ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2016 Ações Cíveis Eleitorais ?· os Promotores de Justiça com atribuição…

  • Published on
    21-Nov-2018

  • View
    212

  • Download
    0

Transcript

  • ELEIES MUNICIPAIS 2016

    Aes Cveis Eleitorais

  • ELEIES MUNICIPAIS DE 2016

    O presente trabalho tem por objetivo servir como um facilitador para os Promotores de Justia com atribuio eleitoral. A colocao das matrias, na forma de tpicos e de forma direta, tem a inteno de tornar a leitura mais adequada, proporcionando agilidade na obteno da informao. Em sntese, sero abordados os aspectos mais relevantes das principais aes cveis eleitorais. Didaticamente, essas aes podem ser subdivididas em dois grupos: a) aes de arguio de inelegibilidade (AIRC e RCED), oponveis em situao de ausncia de preenchimento dos requisitos atinentes capacidade eleitoral passiva; b) aes de combate aos ilcitos eleitorais, as quais tambm podem ser divididas em: aes genricas, pois trabalham com conceitos jurdicos indeterminados e permitem a punio do candidato como beneficirio (AIJE e AIME); representaes especficas, que exigem adequao tpica ou legalidade estrita e, como regra1 , exigem a demonstrao da responsabilidade pessoal do candidato (representao por captao ilcita de sufrgio; por condutas vedadas; por captao e gastos ilcitos eleitorais).

    1 A exceo a representao por conduta vedada, que admite a punio do candidato como beneficirio (art. 73, 5, da LE).

  • I. Ao de Impugnao ao Registro de Candidatura - AIRC

    II. Recurso contra a expedio do Diploma - RCED

    III. Ao de Investigao Judicial Eleitoral - AIJE

    IV. Ao de Impugnao ao Mandato Eletivo - AIME

    V. Representao por Captao Ilcita de Sufrgio

    VII. Representao por Captao e Gastos Icitos de Recursos Eleitorais

    VIII. Representao por Propaganda Eleitoral irregular

    IX. Representao por Pesquisa Eleitoral irregular

    X. Representao por doao acima do limite legal

    XI. Representao por Direito de Resposta

    NDICE

    4

    24

    8

    26

    10

    27

    12

    28

    15

    29

    18 VI. Representao por Condutas Vedadas aos Agentes Pblicos em Campanhas Eleitorais

  • 4

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    I. AO DE IMPUGNAO AO REGISTRO DE CANDIDATURA - AIRC

    Alckmin; Ac.-TSE no RO n 593/2002

    Rel. Slvio de Figueiredo Teixeira; Ac.-

    TSE no AREspe n 18.932/2000 Rel.

    Waldemar Zveiter).

    Acerca da condenao criminal

    transitada em julgado, convm

    reiterar: a) o STF (Ac.-STF n 185.371/97 Rel. Octvio Galloti) j pacificou a

    auto-aplicabilidade do art. 15, III, da

    CF/88; b) a suspenso dos direitos polticos cessa com o cumprimento

    ou a extino da pena, independendo

    de reabilitao ou reparao do dano

    (Sm.-TSE n 9);

    O art. 1, inciso I, alnea e, da LC n

    64/90 prev a inelegibilidade para

    os condenados, em determinados

    crimes catalogados na lei, por deciso

    transitada em julgado ou proferida

    por rgo judicial colegiado, desde

    a condenao at o transcurso

    do prazo de 08 (oito) anos aps o

    cumprimento da pena.

    A jurisprudncia tem entendido

    possvel a realizao de teste de

    2 As condies de registrabilidade so considerados meros requisitos instrumentais para a efetivao do registro de candidatura. So exemplos de condies de registrabilidade: a) a autorizao, por escrito do candidato, para concorrer ao pleito (Lei n 9.504/97, art. 11, 1, II); b) a declarao de bens, assinada pelo candidato (Lei n 9.504/97, art. 11, 1, IV); c) a fotografia do candidato, nas dimenses estabelecidas na Instruo do TSE, para constar na urna eletrnica (Lei n 9.504/97, art. 11, 1, VIII).

    1) FUNDAMENTO LEGAL. Tem previso legal no art. 3 e seguintes da LC n 64/90.

    2) OBJETIVO. Obter o indeferimento do registro da candidatura

    3) HIPTESES DE CABIMENTO. So trs as hipteses de cabimento da AIRC: a) a ausncia de condio de elegibilidade (CF/88, art. 14, 3), alm do requisito de no ser analfabeto (CF/88, art. 14, 4); b) a incidncia de hiptese de inelegibilidade constitucional ou infraconstitucional (CF/88, art. 14 e LC n 64/90, art. 1); c) o no-preenchimento das condies de registrabilidade2.

    No possvel apurar a ocorrncia

    de abuso em impugnao de registro

    de candidatura (Ac.-TSE no RO n

    100/98 Rel. Jos Eduardo Rangel de

  • 5

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    3 Na hiptese, no existe intimao pessoal do Ministrio Pblico Eleitoral.

    alfabetizao (art. 14, 4, da CF/88).

    V. Res.-TSE n 23.455/2015, art. 27, 11.

    O art. 11, 7, da Lei n 9.504/97

    define quitao eleitoral.

    4) COMPETNCIA. O art. 2, pargrafo nico, da LC n 64/90 define a competncia para a AIRC. Nas eleies municipais, a competncia ser: onde houver mais de uma Zona Eleitoral, do Juzo Eleitoral com atribuio para julgar o registro de candidatos (art. 2, 2, da Res.-TSE n 23.462/2015); nos demais casos, do Juiz Eleitoral da circunscrio.

