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  • FUNDAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDNIA UNIR

    CAMPUS PROFESSOR FRANCISCO GONALVES QUILES CACOAL

    DEPARTAMENTO ACADMICO DE DIREITO

    MARCELA RAGNINI

    A AUTOTUTELA PENAL NA SOCIEDADE CONTEMPORNEA:

    REFLEXES JUSFILOSFICAS

    TRABALHO DE CONCLUSO DE CURSO

    MONOGRAFIA

    CACOAL RO

    2015

  • MARCELA RAGNINI

    A AUTOTUTELA PENAL NA SOCIEDADE CONTEMPORNEA:

    REFLEXES JUSFILOSFICAS

    Monografia apresentada ao Curso de Direito da Fundao Universidade Federal de Rondnia UNIR Campus Professor Francisco Gonalves Quiles Cacoal, como requisito parcial para obteno do grau de Bacharel em Direito, elaborada sob a orientao do professor M.e Bruno Milenkovich Caixeiro.

    CACOAL - RO

    2015

  • Catalogao na publicao: Leonel Gandi dos Santos CRB11/753

    Ragnini, Marcela.

    R143a A autotutela penal na sociedade contempornea: reflexes

    jusfilosficas/ Marcela Ragnini Cacoal/RO: UNIR, 2015.

    60 f.

    Trabalho de Concluso de Curso (Graduao).

    Universidade Federal de Rondnia Campus de Cacoal.

    Orientador: Prof. Me. Bruno Milenkovich Caixeiro.

    1. Direito penal. 2. Linchamento. 3. Garantias

    fundamentais. I. Caixeiro, Bruno Milenkovich. II. Universidade

    Federal de Rondnia UNIR. III. Ttulo.

    CDU 343

  • A AUTOTUTELA PENAL NA SOCIEDADE CONTEMPORNEA:

    REFLEXES JUSFILOSFICAS

    MARCELA RAGNINI

    Monografia apresentada ao Curso de Direito da Fundao Universidade

    Federal de Rondnia UNIR Campus Professor Francisco Gonalves Quiles

    Cacoal, para obteno do grau de Bacharel em Direito, mediante a Banca

    Examinadora formada por:

    ___________________________________________________________________ Professor M.e Bruno Milenkovich Caixeiro - UNIR - Presidente

    ___________________________________________________________________

    Professor M.e Victor de Almeida Conselvan - Membro ___________________________________________________________________

    Professora M. Kaiomi de Souza Cavalli - Membro Conceito: __________________

    Cacoal, 02 de julho de 2015.

  • Dedico este trabalho minha famlia, meu alicerce espiritual e moral. Ao meu namorado, verson Antnio Pini Jnior, por ser estar sempre presente nas minhas batalhas. Dedico ainda, s minhas avs Tereza Margarida Biavati Ragnini e Judite Nunes Figueiredo por serem meus anjos protetores (in memorian).

  • AGRADECIMENTOS

    Em primeiro lugar e no havia de ser diferente, agradeo aos meus pais, Maria dos Anjos Batista e Francisco Angelino Ragnini, pela inexaurvel dedicao em me proporcionar o que nunca tiveram e pelo apoio que do aos sonhos de sua primognita.

    Me, no fosse voc, no teria me tornado a mulher persistente em seus sonhos que hoje acredito ser. Pai, aprendi muito com os seus ensinamentos, no trocaria a rgida educao que recebi de ti por um colo mimado e cheio de iluses. Tenho orgulho em compartilhar os traos de ambos, figuras heroicas em minha vida e, caso eu consiga encarar a vida com a metade da bravura e f que lhe so inerentes j me darei por vitoriosa.

    Aos meus irmos, Marina Fernanda Ragnini e Wellington Ragnini, parceiros da vida, amigos de todo sempre, pela infncia e adolescncia compartilhada, cujas existncias fazem os meus dias mais felizes.

    Aos amigos que a vida acadmica me deu, Marcelo da Silva Rezende, Wgner Cardoso, Geneci Lemos, Leiliane Oliveira, Vanessa Fernanda, Ndia Giovanoni, Renata Concrdia, Edson Viana, agradeo imensamente pelo companheirismo.

    Aos professores Victor de Almeida Conselvan, Afonso Maria das Chagas e Daeane Zulian Dorst, que no raramente, despenderam de seus preciosos tempos para uma conversa amiga, um conselho, agradeo imensamente pelo comprometimento com seus trabalhos, pela postura com que tratam seus alunos, enfim, so exemplos de profissionais e engrandecem o curso de Direito do campus Professor Francisco Gonalves Quiles.

    Ao Professor Morais, um profissional e ser humano admirvel, o qual no revidou meus convites para conversas filosficas sobre o Direito, sobre a vida, mesmo sendo em lugares inesperados como supermercados, agradeo os conselhos e a ateno.

