Deprimidos e Entre obemeomal maltra ?ncia... · (Sars), forma atípica de pneumonia identificada em

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  • CINCIA

    L A B O -R .LX T R [ O ~ ': M U N D O- .. - ~.._-~~--~...:::~~

    Entre o bem e o malUm papel especial pode es-tar reservado aos gatos nosestudos sobre a sndromerespiratria aguda severa(Sars), forma atpica depneumonia identificada emfevereiro que matou 800pessoas em mais de 30 pa-ses. Para alguns pesquisa-dores, os felinos represen-tariam o melhor modeloanimal para estudo da do-ena - os atuais testes, commacacos, so caros, e aindano se conseguiu infectarcamundongos com o vrusda Sars. Para outros, os ga-tos seriam os transmissoresda doena ao homem (Na-ture, 5 de junho). A suspei-ta se baseia na descobertade que felinos de um con-domnio de Hong-Kong,onde 100 moradores con-traram a pneumonia, eramportadores do tal vrus se-melhante ao da Sars.

    Gatos: aliados ou inimigosna luta contra a Sars?

    A rdua batalhapara contar genes

    "Desconfio de que no co-nheamos o nmero certo degenes em nenhum organismo,e menos ainda no homem",desabafou Phil Green, espe-cialista em bioinformtica daUniversidade de Washington,Estados Unidos, durante umencontro realizado em maiono Laboratrio de Cold SpringHarbor, Estado de Nova York(Nature, 5 de junho). "Acho

    que nunca teremos um nme-ro final", disse [ean Weissen-bach, diretor do centro francsde seqenciamento Genosco-pe, outro participante da reu-nio. Entre as causas que difi-cultam o estabelecimento deuma contagem definitiva, ospesquisadores destacaram aainda baixa confiabilidade dosprogramas de computadorencarregados de identificar econtar os genes de um geno-ma. Em alguns casos, os soft-wares erram para menos: no

    conseguem prever a existn-cia de genes muito peque-nos, que se encontram es-condidos no meio de genesmaiores. "Nenhum programade computador jamais conse-guir pegar esses genes", afir-mou Gerald Rubin, da Uni-versidade da Califrnia emBerkeley. Em outros, errampara mais: contabilizam duasou mais vezes a presena deum gene no genoma, confun-dindo as cpias de um genecom o seu original.

    24 . AGOSTO DE 2003 PESQUISA FAPESP 90

    Deprimidos emal tratados

    Dois dados preocupantes vie-ram tona ao fim de um es-tudo com 9 mil norte-ameri-canos com mais de 18 anos,publicado na edio de 17 dejunho do The [ournal of theAmerican Medical Association(Iama). Pouco mais da meta-de das pessoas com depresso- 52% dos doentes - procuraum profissional de sade embusca de auxlio para seu pro-blema. Se esse resultado noparece muito animador, o quedizer de outra constatao dotrabalho? Menos da metadedos pacientes que recorreramaos servios de um psiquiatrasegue o tratamento da formacomo foi prescrita pelo m-dico. Segundo o estudo, so-mente 47% dos doentes quese consultaram com um espe-cialista seguem as recomenda-es clnicas: quatro visitas aomdico durante o prazo de umms ou oito sesses de psico-terapia de pelo menos 30 mi-nutos antes de iniciar o uso deantidepressivos ou estabili-zadores de humor.

    A polmica faxinano Davi

    Venceu a modernidade. Sempassar por uma faxina pesadadesde 1843, a esttua de Davi,uma das obras-primas de Mi-chelangelo, comear a serlimpa em setembro com umpreparado base de gua des-tiladada - e no por um anti-go mtodo de restaurao aseco, como defendiam algunsrestauradores. A deciso to-mada pelas autoridades ita-lianas pe fim, salvo algumareviravolta de ltima hora, a

  • o gigante deM ichelangelo:opo pelouso de guadestiladana limpezada esttua

    um acalorado debate que jse arrastava por onze anos.No havia consenso a respei-to da melhor maneira de apa-gar os efeitos da passagem dotempo sobre o gigante nu,de 4 metros e meio de alturae quase 500 anos de vida, es-culpido em mrmore Carra-ra. A opo pelo mtodo maistecnolgico era defendida porFranca Falletti, diretora daGalleria dell'Accademia, em

    Florena, museu que abriga aesttua. A deciso desagra-dou a alguns restauradores,entre os quais a italiana Ag-nese Parronchi, que havia si-do escalada pelo museu pararealizar a faxina em Davi eera defensora de uma velhatcnica de limpeza a seco,com o auxlio de escovas ma-cias e pedaos de um tipo decouro muito macio (cha-mais). Agnese, que em abril

    renunciou ao seu posto nomuseu, acredita que a adoodo mtodo molhado podedanificar o Davi, que faz 500anos em 2004.

    O Sol vistobem de perto

    Em 14 de junho de 2002, emsua misso cientfica de estria,as lentes do telescpio Vault,do Laboratrio de PesquisaNaval dos Estados Unidos,produziram um feito e tanto.Conseguiram captar as ima-gens mais prximas do Sol j

    A estrela em ao:atividade intensana camada mais

    baixa da atmosfera

    obtidas por qualquer artefatode observao. S divulgadasem julho deste ano, as 21 fo-tos feitas pelo Vault - quecapta a luz ultravioleta emi-tida num comprimento deonda chamado Lyman-alpha- apresentam uma resoluocerca de trs vezes superioress melhores imagens obtidasdo Sol a partir do espao. Aslentes do Vault, lanado aoespao a bordo de um fogueteda Nasa, podem tlagrar por-es do Sol que se estendempor reas to pequenas quan-to 240 quilmetros. As fotosmostraram um inesperadonvel de atividade na camadamais baixa da atmosfera solar,a cromosfera, entre a superf-

    cie visvel do Sol (troposfera)e a carona, a camada mais ex-terna. As imagens devem aju-dar a entender como funcionao Sol, que no um corpo s-lido, mas sim uma bola degs, basicamente hidrognioe hlio. Com cerca de 10 milquilmetros de espessura, acromosfera uma regio de

    transio em termos de tem-peratura. Nela, o calor passade 6.000 C para 20.000 C.Na carona, as temperaturasso ainda maiores, atingindoat 1 milho de graus Celsius.Entender a atividade do Sol importante para a huma-nidade. Exploses solares po-dem afetar o funcionamentode satlites e danificar os siste-mas de navegao, comuni-cao e energia.

