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Projeto: A Cor da Cultura (MEC) - Memóra das Palavras

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  • 1. GOVERNO FEDERAL Presidente da Repblica LUIZ INCIO LULA DA SILVA MEC - Ministrio da Educao Ministro da Educao FERNANDO HADDAD Secretrio Executivo JOS HENRIQUE PAIM FERNANDES Secretrio de Educao Continuada, Alfabetizao e Diversidade RICARDO HENRIQUES SEPPIR - Secretaria Especial de Polticas de Promoo da Igualdade Racial Secretria Especial de Polticas de Promoo da Igualdade Racial MATILDE RIBEIRO Subsecretrio de Planejamento e Formulao de Polticas ANTONIO DA SILVA PINTO Subsecretria de Aes Afirmativas MARIA INS DA SILVA BARBOSA Coordenadora de Projetos da SubPlan ELAINE PEREIRA DE SOUZA PETROBRAS Presidente da Petrobras JOS SRGIO GABRIELLI DE AZEVEDO Gerente-Executivo da Comunicao Institucional da Petrobras WILSON SANTAROSA CIDAN - Centro Brasileiro de Informao e Documentao do Artista Negro Presidente de Honra ZEZ MOTTA Presidente JACQUES DADESKY Diretor ANTNIO POMPO Diretor CARLOS ALBERTO MEDEIROS Secretrio SRGIO ABREU REDE GLOBO Central Globo de Comunicao Central Globo de Jornalismo FUNDAO ROBERTO MARINHO Presidente JOS ROBERTO MARINHO Secretrio-Geral HUGO BARRETO Superintendente-Executivo NELSON SAVIOLI Gerente-Geral do Canal Futura LUCIA ARAJO Gerente de Mobilizao MARISA VASSIMON Gerente de Desenvolvimento Institucional MNICA DIAS PINTO
  • 2. APOIO:
  • 3. ISBN - 85-7484-354-7 A Cor da Cultura - Saberes e Fazeres - Modo de Ver Copyright Fundao Roberto Marinho Rio de Janeiro, 2006 Todos os direitos reservados 1a Edio - 2006 CANAL FUTURA Coordenao do Projeto ANA PAULA BRANDO Lder do Projeto GUSTAVO BALDONI Assistentes de Ncleo MARIANA KAPPS E ALEXANDRE CALLADINNI Coordenao de Contedo DBORA GARCIA, LEONARDO MACHADO E LEONARDO MENEZES Coordenao de Produo VANESSA JARDIM, JOANA LEVY E JANANA PAIXO Equipe de Mobilizao FLAVIA MOLETTA E PAULO VICENTE CRUZ EXPEDIENTE Consultoria Pedaggica AZOILDA LORETTO DA TRINDADE Consultoria de Contedo MNICA LIMA Consultoria A Cor da Cultura WNIA SANTANNA Consultoria Secretaria de Educao Continuada, Alfabetizao e Diversidade - SECAD/MEC DENISE BOTELHO, EDILEUZA PENHA DE SOUZA, ANDRIA LISBOA DE SOUZA e ELIANE CAVALLEIRO Texto Final ROGRIO ANDRADE BARBOSA Pesquisa de Imagens DANIELA MARTINEZ Ilustraes EDNEI MARX CIP-BRASIL. CATALOGAO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ. Edio dos Textos LIANA FORTES Reviso SANDRA PAIVA M487 Projeto Grfico INVENTUM DESIGN Memria das palavras / coordenao do projeto Ana Paula Brando. - Rio de Janeiro : Fundao Roberto Marinho, 2006 il. color. - (A cor da cultura) Inclui bibliografia ISBN 85-7484-354-7 Fundao Roberto Marinho 1. Lngua portuguesa - Brasil - Africanismo - Vocabulrios, glossrios, etc. Rua Santa Alexandrina, 336 - Rio Comprido 2. Lnguas africanas - Influncia sobre o portugus - Vocabulrios, glossrios, 20.261-232 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil etc. I. Brando, Ana Paula. II. Fundao Roberto Marinho. III. Srie. 06-0649. CDD 469.7981 Tel.: (21) 3232-8800 - Fax: (21) 3232-8031 CDU 811.134.3(81) e-mail: [email protected] - www.frm.org.br 21.02.06 24.02.06 013454