    Por fim e no menos importante, ao meu professor e orientador, Professor M.e. Bruno Milenkovich Caixeiro, a quem muito admiro e tive o prazer de reencontrar nesta Universidade, haja vista ter sido meu Professor em outra instituio, pelos ensinamentos essenciais minha formao voltada ao Direito Penal, pelas reflexes que proporciona com suas aulas e questionamentos, pela pacincia com que orientou e corrigiu meus erros.

    todos, partes de mim, muito obrigada!

  • Primeiro levaram os negros

    Mas no me importei com isso

    Eu no era negro

    Em seguida levaram alguns operrios

    Mas no me importei com isso

    Eu tambm no era operrio

    Depois prenderam os miserveis

    Mas no me importei com isso

    Porque eu no sou miservel

    Depois agarraram uns desempregados

    Mas como tenho meu emprego

    Tambm no me importei

    Agora esto me levando

    Mas j tarde.

    Como eu no me importei com ningum

    Ningum se importa comigo.

    (Bertold Brecht)

  • RESUMO

    Buscando evidenciar a prtica do linchamento na sociedade contempornea, uma espcie de autotutela penal, forma de justiamento sumrio realizada no mbito privado e que prescinde da anlise de culpa do suposto agente criminoso. O carter marcadamente punitivo dos linchamentos brasileiros emerge a necessidade de verificar aqueles que apoiam e cometem o ato linchador em que usurpam do Estado a figura do Estado-Juiz, rogando para si o direito de punir. Ademais, os atos do linchamento so demasiadamente cruis, as vtimas so afastadas dos princpios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana, devido processo legal, ampla defesa e contraditrio, presuno de inocncia, entre outros que so protegidos pelo Estado Democrtico de Direito. Em anlise ao senso comum acerca dos linchamentos, evidencia a mdia, em um contexto nacional, como uma das disseminadoras desta violncia, legitimando a atitude linchadora em face da insatisfao da sociedade com as medidas adotadas pelo Estado. Por fim, em uma anlise jusfilosfica, reflete sobre a legitimidade dos movimentos linchadores frente ao Estado Democrtico de Direito.

    Palavras-chave: Autotutela penal; Linchamento; Garantias Fundamentais; Estado Democrtico de Direito.

  • ABSTRACT

    An attempt to clarify the pratice of lynching in the contemporany society a kind of criminal self-defense as anticipated justice conducted in the private sphere na wich prescinds the guilt of the alleged ofender. The markedly punitive character of Brazilian lynchings emerges the need to check those who support an commit act of lynch in wish usurps of the State figure of the judge-state, pleading for themselves the right to punish. Moreover, the acts of lynching are too cruel, victms are moved away from the constitutional principles such as the dignity of the human being, due process of law, legal defense and contradictory presumption of innocence and others that are protected by the democratic state of law. In analyze common sense the lynchings, shows the media, in a national context as disseminator of this violence, legitimizing the lynch attitude in the face of dissatisfaction os society with the measures adopted by the State. Finally, in a jusphilosophical analysis reflects on the legitimacy of lynch moves front to the Democratic State of Law.

    Keywords: Criminal Self-defense; Lychings; Fundental Guarantees; Democratic State of Law.

  • 8

    SUMRIO

    INTRODUO ............................................................................................................ 9

    1 A AUTOTUTELA PENAL E O LINCHAMENTO .................................................... 12 1.1 NOES INTRODUTRIAS: AUTOTUTELA E LINCHAMENTO ...................... 12 1.2 ORIGEM DO TERMO LINCHAMENTO E SUA ACEPO NA REALIDADE

    AMERICANA ....................................................................................................... 15 1.3 LINCHAMENTO E SUA ACEPO NA SOCIEDADE BRASILEIRA

    CONTEMPORNEA ........................................................................................... 17 1.3.1 O Linchamento de Alailton Ferreira .............................................................. 21 1.3.2 O linchamento de Fabiane Maria de Jesus .................................................. 23 1.3.3 O linchamento de Andr Luiz Ribeiro ........................................................... 25

    2 O ESTADO DEMOCRTICO DE DIREITO E O IUS PUNIENDI ........................... 28 2.1 DA EFETIVAO DAS GARANTIAS .................................................................. 28 2.1.1 O princpio da humanidade ........................................................................... 31 2.1.2 O princpio do devido processo legal ........................................................... 32 2.1.3 O princpio da humanidade das penas ......................................................... 34 2.2 O IUS PUNIENDI ESTATAL ................................................................................ 36

    3 LINCHAMENTOS: SENSO CRTICO VERSUS SENSO COMUM ........................ 39 3.1 MDIA E INCITAO DA AUTOTUTELA PENAL NA ATUALIDADE .................. 39 3.2 A CRISE ESTATAL E A LEGITIMIDADE PARA PUNIR ..................................... 44

    CONSIDERAES FINAIS ...................................................................................... 50

    REFERNCIAS ......................................................................................................... 54

  • 9

    INTRODUO

    Atualmente a sociedade brasi