Sexto Homem trecho

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Sexto Homem trecho Autor: David Baldacci Lanamento Editora Arqueiro setembro

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  • 1. O ArqueiroGeraldo Jordo Pereira (1938-2008) comeou sua carreira aos 17 anos,quando foi trabalhar com seu pai, o clebre editor Jos Olympio, publicando obras marcantescomo O menino do dedo verde, de Maurice Druon, e Minha vida, de Charles Chaplin.Em 1976, fundou a Editora Salamandra com o propsito de formar uma nova gerao deleitores e acabou criando um dos catlogos infantis mais premiados do Brasil. Em 1992,fugindo de sua linha editorial, lanou Muitas vidas, muitos mestres, de Brian Weiss, livroque deu origem Editora Sextante.F de histrias de suspense, Geraldo descobriu O Cdigo Da Vinci antes mesmo de ele serlanado nos Estados Unidos. A aposta em fi co, que no era o foco da Sextante, foi certeira:o ttulo se transformou em um dos maiores fenmenos editoriais de todos os tempos.Mas no foi s aos livros que se dedicou. Com seu desejo de ajudar o prximo, Geraldodesenvolveu diversos projetos sociais que se tornaram sua grande paixo.Com a misso de publicar histrias empolgantes, tornar os livros cada vez mais acessveise despertar o amor pela leitura, a Editora Arqueiro uma homenagem a esta fi guraextraordinria, capaz de enxergar mais alm, mirar nas coisas verdadeiramente importantese no perder o idealismo e a esperana diante dos desafi os e contratempos da vida.

