36
MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE PROFESSOR (A): COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

  • Upload
    others

  • View
    10

  • Download
    0

Embed Size (px)

Citation preview

Page 1: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

MORFOLOGIA,

SEMÂNTICA E

SINTAXE

PROFESSOR (A): COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

Page 2: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

2 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

SUMÁRIO

1 MORFOLOGIA .............................................................................................. 03

1.1 Conceitos e definições ............................................................................... 05

1.2 Estrutura e formação das palavras ............................................................. 08

1.3 Categorias morfológicas ............................................................................. 11

1.4 Classes de palavras ................................................................................... 15

1.5 Análise morfológica .................................................................................... 20

2 SEMÂNTICA ................................................................................................. 21

2.1 Sinonímia ................................................................................................... 22

2.2 Antonímia ................................................................................................... 23

2.3 Homonímia ................................................................................................. 23

2.4 Paronímia ................................................................................................... 23

2.5 Polissemia .................................................................................................. 23

2.6 Denotação e conotação.............................................................................. 24

2.7 Semiótica .................................................................................................... 24

3 SINTAXE ....................................................................................................... 27

3.1 Funções sintáticas ...................................................................................... 29

REFERÊNCIAS CONSULTADAS E UTILIZADAS .......................................... 31

Page 3: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

3 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

1 MORFOLOGIA

Tecendo os fios iniciais de uma teia

Dentro da linguística encontramos a Morfologia que tem por objeto de

estudo a estrutura, a formação e classificação das palavras.

Morfologia deriva da palavra morfema que está definido em Ferreira

(2004) como “o elemento que confere o aspecto gramatical ao semantema,

relacionando-o na oração e delimitando sua função e seu significado”.

Semantema, por sua vez, é o elemento que encerra o significado de

uma palavra. Exemplo: agrad-, no caso de agradar, agradável, agradecido,

agrado, agradavelmente. É definido também como o “radical” da palavra, a raiz,

a parte imutável da palavra (VILARINHO, 2009).

Logo, o termo que encerra uma palavra ou sucede o seu radical é o

responsável por nos informar a respeito de gênero, número, tempo, modo,

pessoa e classe gramatical (VILARINHO, 2009), ou seja, os morfemas são

responsáveis por nos informar o gênero, o número, o tempo e modo de um

verbo e a classe gramatical de uma palavra.

Partindo dessas informações, podemos inferir que Morfologia é a parte

da gramática da língua que estuda os morfemas.

Como se observa, o interessante da morfologia é que ela estuda cada

palavra isoladamente e não dentro de uma frase, por exemplo.

A morfologia está agrupada em dez classes, as quais são chamadas

classes de palavras ou classes gramaticais. Elas são: substantivo, artigo,

adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e

interjeição.

Temos a morfologia derivacional e flexional, sendo a primeira um

conjunto de princípios que regem a formação de novas palavras numa língua e

a segunda, o conjunto das mudanças na forma das palavras, na dependência

de suas funções gramaticais. Enfim, a morfologia derivacional estuda os

princípios e a morfologia flexional estuda as variações (FERREIRA, 2004).

Page 4: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

4 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Em relação a morfologia flexional, alguns autores como Anderson (1992

apud Deus, 2009) acenam que “flexão é precisamente o campo em que os

sistemas de regras sintáticas e morfológicas interagem”, constatando, dessa

maneira, que a flexão não é um fenômeno estritamente morfológico, mas sim

algo ligado à concordância, portanto, à Sintaxe, ou seja, um mecanismo

morfossintático e não mais apenas uma característica interna da palavra, como

querem as gramáticas tradicionais, evidenciando-se, dessa maneira, a interface

existente entre a Morfologia e a Sintaxe.

Para Cunha (2008, p.1) o estudo da morfologia derivacional nas

gramáticas brasileiras apresenta inúmeros problemas, dentre eles: o peso da

tradição dando ênfase à contribuição greco-latina ao idioma. São apresentadas

listas de prefixos, radicais e sufixos, com seus significados, sem a preocupação

de se saber se o falante nativo reconhece aqueles elementos como formadores

de palavras no português atual, ou mesmo se reconhece seus significados nas

palavras em que aparecem.