    5) PRAZO PARA O AJUIZAMENTO (E CONTAGEM). O prazo para ajuizamento da AIRC de 5 (cinco) dias, contados da publicao do edital relativo ao pedido de registro de candidatura, na forma do art. 3, caput, da LC n 64/90. A publicao do edital, como termo inicial para a propositura da AIRC (seja publicao em rgo oficial ou fixao no cartrio eleitoral), aplica-se a todos os legitimados inclusive ao Ministrio Pblico3.

    A impugnao por parte do candidato, do partido poltico ou da coligao no impede a ao do Ministrio Pblico no mesmo sentido.

    LC n 64/90, art. 3, 1; Res.-TSE n

    23.455/2015, art. 39, 1.

    6) PRECLUSO: Ocorre a precluso quando a inelegibilidade no arguida na AIRC, salvo se se tratar de matria constitucional ou superveniente ao registro de candidatura. A matria no preclusa deve ser atacada atravs de RCED (Cdigo Eleitoral, art. 262). OBS: tratando-se de prazo preclusivo, no recomendado ao Promotor Eleitoral aguardar a abertura de vista para manifestao, como custos legis, nos autos do procedimento do requerimento do registro de candidatura; tendo cincia da causa de inelegibilidade (sentido lato), o Ministrio Pblico Eleitoral deve apresentar a respectiva impugnao ao registro de candidatura no prazo legal.

  • 6

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    7) INDEFERIMENTO DE OFCIO. O pedido de registro ser indeferido, ainda que no tenha havido impugnao, quando o candidato for inelegvel ou no atender a qualquer das condies de elegibilidade.

    Res.-TSE n 23.455/2015, art. 45.

    8) PROCEDIMENTO. Segue o rito previsto na LC n 64/90, art. 3 ao 16.

    9) LEGITIMIDADE ATIVA. A LC n 64/90 prev a legitimidade ativa do Ministrio Pblico, dos partidos polticos ou coligaes e dos candidatos (art. 3, caput, da LC n 64/90). O eleitor no tem legitimidade ativa, embora possa dar notcia de inelegibilidade.

    Res.-TSE n 23.455/2015, art. 43.

    10) CAPACIDADEPOSTULATRIA. A jurisprudncia (ainda) tem entendido pela desnecessidade de capacidade postulatria na impugnao ao registro de candidatura, somente exigindo-se a representao

    por advogado na fase recursal (TSE Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n 33.378 Rel. Min. Marcelo Ribeiro j. 04.12.2008).

    11) RECURSO. o previsto no art. 258 do Cdigo Eleitoral, com prazo de 3 (trs) dias. Enquanto estiver com o registro sub judice, o candidato poder efetuar todos os atos relativos campanha eleitoral, inclusive utilizar o horrio eleitoral gratuito no rdio e na televiso e ter seu nome mantido na urna eletrnica (art. 16-A da Lei n 9.504/97).

    12) GENERALIDADES. No h litisconsrcio passivo necessrio entre Prefeito e Vice na AIRC; a interveno do outro componente da chapa pode ocorrer na forma de assistncia. No caso de eleio proporcional (vereador), no existe litisconsrcio passivo necessrio entre o impugnado e o partido poltico pelo qual pretende concorrer ao pleito; a interveno do partido poltico pode ocorrer na forma de assistente simples.

  • 7

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    Conforme a Sm.-TSE n 11, no processo de registro de candidatos, o partido que no o impugnou no tem legitimidade para recorrer da sentena que o deferiu, salvo se se cuidar de matria constitucional; o teor da Smula n 11 do TSE no aplicvel ao Ministrio Pblico Eleitoral (STF Agravo em Recurso Extraordinrio n 728188 Rel. Min. Ricardo Lewandoswski j. 10.10.2013; deciso em repercusso geral). As condies de elegibilidade e as causas de inelegibilidade devem ser aferidas no momento da formalizao do pedido de registro de candidatura, ressalvadas as alteraes, fticas ou jurdicas, supervenientes ao registro que afastem a inelegibilidade.

    Lei n 9.504/97, art. 11, 10.

    Os prazos so peremptrios e contnuos e correm em secretaria ou cartrio e, a partir da data do encerramento do prazo para registro de candidatos (15.8.2016) at a 16 de dezembro de 2016, no se suspendem aos sbados, domingos e feriados.

    LC n 64/90, art. 16; Res.-TSE n

    23.455/2015, art. 74.

  • 8

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    II. RECURSO CONTRA A EXPEDIO DO DIPLOMA - RCED 1) FUNDAMENTO LEGAL. Tem previso legal no Cdigo Eleitoral, art. 262.

    2) OBJETIVO. O RCED tem por objetivo desconstituir o diploma.

    3) HIPTESES DE CABIMENTO. O recurso contra expedio de diploma caber somente nos casos de inelegibilidade superveniente ou de natureza constitucional e de falta de condio de elegibilidade (art. 262 do Cdigo Eleitoral).

    4) PRAZO (PARA O AJUIZAMENTO). O prazo para ajuizamento do RCED de 3 (trs) dias, a partir da diplomao do candidato.

    Res.-TSE n 23.456/2015, art. 172.

    Trata-se de prazo decadencial, mas, com a supervenincia de recesso forense, o TSE admite a prorrogao de seu termo final para o dia subsequente (Agravo Regimental em Agravo de

    Instrumento n 11450 Rel. Min. Aldir Passarinho Jnior j. 03.02.2011).

    5) COMPETNCIA. Nas eleies municipais (Prefeito, Vice e Vereadores), interposto perante o Juiz Eleitoral e julgado pelo TRE.

