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Ribeirão Preto SP Junho - 2014 Ano 7 - Nº 72 R$ 10,00 Sicoob SP promove workshop para detalhar Plano Agrícola e Pecuário Fertilizantes foliares corrigem deficiências nutricionais da planta e ajudam a melhorar a qualidade do canavial CADERNO TERRA & CIA: Minianimais conquistam mercado e a atenção de produtores em SP e MG PRODUTIVIDADE De olho na Maior do mundo: Fenasucro terá 550 expositores e espera receber 33 mil visitantes Energias: Serviços podem transformar Ribeirão Preto em Vale do Silício do pré-sal Benefício: Lei Federal garante suspensão do processo de execução de dívidas rurais

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1REVISTA CANAMIX | JUNHO | 2014

Ribeirão Preto SPJunho - 2014Ano 7 - Nº 72

R$ 10,00

Sicoob SP promove workshop para detalhar Plano Agrícola e Pecuário

Fertilizantes foliares corrigem deficiências nutricionaisda planta e ajudam a melhorar a qualidade do canavial

CADERNO TERRA & CIA: Minianimais conquistam mercado e a atenção de produtores em SP e MG

PRODUTIVIDADEDe olho na

Maior do mundo: Fenasucro terá 550 expositores e espera receber 33 mil visitantes

Energias: Serviços podem transformar Ribeirão Preto em Vale do Silício do pré-sal

Benefício: Lei Federal garante suspensão do processo de execução de dívidas rurais

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Quando o nosso país foi anunciado como sede da Copa do Mundo deste ano, começou uma corrida contra o tempo para tirar o atraso não só na construção de novos estádios, já que a maioria dos que existiam no país estava aos cacos, mas para garantir obras fun-

damentais de infraestrutura, na malha viária, portos e aeroportos, não fazer feio aos olhos da Fifa nem dos turistas. Foi preciso acelerar principalmente as obras de mobilidade urbana e não atravancar os dividendos econômicos trazidos pelos que estão chegando ao maior evento es-portivo do planeta.

Apesar da maquiagem feita em muitos dos empreendimentos, para não deixar transpare-cer a falta de planejamento, o que provocou a não obediência aos cronogramas iniciais e até a não entrega de projetos prometidos, o Brasil tem chamado a atenção pela receptividade aos di-ferentes povos, pela alegria com que supera os obstáculos cotidianos e pela garra em não deixar a peteca cair. O resultado é uma Copa do Mundo que tem despertado para a percepção de que a cultura nacional não é composta apenas de corrupção e exploração sexual. Mas da diversidade dos costumes regionais, do encanto com a natureza exuberante, das belezas forjadas pelo clima tropical, da disposição de sua gente em criar, inovar, experimentar.

A abertura da Copa do Mundo, por exemplo, em que um paraplégico, com a ajuda da tec-nologia – um exoesqueleto desenvolvido pela equipe do pesquisador Miguel Nicolelis –, deu o chute inicial, é um exemplo de que os esforços para transformar o Brasil em potência mundial em outras áreas não são poucos. Mas, para isso, é preciso que haja o envolvimento de diver-sas esferas – entenda-se poder público, iniciativa privada e cidadãos comuns, preparados por meio da Educação.

Nesses aspectos, a zona rural tem nos dado um bom exemplo há muitos e muitos anos. A agricultura, com seus avanços surpreendentes em produtividade, tem sido a fiel da balança comercial brasileira, resultado dos expressivos desempenhos acumulados no mercado interna-cional nas últimas décadas. E este cenário tem tudo para ser ainda mais pujante, já que o país desponta como potencial produtor de alimentos para um mundo em que já habitam sete bilhões de habitantes.

Além de comida, as nações demandam energia renovável, o que o Brasil parece, tam-bém, ter de sobra. Não só fontes, mas tecnologias para produzi-la. Os protocolos ambientais que tornam urgente a adoção de combustíveis alternativos, como o etanol, representam, para o país, algo semelhante como o direito de sediar uma Copa do Mundo no ramo energético. Mas, a exemplo do futebol, é necessário correr contra o tempo, fazendo as reformas necessárias, assumindo compromissos, com o enga-jamento de todos os agentes envolvidos. A diferença, nesse caso, é que não pode haver espaço para improvisos malfeitos. Do contrá-rio, é iminente o risco de sair atrás no placar e não haver tempo su-ficiente para virar o jogo.

Expediente

Diretor: Plínio CésarGerente de Comunicação: Luciana ZunfrilliGerente Administrativo: Paulo Cézar

RedaçãoEditor Chefe: Igor SavenhagoReportagem: Marcela ServanoColaboração: Alexandre Andrade Lima, Coriolano Xavier, Evaldo Fabian, José Otávio Menten, Marcelo Maniero Ismael e Ricardo Varrichio.Foto da capa: Arquivo CanaMixEditor Gráfico: Thiago GalloArte: Daniel Esteves

Publicidade: Alexandre Richards (16) 98828 4185 [email protected] Fernando Masson (16) 98271 1119 [email protected] Nilson Ferreira (16) 98109 0713 [email protected] Plínio César (16) 98242 1177 [email protected]

Assinaturas:[email protected]

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Contatos com a redação: [email protected]

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ISSN: 2236-3351

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dos autores e não expressam a opinião da revista.É permitida a reprodução total ou parcial

dos textos, desde que citada a fonte.

Carta ao leitor

Igor Savenhago, [email protected]

Vencer no campo da tecnologia

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Para que a sucroenergia vença a corrida por novos mercados, é precisoo engajamento não só do setor, mas de representantes da esfera pública

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Guia de Compras SA

PG ÁREA ADMINISTRATIVA

BANCOS - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA

13 SICOOB ..................................... 16-3456-7407

CURSOS E TREINAMENTOS

7 MOURA LACERDA ................... (16) 2101-1076

ENTIDADES E ASSOCIAÇÕES

13 SICOOB ..................................... 16-3456-7407

FEIRAS, SIMPÓSIOS E EVENTOS

21 MULTIPLUS............................. (16) 2132 8936

SISTEMAS - CONTRA INCÊNDIO

9 ARGUS .................................... (19) 3826 6670

PG ÁREA AGRÍCOLA

COLHEDORAS DE CANA

28 CIVEMASA .............................. (16) 3382 8222

COLHEDORAS DE CANA - PEÇAS E SERVIÇOS

35 SUDAMERICA ......................... (11) 5548 4226

CORRENTES

35 SUDAMERICA ......................... (11) 5548 4226

EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS

23 KANAFLEX............................... (11) 3779 1670

FUNGICIDAS

25 BASF DO BRASIL .................... (11) 3043 2273

HERBICIDAS

27 BASF DO BRASIL .................... (11) 3043 2273

IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS

34 AGRIMEC AGRO ...................... (55) 3222 7710

28 CIVEMASA .............................. (16) 3382 8222

IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS -

PEÇAS E SERVIÇOS

34 AGRIMEC AGRO ...................... (55) 3222 7710

28 CIVEMASA .............................. (16) 3382 8222

INSETICIDAS

29 BASF DO BRASIL .................... (11) 3043 2273

DESCOLORANTES

5 PROSUGAR ............................. (81) 3267 4759

EMPILHADEIRAS

28 EMPIZA EMPILHADEIRAS .......... 19-3571-3000

ENGENHARIA E PROJETOS - EQUIPAMENTOS

37 CONSMEC ENGENHARIA ........... 17-3342-3699

INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS -

AÇÚCAR / ETANOL

37 CONSMEC ENGENHARIA ........... 17-3342-3699

MANUTENÇÃO INDUSTRIAL - ACESSÓRIOS

51 INTACTA ROLAMENTOS .......... (11) 3085 8003

MANUTENÇÃO INDUSTRIAL - EQUIPAMENTOS

37 CONSMEC ENGENHARIA ........... 17-3342-3699

MANUTENÇÃO PREDITIVA E PREVENTIVA

51 INTACTA ROLAMENTOS .......... (11) 3085 8003

MEDIDORES, TRANSMISSORES

DE VAZÃO E NÍVEL

52 DWYLER ................................. (11) 2682 6633

PAINÉIS DE COMANDO - CONTROLE

17 SINDUSTRIAL .......................... (14) 3366 5200

PRODUTOS E SISTEMAS CONTRA INCÊNCIO

9 ARGUS .................................... (19) 3826 6670

REPOTENCIAMENTO - SERVIÇOS

51 INTACTA ROLAMENTOS .......... (11) 3085 8003

ROLAMENTOS

51 INTACTA ROLAMENTOS .......... (11) 3085 8003

SISTEMAS CONTRA INCÊNDIO

9 ARGUS .................................... (19) 3826 6670

TANQUES DE AÇO CARBONO

37 CONSMEC ENGENHARIA ........... 17-3342-3699

TANQUES DE AÇO INOX

37 CONSMEC ENGENHARIA ........... 17-3342-3699

TRANSPORTADORES E ELEVADORES

37 CONSMEC ENGENHARIA ........... 17-3342-3699

TUBULAÇÕES

23 KANAFLEX............................... (11) 3779 1670

IRRIGAÇÃO - EQUIPAMENTOS,

TUBOS E CONEXÕES

23 KANAFLEX............................... (11) 3779 1670

IRRIGAÇÃO - GOTEJAMENTO

23 KANAFLEX............................... (11) 3779 1670

MANGUEIRAS HIDRÁULICAS

23 KANAFLEX............................... (11) 3779 1670

MATURADORES E

REGULADORES DE CRESCIMENTO

31 BASF DO BRASIL .................... (11) 3043 2273

PLANTADORAS DE CANA

28 CIVEMASA .............................. (16) 3382 8222

TRANSBORDOS

28 CIVEMASA .............................. (16) 3382 8222

TUBULAÇÕES

23 KANAFLEX............................... (11) 3779 1670

PG ÁREA INDUSTRIAL

ARMAZÉM COM TRANSPORTADORES

37 CONSMEC ENGENHARIA ........... 17-3342-3699

ARMAZÉM COM TRIPPER

37 CONSMEC ENGENHARIA ........... 17-3342-3699

AUTOMAÇÃO - CONSULTORIA / PROJETOS

17 SINDUSTRIAL .......................... (14) 3366 5200

AUTOMAÇÃO - EQUIPAMENTOS

17 SINDUSTRIAL .......................... (14) 3366 5200

BOMBAS CENTRÍFUGAS

2 EQUIPE ................................... (19) 3426 4600

BOMBAS ESPECIAIS

2 EQUIPE ................................... (19) 3426 4600

CLARIFICANTES

5 PROSUGAR ............................. (81) 3267 4759

CORRENTES

35 SUDAMERICA ......................... (11) 5548 4226

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Sumário

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Portal CanaMix- PIB da agropecuária cresce e supera média de outros setores- Barralcool lança livro com receitas de 16 sobremesas- Fundação Jalles Machado promove 8º Concurso de Redação- Programa da Dow AgroSciences capacita 1.300 participantes- Odebrecht Agroindustrial implanta programa para formar jovens em MS

Marketing Canavieiro- John Deere é eleita, pelo 4º ano, uma das melhores empresas para trabalhar- Usinas Itamarati substituem hot stamp por Codificadoras Markem-Imaje- Alltech oferece soluções para enfrentar estresses climáticos

Pecuária- Pequenos notáveis

Opinião- Como o marketing e a educação podem ajudar na educação do produtor? - Aprimoramento do ensino de defesa vegetal

38

40

44

49

Gestão de Negócios- A Copa dos impostos

Espaço Datagro- Queda no frete do transporte de açúcar

Petróleo & Energias Renováveis- Vale do Silício do pré-sal

Opinião- Setor sucroenergético: alternativa limpa à crise energética- Cana-de-açúcar: em que pé estamos?

