N3 março 2014

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Revista de cultura e politica. Neste número: moedas sociais, arte e ideologia, e desproporção no sistema eleitoral.

Text of N3 março 2014

  • 1. 1 REVISTA PAULISTA DE CULTURA E POLTICA N 3 Maro/2014 MARO DE 2014
  • 2. 2 REVISTA PAULISTA DE CULTURA E POLITICA Editorial ....................................................................................................................... 03 Moedas Sociais...............................................................................................................04 Roberto Tonin Arte Moderna e Ideologia Parte I: Picasso e Dali.........................................................08 Roberto Tonin A Desproporcionalidade na representao poltica no Brasil ........................................20 Roberto Tonin
  • 3. 3 Editorial Neste ano de 2014 a temtica da Autonomia volta a ter destaque nos meios de comunicaes. Na Europa esto agendadas referendum na Esccia em 18 de setembro e Catalunha em 9 de novembro, alm do referendum realizado na Crimia em 16 de maro que garantiu a liberdade de seu povo, e da consulta tambm j realizada entre 16 e 21 de maro no Veneto, que ser base para um referendum em breve. Alm destas regies, a Valonia, Bretanha, Regies Bascas, Galicia, Corsega reforam seu ativismo contra sua submisso a Estados Nacionais obsoletos e incoerentes diante da Federao Europia em formao. Alguns questionam mesmo a necessidade de um Estado Continental, cada vez mais centralizado e normatizador que esta se tornando a Unio Europeia. Os povos temem a transformao da Europa com sua diversidade cultural e tnica, numa cpia dos Estados Unidos, com sua pasteurizao cultural e crescente centralismo politico e administrativo, que gera uma polarizao entre o extremo coletivismo e o extremo individualismo. Os povos europeus querem assegurar a existncia da vida comunitria, sem coletivismos ou individualismos, e garantir a humanidade de suas relaes, livres de artificialismos ideolgicos que impregnam a politica americana, e que agora contaminam a politica europeia, mostrando a subjugao dos Estados Nacionais obsoletos da Europa as vontades de estrangeiros. Outras regies do mundo tambm esto se mobilizando neste ano para obterem a to almejada autonomia e liberdade para seus povos, a Nova Calednia, Bougainville, Groelndia, Quebc e Regio Camba, so nossos outros estimulos para pensar e agir em prol das reais necessidades de nosso povo. Na presente edio vamos abordar a existncia das chamadas moedas sociais, o dinheiro local usado pelas comunidades para dinamizar a economia regional. Uma estratgia muito acertada que possui timos precedentes em outros pases. O dinheiro local estimula a cooperao, refora a identidade e permite o surgimento do sentimento de poder local. Removendo as correntes da submisso e dependncia imposta pelas praticas politicas corruptas dos governos e partidos centralistas. Na sequencia iremos tratar da relao da ideologia politica esquerdista com a chamada Arte Moderna. Neste artigo, o primeiro de uma srie que ir analisar a lgica por trs da chamada Arte Moderna, ir focar no antagonismo entre Pablo Picasso e Salvador Dal. O primeiro tornou-se o garoto propaganda da Arte Moderna e do movimento esquerdista internacional, valendo-se da fraude e oportunismo mesquinho. O segundo a despeito de sua superioridade tcnica e empenho acadmico, ou talvez
  • 4. 4 por causa dela como ressaltado pelo prprio Dal, foi expulso de ambos os movimentos devido a sua independncia individual e, sobretudo devido a sua defesa intransigente dos valores morais essenciais, O que valeu a Dal o epteto de fascista, imposto pela mdia esquerdista a todos os que os contrariam. Abordando os dois artistas mais significativos, semelhantes, contraditrios e que tomaram rumos completamente diferentes, esperamos buscar um pouco de esclarecimento tanto do uso da arte, como do uso da ideologia sobre as vidas e destinos das pessoas. O artigo final abordar uma questo bem tcnica, e sumamente importante para nosso povo. A questo da desproporcionalidade no sistema eleitoral, que gera uma divergncia gritante entre a quantidade de votos e o numero de polticos eleitos entre os estados do Brasil. Vamos abordar seus efeitos sobre os partidos polticos e fazer uma reflexo sobre a legitimidade das aes dos polticos eleitos sob a desproporcionalidade, contrariando as vontades majoritrias da populao e eleitorado.
