2012 natalia heloufazzioni

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    19-Dec-2014

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<ul><li> 1. UNIVERSIDADE DE SO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CINCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL NATLIA HELOU FAZZIONI A vista da rua: Etnografia da construo dos espaos e temporalidades na Lapa (RJ). So Paulo 2012 </li></ul><p> 2. UNIVERSIDADE DE SO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CINCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL A vista da rua: Etnografia da construo dos espaos e temporalidades na Lapa (RJ). Natlia Helou Fazzioni nataliafazzioni@gmail.com Dissertao apresentada ao Programa de Ps- Graduao em Antropologia Social do Departamento de Antropologia Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo, para a obteno do ttulo de Mestre em Antropologia Social. Orientador: Prof. Dr. Heitor Frgoli Jr. So Paulo 2012 3. Folha de aprovao Natlia Helou Fazzioni A vista da rua: etnografia da construo dos espaos e temporalidades na Lapa (RJ). Dissertao apresentada ao Programa de Ps- Graduao em Antropologia Social do Departamento de Antropologia Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo, para a obteno do ttulo de Mestre em Antropologia Social. Orientador: Prof. Dr. Heitor Frgoli Jr. Aprovado em:________________________________________________________ Banca examinadora: Prof. Dr.:______________________________________________________________ Instituio:___________________Assinatura:________________________________ Prof. Dr.:______________________________________________________________ Instituio:___________________Assinatura:_______________________________ Prof. Dr.:______________________________________________________________ Instituio:___________________Assinatura:________________________________ 4. Resumo A dissertao aqui apresentada busca compreender a constituio atual do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, no marco das alteraes ocorridas em sua dinmica nos ltimos anos. Tal processo, comumente denominado de revitalizao, adensou- se no incio dos anos 2000 e caracteriza-se, sobretudo, pela intensificao da vida noturna local e suas implicaes. Em meio a tal paisagem de pesquisa, a Rua Joaquim Silva e seu entorno foram eleitos como lcus privilegiado de anlise. Ao observar as relaes presentes neste espao, relacionadas ao contexto mais geral do bairro, revelou-se uma srie de encontros entre diferentes atores sociais, os quais permitiram compreender, de alguma maneira, por quem e como este espao hoje habitado e consequentemente, construdo. Palavras-chave: cidade, espao, territorialidades, intervenes urbansticas, redes de relao. 5. Abstract The present thesis aims to understand the contemporary constitution of a region in Rio de Janeiros historic center called Lapa, considering many changes that affected its dynamics during the last years. Such process, normally refereed as revitalizao, has been intensified since the beginning of years 2000 and it is marked by an increase on Lapas nightlife. Considering this context, a street named Joaquim Silva was elected as a privileged field of research. Observe the relations there presents, correlated to the neighborhood context, permitted to seek networks and situations experienced between different social actors. Thus, was possible to understand for who and how this space is nowadays dwelled and therefore, built. Keywords: city, space, territorialities, urban intervention, social networks. 6. Agradecimentos Agradeo primeiramente ao meu orientador, Prof. Dr. Heitor Frgoli Jr., pelas valiosas sugestes e pelas leituras atentas que fez de todos os escritos produzidos ao longo desta pesquisa. E ainda, pelo voto de confiana que me deu, desde nosso contato inicial, mesmo antes do meu ingresso no mestrado. Estendo este agradecimento aos colegas do GEAC (Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade), coordenado pelo mesmo orientador, pelas leituras e comentrios do meu trabalho em diferentes etapas. Sou grata ao grupo tambm pelas instigantes discusses de outros trabalhos que fizemos e pelas incurses que realizamos, algumas vezes juntos, pelo bairro da Luz em So Paulo (fruto da pesquisa coletiva do grupo), as quais motivaram tantos debates e certamente influenciaram minha pesquisa. A Prof. Dra. Fernanda Aras Peixoto esteve presente nos trs momentos cruciais do mestrado: o processo seletivo, o exame de qualificao e, finalmente, a defesa. Suas sugestes foram muito importantes nos desdobramentos desse trabalho. Os comentrios feitos no exame de qualificao pela Prof. Dra. Fraya Frehse, pelos quais sou grata, foram tambm de grande valia na composio do texto final. Agradeo, por fim, ao Prof. Dr. Hlio Silva que aceitou participar da defesa e foi extremamente receptivo quando quis lhe contar sobre meu trabalho e as coincidncias de nossos campos, ainda no Rio de Janeiro. Ao Prof. Dr. Jlio Simes, que assumiu formalmente minha orientao no perodo em