Fibras naturais

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    06-Jun-2015

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<ul><li> 1. SUMRIO FIBRAS NATURAIS............................................................................................... 01 HISTRIA DAS PRINCIPAIS FIBRAS NATURAIS................................................ 01 ATLGODO............................................................................................................ 01 LINHO.................................................................................................................... 02 CNHAMO............................................................................................................. 02 JUTA....................................................................................................................... 02 SISAL..................................................................................................................... 02 L........................................................................................................................... 03 SEDA...................................................................................................................... 03 PRODUO MUNDIAL DE FIBRAS...................................................................... 04 IMPORTNCIA ECONMICA DA PRODUO DAS FIBRAS NATURAIS.......... 05 </li></ul><p> 2. FIBRAS NATURAIS As fibras naturais podem ser de origem vegetal, quando so obtidas do caule, fruto, folhas e sementes de vrias espcies de plantas, como, por exemplo, linho, coco, sisal, algodo, etc. Podem ser ainda de origem animal, provenientes dos plos de diversos mamferos (carneiro, cabra caxemira, cabra angor, lama, alpaca, guanaco, vicunha, camelo, coelho angor, etc.), incluindo ainda os filamentos retirados dos casulos do bicho-da-seda. Finalmente, podem tambm ser de origem mineral, mais precisamente o amianto, contudo, devido s suas propriedades cancergenas, a fibra de amianto deixou de se utilizar como fibra txtil, pelo que no vai ser tratada no mbito deste artigo nem est no esprito da declarao do Ano Internacional das Fibras Naturais. HISTRIA DAS PRINCIPAIS FIBRAS NATURAIS ALGODO_ Usado como fibra txtil h mais de 7000 anos, pode dizer-se que o algodo est ligado origem mais remota do vesturio e evoluo da produo dos artigos txteis. No mundo antigo, o algodo representou um importante papel cultural e econmico. Numa gruta do Mxico (Tehuacan) encontraram-se restos de tecidos de algodo que datam de 5800 anos antes de Cristo. Na China, no Paquisto, na ndia e no Egipto fizeram-se achados semelhantes de vesturio feito com algodo. A cultura intensiva do algodo iniciou-se nos EUA somente nos sculos XVII e XVIII, mas s comeou a adquirir nveis importantes de produo com a mquina de descaroamento, inventada por Eli Whitney, em 1793. A cultura do algodo foi muito aperfeioada nos EUA a partir do sculo XVIII, estando intimamente ligada economia e histria dos estados do sul dos Estados Unidos da Amrica, onde contribuiu para o estabelecimento de uma sociedade rica, cuja base laboral era a escravatura negra oriunda de frica, usada como mo-de- obra barata para a plantao e colheita manual do algodo. S no fim do sculo XIX que a sua produo e importncia ultrapassou a das fibras tradicionais: l, linho e seda. Actualmente, constitui cerca de 35% da produo mundial de fibras txteis e contribui decisivamente para a economia de alguns pases, nomeadamente nos subdesenvolvidos, logo, onde a oportunidade de emprego mais escassa. O algodo cultiva-se em cerca de 80 pases de todos os continentes, situados na sua esmagadora maioria entre as latitudes 45 norte e 30 sul. As zonas de produo possuem um clima rido e semi-hmido. As principais zonas de cultivo