  • 5. 5 Moedas Sociais Roberto Tonin Existem no pas 103 moedas alternativas ao real circulando livremente com a anuncia do banco central. O propsito do dinheiro local fortalecer a comunidade, evitando que as pessoas gastem seu dinheiro fora de sua regio. Isso porque existe um circulo vicioso na pobreza, quando um grupo de pessoas obtm recursos por meio de trabalho fora de sua localidade, acaba gastando esse dinheiro no comrcio e servio tambm fora de sua localidade, seja por no haver tais ofertas em sua regio ou por simples comodidade. Desta forma a moeda social tem como propsito romper esse obstculo de forma dupla. Por um lado atravs de emprstimos de pequenas somas, se viabiliza a empreendedores locais a criao de comrcio e servios. Uma vez existindo a oferta, o dinheiro estimulado a permanecer no local ao utilizar a moeda social como parte de pagamento de empregados na comunidade. Desta forma o dinheiro passa a circular na regio proporcionando o estmulo necessrio para novos empreendimentos. Geralmente as moedas sociais so associadas a bancos comunitrios para permitir emprstimos de micro-crdito. nica alternativa para pessoas de baixa renda que no tinham possibilidades junto a bancos comerciais. Foi constatado que o uso de moedas sociais eleva a autoestima da populao de locais carentes. Por se tratar de um dinheiro exclusivo da comunidade, e o seu uso implicar uma rede de solidariedade e confiana, a moeda social incrementa um valor cultural comunidade. O interessante que no h marco regulatrio para as moedas sociais. Fato chocante num pais onde tudo, absolutamente tudo regulamentado ou em vias de regulamentao. Existe atualmente apenas um procedimento administrativo do banco central para autorizar a emisso do dinheiro local, mediante o depsito em reais. E isso ainda instvel, j que at 2003 o Banco Central proibia a circulao de tais moedas paralelas ao real, e em 2011 o
  • 6. 6 Ministrio Pblico, sempre ele, instaurou um processo exigindo explicaes quanto a legalidade da moeda em circulao. A experincia possui o precedente na Sua. O Wirtschaftsring-Genossenschaft, conhecido como Crculo Econmico Suo, foi criado em 1934 e a experincia mais bem sucedida de moeda local. Essa estratgia foi um dos responsveis por proteger a Sua da recesso europeia, e a moeda local convive com o franco suo, superando 1 bilho de Euros em circulao. Em So Paulo temos vrias moedas sociais em circulao, criadas por associaes e apoiadas por universidades locais. Vida o dinheiro local no bairro de Jardim Gonzaga em So Carlos, embora possa circular em bairros vizinhos. A moeda foi criada pelo Banco Comunitrio Nascente com o apoio da Igreja Catlica que arrecadou o montante necessrio para o lastro em quermesses, e o apoio tcnico do ncleo de economia solidria da Universidade Federal de So Carlos. O Sampaio o dinheiro local no bairro de Jardim Maria Sampaio na zona sul da capital paulista. J na zona norte existe o Apuan, em circulao nos arredores do bairro Jardim Filho da Terra. Tambm na zona sul h o Moradia em Ao que circula no Jardim So Lus. Na zona oeste tem o Vista Linda no Jardim Donria. Na zona leste existe o Freire no bairro de Incio Monteiro. Estas moedas so emitidas por bancos comunitrios. apoiados pela Incubadora Tecnolgica de Cooperativas Populares da USP. Os bancos emprestam dinheiro para consumo sem taxas de juros, e para empreendimentos com juros irrisrios. As pequenas taxas servem apenas para sustentar as pequenas despesas de gerenciamento. No h lucro, apenas solidariedade. Algo bem distinto dos bancos comerciais, que so 6 das 10 empresas que mais lucram no Brasil. A lgica da reteno do dinheiro recebido pelos moradores para ser utilizado na prpria localidade pode gerar uma srie de reflexes: a pobreza no a ausncia de dinheiro e sim a ausncia de oportunidade; doaes de bens e comida com o intuito de amenizar a misria,
  • 7. 7 apenas a perpetua, pois no rompe o fator de estagnao produtiva, aqui podemos recordar a lio religiosa no de o peixe, ensine a pescar; ser capaz de controlar alguns aspectos de suas vidas, no caso a disponibilizao de crdito circulante, aumenta a sensao de poder da comunidade, permitindo a reduo da alienao e elevando o nvel de solidariedade e autonomia comunitria; uma vez percebido que a permanncia do dinheiro ganho na prpria comunidade altamente benfica para o bem-estar e progresso desta, comea a questionar as transferncias obrigatrias de dinheiro para o governo por meio de impostos, que no so reaplicados na comunidade, ou ento voltam como um favor de algum poltico. Haver o momento em que o povo perceber a armadilha fiscal em que vtima?
  • 8. 8 Arte Moderna e Ideologia Parte I: Picasso e Dali Roberto Tonin Dal foi alm da imaginao de sua poca ao desconstruir imagens clssicas e remonta-la atravs do imaginrio simblico do subconsciente. Os modernistas, incluindo mais tarde Picasso, desconstruram o imaginrio tradicional, mas no deixaram nada no lugar, apenas o caos. H notavelmente uma enorme distancia entre as obras modernista-surreais de Dal e as obras modernista-abstratas de Picasso. O que levou os dois amigos, c