que meu orientador esteve fora do pas e me auxiliou a enfrentar toda parte burocrtica do mestrado naquele perodo. A Prof. Dra. Silvana Rubino foi minha orientadora durante a graduao na Unicamp e seu apoio foi fundamental para que eu seguisse adiante com a pesquisa e ingressasse no mestrado. Quero agradecer tambm aos funcionrios e colegas do PPGAS/USP pela ajuda e parceria em muitos momentos. Agradeo ainda FAPESP (Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo), que financiou esta pesquisa e apenas em razo deste apoio pude passar nove meses no Rio de Janeiro pesquisando, bem como apresentar os resultados deste trabalho em uma srie de congressos. Michele Escoura, Renata Mouro, Denise Pimenta e Marina Barbosa, da minha turma de mestrado, foram companheiras e fundamentais em diferentes etapas desse 7. processo. Jlia Goyat, tambm da mesma turma, tornou-se uma grande amiga com a qual compartilhei quase tudo o que vivi ao longo desses dois anos e meio, sem sua amizade tudo certamente teria sido mais difcil. No Rio de Janeiro, fui gentilmente acolhida pelos colegas do LAARES/NUCLAO (IFCS/UFRJ), coordenado pelo Prof. Dr. Reginaldo Santos Gonalves. Com eles tive a excelente oportunidade de discutir meu trabalho. Ainda durante o perodo no Rio de Janeiro, agradeo queles que me auxiliaram de alguma maneira no trabalho de campo e no dia-a-dia, so eles: Samuel Leal, Diana Helene, Guilherme Gehr e Fabrcio Menicucci. Enrico Spaggiari e Carolina Parreiras me socorreram em diferentes momentos com a reviso dos meus textos. Sou grata pelas valiosas dicas que me deram para aprimorar minha escrita desajeitada. Agradeo tambm ao Gregory Valente, sempre querido e habilidoso, que confeccionou os mapas que acompanham essa dissertao. Jos Colao Dias Neto, ao longo da escrita deste texto, fez um pouco de tudo: leu, cobrou, consolou, apoiou. Fez ainda, o mais importante: pegou na minha mo em uma inusitada madrugada na Lapa e, desde ento, no soltou mais. A ele, agradeo imensamente por ter aparecido, pelo companheirismo e pela pacincia. A todos os meus queridos amigos de escola, faculdade e repblica, agradeo por perdoarem a minha ausncia em tantos eventos e compreenderem meu interminvel trnsito entre Campinas, So Paulo e Rio de Janeiro. Finalmente, agradeo a minha me, que teve o cabelo arrepiado e o corao apertado inmeras vezes ao longo desse processo, mas que ainda assim me deu todo apoio necessrio e tentou sempre ajudar, mesmo sem saber muito bem como. Aos meus irmos, Priscila e Matheus, que mesmo to diferentes de mim, me completam e fazem parte de tudo que sou e fao. minha av Alice, cuja coragem sempre me inspirou, agradeo pelos sbios conselhos, pelo carinho de sempre e todo o resto, sem a sua ajuda eu no teria chegado at aqui. E, sobretudo, sou profundamente grata a todos os que estiveram presentes em meu cotidiano como pesquisadora na Lapa, entre tantos, esto: Hlinho, Aline, Antnio, Fernanda, Lus, Ana, Fernando, Dad, Allan, Bira, Dbora, Iuri e, especialmente, Marlene, que me recebeu de braos abertos em seu mundo. So essas pessoas e suas vidas que do cor e substncia a esse trabalho. 8. Acho que o quintal onde a gente brincou maior do que a cidade. A gente s descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas h que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. H de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal so sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. (Manoel de Barros). Este trabalho dedicado minha me, Rafha, e minha av, Alice: as maiores pedras do meu mundo, onde quer que eu esteja. 9. Sumrio INTRODUO ........................................................................................................... 10 Consideraes tericas e metodolgicas bsicas. ....................................................... 11 Percurso da pesquisa................................................................................................... 16 Apresentao do texto................................................................................................. 17 CAPTULO 1: SEXTA-FEIRA. .................................................................................. 20 1.1) Prembulo: Let's go to Lapa......................................................................... 20 1.2) Cores, samba e diversidade: desvelando a revitalizao.............................. 22 1.3) Consideraes sobre um debate: gentrification. .............................................. 36 1.4) Percursos noturnos: mapeando o campo em uma territorialidade flexvel...... 39 1.5) Um ponto de vista, a vista de um ponto: a Rua Joaquim Silva........................ 49 CAPTULO 2: DE SEGUNDA A QUINTA-FEIRA. ................................................. 56 2.1) Conhecendo a rua. ........................................................................................... 56 2.2) Citadinos, situaes, histrias de vida e redes de relao................................ 62 2.3) Da sala de aula. ................................................................................................ 