  • 4. Memria das Palavras por Rogrio Andrade Barbosa O Brasil a nao que tem a segunda maior populao negra do planeta. Pas multicultural, traz a marca indelvel dos africanos e de seus descendentes em sua formao. Em nosso vocabulrio, muitas das palavras usadas no dia-a-dia tm origem nos falares herdados da me-frica, procedentes de diferentes grupos tnico-lingsticos, como os iorubs e, especialmente, os povos bantos. Pois no existe apenas uma, mas vrias fricas, espalhadas num vasto continente, composto, hoje, de 53 pases. Segundo um provrbio da Guin-Bissau: A ORELHA VAI ESCOLA TODOS OS DIAS. Basta, portanto, ter ouvidos e sensibilidade para perceber essas influncias. Algumas palavras conservam seu sentido original, e muitas outras, dependendo da regio e das comunidades, ganharam novos significados. Como a lngua uma expresso viva de cultura, ela dinmica. E outros vocbulos podero surgir.
  • 5. a Abad: Tnica folgada e comprida. Atualmente, no Brasil, o nome dado a uma camisa ou camiseta usada pelos integrantes de blocos e trios eltricos carnavalescos. Abar: Quitute semelhante ao acaraj. A massa feita de feijo- fradinho e os temperos so os mesmos. Os bolinhos envoltos em folhas de bananeira so cozidos em banho-maria. Acaraj: Bolinho de feijo frito no dend e servido com camares secos. Afox: Dana, semelhante a um cortejo real, que desfila durante o carnaval e em cerimnias religiosas. Agog: Instrumento musical formado por duas campnulas ocas de ferro. 6
  • 6. Alu: Bebida feita de milho, arroz cozido ou com cascas de abacaxi. Angola: Nome dado a uma das mais conhecidas modalidades do jogo de capoeira. E, tambm, a um dos cinco pases africanos de lngua portuguesa. Angu: Massa de farinha de milho ou mandioca. Angu-de-caroo: coisa complicada. Quando eu nasci Meu pai batia sola, minha mana pisava milho no pilo, para o angu das manhs... Poema Autobiogrfico - Solano Trindade Azoeira: Barulhada. Zoeira. Ax: Saudao. Fora vital e espiritual. 7
  • 7. b Bab: Origem controvertida. Para alguns estudiosos, originria do quimbundo; para outros, do idioma iorub. Pai-de-santo. Ama-seca. Baguna: Baderna. Balangands: Enfeites, originalmente de prata ou de ouro, usados em dias de festa. Bambamb ou bamba: Maioral, bom em quase tudo que faz. Bamber: Cantiga de ninar entoada por negras velhas da Regio Amaznica. Bamber, bamber, criana que chora quer mam. Moa que namora quer cas. Galinha que canta quer bot. Bamber, bamber... 8
  • 8. Banguela: Desdentado. Os escravos trazidos do porto de Benguela, em Angola, costumavam limar ou arrancar os dentes superiores. Viva nosso rei/ Preto de Benguela/ que casou a princesa com o infante de Castela. Bantos: Povos trazidos do sul da frica, principalmente de Angola e Moambique, que espalharam sua cultura, idiomas e modos. Banz: Confuso. Banzo: Tristeza fatal que abatia os escravizados com saudades de sua terra natal. Baob: rvore de tronco enorme, reverenciada por seus poderes mgicos. Batuque: Dana com sapateado e palmas, com som de instrumentos de percusso. uma variante das rodas de capoeira, praticada pelos negros trazidos de Angola para o interior da Bahia. No sul do Brasil, sinnimo de rituais religiosos e, no interior do Par, uma espcie de samba. "Um dos melhores batuqueiros da terra tinha o apelido de Angolinha" Religies Negras - Edson Carneiro Batuque na cozinha / Sinh no quer/ Por causa do batuque / eu quebrei meu p. Versos tradicionais 9