Capa- A inovação dos foliares

Nordeste em Foco- Rumos aos 80 anos: desafios para continuar caminhando

Conjuntura- Paralisação judicial

Eventos- Fenasucro: 90% dos espaços vendidos- 2º Workshop de Crédito Rural: Sicoob SP detalha plano- Seminário da Indústria: Produtividade é palavra-chave

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Gestão de Negócios

A Copa dos impostos

Ricardo Varrichio, diretor da PwC Brasil e especialista em gestão tributária de empresas do agronegócio

Em tempos de Copa do Mundo e de previsões sobre quem será o gran-de vencedor, alguns estudos seriam

capazes de revelar quem levantaria a taça de campeão em setores específicos essen-ciais ao desenvolvimento.

No campo dos tributos, a Copa das Copas poderia então ser denominada de “Copa dos impostos”, onde seria revela-da nessa ficção a classificação das nações competidoras de acordo com o melhor de-sempenho fiscal entre as economias que participarão do campeonato.

O estudo “Paying Taxes 2014 — The global Picture”, realizado pela PwC, pelo Banco Mundial e pelo IFC (Internatio-nal Finance Corporation), investiga e com-para os regimes fiscais de 189 economias mundiais e fornece um ranking das melho-res e piores economias tributárias do mun-do, levando-se em consideração o núme-ro de tributos, quantidade de horas gastas para atendimento das obrigações acessó-rias e total da carga tributária.

A reprodução desse ranking no cha-veamento da Copa do Mundo de 2014 traz uma alegoria em tempos de futebol que tem o objetivo de chamar a atenção para o se-vero regime tributário de muitos países e

para a antiga discussão sobre a reforma tri-butária necessária para que seja estimulada a economia. O vencedor nas disputas do chaveamento é o que possuir melhor posi-ção no ranking.

O resultado impressiona, mas infeliz-mente não surpreende. A seleção brasilei-ra não passaria sequer da primeira fase do Mundial e seria derrotada pelas seleções da Croácia e México. Apenas ganharia o jogo contra Camarões, que ocupa a 180ª po-sição entre as 189 economias mundiais estudadas.

Não é uma surpresa porque o país da Copa possui um dos mais onerosos, com-plexos e burocráticos regimes tributários de todo o mundo. A carga tributária é altíssima e são necessárias 2.600 horas anuais para o preenchimento de registros e declarações fiscais onde se esperava um número bas-tante reduzido de horas, face o grau avan-çado de informatização do Fisco.

Nesse cenário, todos saem perden-do. O país, que cresce muito menos do que seus concorrentes mundiais, o empresá-rio, que deixa boa parte dos lucros no “cus-to Brasil”, e o consumidor, que paga par-te dessa conta com até 40% de toda a sua renda bruta.

As estatísticas não são animado-ras. Além do fraco desempenho na Copa dos impostos, o Brasil também seria o pior classificado no ranking em qualquer con-fronto direto com as nações detentoras dos outros títulos mundiais.

A grande final do dia 13 de julho se-ria disputada entre Suíça e Inglaterra (con-siderando os dados mapeados do Reino Unido contido no “Paying Taxes 2014 — The global Picture”, que considera a Ingla-terra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales), numa disputadíssima batalha para se consagrar como o país mais bem po-sicionado sob a ótica tributária dentre to-das as nações que participam da Copa do Mundo.

O vencedor? Certamente não é o Brasil.

É preciso repensar as políticas tribu-tárias brasileiras e o custo que envolve cen-tenas de horas incorridas no atendimento à legislação fiscal. A retomada do crescimen-to econômico passa pela remodelagem do sistema tributário brasileiro. Enquanto se prolongar esse debate, o país perde. Por isso, é preciso planejar uma gestão tribu-tária eficiente para não ser mero expecta-dor desse jogo.

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REVISTA CANAMIX | JUNHO | 201414

Queda no frete do transporte de açúcar

Com informações daassessoria de imprensa

“O frete de transporte de açúcar para o porto ficou mais com-petitivo”. Assim afirmou Pli-

nio Nastari, presidente da Datagro Con-sultoria, indicando que, em maio, o frete médio para transporte de açúcar no es-tado de S. Paulo para o Porto de San-tos registrou queda de 8%, em compara-ção com o mês anterior, e queda de 7,8% em relação ao preço praticado no mes-mo período de 2013, atingindo R$ 84,35 por tonelada.

A redução foi possível, entre outros fatores, por causa das melhorias no Por-to de Santos, que refletiram na logística do transporte de açúcar. Entre as medidas adotadas este ano para o maior porto do Brasil, um dos destaques foi o agendamen-to da chegada de veículos aos terminais, que contribuiu para diminuir o congestio-namento na região periférica do porto. Se-gundo Nastari, “como resultado, o tempo médio de espera de um caminhão caiu de nove horas para cerca de 5,5 horas”.

te da Datagro Consultoria indicou, ainda, que, apesar do clima seco ter favorecido o ritmo de plantio, tratos culturais e co-lheita, as canas a serem colhidas no ul-timo terço da safra estão sofrendo a fal-ta de umidade. Segundo a consultoria, a safra 14/15 de cana-de-açúcar na região Centro-Sul deverá apresentar uma redu-ção de 7,1% em termos da oferta total de ATR, açúcar e etanol avaliados em uma base comum. A moagem de cana é es-timada, na região Centro-Sul, em 560,5 milhões de toneladas.

Além do Brasil, outros países tam-bém podem ter suas produções afetadas pelo clima. É o caso de Índia, Tailandia e México. Segundo Nastari, durante a sa-fra mundial de 14/15, que corre entre ou-tubro e setembro, a Datagro estima que o consumo deverá superar a produção mundial em 2,46 milhões de toneladas. Este será o primeiro ano, dos últimos cin-co, em que o mercado estaria indicando um déficit, ao invés de superávit. Em ja-neiro, a estimativa indicava um déficit de 1,61 milhão de toneladas.

Outro fator que influenciou foi a re-dução das chuvas, o que aumentou a efi-ciência do escoamento e diminuiu o con-gestionamento no pátio do porto. “O frete entre Ribeirão Preto e Santos atingiu, em maio, R$ 82,07 por tonelada, uma redu-ção de 8,5% em relação ao mês de abril deste ano”.

Produção de açúcar – O presiden-

Em maio, o frete médio para transporte de açúcar no estadode S. Paulo para o Porto de Santos registrou queda de 8%

Nastari afirma que transporte ficou mais competitivopor causa de melhorias executadas no Porto de Santos

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Petróleo & Energias Renováveis

Expansão do pré-sal pode ser significativa para região de Ribeirão Preto, que tem centros de excelência educacional e qualidade nos serviços

Vale do Silício do pré-salConsultor diz que prestação de serviços, indústrias de peças, centros logísticos

e biocombustíveis são oportunidades para a região de Ribeirão Preto

Com informações da assessoriade imprensa AEAARP

O engenheiro Ricardo Salomão, especialista no setor de petró-leo e gás, afirma que os centros

de excelência educacional e a qualida-de dos serviços prestados por empre-sas de vários setores podem se conver-ter em oportunidades de negócios para o interior de São Paulo durante a explora-ção do pré-sal.

“A existência de boas escolas em todos os níveis posiciona esta re-

gião como um ‘Vale do Silício’ em ter-mos de prestação de serviços em geral. E a exploração do pré-sal demanda servi-ços de todos os tipos, muitos dos quais podem ser prestados à distância. A po-sição geográfica do prestador não dimi-nui suas chances de concorrer”, explica. O Vale do Silício é uma região da Cali-fórnia, nos Estados Unidos, que, desde a década de 1950, recebe empresas com o objetivo de gerar inovações científicas e tecnológicas.

Salomão vai ministrar palestra na Associação de Engenharia, Arquitetura e

Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP) no dia 19 de agosto, sob o tema “Pers-pectivas e oportunidades do mercado de óleo, gás, biocombustíveis e energia”. Ele é diretor do Grupo Cronus Empresas. Foi gerente da Universidade Petrobras, diretor da Transportadora Associada de Gás (TAG), da Transportadora Brasilei-ra do Gasoduto Brasil Bolívia (TBG), com sólida carreira desenvolvida em várias áreas da Petrobras e Transpetro (enge-nharia, manutenção, fusões e aquisições e no setor naval).

Em sua avaliação, os biocombus-

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Ricardo Salomão afirma que

biocombustíveis podem se posicionar no mercado, apesar

do cenário convergir para os fósseis

ticipação em projetos de plantas indus-triais. “A grande maioria dos projetos é importada, sem transferência de tecno-logia”. Outra questão que ele também vai abordar na palestra refere-se à qua-lificação profissional. “O problema se agravou na medida em que há um nú-mero cada vez mais frequente de lacu-nas deixadas pela educação formal nos ensinos fundamental e médio, particular-mente nas disciplinas de Português, Ma-temática e Ciências, que dificultam até mesmo a própria capacitação interna nas empresas”.

SERVIÇOPalestra “Perspectivas e oportunidades do mercado de óleo, gás, biocom-bustíveis e energia” – Ricardo SalomãoData: 19 de agostoHorário: 19h30Local: AEAARP (Rua João Penteado, 2.237)Entrada gratuita

tíveis têm chance de se posicionar no merca-do, mesmo no cenário em que tudo parece con-vergir para os combustí-veis fósseis. “O segmen-to de biocombustíveis constitui-se em um ne-gócio à parte dentro da indústria de energia. Partindo do etanol (de onde tudo se originou) até o biodie-sel (que pode ser obtido de várias fon-tes renováveis), este segmento evoluiu muito e, atualmente, pode-se dizer que representa uma rota de negócios extre-mamente atraente, interna e externa-mente, principalmente pelo seu perfil de sustentabilidade”.

Para o desenvolvimento econômi-co do país, Salomão afirma que “infeliz-mente, a engenharia brasileira vem se de-parando com problemas que passaram a ser estruturais”. Um deles é a pouca par-

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meio do lançamento de programas de in-centivo ao desenvolvimento científico e tecnológico na área de produção de bio-gás. Exemplo disso é o P&D 014/2012, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que prevê o investimento de R$ 476 milhões, nos próximos três anos, na instalação de 33,7 MW em usinas de ge-ração de energia elétrica a partir do bio-gás de resíduos e efluentes líquidos.

