3.1.guimaraes organizacao

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  • 1. XI SEMINRIO MODERNIZAO TECNOLGIA PERIFRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundao Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osrio, Rua Dois Irmos, 92 A organizao do trabalho na produo da vida humana de base cientfica laboratorial Valeska Nahas Guimares, UFSC valeska_kenaz@yahoo.com.br Samya Campana, UFSC samyacampana@gmail.comResumoEste artigo tem origem em pr-projeto de doutorado intitulado Emancipao humana pela educao?A prtica pedaggica engrendrada pelo desenvolvimento das foras produtivas sociais de basecientfica-laboratorial desenvolvido a partir dos resultados de dissertao de mestrado. A pesquisatem como pressuposto que o processo de produo laboratorial, a exemplo do Laboratrio Nacionalde Luz Sncrotron (LNLS) (localizado na cidade de Campinas em So Paulo, sendo o nico dohemisfrio Sul), o que h de mais avanado em termos de foras produtivas sociais sob gide docapital. No obstante, essas consideraes nos remetem a duas indagaes que so nosso norte, jque constituem parte importante dessa pesquisa doutoral: h ou no h uma nova forma deorganizao do trabalho que se manifesta nessa nova forma produtiva laboratorial? Se estamosdiante de uma nova forma de organizao do trabalho que se constitui e se desenvolve no e pelosistema de laboratrio, ser ela reafirmadora ou contestadora da sociedade capitalista? Destarte,indagamos se essa nova forma de organizao do trabalho traz em seu bojo relaes sociais querepresentem um avano, ou mesmo, a superao das relaes capitalistas. Inicialmente, para buscarrespostas a essas indagaes, nos utilizamos neste artigo de uma reviso dos modelos e formas deorganizao do trabalho, incluindo-se uma discusso sobre as novas formas de organizao dotrabalho, objetivando diagnosticar ou no uma simetria entre os modelos e formas de organizao dotrabalho e a organizao do trabalho na produo de base cientfica laboratorial.Palavras-chave: organizao do trabalho, novas formas de organizao do trabalho, sistema delaboratrioAbstractThis article has its origin in a pre-doctoral project entitled Education for Human Emancipation. Theteaching created by the development of social productive forces of scientific and laboratory "developedfrom the results of Masters thesis. The research has the assumption that the process of laboratoryproduction, such as the National Laboratory of Syncrotron (located in the city of Campinas, in SoPaulo, the only one of the South) is the most advanced in terms of social productive forces under theaegis of the capital. Nevertheless, these considerations send us to two questions which are our goal,once they constitute an important part of this doctoral research: is there or is there not a new form ofwork organization which rises in this new form of laboratory productive form? If this is a new way oforganizing work that is developed and is in and the laboratory system, is it reaffirming or contestingthe capitalist society? Therefore, we ask whether this new form of organization of work itself bringsinside some new social relation which may represent a step ahead or even an overcoming of thecapitalist relations. At first, in search of answers for theses questions, in this paper we used a review ofmodels and forms of work organization, including a discussion about the new forms of workorganization, aiming at diagnosing or not symmetry among the models and forms of work organizationin the scientific-based laboratorial production.Key-words: work organization, new forms of work organization, laboratory system.GUIMARES, VN; CAMPANA, S. A organizao do trabalho na produo da vida humana de base cientifica laboratorial 153
  • 2. XI SEMINRIO MODERNIZAO TECNOLGIA PERIFRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundao Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osrio, Rua Dois Irmos, 921. IntroduoNas ltimas quatro dcadas a humanidade tem vivenciado transformaes no modo comoproduz o capitalismo e a si mesma. Na dcada de 1970, muito se falava em crise; na de1980, os termos de moda foram reestruturao e reorganizao; na de 1990, deixou-se deter certeza de que a crise j estaria solucionada e comeou a se difundir a viso de umanova fase histrica do capitalismo, chamada por alguns de ps-moderna; na de 2000, fala-se de nvoa, incerteza, transio, admitindo-se a possibilidade concreta de umatransformao radical (seno de colapso das relaes capitalistas) e de abertura pararelaes de um tipo novo.A tese assumida a de que o modo de produo capitalista est atravessando ummomento decisivo e que as