  • 9. Berimbau: Instrumento musical, composto de um arco de madeira com uma corda de arame vibrada por uma vareta, tendo uma cabaa oca como caixa de ressonncia. Bitelo: Grande. Tamanho exagerado. Bob: Um tipo de pur feito de aipim ou inhame. Borocox: Molenga. Bunda: Ndegas, na lngua falada pelos bundos de Angola. Bzios: Conchas marinhas usadas antigamente na frica como moedas e, em nossos dias, em cerimnias religiosas e em jogos de previso. 10
  • 10. C Caamba: Balde para tirar gua de um poo. Cachaa: Bebida alcolica. Durante muito tempo, negros escravizados, banhados em suor, giravam manualmente as rodas dos engenhos de acar. Os versos do partido-alto abaixo so variantes de um "coco" nordestino: Dizem que cachaa mata. Cachaa no mata ningum. O que mata pneu de automvel, bala de revlver e trombada de trem. Jair do Cavaquinho Uma trova popular coletada em Bragana, no Paran, diz: O vinho feito da uva. A cerveja da banana. A malvada da cachaa Feita do suor da cana. Cachimbo: Tubo de fumar, com um lugar escavado na ponta para se colocar o tabaco. Cacimba: Poo para se extrair gua. Caula: O mais novo. 11
  • 11. Cacunda: Corcunda. Corcova. Costas. Assim o mundo! Uns selados e outros cacundos. Provrbio nordestino Cafofo: Lugar que serve para guardar objetos usados. Cafu: Esconderijo. Casebre. Cafund: Lugar distante e isolado. Cafun: Coar a cabea de algum. Cafuzo: Mestio de negro e ndio. Calango: Lagarto. Dana afro-brasileira. Calombo: Inchao. 12
  • 12. Calunga: O mar ou, ento, a boneca carregada pelas Damas do Pao nos desfiles de reis e rainhas dos Maracatus de Nao em Pernambuco. Smbolo da realeza e do poder dos ancestrais. Como atestam os versos dessa antiga toada, recolhida por Mrio de Andrade: Valeu, valeu! Pega na Calunga! Danas Dramticas do Brasil Camundongo: Rato pequenino. Candombl: Casas ou terreiros de diferentes naes - Angola, Congo, Jeje, Nag, Ketu e Ijex - onde so praticados os rituais trazidos da frica. Esses cultos so dirigidos por um babalorix (pai-de-santo) ou por uma ialorix (me-de-santo). Um dos mais tradicionais o do Gantois, em Salvador, na Bahia. Conforme a letra de uma msica de Gilberto Gil: "a f no costuma fai". No passado, o candombl foi muito perseguido: O Sr. Dr. Secretrio da Polcia e Segurana Pblica, por ofcio que dirigiu ao Dr. Primeiro Comissrio Falco, recomendou-lhe que faa cessar um candombl, que h dias est funcionando no lugar denominado Gantois, e contra o qual tem havido queixas. Dirio de Notcias - Salvador - 6 de outubro de 1896. 13
  • 13. Canga: Tecido com que se envolve o corpo. Pea de madeira colocada no lombo dos animais. Canjica: Papa de milho. Capanga: Guarda-costas. Bolsa pequena que se leva a tiracolo. Capenga: Manco. Capoeira: Jogo de corpo, agilidade e arte, que usa tcnicas de ataque e de defesa com os ps e as mos. As rodas so acompanhadas por palmas, pandeiros, chocalhos, berimbaus e cnticos de marcao, como: preta, preta, preta, Calunga. Capoeira preta, Calunga. preta, preta, preta, Calunga. Capoeira preta, Calunga. Carimbo: Marca, sinal. Caruru: Iguaria da culinria afro-brasileira, feita com folhas, quiabos e camares secos. Catimba: Manha. Astcia. Catinga: Mau cheiro. Catita: Pequeno, baixo, mido. Nome dado no Nordeste a um ratinho novo. 14
