superiores ao salrio do empregado.

    - O salrio do empregado domstico no pode ser reduzido sob hiptese alguma (direito da irredutibilidade salarial).

    Vale-transporte

    O empregado domstico tem direito a vale-transporte em quantidade suficiente para o deslocamento casa/trabalho e vice-versa.

    O empregador pode descontar at 6% do salrio do empregado domstico pelo fornecimento do benefcio.

    O vale-transporte no deve ser pago em dinheiro.

    No caso de o empregado domstico no desejar o recebimento do vale-tranporte, o empregador deve manter documento escrito em que o trabalhador manifeste esta vontade.

    INSS

    O empregador deve inscrever o empregado domstico no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e efetuar os recolhimentos previdencirios nos percentuais de 8, 9 ou 11% do salrio do empregado, conforme o valor do salrio (deve-se consultar tabela vigente do

    INSS, o que pode ser feito no site www.mpas.gov.br). Alm deste percentual, o valor total a ser recolhido tambm deve incluir a cota do empregador, de 12% sobre o salrio do empregado, independentemente do valor do salrio. O recolhimento deve ser feito por meio de guia prpria, que pode ser adquirida em papelarias, at o dia 15 do ms seguinte ao da prestao dos servios (ms de competncia). O pagamento da guia pode ser feito em agncias bancrias e lotricas.

    Tabela da cota do empregado vigente a partir de janeiro de 2012

    Salrio de at R$ 1.174,86: 8% Salrio de R$ 1.174,87 at R$ 1.958,10: 9% Salrio de R$ 1.958,11 at R$ 3.916,20: 11%

    Exemplo (considerando que o empregado receba salrio de R$ 1.000,00)

    Cota do empregado (8%): R$ 80,00 (valor que deve ser descontado do salrio)

    Cota do empregador (12%): R$ 120,00Total da contribuio: R$ 200,00

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  • Fundo de Garantia

    O empregado domstico somente ter direito ao Fundo de Garantia por Tempo de Servio (FGTS) se o empregador concordar em efetuar os depsitos. Porm, se o empregador depositar o FGTS (8% do salrio do empregado) em um determinado ms, ficar obrigado a

    efetuar os depsitos nos meses subsequentes.

    Importante: O empregado domstico no tem direito ao abono do PIS, pois esta contribuio no deve ser recolhida pelo empregador domstico, por falta de previso legal.

    Dcimo terceiro salrio

    O pagamento do 13 salrio do empregado domstico deve ser feito em duas parcelas: a primeira entre fevereiro e novembro de cada ano, no valor correspondente metade do salrio do ms anterior ao do pagamento, e a segunda at o dia 20 de dezembro, no valor da remunerao de dezembro, descontado o valor da primeira parcela.

    Se o empregado domstico