    6) PROCEDIMENTO. O procedimento similar ao do recurso inominado. So oferecidas as razes pelo autor e as contrarrazes do legitimado passivo, sendo, aps, remetidos os autos Superior Instncia para julgamento observando-se o procedimento estabelecido nos artigos 266 e 267 do Cdigo Eleitoral.

    7) LEGITIMIDADE ATIVA. So legitimados ativos para o ajuizamento do RCED, os candidatos, partidos polticos, coligaes partidrias e o Ministrio Pblico Eleitoral. O eleitor no possui legitimidade para manejar o RCED.

  • 9

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    8) LEGITIMIDADE PASSIVA. legitimado passivo do RCED o candidato cujo diploma se pretenda invalidar, seja eleito ou suplente. Em caso de eleio majoritria, o Vice litisconsorte passivo necessrio; de outra parte, no h litisconsorte passivo necessrio entre o titular de mandato eletivo e o partido poltico em sede de RCED.

    9) EFEITOS. Enquanto o TSE no decidir o recurso interposto contra a expedio do diploma, poder o diplomado exercer o mandato em toda a sua plenitude (art. 216 do Cdigo Eleitoral).

    Res.-TSE n 23.456/2015, art. 172, pargrafo nico.

  • 10

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    1) FUNDAMENTO LEGAL. o previsto no art. 22 da LC n 64/90.

    2) HIPTESES DE CABIMENTO. So hipteses de cabimento da AIJE: a) o abuso do poder econmico; b) o abuso de poder de autoridade (ou poltico); c) a utilizao indevida de veculos ou meios de comunicao social.

    3) BEM JURDICO TUTELADO. A AIJE visa proteger a normalidade e legitimidade das eleies (art. 14, 9, da CF/88). Para a procedncia da AIJE necessria a prova da gravidade das circunstncias do ato abusivo, na forma do art. 22, XVI, da LC n 64/90.

    4) COMPETNCIA. A competncia, nas eleies municipais, do Juiz Eleitoral (LC n 64/90, art. 24); nas circunscries em

    que houver mais de uma Zona Eleitoral, do Juiz Eleitoral designado pelo TRE.

    5) PRAZO (PARA O AJUIZAMENTO). De acordo com o TSE, a AIJE somente pode ser ajuizada aps o registro da candidatura (Agravo Regimental em Recurso Ordinrio n 107-87 Min. Gilmar Mendes j. 17.09.2015) e o seu prazo final a data da diplomao (Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n 35721 Rel. Min. Carmem Lcia j. 19.08.2010). O TSE entende admissvel a AIJE contra fatos ilcitos que ocorreram ainda antes do incio do processo eleitoral (ou seja, antes do registro de candidaturas e das convenes partidrias).

    Ac.-TSE na Rp n 929/2006 Rel.

    Min. Francisco Cesar Asfor Rocha.

    6) PROCEDIMENTO. O procedimento adotado o disposto no art. 22 da LC n 64/90.

    III. AO DE INVESTIGAO JUDICIAL ELEITORAL - AIJE

  • 11

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    7) LEGITIMIDADE ATIVA. O art. 22 da LC n 64/90 confere legitimidade ativa a candidato, partido poltico, coligao partidria ou ao Ministrio Pblico Eleitoral. O eleitor no detm tal legitimidade.

    8) LEGITIMIDADE PASSIVA. So legitimados passivos para responder a AIJE o candidato e terceiros (quantos hajam contribudo para a prtica do ato), exceto pessoa jurdica, pois no h sano a ser aplicada contra a pessoa jurdica (TSE Representao n 373 Rel. Min. Peanha Martins j. 07.04.2005). No h necessidade de litisconsrcio necessrio entre o representado da AIJE e o partido ao qual ele filiado; a interveno do partido ocorre na forma de assistente simples. Em caso de eleio majoritria, o vice litisconsorte passivo necessrio.

    9) SANES. A procedncia da AIJE importa na inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribudo para a

    prtica do ato, pelo prazo de 8 (oito) anos subsequentes eleio em que se verificou o abuso (Sm.-TSE n 19), alm da cassao do registro ou diploma do candidato beneficiado.

    LC n 64/90, art. 22, XIV.

    10) RECURSO E EFEITOS. Da sentena que julgar a AIJE, cabe recurso no prazo de 3 (trs) dias, na forma prevista pelo art. 258 do Cdigo Eleitoral. O recurso interposto contra sentena do Juiz Eleitoral ser recebido com efeito suspensivo automtico (art. 257, 2, do Cdigo Eleitoral).

  • 12

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    IV. AO DE IMPUGNAO AO MANDATO ELETIVO -AIME 1) FUNDAMENTO LEGAL. A AIME tem previso constitucional (art. 14, 10 e 11, da CF/88).

    Res.-TSE n 23.465/2015, art. 173.

    2) OBJETIVO. Desconstituir o mandato eletivo, tornando insubsistente a diplomao.

    3) HIPTESES DE CABIMENTO. So hipteses de cabimento da AIME: fraude, corrupo ou abuso do poder econmico. Para o TSE: a) o conceito da fraude, para fins de cabimento da ao de impugnao de mandato eletivo (art. 14, 10, da CF/88), aberto e pode englobar todas as situaes em que a normalidade das eleies e a legitimidade do mandato eletivo so afetadas por aes fraudulentas, inclusive nos casos de fraude lei (Recurso Especial Eleitoral n 1-49 Rel. Min. Henrique Neves j. 04.08.2015); b) cabvel o manuseio da AIME

    se o abuso de poder poltico consistir em conduta configuradora de abuso de poder econmico ou corrupo (essa entendida no sentido coloquial e no tecnicamente penal) (Recurso Especial Eleitoral n 28.040 Rel. Min. Ayres Britto j. 22.04.2008).