    PESQUISA FAPESP 90 AGOSTO DE 2003 25

  • Poderia ser mais fcil tra-tar quem chega ao pron-to-socorro picado por co-bra, escorpio ou aranha.Testes criados pela equipedo bilogo Carlos ChvezOlrtegui, da Universida-de Federal de Minas Ge-rais (UFMG), permitemidentificar de modo preci-so a espcie do animal e aquantidade de veneno in-jetada, informaes im-portantes para a adminis-trao do soro correto e nadose mais adequada. Maisrpidos que os mtodosde diagnstico atuais -fundamentados no reco-nhecimento de sinais cl-nicos (como suor intenso,nuseas e vmitos), quepodem levar horas paraaparecer -, os testes pode-riam ser realizados em

    Testes diferenciam venenos

    cerca de uma hora comapenas alguns mililitrosde sangue. Feitos com rea-gentes nacionais e peque-nas placas importadas com96 furinhos, os testes de-vem sair por menos deR$ 10 cada, estima Ch-vez. Com financiamentoda Fundao de Amparo Pesquisa de Minas Ge-rais (Fapemig), ele iniciouh poucos meses a produ-o em escala piloto de umdos exames, capaz de dis-tinguir entre a picada de

    Sem erro:exame identificao veneno de[araraca (acima),cascavel ou coral

    duas aranhas, a aranha-marrom (Loxosceles sp.) ea aranha-armadeira (Pho-neutria sp.), e a do maisletal escorpio, o amarelo(Tityus serrulatus), cujoveneno pode matar por pa-rada respiratria ou carda-ca. Chvez comeou a de-senvolver os exames h oitoanos, quando ainda estavana Fundao 'Ezequiel Dias,um centro de produo desoros e vacinas em MinasGerais, aps constatar quehavia uma relao direta

    entre a concentrao de ve-neno no sangue e a gravi-dade dos sintomas. Nessetempo, fez tambm outrosdois exames: um deles -capaz de discernir entre apicada da cobra surucucu(Lachesis muta) e a da ja-raraca-de-rabo-branco(Bothrops atrox), que cau-sam reaes semelhantes- poderia ser til espe-cialmente na Amaznia,onde essas duas serpentesrespondem por 98% daspicadas. O outro identificao veneno da picada de trscobras comuns nas regiesSudeste e Centro-Oeste: acascavel (Crotalus spp.), ajararaca (Bothrops spp.) ea coral verdadeira (Micru-rus spp.). Chvez pretendeagora reduzir o tempo dostestes de uma hora para 20minutos.

    Infeces ligadas esquistossomose

    Uma notcia nada anima-dora: os 10 milhes de pes-soas que tm as formas maisgraves da esquistossomose,doena causada pelo vermeSchistosoma mansoni, possi-velmente correm risco maiorde contrair outras infeces,causadas por bactrias (co-mo hansenase e tuberculo-se), protozorios (toxoplas-mose e leishmaniose) ou vrus

    (hepatite), segundo estudo depesquisadores pernarnbu-canos publicado na Infectionand Immunity. Por um mo-tivo ainda desconhecido, osistema imunolgico dessesindivduos deixa de funcio-nar como deveria. FredericoAbath e Silvia Montenegro,da Fundao Oswaldo Cruz(Fiocruz) em Recife, em con-junto com a UniversidadeFederal de Pernambuco e osInstitutos Nacionais de Sade(NIH), dos Estados Unidos,

    26 AGOSTO DE 2003 PESQUISA FAPESP 90

    examinaram o sangue de 32pessoas contaminadas e cons-tataram: quanto maior a gra-vidade da doena, menor aproduo de interferon gama,molcula que ativa as clulasde defesa do organismo. "Osresultados esto de acordocom o que observamos nodia-a-dia", comenta Abath."Agora estamos planejandoestudos epidemiolgicos paraavaliar se a propenso a de-senvolver outras doenasrealmente existe."

    Mudana no climafavorece florestas

    O aumento da temperatura,mudanas nos regimes dechuvas tropicais e a elevaodos ndices de gs carbnicona atmosfera parecem provo-car um crescimento da vege-tao na Amaznia e em ou-tras regies do mundo nasltimas duas dcadas, des-matamentos parte. Emuma nova interpretao dasinformaes climticas e ob-

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    servaes de satlites feitasentre 1982 e 1999, pesquisa-dores norte-americanos ma-pearam o crescimento da ve-getao no planeta e viramque a produtividade dasplantas cresceu em mdia 6%e que a regio amaznica res-ponde por 40% desse cresci-mento global (SciDev, 6 dejunho). Esses saltos de cres-cimento da vegetao costu-mam ser atribudos ao au-mento do dixido de carbonona atmosfera, mas os autoresdo estudo sugerem que umaumento na radiao solar,devido diminuio das nu-vens, a causa principal,