Outro meio de incentivo que o go-verno tem dado à geração de energia a partir do biogás é a política de isenção de impostos no mercado livre de energia. Enquanto a energia elétrica gerada a par-tir de biogás é considerada 100% verde e conta com 100% de isenção de TUSD/TUST (Tarifa de Uso do Sistema de Dis-tribuição/Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão), a cogeração pela queima do bagaço, a energia eólica e as peque-nas centrais hidrelétricas (PCHs) con-tam com 50% de desconto. Na prática, o governo dá este prêmio às geradoras de energia a partir do biogás para cada me-gawatt gerado. É que o Estado já se deu conta do retorno e do impacto a curto, médio e longo prazo do investimento nas energias verdes.

*Engenheiro, é diretorda GEO Energética

Opinião

Setor sucroenergético: alternativa limpa à crise energética*Evaldo Fabian

O Brasil possui uma das matri-zes energéticas mais limpas do mundo. Números da International

Energy Agency revelam que o índice de energia renovável utilizada no país den-tro da matriz energética é maior do que em todo o mundo: 35% contra 13,5% no planeta. Nos Estados Unidos, é de ape-nas 4,3%.

A rica matéria-prima que se en-contra entre os resíduos do setor sucro-energético, por exemplo, abre um mar de novas possibilidades para a geração de energia limpa. Estudo apresentado em ju-nho pelo professor Dr. Marcos Fava Ne-ves, da FEA/USP de Ribeirão Preto, SP, mapeia este mercado e revela que, na sa-fra 2013/14, o segmento identificou um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 43,3 bilhões, aumento de 44% na comparação com a safra 2008/09.

O Brasil produz, anualmente, 450 milhões de toneladas de resíduos de ca-na-de-açúcar, hoje ainda subutilizados. O volume é quatro vezes maior que a quan-tidade de resíduos de lixo urbano gera-do a cada ano por toda a população bra-sileira. Não há outro país no mundo que se equipare ao Brasil em potencial para geração de energia a partir de resíduos da cana-de-açúcar. Por suas condições naturais e extensas plantações de cana nas mais de 400 usinas de açúcar e eta-nol – e, certamente, devido aos avanços técnicos e tecnológicos relacionados ao setor sucroenergético –, o Brasil é o úni-co país onde a totalidade dos resíduos da cana-de açúcar pode gerar energia equi-valente à produzida pela Usina Hidrelétri-ca de Itaipu.

Isso já é parte da realidade brasi-leira e é neste sentido que acreditamos que o Brasil pode se tornar referência

para o mundo. Longe de ser a única solu-ção para a atual crise energética do país, o processamento dos resíduos da cana para geração de biogás e, posteriormen-te, de energia elétrica é certamente uma alternativa que tende a ter grande im-pacto para o setor energético. Tomando como base o processo natural da biodi-gestão, pesquisadores brasileiros de di-versas áreas do conhecimento uniram suas competências e, após uma década de trabalho, conseguiram atingir a escala comercial de produção de biogás a par-tir desses resíduos. Por meio de um pro-cesso 100% limpo, já é possível produzir energia 100% verde sem o uso de terras e matérias-primas nobres, mas onde a terra já foi trabalhada e com os resíduos da produção de açúcar e etanol.

A evolução natural já em curso é a conversão deste biogás resultante da biodigestão controlada em biometano e o uso dele para substituir o diesel de toda a frota das usinas. Quando esta meta for atingida, o etanol produzido por tais usi-nas alcançará uma redução de 95% na emissão de gases do efeito estufa frente a um combustível fóssil, tornando-se, as-sim, o primeiro combustível líquido car-bono neutro, conforme comprovaram estudos do Centro Nacional de Referên-cia em Biomassa (CenBio) da USP, so-bre o uso de biometano como combustí-vel. O potencial do setor sucroenergético na produção de energia verde pode ser estendido para toda a agroindústria, na medida em que avançarem as pesquisas sobre a biodigestão controlada de seus resíduos, que, para esta nova indústria que surge, a da biomassa, são matérias--primas preciosas.

Sintonizado com os mais recen-tes avanços na área, o governo brasileiro tem demonstrado reconhecimento a es-sas novas tendências e alternativas, por

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Opinião

*Marcelo Maniero Ismael

Atualmente, mais de 47% de toda energia utilizada no Brasil vêm de fontes renováveis, sendo o

setor sucroenergético responsável por 18% do total consumido no país. A ca-na-de-açúcar é a matéria-prima que tra-duz essa relevância com a produção de etanol e bioeletricidade. Ocupamos a se-gunda colocação na produção mundial de etanol, com 20% de mercado, e re-presentamos um quinto das exportações mundiais. E temos aqui o maior progra-ma de substituição por energia limpa no mundo em contraponto à base fóssil.

Embora esses índices apontados pela União da Indústria de Cana-de-Açú-car (Unica) sejam favoráveis, eviden-ciando a potência do segmento, o setor sucroenergético merece atenção para a retomada de seu crescimento, que tem sido bastante afetada desde a crise eco-nômica internacional de 2008.

Hoje, a produção conta com inú-meros desafios, relacionados à expan-são da cultura, inovações em infraes-trutura, redução de custos e políticas governamentais. Nos canaviais, a pa-lavra de ordem continuará sendo o au-mento de produtividade, ou seja, produ-zir mais toneladas por hectare.

Do ponto de vista de inovações agrícolas, os desafios têm se acentu-ado em função de condições climáti-cas, rentabilidade e produção sustentá-vel. Para que se tenha uma ideia, nos últimos seis anos, o Brasil quase do-brou sua área cultivada, período em que a preocupação era ter grandes ganhos em escala, expansão dos canaviais e quantidade da matéria-prima. Essa épo-ca foi marcada também pela baixa quali-dade das mudas de cana, aparecimento

paramos com uma política de favore-cimento à gasolina, que é, indiscutivel-mente, mais poluente. Ainda se referindo ao etanol, é importante lembrar que este combustível apresenta menos emissões de gases tóxicos, é rentável (e pode ser ainda mais), além de grande gerador de emprego e de renda, o que faz dele uma fonte de energia mais sustentável.

Dessa forma, fica evidente que o setor sucroenergético tem feito sua lição dentro da usina, mas ainda necessita de mais incentivos para sair definitivamen-te da crise e conquistar um espaço mais amplo frente à comunidade internacional aliado à otimização de investimentos.

*Diretor de Negócios Especialidades da Unidade de Proteção de

Cultivos da BASF para o Brasil

Cana-de-açúcar: em que pé estamos?de pragas e doenças na planta e no solo. Mais uma vez, todos esses fatores, incluindo a falta de modernização, têm tido um impacto na pro-dutividade do setor.

Para alterar esse quadro, é de extrema importância que novas tecnologias no cam-po auxiliem o produ-tor na relação custo--benefício. Para atender a esse mercado e coo-perar para o seu desen-volvimento, a indústria de agroquímicos, por exemplo, já oferece so-luções de manejo que colaboram para um de-sempenho superior da cana, levando em con-sideração preço, com-petitividade e produtividade. O uso de fungicidas na cultura é uma novida-de, algo inimaginável há alguns anos, e que tem trazido ganhos e incrementos. O desenvolvimento de mudas sadias, com o aumento da qualidade dos vi-veiros de cana-de-açúcar, também for-talece o segmento, já que prevê áreas comerciais com plantio de melhor qua-lidade. Já é possível também mapear os canaviais para detecção de áreas mais produtivas por meio de georreferencia-mento, entre outras novas soluções dis-poníveis e consideradas indispensáveis.

Embora este cenário pareça por vezes obscuro, o Brasil ainda mantém um alto potencial para fornecimento de subprodutos de cana, em especial o eta-nol, seja para consumo próprio ou para exportações. Entretanto, ainda nos de-

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Capa

A inovação dos foliares

Eles estão cada vez mais presentes na adubação, melhorando anutrição das plantas e, consequentemente, a qualidade dos canaviais

Os fertilizantes foliares são aplicados nas folhas

e no tratamento de toletes, fornecendo macro

e micronutrientes

Texto: Marcela ServanoFotos: Divulgação/Yara Brasil

O setor sucroenergético passou por enormes avanços nós últimos anos, que vão desde o plantio da

cana-de-açúcar até a entrega dos produ-tos finais, passando por moagem e co-lheita. Uma das recentes novidades está relacionada à adubação. São os chama-dos fertilizantes foliares, cada vez mais presentes na produção dos canaviais. Mas você sabe o que são eles? E por que eles ajudam na produtividade? A es-pecialista sênior em Produtos, Pesquisa e Inovação da empresa Yara Brasil, Lívia Tiraboschi, explica como esses produtos estão modificando o cenário agrícola nas regiões canavieiras.

Segundo Lívia, os fertilizantes fo-liares são aplicados nas folhas e no tra-tamento de toletes, fornecendo macro e micronutrientes, e visam suprir os mo-mentos de pico de absorção das plantas, servindo também para prevenir ou corri-gir as deficiências de nutrientes. A apli-cação no momento em que a planta mais precisa proporciona uma nutrição ade-quada e balanceada, o que resulta em uma maior produção de ATR. As defici-ências de micronutrientes podem não ser visíveis no campo, como no caso de zin-co ou cobre, mas limitam a produtivida-de e geram perda de rentabilidade aos agricultores. Assim, o uso destes micro-nutrientes via foliar ou via toletes garan-te o suprimento antes que a deficiência ocorra.

A Yara Brasil, que tem fábrica de fertilizantes foliares na Inglaterra, possui a linha YaraVita, utilizada não só para a cana, mas para outras culturas agrícolas. A linha é composta de produtos formula-dos com alta tecnologia, maximizando a eficiência, a segurança e o efeito residu-al das aplicações. Foi desenvolvido para fornecer nutrientes equilibrando o progra-ma de adubação e melhorando a nutrição das plantas, além da qualidade do cana-vial. O produto é utilizado em tratamento de toletes dentro do Programa Nutricio-nal Longevita, que traz, como benefícios, o aumento de longevidade e produtivida-de da lavoura.

A especialista destaca a importân-cia destes produtos para o cultivo. “A adubação foliar é importante para pre-

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venir deficiências de micronutrientes na cultura de cana e pode ser aplicado como complemento aos fertilizantes via solo, deixando as plantas mais bem nutridas, o que proporciona um aumento de produti-vidade”. Os foliares recomendados para a cana devem ter formulação especial para melhor aproveitamento, como agen-tes adesivos e outros que facilitam a apli-cação em tanque pulverizador.

Devido a isso, ainda de acor-do com Lívia, o mercado tem cresci-do a cada ano, impulsionado pelo maior conhecimento dos produtores sobre a tecnologia.