    4) BEM JURDICO TUTELADO. A AIME visa proteger a normalidade e legitimidade da eleio, alm do interesse pblico da lisura eleitoral (art. 14, 9, da CF/88). Para a procedncia da AIME necessria a prova da gravidade das circunstncias do ato abusivo, na forma do art. 22, XVI, da LC n 64/90.

    5) COMPETNCIA. A competncia, nas eleies municipais, do Juiz Eleitoral; nas circunscries em que houver mais de uma Zona Eleitoral, do Juiz Eleitoral designado pelo TRE.

  • 13

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    6) PRAZO (PARA O AJUIZAMENTO). O prazo para ajuizamento de 15 (quinze) dias, contados da diplomao do eleito. Trata-se de prazo decadencial, embora o TSE defenda a prorrogao para o primeiro dia til seguinte se o termo final cair em feriado ou dia em que no haja expediente normal (Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n 36.006 Rel. Min. Flix Fischer j. 11.02.2010).

    7) PROCEDIMENTO. Conforme a Res.-TSE n 21.634/2004, o procedimento a ser empregado AIME, at a sentena, o ordinrio eleitoral, previsto no art. 3 e seguintes da LC n 64/90, que aplicvel, originariamente, AIRC.

    Res.-TSE na Inst. n 21.634/2004 Rel.

    Fernando Neves da Silva: Questo de

    Ordem. [...] O rito ordinrio que deve ser

    observado na tramitao da ao de

    impugnao de mandado eletivo, at

    a sentena, o da Lei Complementar

    n 64/90, no o do Cdigo de Processo

    Civil, cujas disposies so aplicveis

    apenas subsidiariamente. [...].

    Res.-TSE n 23.456/2015, art. 173, 1.

    8) LEGITIMIDADE ATIVA. Possuem legitimidade ativa para propor a AIME, o Ministrio Pblico Eleitoral, os partidos polticos, as coligaes partidrias e os candidatos (eleitos ou no).

    9) LEGITIMIDADE PASSIVA. legitimado passivo para a AIME o candidato diplomado, ainda que suplente. Na eleio majoritria, o Vice litisconsorte passivo necessrio; o partido poltico intervm como assistente simples.

    10) RECURSO (EFEITOS E PRAZO). O prazo do recurso de 3 (trs) dias, na forma prevista pelo art. 258 do Cdigo Eleitoral. A deciso proferida na ao de impugnao de mandato eletivo tem eficcia imediata a partir da publicao do respectivo acrdo lavrado em grau de recurso ordinrio, no se lhe aplicando a regra do art. 216 do Cdigo Eleitoral (art. 173, 2, da Res.-TSE n 23.456/2015).

  • 14

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    1) FUNDAMENTO LEGAL. O fundamento legal o art. 41-A da Lei n 9.504/97, cuja redao prev:

    Art. 41-A. Ressalvado o disposto no art.

    26 e seus incisos, constitui captao

    de sufrgio, vedada por esta Lei, o

    candidato doar, oferecer, prometer,

    ou entregar, ao eleitor, com o fim de

    obter-lhe o voto, bem ou vantagem

    pessoal de qualquer natureza,

    inclusive emprego ou funo pblica,

    desde o registro da candidatura at

    o dia da eleio, inclusive, sob pena

    de multa de mil a cinqenta mil UFIR,

    e cassao do registro ou do diploma,

    observado o procedimento previsto

    no art. 22 da Lei Complementar n 64,

    de 18 de maio de 1990.

    2) CARACTERIZAO DA CONDUTA ILCITA. So elementos indispensveis: I) a prtica de uma ao (doar, prometer, etc.); II) a existncia de uma pessoa (o eleitor); III) o resultado a que se prope o

    V. REPRESENTAO POR CAPTAO ILCITA DE SUFRGIO

    agente (a obteno do voto); e V. Lei n 9.504/97, art. 41-A, 1.

    Ac.-TSE no REspe n 25.215/2005

    Rel. Carlos Eduardo Caputo Bastos;

    e Ac.-TSE no REspe n 21.022/2002

    Rel. Fernando Neves da Silva: embora

    a ao deva ser dirigida a eleitor(es)

    determinado(s), no h necessidade

    de identificao destes eleitores.

    IV) o perodo eleitoral (ato praticado entre o pedido de registro at o dia da eleio).

    3) BEM JURDICO TUTELADO. Visa preservar a vontade do eleitor.

    Neste sentido, o voto de Nlson

    Azevedo Jobim no Ac.-TSE no REspe

    n 19.553/2002 Rel. Jos Paulo

    Seplveda Pertence: [...] no art. 41-A,

    o bem protegido no o resultado

    da eleio. O bem protegido a

    vontade do eleitor. Ento, h um bem

    protegido distinto, o que no autoriza

    com isso, falar-se em potencialidade.

  • 15

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    4) COMPETNCIA. Nas eleies municipais, do juiz eleitoral; nas circunscries em que houver mais de uma Zona Eleitoral, do Juiz Eleitoral designado pelo TRE.

    5) PRAZO (PARA O AJUIZAMENTO). cabvel o ajuizamento at a data da diplomao (art. 41-A, 3, da Lei n 9.504/97).

    6) PROCEDIMENTO. O procedimento o do art. 22 da LC n 64/90.

    7) LEGITIMIDADE ATIVA. So legitimados ativos o Ministrio Pblico Eleitoral, os partidos polticos ou coligaes e os candidatos. O eleito no possui legitimidade ativa.