  • 14. Catup: Cortejo afro-mineiro. As fardas de seus integrantes so enfeitadas de fitas, e danam e cantam acompanhados por instrumentos de percusso. ..., minha me/ o meu corao t doendo/ se ele parar de bater/ j sabe que eu t morrendo. Caxambu: Dana e nome de um tambor grande. Caxang: Jogo praticado em crculo. Os versos de uma velha cantiga, baseada nessa brincadeira, so bem populares. Escravos de J Jogavam caxang Tira bota Deixa zambel ficar Guerreiro com guerreiro Fazem zigue-zigue e zs... Caxixi: Chocalho pequeno feito de palha. Caxumba: Inflamao das glndulas salivares. Cazumb: Negro velho, personagem do Boi-Bumb paraense. Cazumbi: Alma penada. Chilique: Desmaiar. "Ter um troo". 15
  • 15. Cochilar: Sono leve. Congadas ou congos: Danas dramticas com enredo e personagens caractersticos, como reis, rainhas, prncipes, princesas, embaixadores, chefes de guerra e guerreiros, que se despedem, no final das apresentaes, cantando: Quem tiver mulher e filho se despea... Adeus, que eu j me vou. Coque: Bater na cabea com o n dos dedos. Cubata: Palhoa. Cuca: Instrumento musical que emite um ronco peculiar. 16
  • 16. d Dend: Fruto de uma palmeira. Dengoso: Manhoso. Choro. Diamba: Um tipo de erva alucingena. Negro velho fuma diamba para amansar a memria. Urucungo - Raul Bopp 17
  • 17. Eb: Oferenda feita aos orixs para se resolver os mais diferentes desejos e problemas. Eparrei: Saudao a Ians. Er: Divindade ligada infncia. Criana, em iorub. Leva-se uma rapadura ao fogo, derretendo-a em gua fervente. Coa-se e deixa-se no fogo para pegar o ponto. Depois, joga-se um pouco de canela em p na mistura. Em seguida, mexe-se e tudo e pulveriza-se com gengibre. Espalhe o contedo numa tbua amanteigada e corta-se em pedacinhos. Rapadura de Er Exu: Divindade que considerada o intermedirio entre o Cu e a Terra. Aquele que est em todos os lugares. Dono das encruzilhadas. Representa a ambivalncia humana, os comportamentos e desejos contraditrios. L no caminho eu deixei minha redinha... Tomando conta da cancela. Toada de Exu 18
  • 18. f Farofa: Mistura de farinha com gua, azeite ou gordura. Por fora, muita farofa; Por dentro, mulambo s. Adgio popular Fub: Farinha de milho. Fulo: Irritado. Zangado. Fungar: Assoar o nariz, fuar. Fuxico: Falar mal dos outros. Artesanato popular feito com pedaos de panos. Fuzu: Confuso. 19
  • 19. g Galalau: Pessoa muito alta. Ganga Zumba: Ttulo dado aos chefes guerreiros. Um dos mais famosos lderes da confederao de Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas. Ganz: Chocalho. Garapa: Caldo de cana. Ginga: Movimento corporal na capoeira, na dana e no futebol. Ginga, Angola! No chora, povo bantu! Canta, Congo, no jongo e no caxambu! Nei Lopes Gongu: Instrumento musical semelhante ao agog. Gog: Pomo-de-ado. Gororoba: Comida malfeita. Grigri: Amuleto que protege o seu possuidor. Guimba: Resto ou ponta do cigarro. 20
  • 20. h H: Interjeio de surpresa ou de admirao entre os iorubs. Hau: Nome de um dos povos africanos. A culinria baiana conserva o termo arroz-de-hau. Hum-hum: Interjeio de lamento ou de aborrecimento em Angola. 21
