Rel Voto Ac³Rd£O

  • View
    2.424

  • Download
    5

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

Text of Rel Voto Ac³Rd£O

  • 1. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO TC 026.133/2008-7 GRUPO I CLASSE V Plenrio TC 026.133/2008-7 Natureza: Relatrio de Auditoria Operacional. Interessado: Tribunal de Contas da Unio. rgos/Entidades: Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento, Ministrio do Desenvolvimento Agrrio, Ministrio do Meio Ambiente, Ministrio da Cincia e Tecnologia, Empresa Brasileira Agropecuria, Instituto Nacional de Meteorologia, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e Agncia Nacional de guas. Advogado constitudo nos autos: no h. Sumrio: RELATRIO DE AUDITORIA OPERACIONAL REALIZADA COM O OBJETIVO DE VERIFICAR EM QUE MEDIDA AS AES DA ADMINISTRAO PBLICA FEDERAL ESTO PROMOVENDO A ADAPTAO DA AGROPECURIA AOS CENRIOS DE MUDANAS DO CLIMA. CONSTATADAS DEFICINCIAS NAS POLTICAS NACIONAIS RELATIVAS AO TEMA. RECOMENDAES. RELATRIO Trata-se de Relatrio de Auditoria de Natureza Operacional realizada pela 8 Secex, na qualidade de sucessora da 4 Secex no exame das questes ambientais no mbito deste Tribunal, a qual contou, tambm, com a participao de servidores das Secretarias de Controle Externo nos Estados do Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul, tendo por objetivo verificar em que medida as aes da Administrao Pblica Federal esto promovendo a adaptao da agropecuria aos cenrios de mudanas do clima. 2. A presente auditoria decorreu do compromisso assumido por esta Corte de Contas, juntamente com outras treze Entidades de Fiscalizao Superiores, especificamente dos Pases: frica do Sul, Austrlia, ustria, Eslovnia, Estados Unidos, Estnia, Finlndia, Grcia, Indonsia, Noruega, Polnia, Reino Unido e Canad, na qualidade de membros da Organizao Internacional de Entidades Fiscalizadoras Superiores Intosai, de participarem da Auditoria Global Coordenada em Mudanas Climticas, a ser realizada no mbito do Grupo de Trabalho em Auditorias Ambientais (WGEA/INTOSAI), do qual o Tribunal tambm faz parte. 3. A partir desses trabalhos de fiscalizao objetivava-se, entre outras medidas, encorajar e incentivar a realizao de auditorias sobre esse tema nos Pases que compem o Grupo, fomentar mudana de postura dos Governos em relao matria e propiciar a troca de experincias. 4. Nas reunies de planejamento dos trabalhos, realizadas nas cidades do Cabo frica do Sul e Oslo Noruega, ficou definido que as Entidades de Fiscalizao Superior poderiam, de acordo com a realidade de cada Pas, avaliar as aes do respectivo Governo, nas reas de mitigao e adaptao de impactos, assim como de cincia e tecnologia voltadas para as mudanas climticas. Naquelas oportunidades, foram elaboradas as matrizes de auditoria utilizadas como referncia para os trabalhos realizados, as quais continham aspectos relacionados com trs temas, a saber: mitigao, adaptao e cincia e tecnologia. Na elaborao dessas matrizes, foram observados os modelos previstos no 4 Relatrio do Painel Intergovernamental sobre Mudana de Clima da ONU IPCC. 5. Assim, foram definidas e aprovadas, no mbito do TC 023.003/2008-9, quatro auditorias nas reas a seguir indicadas, as quais contaram com a participao da 4 Secex, sucedida pela 8 Secex, e das Secretarias de Controle Externo do Tribunal nos Estados do Amazonas, Bahia, Cear, Mato Grosso do Sul, Piau, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondnia, Roraima e So Paulo: a) polticas pblicas destinadas Amaznia e voltadas a mudanas climticas (rea de mitigao); 1
  • 2. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO TC 026.133/2008-7 b) aes governamentais destinadas s zonas costeiras, ante os impactos das mudanas climticas (rea de adaptao); c) aes governamentais destinadas a garantir a segurana hdrica na regio do semi-rido brasileiro (rea de adaptao); e d) aes governamentais destinadas agropecuria, ante os cenrios de mudanas climticas (rea de adaptao). 