    8) LEGITIMIDADE PASSIVA. Apenas o candidato legitimado passivo, pois, segundo o TSE, o terceiro no candidato no tem legitimidade para figurar no polo passivo da representao calcada no artigo 41-A da Lei n 9.504/97 (Recurso Ordinrio

    n 6929-66 Rel. Min. Laurita Vaz j. 22.04.2014). De qualquer sorte, o art. 41-A, 2, da Lei n 9.504/97 prev que as sanes previstas no caput aplicam-se contra quem praticar atos de violncia ou grave ameaa a pessoa, com o fim de obter-lhe o voto. Na eleio majoritria, o Vice litisconsorte passivo necessrio; o partido poltico intervm como assistente simples.

    9) LAPSO DE INCIDNCIA DA NORMA. Somente possvel cogitar de captao ilcita de sufrgio a partir do pedido de registro at o dia da eleio.

    10) SANES. Em caso de procedncia da representao, as sanes a serem aplicadas so: multa de 1.000 a 50.000 Ufir; cassao do registro ou diploma.

  • 16

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    11) RECURSO (PRAZO E EFEITOS). Os recursos eleitorais contra a sentena que julgar a representao deve ser interposto no prazo de 3 dias.

    Lei n 9.504/97, art. 41-A, 4. O recurso interposto contra sentena do Juiz Eleitoral ser recebido com efeito suspensivo automtico (art. 257, 2, do Cdigo Eleitoral).

  • 17

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    VI. REPRESENTAO POR CONDUTAS VEDADAS AOS AGENTES PBLICOS EM CAMPANHAS ELEITORAIS 1) FUNDAMENTO LEGAL. O fundamento legal da representao por condutas vedadas aos agentes pblicos so os arts. 73, 74, 75 e 77 da Lei n 9.504/97:

    Art. 73. So proibidas aos agentes

    pblicos, servidores ou no, as

    seguintes condutas tendentes a

    afetar a igualdade de oportunidades

    entre candidatos nos pleitos eleitorais:

    I. ceder ou usar, em benefcio de

    candidato, partido poltico ou

    coligao, bens mveis ou imveis

    pertencentes administrao direta

    ou indireta da Unio, dos Estados, do

    Distrito Federal, dos Territrios e dos

    Municpios, ressalvada a realizao

    de Conveno partidria;

    II. usar materiais ou servios,

    custeados pelos Governos ou

    Casas Legislativas, que excedam

    as prerrogativas consignadas nos

    regimentos e normas dos rgos que

    integram;

    III. ceder servidor pblico ou

    empregado da administrao direta

    ou indireta federal, estadual ou

    municipal do Poder Executivo, ou

    usar de seus servios, para comits

    de campanha eleitoral de candidato,

    partido poltico ou coligao, durante

    o horrio de expediente normal, salvo

    se o servidor ou empregado estiver

    licenciado;

    IV. fazer ou permitir uso promocional

    em favor de candidato, partido poltico

    ou coligao, de distribuio gratuita

    de bens e servios de carter social

    custeados ou subvencionados pelo

    Poder Pblico;

    V. nomear, contratar ou de qualquer

    forma admitir, demitir sem justa causa,

    suprimir ou readaptar vantagens ou

    por outros meios dificultar ou impedir

  • 18

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    o exerccio funcional e, ainda, ex

    officio, remover, transferir ou exonerar

    servidor pblico, na circunscrio

    do pleito, nos trs meses que o

    antecedem e at a posse dos eleitos,

    sob pena de nulidade de pleno direito,

    ressalvados:

    a) a nomeao ou exonerao de

    cargos em comisso e designao ou

    dispensa de funes de confiana;

    b) a nomeao para cargos do Poder

    Judicirio, do Ministrio Pblico, dos

    Tribunais ou Conselhos de Contas

    e dos rgos da Presidncia da

    Repblica;

    c) a nomeao dos aprovados em

    concursos pblicos homologados at

    o incio daquele prazo;

    d) a nomeao ou contratao

    necessria instalao ou ao

    funcionamento inadivel de servios

    pblicos essenciais, com prvia e

    expressa autorizao do Chefe do

    Poder Executivo;

    e) a transferncia ou remoo ex

    officio de militares, policiais civis e de

    agentes penitencirios;

    VI. nos trs meses que antecedem o

    pleito:

    a) realizar transferncia voluntria

    de recursos da Unio aos Estados

    e Municpios, e dos Estados aos

    Municpios, sob pena de nulidade de

    pleno direito, ressalvados os recursos

    destinados a cumprir obrigao

    formal preexistente para execuo

    de obra ou servio em andamento

    e com cronograma prefixado, e os

    destinados a atender situaes de

    emergncia e de calamidade pblica;

    b) com exceo da propaganda de

    produtos e servios que tenham

    concorrncia no mercado, autorizar

    publicidade institucional dos atos,

    programas, obras, servios e

    campanhas dos rgos pblicos

    federais, estaduais ou municipais,

    ou das respectivas entidades da

    administrao indireta, salvo em caso

    de grave e urgente necessidade

    pblica, assim reconhecida pela

    Justia Eleitoral;

    c) fazer pronunciamento em cadeia

    de rdio e televiso, fora do horrio

    eleitoral gratuito, salvo quando, a

    critrio da Justia Eleitoral, tratar-

    se de matria urgente, relevante e

    caracterstica das funes de governo;

    VII. realizar, no primeiro semestre

    do ano de eleio, despesas com

  • 19

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    3. As vedaes do inciso VI do

    caput, alneas b e c, aplicam-se

    apenas aos agentes pblicos das

    esferas administrativas cujos cargos

    estejam em disputa na eleio.

    [...]