  • 21. i Ialorix: Me-de-santo. Sacerdotisa. Ians: Senhora dos ventos, do ar e das tempestades. Ibejis: Divindades da alegria e da pureza. Em setembro, seus devotos oferecem comida, doces e presentes s crianas. Iemanj: A grande me, poderosa rainha das guas. If: Divindade da adivinhao. Il: Casa, moradia. Il-Aiy: Bloco afro de Salvador, na Bahia, que realiza um trabalho de valorizao e de afirmao da identidade dos negros. Inhaca: Azar. Mau cheiro. Inhame: Raiz alimentcia e medicinal. Iorubs ou nags: Povos sudaneses da frica Ocidental, que se estabeleceram principalmente nos engenhos e lavouras da Bahia. Iroco: Orix e nome de uma rvore sagrada na frica, habitada por entidades sobrenaturais e brincalhonas. No Brasil, o seu papel exercido pela gameleira-branca. 22
  • 22. Jabacul: Gorjeta. Jaguno: Guerreiro. Capanga. Janana: Um dos nomes de Iemanj. Sarav, sarav Dona Janana, rainha do mar... Dai-me licena pra eu tambm brincar. j D. Janana - Manuel Bandeira Jegue: Jumento. Jil: Fruto do jiloeiro. Jongo: Dana de umbigada na qual homens e mulheres sapateiam, alternadamente, ao centro de uma roda, provocando-se um ao outro, ao ritmo dos tambores e de cantos de desafio. Meu passado africano/ Teu passado tambm / Nossa cor to escura/ quanto o cho de massap. Jongo do Irmo Caf - Wilson Moreira e Nei Lopes 23
  • 23. l Lamba: Desgraa. Trabalho pesado. Lambada: Chicotada. Eu tenho orgulho de ser filho de escravo... Tronco, senzala, chicote, gritos, choros, gemidos... Orgulho Negro - Solano Trindade Lel: Comida feita com milho ou fub. Lel: Maluco. Lengalenga: Conversa fiada. Libambo: Corrente de ferro que prendia o pescoo, as mos ou os ps dos escravizados. Lundu: Dana e msica afro-brasileira. 24
  • 24. Macaco: Smio de tamanho pequeno. Maculel: Dana executada com bastes de madeira, que se batem uns com os outros. No mineiro-pau. Sou eu, sou eu. Sou eu, mineiro-pau, sou eu. m Sudeste h um bailado parecido, conhecido como Macumba: Termo geralmente dado aos cultos afro-brasileiros. J fui trs vezes na macumba, para faz-la voltar... Prometi uma canjica para o meu pai Oxal. Modinha de Getlio Marinho da Silva Mafu: Lugar desorganizado. Mambembe: Teatro itinerante. Mamona: Planta. O talo usado para fazer bolinhas de sabo em brincadeiras infantis. 25
  • 25. Mandinga: Feitio. Povo temido por seus conhecimentos de magia. Muitos eram islamizados e portavam ao pescoo talisms com trechos do Alcoro. Preto velho tem mandinga de amansar feitor. Nega-mina tem um dengo de matar de amor. Nosso Nome, Resistncia - Nei Lopes, Z Luis e Sereno Maracatu: Dana afro-brasileira. Em Recife, os denominados maracatus de nao representam embaixadas africanas com todo um squito real. Os passos so marcados tradicionalmente por instrumentos de percusso. Chegou, chegou, Meu povo Maracatu Elefante! Chegou, chegou! , , , , , ! Maracatu! Nao de preto nag! Letra e msica de Capiba - 1950 Maracutaia: Trapaa. Marimba: Instrumento musical, xilofone. 26
