ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2016 Ações Cíveis Eleitorais ?· os Promotores de Justiça com atribuição…

  • View
    212

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

  • ELEIES MUNICIPAIS 2016

    Aes Cveis Eleitorais

  • ELEIES MUNICIPAIS DE 2016

    O presente trabalho tem por objetivo servir como um facilitador para os Promotores de Justia com atribuio eleitoral. A colocao das matrias, na forma de tpicos e de forma direta, tem a inteno de tornar a leitura mais adequada, proporcionando agilidade na obteno da informao. Em sntese, sero abordados os aspectos mais relevantes das principais aes cveis eleitorais. Didaticamente, essas aes podem ser subdivididas em dois grupos: a) aes de arguio de inelegibilidade (AIRC e RCED), oponveis em situao de ausncia de preenchimento dos requisitos atinentes capacidade eleitoral passiva; b) aes de combate aos ilcitos eleitorais, as quais tambm podem ser divididas em: aes genricas, pois trabalham com conceitos jurdicos indeterminados e permitem a punio do candidato como beneficirio (AIJE e AIME); representaes especficas, que exigem adequao tpica ou legalidade estrita e, como regra1 , exigem a demonstrao da responsabilidade pessoal do candidato (representao por captao ilcita de sufrgio; por condutas vedadas; por captao e gastos ilcitos eleitorais).

    1 A exceo a representao por conduta vedada, que admite a punio do candidato como beneficirio (art. 73, 5, da LE).

  • I. Ao de Impugnao ao Registro de Candidatura - AIRC

    II. Recurso contra a expedio do Diploma - RCED

    III. Ao de Investigao Judicial Eleitoral - AIJE

    IV. Ao de Impugnao ao Mandato Eletivo - AIME

    V. Representao por Captao Ilcita de Sufrgio

    VII. Representao por Captao e Gastos Icitos de Recursos Eleitorais

    VIII. Representao por Propaganda Eleitoral irregular

    IX. Representao por Pesquisa Eleitoral irregular

    X. Representao por doao acima do limite legal

    XI. Representao por Direito de Resposta

    NDICE

    4

    24

    8

    26

    10

    27

    12

    28

    15

    29

    18 VI. Representao por Condutas Vedadas aos Agentes Pblicos em Campanhas Eleitorais

  • 4

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    I. AO DE IMPUGNAO AO REGISTRO DE CANDIDATURA - AIRC

    Alckmin; Ac.-TSE no RO n 593/2002

    Rel. Slvio de Figueiredo Teixeira; Ac.-

    TSE no AREspe n 18.932/2000 Rel.

    Waldemar Zveiter).

    Acerca da condenao criminal

    transitada em julgado, convm

    reiterar: a) o STF (Ac.-STF n 185.371/97 Rel. Octvio Galloti) j pacificou a

    auto-aplicabilidade do art. 15, III, da

    CF/88; b) a suspenso dos direitos polticos cessa com o cumprimento

    ou a extino da pena, independendo

    de reabilitao ou reparao do dano

    (Sm.-TSE n 9);

    O art. 1, inciso I, alnea e, da LC n

    64/90 prev a inelegibilidade para

    os condenados, em determinados

    crimes catalogados na lei, por deciso

    transitada em julgado ou proferida

    por rgo judicial colegiado, desde

    a condenao at o transcurso

    do prazo de 08 (oito) anos aps o

    cumprimento da pena.

    A jurisprudncia tem entendido

    possvel a realizao de teste de

    2 As condies de registrabilidade so considerados meros requisitos instrumentais para a efetivao do registro de candidatura. So exemplos de condies de registrabilidade: a) a autorizao, por escrito do candidato, para concorrer ao pleito (Lei n 9.504/97, art. 11, 1, II); b) a declarao de bens, assinada pelo candidato (Lei n 9.504/97, art. 11, 1, IV); c) a fotografia do candidato, nas dimenses estabelecidas na Instruo do TSE, para constar na urna eletrnica (Lei n 9.504/97, art. 11, 1, VIII).

    1) FUNDAMENTO LEGAL. Tem previso legal no art. 3 e seguintes da LC n 64/90.

    2) OBJETIVO. Obter o indeferimento do registro da candidatura

    3) HIPTESES DE CABIMENTO. So trs as hipteses de cabimento da AIRC: a) a ausncia de condio de elegibilidade (CF/88, art. 14, 3), alm do requisito de no ser analfabeto (CF/88, art. 14, 4); b) a incidncia de hiptese de inelegibilidade constitucional ou infraconstitucional (CF/88, art. 14 e LC n 64/90, art. 1); c) o no-preenchimento das condies de registrabilidade2.

    No possvel apurar a ocorrncia

    de abuso em impugnao de registro

    de candidatura (Ac.-TSE no RO n

    100/98 Rel. Jos Eduardo Rangel de

  • 5

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    3 Na hiptese, no existe intimao pessoal do Ministrio Pblico Eleitoral.

    alfabetizao (art. 14, 4, da CF/88).

    V. Res.-TSE n 23.455/2015, art. 27, 11.

    O art. 11, 7, da Lei n 9.504/97

    define quitao eleitoral.

    4) COMPETNCIA. O art. 2, pargrafo nico, da LC n 64/90 define a competncia para a AIRC. Nas eleies municipais, a competncia ser: onde houver mais de uma Zona Eleitoral, do Juzo Eleitoral com atribuio para julgar o registro de candidatos (art. 2, 2, da Res.-TSE n 23.462/2015); nos demais casos, do Juiz Eleitoral da circunscrio.