    10. No ano em que se realizar eleio,

    fica proibida a distribuio gratuita de

    bens, valores ou benefcios por parte

    da administrao pblica, exceto

    nos casos de calamidade pblica,

    de estado de emergncia ou de

    programas sociais autorizados em

    lei e j em execuo oramentria

    no exerccio anterior, casos em que o

    Ministrio Pblico poder promover o

    acompanhamento de sua execuo

    financeira e administrativa.

    11. Nos anos eleitorais, os programas

    sociais de que trata o 10 no

    podero ser executados por entidade

    nominalmente vinculada a candidato

    ou por esse mantida.

    [...]

    Art. 74. Configura abuso de autoridade,

    para os fins do disposto no art. 22 da

    Lei Complementar n 64, de 18 de maio

    de 1990, a infringncia do disposto no

    1 do art. 37 da Constituio Federal,

    ficando o responsvel, se candidato,

    publicidade dos rgos pblicos

    federais, estaduais ou municipais,

    ou das respectivas entidades da

    administrao indireta, que excedam

    a mdia dos gastos no primeiro

    semestre dos trs ltimos anos que

    antecedem o pleito;

    VIII. fazer, na circunscrio do pleito,

    reviso geral da remunerao dos

    servidores pblicos que exceda a

    recomposio da perda de seu poder

    aquisitivo ao longo do ano da eleio,

    a partir do incio do prazo estabelecido

    no art. 7 desta Lei e at a posse dos

    eleitos.

    [...]

    2. A vedao do inciso I do caput no

    se aplica ao uso, em campanha, de

    transporte oficial pelo Presidente da

    Repblica, obedecido o disposto no art.

    76, nem ao uso, em campanha, pelos

    candidatos a reeleio de Presidente

    e Vice-Presidente da Repblica,

    Governador e Vice-Governador de

    Estado e do Distrito Federal, Prefeito

    e Vice-Prefeito, de suas residncias

    oficiais para realizao de contatos,

    encontros e reunies pertinentes

    prpria campanha, desde que no

    tenham carter de ato pblico.

  • 20

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    sujeito ao cancelamento do registro

    ou do diploma.

    Art. 75. Nos trs meses que

    antecederem as eleies, na

    realizao de inauguraes vedada

    a contratao de shows artsticos

    pagos com recursos pblicos.

    Pargrafo nico. Nos casos de

    descumprimento do disposto neste

    artigo, sem prejuzo da suspenso

    imediata da conduta, o candidato

    beneficiado, agente pblico ou no,

    ficar sujeito cassao do registro

    ou do diploma.

    [...]

    Art. 77. proibido a qualquer candidato

    comparecer, nos 3 (trs) meses que

    precedem o pleito, a inauguraes de

    obras pblicas.

    Pargrafo nico. A inobservncia do

    disposto neste artigo sujeita o infrator

    cassao do registro ou do diploma.

    2) SANES. No caso do art. 73 da Lei n 9.504/97: I) cassao do registro ou do diploma do candidato beneficiado, em todas as hipteses (art. 73, 5, da Lei n 9.504/97);

    II) multa, de 5.000 a 100.000 Ufir, para os responsveis pela conduta; III) ainda, cabvel, at mesmo em carter liminar, a suspenso imediata da conduta vedada, quando for o caso; IV) excluso dos partidos beneficiados da distribuio dos recursos do fundo partidrio. No caso dos arts. 74, 754 e 77 da Lei n 9.504/97, a sano de cassao do registro ou do diploma.

    3) BEM JURDICO TUTELADO. A isonomia entre os candidatos.

    4) PROVA (PARA A PROCEDNCIA). Deve, necessariamente, haver a incidncia de uma das hipteses materiais (taxatividade).

    Ac.-TSE no REspe n 24.795/2004 Rel. Luiz Carlos Lopes Madeira.

    No caso do art. 73 da Lei das Eleies, o exame da conduta deve ser feito em dois momentos: a) enquadramento do fato nas hipteses previstas em lei; b) caracterizada a infrao s hipteses legais, verifica-se com base nos princpios da razoabilidade e

    4 O art. 75 da Lei n 9.504/97 tambm fala em suspenso da conduta.

  • 21

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    5 Art. 73, 1, da LE. Reputa-se agente pblico, para os efeitos deste artigo, quem exerce, ainda que transitoriamente ou sem remunerao, por eleio, nomeao, designao, contratao ou qualquer outra forma de investidura ou vnculo, mandato, cargo, emprego ou funo nos rgos ou entidades da Administrao Pblica direta, indireta, ou fundacional.6 Nas condutas vedadas, o candidato, conforme o caso, pode ser o agente da conduta ou o beneficirio do ilcito.

    vedada pode ser ajuizada at a data da diplomao (art. 73, 12, da Lei n 9.504/97).

    7) PROCEDIMENTO. O procedimento a ser observado o previsto no art. 22 da LC n 64/90 (art. 73, 12, da Lei n 9.504/97).

    8) LEGITIMIDADE ATIVA. O Ministrio Pblico Eleitoral, os partidos polticos ou coligaes e os candidatos possuem legitimidade para ajuizamento de tal representao. O eleitor no possui legitimidade ativa.

    9) LEGITIMIDADE PASSIVA. Na hiptese do art. 73 da Lei n 9.504/97: a) agentes pblicos5 (art. 73, 1 ), responsveis pelas condutas vedadas; b) partidos, coligaes e candidatos que delas se beneficiarem. Nas hipteses dos arts. 74, 75 e 77 da Lei n 9.504/97, sobre o candidato. Na eleio majoritria, o vice litisconsorte passivo necessrio; o partido poltico intervm como assistente simples.

    proporcionalidade qual a sano a ser aplicada. Assim, nesse exame, cabe ao Judicirio dosar a multa prevista no 4 do mencionado art. 73, de acordo com a capacidade econmica do infrator, a gravidade da conduta e a repercusso que o fato atingiu. Em caso extremo, a sano pode alcanar o registro ou o diploma do candidato beneficiado, na forma do 5 do referido artigo (Representao n 295986 Rel. Min. Henrique Neves j. 21/10/2010). Nas hipteses dos demais artigos (74, 75 e 77), porque existe uma previso de sano nica nesses dispositivos legais, o TSE tem exigido a demonstrao da potencialidade lesiva para a configurao do ilcito (Recurso Ordinrio n 2.233 Rel. Min. Fernando Gonalves j. 16.12.2009).

