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2 PEDRO Introdução Esboço Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 INTRODUÇÃO O Escritor. O começo desta epístola, com palavras um pouco diferentes das que foram usadas em I Pedro, declara ser ela da autoria de Simão (Simão é o que se encontra em alguns dos melhores manuscritos; a E.R.C. e E.R.A. diz Simão Pedro; cons. Atos 15:14), "servo e apóstolo de Jesus Cristo" (II Pe. 1:1). Simples e sem afetação, o escritor novamente se identifica com os apóstolos (3:2). Ele está familiarizado com as cartas paulinas e está de pleno acordo com o seu "amado irmão Paulo" (3: 15, 16). Refere-se à transfiguração de Cristo com a sossegada certeza de uma testemunha ocular. Chama esta carta de "segunda carta" (3:1). Declara que a morte violenta profetizada para ele por seu Senhor (Jo. 21:18) está próxima (II Pe. 1:13, 14). Aqui está, ao que parece, uma reivindicação de autoria idêntica a de I Pedro, e certamente uma declaração de identificação com S. Pedro, o apóstolo do Senhor. Existem dificuldades internas que possam competir o leitor honesto a considerar estas reivindicações como espúrias? Desde os tempos mais remotos os críticos têm chamado a atenção para uma divergência no estilo desta epístola e I Pedro. Em II Pedro há uma falta de simplicidade e naturalidade de expressão que caracterizam I Pedro. O escritor de I Pedro não era, ao que parece, um grego (por exemplo, ele não usa a partícula an), mas tinha sem dúvida um gosto pela linguagem correta. O estilo de II Pedro não evidencia esta mesma familiaridade com a língua empregada. Ela contém um menor número de particípios do que em I Pedro e não usa a partícula men. Esta diferença de estilo levou alguns dos antigos e alguns dos reformadores a duvidarem da autenticidade de

COMENTARIO BIBLICO-2 pedro (moody)

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  • 1. 2 PEDROIntroduoEsbooCaptulo 1 Captulo 2 Captulo 3INTRODUOO Escritor. O comeo desta epstola, com palavras um poucodiferentes das que foram usadas em I Pedro, declara ser ela da autoria deSimo (Simo o que se encontra em alguns dos melhores manuscritos;a E.R.C. e E.R.A. diz Simo Pedro; cons. Atos 15:14), "servo e apstolode Jesus Cristo" (II Pe. 1:1). Simples e sem afetao, o escritornovamente se identifica com os apstolos (3:2). Ele est familiarizadocom as cartas paulinas e est de pleno acordo com o seu "amado irmoPaulo" (3: 15, 16). Refere-se transfigurao de Cristo com a sossegadacerteza de uma testemunha ocular. Chama esta carta de "segunda carta"(3:1). Declara que a morte violenta profetizada para ele por seu Senhor(Jo. 21:18) est prxima (II Pe. 1:13, 14). Aqui est, ao que parece, umareivindicao de autoria idntica a de I Pedro, e certamente umadeclarao de identificao com S. Pedro, o apstolo do Senhor.Existem dificuldades internas que possam competir o leitor honestoa considerar estas reivindicaes como esprias? Desde os tempos maisremotos os crticos tm chamado a ateno para uma divergncia noestilo desta epstola e I Pedro. Em II Pedro h uma falta de simplicidadee naturalidade de expresso que caracterizam I Pedro. O escritor de IPedro no era, ao que parece, um grego (por exemplo, ele no usa apartcula an), mas tinha sem dvida um gosto pela linguagem correta. Oestilo de II Pedro no evidencia esta mesma familiaridade com a lnguaempregada. Ela contm um menor nmero de particpios do que em IPedro e no usa a partcula men. Esta diferena de estilo levou algunsdos antigos e alguns dos reformadores a duvidarem da autenticidade de

2. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 2II Pedro. Jernimo (346420 AD.), o tradutor da Vulgata, emboraaceitasse II Pedro ao lado das outras seis epstolas "catlicas" ou gerais(Epistle to Paulinius), reconhecia ao mesmo tempo que alguns mestrestinham duvidado de sua autenticidade por causa desta variao de estilo(Catalogus Scriptorum Ecclesiasticorum). Em outro lugar (Epistle toHedibia, 120) ele explica esta diferena como o resultado natural do usoque Pedro fez de intrpretes diferentes para as duas epstolas.No mesmo contexto ele menciona Tito como intrprete de Paulo eque Pedro tenha ditado a Marcos o material do Evangelho que leva onome deste ltimo. Para alguns que tm um conceito muito literalsticoda inspirao, a idia de tal funo editorial de Silas (I Pe. 5:12)prejudica a inspirao e autoridade da carta, apesar de que seja notrioque escribas estavam geralmente disposio dos escritores inspirados(Jr. 36:2, 4; Rm. 16:22; e as observaes tradicionais que se seguem a I eII Co., Ef., Fp., Cl. e Fm.). Outros acham que no h aqui nenhumadificuldade; o Esprito Santo ajudou Silas a escrever como Ele ajudouPedro a ditar. A grande maioria da igreja histrica assumiu esta ltimaatitude.Outra questo interna que tem sido premida contra a autoridadepetrina desta epstola a declarada familiaridade do seu escritor com asepstolas paulinas, a qual ao lado da referncia autoridade das cartas dePaulo (II Pe. 3:15,16), considerada como indicao de que o cnon doN.T, j estava bastante estabelecido por ocasio da composio de IIPedro, parecendo assim aos que defendem este ponto de vista que estaepstola foi muito tardia para ter sido obra do apstolo.Tal linha de raciocnio parece realmente gratuito, pois se Pedrochegou a Roma exatamente dois ou trs anos depois da chegada de Paulocomo prisioneiro, certamente teria uma oportunidade natural de ficarconhecendo as epstolas de Paulo e poderia concebivelmente tercomungado com o prprio Paulo. De qualquer maneira, parece que asevidncias de que as cartas de Paulo foram copiadas e circularam de 3. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 3igreja em igreja imediatamente aps serem recebidas, so razoveis (vejaCl. 