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[CESAR REPORTS] Industrial Internet of Things: A Revolução da Indústria 4.0

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  • Na ltima dcada, a adoo em maior escala do modelo de Business to Consumer (B2C) ocorreu devido revoluo da internet, que, por sua vez, permitiu o surgimento de empresas disruptivas como Google, Amazon e Netflix. Hoje, passamos por uma nova transformao emergente do mercado com a Internet of Things (IoT), de onde novas empresas disruptivas tendem a surgir. Esse cenrio promissor fez com que a Internet das Coisas se tornasse um hype no apenas entre os consumidores ou fabricantes, mas principalmente para quem efetivamente vai implementar as solues que viabilizaro esse futuro: a comuni-dade de TI.

    Neste contexto, uma pesquisa realizada pela DZone em parceria com as americanas Salesforce e Red Hat, a partir da opinio de mais de 2.200 profissionais de TI, apresentou um panorama com evidncias que demonstram esse hype e os interesses dos desen-volvedores de IoT. As reas de maior interesse so Smart Homes, drones e wearables.

    Mas por que a indstria no est na lista dos interesses dos desenvolvedores? Por que no encaixar solues de IoT para indstria como um hype? O impacto da Internet das Coisas na indstria vale energia e engajamento da comunidade de TI. Desde o final do sculo XVIII at aqui j passamos por trs revolues industriais, das mquinas a vapor que evoluram para as linhas de produo at a que vivemos atualmente, em que foram inseridos componentes eletrnicos na automao da produo industrial. Nos prximos anos, o impacto da Internet das Coisas ser to grande que alguns pesquisadores afirmam que sua aplicao na indstria dever iniciar a quarta revoluo industrial. Ela ter como base sistemas ciberfsicos que a partir da utilizao de sensores e o processamento das informaes coletados por eles utilizam atuadores para definir como as mquinas (fsicas) devero funcionar.

    Pode at parecer um cenrio hipottico, ainda mais para a realidade atual do Brasil, porm, em outros pases a corrida para sair na frente desta quarta revoluo industrial j foi iniciada, e frente esto Alemanha e China.

  • Pode at parecer um cenrio hipottico, ainda mais para a realidade atual do Brasil, porm, em outros pases a corrida para sair na frente desta quarta revoluo industrial j foi iniciada, e frente esto Alemanha e China. Em 2011, a expresso Indstria 4.0, referncia quarta revoluo industrial, foi apresentada na feira de Hannover, principal evento industrial do mundo, e desde ento o governo alemo tem adotado o termo e investido em aes para desenvolver a Indstria 4.0 na Alemanha. J a China lanou um plano intitulado Made in China 2025, primeira etapa de um projeto que vai at 2049, quando o pas completa 100 anos de era moderna, e cuja inteno se tornar lder mundial em solues da Indstria 4.0.

    Os dois pases j firmaram uma ao de cooperao para desen-volver as diretrizes da indstria 4.0. Alm disso, tanto a Alemanha quanto a China tm como base em seus planos de ao o envolvi-mento entre governo, academia e indstria, e toda essa mudana no mercado no ir ocorrer de uma hora para outra. Segundo o relatrio do Frum Mundial de Economia de 2015, organizao sem fins lucrativos com sede em Genebra que rene lderes empresariais e polticos para discutir questes urgentes enfrenta-das mundialmente, espera-se que a evoluo da Indstria 4.0 passe por quatro fases distintas:

    Eficincia Operacional

    Em curto prazo, a insero de IoT na indstria deve atacar primei-ramente o cho de fbrica, com objetivo de reduo de custos operacionais, execuo de manuteno preditiva, otimizao da produtividade, alm de melhorar segurana e condies de trabalho.

    Novos Produtos e Servios Em um segundo momento, em curto e mdio prazo, surgiro novos produtos centrados em servios e pagos por consumo, e repre-sentantes da indstria sero a grande massa de dados gerados pelos produtos agora conectados, cenrio que vai criar a abertura para monetizao desses dados.

    Economia de Resultado

    Nesta etapa, de mdio a longo prazo as empresas e a tecnologia j madura permitiro que se venda resultado para o consumidor. Por exemplo, o consumidor no estar mais em busca de uma lmpada com 10 vezes mais durabilidade e trs vezes mais economia do que a concorrncia. Ele buscar resultados, e vai querer uma lmpada que acenda apenas quando necessrio, conforme seu uso e na intensidade correta.

    Pull Economy

    Representa uma viso a longo prazo, ao contrrio do conceito de push economy, que prev as prximas demandas do mercado, se prepara e empurra novas necessidades para o consumidor final. No pull economy, o consumidor que ditar suas necessidades e exigir uma produo no mais para a massa, mas para necessi-dades de nicho ou at mesmo solues personalizadas. Nesta etapa, a indstria apresentar alta otimizao de recursos e automao fim a fim.