    5) COMPETNCIA. Nas eleies municipais, do juiz eleitoral; nas circunscries em que houver mais de uma Zona Eleitoral, do Juiz Eleitoral designado pelo TRE.

    6) PRAZO (PARA O AJUIZAMENTO). A representao por conduta

  • 22

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    Para o TSE, o agente pblico, tido como responsvel pela prtica da conduta vedada, litisconsorte passivo necessrio em representao proposta contra os eventuais beneficirios e no requerida a citao de litisconsorte passivo necessrio at a data da diplomao - data final para a propositura de representao por conduta vedada -, deve o processo ser julgado extinto, em virtude da decadncia (Recurso Ordinrio n 1696-77 Rel. Min. Arnaldo Versiani j. 29.11.2011).

    10) RECURSO (PRAZO E EFEITOS). O prazo de recurso contra decises proferidas em representao por condutas vedadas ser de 3 (trs) dias (art. 73, 13, da Lei n 9.504/97). O recurso interposto contra sentena do Juiz Eleitoral ser recebido com efeito suspensivo automtico (art. 257, 2, do Cdigo Eleitoral).

  • 23

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    VII. REPRESENTAO POR CAPTAO E GASTOS ILCITOS DE RECURSOS ELEITORAIS 1) FUNDAMENTO LEGAL. Art. 30-A da Lei n 9.504/97.

    2) HIPTESES DE CABIMENTO. So duas as hipteses de cabimento (art. 30-A, 2, da Lei n 9.504/97): captao ilcita de recursos e gastos ilcitos de recursos, ambos com finalidade eleitoral.

    3) BEM JURDICO TUTELADO. Visa a preservar a higidez das normas relativas arrecadao e gastos eleitorais. Para o TSE, o bem jurdico tutelado a moralidade das eleies, sendo que para a procedncia necessria prova da proporcionalidade (relevncia jurdica) do ilcito praticado pelo candidato, e no da potencialidade do dano [...] A sano negativa do diploma ou cassao deve ser proporcional gravidade da conduta e leso perpetrada ao bem jurdico tutelado.

    Ac.-TSE no RO n 1.540/2009 Rel.

    Felix Fischer.

    4) COMPETNCIA. Nas eleies municipais, do juiz eleitoral; nas circunscries em que houver mais de uma Zona Eleitoral, do Juiz Eleitoral designado pelo TRE.

    5) PRAZO (PARA O AJUIZAMENTO DA REPRESENTAO). Poder ser proposta no prazo de 15 dias da diplomao.

    Lei n 9.504/97, art. 30-A.

    6) PROCEDIMENTO. o rito previsto no art. 22 da LC n 64/90 (art. 30-A, 1, da Lei n 9.504/97).

    7) LEGITIMIDADE ATIVA. Segundo o art. 30-A, caput, da Lei n 9.504/97, os partidos polticos ou

  • 24

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    coligaes e, conforme a jurisprudncia, tambm o Ministrio Pblico Eleitoral (Ac.-TSE no Recurso Ordinrio n 1.540 Rel. Min. Flix Fischer j. 28.04.2009). O TSE tem afastado a possibilidade de o candidato manusear a representao pelo art. 30-A da Lei n 9.504/97 (Ac.-TSE no Recurso Ordinrio n 1.498 Rel. Min. Arnaldo Versiani j. 19.03.2009). O eleito no tem legitimidade ativa.

    8) LEGITIMIDADE PASSIVA. A legitimidade passiva do candidato, inclusive o suplente. Na eleio majoritria, o vice litisconsorte passivo necessrio; o partido poltico intervm como assistente simples.

    9) SANO. Ser negado diploma ao candidato, ou cassado, se j houver sido outorgado (art. 30-A, 2, da Lei n 9.504/97).

    10) RECURSO (PRAZO E EFEITOS). O prazo de recurso contra

    decises proferidas em representaes propostas com base no art. 30-A ser de 3 (trs) dias.

    Lei n 9.504/97, art. 30-A, 3.

    O recurso interposto contra sentena do Juiz Eleitoral ser recebido com efeito suspensivo automtico (art. 257, 2, do Cdigo Eleitoral).

  • 25

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    VIII. REPRESENTAO POR PROPAGANDA ELEITORAL IRREGULAR 1) FUNDAMENTO LEGAL. Conforme o dispositivo da lei especificamente violado. Assim, v.g., cabe representao por propaganda eleitoral antecipada (realizada antes do prazo legal), em bens privados acima do limite de 0,5m, em bens pblicos que no se enquadre nas excees legais, atravs de outdoors, showmcios, etc.

    2) PROCEDIMENTO. A representao por propaganda eleitoral irregular deve observar o procedimento previsto no art. 96 da Lei n 9.504/97.

    3) SANO. Em regra, a sano pecuniria. No entanto, conforme o dispositivo violado, pode ser aplicada sano de retirada da propaganda, suspenso da programao da emissora, subtrao ou perda do tempo destinado propaganda, busca e apreenso, etc.