situam-se na China, Estados Unidos, Brasil, 1 3. Egipto, Turquia, ndia, Paquisto e Uzbequisto. Na frica subsariana, os principais pases so a Costa do Marfim, Nigria, Uganda e Tanznia [ver Anexo 1 Mapa mundo dos principais produtores e consumidores de algodo"]. Apesar do cultivo do algodo estar intensamente mecanizado nos pases desenvolvidos do hemisfrio norte, como por exemplo os Estados Unidos, ainda existem pases onde o seu cultivo feito com base em pequenas exploraes e sem recurso a mquinas. LINHO_ uma das fibras mais antigas utilizadas pelo homem, tendo sido cultivado de modo sistemtico desde h cerca de 5000 anos a.C por antigas civilizaes, nomeadamente Egpcios, Babilnicos e Fencios, embora no se saiba ao certo a data e o lugar onde o homem utilizou pela primeira vez estas fibras. O linho referido em vrios textos do Antigo Testamento. O livro de Moiss refere a perda de uma colheita de linho por uma praga, o que demonstra bem a importncia que j era dada ao cultivo desta fibra. Restos de telas desta fibra foram tambm descobertos em povoamentos pr-histricos lacustres na Sua. No Egipto, descobriram-se mmias recobertas com telas de linho com idade estimada de mais de 4500 anos. Numa sepultura situada numa propriedade particular junto das Caldas de Monchique, no Algarve, e em diversas regies de Espanha, nomeadamente em Almeria, foram descobertos pedaos de tecido que se estima sejam do ano 2500 a.C. A indstria de linho floresceu na Europa no sculo XVIII. No sculo XIX, a fibra longa de linho foi ultrapassada pelo algodo como fibra de maior consumo, enquanto que a fibra curta foi substituda em grande parte pela juta. O linho a mais importante das fibras procedentes do caule das plantas, sendo, actualmente, a segunda em importncia das fibras vegetais. As zonas de plantao do linho encontram-se localizadas principalmente na Europa, procedendo as melhores qualidades da Blgica e dos Pases Baixos. Os maiores produtores, por ordem decrescente, so: China, Rssia, Ucrnia, Frana, Holanda, Blgica, Egipto, Repblica Checa e Litunia. CNHAMO_ Os primeiros registos histricos do uso do cnhamo (Cannabis sativa) so no fabrico de papel e datam de h 8000 anos a.C, na China. Posteriormente, os chineses descobriram e desenvolveram outras formas de uso para a planta, principalmente para a produo de artigos txteis e para utilizao em medicina. Mais tarde, outras sociedades, como os gregos, romanos, africanos, indianos e rabes, tambm aproveitaram as qualidades da planta em diversas aplicaes: alimento, medicina, combustvel e fibras. de salientar que existem vrias espcies do gnero cannabis, diferindo, normalmente, no teor em THC (tetraidrocanabinol), que uma substncia psicoativa presente em diversas partes da planta. As principais espcies de cannabis so: cannabis sativa, cannabis indica e cannabis ruderalis. Os principais produtores do cnhamo so: China, Rssia, Coreia, Espanha, Chile, Frana, Itlia, Ucrnia, Alemanha, Turquia, ndia e Romnia. JUTA_ atribuda Companhia Inglesa das ndias a descoberta da juta, dizendo-se que foi o botnico Roxburg, em 1792, quem primeiro estudou esta fibra sob o ponto de vista industrial. A Inglaterra monopolizou a importao da juta, recebendo de Calcut esta fibra txtil e exportando-a para o resto da Europa. A juta tambm conhecida como cnhamo de Bengala ou cnhamo de Calcut. Os principais produtores so: ndia, Bangladesh, China, Tailndia, Paquisto, Myanmar, Egipto, Brasil e Nepal. SISAL_ A agave uma planta herbcea originria do continente norte-americano e das Ilhas Carabas. As suas propriedades so conhecidas desde as pocas mais remotas pelos primitivos habitantes do Mxico, que no s faziam uso das suas preciosas fibras para o fabrico de diversos utenslios, mas tambm como fonte natural de alimentos. A utilizao da agave como fonte de alimento remonta a uma distante antiguidade. Segundo estudos arqueolgicos realizados no Vale de Tehuacan, no Mxico, ficou comprovado que diversas espcies de agave serviram como fornecedoras de matria-prima necessria aos seus primitivos habitantes. Os primeiros indcios de cultivo desta espcie datam, aproximadamente, de 6500 a 5000 anos a.C. At Primeira Guerra Mundial, o Mxico monopolizava o mercado destas fibras. Da em diante, muitos pases dedicaram-se explorao comercial de algumas espcies de agave para produo de fibras. 