    5) PRAZO PARA O AJUIZAMENTO (E CONTAGEM). O prazo para ajuizamento da AIRC de 5 (cinco) dias, contados da publicao do edital relativo ao pedido de registro de candidatura, na forma do art. 3, caput, da LC n 64/90. A publicao do edital, como termo inicial para a propositura da AIRC (seja publicao em rgo oficial ou fixao no cartrio eleitoral), aplica-se a todos os legitimados inclusive ao Ministrio Pblico3.

    A impugnao por parte do candidato, do partido poltico ou da coligao no impede a ao do Ministrio Pblico no mesmo sentido.

    LC n 64/90, art. 3, 1; Res.-TSE n

    23.455/2015, art. 39, 1.

    6) PRECLUSO: Ocorre a precluso quando a inelegibilidade no arguida na AIRC, salvo se se tratar de matria constitucional ou superveniente ao registro de candidatura. A matria no preclusa deve ser atacada atravs de RCED (Cdigo Eleitoral, art. 262). OBS: tratando-se de prazo preclusivo, no recomendado ao Promotor Eleitoral aguardar a abertura de vista para manifestao, como custos legis, nos autos do procedimento do requerimento do registro de candidatura; tendo cincia da causa de inelegibilidade (sentido lato), o Ministrio Pblico Eleitoral deve apresentar a respectiva impugnao ao registro de candidatura no prazo legal.

  • 6

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    7) INDEFERIMENTO DE OFCIO. O pedido de registro ser indeferido, ainda que no tenha havido impugnao, quando o candidato for inelegvel ou no atender a qualquer das condies de elegibilidade.

    Res.-TSE n 23.455/2015, art. 45.

    8) PROCEDIMENTO. Segue o rito previsto na LC n 64/90, art. 3 ao 16.

    9) LEGITIMIDADE ATIVA. A LC n 64/90 prev a legitimidade ativa do Ministrio Pblico, dos partidos polticos ou coligaes e dos candidatos (art. 3, caput, da LC n 64/90). O eleitor no tem legitimidade ativa, embora possa dar notcia de inelegibilidade.

    Res.-TSE n 23.455/2015, art. 43.

    10) CAPACIDADEPOSTULATRIA. A jurisprudncia (ainda) tem entendido pela desnecessidade de capacidade postulatria na impugnao ao registro de candidatura, somente exigindo-se a representao

    por advogado na fase recursal (TSE Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral n 33.378 Rel. Min. Marcelo Ribeiro j. 04.12.2008).

    11) RECURSO. o previsto no art. 258 do Cdigo Eleitoral, com prazo de 3 (trs) dias. Enquanto estiver com o registro sub judice, o candidato poder efetuar todos os atos relativos campanha eleitoral, inclusive utilizar o horrio eleitoral gratuito no rdio e na televiso e ter seu nome mantido na urna eletrnica (art. 16-A da Lei n 9.504/97).

    12) GENERALIDADES. No h litisconsrcio passivo necessrio entre Prefeito e Vice na AIRC; a interveno do outro componente da chapa pode ocorrer na forma de assistncia. No caso de eleio proporcional (vereador), no existe litisconsrcio passivo necessrio entre o impugnado e o partido poltico pelo qual pretende concorrer ao pleito; a interveno do partido poltico pode ocorrer na forma de assistente simples.

  • 7

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    Conforme a Sm.-TSE n 11, no processo de registro de candidatos, o partido que no o impugnou no tem legitimidade para recorrer da sentena que o deferiu, salvo se se cuidar de matria constitucional; o teor da Smula n 11 do TSE no aplicvel ao Ministrio Pblico Eleitoral (STF Agravo em Recurso Extraordinrio n 728188 Rel. Min. Ricardo Lewandoswski j. 10.10.2013; deciso em repercusso geral). As condies de elegibilidade e as causas de inelegibilidade devem ser aferidas no momento da formalizao do pedido de registro de candidatura, ressalvadas as alteraes, fticas ou jurdicas, supervenientes ao registro que afastem a inelegibilidade.

    Lei n 9.504/97, art. 11, 10.

    Os prazos so peremptrios e contnuos e correm em secretaria ou cartrio e, a partir da data do encerramento do prazo para registro de candidatos (15.8.2016) at a 16 de dezembro de 2016, no se suspendem aos sbados, domingos e feriados.

    LC n 64/90, art. 16; Res.-TSE n

    23.455/2015, art. 74.

  • 8

    ELEIES MUNICIPAIS 2016 | AES CVEIS ELEITORAIS

    II. RECURSO CONTRA A EXPEDIO DO DIPLOMA - RCED 1) FUNDAMENTO LEGAL. Tem previso legal no Cdigo Eleitoral, art. 262.

    2) OBJETIVO. O RCED tem por objetivo desconstituir o diploma.

    3) HIPTESES DE CABIMENTO. O recurso contra expedio de diploma caber somente nos casos de inelegibilidade superveniente ou de natureza constitucional e de falta de condio de elegibilidade (art. 262 do Cdigo Eleitoral).

    4) PRAZO (PARA O AJUIZAMENTO). O prazo para ajuizamento do RCED de 3 (trs) dias, a partir da diplomao do candidato.

    Res.-TSE n 23.456/2015, art. 172.

    Trata-se de prazo decadencial, mas, com a supervenincia de recesso forense, o TSE admite a prorrogao de seu termo final para o dia subsequente (Agravo Regimental em Agravo de

    Instrumento n 11450 Rel. Min. Aldir Passarinho Jnior j. 03.02.2011).

    5) COMPETNCIA. Nas eleies muni