Livro O menino e o Pássaro

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Ilustração do livro por Fábio Felício

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  • Jos Leon Machado

    O Menino e o Pssaro

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  • Um menino descobrira um passarinho que ainda no voava. Encontrou-o saltitando assustado num canteiro de flores na casa da av que fora visitar com a sua irm, uma menina de tranas muito com-pridas. O menino correu para a irm e pediu-lhe que o ajudasse a apanhar o pardal. E os dois, com um saco plstico vermelho e azul, conseguiram apanh-lo. Foram muito satisfeitos mostr-lo av que lhes preparava um lanche apetitoso, como as avs fazem quando so visitadas pelos netos. O menino estava excitado e ela disse-lhe que o pssaro era muito engraado e que no o deixasse fugir. O menino ento projectou uma gaiola de madeira que o pai lhe have-ria de fazer e seria a casa do passarinho. E ele t-lo-ia no quarto e ouvi-lo-ia cantar, dar-lhe-ia miolo de po e seriam os dois muito amigos. Aps o lanche com biscoitos caseiros e leite quente com chocolate, os netos deram quatro beijos av e partiram para sua casa de autocarro. A menina era mais velha e j tinha certa responsabilidade. Adeus, meninos. Cumprimentos aos paps e tratai bem do passarinho.

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  • Instalaram-se nos bancos traseiros, aqueles parecidos com os do comboio em que os passageiros esto voltados uns para os outros. O menino sentou-se junto de um senhor de bigode, mal encarado e sempre a coar o joelho. A irm ficara ao lado de uma amiguinha a conversar. Em frente estava uma senhora gorda que ocupava mais de metade do banco e entalava contra a janela um outro passageiro. O que levas no saco com tanto cuidado? perguntou a amiga da irm ao menino. um passarinho. Deixas-mo ver? Deixo. Mas ele que no fuja! to pequenino! exclamou a amiga espreitando pela abertura da saca Onde o apanhaste? No jardim de minha av. J lhe deste de comer? Dei-lhe migalhas de po. O que vais fazer com ele? Vou t-lo preso at que aprenda a voar. Se andar por a, os gatos podem com-lo. Vou pedir ao meu pai que me ajude a fazer uma gaiola. No tens pena de o prender? Ele meu amigo!

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  • O senhor de bigode tossiu e disse: meu rapaz, de que cor o passaroco? castanho. Castanho? Humm!... E fez uma careta. Deve ser um pardal. No , no! um passarinho protestou o mido. Pois olha acrescentou o senhor de bigode tossindo novamente e coando o joelho , os pardais no podem viver fechados. Se o meteres numa gaiola, ele amanh aparece-te morto. So pssaros que gostam da liberdade. O melhor tu deit-lo vida. Seno, morre. No morre, no! protestou o mido Eu no posso deix-lo fugir. muito pe-queno ainda, no sabe voar! E encostou ao peito o saco plstico vermelho e azul numa atitude protectora.

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  • A senhora gorda, ajeitando-se num gesto macilento, abriu a boca bochechuda e disse para o menino: Mata-o! Faz uma arrozada com ele. Esses pssaros so maus, no prestam. Estrag-am as sementeiras e depenicam a fruta. Nem os espantalhos os assustam. Quando crescer, ser um verdadeiro demnio. Tenho l em casa umas laranjeiras com laranjas muito boas, de umbigo. Um dia destes, tive desejos de comer duas e pedi ao meu marido, que faz sem-pre a minha vontade, para mas colher. Pois estavam ocas. Os pardais comeram tudo por dentro e s deixaram a casca redonda e muito direitinha pendurada. Grandes lambes! So pssaros maus e feios. Mata-o! Pe-no no cho, um p em cima e... trs!, menos um. Ou ento d-o tua me para fazer arroz com ele. O menino ficou chocado. Aqueles senhores no gostavam do passarinho. O pardal era seu amigo. Porque que a gente crescida era to malvada? S a avozinha disse bem dele.

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  • Quando o pai chegou noite a casa, o menino pedira-lhe a gaiola. Mas o pai, fatiga-do do dia de trabalho, no se queria incomodar a construir uma gaiola para um pssaro e muito menos gastar dinheiro a compr-la. Tinha mais que fazer, mais em que pensar, mais em que gastar o dinheiro, respondeu-lhe. Por isso o menino meteu o pardalito numa caixa de papelo dos sapatos que lhe ofereceram no Natal e tapou-a com pauzinhos para o pardal no se escapar.

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  • Todos os dias lhe dava miolo de po, sementes, moscas que ele apanhava na cozinha com a palma da mo e gua fresca numa lata vazia de sardinhas de conserva. E ficava feliz, pois, ao contrrio do que o senhor de bigode profetizara, ele no morria. Antes pelo contrrio: crescia todos os dias um bocadinho mais.

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  • Quinze dias depois, o menino retirou os pauzinhos da caixa e o pardal esvoaou pelo quarto. Deu duas voltas roda do menino e desapareceu pela janela aberta na espessura das rvores prximas. O menino nem chorou nem ficou triste. Veio-lhe uma grande alegria, porque salvara um passarinho das mos dos homens crescidos e das garras afiadas dos gatos. Agora, sempre que via um bando a saltitar, a chilrear nalguma rvore, apontava e dizia: Um daqueles meu amigo. Fui eu que o salvei.

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  • Fbio Felcio N4392Artes Plsticas e Multimdia

    I.P.Beja

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