Outro problema derivado do primeiro seria a mistura de sincronia e

diacronia. Elementos mórficos altamente produtivos na língua atual, assim

como outros improdutivos, mas que são reconhecidos pelos falantes, convivem

com outros que somente um estudo diacrônico poderia detectar (CUNHA,

2008, p. 2).

Nesse sentido, cabe ao professor de Língua Portuguesa conhecer e

distinguir regras para mediar o conhecimento do aluno e permitir-lhe criar, não

somente reproduzir as regras, ou seja, é fazer o aluno entender que muitas

palavras, embora possíveis na língua, a partir de uma regra de formação de

palavras, não se formam por um conjunto de restrições e bloqueios.

Enfim, dentre as aplicabilidades da morfologia podemos apontar que

uma melhor preparação do professor e um maior interesse de sua parte pelo

estudo ajudam sobremaneira na melhoria do ensino. Ensino esse que leve o

aluno a não ter medo de expor suas ideias e conclusões ao invés de levá-lo a

memorizações desnecessárias.

Page 5: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

5 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

1.1 Conceitos e definições

Numa linguagem bem simples pode-se dizer que a Morfologia tem por

objeto ou objetivo de estudo, as palavras dentro da nossa Língua, as quais são

agrupadas em classes gramaticais ou classes de palavras. Em outras palavras,

“é o estudo da estrutura e dos processos de flexão e formação dos vocábulos,

bem como a classificação dos mesmos” (ALMEIDA, 1983, p. 80).

A palavra morfologia vem do grego Morphê=figura + logias=estudo), que

trata das palavras:

a) quanto à sua estrutura e formação;

b) Quanto às suas flexões;

c) Quanto à sua classificação (ALMEIDA, 1983, p. 80).

Conhecer os elementos que formam as palavras leva o sujeito a

compreender melhor o significado de cada uma delas. E uma vez que grande

parte das palavras comporta uma divisão em unidades menores, temos os

seguintes elementos mórficos:

Raiz, radical, tema: elementos básicos e significativos.

Afixos (prefixos, sufixos), desinência, vogal temática: elementos

modificadores da significação dos primeiros.

Vogal de ligação, consoante de ligação: elementos de ligação ou

eufônicos.

Especificamente dentro de Língua Portuguesa, Morfologia é a parte da

gramática que estuda as classes e as formas das palavras, os seus

paradigmas de flexão e os processos de formação de novos vocábulos e

dentro da linguística é uma disciplina que descreve e analisa a estrutura interna

das palavras, bem como os processos de formação e variação de palavras.

Ainda dentro da Linguística, no nível de análise morfológica são encontradas

duas unidades formais: a palavra e o morfema.

Page 6: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

6 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Segundo Rosa (2000, p. 15) o termo forma pode ser tomado, num

sentido amplo, como sinônimo de plano de expressão, em oposição a plano de

conteúdo. Nesse caso, a forma compreende dois níveis de realização: os sons,

destituídos de significados, mas que se combinam e formam unidades com

significado; e as palavras, as quais, por sua vez, têm regras próprias de

combinação para a composição de unidades maiores.

Na Língua Portuguesa as palavras são classificadas de acordo com o

papel que exercem dentro da frase. São dez as classes de palavras em

português, e cada uma delas tem função específica na frase. Qualquer

vocábulo em língua portuguesa vai ter de estar inserido em uma dessas dez

classes de palavras, que são: substantivo, artigo, adjetivo, verbo, advérbio,

pronome, numeral, conjunção, preposição, interjeição.