6. Ao final dos trabalhos, ser elaborado um relatrio conjunto internacional, que conter as auditorias realizadas nos diversos Pases, os estudos de casos comparados e as boas prticas constatadas, o qual est previsto para ser apresentado na 20 Reunio do Conselho Internacional de Entidades de Fiscalizao Superiores Incosai, a ser realizada em 2010, na cidade de Johanesburgo na frica do Sul. 7. A auditoria, cujo relatrio ora se examina, refere-se ao tema apontado na alnea d do item 5 acima, aes governamentais destinadas agropecuria, ante os cenrios de mudanas climticas (rea de adaptao), na qual buscou-se verificar em que medida as aes da Administrao Pblica Federal esto contribuindo para adaptar a Agropecuria aos cenrios de mudanas climticas. 8. A fim de se alcanar os objetivos traados para a mencionada auditoria, foram desenvolvidas aes com o intuito, em especial, de buscar respostas para as seguintes questes: a) a Administrao Pblica Federal tem avaliado as principais vulnerabilidades decorrentes dos riscos identificados na rea da Agropecuria? b) os rgos federais tm formulado/executado aes em resposta aos riscos identificados? c) a Administrao Pblica Federal instituiu sistemas apropriados de coordenao integrao, governana e accountability? 9. Concludos os trabalhos de fiscalizao, a Equipe de Auditoria apresentou o Relatrio de fls. 594/717, cuja concluso recebeu a anuncia dos Dirigentes da Unidade Tcnica, expresso nos seguintes termos: 6. Contextualizao A agropecuria apontada como um dos setores que mais sofrer impacto das mudanas do clima, tendo em vista ser muito suscetvel s condies climticas. Vrios estudos sinalizam para uma queda acentuada da produo agrcola, especialmente em regies tropicais e subtropicais, tendo como conseqncias a escassez de alimentos e a fome. Esse setor, contudo, apresenta uma peculiaridade: alm de ser afetado pelas mudanas do clima, colabora bastante com tais mudanas, figurando no relatrio do Painel Intergovernamental sobre Mudana do Clima IPCC como o terceiro maior emissor de gases do efeito estufa, responsvel por 13,5% das emisses anuais, alm de competir com biomas importantes para o equilbrio do clima. Essas emisses tendem a aumentar devido a uma maior demanda por gneros para alimentar uma populao tambm crescente e para suprir o mercado nacional e internacional com biocombustveis, cada vez mais adotado como alternativa para diminuir a queima de combustveis fsseis, tida como grande causadora do aquecimento global. O setor vive, ento, o desafio de produzir mais, poluindo menos, desmatando menos e enfrentando as adversidades decorrentes das alteraes climticas. Os cenrios de mudanas do clima projetados por cientistas, alm de apontarem para um aumento da temperatura, prevem a ocorrncia de eventos extremos, com alteraes nos padres de precipitao, podendo haver longos perodos de seca, outros de tempestades severas e muitas inundaes. Esses quadros podero trazer muitos prejuzos agricultura, levando ao desabastecimento e fome. A pecuria ser igualmente afetada por esses fenmenos, uma vez que a produtividade de animais, especialmente das aves, dos sunos e do gado leiteiro, poder decrescer em funo do aumento da temperatura do planeta. A ocorrncia de mudanas do clima dever afetar tambm o ciclo hidrolgico, acarretando prejuzos disponibilidade dos recursos hdricos para o consumo humano e animal, para a gerao 2
  • 3. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO TC 026.133/2008-7 de energia e principalmente para a agricultura, por ser essa a atividade que mais demanda desses recursos, haja vista seu amplo uso para a irrigao de lavouras. At bem pouco tempo, as discusses relativas s mudanas do clima tinham como foco principal as aes voltadas mitigao dos gases de efeito estufa causadores de tais alteraes climticas, como forma de evitar suas conseqncias. Atualmente, contudo, os cientistas entendem que alguns dos efeitos dessas mudanas j so irreversveis, com os quais a sociedade ter que lidar num futuro prximo. Nesse sentido, volta-se a ateno para a rea de adaptao, para que sejam encontradas solues e adotadas aes adequadas e tempestivas, com vistas a aumentar a capacidade adaptativa da populao e de suas atividades. 7. Importncia do tema para o Brasil Particularmente no Brasil, a agropecuria assume grande relevncia, uma vez que o pas grande produtor e exportador de vrios produtos, chegando, inclusive, a liderar a exportao de soja, carne bovina e de frango, tabaco entre outros. Atu