65 2.3) Da cadeira de Marlene. .................................................................................... 77 2.4) Do bar do Alemo............................................................................................ 86 CAPTULO 3: SBADO E DOMINGO..................................................................... 96 3.1) Outros cheiros, outros sons.............................................................................. 96 3.2) Aproximaes e afastamentos: relaes vistas a partir do Bar Semente. ........ 97 3.3) Brincadeiras na rua e o comeo da Lapa. ............................................... 106 CONCLUSO ........................................................................................................... 115 BIBLIOGRAFIA........................................................................................................ 119 10. 10 INTRODUO. A dissertao aqui apresentada busca compreender a constituio atual do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, no marco das alteraes ocorridas em sua dinmica nos ltimos anos. Tal processo, comumente denominado de revitalizao, adensou- se no incio dos anos 20001 e caracteriza-se, sobretudo, pela intensificao da vida noturna local e suas implicaes. At pouco tempo, a regio no era considerada oficialmente um bairro perante a administrao municipal.2 No contexto desta pesquisa, no entanto, foi tomada como tal por ser assim aludida pela maioria dos interlocutores aqui abordados. Categoria subjetiva e difcil de circunscrever, o bairro em questo emerge mais como um emaranhando de relaes existentes em um espao fsico aproximadamente delimitado, do que como um conjunto homogneo de prticas e cdigos. O espao3 da Lapa e os significados que o compem so plurais e esto em constante movimento. Para chegar a tal constatao, porm, no foi necessrio nenhum exerccio etnogrfico aprofundado. Basta caminhar por suas ruas ou ler algo sobre os ltimos acontecimentos que ali se deram. Nesse sentido, o objetivo da pesquisa foi entender como e por quem este espao habitado hoje e consequentemente, de que forma construdo. Selecionei, assim, um conjunto de narrativas pblicas existentes sobre o bairro, coletadas no perodo da pesquisa, tendo estas sido associadas s observaes feitas in loco em toda a Lapa, em um primeiro momento, e em seguida, em uma rua especfica. Ao observar as relaes presentes nestas instncias, revelou-se uma srie de encontros entre diferentes atores sociais, os quais permitem compreender mais profundamente a dinmica do bairro. Tal 1 Esta referncia temporal, no entanto, varia muito de acordo com cada discurso. Os anos 2000 aparecem mais significativamente em todos eles como um perodo em que tal processo teria se intensificado. 2 Em maio de 2012 a Lapa foi elevada condio de bairro pela Lei Municipal 5.407/2012. Projeto de lei disponvel em: http://mail.camara.rj.gov.br/APL/Legislativos/scpro0711.nsf/18c1dd68f96be3e7832566ec0018d833/6f0 e365605dbf7308325786a0073377f?OpenDocument (Acessado em 09/06/2012). 3 Esclareo que as palavras espao e lugar, bem como rea, regio e local so utilizadas aqui com sentidos bastante prximos e no possuem fora de conceito. No caso de possurem, tais discusses estaro devidamente referenciadas e as palavras escritas em itlico. 11. 11 entendimento acompanhado por uma reflexo em torno do trabalho etnogrfico realizado neste contexto e as escolhas metodolgicas e analticas feitas ao longo da pesquisa. Assinalo ainda que as fotos que acompanham o texto possuem carter meramente ilustrativo e a maior parte delas foi tirada por mim, com exceo daquelas cujas fontes esto referenciadas. Consideraes tericas e metodolgicas bsicas. A historiografia da Lapa consente no que tange consolidao do tecido urbano que hoje constitui a regio, tal processo remete a um perodo entre 1769 e 1779, fruto de uma ocupao de chcaras ao longo da Rua de Matacavalos que, por sua vez, s recebeu esta denominao em 1848 (Casco, 2007: 86). Foi nesta mesma rua, hoje batizada de Riachuelo, que nasceu Bentinho, ou Dom Casmurro, clebre personagem de Machado de Assis em livro homnimo publicado em 1899. Tal autor, que retratou inmeras vezes a cidade do Rio de Janeiro em seus escritos, no viveu para ver o bairro se transformar ao longo do sculo XX, quando de acordo com Lustosa (2001): O lugar de perdio no Rio foi (...) a Lapa: bairro bomio, reduto da malandragem cuja expresso mais clebre foi Madame Sat. E isto j devia dizer tudo sobre o carter desse bairro to especial, pois o homem mais valente do lugar, o mais perigoso era um homossexual assumido, que se apresentava em espetculo de travestis, que brigava feio pelo amor de outros homens, e que, ao par disto tudo, sempre se notabilizou pela coragem com que enfrentava e muitas vezes levava a melhor a polcia (LUSTOSA, 2001: 12). V-se, portanto, que as narrativas sobre a Lapa so muitas e incluem personagens to significativos como Dom Casmurro e Madame Sat4 . Datam de pelo 4 Tal personagem foi uma...</p>