Contribui§£o para o conhecimento de duas esp©cies de cupim ... Todas as aberturas estavam voltadas

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Contribuio para o conhecimento de duas espcies de cupim do Vale do Paraba (Estado de So Paulo)1

F R A N C I S C O A. M. M A R I C O N 1 2 , Z I L K A R C. M A R A N H O 3 e A I L T O N R. M O N T E I R O 2

1 T r a b a l h o r e a l i z a d o c o m aux l io d a F u n d a o d e A m p a r o P e s -qu i sa d o E s t a d o d e S o P a u l o , a p r e s e n t a d o n o I I E n c o n t r o d e T c n i c o s e m Agr i cu l t u r a , r e a l i z ado e m C a m p i n a s e m a g s t o d e 1965, r e c e b i d o p a r a p u b l i c a o e m 31-12-1965; 2 C a d e i r a d e Z o o l o g i a d a E . S . A . "Lu iz d e Q u e i r o z " ; 3 C a d e i r a de E n t o m o l o g i a d a E . S . A . "Lu iz d e Q u e i r o z " . '

RESUMO

Duas espcies de cupim do Vale do Paraba, Estado de So Paulo, so estudadas. A primeira, Cornitermes bequaerti Emerson, 1952, pouco conhecida, embora sua rea de dis-perso abranja trs estados; a segunda espcie, Syntermes silvestrii Holmgren, 1911, menos conhecida ainda, ocorrendo aparentemente apenas em So Paulo. As duas espcies cons-troem ninhos que afloram superfcie do solo; os termiteiros de C. bequaerti so encontrados em pastagens e eucaliptais e os de S. silvestrii, em pastagens.

1 INTRODUO

Em 1965, ao realizarmos viagens extremidade oriental do Estado de So Paulo, com o objetivo de estudar as "sauvas" (Atta spp.) dessa regio, tivemos nossa ateno despertada tambm para um tipo de termiteiro, de forma e estrutura muito interessantes e caractersticas.

O cupim desse ninho, desconhecido em Piracicaba e re-gies vizinhas essa cidade, foi facilmente identificado como Cornitermes bequaerti Emerson, 1952 (Isoptera, Termitidae). Por ser praticamente desconhecido, resolvemos estud-lo.

Mais tarde, ainda em 1965, ao ser encontrado outro tipo de termiteiro, foi essa segunda espcie includa nos estudos. Enviado material ao Dr. Henrique Kanter, do Departamento de Zoologia de So Paulo, foi o cupim identificado como Syntermes sp. Coube ao especialista em cupins, Dr. Rena-to L. Arajo, biologista aposentado do Instituto Biolgico de So Paulo e, atualmente, Superintendente do Jardim Zoolgico do Rio de Janeiro, completar a identificao Syntermes silvestrii Holmgren, 1911 {Isoptera, Termitidae).

2 REVISO DA LITERATURA

A bibliografia muito pobre, especialmente a de S. sil-vestrii. Vejamo-la, por espcie.

C. bequaerti: EMERSON (1952), em reviso dos gneros Procornitermes e Cornitermes, descreve, dentre outros, Cor-nitermes bequaerti, nova espcie para a Cincia. Como rea de disperso cita Tatu, Guarani e Taubat (So Paulo), Fi-ladlfia (hoje Tefilo Otoni, Minas Gerais) e Piraputanga (Mato Grosso). ARAJO (1958) acrescenta Jacare e So Jos

dos Campos ao "habitat" paulista e, em outro trabalho (1958a), os municpios de Campanha, Monsenhor Paulo, La-

goa Santa e Belo Horizonte, todos em Minas Gerais. GON-ALVES & SILVA (1962) acrescentam Cuiab (Mato Grosso). CUNHA (1961), em trabalho de divulgao popular, apresen-ta fotos de ninhos semelhantes aos de C. bequaerti e por

le vistos em Cambuquira e Uberlndia (Minas Gerais), Ara-ruazna (Estado do Rio de Janeiro) e Niquelndia (Gois); todavia, no se pode afirmar que C. bequaerti esteja presen-te nessas localidades, pois o autor no cita qual a espcie de cupim.