    4) PRAZO PARA O AJUIZAMENTO. O prazo para ajuizamento da representao por propaganda eleitoral irregular at a data das eleies, sob pena de falta de interesse de agir (Ac.-TSE no Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n 28.227 Rel. Min. Caputo Bastos j. 02.08.2007). Nas hipteses em que a sano prevista a subtrao do tempo do horrio gratuito (v.g., propaganda no horrio normal no rdio e televiso, propaganda no horrio eleitoral gratuito), o prazo de 48 (quarenta e oito) horas, a contar da veiculao da propaganda, com o fito de evitar o armazenamento ttico das representaes (Ac.-TSE no Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n 27.763 Rel. Min. Ayres Britto j. 22.04.2008; TSE Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n 6.204 Rel. Min. Jos Gerardo Grossi j. 15.05.2007).

  • 26

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    IX. REPRESENTAO POR PESQUISA ELEITORAL IRREGULAR 1) FUNDAMENTO LEGAL. Art. 33, 3, da Lei n 9.504/97 e art. 15 da Res.-TSE n 23.453/2015. Em regra, pode haver representao em caso de no observncia dos requisitos para registro e para a divulgao da pesquisa.

    2) PROCEDIMENTO. A representao por pesquisa eleitoral irregular deve observar o procedimento previsto no art. 96 da Lei n 9.504/97.

    3) SANO. A sano de multa entre 50.000 e 100.000 Ufir, aplicvel a quem, de qualquer modo, divulgar a pesquisa seja candidato, partido, coligao ou meio de comunicao social (art. 33, 4, da Lei n 9.504/97). A divulgao de pesquisa fraudulenta configura crime previsto no art. 33, 4, da Lei n 9.504/97.

    4) PRAZO PARA O AJUIZAMENTO. O prazo para ajuizamento da representao por pesquisa eleitoral irregular, conforme a jurisprudncia, at a data das eleies, sob pena de falta de interesse de agir (Ac.-TSE no Agravo de Instrumento n 8.225 Rel. Min. Aldir Passarinho Jnior j. 24.03.2011).

  • 27

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    X. REPRESENTAES POR DOAO ACIMA DO LIMITE LEGAL 1) FUNDAMENTO LEGAL. Em caso de doao de pessoa fsica, acima do limite de 10% (dez por cento) do rendimento bruto auferido no ano anterior da eleio (Lei n 9.504/97, art. 23, 1, I), excludas desse limite as doaes estimveis em dinheiro relativas utilizao de bens mveis ou imveis de propriedade do doador, desde que o valor da doao no ultrapasse R$ 80.000,00 (Lei n 9.504/97, art. 23, 7).

    2) LEGITIMIDADE PASSIVA. A representao deve ser ajuizada contra o doador (pessoa fsica).

    3) PROCEDIMENTO. A representao por doao acima do limite legal segue o procedimento do art. 22 da LC n 64/90.

    4) SANO. No caso de pessoa fsica, a sano de multa, no valor de 5 a

    10 vezes a quantia em excesso, sem prejuzo de apurar o abuso de poder econmico (Lei n 9.504/97, art. 23, 3).

    5) PRAZO PARA O AJUIZAMENTO. O prazo para ajuizamento dessa representao at o final do exerccio financeiro do ano seguinte ao da eleio em que ocorreu a doao em excesso (art. 24-C, 3, da Lei n 9.504/97).

    6) COMPETNCIA. A competncia para processar e julgar a representao por doao acima do limite legal do juzo ao qual se vincula o doador (Ac.-TSE no Representao n 981-40 Rel. Min. Nancy Andrighi j. 09.06.2011).

  • 28

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    XI. REPRESENTAES POR DIREITO DE RESPOSTA 1) FUNDAMENTO LEGAL. Tem previso no art. 58 da Lei n 9.504/97.

    2) INCIDNCIA NA ESFERA ELEITORAL. A partir da escolha de candidato em conveno

    3) HIPTESES DE CABIMENTO. assegurado o direito de resposta a candidato, partido ou coligao atingidos, ainda que de forma indireta, por conceito, imagem ou afirmao caluniosa, difamatria, injuriosa ou sabidamente inverdica, difundidos por qualquer veculo de comunicao social.

    4) PROCEDIMENTO. O procedimento o previsto no art. 58, 3, da Lei n 9.504/97, observando-se as peculiaridades de cada meio de comunicao social: inciso I imprensa escrita; inciso II programao normal

    das emissoras de rdio e televiso; inciso III horrio eleitoral gratuito; e inciso IV internet.

    5) PRAZO PARA O EXERCCIO O direito de resposta deve ser exercido, nos seguintes prazos, contados da veiculao da ofensa (Lei n 9.504/97, art. 58, 1): 24 horas, quando se tratar de horrio eleitoral gratuito; 48 horas, quando se tratar de programao normal nas emissoras de rdio e televiso; 72 horas, quando se tratar da imprensa escrita; a qualquer tempo, quando se tratar de contedo que esteja sendo divulgado na internet, ou em 72 horas, aps sua retirada.

  • 29

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    ANOTAES:

  • 30

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    ANOTAES:

  • 31

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    ANOTAES:

  • COORDENAO: RODRIGO LPEZ ZILIOASSESSORIA: JONIO BRAZ PEREIRA

    FONE: (51) 3295.1461; (51) 3295.1205E-MAIL: eleitoral@mprs.mp.brPGINA NA INTRANET: http://intra.mp.rs.gov.br/subinst/gael ENDEREO: AV. AURELIANO DE FIGUEIREDO PINTO, N80, 13 ANDAR, TORRE NORTEPRAIA DE BELAS - PORTO ALEGRE | CEP: 90050-190

    GABINETE DE ASSESSORAMENTO ELEITORAL

Recommended

View more >