Mercado tem crescido a cada ano, impulsionado pelo

maior conhecimento dos produtores sobre a tecnologia

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Rumos aos 80 anos:desafios para continuar caminhando

Nordeste em Foco

Texto: *Alexandre Andrade LimaFotos: Divulgação/AFCP

Muitos caminhos já foram trilha-dos neste percurso histórico de 70 anos de existência da As-

sociação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), com altos e bai-xos, no decorrer de tal experiência orga-nizativa e representativa da classe cana-vieira do estado. Todavia, é reservada a todos nós, contemporâneos fornecedo-res e plantadores de cana, a missão de darmos prosseguimento nesta belíssi-ma e exitosa trajetória. O desafio se es-tende aos funcionários e colaboradores

da associação. Assim, avaliamos que os próximos dez anos serão de grandes de-safios para a manutenção do segmento. Portanto, uma minuciosa análise do que se avizinha precisa ser feita para, juntos, nos prepararmos para enfrentar tal res-ponsabilidade, que se aproxima e interes-sa a todos os que ainda investem e que-rem a permanência da cultura canavieira.

A perspectiva para os próximos dez anos precisa ser coerente com a atu-al realidade do Brasil. E esta é bastan-te caótica devido à ausência de políticas públicas do Governo Federal no setor su-corenergético, gerando o cenário de crise aguda e incertezas. Por este motivo, in-

felizmente, não acreditamos que o novo período será de crescimento, mas tam-bém não implica dizer que será um de-sastre automaticamente, mesmo esta sendo uma catástrofe anunciada em fun-ções dos equívocos do governo em rela-ção à falta de política de médio e longo prazo para o etanol. Avaliamos, portan-to, que serão necessários muito vigor, união, articulação e mobilização da clas-se para manter nossa produção estável.

Será preciso criatividade para bus-carmos alternativas para baixar o nos-so custo de produção, bastante alto em comparação com a produção da região

Alexandre Andrade Lima: “Infelizmente, não acreditamos que o novo período será de crescimento, mas também não implica dizer que será um desastre automaticamente”

Todos os presidentes vivos da AFCP, que completou 70 anos de existência e tem inúmeros desafios diante do atual cenário do setor sucroenergético

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Dirigentes e funcionários da AFCP: Uma das metas é buscar formas para que o produtor nordestino seja competitivo sem precisar de subvenção do governo

do Centro-Sul do Brasil. A iniciativa de to-dos é indispensável para tentarmos ser competitivos neste novo momento his-tórico. Para manter a produção está-vel, será preciso buscarmos investimen-tos em irrigação. Não há outro meio de aumentarmos a produtividade. Aliado a isso, ainda será necessário buscar no-vas tecnologias, a exemplo de novos ti-pos de cana mais resistentes à estiagem da região. Será preciso investir em canas transgênicas, o que o governo já vem fa-zendo, mas o processo é ainda bastan-te lento diante da necessidade urgente do segmento.

O Governo Federal precisa inves-tir e apoiar as iniciativas privada e públi-ca no desenvolvimento tecnológico de máquinas capazes de realizar o corte da cana em áreas topográficas acidentadas, que é abrangente nos canaviais nordesti-nos. As experiências realizadas pelas usi-nas Cucau e Olho D’água sobre a questão mostram que elas estão no caminho cer-to e tais ações precisam contar com in-vestimento do poder público. Outras ini-ciativas na mesma direção também têm sido desenvolvidas e contam com recur-sos públicos, a exemplo dos que estão

sendo realizados pela Universidade Fede-ral Rural de Pernambuco (UFRPE), atra-vés da Rede Interuniversitária para o De-senvolvimento do Setor Sucroalcooleiro. Mas os investimentos ainda são reduzi-dos em relação à necessidade posta.

Outro fator fundamental para a ma-nutenção da produção canavieira é a continuação da subvenção federal como medida equalizadora dos custos da pro-dução nordestina. A última foi de R$ 12 por tonelada de cana. Todavia, precisa-mos buscar formas de sermos competi-tivos sem este complemento, através de investimentos em tecnologia e em irriga-ção. Embora que, para findar a subven-ção, o governo precisa fazer uma políti-ca pública de médio e longo prazos do combustível renovável e infinito, a exem-plo do etanol. Enquanto tal política não se efetiva, ou aguarda os efeitos dela quan-do (se) for implantada, a subvenção deve continuar pelo menos nos próximos dez anos.

Entretanto, a manutenção da pro-dução no período depende, sobretudo, da reorganização dos próprios produto-res canavieiros. É preciso encarar que a sobrevivência do fornecedor está atrela-

da ao cooperativismo. Maior prova local é a Cooperativa do Agronegócio da nos-sa associação (COAF). Em poucos anos de criada e em funcionamento, a expe-riência, além de baixar nossos custos, principalmente na aquisição de herbici-das, também tem baixado a margem dos concorrentes, beneficiando todos os for-necedores de cana. Além disso, no próxi-mo ano, a COAF, pela primeira vez, redis-tribuirá lucros entre seus cooperativados. A Cooperativa Pindorama, em Alagoas, é outro exemplo positivo dessa organi-zação de canavieiros pelo modelo de cooperativismo.

Portanto, neste caminho, a AFCP se lança em direção de tal exemplo para iniciar de forma inédita, ao longo de sua história, a criação de duas cooperativas para buscar gerir as usinas Cruangi e Pu-maty. É preciso quebrar o paradigma de que cooperativa só funciona no Sul e no Sudeste.

Ademais, que venham os desafios desses próximos dez anos da AFCP.

*Alexandre Andrade Lima é presidente da Unida (União Nordestina dos Produtores de Cana) e da AFCP

Nordeste em Foco

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Conjuntura

Lei Federal garante suspensão do processo de execução e respectivos prazos referentes às dívidas renegociadas com base na Lei 9.138/95

Paralisação judicial

Área agrícola na região Nordeste do país: antiga lei federal excluía da situação de emergência 30% dos produtores

Com informações da assessoriade imprensa da AFCP

Embora a nova legislação federal garanta a paralisação de proces-sos judiciais por conta de dívidas

antigas dos produtores rurais e estende os prazos para liquidação ou nova rene-gociação do débito, isso não ocorre de forma automática. É preciso formalizar a adesão para ter o benefício. A solicitação deve ser encaminhada à Procuradoria--Geral da Fazenda Nacional. Para garantir tal direito para canavieiros independen-tes, a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) orienta os associados do estado, cerca de 12 mil, a procurar o serviço jurídico do órgão da classe canavieira.

“Devem procurar o jurídico da

AFCP todos aqueles produtores de cana que tiverem dívidas renegociadas e não quitadas, com base na Lei 9.138, de 29 de novembro de 1995”, conta Alexandre Andrade Lima, presidente do órgão. Es-ses débitos são mais conhecidos como dívidas securitizadas. Os responsáveis por elas já estão sofrendo processos de execução e os respectivos prazos pro-cessuais. A Lei 13.001/14 veio para dar uma nova chan-ce de pagamen-to a todos os pro-dutores rurais nas cidades de abran-gência da Superin-tendência para o Desenvolvimento do Nordeste.

No entanto,

para suspender os processos de execu-ção e os respectivos prazos processuais, é obrigatório formalizar o pedido de ade-são à Procuradoria-Geral da Fazenda Na-cional. Para outras informações sobre a renegociação ou liquidação das referidas dívidas, os canavieiros devem procurar o Departamento Jurídico da AFCP. A asso-ciação fica na Avenida Mascarenhas de Morais, nº 2023, no bairro da Imbiribei-ra, em Recife, PE.

Lima finaliza agradecendo a sen-sibilidade da presidente Dilma Rousseff pela promulgação da nova legislação, al-terando outra lei publicada no passado, em que os seus benefícios apenas aten-diam ao produtor rural de cidades classi-ficadas em situação de emergência pelo Governo Federal. O caso excluía mais de 30% dos produtores de cana de Pernam-buco e do Nordeste em geral. “Por exem-plo, a lei atenderia o canavieiro de Carpi-na, mas excluiria o de Lagoa de Itaenga, que são cidades vizinhas”, critica o diri-gente, ressaltando que a alteração da le-gislação foi negociada pelo presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) no ano passado, quando o projeto foi votado.

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90% dos espaços vendidosCom quase a totalidade dos estandes comercializados, Fenasucro, que será de 26 a 29 de agosto, espera receber 550 expositores no Centro de Eventos Zanini

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assessoria de imprensa

Considerada o maior evento do setor sucroenergético do mundo, a Fena-sucro tem boas expectativas com

relação à geração de negócios e à intenção de investimentos dos visitantes. Faltan-do dois meses para a realização do even-to, 90% dos espaços disponíveis já foram comercializados. Cerca de 550 expositores devem estar presentes na feira, que será realizada de 26 a 29 de agosto, no Cen-tro de Eventos Zanini, em Sertãozinho, SP.

A Fenasucro oferece aos visitantes a oportunidade de explorar toda a cadeia de produção da cana-de-açúcar, desde o preparo de solo, passando pelo plantio, tratos culturais, colheita, industrialização, mecanização, aproveitamento dos deri-vados, até transporte e logística do pro-duto e subprodutos.

Entre as novidades deste ano, está a reformulação e ampliação do setor de Transporte e Logística. Nele, haverá sub-

setores inéditos, como Armazenagem, Equipamentos de Proteção Individual e Segurança Eletrônica, além de test drives de caminhões. O evento é também seto-rizado em Agrocana (setor voltado para a lavoura), Forind (Fornecedores Indus-triais) e Indústria.

Outra novidade é o Espaço Conhe-cimento e Gestão Profissional, onde se-rão centralizados os debates, palestras e conferências com especialistas do setor. Neste espaço, anexo ao pavilhão dos ex-positores, ocorrerá o debate de solu-ções do setor, com eventos como a Da-tagro CEISE Br Conference, Reunião do Gerhai, Seminário Agroindustrial STAB Fenasucro, Seminário do GEGIS, 2º Con-gresso de Automação e Inovação Tecno-lógica Sucroenergética, Encontro de Pro-dutores Canaoeste/Orplana, Rodada de Negócios Internacional Apla/Apex e Ro-

Eventos

Fenasucro de 2013 movimentou R$ 2,2 bilhões em negócios, mesmo valor esperado para a feira deste ano

33 mil pessoas devem passar pelos corredores da exposição, que apresenta novidades para toda a cadeia da cana

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Eventos

dada de Negócios organizada pela Fiesp e pelo Sebrae. No local, também serão realizados a abertura e o fechamento da Fenasucro.

Micro e pequenas – Uma parceria estabelecida entre a feira e o Sebrae/SP viabilizará a presença de 16 micro e pe-quenas empresas voltadas à cadeia pro-dutiva do setor sucroenergético, garan-tindo a elas maior acesso ao mercado e aproximação com grandes fornecedores e compradores.

Existente desde a primeira edição da Fenasucro, a parceria ainda visa às empresas maior acesso ao mercado do setor e a aproximação com grandes for-necedores e compradores. A participa-ção delas é possível a um custo baixo, uma vez que parte do valor é subsidiada pelo Sebrae. “Assim, esses estabeleci-mentos podem reforçar suas marcas jun-to ao mercado sucroenergético e conhe-cer novos clientes e fornecedores. Nosso papel é incentivar o desenvolvimento e a competitividade das micro e pequenas empresas e, por isso, estamos sempre presentes em grandes feiras setoriais. Historicamente, estas ações dão resulta-dos muito positivos para as empresas”, explica o gestor do Sebrae/SP Fabio Me-nezes de Souza.

