Controle Motor

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Controle Motor - Conceitos Básicos

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Controle MotorO controle motor pode ser voluntrio ou involuntrio. Porm, h uma classificao intermediria entre esses movimentos: o controle automtico. As diferenas esto fundamentalmente na regio hierrquica superior de controle.Movimento VoluntrioOmovimento voluntrioexecuta um comando de forma consciente e controlvel. Para isso, o movimento precisa ser organizado inicialmente ao nvel de crtex sensrio-motor. O crtex motor, mais especificamente, organiza o comando do movimento e envia este comando para um nvel central inferior, numa sequncia bem definida: crtex pr-motor, controle motor, gnglios da base, tronco enceflico, medula, msculo e cerebelo. O cerebelo faz um ajuste fino e informa ao crtex pr-motor para corrigir o movimento. o potencial de ao chega ao msculo via motoneurnio, iniciando a contrao. O evento da contrao muscular antecede o movimento, ou seja, antes do movimento propriamente dito comear, j h ativao muscular, realizado pelo encurtamento dos sarcmeros. H uma necessidade de gerao de tenso suficiente para movimentar carga ou vencer resistncia.

Aqueles gestos que j esto aprendidos e so amplamente treinados, executados e repetidos como caminhar, escrever, falar, no tem mais a necessidade de pensamento preciso e estudado, pois eles j so realizados de forma automtica. Para movimentos novos e para gestos que no so habitualmente repetidos, a organizao motora totalmente voluntria, necessariamente.Movimento InvoluntrioOmovimento involuntrio, diferente dos outros, no necessita de controle cortical, pois ocorre ao nvel medular. So movimentos reflexos, divididos em trs tipos: reflexo miottico, reflexo miottico inverso e reflexo de retirada.Oreflexo miotticobaseia-se nas informaes fornecidas pelo rgo sensorial denominado fuso muscular. O fuso formado por clulas musculares bastante diferenciadas que no possuem sarcmeros na regio central, apenas as extremidades so contrteis. As extremidades do fuso muscular so inervadas pelo motoneurnio gama, enquanto as fibras musculares extrafusais ou regulares so inervadas pelo motoneurnio alfa. A fibra fusomotora serve para modular o comprimento da fibra intrafusal, mantendo-a como um sensor ativo em qualquer estado de comprimento muscular. Quando h encurtamento muscular mesmo na ausncia de contrao ativa, ou seja, devido ao encurtamento passivo por aproximao de origem e insero musculares, h ativao motora gama por via reflexa, a fim de evitar a deformao das fibras intrafusais, que esto em paralelo s fibras extrafusais, mantendo sua funo sensorial. O reflexo miottico o nico reflexo monossinptico humano, ou seja, a conexo entre as razes sensitiva e motora se faz diretamente no interior do H medular, sem mediao por interneurnios. O reflexo miottico exigido em situaes de recepo (amortecimento) de projteis, por exemplo, quando a fora de impacto causada pelo contato do objeto gera o estiramento muscular, que ativa a circuitria nervosa, causando a contrao do tecido muscular estirado.

Oreflexo miottico inversobaseia-se na ativao do rgo Tendinoso de Golgi, que um sensor responsivo contrao muscular. O OTG uma estrutura de terminao nervosa livre, encapsulada, localizada na juno msculo-tendinosa e que est em srie em relao ao tecido muscular. De acordo com sua disposio anatmica, o OTG no capaz de informar a respeito da variao de comprimento muscular, no caso, se o msculo encurta, ele sofre trao; se o msculo alonga, ele tambm sofre trao. Os OTGs so designados como sensores de fora, ou seja, estruturas responsveis por informar ao SNC a magnitude do estado contrtil do msculo em cujo tendo est inserido. O estmulo que causa a ativao do OTG a tenso transmitida ao osso pelo encurtamento dos sarcmeros; ele insensvel a variaes no comprimento muscular. Exemplos para esse tipo de reflexo pode ser o da queda de brao. Nesse caso, quando certo grau de tenso muscular atingido, os msculos agonistas relaxam e os antagonistas contraem, provocando a queda do brao do indivduo derrotado.

