Espiritualidade bíblica

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Espiritualidade bblica, extrado de http://www.estef.edu.br/arno/?p=63 em 20110728

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  • 1. ESPIRITUALIDADE BBLICA

2. Recordando A espiritualidade Bblica a espiritualidade que traz como base de toda a vivncia, conhecimento, prtica, relao interpessoal a experincia do Povo de Deus relatada na Bblia. No s parte do texto bblico, a partir da meditao, mas retorna constantemente a ele como critrio de discernimento e de deciso. 3. Experincia fundante Israel faz uma experincia paradigmtica de Deus na sua histria. Esta experincia relatada nos vrios livros da Bblia, tornando-se uma experincia modelo para as pessoas e povos que querem experimentar Deus na sua histria Nasce entre os sc.XIIIeXIIa.C. -salto qualitativo A experincia fundante a confluncia ecumnica da realidade de grupos diferentes, mas que sofriam a mesma opresso infligida pelo Egito. No encontro desses grupos, vindo da fuga e resistncia, acontece o xodo, dando origem a um novo povo, o qual traz consigo a fora do Deus dos pobres, do Go'el. 4. Grupos que formaram o Povo de Deus Mosaico: Escravos no Egito. Seu Deus libertador dos marginalizados El Go'el Dele vir a experincia mais forte Seminmades da Palestina: Seu Deus paterno atua na defesa dos espoliados e lascados Tem um projeto anti-Estado e anti-cidade. Isra-el. Deus da companhia e da promessa. No intermedirio entre Deus e a pessoa. Seminmades do Sinai: Jav Seu Deus epifnico, se manifestando na histria, migrante. Militante. 5. A fundio da experincia fundante do Deus Bblico a) Por um lado o javismo tribal se enucleava em torno de experincias histricas com o divino.Seu eixo era a interpretao da histria, no a interpretao da natureza.O javismo , desde as origens, umahermenutica , uma leitura da histria. b) Por outro lado, o javismo era estritamente relacionadogente espoliada. o caso dos lavradores emigrados dasplancies , aps sculos desofrimentospelos saquesegpcios. o caso dos seminmades como Sara eAbrao , para quem a simples aproximao dascidadessignificava umperigo. o caso dos bedunos doSinai. o caso dosescravos , extorquidos junto aRam ss eP itom.O javismo , claramente,um a interpretao dahistria a partir dosexcludos , de mulheres e homens massacrados. 6. Os dogmas do credo" histrico do povo bblico " Meu pai era um arameu errante: ele desceuaoEgitoearesidiucom poucas pessoas. Depois tornou-se uma nao grande, forte e numerosa.Os egpcios, porm, nos maltrataram ehumilharam,impondoumaduraescravidosobre ns.Clamamos ento a Jav, Deus de nossos antepassados, e Jav ouviu a nossa voz. Ele viu nossa misria, nosso sofrimento e nossa opresso. EJavnos tiroudoEgito com mo forte e brao estendido, em meio a grande terror, com sinais e prodgios.E nos trouxe a este lugar, dando-nos esta terra:uma terra onde corre leite e mel.Por isso, aqui estou, Jav, com os primeiros frutos da terra que tu me deste" (Dt 26, 5b - 10a). 7. Meu pai era um arameu errante O povo recordar para sempre que era peregrino, sem terra, sem teto, sem cho, frgil, desprotegido, vagante... 8. ramos escravos no Egito e clamamos a Jav " Os egpcios nos maltrataram e humilharam, impondo uma dura escravido sobre ns"(Dt 6,21; 26,6). O credo inicia declarando a condio de espoliado e explorado, de pobre, itinerante e marginalizado. O povo revela a Deus sua situao de grande necessidade: vive na misria, luta pela sobrevivncia. Sente-se joguete dos grandes imprios que usam as pessoas em funo de seus interesses econmicos, polticos e militares. o povo todo nesta situao! E Javv esta situao(Ex 3, 7). 9. Ele (Jav) ouviu nossa voz Ele viu nossa misria, nosso sofrimento e nossa opresso ( Dt 26,7). Jav "ouve" o grito: "conhece" os sofrimentos. [...] O Deus Bblico um Deus sensvel ao sofrimento, um Deus que no se conforma com o sofrimento injusto. um Deus "humano", o Deus da compaixo, que tem entranhas de misericrdia, incapaz de esquecer seus filhos (Os 11,8).No indiferente aos pequenos e sem voz e vez. [...] Ele toma o partido dos indefesos. Ele o verdadeiroGo'eldo povo , o padrinho que resgata da escravido, como o livro do Levtico o apresenta (25,25.39-40). 10. Jav nos tirou com mo forte e brao estendido com sinais e prodgios contra o Fara ( Dt 6,22;26,8). O povo reconhece a fora de Deus intervindo no processo de libertao.No fosse Ele no teria havido a libertao.Sentiram que Deus os impelia a lutar, a buscar a libertao de todas as formas: unindo-os por serem muito dispersos e desentrosados; fortificando-os por no terem nenhuma experincia de luta contra as astcias e a fora dos grandes, etc. No por uma interveno mgica ou milagrosa na histria, mas mediante a fora das lideranas humanas como Moiss, Aaro, Mriam, Josu, etc. Os egpcios confiavam em foras exteriores (carros e cavalos), ao passo que os hapirs, confiavam em Deus presente neles. 11. Jav introduziu-nos na terra que havia prometido a nossos antepassados No bastou tirar da escravido; Jav conduziu o povo a uma nova terra que tambm pode significar aqui, uma ptria, uma organizao scio-poltico-econmica em funo da vida. Muitas vezes na Bblia aparece a meno de Jerusalm como smbolo de uma nao/povo organizado em favor de seus cidados e no em favor do dinheiro ou do poder. De fato, no existe vida sem terra e trabalho para todos. O compromisso de Deus com o povo conceder-lhe terra abundante e boa (onde "corre leite e mel") para plantar, morar, organizar-se (sem necessidade de esconder-se), sentir-se em casa, ter um lugar ao sol, ter uma identidade poltico-social. A promessa e a utopia so parte inerente da Espiritualidade Bblica. O Evangelho falar em cntuplo e abundncia de vida. 12. Ento Jav nos ordenou cumprir todos estes estatutos No basta estar numa terra frtil. Faz-se mister responder de modo mais efetivo e compromissado. preciso chegar a uma organizao social mais justa, instituir um compromisso, criar um "ethos" que faa respeitar e promover a verdadeira vida.Os mandamentos so, por um lado, o fruto da sabedoria do povo porque levam convivncia pacfica e fraterna, onde todos, especialmente os mais fracos, so respeitados e amparados. Uma legislao social adequada , assim, o outro lado da medalha do presente da terra e de sua garantia.Por outro lado, a LEI o smbolo da sabedoria de Deus, pois por meio dela o povo tem uma garantia de vida, como expressa e canta muito bem o maior salmo 119 (118) - e tambm o salmo 19 (18). Neste sentido os mandamentos so assim a melhor expresso daalianade Deus com seu povo e, da parte deste, um compromisso de caminhar para a felicidade. 13. Por isso, aqui estou, Jav, com os primeiros frutos da terra que tu me deste Quando se est na terra, colhendo dos seus frutos, com uma aliana selada com Jav, vivendo na liberdade do Povo de Deus, celebrar apresentar-se diante de Deus e reconhecer a presena dele na histria e no cotidiano, sua proximidade e sua ddiva de vida.