Segundo ele, os resultados cres-cem a cada ano. Em 2013, foram realiza-dos 231 contatos, que geraram R$ 277 mil em negócios imediatos e uma pre-visão de R$ 3,9 milhões para os qua-tro meses após a realização da feira. O presidente do CEISE Br, Antonio Eduar-do Tonielo Filho, afirma que a parceria é fundamentalmente importante para o for-talecimento do Departamento das Micro e Pequenas Empresas, criado pela entida-de para apoiar e buscar soluções inova-doras para os empreendedores, integran-tes da cadeia produtiva sucroenergética. “O conhecimento estratégico e aplicado do Sebrae nos ajuda a promover o de-senvolvimento sustentável dessas em-

presas, inserindo-as no contexto socio-econômico do município, com a criação de novos postos de trabalho, por exem-plo, além da contribuição para um melhor resultado da economia local”.

Organizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado e Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergéti-co e Biocombustíveis (Ceise Br), a 22ª

da Fenasucro espera receber 33 mil vi-sitantes e gerar R$ 2,2 bi em negócios. “Esta grande adesão à feira, mesmo em um cenário considerado difícil para o se-tor, mostra que há o interesse em investir em produtividade, aumento de eficiência e alternativas no mercado. E é exatamen-te este o objetivo do evento”, explica Ga-briel Godoy, diretor da Fenasucro.

Feira, realizada em Sertãozinho, SP, é considerada a maior do planeta em tecnologia para o setor sucroenergético

Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do CEISE Br, destaca a importância da parceria firmada com o Sebrae

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Eventos

O 2º Workshop de Crédito Rural, realizado no fim de junho, instruiu profissionais sobre as novidades dos benefícios destinados aos produtores

Sicoob SP detalha plano

Neriberto Simões

O Sicoob SP – Cooperativa Central de Crédito do Estado de São Pau-lo – reuniu, nos dias 26 e 27 de

junho, em Ribeirão Preto, SP, dirigentes e técnicos de suas quinze unidades para o 2º Workshop de Crédito Rural. O en-contro teve como objetivo detalhar aos profissionais o funcionamento do Plano

Agrícola e Pecuário 2014/15, anunciado no último dia 19 de maio pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT).

O PAP, como também é conheci-do, oferecerá R$ 156,1 bilhões em crédi-tos para o agronegócio, valor 14,7% su-perior ao do ano passado. O aumento foi comemorado por todos, com uma res-salva. “Claro que o acréscimo no mon-

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Aumento de 14,7% no crédito foi comemorado pelos presentes, com a ressalva de que taxa de juros também subiu

2º Workshop de Crédito Rural teve como objetivo detalhar o funcionamento do Plano Agrícola e Pecuário 2014/15

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tante é importante, mas a taxa média de juros, que era de 5,5%, subiu para 6,5%”, lembrou Marco Aurélio de Almada Abreu, diretor presidente do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob).

Rodrigo Matheus Silva de Mora-es, superintendente do Sicoob SP, afir-mou que o sistema de gestão e controle das atividades no estado de São Paulo foi certificado entre os mais concisos e efi-cientes em suas operações de créditos. “Do montante liberado pelo PAP, 13% se-rão destinados ao crédito rural e, dentro deste percentual, 50% serão administra-dos pelo Sicoob”.

Ismael Perina Junior, ex-presidente da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orpla-na), esteve presente no evento e falou sobre o programa do governo. Para ele, que também é agricultor, o plano aten-

de às necessidades de financiamento, mas ainda se faz necessária a elabora-ção de políticas públicas permanentes e eficazes para o agronegócio nacional. “Nos Estados Unidos e na Europa, ve-mos medidas que garantem a estabilida-

de da produção agrícola, que, para nós, seria o Seguro Renda. Este é um deta-lhe que sentimos falta, já que, em termos de tecnologia e produtividade, o Brasil é um país com forte vocação na produção agropecuária”.

Participantes continuaram a troca de experiências no intervalo das palestras previstas para o evento

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Eventos

as empresas possam voltar a investir em tecnologias, inovações, e assim atender às demandas”.

O presidente ainda destacou a coe-rência do tema da palestra, principalmen-te pelo momento delicado que a indústria vem passando há alguns anos. “O Canuto entende muito do assunto e, com certe-za, vai levantar o ânimo dos empresários que estão passando por dificuldades”.

Em sua apresentação, Otaviano Ca-nuto foi enfático ao dizer que 2015 ainda será um ano difícil. “Entre os principais problemas, estão a ressaca energética de 2014, a correção dos preços administra-dos, como o da gasolina, e, consequen-temente, inflação”, mencionou. “Somen-te para 2016, temos bons augúrios”.

Segundo Canuto, a palavra-chave para o desenvolvimento do Brasil é pro-dutividade, o maior desafio do governo. “Ações como investimento em educação

Ex-vice-presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto palestrou em evento do Dia da Indústria, promovido pelo CEISE Br e pelo CIESP em Sertãozinho, SP

Produtividade é palavra-chave

Com informações daassessoria de imprensa

O Dia da Indústria é comemorado em 25 de maio. Para homenage-ar os empresários do setor e seus

associados, o Centro Nacional das In-dústrias do Setor Sucroenergético e Bio-combustíveis (CEISE Br) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo em Sertãozinho (Ciesp) realizaram o III Semi-nário da Indústria, com a palestra “Eco-nomia Brasileira – como voltar a cres-cer”, ministrada pelo consultor sênior e ex-vice-presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto, no Cred Club Coperca-na, em Sertãozinho, SP.

O evento contou com as presen-ças do secretário da Indústria e Comér-cio da cidade, Carlos Roberto Liboni, e do diretor titular do CIESP Sertãozinho e vice-presidente do CEISE Br, Adézio Mar-ques. Em seus discursos, ambos ressal-taram a importância da indústria para o desenvolvimento local, como principal fomentador da economia.

Com a palavra, o presidente do

CEISE Br, Antonio Eduardo Tonielo Filho, pontuou algumas das ações que a enti-dade vem articulando junto aos governos estadual e federal, no intuito de captar al-ternativas para a retomada da indústria de base e serviços do setor sucroenergé-tico. “A retomada vai acontecer, mas pre-cisamos estar preparados. Estamos lu-tando por um fundo garantidor, para que

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Adézio Marques, diretor titular do CIESP Sertãozinho e vice-presidente do CEISE Br, durante discurso

O presidente do Ceise Br, Antonio Eduardo Tonielo Filho, pontuou ações que a entidade vem articulando junto aos governos

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e reforma tributária ajudam, mas não re-solvem. O país precisa de, pelo menos, três importantes horizontes para aumen-tar a produtividade do trabalhador. A pri-meira linha seria investir em infraestru-tura, podendo ser trabalhada através de uma parceria público-privada. A segun-da se refere à qualidade do ambiente de negócios interno, mesmo porque a carga tributária é elevadíssima e isso reflete na competitividade”.

Para ele, a terceira linha está vol-tada para a revisão da qualidade do gas-to público, que não deixa de interferir na produtividade do setor privado. “Ampliar a transparência dos gastos públicos, em todos os níveis, vai diminuir o espaço para a corrupção, por exemplo. É preciso também haver um maior monitoramento das ações, dos serviços públicos”.

Quanto ao setor sucroenergético, Canuto disse que a crise não é sustenta-da apenas pelos efeitos colaterais da de-fasagem do preço da gasolina frente ao mercado externo. “Ninguém tem culpa pelos fatores climáticos que afetaram a produção, mas o produtor de cana tam-bém errou quando pensou só em redu-zir custos e não investiu nos canaviais, o que fez cair a produtividade”.

De acordo com ele, porém, há as-

pectos positivos previstos para a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. “O gover-no está vendo perspectivas para a bioe-letricidade, para a produção de energia a partir da biomassa, além da disponibili-dade em criar condições de planejamen-to, sem criar novos riscos. De um modo geral, a dificuldade do governo de transi-tar do antigo para o novo padrão de cres-cimento já se esgotou”.

Canuto: “O governo está vendo perspectivas para a

bioeletricidade, para a produção de energia a partir da biomassa”

Participantes do seminário assistiram, com atenção, aos discursos em prol do setor sucroenergético brasileiro

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Da redação

O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 0,99% em maio, o que elevou para 3,49% positivos a variação acu-

mulada no ano. A alta foi impulsionada pelo crescimento da pro-dução e, também, pelo aumento nos preços. O levantamento é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP).

O desempenho da agropecuária tem superado o de outros setores da economia brasileira. Se levado em conta só o primei-

ro trimestre de 2014, os bens e serviços do país, juntos, cresce-ram 0,2%. Já o segmento da agropecuária, sozinho, acumulou índice de 2,93% de janeiro até março.

Nos estudos, foram avaliados, ainda, os ramos de adubos e fertilizantes, que tiveram queda de preços de 7,11%, já des-contada a inflação. Isso é reflexo da desvalorização da cotação do petróleo e das principais matérias-primas utilizadas nesses ti-pos de produtos.

Confira outros destaques do mês no Portal Canamix.

Barralcool lança livro com receitas de 16 sobremesas

Comemorando a sua 31ª safra agora em 2014, o Grupo Bar-

ralcool, empresa sucroenergé-tica que participa todos os anos da Festa Agropecuária de Barra do Bugres, MT, cidade onde está localizada, trará este ano, como brinde, a todos os visitantes de seu estande, um livro com 16 re-ceitas de sobremesas, fáceis e de rápido preparo. A festa será de 8 a 11 de agosto.

Nesta edição do livro, as re-ceitas foram elaboradas por dois chefs, Hugo Rodas e Paride Bar-ban, fotografadas por um especialista em alimentos, Thiago Suiço, e com a arte finalizada por Bruno Monges.

O livro traz, também, um pouco da história do açúcar, dicas de preparo e apresentação das sobremesas, podendo ser visualizado em versão online, pelo endereço http://issuu.com/barralcool.mkt/docs/livro_de_receita_2014_web/0.

Fundação Jalles Machadopromove 8º Concurso de Redação

A Fundação Jalles Machado, a Subsecretaria Regional de Educação de Goianésia, GO, o Grupo Otávio Lage e a Jal-

les Machado S/A fizeram o lançamento da oitava edição do

Concurso de Redação Dr. Otávio, Construtor de Sonhos. O concurso, voltado aos alunos do 9º ano do Ensino

Fundamental, tem como objetivo incentivar a leitura e a escri-ta. “O concurso remete à memória do nosso pai, que também foi professor e era um entusiasta da Educação. Além disso, é uma forma de incentivarmos o crescimento intelectual dos alunos e dar oportunidade para que possam continuar a sua formação”, disse o diretor-presidente da Jalles Machado, Otá-vio Lage de Siqueira Filho.