2. Para David Young e Jamie Raab, minha dupladinmica de editores e amigos. 3. A nica coisa pior do que se perder em detalhes e nover o todo focar no todo e no ver os detalhes. Annimo 4. 9PRLOGO PAREM COM ISSO!O homem se curvava sobre a fria mesa de metal, o corpo todo contrado,os olhos fechados e a voz falhando. Ele respirava com difi culdade e deixava oar sair como se fosse o ltimo suspiro. Atravs de fones de ouvido, uma rpidatorrente de palavras enchia seus canais auditivos e inundava seu crebro. Haviauma srie de sensores presos a um pesado colete de tecido afi velado em seutronco. E ele tambm usava uma touca com eletrodos que mediam suas ondascerebrais. A sala estava muito iluminada.A cada transmisso de udio e vdeo seu corpo se contraa como se ele tivessesido golpeado por um campeo de peso pesado.Ele comeou a chorar.Em um cmodo contguo e escuro, um pequeno grupo de homens espanta-dosassistia cena atravs de um espelho falso.A tela na parede da sala em que o homem chorava media 2,40 metros delargura por 1,80 metro de altura. Parecia perfeita para assistir a um jogo de fute-bolamericano. Contudo, as imagens digitais que ela exibia em rpida sucessono eram de homens enormes uniformizados esmagando os neurnios uns dosoutros. Eram dados ultrassecretos aos quais muito poucas pessoas no governoteriam acesso.Coletivamente, e para o olho experiente, revelavam muito bem as atividadesclandestinas realizadas mundo afora.Eram imagens claras de movimentos suspeitos de tropas na Coreia ao longodo paralelo 38.Imagens de satlite de projetos de construo no Ir mostravam, sem deixardvidas, que havia silos de msseis subterrneos que pareciam enormes caixasescavadas na terra, junto com os registros trmicos marcantes de um reator nu-clearem operao.Do Paquisto, fotos de vigilncia tiradas a grande altitude dos resultados deuma exploso terrorista em um mercado onde frutas, legumes e corpos cobriamo cho.Da Rssia, havia um vdeo em tempo real de uma caravana de caminhesmilitares em uma misso que poderia levar o mundo a outra guerra mundial. 5. 10Da ndia fl uam dados sobre uma clula terrorista que planejava ataques si-multneosa alvos importantes em uma tentativa de desestabilizar a regio.Da cidade de Nova York, fotos incriminadoras de um importante lder pol-ticocom uma mulher que no era sua esposa.De Paris, uma grande quantidade de nmeros e nomes representando movi-mentaesfi nanceiras de criminosos. Eles se alteravam to rpido que pareciamum milho de colunas de Sudoku exibidas em altssima velocidade.Da China, havia informaes clandestinas sobre um possvel golpe contra oslderes do pas.De milhares de centros de servios de inteligncia espalhados por todos osEstados Unidos e fi nanciados pelo governo, fl uam informaes sobre ativida-dessuspeitas realizadas por americanos ou estrangeiros que operavam dentrodo pas.Dos pases de lngua inglesa com os quais Estados Unidos compartilhavamdados sigilosos Reino Unido, Canad, Austrlia e Nova Zelndia , vinha umacompilao de informaes ultrassecretas, todas de enorme relevncia.E de todos os cantos do globo eram fornecidas muitas informaes em altadefi nio.Se isso fosse um jogo de video game, seria o mais empolgante e difcil jcriado. Mas no havia nada de fi ctcio. Ali pessoas reais viviam e morriam acada segundo todos os dias.Esse exerccio era conhecido no mais alto escalo da comunidade de inteli-gnciacomo Parede.O homem curvado sobre a mesa de metal era pequeno e esguio. Tinha pelemorena e cabelos pretos curtos grudados na cabea. Os grandes olhos estavamvermelhos de lgrimas. Ele tinha 31 anos, mas parecia ter envelhecido dez nasltimas quatro horas. Por favor, parem com isso. No aguento. No consigo fazer isso.Ao ouvir esse comentrio, o homem mais alto atrs do espelho se endireitou.Ele tinha 47 anos e aquilo era essencialmente seu trabalho, sua ambio e suavida. Ele vivia e respirava aquele projeto. Seu crebro se dedicava nica e exclu-sivamentequilo. O tom grisalho de seus cabelos havia aumentado de formaconsidervel nos ltimos seis meses por motivos diretamente ligados Paredeou, mais especifi camente, problemas com a Parede.Ele usava palet, camisa e calas sociais feitas sob medida. Embora tivesse umcorpo atltico, nunca participara de competies esportivas e no tinha a coor-denaomotora notavelmente boa. O que de fato tinha era inteligncia de sobrae um desejo inesgotvel de ser bem-sucedido. Havia se formado na universidade 6. aos 19 anos, feito ps-graduao em Stanford e Oxford. Era a combinao per-feitade viso estratgica e esperteza. Era rico e bem relacionado, embora desco-nhecidodo pblico. Tinha muitos motivos para se sentir feliz e apenas um para sesentir frustrado ou at mesmo revoltado. E estava olhando para o motivo agora.Ou melhor, para a pessoa.Bunting olhou o tablet que segurava. Tinha feito quele homem uma enormequantidade de perguntas cujas respostas podiam ser encontradas no fl uxo dedados. No obtivera uma nica resposta. Por favor, algum me diga que isso uma brincadeira sem graa comen-toufi nalmente.Bunting sabia muito bem que era srio. Aquelas pessoas no brincavam.Um homem mais velho e mais baixo com uma camisa amassada ergueu asmos em um gesto de impotncia. A questo que ele um E-Cinco, Sr. Bunting. Bem, esse Cinco obviamente no serve para o servio.Eles se viraram para olhar mais uma vez pelo vidro enquanto o homem nasala arrancava os fones de ouvido e gritava: Quero sair! Agora! Ningum me disse que seria assim.Bunting ps o tablet na mesa e se apoiou na parede. O homem na sala eraSohan Sharma. Ele fora a melhor e ltima esperana de preencher o cargo deAnalista. Analista com A maisculo. S havia um. Senhor? chamou o homem mais jovem do grupo.Ele tinha quase 30 anos, mas seus cabelos longos e rebeldes e seu rosto infan-tilo faziam parecer bem mais novo. Seu pomo de ado subia e descia, deixandoclaro seu nervosismo.Bunting massageou as tmporas. Estou ouvindo, Avery. Ele parou para mastigar algumas pastilhas de anti-cido. S espero que seja importante. Estou meio estressado, como voc deveter percebido. Sharma um Cinco verdadeiro de acordo com todas as medidas aceitveis.S fi cou desorientado quando chegou Parede. Avery olhou de relance paraa sequncia de telas do computador que monitorava as funes vitais e cere-braisde Sharma. Sua atividade cerebral foi nas alturas. Um caso clssico desobrecarga de informaes. Isso comeou um minuto depois que elevamos aomximo a taxa de transferncia da Parede. Sim, isso eu descobri sozinho. Bunting apontou para Sharma, que agorachorava no cho. Mas esse o resultado que obtemos com um Cinco legtimo?Como possvel?11 7. 12 O principal problema que h exponencialmente mais dados sendo lan-ados explicou Avery. Dez mil horas de vdeo. Cem mil relatrios. Quatromilhes de registros de incidentes. A coleta de imagens por satlite fi ca na casade milhares de terabytes, e isso depois da fi ltragem. A quantidade de sinais in-terceptadosque exigem ateno alcana milhares de horas. S as comunicaesdo campo de combate poderiam encher mil catlogos telefnicos. Isso entra acada segundo todos os dias, em quantidades sempre crescentes, de um milhode fontes diversas. Em comparao com os dados disponveis de apenas vinteanos atrs, como pegar um dedal cheio de gua e o transformar em um milhode Oceanos Pacfi cos. Com o ltimo Analista, tivemos que reduzir de modoconsidervel o fl uxo de dados por pura necessidade. O que exatamente voc est me dizendo, Avery? perguntou Bunting.O jovem tomou flego. A expresso em seu rosto era como a de um homemque acabara de perceber que poderia estar se afogando. Podemos ter esbarrado nos limites da mente humana.Bunting olhou para os outros. Nenhum deles sustentou seu olhar. Correnteseltricas pareciam surgir no ar mido que emanava do suor de seus rostos. No h nada mais poderoso do que um crebro humano totalmente utili-zvelem ao argumentou Bunting em um tom calmo. Eu no duraria dezsegundos na Parede, porque uso talvez 11% da minha massa cinzenta. Mas umE-Cinco faz o crebro de Einstein parecer o de um beb. Nem mesmo um su-percomputadorchega perto dele. Isso computao quntica em carne e osso.Pode operar linear, espacial e geometricamente, em todas as dimenses que pre-cisarmos. o mecanismo analtico perfeito. Eu entendo, senhor, mas...A voz de Bunting se tornou mais estridente: Isso foi provado em todos os estudos que j fi zemos. o evangelho emque se baseia tudo que fazemos aqui. E, ainda mais importante, o que nossocontrato de 2,5 bilhes de dlares diz que temos de fornecer e algo de que todosaqueles fi lhos da me da comunidade de inteligncia dependem. Foi o que eudisse ao presidente dos Estados Unidos e a todo mundo logo abaixo dele nahierarquia. E agora voc est me dizendo que