transformaes em curso no tm precedentes. Entendendoque a histria no se repete, seu primeiro pressuposto a considerao da afirmao,negao e superao do Modo de Produo Capitalista (MPC) luz do movimento de suabase material e da constituio do ser social. Suas formas sociais orgnicas de produzir(artesanal, manufatureira e industrial) so e expressam o movimento de seus prprioscriadores - os homens -, suas relaes sociais de produo burguesas, no tempo e noespao ao decomporem o trabalho individual como fonte da vida e constiturem o trabalhosocial como fundamento da existncia humana (AUED, 2005, 1999). O segundopressuposto a constatao de que a superao do modo de produo capitalista se faz,no presente, a partir de uma nova forma social orgnica de produo, contraditria etransitria que emerge do desenvolvimento das foras produtivas sociais, mas que nadatem em semelhante com a forma da grande indstria (muito menos da manufatura e doartesanato), porque mesmo tendo sido embutida em seu bojo, desta se separou superando-a e, provisoriamente, foi chamada de sistema de laboratrio (CAMPANA, 2006).Em continuidade ao desenvolvimento dessa tese, foi originado um pr-projeto de doutoradointitulado Emancipao humana pela educao? A prtica pedaggica engrendrada pelodesenvolvimento das foras produtivas sociais de base cientfica-laboratorial, com enfoquena Educao para saber se esta se configura de forma diferenciada em relao interiorizao e legitimao das condies do MPC. Essa pesquisa tem como pressupostoque o processo de produo laboratorial, a exemplo do Laboratrio Nacional de LuzSncrotron (LNLS), localizado na cidade de Campinas em So Paulo, sendo o nico dohemisfrio Sul, o que h de mais avanado em termos de foras produtivas sociais sobgide do capital. Seu objetivo relacionar essa nova forma produtiva ao processoeducacional do ensino e pesquisa universitrios visando compreender essa relao socialcomo afirmao, negao e superao do prprio modo de produo que a produz.No obstante, essas consideraes nos remetem a duas indagaes que sero aqui nossonorte: na prtica, constata-se o surgimento de uma Nova Forma de Organizao doTrabalho (NFOT) que se manifesta nessa nova base produtiva laboratorial? Ser estaemancipatria? Se estamos diante de uma NFOT que se constitui e se desenvolve no epelo sistema de laboratrio, ser ela reafirmadora ou negadora da sociedade capitalista?Destarte, indagamos se essa NFOT traz em seu bojo relaes sociais que representam umavano, ou mesmo, a superao das relaes capitalistas. Finalmente, uma perguntainspiradora: o que essa nova base produtiva laboratorial e, se for o caso, essa NFOT podesignificar em termos da modernizao tecnolgica de regies perifricas, no atual contextode esgotamento dos recursos planetrios?Inicialmente, preciso compreender a Organizao do Trabalho (OT) no modo de produocapitalista (MPC) como uma manifestao concreta de como o capital atinge o seu objetivode valorizao atravs da dominao exercida sobre a fora de trabalho, a qual, nopossuindo o controle dos meios de produo, submete-se ao assalariamento (ROESE,1992). Trata-se da forma de extrao de mais-valia absoluta, enquanto o desenvolvimentoGUIMARES, VN; CAMPANA, S. A organizao do trabalho na produo da vida humana de base cientifica laboratorial 154
  • 3. XI SEMINRIO MODERNIZAO TECNOLGIA PERIFRICA RECIFE, 4 a 6 de NOVEMBRO de 2009 Fundao Joaquim Nabuco, Apipucos, Sala Gilberto Osrio, Rua Dois Irmos, 92tecnolgico dos meios de produo representa a forma de obter mais-valia relativa(GUIMARES, 1995).No entanto, apesar de identificada a lgica geral que enseja a organizao do trabalho noMPC, no tarefa fcil caracteriz-la, dado que representa um locus privilegiado, ondeencontram-se, intimamente associados, os aspectos polticos, tcnicos, econmicos,psicolgicos, scio-culturais (ORSTMAN, 1984, FLEURY, 1987).Essa confluncia de reas tem impelido como pressuposto a anlise interdisciplinar daorganizao do trabalho, numa concepo ampla, ao contrrio do tratamento convencional,afinado com uma postura normativa, tradicionalmente oferecido pelas CinciasAdministrativas e pelas Engenharias, que se limitam a interpret-la como organizaoracional do trabalho1 - tampouco deve ser conduzido unilateralmente pelas Cincias Sociais(especialmente a Sociologia, a Psicologia e a Poltica) sem entrar no mrito dosprocedimentos operacionais, presente nas situaes reais do trabalho (FLEURY, VARGAS,1983 apud GUIMARES, 1995).A interdisciplinaridade permite avanar quanto interpretao da OT, sugerindo a inclusodas relaes sociais, os nveis de responsabilidade, as qualificaes necessrias alm dacadncia, da variedade e comp