Coleção Estatutos Comentados - Estatuto e Regulamento da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (2014)

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  • 1. 19 CAPTULO 1 DISPOSIES PRELIMINARES 1.1. A Polcia Civil e a Constituio da Repblica A Polcia Civil, vista sob o mbito administrativo, possui nature- za jurdica de rgo pertencente Administrao Direta dos Estados, Distrito Federal ou Territrios. No possui, portanto, personalidade jurdica prpria. Art. 144, CRFB. [...] [...] 6 As polcias militares e corpos de bombeiros militares, foras auxi- liares e reserva do Exrcito, subordinam-se, juntamente com as polcias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territrios. Com previso constitucional no art. 144 da Constituio da Re- pblica Federativa do Brasil (CRFB), a Polcia Civil tem a funo ge- nrica de preservao da segurana pblica e da incolumidade das pessoas e do patrimnio. Art. 144, CRFB. A segurana pblica, dever do Estado, direito e respon- sabilidade de todos, exercida para a preservao da ordem pblica e da incolumidade das pessoas e do patrimnio, atravs dos seguintes rgos: I polcia federal; II polcia rodoviria federal; III polcia ferroviria federal; IV polcias civis; V polcias militares e corpos de bombeiros militares. A Constituio do Estado do Rio de Janeiro, no art. 183, tam- bm reproduz o comando normativo ora previsto na Constituio da Repblica. Art. 183, CERJ. A segurana pblica, que inclui a vigilncia intramuros nos estabelecimentos penais, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, exercida para a preservao da ordem pblica e da incolumi- dade das pessoas e do patrimnio, pelos seguintes rgos estaduais: estatuto_policia_civil_rj.indd 19 29/07/2014 12:11:42
  • 2. 20 Marcus Vincius Lopes Montez I Polcia Civil; II Polcia Penitenciria; 1 (declarado inconstitucional por deciso do STF na ADIn 236-8/600.) III Polcia Militar; IV Corpo de Bombeiros Militar. A preservao da segurana e incolumidade pblica atribuio concorrente dos rgos enumerados no dispositivo constitucional, a sa- ber: Polcia Federal; Polcia Rodoviria Federal; Polcia Ferroviria Fede- ral; Polcias Civis; Polcias Militares; e Corpos de Bombeiros Militares.2 Nessa misso, cada rgo exercer suas funes dentro das es- feras de atribuies definidas pela prpria Constituio. No que se refere s Polcias Civis, estas devero exercer as funes de polcia judiciria e a apurao de infraes penais. Ficam ressalvadas as com- petncias da Unio, que nesse caso cabero Polcia Federal, bem como a apurao de infraes penais militares.3 Art. 144, CRFB. [...] [...] 4 s polcias civis, dirigidas por delegados de polcia de carreira, incumbem, ressalvada a competncia da Unio, as funes de polcia judiciria e a apurao de infraes penais, exceto as militares. O 4 do art. 144 da CRFB produto de grande preocupao da Constituinte de 1988, ao prever expressamente que a direo das Po- lcias Civis ser necessariamente exercida por Delegados de Polciade carreira. Exclui-se, portanto, qualquer hiptese de nomeao ad hoc de pessoas no concursadas para o cargo de Delegado de Polcia. Tal fato era um tanto comum antes da reforma constitucional de 1988. Militares das Foras Armadas ou mesmo Policiais Militares eram in- dicados por Governadores, Prefeitos ou toda sorte de polticos, para 1 A polcia Penitenciria, prevista no inciso II, do art. 183, da CERJ, foi declarada inconstitucional por deciso do STF, sob o fundamento de incluir outros rgos diversos do previsto no art. 144 da CRFB. 2 As Guardas Municipais no so rgos integrantes da segurana pblica, embora em diversas unidades da federao exeram, em claro desvio de funo, a atividade de policiamento ostensivo. 3 O art. 9 do Dec.-Lei 1.001/69 (Cdigo Penal Militar) prev as hipteses de incidncia dos crimes militares. O art. 124, caput, da CRFB dispe que Justia Militar compete processar e julgar os crimes militares definidos em lei. estatuto_policia_civil_rj.indd 20 29/07/2014 12:11:42
  • 3. 21 Disposies preliminares ocuparem o cargo de Direo das Polcias Civis. Com a nova Consti- tuinte, tais nomeaes ad hoc encontram-se expressamente vedadas, revelando clara violao constitucional. Embora em 1988 essa garantia tenha sido um avano, hoje mos- tra-se um tanto tmida, porque no impede por completo a ingern- cia poltica dos Governos numa funo que se reveste claramente de atribuies tcnicas. Espera-se que as prximas reformas estipulem, seja no mbito constitucional, ou mesmo no plano legal, comando normativo no sentido de que a escolha da direo ou chefia das Po- lcias se faa por eleio a partir de lista trplice, encaminhada ao Governador dos Estados, tal como ocorre, por exemplo, com a chefia do Ministrio Pblico. 