2 4. Os principais produtores so: Brasil, Mxico, Haiti, Venezuela e Cuba, na Amrica latina; Qunia, Tanznia e Madagscar, em frica; e China. L_ O emprego da l pelo homem para sua proteco data de tempos imemoriais. O comrcio da l remonta no mnimo Babilnia (terra da l), no ano 4000 a.C. provvel que as ovelhas tenham sido o primeiro animal a ser domesticado pelo homem. A pele das ovelhas primitivas era formada por dois tipos de plo: por um lado, plos longos exteriores que se usavam para cobertores e mantas e, por outro, um velo interior muito apreciado para fabrico de artigos de vesturio. No ano 100 d.C, iniciaram-se processos de cruzamento entre animais para aumentar a proporo de plo fino relativamente ao plo longo e grosso. O processo chegou ao seu fim quando, em finais do sc. XIV, conseguiram-se, em Espanha, ovelhas (raa merina) cujo velo no continha fibras grossas. At 1765, altura em que o Rei de Espanha, Carlos III, enviou 92 carneiros e 128 ovelhas para Salnica, a raa merina foi zelosamente guardada dentro das fronteiras Espanholas. A exportao ou o ceder de ovelhas e carneiros figurava em alguns tratados de paz que Espanha firmava aps guerras, cujos resultados conduziram sua decadncia. A Inglaterra, Alemanha e Frana foram os pases mais beneficiados e, em menos de 50 anos, as colnias inglesas (Austrlia e Nova Zelndia) passaram a dominar a produo mundial de l. Actualmente, existem mais de 200 raas de ovelhas, onde se destacam: Merino, Rambouillet, Southdown, Corriedale, Cheviot, Ovelha churra, Lincoln, Romney, Karaful, Leicester. Produzem-se ainda fibras animais designadas por fibras raras de animais, sendo de extrema importncia para a economia local de muitos pases, designadamente: Mor (cabra) com uma produo anual de, aproximadamente, 8000 toneladas, produzida sobretudo na frica do Sul, Estados Unidos da Amrica e Turquia; Caxemira (cabra): 5000 toneladas anuais, produzida na China, Monglia, Iro e Afeganisto; Alpaca: 4000 toneladas anuais, produzida no Peru, Chile e Bolvia; Camelo: 2000 toneladas anuais, produzida na China, Monglia, Iro e Afeganisto; Angor (coelho): 8500 toneladas anuais, produzida sobretudo na China; Lama: 500 toneladas anuais, produzida no Peru e Bolvia. SEDA_ Segundo uma lenda chinesa, o cultivo da seda (sericultura) iniciou-se no ano de 2640 a.C, graas ao interesse de uma imperatriz (Hsi Ling Shi) pelos bichos-da-seda. A China monopolizou durante 3000 anos a produo e transformao de seda, ao ponto de apenas ser permitida a exportao de produtos manufacturados. Designa-se por sericultura a arte de criar o bicho-da-seda e cultura da amoreira, indispensvel alimentao do referido animal. Durante longo perodo de tempo, a cultura da amoreira e a criao do bicho-da-seda constitua na China uma espcie de arte sagrada, ao estudo da qual tinham de se consagrar as imperatrizes. Ao longo de muitos sculos os impostos eram pagos com seda e/ou tecidos de seda, que serviam tambm como moeda legal em todas as transaces comerciais. Havia leis rigorosssimas que salvaguardavam como tesouro precioso a indstria da seda e proibiam a divulgao dos segredos inerentes sua produo. No sculo III d.C, a seda foi introduzida no Japo e na ndia, estendendo-se a pouco e pouco por toda a sia. No sculo VI, a sericultura era praticada em Sringe, perto da Prsia. Em 552, dois frades trouxeram esta arte da Prsia para Constantinopla. Aps os rabes terem assimilado esta indstria, propagaram-na por todo o seu vasto imprio, tendo chegado, no sculo VIII, Pennsula Ibrica. No sculo XII, a seda j era conhecida em Itlia, tendo-se desenvolvido muito o seu cultivo, atingindo o seu maior esplendor neste pas no sculo XVIII aps se ter fixado em cidades como Milo e Veneza. 