S. silvestrU: HOLMGREN (1911) descreve este cupim, como nova espcie para a Cincia. EMERSON (1945), em reviso do gnero Syntermes, redescreve-o. Como rea de dis-perso conhecida cita Cuiab (Mato Grosso), So Bernardino (Paraguai) e S. Sofia (Argentina). ARAJO (1958) acres-centa o Estado de So Paulo ao "habitat" ao citar Tatu na distribuio.

3 DISTRIBUIO GEOGRFICA

De acordo com o captulo anterior (Reviso da Literatu-ra), o C. bequaerti j foi citado em trs estados brasileiros e, em So Paulo, sua rea de disperso conhecida abrange Ta-tu, Guarani, Taubat, Jacare e So Jos dos Campos. Nos-sas coletas abrangeram sete municpios do Vale do Paraba: Aparecida, Caapava, Pindamonhangaba, Roseira, Jacare, So Jos dos Campos e Taubat, sendo que os quatro primei-ros no haviam, portanto, ainda sido includos na distribui-o geogrfica. Vejamos alguns dados a respeito.

Caapava: coleta em 16.III. 1965. Grande ninho situado em pastagem muito pobre; idem, 23. iV. 1965, na mesma pas-cagem; idem, 30.VII. 1965, ainda no mesmo local. So Jos dos Campos: 23.IV. 1965. Enorme ninho localizado entre pas-tagem pobre e terreno de cultura; idem, 26.IV. 1965 e 30.VII. 1965, em pastagem muito pobre. Taubat: 23.IV.1965. Enorme termiteiro situado em pastagem pauprrima (ninho com endocia no localizada na regio central, e sim de um dos lados). Roseira: 25. IV. 1965. Termiteiro situado em pas-tagem pobre. Aparecida: 25.IV. 1965. Ninho localizado em pastagem boa, aparentemente sujeita inundao. Pindamo-nhangaba: 25.IV. 1965. Ninho relativamente pequeno, loca-lizado em eucaliptal. Jacare: 30.VII. 1965. Termiteiro si-tuado em pastagem pobre.

No encontramos o cupim nos seguintes municpios: Aru-j, Biritiba Mirim, Brs Cubas, Campos do Jordo, Caragua-tatuba, Cunha, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guara-tinguet, Guaruj, Igarat, Ilhabela, Itaquaquecetuba, Jam-beiro, Joanpolis, Lagoinha, Lorena, Mogi das Cruzes, Mon-teiro Lobato, Nazar Paulista, Paraibuna, Piquete, Piracaia, Po, Redeno da Serra, Salespolis, Santa Branca, Santa Isabel, Santo Antnio do Pinhal, Santos, So Bento do Sapu-ca, So Lus do Paraitinga, So Sebastio e Susano. Alguns desses municpios foram percorridos muito rapidamente, mas outros sofreram melhor exame.

Apesar do C. bequaerti estar presente em Jacare, con-seguimos encontr-lo somente nas proximidades da divisa desse municpio com a de So Jos dos Campos; neste, o in-seto no ocorre provavelmente no norte e desaparece antes da divisa com Jambeiro; idntica situao foi verificada nos municpios de Caapava, Taubat e no norte de Pindamo-nhangaba (Fig. 1 ) .

Com relao ao Syntermes slvestrii j foi dito que ocor-re em Tatu (ver Reviso da Literatura). Nossas amostras provm de So Jos dos Campos e todas foram coletadas de ninhos situados em pastagens de terras pobres.