  • 26. Marimbondo: Vespa. menina, o que voc tem? Marimbondo, sinh, marimbondo, sinh. hoje, hoje que a palha da cana voa. hoje, hoje que tem de avoar. Cantiga do povo calunga, de Gois Massap: Terra escura, argilosa, prpria para a cultura da cana-de-acar. Maxixe: Fruto de uma planta utilizada na culinria brasileira e nome de dana de salo. Mianga: Contas de vidro. Minhoca: Verme que vive sob a terra e serve de isca para pescar. Moambique: Nome de um folguedo popular praticado no Brasil e de um pas africano de lngua portuguesa. Moambiqueiro, moambiqueiro, pra cima com sua cantiga. A rainha do Brasil a Senhora Aparecida. Folguedos Populares do Brasil - Rossini Tavares Mochila: Bolsa carregada a tiracolo. 27
  • 27. Mocot: Pata de boi e tambm nome de um prato da culinria afro-brasileira. Mojub: Uma das formas de saudar os orixs. Molambo: Pedao de pano velho. Farrapo. Moleque: Menino de pouca idade. Travesso. Bagunceiro. Moqueca: Prato da culinria afro-brasileira, em geral de peixe ou de frutos do mar. A moqueca pra ser boa deve ser de camaro. O tempero que ela leva pimenta com limo. Trova popular Moringa: Pote de barro. Muamba: Cesto para carregar mercadorias. Contrabando. 28
  • 28. Mucamas: Negras escravizadas, selecionadas para trabalhar nas casas- grandes e cuidar dos filhos do senhor. Conheci um cantad / Distimido e valente Qui mangava dos am / E zombava a f dos crente Mais um dia ele top / Nos batente d'ua jinela Com o bicho do am / Mucama pomba e donzela E o cantad aos pco / Foi se paxonano pruela T qui um dia fic lco / De tanto cant parcela E hoje vve pela istrada / Rismungano qui a culpada Foi a mucama da jinela Parcelada ("Auto da Catingueira") - Elomar Mungunz: Comida feita de gros de milho cozido, com leite de coco, semelhante canjica-doce. Nos velhos tempos, era apregoada nas ruas pelos escravos de ganho. Ei, mungunz/ t quentinho o mungunz/ ist bom/ Ispici. Preges da Minha Terra - Solano Trindade Muvuca: Confuso. Esconderijo. Muxiba: Pelanca. Coisa ruim ou feia. 29
  • 29. n Nan: Divindade da vida e da morte. Negreiros ou tumbeiros: Navios que traziam os escravizados amontoados e acorrentados em pores. Mas infmia demais!... Da etrea plaga Levantai-vos heris do Novo Mundo! Andrada! Arranca esse pendo dos ares! Colombo! Fecha a porta de teus mares! O Navio Negreiro - Castro Alves Nen ou nenm: Criana de colo. Nana nenm. Nenm no quer dormir. Nana nenm que o papo j vem a! Acalanto popular 30
  • 30. Odara: Bom. Bonito. Deixe eu danar pro meu corpo ficar odara. Minha cara, minha cuca ficar odara... Odara - Caetano Veloso Ogum: Divindade do ferro e senhor da guerra. Omolu: Divindade da cura e das doenas. o Ori: Cabea humana, sede do saber e do esprito, na tradio dos orixs. Orixs: Divindades ligadas aos elementos e s foras da natureza. Oxal ou Obatal: Divindade da criao, pai de todos os orixs. Oxssi: Divindade da caa. Oxum: Divindade vaidosa e faceira dos rios, fontes e cachoeiras. Oxumar: Divindade do saber, o arco-ris ou serpente encarregada de transportar gua para as nuvens. 31
  • 31. p Patota: Turma. Grupo. Peji: Altar. Piro: Papa grossa de farinha de mandioca. Puta: Tambor vibrador, semelhante cuca brasileira. 32
