25 cartilha - alienação parental

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  • 1. Desembargador ORLANDO DE ALMEIDA PERRI Presidente do TJMT Desembargador MRCIO VIDAL Vice-Presidente do TJMT Desembargador SEBASTIO DE MORAES FILHO Corregedor-Geral da Justia ANGELA REGINA GAMA DA SILVEIRA GUTIERRES GIMENEZ Juza Titular da Primeira Vara das Famlias e Sucesses de Cuiab Presidente do IBDFAM-MT Projeto Grfico - Departamento Grfico TJMT 1

2. O presente trabalho integra s aes do Projeto Revisitando o Direito das Famlias e Sucesses, desenvolvido pela 1 Vara Especializada de Cuiab-MT, sob coordenao de sua juza titular, Angela Regina Gama da Silveira Gutierres Gimenez que, tambm, ocupa o cargo de presidente do IBDFAM-MT. A inteno do projeto abrir uma profunda discusso, com a sociedade civil em geral e organizaes pblicas, acerca de temas importantes na referida rea. Para a sua efetivao, o projeto prev a realizao de palestras, mini-cursos, material didtico e reunies operativas, com os diversos segmentos sociais e, tambm, com os servidores do Poder Judicirio, alm claro, de uma boa articulao com a imprensa. Essa cartilha a realizao de um sonho que, busca alcanar o maior nmero de pessoas e famlias que, h muito vm sofrendo, com as graves conseqncias, decorrentes do afastamento de crianas e jovens de parte de seus parentes e combater essa prtica, tantas vezes, invisvel aos nossos olhos. Ao estudar a alienao parental, para a produo desta cartilha, deparamo-nos com a constatao de que, esta ocorre, com freqncia maior do que se imaginava, tambm, com os nossos idosos e que, a legislao vigente no tem alcanado essa camada da populao. Assim, o Projeto Revisitando o Direito das Famlias e Sucesses tem como proposta, apresentar e difundir uma aplicao analgica da Lei n 12.318/2010 ( Lei de Combate Alienao Parental) para a populao idosa, igualmente, em situao de vulnerabilidade. Apresentao 3 Primeira Vara das Famlias e Sucesses de Cuiab Instituto Brasileiro de Direito das Famlias 3. Antes, porm, importante lembrar que, com a Constituio de 1988, onde o princpio da dignidade da pessoa humana ganhou elevadas propores, fez-se necessrio o reconhecimento, da multiplicidade dos contornos familiares, abandonando-se o esteritipo da famlia "matrimonializada". inegvel que, a multiplicidade e variedade de fatores no permitem xar um modelo nico de famlia, sendo obrigatrio compreend-la, de acordo com os novos arranjos de convivncia, adotados pela sociedade brasileira. Hoje vemos crianas que vivem, concomitantemente, com as famlias que seus pais construram, aps a separao, e que podem alcanar um grande nmero (no h limitao para o nmero de casamentos ou de unies estveis); avs que criam seus netos sem a presena dos pais; lhos de unies homoafetivas, dentre outras formas. Nos dizeres de Cristiano Chaves: Os novos valores que inspiram a sociedade contempornea sobrepujam e rompem, de nitivamente com a concepo tradicional de famlia. A arquitetura da sociedade moderna impe um modelo familiar descentralizado, democrtico, igualitrio e desmatrimonializado. Assim, o objetivo da famlia a solidariedade social. Quer queiramos ou no, temos que aprender a viver de uma nova forma, garantindo espaos para que, nossas crianas e jovens possam desfrutar da convivncia, com os dois genitores e com suas famlias (paternas e maternas), mesmo aps o divrcio, recebendo o amor e a ateno de todos. Para isso h um requisito, o respeito mtuo. Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald, in Direito das Famlias, 2 edio, Editora Lumen Juris 4 4. Nesse sentido, o combate alienao parental ganhou fora. O fenmeno de se utilizar as crianas e os adolescentes como "moeda de barganha" muito antigo. Porm, seu primeiro reconhecimento cient co se deu, atravs, do psiquiatra americano Richard Gardneer, na dcada de 1980. Temos certeza que, no h ningum que no tenha visto, em sua famlia ou entre amigos, a utilizao dos lhos, como mecanismo de vingana, daquele que deteve a guarda unilateral dos infantes, em desfavor do outro genitor que, no mora com eles. No Brasil a lei de combate alienao parental foi editada, em 26 de agosto de 2010, sob o n 12.318. 5 5. Alienador e Alienado A Alienao Parental uma forma de abuso psicolgico que, se caracteriza por um conjunto de prticas efetivadas por um genitor (na maior parte dos casos), denominado alienador, capazes de transformar a conscincia de seus lhos, com a inteno de impedir, di cultar ou destruir seus vnculos com o outro genitor, denominado alienado, sem que existam motivos reais que justi quem essa condio. Porm, no so apenas os genitores que podem alienar, mas qualquer parente ou outro adulto que tenha autoridade e responsabilidade pela criana ou adolescente. Considera-se ato de Alienao Parental a interferncia na formao psicolgica da criana ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avs ou pelos que tenham a criana ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilncia para que repudie genitor ou que cause prejuzo ao estabelecimento ou manuteno de vnculos com este. o que alienao parental? 