4:16).Mais uma questo interna deveria ser considerada, isto , asemelhana de certas declaraes de lI Pedro com declaraes de Judas.Trs dos paralelos mais importantes so os que se seguem: 1) II Pedro2:4 e Judas 6 referem-se ao castigo dos anjos decados, uma aluso uma declarao feita no livro apcrifo de Enoque. 2) II Pedro 2:11 eJudas 9 falam da relutncia dos anjos em fazer acusaes contra Satans,acrescentando a declarao de Judas, ao que parece, uma aluso obraapcrifa Assuno de Moiss, onde Satans representado reclamando ocorpo de Moiss. 3) II Pedro 3:3,4 e Judas 17, 18 fala da vinda deescarnecedores nos ltimos tempos. II Pedro se refere a eles no futuro.Judas se lhes refere como uma realidade presente, j profetizada pelosapstolos, de quem Pedro era um, claro.O Dr. Charles Bigg (St. Peter e St. Jude, pgs. 216, 217), que aceitaa autoria petrina desta epstola, argumenta convincentemente pelaprioridade de II Pedro. bom ter em mente tambm que hconsideraes plausveis que apiam uma data precoce da prpriaepstola de Judas. Confere-se-lhe uma data precoce tal como 65 AD., eaqueles que a colocam em 80 ou 90 A.D. devem contar com a narrativade Hegesippus (contada por Eusbio) de que dois netos de Judas foramlevados diante de Domiciano, que reinou entre 81 e 96 A.D., sendodescritos como homens adultos, lavradores de mos calejadas, naquelaocasio. Lembre-se de que Judas foi irmo de nosso Senhor. Assemelhanas entre li Pedro e Judas no parecem exigir uma data ps-petrinapara a primeira.O que dizer, ento, do testemunho externo? Esta epstola no foidiretamente citada pelos Pais da Igreja antes do comeo do terceirosculo, embora haja possveis aluses em alguma das obras mais antigas.Eusbio (Ecclesiastical History 6.14.1), escrevendo em cerca de 324A.D. diz que Clemente de Alexandria (que morreu em cerca de 213 AD.)em seu Hypotyposes compilou sumrios de todas as Escrituras 4. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 4inspiradas, incluindo aquelas cuja autenticidade era contestada, entreestas as epstolas "catlicas" ou gerais.Orgenes, que morreu em 253 A.D., embora reconhecesse oproblema relacionado com II Pedro, aceitava o livro como genuno.Firmiliano, o amigo e aluno de Orgenes, Bispo de Cesaria naCapadcia em 256 AD., corrobora fortemente a autoria petrina de liPedro quando em uma carta a Cipriano ele fala de um Estvo que"contestava os benditos apstolos Pedro e Paulo . . . os quais em suasepstolas pronunciaram uma maldio contra os herticos e advertiu queos evitssemos" (Cipriano, Letters, n 75). em II Pedro, no em IPedro, que os herticos so mencionados.O prprio Eusbio, comissionado pelo imperador Constantino a fimde preparar cinqenta cpias das Sagradas Escrituras, refere-se a Tiago,Judas e II Pedro como impugnadas embora muito bem conhecidas damaioria dos cristos.Jernimo (cerca de 346-420 A.D.), comentando a questo daautenticidade das epstolas, diz que a dvida surge por causa dadiferena entre o seu estilo e o de I Pedro, e ele oferece a explicao jcitada. Ele mesmo aceitava II Pedro e a incluiu em sua verso daVulgata. Ela foi reconhecida pelo Conclio de Laodicia (cerca de 372),e foi formalmente reconhecida como pertencendo ao cnon pelo Conciliode Cartago (397).Esta epstola no se encontra no fragmento muratoriano, uma listadas obras do N.T. que data de cerca do fim do segundo sculo. Esta listase encontra mais ou menos mutilada. Conforme a temos atualmente, nofaz referncia a Hebreus,,I ou II Pedro, Tiago, ou III Joo. Aceita-se quealguns ou todos esses possam estar includos nas partes que estofaltando; mas, faltando estes, est claro da histria do desenvolvimentodo cnon que a lista muratoriana no era aceita pela igreja como final edecisiva.II Pedro tambm no se encontra na Bblia Siraca chamada Peshita.O Velho Testamento da Peshita foi traduzido muito cedo. O Novo 5. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 5Testamento provavelmente o trabalho de Rbula, bispo de Edessa naSria, de 411 a 435. Esta verso omite II Pedro, II e III Joo, Judas e oApocalipse. inteiramente possvel que o Novo Testamento anterior daigreja siraca omitisse todas as sete epstolas "catlicas".Alguns consideram a possibilidade de que por causa da nfaseprtica e disciplinria dessas epstolas gerais, elas tenham sidoconsideradas como "a-paulinas" numa regio onde o nome de Paulo eratido em alta estima por causa de sua participao pessoal na igreja deAntioquia, e por causa de sua luta para libertar os crentes gentios das leisjudias no conclio de Jerusalm. Outros supem que a incluso dereferncias obras apcrifas em algumas das epstolas gerais pode tercausado sua rejeio pelos cristos da igreja sria, que eramparticularmente alrgicos aos extremos da angelologia judia refletida emalguns dos livros apcrifos.Talvez devamos mencionar os argumentos do mestre britnicoJoseph B. Mayor (The Epistle of St. Jude and the Second Epistle of St.Peter), que considera I Pedro como a obra do apstolo cujo nome leva,mas afirma que II Pedro espria.Ele baseia sua opinio sobre evidncias internas e no externas.Depois de fazer crticas s evidncias externas, com suas refernciasadmitindo os prs e os contras aceitao da epstola como genuna,Mayor resume dizendo, "Se nada mais tivssemos para decidirmos aquesto da autenticidade de II Pedro, exceto as evidncias externas,estaramos inclinados a pensar que temos nessas citaes, terreno paraconsiderarmos que Eusbio estava justificado em sua declarao de quea nossa epstola "tendo parecido til a muitos, foi aceita ao lado de outrasescrituras" (op. cit., pg. cxxiv; nossa traduo).Mayor apresenta um minucioso estudo das diferenas devocabulrio e faz uma lista de 369 palavras usadas em I Pedro e no emII Pedro, e 230 palavras usadas em II Pedro e no em I Pedro. Eleencontra palavras mais ou menos slidas (praticamente s substantivos everbos) usadas em ambas as epstolas. Ento ele, surpreendentemente, 6. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 6parece estabelecer um argumento contra a autoria comum, dizendo que"o nmero de concordncias de 100 se opondo a 599 discordncias,isto , seis vezes o primeira" (op. cit., pg, lxxiv).Como poderia algum esperar a possibilidade de uma coincidnciamaior de vocabulrio em duas curtas epstolas, escritas com intervalo dediversos anos, com temas diferentes, situaes e circunstncias distintos? o raciocnio do silncio em um grau muito precrio. Certamente duascurtas epstolas como estas no poderiam limitar o vocabulrio de umhomem inteligente. O prprio fato de que um sexto das palavras sousadas em ambas as epstolas certamente inclinaro muitas pessoas aargumentar a favor, e no contra, a autoria comum.Ele faz um exame muito erudito da gramtica e estilo das duasepstolas, um setor no qual a divergncia tem sido um assunto digno denota deste os tempos antigos, e sobre o qual j comentamos. A conclusode Mayor medocre: "No existe entre elas o abismo que alguns tentamabrir" (op. cit., .pg. civ). Novamente, "A diferena de estilo menosmarcada do que a diferena no vocabulrio, e menos marcada do que adiferena em substncia, enquanto que acima de tudo paira a grandediferena em pensamento, gosto e carter, resumindo, empersonalidade". Poderia se apartear que diferenas na substncia doassunto, pensamento e gosto nem sempre refletem diferena depersonalidade. A mesma personalidade, com diferentes propsitos, podeescrever com grande variao de disposio e substncia.Mayor parece, ento, colocar o peso decisivo do seu julgamento nadiferena de sentimentos entre as duas epstolas coisa muito precria,uma vez que os sentimentos de um homem podem variar grandemente deuma ocasio para outra, tendo em vista um grande nmero de motivos.Comeando pgina lxxvi da sua Introduo, ele trata da questo dasreminiscncias da vida de Cristo que devem ser notadas em I e II Pedro.Ele observa que II Pedro as tem em nmero menor e que so "de umanatureza intima muito menos intensa do que as encontradas em (I)Pedro" (op. cit., pg. lxxvii). Ento ele prossegue discutindo 7. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 7generalizadamente o esprito meigo de I Pedro que contrasta com IIPedro, qual ele diz, "falta esta intensa simpatia, aquela chama de amor,que destacam I Pedro".Mayor continua com esse mesmo tipo de crtica nas referncias dasduas epstolas Segunda Vinda e ao dilvio de No. Mas no. seria deesperar tudo isso vista dos diferentes propsitos das duas epstolas? IPedro conforta aqueles que esto sofrendo; II Pedro adverte os crentessobre os perigos espirituais e exorta-os santidade. Naturalmente o tomda primeira terno; da ltima, impressionante. O que causa admirao que tais diferentes objetivos prendem-se aos mesmos fatos bsicos acentralidade de Cristo e a certeza de Sua segunda vinda. Deste grandeacontecimento futuro o crente sofredor recebe esperana, e o apstata empotencial, advertncia.Quanto meno do dilvio de No em I Pedro (3:20) com nfasesobre a misericrdia de Deus e em II Pedro (2:5; 3:6) com nfase sobre ojuzo de Deus (embora II Pedro 2:5 tambm diga que Deus "guardou aNo"), isto tambm se encaixa admiravelmente nos diferentes propsitosacima mencionados. E o fato de que a mesma ilustrao serviu em suasdiferentes facetas tende a confirmar a identificao da autoria das duasepstolas, em vez do contrrio.Mayor muito honesto em apresentar o quadro inteiro. Eleprossegue observando, sem qualquer comentrio desprezivo, aconcordncia entre I e II Pedro referente palavra proftica falada eescrita, fazendo ver que nisto elas concordam intimamente com aspalavras de Pedro em Atos 3:18-21 e de Paulo em Atos 26 : 22, 23. Eled ateno tambm ntima relao de I e II Pedro na sua idia sobre ocrescimento cristo (I Pedro 2:2; II Pedro 3:18). Termina-se ocomentrio de Mayor sobre a autoria de I e II Pedro como sentimento deque este mestre corroborou mais do que enfraqueceu a reivindicao deII Pedro quanto a sua autoria apostlica.Por que, ento, Mayor rejeita esta reivindicao? No se pode fugir impresso de que a sua posio foi ditada em larga escala pelo 8. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 8consenso crtico dos mestres do Novo Testamento e especialmente pelaconcluso do Dr. F. H. Chase, que ele conhecia pessoalmente e citavacom freqncia, e cujos artigos sobre Pedro e Judas no HDB ele intitulade "consideravelmente a melhor introduo que conheo sobre as duasepstolas aqui tratadas" (op. cit., pg. vii).Basta dizer que nestas consideraes, parece no existir motivosfortes para no aceitarmos a reivindicao de II Pedro ser da autoria doapstolo, cujo nome leva.O Tempo e o Lugar em que Foi Escrita. Muito possivelmente aepstola foi escrita aos cristos da sia Menor (3:1) enquanto aindatinham I Pedro em suas mentes. Se aceitarmos que I Pedro foi escrita emRoma em cerca de 64 A.D., parece razovel considerar que II Pedro foiescrita em Roma l pelo fim do reinado de Nero, digamos em 67 A.D.A Mensagem da Epstola. A preocupao especfica do corao dePedro nesta ocasio parece que era o desenvolvimento de um esprito deanarquia e antinominianismo nas igrejas, e tambm uma atitude deceticismo quanto segunda vinda de Cristo. H quem ache que os falsosmestres descritos na epstola eram representantes da heresia gnstica nosseus primeiros estgios.Mas ainda que grandemente preocupado com a ameaa dessesfalsos mestres, e embora dando certa nfase a este assunto, o apstolopercebia que a necessidade bsica dos seus leitores era a edificaoespiritual e o poder que os tornada superiores diante de tais perigos. Ele,portanto, comea e termina a sua carta estimulando a conquistaespiritual, inserindo suas advertncias contra os falsos mestres nocaptulo do meio entre os trs.ESBOOTema: A urgncia da conquista espiritual.Versculo-chave: II Pedro 3:18. 9. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 9I. Pedro insiste com seus leitores a que avancem pela graa. 1:1-21.A. Saudaes e orao pelo seu avano espiritual. 1:1, 2.B. Lembrete da realidade presente de sua herana espiritual.1:3, 4.C. Desafio a que insistam nas amplas implicaes de suaherana. 1:5-11.D. Pedro sente a responsabilidade de desafi-los assim. 1:12-21.1. Porque necessitam de motivao intensificada. 1:12.2. Por causa da iminncia de sua partida. 1:13-15.3. Por causa da completa autenticidade do Evangelho. 1:16-21.II. Pedro adverte contra os perigos dos falsos mestres. 2:1-22.A. A inevitabilidade dos falsos mestres. 2:1-3a.B. O julgamento dos falsos mestres. 2:3b-9.C. As caractersticas dos falsos mestres. 2:10-22.1. Sua auto-indulgncia e impudncia carnal. 2:10-12.2. Sua perverso da sociabilidade crist. 2:13.3. Sua instabilidade moral. 2:14.4. Suas motivaes grosseiramente egostas. 2:15, 16.5. Sua esterilidade e pestilncia espiritual. 2:17-19.6. Sua apostasia bsica. 2:20-22.III. A segunda vinda de Cristo um imperativo na conquistaespiritual. 3:1-18.A. A vinda de Cristo em glria anteriormente mencionadaaos leitores. 3:1, 2.B. A Segunda Vinda, um objeto de ceticismo. 3:3-9.C. A Segunda Vinda ser catastrfica. 3:10.D. Um incentivo vida santa. 3:11-18a.IV. A bno apostlica. 3:18b.COMENTRIO 10. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 102 Pedro 1I. Pedro Insiste com Seus Leitores a que Avancem Pela Graa.1:1-21.A. Saudao e Orao Pelo Seu Avano Espiritual. 1:1, 2.1. Simo (Symeon) Pedro, servo (escravo) e apstolo de JesusCristo. Esta epstola apresenta claramente que foi escrita pelo apstoloPedro. O ttulo, servo e apstolo, ilustra bem a legra de Cristo: "O maiorde entre vs ser vosso servo " (Mt. 23:11). Aos que conosco obtiveramf igualmente preciosa. A expresso igualmente preciosa (no originaluma s palavra significa exatamente isso) faz-nos imediatamentelembrar das palavras relacionadas que foram usadas em I Pedro com osignificado de "precioso", "em honra", "preciosidade ou honra" exatamente uma das indicaes da continuidade entre as duas epstolas.Harnack, embora negando a autoria petrina de ambas as epstolas, I e IIPedro, defende que a pessoa que escreveu II Pedro tambm escreveu ocomeo e o final de I Pedro. O apstolo aqui confere grande valor f, epor que no? Ela "a moeda do reino" de Deus. O escritor encontra abase da f e a sua obteno pelos homens na justia do nosso Deus eSalvador Jesus Cristo. claro que isto constitui o fundamento de todoo universo tico. No uma justia terica e jurdica apenas, mas umajustia afvel, amorosa e providencial que encampa todo o planoredentor de Deus. apenas "na justia de Deus" que a f se tomapossvel. E, novamente, por meio desta f, cada vez mais exercitada,que a justia de Deus se revela (Rm. 1:17).2. Graa e paz vos sejam multiplicadas. A mesma saudao usadaem I Pedro, uma saudao caracteristicamente crist (veja comentriosobre I Pedro 1:2).No pleno conhecimento de Deus e de Jesus nosso Senhor. O usoaqui da palavra grega epignosis ("conhecimento preciso e correto" Thayer) interessante. Esta epstola contm forte advertncia contra os 11. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 11falsos mestres. Alguns concluem que tenham sido os gnsticos, e usameste argumento para colocar II Pedro em uma data ps-apostlica, isto,durante o segundo sculo, quando a controvrsia gnstica estava no seuauge. Outros, tais como Bigg, no encontram na epstola indicao certada apologtica antignstica. Talvez saia um razovel meio termo.Certamente o gnosticismo constituiu um verdadeiro problema nostempos apostlicos na sia Menor, conforme testemunha a carta dePaulo aos colossenses, dirigida grandemente a esta insipiente heresia. Apalavra chave de Colossenses o grego epignosis, "conhecimentopreciso e correto", geralmente relacionado com Deus ou Cristo (Cl. 1:9,10; 2:2; 3:10). Os gnsticos defendiam um sistema de doutrina altamenteintricado e extra-escritural, dando ateno aos anjos e prticas ascticas,tendendo a aviltar a divindade de Cristo, e tambm admitindo que seusiniciados possuam sabedoria superior. A carta aos colossenses desde ocomeo exalta Cristo, o centro de "toda sabedoria e conhecimento ",inteiramente identificada com Deus. Esta apologtica foi sem dvidapartilhada pelos outros apstolos, e pode bem refletir-se aqui (como emII Pe. 1:3, 8; 2:20).B. Lembrete da Realidade Presente de Sua Herana Espiritual. 1:3, 4.3. Visto como pelo seu divino poder nos tem sido doadas todasas cousas. Exatamente como Pedro comeou sua primeira carta, cujoalvo era encorajar os cristos em seus sofrimentos, lembrando-os de suagrande riqueza espiritual, seu interesse em permanecerem firmes, eletambm comea a presente epstola, pretendendo prepar-los contraplausvel falsa doutrina. Aqueles que so espiritualmente ricos tm muitoa perder atravs da revoluo ou desero. Pelo conhecimento completodaquele. Para um cristo, conhecer Cristo vida em si (cons. Jo. 17:3).Que nos chamou. Novamente, como em I Pedro (por exemplo, 1:2) oapstolo lembra seus leitores de que so um povo escolhido. Para aprpria glria e virtude (significando geralmente excelncia). Ooriginal aqui parece exigir o significado de por sua prpria glria e 12. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 12virtude. Ambas as tradues so possveis e significativas. pela glriae excelncia de Cristo que somos atrados, e so novamente o produtofinal da vida crist.4. Pelas quais (atravs das quais, isto , atravs da glria evirtude). A glria e excelncia de Cristo, reproduzidas no carter dossantos, e assim oferecidas quele de quem so, constituem o alvo todoinclusivo da vida crist. Nosso alvo se refere ao carter: "Seremossemelhantes a ele" (I Jo. 3:2). E neste alvo esto includas todas as coisasdignas (cons. Mt. 6:33). Nos tm sido doadas. No a palavra costumeirapara "dar", mas uma palavra mais rica e munificente, "dotar", "suprircom uma herana". Preciosas e mui grandes. Literalmente, as preciosase maiores. Observe novamente a palavra "precioso", to proeminente emI Pedro. Promessas. No o termo usual indicando uma sossegadaaquiescncia particular, mas uma palavra herldica implicando em umaproclamao enftica e pblica - uma palavra muito confortadora paraaqueles a quem se refere. Co-participantes da natureza divina,livrando-vos da corrupo, das paixes que h no mundo. Com basenestes publicamente declarados compromissos divinos, o crente se tomaum participante do mais rico de todos os tesouros, a natureza e vida deDeus. "Se algum no tem o Esprito de Cristo, esse tal no dele" (Rm.8:9). Esta nova vida do Esprito no nada alm de "Cristo em ti". Exigesubmisso, obedincia, vida (Gl. 5:25). Esta nova vida liberta-nos damorte-vida da escravido aos desejos carnais (Rm. 8:11-13).C. Desafio a que Insistam nas Amplas Implicaes de SuaHerana. 1:5-11.5-7. Por isso mesmo, vs . . . associai. Pedro insiste com essesjovens crentes a que prossigam passo a passo na graa divina. Ele lhesdiz que coloquem toda diligncia no seu andar na graa.Associai com a vossa f a virtude. "Em vossa f adquiram umamplo suprimento de excelncia (crist) bsica". Esta excelncia aqualidade de algum que diligentemente pratica os rudimentos bsicos e 13. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 13as implicaes de sua chamada. Ele insiste com os cristos a queacrescentem conhecimento virtude. Aqui est o crescimento emconhecimento atravs do estudo e da experincia. A seguir vem odomnio prprio (autocontrole). Esta a disciplina do soldado cristocom a ajuda do Esprito. Ento vem a perseverana, a capacidade de umveterano de ver atravs das presses atuais vista dos recursosconhecidos. perseverana o cristo acrescenta piedade (gr., eusebeia),um esprito de reverncia e deferncia para com Deus em todos osassuntos. reverncia ele acrescenta a fraternidade (gr., philadelphia).Deferncia para com Deus e revestimento do Seu amor a nica basepara a genuna bondade altrusta com referncia ao prximo. Aps afraternidade o amor (gr., agape, "amor divino", como em I Co. 13) abusca do cristo. Seria incorreto colocar essas lindas graas emcompartimentos que s pudessem ser atingidos nesta ordem. No, suaapresentao aqui parece observar uma ordem do mais elementar para omais avanado, mas todas elas so facetas da operao do Esprito navida de um crente, aspectos da glria do Cristo que habita no crente, Seucarter exibido no carter do cristo.8,9. Porque estas coisas existindo em vs e em vs aumentando.A palavra traduzida para existindo significa "ficar debaixo comofundamento ou base". Isto est implcito na regenerao, na presena doEsprito no corao. Mas a questo do "abundar" implica em crescimentocristo e plenitude do Esprito ou controle completo conformeexperimentado pelos crentes no Pentecostes e desde ento.Inativos, nem infrutferos. O fruto do Esprito, secompreendermos devidamente, o carter de Cristo realizado no cristo.Na descrio deste fruto em Gl. 5:22, 23, o amor divino (agape) foimencionado em primeiro lugar; e as outras graas, sete ao todo, ficaramsubordinadas a ele. Esto intimamente relacionadas em esprito e carter lista que Pedro fez acima. Em Cl. 3:14 Paulo menciona o amor divinoem ltimo lugar como um resumo que abrange todas as graas, mais oumenos como fez Pedro. O Pai glorificado conforme o crente vai 14. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 14produzindo mais fruto (Jo. 15:8). No pleno conhecimento de nossoSenhor. Antes, para o conhecimento precioso e correto de nossoSenhor. Esta uma declarao da direo na qual a conquista do cristose dirige. Ento menciona-se a alternativa. cegueira e miopiaespiritual, e um senso enfraquecido de realidade e vida espirituais.10. Procurai (ocupem-se em) com diligncia cada vez maior,confirmar a vossa vocao e eleio. Eis aqui uma responsabilidadepessoal com referncia vocao e escolha que Deus fez deles.Procedendo assim (continuadamente), no tropeareis em tempo algum.A obedincia no opcional sob qualquer aspecto ligado segurana docristo.11. Pois, desta maneira que vos ser amplamente (ricamente)suprida a entrada. Aqui est uma insinuao de que a sociedadecelestial no ser desprovida de classes. A boa mordomia das riquezas deCristo produzir juros eternos. O cristo, recebendo riquezas atravs daproviso de Cristo, investe e acumula riquezas futuras (cons. I Tm. 6:19).D. Pedro Sente a Responsabilidade de Desafi-los. 1:12, 21.12. Sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados... emboraestejais certos da verdade ... e nela confirmados. O sentido no grego o seguinte, "Eu tenciono relembr-los sempre". Mesmo onde existem oconhecimento e a determinao, h necessidade de motivao eexortao.13-15. Enquanto estou neste tabernculo. Cristo, na incumbnciaque deu a Pedro depois da ressurreio, deu a entender que o apstolomorreria como mrtir (Jo. 21:18). Provavelmente a isto que Pedro serefere no versculo 14. Um senso da brevidade do seu mandato aumentao peso do seu senso de responsabilidade diante de seus leitores. Depoisda minha partida. As epstolas de Pedro serviriam para alongar seucuidado e seus conselhos em benefcio dos seus irmos.16-18. No vos demos a conhecer ... fbulas engenhosamenteinventadas, mas ns mesmos fomos testemunhas oculares da sua 15. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 15majestade. A autenticidade do testemunho apostlico instiga estareiterao. Pedro fala aqui de um ministrio anterior junto a essaspessoas. Pode ser uma referncia ao seu sermo no Pentecostes, quandoalgumas estavam presentes, ou pode se referir ao seu trabalho entre elasna sia Menor. Este o meu Filho amado. Esta referncia cena daTransfigurao pode muito bem significar uma reprimenda aos falsosmestres que, se Colossenses descreve uma situao paralela, inclinavam-se adorao dos anjos, reduzindo assim a preeminncia de Cristo. Umavez que s Pedro, Tiago e Joo estavam presentes com Cristo no monte,isto tambm constitui um reforo da reivindicao autoria petrina paraa epstola.19-21. E temos assim tanto mais confirmada a palavra proftica.Colocado ao lado do que foi dito no versculo 21, a referncia destesversculos parece ser s Escrituras do V.T. um espantoso tributo validade das Escrituras Sagradas, que Pedro declare, que sejam maisdignas de crdito do que uma voz do cu ouvida com os ouvidosnaturais. Por implicao, aqui est uma censura queles mestres que indoalm das Escrituras criam artificialmente teorias msticas. Homens(santos) falaram da parte de Deus movidos pelo Esprito Santo, oufalaram da parte de Deus, sendo sustentados pelo Esprito Santo. Estapassagem lembra muito o comentrio sobre inspirao profticaregistrado em I Pe. 1:10-12, outro lao entre as duas epstolas.2 Pedro 2II. Pedro Adverte Contra o Perigo dos Falsos Mestres. 2:1-22.A. A Inevitabilidade dos Falsos Mestres. 2:1-3a.1-3a. Assim tambm haver entre vs falsos mestres. Tendoacabado de mencionar os profetas que falaram da parte de Deus, Pedrose refere ao fato de que estes enfrentaram a oposio dos falsos profetas.Ele adverte os crentes (mais ou menos como em Atos 20:29, 10; I Tm. 16. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 164:1-6; II Tm. 3:1-5 ainda que o erro aqui parece que era no setor davida e no de doutrina I Jo. 2:18-20; e Judas 3 e segs.) contra os falsosmestres que talvez o apstolo j soubesse operando em certos setores daigreja. Estes negariam o soberano Senhor que os resgatou; alcanariamseguidores e lanariam uma sombra sobre o caminho da verdade. Seupropsito seria mercenrio; seriam motivados por avareza.B. O Julgamento dos Falsos Mestres. 2:3b-9.3b. Para eles. . . o juzo . . , no tarda. Aqui parece haver umaintimao de que os deliberados e obstinados herticos ultrapassaram operodo probatrio do possvel arrependimento. Seu destino agora erainexorvel.4. Se Deus no poupou a anjos quando pecaram. Pedro, bem noincio de suas consideraes sobre os falsos mestres, apresenta umquadro do Deus do juzo. Serve como encorajamento aos fiis e tambmde advertncia a qualquer um que esteja inclinado apostasia (cons. vs.7-9 abaixo). As cadeias da escurido (E.R.C.). A traduo abismos dastrevas (E.R.A.) (gr., sirois ou seirois em vez de seirais) parece a melhor.Embora parea que Pedro esteja se referindo ao apcrifo Livro deEnoque, com sua elaborada discusso sobre o pecado dos anjos cados, ojuzo que lhes est reservado, e finalmente o prprio juzo (este versculoparece refletir Enoque 21), continua ausente, entretanto, essa teorizaobastante louca e questionvel, e intromisso de conceitos no espirituaisque est evidente, at para o leitor desavisado, no livro de Enoque.5. E no poupou o mundo antigo, mas preservou a No. Outrareferncia severidade, como tambm bondade de Deus.6-8. Reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra,ordenou-as runa completa ... e livrou o justo L. Ainda outrailustrao da judicatura de Deus sobre a Sua criao. Esta referncia infelicidade de L com os acontecimentos relacionados com a suaescolha de Sodoma por residncia, por causa de sua lealdade bsica aDeus, quer seja considerada como um reflexo da tradio antiga, quer 17. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 17seja revelatria, um interessante suplemento ao quadro que o V.T. ddesse patriarca.9. O Senhor sabe livrar . . . e reservar sob castigo. Enquanto nosexemplos usados, Pedro demonstra mais interesse pela condenaodivina dos maus do que pela sua vindicao dos justos (isto por causa desua preocupao com os falsos mestres), nesta recapitulao final eleacrescenta em primeiro lugar a misericrdia divina para com os seus,para conforto dos leitores. A epstola de Judas um paralelo muitoachegado presente discusso dos falsos mestres e seu castigo. Pedrafala de suas atividades como coisa iminente ("haver tambm falsosdoutores", 2:1); Judas trata do assunto como coisa presente ("porque seintroduziram alguns", Judas 4).C. As Caractersticas dos Falsos Mestres. 2:10-22.10-12. Aqueles que seguindo a carne, andam ... menosprezamqualquer governo. O quadro de auto-indulgncia e impudnciacarnais. No temendo difamar autoridades superiores, ao passo que... anjos ... no proferem contra elas juzo. Pedro adverte contrapalavras precipitadas e autoconfiantes, mesmo quando relacionadas comos poderes do mal. Sua referncia aos anjos paralela a de Judas 9, queparece refletir uma luta entre Miguel e o diabo, narrada na Assuno deMoiss, uma obra apcrifa conhecida entre os judeus. A referncia dePedro discreta, levando alguns mestres da crtica a pensarem que IIPedro seguiu-se referncia mais especfica em Judas. Bigg acha ocontrrio, sentindo que a declarao de Pedro foi suficiente para o seupropsito, e que a de Judas veio um pouco depois, particularizando-a.Falando mal daquilo em que so ignorantes. Sua auto-suficinciaemparelhava com a sua ignorncia. Isto faz lembrar a referncia de Cl.2:18. A caracterstica dos mestres da crtica liberal moderna, que misespanto causa, a confiana absoluta que tm em suas prpriasconcluses, com base em evidncias triviais e envolvendo desvios 18. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 18tremendamente importantes dos princpios mantidos durante sculos pelaigreja histrica.13. Eles se regalam nas suas prprias mistificaes. Pedro fala deum abuso da sociabilidade crist. Sempre vidos de um bom jantar, elestransformam essas ocasies em oportunidade para uma alegria imprpriae persistentes ensinamentos falsos. A referncia que Judas faz srefeies em comum que os cristos realizavam nas "festas de amor"(lit., "vosso amor" ou "ocasies de amor", Judas 12) apresenta um padrocompletamente diferente.14-16. Tendo olhos cheios de adultrio. Aqui est um quadro dainstabilidade moral que encontra na igreja de hoje uma enormeconstatao.Tendo corao exercitado na avareza . . . seguindo pelocaminho de Balao. coisa sabida que a avidez pela remuneraofinanceira e o desejo de dirigir uma igreja grande e popular tem levadomuitos profetas modernos a abandonar o caminho direito e a seguir ocaminho de Balao. E mesmo nos crculos evanglicos, umapreocupao excessiva pelo lucro financeiro, ou falta de cuidado no usodos fundos, tem invalidado a obra de alguns prncipes do plpito cujaspalavras eram irresistivelmente poderosas.Um mudo animal de carga . . . refreou a insensatez. luz dosresultados eternos, o triste desatino de tal perverso de propsito provocao desprezo at dos mais simples. Lembre-se de que o jumento teve apermisso de ver aquilo que fugia viso mope de Balao, "o vidente"(Nm. 22:25).17-19. Fonte sem gua. A condenao bsica da falsa doutrina sua completa esterilidade espiritual. este aspecto do movimentoconhecido por "liberalismo religioso" que tem levado grande nmero depessoas espiritualmente famintas a abandonarem igrejas friamenteformais. Finalmente tambm deu lugar desero do "liberalismo" atpelos intelectuais e eruditos. Esta desero, conhecida como a "neo- 19. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 19ortodoxia", um movimento reacionrio que, triste dizer, continuanegando a plena autoridade das Escrituras.Prometendo-lhes liberdade ... escravos da corrupo. Ostelogos de meio sculo atrs bebiam sedentamente do intoxicante vinhoda liberdade da autoridade das Escrituras e at mesmo de Deus. Dizia oProf. Walter Rauschenbusch, "A pior coisa que poderia existir para Deusseria Ele permanecer um autocrata quando o mundo se dirige para ademocracia. Ele seria destronado com os demais" (Theology of theSocial Gospel, pg. 178). Dizia o Prof. Hugh Hartshome, "Ns j noseguimos os padres ticos que emanam de autoridades estabelecidas,quer da igreja, do estado, da famlia, das convenes sociais, ou sistemafilosfico" (Jour, of Ed. Soc., Dec., 1930, pg. 202). Atualmente a naoenfrenta uma tremenda colheita do crime e da delinqncia que prolifera.Os falsos mestres descritos por Pedro, foram eles mesmos exemplos daservido espiritual (cons. Jo. 8:34).20-22. Melhor lhes fora nunca tivessem conhecido. Este umsolene tributo da terrvel responsabilidade da apostasia, e constitui umaadvertncia implcita aos crentes para permanecerem firmes.2 Pedro 3III. Segunda Vinda de Cristo, um Imperativo na ConquistaEspiritual. 3:1-18.A. A Vinda de Cristo em Glria Anteriormente Mencionada aosLeitores. 3:1,2.1. A segunda epstola. Muito naturalmente considerada umareferncia I Pedro. Procuro despertar com lembranas a vossamente esclarecida. Literalmente, com um lembrete eu desperto vossasmentes puras. A palavra pura (gr., eilicrines), embora de discutidaorigem, provavelmente significa "julgada pelo sol", como um vaso que,quando colocado contra o sol, no revela falhas escondidas. Como tais 20. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 20falhas costumavam ser escondidas por meio de hbeis remendos comcera, a palavra foi em outro lugar (Fp. 1:10) traduzida para "sincero"(lat., sine cera, "sem cera"). Alguns, pelo contrrio, acham que a palavrase refere ao peneiramento, como o de gros.2. Santos profetas. . . vossos apstolos. Pedro declara umacontinuidade e congruncia com o testemunho das Escrituras do V.T., aprincipal autenticao para a genuna pregao crist na era apostlica, etambm com o testemunho de seus companheiros, os apstolos. Estadeclarao natural e incidental como se o escritor j soubesse que doconhecimento de todos os seus leitores uma forte confirmao daautoria petrina desta carta. A Segunda Vinda era um assuntograndemente apreciado pelo apstolo. Ele sublinha a exortao e oencorajamento de sua primeira carta (por exemplo, I Pe. 1:5, 7, 10-13;4:7, 13; 5:1, 4). Ele sabia que os seus leitores estavam familiarizadoscom esta verdade.B. A Segunda Vinda, Objeto de Ceticismo. 3:3-9.3,4. Viro escarnecedores ... Onde est a promessa da sua vinda?Pode-se debater sobre se esta mais uma referncia aos falsos mestresdo captulo 2, ou simplesmente uma declarao de que a demora da voltade Cristo levaria muitos a se afastarem e at mesmo a zombarem dagloriosa esperana da Igreja.5,6. Deliberadamente esquecem. Literalmente, isto deixou de serpercebido deliberadamente. Um caso de cegueira judicial. Eles noqueriam que a coisa fosse verdade. Pela palavra de Deus. Pedro retorna segurana e estabilidade da palavra de Deus conforme comprovada nacriao. Literalmente, ela consistia na (ou pela) palavra de Deus. Pelasquais (gr., coisas atravs das quais, isto , atravs da palavra de Deus edo dilvio) veio a perecer o mundo daquele tempo. A palavra do juzodivino, como a Sua palavra criativa, foi final.7. Ora, os cus que agora existem, e a terra, pela mesma palavratm sido entesourados. A promessa do juzo abrasador de Deus sobre 21. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 21os pecadores e sobre o mundo deve ser aceita com respeito. As obrasapcrifas anteriores era crist entraram em considerveis detalhes sobreeste assunto. Nosso Senhor, quando estava na terra, falou de um destinoterrvel para o pecador (por ex. Lc. 16:24).8,9. Que, para o Senhor, um dia. Agora Pedro chega ao ponto quetinha em mente, isto , que a demora da volta de Cristo, mencionadapelos cticos, no base adequada para se duvidar da Sua vinda. Isto jfoi insinuado quando se referiu ao dilvio do tempo de No. O dilviotambm levou muito tempo para chegar, e sua plausibilidade foisubestimada pelo povo daquele tempo; mas ele veio, exatamente comoDeus disse que viria. Esta a terceira referncia que Pedro faz a No (IPe. 3:20; II Pe. 2:5), outra indicao excelente da unidade entre I e IIPedro. Os comentrios de Pedro sobre a equivalncia de um dia e milanos para Deus, uma linda declarao da eternidade de Deus, Suasuperioridade s limitaes do tempo e espao (cons. Sl. 90:4). E excitante pensar em como esse conceito reduz o perodo da espera deSua volta. Os anos de nossa peregrinao aqui passam rapidamente. Mas,ento, quando "estamos com o Senhor" e livres das limitaes de tempoe espao, no passa de um ou dois dias - mesmo calculados a partir dostempos apostlicos at que o Seu reino venha com todas as suasalegrias. Que todos cheguem ao arrependimento. A delonga de Deustem um propsito redentor; Sua vontade bsica que todos abandonemos seus pecados e se voltem para Ele.C.A Segunda Vinda Ser Catastrfica. 3:10.10. Vir, entretanto, como ladro, o dia do Senhor. Apesar detoda a aparente delonga, a palavra de Deus ser novamente comprovadavlida. Aquele dia h de vir. A visita sbita, jamais esperada doarrombador noturno o smile favorito de Cristo, adotado pelos seusapstolos. Os elementos se desfaro abrasados; tambm a terra, e asobras que nela existem sero atingidas. Aqui pode haver uma outraaluso ao Livro de Enoque, com sua descrio das "montanhas dos sete 22. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 22metais" e sua destruio. Parece que os judeus religiosos de um modogeral aguardavam que houvesse uma final e abrasadora purificao daterra. claro que isto vai alm das referncias bblicas ao Milnio.D. Um Incentivo Vida Santa. 3:11-18a.11,12. Deveis ser tais como. Exatamente como em sua primeiraepstola (1:14-16), Pedro usa aqui o tema da esperana apocalptica docristo como poderoso incentivo santidade. Esperando e apressandoa vinda do dia de Deus. Que quadro para "todos quantos amam a suavinda"! (cons. II Tm. 4:8). No como aqueles que tm pavor desse dia,aqueles que, quando forem tomados de surpresa, pediro s rochas e aosmontes que os escondam (Ap. 6:15-17), o cristo o aguarda comansiedade. As palavras apressando a vinda do dia de Deus tambm sopassveis desta traduo, apressando a vinda... Aqueles que ajudam aexpandir a obra redentora de Deus podem com toda razo achar que socooperadores em seu desfecho.13. Esperamos novos cus e nova terra, nos quais habita justia.Este tem sido o tema dos profetas (por ex., Is. 2:4; 11:6-9; Mq. 4:1-5);isto segundo a sua promessa. Foi uma esperana e uma visopartilhada por Abrao e os patriarcas (Hb. 11:10). o que transforma oscristos de todos os tempos em "peregrinos e estrangeiros". Comparecom a meno que Paulo faz disto em Rm. 8:19, 25. Como L emSodoma, o cristo s pode gemer diante do pecado que prevalece e osseus resultados. O nome concedido a Jeov pelo Israel milenial eraJeov-Tsidkenu "O Senhor, Justia nossa".14. Por essa razo ... esperando estas coisas. Uma insistnciarepetida da esperana do cristo como motivao para uma vidacuidadosa e santa. Empenhai-vos pode ser traduzido para ocupem-se.Paz e santidade esto associados em Hb. 12:14.15. E tende por salvao a longanimidade de nosso Senhor.Paulo insiste com seus leitores sobre a razoabilidade da delonga divina,um tema j mencionado antes, no versculo 9. Deus aguarda poder 23. 2 Pedro (Comentrio Bblico Moody) 23conceder a Sua graa. Como igualmente o nosso amado irmo Paulovos escreveu. Pedro conhecia as cartas paulinas, embora fossemcontemporneas das suas. No h razo para se interpretar estadeclarao como indicao de que o cnon do N.T. j estivessecomeando a se formalizar quando isto foi escrito. A frase nosso amadoirmo parece naturalmente se referir a um contemporneo.16. Que os ignorantes e instveis deturpam, como tambmdeturpam as demais Escrituras. Pedro se refere queles que fazemcavilaes sobre a autoridade das obras paulinas, considerando-asespiritualmente sem fundamento e indignas de crdito. O apstoloconcede s cartas deste homem que foi seu contemporneo e que j ocriticou, um lugar entre as demais obras sagradas. Compare com asdeclaraes do prprio Paulo de que suas injunes quando foramescritas eram mandamentos divinos (I Co. 14:37; I Tm. 6:3).17. Acautelai-vos; no suceda que . . . descaiais da vossa prpriafirmeza. Uma repetida e final advertncia fidelidade. Seuconhecimento antecipado deu-lhes uma vantagem. Saber de antemo prevenir-se (cons. I Ts. 5:4). Mas havia perigo real em serem envolvidose arrastados pelo erro desses insubordinados.18a. Antes, crescei na graa. A vida no esttica. Temos deavanar para no retroceder. Pedro termina com a mesma nota docomeo desta epstola (1:5-11), isto , um desafio conquista espiritualatravs do conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.Conhec-lO viver; crescer nessa. amizade crescer no Esprito (cons.Fp. 3:10).IV. A Bno Apostlica. 3:18b.18b. A ele seja a glria, tanto agora como no dia eterno. Cristo,o comeo, o processo, e o cumprimento de nossa grande salvao, recebeeterno louvor.