3 5. A seda cultivada proveniente da larva da mariposa bombix mori. A seda selvagem proveniente das larvas das espcies de mariposas tussah, eri e muga. A seda produz-se em cerca de 30 pases, sendo a grande maioria seda bombix mori. Produz-se tambm uma pequena quantidade de seda selvagem para usos especiais. Os principais produtores so: China (54%), ndia (14%), Japo (11%), Brasil, Coreia do Sul, Tailndia, Turquia, Vietname, Tailndia, Turquemenisto, Usbequisto, Frana e Itlia. PRODUO MUNDIAL DE FIBRAS NATURAIS No ano de 2007, a produo mundial das principais fibras atingiu 76.192.000 toneladas, o que corresponde a um aumento mdio de 6,3% relativamente ao ano de 2006. Este incremento na produo mundial de fibras deveu-se, fundamentalmente, ao aumento da produo de fibras sintticas, designadamente de polister, o que alis tem vindo a acontecer nas ltimas dcadas. No que diz respeito s fibras naturais, a sua produo tem-se mantido mais ou menos constante nos ltimos anos, sendo a fibra de algodo aquela que tem maior expresso (aproximadamente 75% da produo de todas as fibras naturais), seguindo-se as fibras de plos de animais (principalmente a l) com aproximadamente 6%, a juta com 5,24%, o linho com 4,76%, o cnhamo com 3,49% e o sisal com 3,49%. A produo das demais fibras naturais tm pouca expresso. esta tendncia de aumento da produo das fibras no-naturais, fundamentalmente custa do incremento da produo das fibras sintticas, que a Organizao das Naes Unidas para Agricultura e Alimentao (FAO) pretende ver alterada, com o incentivo ao aumento da produo e, consequentemente, do cultivo de fibras naturais de origem vegetal e animal. Isso vai implicar a dinamizao da economia dos pases mais pobres, que so os principais produtores destas fibras, e contribuir para um progresso ecolgico, seguro e sustentvel, devido a tratar-se de uma matria-prima renovvel, alm de motivar a sociedade em geral a aplicar este potencial de maneira mais eficiente no seu prprio benefcio, em virtude das fibras naturais possurem algumas propriedades impossveis de conseguir nas fibras no-naturais e que conferem maior conforto ao utilizador. Algumas das fibras naturais, nomeadamente o sisal e demais agaves (henequm e maguei), tem sofrido uma feroz concorrncia das fibras sintticas, pelo que a sua produo desceu muito nas ltimas dcadas. A juta, apesar de tambm sofrer essa concorrncia, tem mantido a produo, em virtude dos pases onde se cultiva serem dos mais pobres do mundo, pelo que os custos da mo-de-obra so pouco expressivos nos custos de produo. Com o aumento do preo do petrleo e consequente aumento dos custos da matria-prima das fibras no-naturais de origem sinttica previsvel que haja um regresso utilizao de produtos fabricados com este tipo de fibras, nomeadamente cordas, no caso do sisal, e sacos, no caso da juta. A tabela abaixo evidencia o aumento paulatino da produo mundial de juta, kenaf e fibras similares entre os anos 2000 e 2005. 4 6. IMPORTNCIA ECONMICA DA PRODUO DAS FIBRAS NATURAIS Da produo das fibras naturais dependem centenas de milhes de pessoas em todo mundo, principalmente em pases onde as oportunidades de emprego so escassas, na preparao dos terrenos, plantao, cultivo e extraco das fibras naturais de origem vegetal e na criao de animais e extraco das fibras naturais de origem animal. Muita...</p>