O estmulo para oreflexo de retirada nocioceptivo (agresso), que desencadeia potenciais de ao nas terminaes livres (terminais nervosos de fibras do tipo C, amielnicas). O impulso segue em direo medula, penetrando no H medular atravs da regio dorsal; dentro da medula espinhal, ocorre uma sinapse com interneurnio excitatrio, que estimula o motoneurnio do msculo flexor (causando contrao do segmento agredido), e uma sinapse com interneurnio inibitrio, que se conecta ao motoneurnio do msculo extensor (impedindo a contrao ou causando relaxamento). Simultaneamente, o potencial de ao cruza a linha mdia medular atravs de uma fibra que parte da raiz sensorial e realiza o processo inverso do outro lado, gerando contrao dos extensores e relaxamento dos flexores.

Movimento Automtico medida que o treinamento motor transcorre, forma-se um padro de movimento. Num dado momento do desenvolvimento, cuja determinao precisa bastante difcil, o exerccio funcional continuado faz com que a via seja simplificada, e o centro de comando de controle motor migra do crtex sensrio-motor para o tronco cerebral. O crtex sensrio-motor continua sendo fundamental para dar incio ao movimento que, afinal, voluntrio; assim que ele iniciado, no entanto, a regncia do movimento passa para a responsabilidade do tronco cerebral, de forma que se realizam aes como dirigir, mastigar, escrever, falar, entre outras, sem a necessidade consciente de manuteno do gesto. Em outras palavras, o movimento passa a ser automatizado, que um estgio intermedirio entre os movimentos voluntrios e involuntrios. Da mesma forma que o gesto motor estruturado e automatizado, as caractersticas individuais, bem como erros eventuais, tambm o so, e o padro motor memorizado definido ao nvel neuromuscular a ponto de ser extremamente difcil a sua alterao ou correo. Este padro motor definido, ou seja, toda a sequncia de ativao neuromuscular tantas vezes repetida a ponto de se tornar prxima ao definitivo, chamada engrama.Muito embora seja bastante difcil modificar padres motores estabelecidos, ainda h a possibilidade de correes em graus variados. Com isto, atividades como a marcha, a escrita e a fala, entre outras, so de fato peculiares a cada indivduo. Situaes patolgicas como o AVC podem fazer com que o indivduo perca o padro motor adquirido, em funo da leso de determinada regio do crtex motor. Os tecidos perifricos nessa situao em relao rea atingida podem assumir o controle dos movimentos anteriormente organizados pela rea agora necrosada, possibilitando ao indivduo afetado o reaprendizado dos gestos inicialmente estruturados. Diante deste quadro, onde o indivduo reaprende a execuo de gestos motores, h a substituio do padro anteriormente armazenado.Caso pretenda-se modificar um engrama em condies fisiolgicas, o tempo gasto nesta alterao tende a ser infinitamente maior do que o tempo empregado na aprendizagem, quando o engrama foi assumido. Assim, do ponto-de-vista prtico, o perodo investido em fundamentao tcnica imprescindvel para a estruturao do padro correto. Se as correes forem adiadas por muito tempo, o engrama pode vir a formar-se, englobando o erro no corrigido a tempo. O trabalho de correo posterior, por sua vez, muito mais difcil e penoso do que a correo imediata, em tempo hbil. Na dinmica da formao do engrama, indivduos com maior experincia motora ou repertrio, apresentam uma capacidade de improvisao infinitamente superior a indivduos restritos s aes cotidianas. Este fato decorre da capacidade de transferncia da vivncia motora entre vrias situaes. Por exemplo: um atleta do handebol pode ter, em princpio, muito mais facilidade em adaptar-se aos gestos do vlei. Existem inmeras situaes que requerem engramas acessrios; tais aes no so aprendidas atravs de exerccios pura e simplesmente tcnicos, necessitando de estmulos de outra natureza, normalmente associados bagagem de movimentos que o indivduo traz desde o incio da sua formao.