6 6. So formas exempli cativas de alienao parental, alm dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por percia, praticados diretamente ou com auxlio de terceiros: I - realizar campanha de desquali cao da conduta do genitor no exerccio da paternidade ou maternidade. Isso ocorre, por exemplo, quando, continuamente, um dos pais implanta, no lho, ideias de abandono e desamor, atribudas ao outro genitor, fazendo-o acreditar que, o alienado no uma boa pessoa e no possui valores altura de ser pai ou me. ..Seu pai no se interessa por voc, agora ele tem outra famlia.. Seu av tem dinheiro e no ajuda nas suas despesas, ento voc no deveria mais visit-lo.... II - di cultar o exerccio da autoridade parental. Quando os pais no vivem juntos e no houver acordo sobre quem deva exercer a guarda do lho, a Lei n 11698/2008 que, alterou o art. 1584 do Cdigo Civil imps que, o juiz determine a guarda compartilhada entre eles. No entanto, mesmo que a guarda que restrita a apenas um dos pais, o outro permanece com o direito e a responsabilidade de educar, cuidar e externar o seu amor ao lho, no podendo aquele que, o detentor da guarda desautoriz-lo. Formas de alienao 7 7. III - di cultar contato de criana ou adolescente com genitor Quando os lhos vivem em companhia de um nico genitor resta a ele a obrigao de favorecer o contato destes com o outro genitor que, com eles no more. Os lhos tm direito convivncia com ambos os pais, por isso mesmo que, encontros marcados, com datas e horrios estipulados, devem se dar somente em casos excepcionais, pois o ideal que sejam livres. As crianas e os adolescentes devem permanecer o maior tempo possvel com seus pais, independentemente, de morarem ou no com eles. Dizemos que o direito da populao infanto-juvenil o de conviver que, signi ca, viver-com, ambos os pais. Os contatos por telefone, internet, bilhetes, cartas, etc, tambm no podem ser obstrudos. Quando a convivncia dos lhos com seus pais no se d de forma livre, o juiz pode regulamentar os encontros entre eles. comum, o genitor com quem as crianas moram, apresentar uma srie de di culdades, para impedir que o outro genitor encontre seus lhos. comum, tambm, para di cultar a interao entre eles, car ligando incessantemente, durante todo o perodo de visitao. IV - di cultar o exerccio do direito regulamentado de convivncia familiar. 8 8. Hoje ele no pode ir, pois vamos fazer um passeio.... Ela no vai, porque no pode faltar aula de catecismo.... Parece que ela est febril, ento melhor que que.... Meu lho no visita o pai porque no gosta de car na casa dele.... Quanto mais se convive, maior ser o vnculo entre pais e lhos. V - omitir deliberadamente a genitor informaes pessoais relevantes sobre a criana ou adolescente, inclusive escolares, mdicas e alteraes de endereo. Todas as informaes importantes que, envolvam as crianas e os jovens, devem ser prestadas aos pais e parentes que no morem com eles, de forma completa e em tempo hbil, tais como, eventuais problemas de sade, festividades escolares, dilemas apresentados pelos lhos, mudana de endereo, etc. No participar da vida cotidiana dos lhos provoca a fragilidade do vnculo paterno ou materno- lial, gerando o sentimento de abandono na criana, que pode levar a uma repulsa do lho ao genitor afastado. VI - apresentar falsa denncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avs, para obstar ou di cultar a convivncia deles com a criana ou adolescente. Atribuir fatos inverdicos contra aquele que no mora com a criana ou contra seus parentes, assim como o uso indevido da Lei Maria da Penha, retrata uma das formas mais graves de vingana contra o genitor que, no convive com os lhos. Sabe-se que, se chega a atribuir ao genitor alienado, falsas denncias de maus tratos e, at de abuso sexual. 9 9. VII - mudar o domiclio para local distante, sem justi cativa, visando a di cultar a convivncia da criana ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avs. O afastamento fsico, atravs da mudana de cidade, Estado ou at pas, outra forma, bastante utilizada, para impedir a convivncia entre os lhos e o genitor e seus parentes, com quem no moram. Isso no quer dizer que, em alguns casos, o guardio no possa transferir o seu domiclio, para um lugar distante do outro genitor. Porm, nesses casos deve haver uma justi cativa importante e o novo endereo deve ser prontamente comunicado ao genitor. Alm disso, os espaos livres, tais como frias, feriados, festividades de nal de ano, devem ser compartilhados e se possvel priorizados, em favor daquele genitor que passa a maior parte do ano, sem a presena diria do lho. 4 10 10. A lei n 12.318/2010 dispe que, a prtica de ato de alienao parental fere direito fundamental da criana ou do adolescente de convivncia familiar saudvel, prejudica a realizao de afeto nas relaes com o genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criana ou o adolescente e implica em descumprimento dos deveres ineren