O vencedor receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 20 mil reais e o seu professor orientador ganhará um ta-blet. O segundo colocado será premiado com um notebook e o terceiro com um tablet. A escola do aluno vencedor recebe-rá um troféu e os colegas de classe ganharão camisetas do concurso.

As escolas poderão inscrever os trabalhos até o dia 28 de agosto. A prova de redação será realizada no dia 9 de se-tembro, na UEG-Goianésia. Os ganhadores serão divulgados na solenidade de premiação, no dia 18 de setembro, na Câma-ra Municipal de Goianésia.

PIB da agropecuária cresce e supera média de outros setores

Solenidade de lançamento do concurso de redação,que dará uma bolsa de estudos de R$ 20 mil ao vencedor

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Capa do livro que será distribuído no estande da Barralcool na Festa Agropecuária de Barra dos Bugres, MT

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Sugestões através do e-mail [email protected]

Para saber mais, acesse: www.canamix.com.br | twitter: @canamix

Programa da Dow AgroSciences capacita 1.300 participantes

Entre abril e junho desse ano, 2.866 profissionais ligados às culturas de milho, soja e cana-de-açúcar foram capacita-

dos pelo Programa de Aplicação Responsável (PAR). Em seu primeiro ano na cultura de cana, o programa realizou 48 trei-namentos, somando 1.305 participantes – cerca de 45% do total de profissionais treinados em todo o programa no perío-do. A maior contribuição do PAR, segundo as usinas partici-pantes, foi o engajamento dos aplicadores.

“O treinamento reforçou entre nossos aplicadores a im-portância da segurança. A capacitação serviu para fixar me-lhor seu conhecimento teórico que, somado a sua experiên-cia prática, asseguram a qualidade no processo”, destacou o supervisor de Produção Agrícola da Biosev, unidade Cresciu-mal, Gustavo Messiano.

A coordenadora de Boas Práticas Agrícolas da Dow AgroSciences, Ana Cristina Pinheiro, avalia o aumento no nú-mero de encontros realizados: “Em 2014, temos como meta tornar acessíveis as tecnologias e boas práticas agrícolas ao maior número possível de profissionais ligados à aplicação”.

Desenvolvido em parceria com a Universidade Estadu-al Paulista (UNESP) de Botucatu para disseminar boas práticas agrícolas, o Programa de Aplicação Responsável (PAR) apre-sentou no 1° semestre de 2014 um crescimento de quase 100% em relação às capacitações realizadas durante todo o ano de 2013. O calendário do programa será retomado em agosto, com treinamentos focados nas culturas de soja e milho, que percor-rerão municípios das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Odebrecht Agroindustrial implanta programa para formar jovens em MS

A Odebrecht Agroindustrial, empresa que atua na produção de açúcar, etanol e energia de biomassa, implementou em

Nova Alvorada do Sul, MS, onde está localizada a Unidade Santa Luzia, o Programa Acreditar Jr..

A iniciativa, desenvolvida pela Organização Odebrecht, tem como objetivo a formação de jovens, em especial os fi-lhos de integrantes das empresas do grupo. Sua primeira tur-ma teve início em agosto de 2009 durante as obras de monta-gem da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, em Porto Velho, RO. De lá para cá, o programa qualificou 1.363 jovens.

Desenvolvida em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), a 1ª turma de Nova Alvora-da do Sul teve 153 inscritos – entre filhos, netos, primos e so-brinhos de integrantes – para as 44 vagas do curso Técnico de Mecânico de Manutenção de Motores a Diesel. As aulas se iniciam em 18 de agosto e estão voltadas para alunos com idades entre 17 e 22 anos.

O curso tem duração de 1.620 horas e, além das aulas teóricas no Senai, conta com a prática dentro da Odebrecht Agroindustrial, com acompanhamento constante de instruto-res da instituição e de líderes da empresa. Por conta da boa aceitação do programa pela comunidade, a empresa prevê ex-pandi-lo para seus outros polos.

Turma formada em 2012 pelo Programa Acreditar Jr., destinado a parentes de colaboradores da Odebrecht Agroindustrial

Unidades da Biosev acompanham treinamentospromovidos pelo Programa de Aplicação Responsável (PAR)

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Marketing Canavieiro

John Deere é eleita, pelo 4º ano,uma das melhores empresas para trabalhar

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Empresa ficou na 17ª colocação na categoria “Grande Porte”, salto de 11 colocações em relação a 2013

Pelo quarto ano consecutivo, a John Deere foi eleita como uma das Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil. No ranking de 2014, a empresa está listada na 17ª posi-

ção na categoria “Grande Porte” – um salto de 11 colocações em relação a 2013. Esta é a sétima vez que a companhia ven-ce um dos principais prêmios do mundo em melhores práticas corporativas.

Thomas Peuntner, diretor de Recursos Humanos para a América Latina, representante da empresa no prêmio, entregue no Espaço das Américas em São Paulo, ressalta a importância da empresa manter-se bem colocada no ranking.

“A John Deere tem no Brasil um foco estratégico de cres-cimento, tanto que já temos mais de 4 mil funcionários em di-versas regiões. Todos seguem, como filosofia de trabalho, os quatro principais valores incorporados pelo nosso fundador: in-tegridade, qualidade, comprometimento e inovação. Por isso, podemos dizer que o engajamento e a identificação destes co-laboradores com esses valores são algumas das razões para que a John Deere seja considerada uma das melhores empre-sas para se trabalhar”, destaca Peuntner.

O prêmio Great Place to Work é realizado no Brasil pelo Instituto GPTW, em parceria com a revista Época. Este ano, a

participação bateu recorde: 1.276 empresas concorreram para serem eleitas as melhores organizações corporativas do Bra-sil. No mundo, a análise de ambientes corporativos compre-ende 6.200 empresas, representando mais de 12 milhões de colaboradores.

Para a montagem do ranking, são levados em conta dois índices que se complementam: um respondido pelos funcioná-rios (Trust Index) e outro pela empresa (Culture Audit). A primei-ra explica o que é um excelente lugar para trabalhar na visão dos funcionários, enquanto o segundo permite compreender o que é um excelente lugar para trabalhar na visão da liderança.

“É nosso desafio diário promover uma gestão eficiente e o constante desenvolvimento de talentos. Para a empresa, não basta oferecer salários competitivos, é preciso proporcionar um ambiente no qual os funcionários possam crescer, sentir orgu-lho do que fazem e serem valorizados por isso. O engajamento dos funcionários é o maior benefício de um ótimo ambiente de trabalho”, ressalta Peuntner.

Essa é a sétima vez que a John Deere vence o prêmio e a quarta vez consecutiva. A companhia debutou no ranking em 2000, vencendo também em 2001. Depois, voltou a vencer em 2008 e segue presença constante desde 2011.

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A Markem-Imaje instalou 4 novas Codificadoras, modelo 8018, de transferência térmica, nas instalações indus-triais das Usinas Itamarati, localizadas na cidade de Nova

Olímpia, MT, uma das maiores empresas do setor sucroener-gético brasileiro, produtora de etanol, açúcar e energia elétrica.

Com estas novas máquinas, o parque produtor das Usi-nas Itamarati conta agora com 24 Codificadoras Markem-Ima-je, que imprimem nas embalagens de polietileno, transparente e branca, de açúcar cristal e açúcar refinado, da marca “Açúcar Itamarati”, dados variáveis do lote, data e hora de empacota-mento e de validade, com total nitidez e aderência.

As Codificadoras 8018 substituíram o sistema de hot stamp utilizado pelas Usinas Itamarati que gerava paradas da li-nha de produção, num demorado processo na mudança de in-formação do lote e turno, e eliminou o retrabalho ocasionado pela baixa qualidade de impressão.

“Com as impressoras Markem-Imaje, obtivemos um ga-nho altíssimo na qualidade de impressão, com maior nitidez dos dados codificados; reduzimos o custo de manutenção, pois não é mais preciso fazer trocas constantes de peças; reduzimos bruscamente as paradas da linha, já que as trocas de informa-ções do lote e turno são realizadas automaticamente, sem que o operador tenha que esperar a máquina esfriar”, considera Ade-

Usinas Itamarati substituem hot stamp por Codificadoras Markem-Imaje

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mir Anacleto, técnico de Manutenção Industrial da Itamarati. E completa: “Todo esse ganho nos levou a manter, para esta linha de produção, equipamentos 100% Markem-Imaje”.

As Codificadoras 8018, projetadas para linhas em mo-vimento contínuo ou intermitente, operam com a tecnologia de transferência térmica, proporcionam impressão permanen-te (códigos nítidos e limpos), de alta qualidade e menor cus-to, constituindo solução simples e eficiente para codificação digital automática, altera as informações em tempo real, con-trolando a produção, imprime data, hora, validade, lote, logoti-po, entre outras informações variáveis, e elimina desperdício e códigos incorretos, reduzindo erros humanos e aumentando a produtividade.

“A Codificadora 8018 da Markem-Imaje foi apresentada para todos os diretores em um evento anual das Usinas Itama-rati como caso de sucesso em projetos de melhoria da fábrica, focando o ganho da qualidade do nosso produto e a redução de custo”, afirma Ademir.

Criada em 1980, as Usinas Itamarati realizaram a sua pri-meira safra em 1983 com a produção de etanol e, já em 1993, iniciaram a produção de açúcar. A unidade de empacotamento e armazenamento de açúcar é capaz de embalar 40 t/h, expedir até 2.000 t/dia e estocar cerca de 112.000 toneladas.

Codificadora da Markem-Imaje reduziu as paradas de linha, já que as trocas de informações do lote e turno são realizadas automaticamente

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Marketing Canavieiro

O fenômeno climático El Niño promete dar as caras novamen-te em 2014. Os especialistas em meteorologia no mundo todo apontam em até 90% as chances de ocorrência neste

segundo semestre. Até a ONU já emitiu um alerta global para que os países se preparem para enfrentar os efeitos do El Niño, princi-palmente sobre as áreas agrícolas das regiões afetadas.

O El Niño é um fenômeno natural causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, quase como que se uma gigantes-ca piscina de água quente se formasse bem no meio do oceano. Com essa alteração, o clima no mundo todo acaba sendo afeta-do. Chuvas em excesso, estiagem, seca e aumento de tempera-turas são alguns dos efeitos que podem ser sentidos nas regiões. Efeitos esses que podem causar perdas drásticas para a produção agrícola, caso os agricultores não tomem medidas preventivas.

Na América Latina, os efeitos mais profundos poderão ser sentidos no Peru, Chile, Equador, Bolívia, norte da Argentina e Bra-sil. Mas cada país receberá os efeitos do El Niño de forma dife-rente. No Peru, Equador, sul do Chile e norte da Argentina, por exemplo, espera-se um aumento na ocorrência de chuvas, en-quanto que no norte do Chile e Bolívia a temporada seca pode-rá ser amenizada.

O fenômeno exigirá das plantas maior capacidade de supor-tar situações de estresse e, para isso, é preciso que ela esteja ba-lanceada nutricionalmente para enfrentar o desequilíbrio climático

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Alltech oferece soluções para enfrentar estresses climáticos

e também possíveis patógenos que podem se aproveitar das con-dições favoráveis para atacá-la.