    Apesar das fases de evoluo da Indstria 4.0 apresentarem certa ordem cronolgica, vrias empresas j caminham em algum nvel entre elas. Por exemplo, a GE Transportation desenvolveu uma locomotiva com mais de 250 sensores que analisam em torno de 150 mil data points por minuto para avaliar em tempo real as condies da locomotiva e at mesmo realizar manuteno predi-tiva. Outro exemplo, desenvolvido aqui no CESAR para o setor de agronegcio, foi uma soluo para monitor de irrigao que prev maior eficincia energtica e operacional, e tambm segue o modelo de produto como servio. Na plataforma da Internet das Coisas, o equipamento, presente em culturas extensivas, passou a controlar o plano de irrigao evitando o desperdcio de gua e outras situaes que tornavam o uso da gua ineficiente, aumentando a produtividade da safra e a economia.

    Vale destacar que as oportunidades j so reais at mesmo em aplicaes previstas para mdio e longo prazo, como o caso da economia de resultado. Neste cenrio, a IoT ser essencial para responder uma pergunta muito conhecida em anlise de vendas: The why behind the buy? Um dos exemplos que ficou mais conhe-cido para responder a questo e que avalia o comportamento do consumidor diz respeito ao motivo das cervejas serem vendidas ao lado das fraldas nos supermercados. Com anlise de dados, verificou-se que isso faz sentido para o contexto de determinadas regies onde os homens compram as fraldas. Mas quando falamos de produtos conectados atravs da Internet das Coisas levamos esse conceito para outro patamar. uma realidade em que tudo estar conectado, os produtos apresentaro histricos de uso, iterao com amigos dos consumidores, informaes em um big data que permitir entender e prever qual o resultado que o consumidor espera e/ou precisa. Essa nova realidade demandar a realizao de parcerias entre diferentes ecossistemas de negcio, entre empresas de objetivos e pblicos-alvo distintos.

    Com a tecnologia Philips Hue (soluo madura de LEDs que atravs de sensores e conexo sem fio eleva a experincia do usurio no controle de iluminao de ambiente), a Philips vem realizando parcerias em outros ecossistemas com objetivo de aproveitar as oportunidades de IoT para levar novas necessidades e experincias

  • aos usurios. Em parceria com a Desso, por exemplo, empresa holandesa especializada em pisos de alta qualidade que atua em 100 pases, criou um carpete com LEDs embutidos que podem destacar mensagens luminosas configuradas remotamente, e at mesmo agendadas.

    Outro caso ainda mais interessante dessa diversificao de parce-rias pode ser observado entre a Philips e a chinesa Alibaba Cloud Computing. Considerando que a Philips centrada em hardware, foi desenvolvida uma soluo de purificador de ar dotado de sensores que tm os dados processados e analisados pela cloud da Alibaba, e oferecem informaes em tempo real para o usurio analisando, por exemplo, a qualidade do ar da casa do consumi-dor comparada qualidade do ar do seu bairro.

    Definitivamente, so muitas oportunidades que viro com a implantao da IoT na indstria, e at mesmo modificaes em modelos de negcio. Porm, junto a isso, em uma anlise mais tcnica, existem riscos e desafios para adoo macia de solues. Segundo o j citado relatrio fornecido pelo Frum Mundial de Economia de 2015, os principais riscos e desafios identificados pelos prprios representantes da indstria so:

    O grfico mostra interoperabilidade e segurana no topo da lista. Isto j era de se esperar, pois so dois pontos muito debatidos na comu-nidade que trabalha com IoT independente do foco ou do hype a que diz respeito. Dentro da indstria, estes so temas bem delicados. Imagine como inserir interoperabilidade em um contexto industrial que conta com uma enorme variedade de fornecedores de hardware. Ser necessrio um grande esforo para desenvolver solues de interoperabilidade para os sensores e at mesmo os protocolos de comunicao serem compatveis com os equipamentos e conver-sarem entre si.

    Quanto rea de segurana, o levantamento no Frum Mundial de Economia de 2014 estimou que at 2020 haver uma perda econmica de US$ 3 trilhes com ciberataques. Se imaginarmos um cenrio hipottico em que ocorresse um ciberataque a uma hidreltrica, por exemplo, e ela parasse de funcionar por determi-nado perodo, isto faria com que a confiana sobre a empresa casse, atingindo diretamente sua receita.

  • Outro ponto de preocupao est na incerteza do ROI, e um dos fatores que gera essa insegurana reside no prprio fato de a indstria apresentar muitos equipamentos legados devido a sua maior vida til dentro da indstria. Nem todos eles tm suporte para conexo em rede ou formas de comunicao com os sensores utilizados em solues de IoT. Em contrapartida, no vivel simplesmente troc-los todos de uma vez, o que traria grandes gastos com retorno incerto do investimento. O esforo deve estar em buscar solues hbridas para uma mudana gradativa dos equipamentos utilizados.

    Assim como o processo que a internet que conhecemos hoje passou no fim dos anos 1990, a Internet das Coisas tambm est em seus estgios iniciais, e isso gera uma preocupao quanto imaturidade tecnolgica, em que muitos padres esto sendo propostos e discu