  • 32. Quenga: Guisado de quiabo com galinha. Mulher prostituda. Quengo: Cabea. Quequerequ: O canto do galo, cocoricar. Quiabo: Planta. Fruto do quiabeiro. Quibebe: Comida feita com abbora. q Quibungo: Bicho-papo, monstro com um buraco no meio das costas, que se abre quando ele se abaixa para comer as crianas que encontra no meio do caminho. Minha mezinha... Acudi-me depressa, Quibungo terer, Quibungo quer me comer. A Menina e o Quibungo - Joo da Silva Campos Quilombos: Comunidades organizadas por negros escravizados que se rebelavam contra o cativeiro. Atualmente, so stios tombados e preservados pelo Patrimnio Histrico Nacional, habitados por remanescentes desses antigos refgios. Os quilombolas, cantando, desafiavam os inimigos. Folga, nego, branco no vem c. Se vi, pau h de lev. 33
  • 33. Quilombola: Habitante de Quilombos. Quimbanda: Curandeiro e adivinho. Quimbundo: Um dos idiomas falados em Angola. Quindim: Doce feito de gema de ovo, coco e acar. Quitanda: Venda. Quitute: Comida gostosa. Quizomba: Dana, festa, alegria. Tema de um enredo da Escola de Samba de Vila Isabel em 1988. Valeu, Zumbi, o grito forte dos Palmares. Que correu terras, cus e mares, Influenciando a abolio. Zumbi, valeu, hoje a vila Quizomba. batuque, canto e dana, jongo e maracatu. Vem, menininha, Pra danar o caxambu. Quizomba, Festa da Raa. Rodolfo, Jonas e Luiz Carlos da Vila 34
  • 34. r Ranzinza: Rabugento. Teimoso. Reco-reco: Instrumento de percusso no qual o msico esfrega com uma vareta as aberturas feitas em um gomo de bambu ou numa pea de madeira. Ritumba: Tambor. No Par, h uma dana de So Benedito chamada retumbo. 35
  • 35. s Sarav: Saudao. Sacana: Patife. Sem-vergonha. Samba: Do "semba", dana de umbigada ou de peitada praticada em algumas regies da frica. Considera-se que o primeiro samba gravado no Brasil foi Pelo Telefone, de Ernesto dos Santos (Donga) e Mauro de Almeida, em 1916: O chefe da folia pelo telefone manda me avisar Que com alegria no se questione para se brincar. Sarav, meu pai, vem me benzer! J pedi ao meu pai-de-santo pra quebrar o meu encanto. Senzala: Moradias apertadas, sem janelas, onde os escravizados dormiam trancados. , , , liberdade, senhor... Passava a noite, vinha o dia. O sangue do negro corria, dia a dia. De lamento em lamento, de agonia em agonia. Ele pedia o fim da tirania. Heris da Liberdade - Imprio Serrano - 1969 Mano Dcio, Manoel Ferreira e Silas de Oliveira Sunga: Calo. 36
  • 36. Tanga: Roupa. Tant: Tambor. Tipia: Rede usada como transporte. Tecido para descansar o brao ou a mo. Titica: Excremento de aves. Tribufu: Feioso ou feiosa. Tunda: Dar uma surra em algum. Tutu: Feijo cozido e refogado, reforado com farinha. Bicho- papo, nos contos populares. t Tutu-maramb, no venha mais c... Acalanto popular 37
  • 37. u Umbanda: Sistema de prticas divinatrias afro- brasileiras com elementos do espiritismo e do catolicismo. Ungui: Tutu de feijo, em Minas Gerais. Urucubaca: Azar, m sorte. 38
  • 38. v Vatap: Um tipo de piro da culinria afro-brasileira, base de peixes e camares. Vissungos: Canes de trabalho outrora ouvidas nos servios de minerao e, hoje em dia, em algumas comunidades remanescentes de quilombos no interior de Minas Gerais. Caracar fura boi pru falta de aribu, caracar...fura boi, ou boi ou cavalo pru falta de aribu... Cantiga de garimpo mineiro para secar gua 39