4 TERMITEIROS

A) Cornitermes bequaerti Emerson, 1952

Caracterizam-se pelas "chamins", isto , protuberncias ocas que aparecem na superfcie do conjunto (Fig. 2, 3, 4 ) . s vezes, embora ocas, no se abrem no exterior, mas a regra geral de se abrirem para um dos pontos cardeais, por meio de abertura grande, oval ou elptica, cujos dimetros podem atingir 8 cm (eixo maior) e 7 cm (eixo menor). Os termiteiros podem ou no apresentar uma chamin sem abertura, ou mais raramente, duas; por exceo, em um cupinzeiro de So Jos dos Campos, de 20 chamins, 7 no eram perfuradas. O nmero de chamins, por termiteiro, varia de 4 a 20, mas como regra, varia de 5 a 10.

Embora a chamin possa ser perfeitamente perpendicular superfcie do solo, a sua base quase nunca paralela ao solo, pois do lado externo, a protuberncia acompanha a

curvatura e descida do corpo do ninho (Fig. 4 ) . Portanto, h duas alturas a serem consideradas nesses prolongamentos. O dimetro da base tambm varia um pouco, conforme se poder verificar nos exemplos citados mais para a frente. O corpo do ninho pode ou no apresentar margem, isto , faixa estreita, paralela e mais ou menos ao nvel do solo e que circunda a totalidade da elevao. Como regra, essa margem varia de largura num mesmo termiteiro; para con-tornar essa variao, ns a medimos em quatro pontos dife-rentes, separados entre si de 90 graus. A base de todo o ninho foi tambm tomada em duas direes, separadas de 180 graus, e a altura de todo o conjunto, da mesma maneira.

A regio celulsica muito semelhante do cupim co-mum Cornitermes cumulans (Kollar); ocupa ela, como regra, posio central ou relativamente central (Fig. 4 ) . Entretan-to, era Taubat, examinamos um termiteiro com endocia no central; a crosta que envolvia o ncleo, no lado mais fino, media 15 a 20 cm de espessura, e do outro lado, 65 cm. O termiteiro media 1,75 m por 1,30 m de base; das suas 6 chamins, 5 estavam numa das metades laterais, justamente do lado onde ficava a endocia.

Com certa freqncia, h aberturas no termiteiro, no colocadas em chamins; neste caso, as aberturas ocupam po-sio mais ou menos perifrica em relao ao corpo do ter-miteiro. Por outro lado, as chamins ocupam qualquer posi-o, mas esto sempre no corpo do ninho.

Todas as aberturas, quer estejam em chamins ou no, continuam para dentro, como canais; estes se renem, envol-vendo todo o ncleo central (endocia) ( F i g . 4, 5 ) . A reunio de dois ou mais canais pode ter lugar antes de atingirem a endocia.

No quadro I apresentamos as dimenses em cm de trs termiteiros de Caapava.

O termiteiro n. 1 possuia 8 aberturas, sendo que 5 no lo-calizadas em chamins (em 4 havia pequenos prolongamen-tos superiores, como se fossem uma proteo parcial ou fu-turas chamins); das trs chamins, uma possuia abertura dirigida para cima e era a mais alta do conjunto. O ninho n. 2 possuia 7 aberturas, sendo que apenas 1 no estava localizada em chamin; fato interessante foi o de dois prolongamentos se emendarem. As aberturas esta-cam voltadas para todos os pontos cardeais, mas nenhuma para cima. O termiteiro n. 3 tinha 6 aberturas, sendo que 1 em chamin em incio de formao, em cima do ninho. Todas as aberturas estavam voltadas para os pontos cardeal??. A crosta media 25 cm de espessura num dos lados, 30 cm de outro e 28 cm na regio superior. A endoci me dia 63 cm de altura, dos quais 32 cm acima do nvel do solo.

Nos quadros II, III e IV apresentamos as dimenses em cm das chamins dos ninhos acima.

O menor ninho foi visto em Pindamonhangaba; base de 0,8 por 0,75 m e altura de 0,35 m do alto da chamin mais proeminente ao nvel do solo.

B) Syntermes silvestrii Holmgren, 1911

O termiteiro pode ocupar enorme