Para o gerente André Piotto, as soluções oferecidas pela Alltech Crop Science podem ajudar os produtores a lidar com os efeitos do El Niño em suas lavouras. “O efeito antiestressan-te é realmente a chave da questão. Produtos como Initiate, Ini-tiate Soy e Grain Set, que atuam no balanceamento hormonal da planta, fazendo com que ela tenha boas condições fisiológicas para produzir, e o Liqui-Plex Bonder, que atua na reposição de energia através do aumento dos níveis de aminoácidos da plan-ta, têm mostrado bons resultados em situações de déficit hídri-co,” afirma.

Já em situações de excesso de umidade, que favorecem o surgimento de doenças, a proteção deve ser trabalhada. O geren-te da Alltech Crop Science, Diego Kloss, destaca o trabalho pre-ventivo em sua região. “Nossa linha Proteção é bastante importan-te neste momento para auxiliar o fortalecimento da planta frente às adversidades do meio.”

Neste momento em que o mundo todo mostra preocupação com os efeitos que o El Niño pode causar na produção agrícola, é importante lembrar que, estando bem nutridas, as plantas ficam mais resistentes ao ataque de doenças e sofrem menos com os estresses ambientais. Portanto, um bom plano para se lidar com os efeitos do fenômeno deve começar com certeza pela nutrição.

Fenômeno El Niño muda as características da lavoura e exigem atenção do agricultor, principalmente com a nutrição

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Pequenos notáveis

Como o marketing e a educação podem ajudar na educação do produtor?

Aprimoramento do ensino de defesa vegetal

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Pecuária

Criadores que abandonaram outros negócios e apostaram nos minianimais colhem os frutos da ousadia e planejam crescimento ainda maior

Pequenos notáveisIgor Savenhago

“Aceita um suco de orvalha?”, pergunta Dona Nadir ao re-pórter assim que a porteira

da chácara se abre. O marido dela, José Devanil, logo explica que a fruta é “assim, pequetitinha”, dobrando o dedo indicador e encostando no polegar para mostrar o formato aproximado. “Amarelinha. Tem lá no quintal do vizinho. E dá um suco muito bom”.

O tamanho da orvalha, também co-nhecida como uvaia em alguns cantos do país, parece antecipar que, nesse lu-gar, em Santo Antônio da Alegria, interior de São Paulo, perto da divisa com Minas Gerais, o mundo não cresceu. Foi feito em miniatura e assim ficou.

A começar pela cidade. Santo An-tônio da Alegria é uma daquelas que o pessoal brinca que “não existe no mapa”. A gente toda da cidadezinha, que justifi-ca, no sorriso, a principal marca do seu protetor, soma pouco mais de seis mil moradores. E o costume com o que é pe-queno se estendeu à Chácara Água Ver-melha, onde José Devanil é funcionário e mora com a esposa Nadir e a filhinha, Fernanda. É uma espécie de minifazenda, com só um alqueire e meio, que foi do avô de Renato Aparecido Asse da Cos-ta, o atual dono.

O nome da propriedade é curio-so. “Tá vendo essa água que desce aí?”, aponta Renato. “De janeiro a outubro, ela vem com um lodo vermelho junto. Preci-sa ver que interessante. A água fica ver-

Fernanda, filha do casal José Devanil e Nadir, brinca com minipônei na chácara de Santo Antônio da Alegria

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melhinha mesmo. E sabe, nunca desco-brimos porque isso acontece”.

Aliás, curiosidade é que não falta nessas terras. Mas, se elas são muitas, o tamanho, claro, é reduzido. O xodó da Fernanda, filha do José Devanil, são os minipôneis. O pai segura a menina para que ela se divirta sobre um deles. Isso quando o “Zé”, apelido que segue a ten-dência do “quanto menor, melhor”, não está na ordenha. As minivacas leiteiras

segundo o dono, foi limitar também o ta-manho dos bichos. O primeiro a chegar, há vinte anos, foi um tourinho, que era cruzado com vacas desprezadas pela vi-zinhança. “Elas eram de tamanho menor, chamadas de degeneradas. Os criado-res da região se desfaziam delas e eu ia lá e comprava. Era justamente o que eu procurava”.

A aposta deu certo. As crias fo-ram diminuindo a cada dia. E, quan-

sitantes. “Passamos a receber pedidos de escolas, que tinham interesse em tra-zer os alunos. Começamos a organi-zar os grupos e, aos poucos, cobrar por isso. Chegou um ponto em que eu esta-va explorando tudo: oferecer passeio de

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charretes, participar de feiras agropecuá-rias, onde montamos as fazendinhas, ti-rar o leite e vender animais”.

precisam de tratamento especial. Fazem parte do lema da chácara: “Em um pe-queno espaço, uma grande atração”.

Renato conta que apostar nos mi-nianimais foi, realmente, um baita ne-gócio. O avô era criador de gado leitei-ro. Mas, conforme correram os anos, a fazenda foi ficando pequena. Lotes fo-ram desapropriados para dar lugar a ca-sas populares e, quando a família se deu conta, tinha um pedaço restrito de terra. Bem menor que no passado. Água Ver-melha passou a ser uma porção de roça espremida por ruas, carros e prédios ur-banos. “Hoje, estou cercado de cidade”, constata Renato.

A solução para o mínimo espaço,

to menores, mais o novo negócio anda-va bem. Os investimentos aumentaram e, com eles, a atenção de clientes e vi-

Renato começou a criação há 20 anos, pela necessidade de reduzir o tamanho dos animais na propriedade

José Devanil é funcionário da chácara e responsável pela ordenha: produção diária é de 60 litros, em média

Reprodução na Água Vermelha é feita toda com monta natural: quanto menores os animais, mais valorizados

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Renato tem, na chácara, cerca de 100 minianimais, entre cavalos, vacas, porcos e cabritos. E, para agradar a fre-guesia, que é exigente, oferece, ainda, aves ornamentais. Essas não são mini, mas ajudam no comércio dos pequenos. “Teve uma mulher que veio aqui procu-rando pavões e se encantou por um touri-nho. Uma coisa vai puxando a outra”, diz o dono. É comum aparecer compradores de outros estados. E a entrega é feita pelo próprio Renato. Mas só quando o clien-

te pode esperar. “Essa do tourinho levou dentro do carro mesmo”.

O rebanho de minibovinos da chá-cara tem dez “vaquinhas” leiteiras, que garantem 60 litros/dia. A reprodução é feita no próprio lugar, tudo com mon-ta natural. O desafio é conseguir filho-tes cada vez mais baixos, mas sem cor-rer riscos. “Quanto menor o animal, mais valorizado ele é, mas desde que seja per-feito”. Por isso, são evitados cruzamen-tos quando há parentesco ou quando a

fêmea atingiu um limite de tamanho para suportar a prenhez.

A rusticidade dos bichinhos facili-ta o manejo e otimiza a área disponível. “No mesmo espaço onde tenho hoje 100

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Produção de leite é uma das apostas da chácara em Santo Antônio, além de eventos e venda dos animais

Aves ornamentais, que são reproduzidas na própria Água Vermelha, são vendidas junto com os minianimais

Relíquia, o menor minipônei brasileiro segundo ranking nacional, comparado a um cavalo de tamanho normal Di

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animais, se fossem de tamanho conven-cional, seriam só dez cabeças”, explica o dono, que prevê crescimento ainda maior para esse mercado. “Tem muita gente vendo e querendo fazer. Isso pode au-mentar a concorrência, mas comprador sempre vai ter. O pessoal que está adqui-rindo propriedades e quer colocar lá um animalzinho para ornamentação também está crescendo”.

Renato não esquece que o come-ço foi difícil. Hoje, brindando com suco de orvalha, e os funcionários em volta da mesa, comemora. “Prefiro esse negócio do que qualquer outro”.

Animais míni, negócio macro – Quem sai de Santo Antônio e atravessa a fronteira mineira também encontra o otimismo como cartão de visitas na Mi-ni-Fazenda Reino Encantado, em Alfe-nas. O sentimento de satisfação e de que apostar na criação de minianimais foi a coisa certa parece não combinar com o tamanho das vaquinhas e minipôneis que habitam a propriedade. E pensar que eles tomaram um lugar que era reduto de ca-

valos Campolina. Antônio Carlos Rocha de Oliveira decidiu liquidar a criação dos grandes equinos para investir nos peque-nos.

E põe pequenos nisso. A família se orgulha de ter, na minifazenda, o menor pônei e a menor vaca do país com base em certificação do Ranking Brasil, que

monitora a altura desses minianimais. Princesinha, a vaca, tem três anos de vida e apenas 60 centímetros. Relíquia, o pônei, de três anos e meio, 55 centíme-tros. “Princesinha vai agora entrar em es-tado fértil”, afirma Mateus, um dos filhos de Antônio Carlos. Por causa do tama-nho reduzido dela, a reprodução será fei-

Família reunida: da esq. para dir., Mateus, sua mãe,

Miriam, seu irmão, Eduardo, e seu pai, Antônio Carlos

Princesinha e Relíquia: a vaquinha está para entrar em período fértil e, por causa do tamanho, reprodução será em laboratório

Antônio Carlos deixou criação de cavalos para apostar nos minianimais, foco da família há pelo menos 12 anos

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ta com o auxílio de um laboratório espe-cializado em inseminação. Perto de São Paulo e Minas, existem dois: um em Mogi Mirim e outro em Uberaba.

Mateus conta que o pai sempre foi muito ligado ao campo. Tem loja de ma-terial odontológico, mas nunca se des-grudou de animais. Uma dia, deu de pre-sente, aos quatro filhos, um minipônei. Mal sabia que, naquele momento, dava início a um novo negócio, que envolve-ria toda a família. Há doze anos, quan-do a criação ainda era uma novidade na região, a aposta era feita. Hoje, o foco dos Oliveira é na atividade. Preocupação com os mínimos detalhes, como higiene e apresentação dos animais, que podem fazer a diferença na hora da venda.

Quem chega à minifazenda, en-contra não só os bichinhos mais tradi-cionais. Conhece, além dos cavalinhos e vaquinhas, coelhos, mulas, burros, ju-mentos e galinhas, todos em tamanho re-duzido. “Eles chamam a atenção. Tanto que tem gente trocando animais domésti-cos, como cachorros, gatos e papagaios, por minianimais. Eles atendem, portanto, a uma demanda do mercado pet”, expli-ca Mateus.

De cinco anos para cá, a procura na propriedade aumentou cerca de 40%. São clientes de todo o país. Os compra-dores de um dos 300 minianimais exis-tentes no local recebem a encomenda em casa. “Já vendemos animais desde o Pará até Rio Grande do Sul”. As entre-gas são feitas com dois caminhões pró-prios e parcerias com empresas de trans-porte animal.