1.2. Polcia Civil e polcia judiciria Outro aspecto que podemos extrair do 4 do art. 144 da CRFB a distino entre polcia judiciria e Polcia Civil, institutos muito confundidos na prtica e, tambm, em bons livros de doutrina. Polcia Civil rgo vinculado Administrao Direta dos Esta- dos/Distrito Federal (entes federados) e, portanto, sem personalidade jurdica prpria. Polcia judiciria, como a prpria Constituio afirma, funo, exercida privativamente4 pelas Polcias Civis. Polcia Civil rgo Polcia Judiciria funo 4 Frente ao direito vigente, resta claro que as Polcias Civis e Federal no possuem exclusividade na conduo das investigaes de infraes penais comuns (em contraposio s infraes militares). O Ministrio Pblico, por exemplo, investiga seus prprios membros (art. 41, pargrafo nico, da Lei 8.625/93 e art. 65, inciso III, da LC 75/93); o Judicirio, de forma idntica, tambm pratica atos de investigao em infraes praticadas por seus membros (art. 33 da LC 35/79). Outra faceta dessa discusso enfrenta a ilegalidade de o prprio Ministrio Pblico realizar investigaes indistintamente, frente adoo no Brasil do sistema acusatrio de processo, em que haveria clara diviso de funes (investigar, acusar, defender e julgar). Este trabalho no tem a pretenso de abordar essa intrincada temtica. Por tal razo optamos por utilizar o vocbulo privativamente, sem excluir a controvrsia citada. estatuto_policia_civil_rj.indd 21 29/07/2014 12:11:42
  • 4. 22 Marcus Vincius Lopes Montez Mas o que seria a funo de polcia judiciria? A funo de polcia judiciria o exerccio da investigao preli- minar, anterior e preparatria, na maioria das vezes, ao processo-cri- me judicial. No direito administrativo encontramos, habitualmente, o uso da expresso polcia repressiva, significando a atuao do rgo estatal aps a prtica da infrao penal, apurando indcios de autoria e prova da materialidade do delito. Em contraposio funo de polcia judiciria ou repressiva, temos a polcia administrativa ou preventiva, atuante, normalmente, antes da prtica da infrao penal, objetivando prevenir/evitar o co- metimento do crime, funo normalmente atribuda s Polcias Mili- tares, nos Estados e Distrito Federal. Nesse sentido leciona o professor LOPES JR.5 : A polcia brasileira desempenha dois papis (nem sempre) distintos: a polcia judiciria e a polcia preventiva. A polcia judiciaria est encarre- gada da investigao preliminar, sendo desempenhada nos Estados pela Polcia Civil [...]. J o policiamento preventivo ou ostensivo levado a cabo pelas Polcias Militares dos Estados, que no possuem atribuio (como regra) para realizar a investigao preliminar. Em se tratando de inqurito policial, est ele a cargo da polcia judiciria (no cabendo Polcia Militar realiz-lo, salvo nos crimes militares definidos no Cdigo Penal Militar). Polcia Judiciria atuao repressiva Normalmente realizado pelas Polcias Militares nos Estados, por meio do po- liciamento ostensivo, com a finalidade tpica de prevenir a prtica de infraes penais (carter preventivo). Realizado tipicamente pela Polcia Civil, aps a prtica da infrao penal (carter repressivo). Polcia Administrativa atuao preventiva 5 LOPES JR., Aury. Direito Processual Penal e sua Conformidade Constitucional. Vol. I. 2 ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008, pg. 241. estatuto_policia_civil_rj.indd 22 29/07/2014 12:11:42
  • 5. 41 Disposies preliminares II decidir quanto a pedidos de cesso e disposio de servidores civis e militares, da Administrao Estadual Direta, Autrquica e Fundacional, inclusive aqueles formulados por autoridades federais, estaduais, muni- cipais e de outros Poderes. Tal situao excepcional tambm encontra regulamentao na Resoluo SESEG n 398, de 17 de agosto de 2010, e na Portaria PCERJ n 465, de 26 de junho de 2008. 1.5. Jurisprudncia Tratando sobre a questo da inconstitucionalidade de leis edita- das pela Assembleia Legislativa sem a devida iniciativa do Chefe do Executivo, trazemos para anlise a ADIn n 700-9/RJ: REGIME JURDICO DOS SERVIDORES PBLICOS ESTADUAIS. APOSENTADORIA E VANTAGENS FINANCEIRAS. INCONSTITU- CIONALIDADE FORMAL. VCIO QUE PERSISTE, NO OBSTANTE A SANO DO RESPECTIVO PROJEITO DE LEI. PRECEDENTES. 1. Dispositivo legal oriundo de emenda parlamentar referente aos ser- vidores pblicos estaduais, sua aposentadoria e vantagens financeiras. Inconstitucionalidade formal em face do disposto no art. 61, 1, II,c, da Carta Federal. 2. firme na jurisprudncia do Tribunal que a sano do projeto de lei no convalida o defeito de iniciativa. Precedentes. Procedncia da ao. Inconstitucionalidade da Lei n 1.786, de 09 de janeiro de 1991, do Estado do Rio de Janeiro. (STF, ADIn n 700-9/RJ, Rel. Min. Maurcio Corra, Pleno, 24.08.01) 1.6. Sntese do captulo Polcia Civil Natureza jurdica rgo; no possui personalidade jurdica; Funo genrica preservao da segurana pblica e da incolu- midade das pe