  • 39. x Xang: Divindade dos raios, dos troves e da justia. Tem como smbolo um machado de dois gumes. Xilofone: Instrumento musical de teclas de madeira. Marimba. Xingar: Ofender. Xinxim: Guisado de galinha, com azeite-de-dend, que ainda leva camares secos, amendoins e castanhas de caju modos. Xod: Amor. Que falta eu sinto de um bem Que falta me faz um xod Mas como eu no tenho ningum Eu levo a vida assim to s Eu S Quero um Xod - Anastcia e Dominguinhos 40
  • 40. Zabumba: Bombo. Tambor. Zambi: Divindade suprema dos povos bantos. Dos santos do cu Zambi o maior Eh! com Nossa Senhora! Cntico de macumba Zanga: Pirraa. Antipatia. Ziquizira: Doena. Mal-estar. Zonzo: Estonteado. Zumbi: Esprito que vagueia entre as sombras. ltimo lder do Quilombo dos Palmares. No dia 20 de novembro, data de sua morte, comemora-se o Dia Nacional da Conscincia Negra. z Zunzum: Boato. 41
  • 41. Bibliografia ALVES, Castro. Os Escravos (texto integral). So Paulo: Martin Claret, 2003. ANDRADE, Mrio. Danas Dramticas do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1982. BANDEIRA, Manoel. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977. BOPP, Raul. Poemas Negros. Rio de Janeiro: Ariel, 1936. CARNEIRO, Edson. Religies Negras e Negros Bantos. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1981. CASCUDO, Cmara. Dicionrio do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1962. CASCUDO, Cmara. Locues Tradicionais do Brasil. So Paulo: Global, 2004. CASTRO, Yeda Pessoa. Falares Africanos na Bahia. Rio de Janeiro: Topbooks, 2001. CASTRO, Yeda Pessoa. Estao da Luz da Nossa Lngua. Lnguas Africanas. Rio de Janeiro: Fundao Roberto Marinho, 2005. FERREIRA, Aurlio Buarque de Holanda. Novo Dicionrio Aurlio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992. FILHO, Aires da Mata Machado. O Negro e o Garimpo em Minas Gerais. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1964. FILHO, Melo Morais. Festas e Tradies no Brasil. Rio de Janeiro: Garnier, 1946. FONSECA JR., Eduardo. Dicionrio Yorub-Portugus. Rio de Janeiro: Sociedade Yorubana Teolgica de Cultura Afro-Brasileira, 1983. 42
  • 42. GUENNEC, le Grgoire. Dicionrio Portugus-Umbundu. Luanda: Orgal, 1972. LOPES, Nei. Dicionrio Banto do Brasil. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1996. LOPES, Nei. Sambeab O Samba que No se Aprende na Escola. Rio de Janeiro: Folha Seca, 2003. LOPES, Nei. Enciclopdia Brasileira da Dispora Africana. So Paulo: Selo Negro, 2004. MAGALHES, Baslio de. O Folclore no Brasil (organizao de Joo da Silva Campos). Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1939. MAIOR, Mrio Souto. Alimentao e Folclore. Rio de Janeiro: Funarte, 1988. MENDONA, Renato. A Influncia Africana no Portugus do Brasil. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1972. NAVARRO, Fred. Dicionrio do Nordeste. So Paulo: Estao Liberdade, 2004. RAMOS, Arthur. O Folclore Negro do Brasil. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1935. RAMOS, Arthur. As Culturas Negras no Novo Mundo. So Paulo: Nacional, 1979. RODRIGUES, Nina. Os Africanos no Brasil. So Paulo: Nacional, 1977. SALLES, Vicente. Vocabulrio Crioulo (Contribuio do Negro no Falar Regional Amaznico). Belm: IAP, 2005. TRINDADE, Solano. Tem Gente com Fome e Outros Poemas. Rio de Janeiro: DGIO Secretaria Municipal de Educao do Rio de Janeiro, 1988. 43