Para dar conta da demanda, a Rei-no Encantado montou uma equipe de funcionários, que cuidam, também, da participação em feiras. Mateus atribuiu o crescimento do mercado ao baixo custo da criação. “São, realmente, animais rús-ticos. Difíceis de ficarem doentes”.

Mas, e para montar um plantel? Fica caro?

Uma prova do crescimento do mercado de minianimais no país foi a cria-ção, em novembro de 2012, da Associação Brasileira dos Criadores de Minihorse (ABCMH), sediada em Avaré, SP. Segundo o presidente,

Marcelo Serra, o minihorse é a menor raça de pônei criada hoje no Brasil e uma das cem existentes no mundo.

A associação faz parte de meta antiga, segundo ele. “Tudo começou como o sonho de criarmos pôneis mais modernos, elegantes, de menor es-tatura e mais atrativos ao consumidor brasileiro. Foi justamente para atender esse desejo que passamos a desenvolver um animai que pudesse ser diferen-te de qualquer outro similar até então. Deste sonho, que hoje é uma realida-de, surgiu a raça”.

A ABCMH conta com 200 criadores e cinco mil animais cadastrados. O objetivo é promover maior divulgação do minihorse. “Massificar em diversos segmentos da sociedade atrás de um marketing objetivo e claro. Desde a sua fundação, a associação tem promovido eventos, através de um ranking nacio-nal, que proporciona, aos criadores e público em geral, um intercâmbio instru-tivo e informativo sobre a raça”.

Marcelo projeta, com isso, um mercado crescente. Segundo ele, o gran-de número de adesões à associação a cada ano é um indicador. “Estamos fa-zendo um trabalho de divulgação que já dá frutos. A beleza e a docilidade dos animais fazem com que aumente o número de admiradores dessa raça”.

Um dos eventos realizados pela Associação Brasileira dos Criadores de Minihorse para aumentar a divulgação da raça

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Associação surgiu em 2012

Mateus explica que os preços cos-tumam ser mais altos em comparação com os de tamanho convencional. É pos-sível comprar minipôneis a R$ 1500, mas os valores crescem dependendo da pelagem e da mansidão. Se for fêmea, a prenhez também é levada em considera-

ção. “Podem chegar a até R$ 80 mil”. Já as vaquinhas variam de R$ 1500 a R$ 10 mil”.

Preços que justificam o otimismo. Pergunta para o Mateus se a família se arrepende. “De jeito nenhum. Era um ho-bby que virou um grande negócio”.

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*Coriolano Xavier

O marketing e a comunicação ru-ral podem contribuir muito para o desenvolvimento e a capacita-

ção do produtor rural e já tem sido as-sim há décadas. Na agricultura moderna, o insumo tornou-se informação, conhe-cimento puro, e seu marketing está sem-pre ensinando e assumindo um forte pa-pel educativo.

Vejam o caso da genética vegetal dos OGMs (Organismos Geneticamen-te Modificados) e também a evolutiva ge-nética do suíno e do frango. Vejam a nu-trição animal de alta performance, o chip nos pneus de tratores, o manejo integrado de pragas e os métodos da agricultura de precisão. Tudo mudou e as tecnologias de produção exigem, cada vez mais, saber e capacitação.

É devido a esse DNA peculiar que o marketing das empresas, cooperativas e revendas têm sido importante no desen-volvimento e atualização do produtor. E um olhar sobre as atuais tendências tec-nológicas da produção agropecuária indi-ca que a contribuição do chamado mar-keting rural continuará decisiva nesse aspecto.

Mas além dessa atividade qua-se que missionária e diária, dissemina-da através dos produtos, o marketing ru-ral também produziu grandes campanhas educativas desde os anos 80, como os clássicos Fique de Olho no Milho, Admi-nistre: É Assim Que Se Ganha, Plantio Di-reto e Concursos de Produtividade.

Em períodos mais recentes, temos outros bons exemplos, como o Seminário Internacional de Suinocultura, Marketing Reverso da Pepsico, Aplique Bem, Funda-

ção Espaço Eco, Escola no Campo, Plane-ta Faminto, Embaixadores da Soja, Univer-sidade da Cana e Pequenas Histórias de Plantar e Colher – só para citar alguns.

Em todos eles, de ontem e de hoje, vamos encontrar um traço comum de gestão. São projetos nascidos em am-biente empresarial com sólidas estratégias de branding e, na sua maioria, envolveram parcerias entre marcas ou veículos, alian-ça estado-iniciativa privada (principalmen-te no fator conteúdo) e visão estratégica e geopolítica para o agro.

Nos anos 80, tínhamos a bandeira da Revolução Verde e foram usadas todas as ferramentas de comunicação para mo-bilizar o campo na direção de práticas e atitudes evolutivas de produção, desde o “beabá” agronômico de como plantar cer-to e cuidar bem das plantas até os princí-pios básicos da administração rural.

Hoje, vivemos a pós-modernida-de do agronegócio. E um grande desafio do marketing rural será a educação e co-municação para a sustentabilidade. Muito provavelmente, isso passará por parcerias estratégicas entre marcas, não só devido

à dimensão de investimentos, mas tam-bém em função da consolidação de em-presas que o agronegócio experimentou.

Um aspecto novo tende a ser o en-volvimento maior da representação políti-co-institucional do produtor, pois, no mun-do atual, a participação social é o oxigênio dos projetos de alcance coletivo. A parce-ria da mídia também será essencial e, jun-to com ela, o grande desafio de alistar as mídias sociais nessa guerra pela educa-ção e capacitação para a sustentabilidade.

Aliás, bem que seria bom ver de novo grandes campanhas educativas ho-rizontais no agronegócio. As demandas temáticas (ou oportunidades) estão aí: conceitos e metodologias de gestão e in-ternacionalidade do nosso agro. Além, é claro, da área de tecnologia, que estará mais dinâmica do que nunca.

*Coriolano Xavier é membro do Conselho Científico para

Agricultura Sustentável (CCAS) e Professor do Núcleo de Estudos

do Agronegócio da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing

Como o marketing e a educação podem ajudar na educação do produtor?

Opinião

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REVISTA CANAMIX | JUNHO | 201450

Opinião

*José Otavio Menten

A defesa vegetal é uma das principais áreas na matriz de conhecimentos de estudantes do agro, em espe-

cial de Engenharia Agronômica e outros cursos de Ciências Agrárias ou da mo-dalidade Agronomia. As pragas agrícolas são responsáveis por, pelo menos, 42% de danos na produção vegetal. As orga-nizações internacionais, como a FAO/ONU [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] e OCDE [Or-ganização para a Cooperação e Desenvol-vimento Econômico], têm divulgado que, até 2050, haverá necessidade de aumen-tar a produção de alimentos no mundo em 70% e o Brasil deve ser o principal res-ponsável para atender à demanda, com um aumento de 40% de produção.

Trata-se de um grande desafio, que pode ser alcançado através do aumen-to das áreas cultivadas, intensificação do cultivo e aumento do rendimento – este úl-timo fator deve ser o responsável por 80% do aumento da produção. Isso significa aprimoramento da tecnologia de produ-ção, incluindo o manejo de pragas. Como apenas as pragas estão impedindo que a produção seja, pelo menos, 40% maior, todo avanço em seu controle é importan-te. Assim, é fundamental que os profissio-nais que atuam na produção de alimentos, como engenheiros agrônomos ou outros profissionais, sejam adequadamente for-mados e possam utilizar as medidas de manejo de pragas já disponíveis, assim como estejam aptos a desenvolver e in-corporar, no sistema de produção, novas tecnologias. Para chegarmos neste pata-mar, é essencial que os currículos esco-lares contemplem áreas de atuação e co-nhecimentos que garantam formação e atuação profissional apropriada.

No Brasil, o ensino de defesa ve-getal ou fitossanidade vem fazendo par-te, desde o início do século XX, de cur-sos como os de agricultura ou agronomia, posteriormente denominado, quando em

nível superior pleno, de Engenharia Agro-nômica. E também de outros, como Enge-nharia Florestal.

Estes cursos têm seus conteúdos definidos na legislação, como o Decre-to Federal 23.196/33, que regulamentou a profissão de Engenheiro Agrônomo no país, as Resoluções 218/73 e 1010/2005, do Confea [Conselho Federal de Engenha-ria e Agronomia], e a Resolução 1/2006, do MEC (Diretrizes Curriculares da Enge-nharia Agronômica). Nestas regulamen-tações, são citados campos do saber ou áreas de atuação ou conhecimento e con-teúdos relativos à defesa vegetal: micro-biologia, fitopatologia, entomologia, plan-tas daninhas, manejo integrado de pragas, defesa e vigilância sanitária vegetal, trânsi-to de matérias vegetais, defensivos, fisca-lização da indústria de defensivos, inspe-ção sanitária, biossegurança, tecnologia de aplicação, receita agronômica, trans-porte de defensivos, etc.

Há, entretanto, necessidade de apri-moramento. Existem alguns temas que não têm tido o devido destaque e que pre-cisam ser, urgentemente, incluídos, ga-rantindo a formação generalista e sólida para os profissionais do agro. Na área de métodos químicos de manejo de pragas, é fundamental que sejam ensinados, nas escolas de ciências agrárias, desenvolvi-mento, toxicologia, ecotoxicologia e regis-tro de defensivos agrícolas, formulações, aditivos e adjuvantes em defensivos e uso correto e seguro de defensivos.

Também é essencial a inclusão da ARP (Análise de Risco de Pragas) e legis-lação referente a trânsito de vegetais e de-fesa vegetal, em especial os programas oficiais de fiscalização, erradicação e tra-tamento fitossanitário. Há necessidade de mais destaque a segurança alimentar rela-cionada aos danos causados pelas pragas e ao manejo genético, incluindo transgê-nicos e métodos moleculares de seleção assistida e controle biológico. Mais aten-ção deve ser dada à tecnologia de aplica-ção de defensivos, incluindo a aérea e a

habilitação de manipuladores. Também é fundamental contemplar pragas não agrí-colas e urbanas e seu manejo, incluindo os domissanitários.

Com os aprimoramentos propostos e outros que sejam trazidos, numa ampla discussão sobre a modernização e me-lhoria do ensino de ciências agrárias, será possível formar profissionais cada vez mais capacitados para dar continuidade à grande revolução do agro brasileiro, inicia-da na década de 1970. O Brasil só vai con-seguir atender às expectativas do mundo – de se tornar o principal responsável pela produção de alimentos saudáveis, energia limpa e renovável e fibras, com sustenta-bilidade – se investir na formação de re-cursos humanos. As instituições de ensi-no têm a grande responsabilidade de estar atentas às necessidades de adequação de seus projetos políticos pedagógicos, para formar profissionais necessários às de-mandas atuais e futuras.

*José Otavio Menten é presidente do Conselho Científico para

Agricultura Sustentável (CCAS), vice-presidente da Associação Brasileira

de Educação Agrícola Superior (ABEAS), agrônomo, mestre e doutor

em Agronomia, pós-doutorados em Manejo de Pragas e Biotecnologia, professor associado da USP/ESALQ

Aprimoramento do ensino de defesa vegetal

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