Segundo Ilari e Basso (2006, p. 108) o estudo das classes de palavras

nos dá a constatação de que há em toda língua, conjuntos numerosos de

palavras que possuem as mesmas propriedades morfológicas e sintáticas e,

portanto, podem ser descritas da mesma maneira. Nesse sentido, os

gramáticos que tratam das classes de palavras, propõem uma exposição em

dois momentos: primeiro, ele caracteriza a classe por sua morfologia (dizendo

que os substantivos são simples, compostos, primitivos ou derivados e que

variam em gênero, número e grau) depois ele fala de funções sintáticas

(dizendo, por exemplo, que a principal função do substantivo é constituir o

núcleo do sujeito, do objeto e de outros sintagmas nominais).

Com relação à formação de palavras, a morfologia pode ser flexional ou

derivacional. Enquanto a primeira diz respeito a flexão de gênero e número a

segunda estuda os processos de formação de palavras que se baseiam na

aplicação de prefixos e sufixos às raízes previamente disponíveis na língua

(ILARI E BASSO, 2006, p. 103).

Geralmente os objetivos de aulas de Língua Portuguesa no tocante à

gramática passam pelo desenvolvimento de certas competências como:

Identificar os processos fonológicos e morfológicos associados à flexão

em gênero das formas nominais do Português;

Page 7: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

7 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Aplicar corretamente as regras ao fazer análise derivacional de formas

verbais;

Conhecer e distinguir as classes de palavras e suas propriedades;

Realizar de forma correta, a análise da estrutura morfológica das

palavras do Português (BRASIL, 1998).

Como se observa, tanto o estudo das classes quanto o conhecimento da

formação das palavras tem sido útil para compreender melhor a língua falada,

entretanto, o que se espera é que hajam relações e não que o estudo aconteça

de forma mecânica e decorativa como ainda acontece em muitas escolas de

ensino regular.

Nesse contexto, o profissional que escolhe o curso de especialização em

Língua Portuguesa, muito provavelmente atua na área de educação e tanto por

isso precisa conhecer profundamente as divisões da gramática como

morfologia, semântica e sintaxe, dentre outras, não para aplicá-la na sala de

aula de acordo com a gramática tradicional, mas para ter embasamento ao

mediar o conhecimento do seu aluno e ajudá-lo a desenvolver as competências

elencadas acima, tornando o processo ensino-aprendizagem além de efetivo,

agradável.

Falamos inicialmente sobre a morfologia derivacional e flexional. Esse é

outro ponto importante dentro da morfologia e diz respeito ao processo de

formação da palavra, que pode acontecer por derivação ou composição.

Derivação é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada

derivada, a partir de outra já existente, chamada primitiva, sendo vários os

tipos de derivação. Já a composição é o processo que forma palavras

compostas, a partir da junção de dois ou mais radicais. Existem dois tipos:

justaposição e aglutinação (SOPORTUGUES, 2009).

O conhecimento dos radicais gregos e latinos também é de indiscutível

importância para a exata compreensão e fácil memorização de inúmeras

palavras.

Page 8: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

8 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Enquanto de um lado se considera importante conhecer a estrutura das

palavras, por outro, segundo Rocha (1999), as gramáticas tradicionais

brasileiras sofrem com o peso da tradição, dando ênfase à contribuição greco-

latina ao idioma.

Essa questão leva a refletir sobre o imobilismo advindo das gramáticas

tradicionais, que muitas vezes é observado nos níveis de ensino, fundamental

e médio, quando observa-se claramente que não há esforço da escola e dos

professores em atualizar e parar de repetir para o aluno esse “conhecimento”.

Nesse ponto é preciso concordar com Basílio (1987) quando este infere

que a principal função dos processos de formação de palavra é a função

semântica, ou seja, as palavras são criadas para expressar significados que,

de outra forma, só poderiam ser expressos por meio de um conjunto de

elementos.

As explicações anteriores deixam bem claro a importância do estudo da

estrutura da palavra visando sua função semântica, e sendo o professor, um

mediador em todo processo de construção do conhecimento do aluno,

dominando o conteúdo e tendo estímulos para ensinar seus alunos, o sucesso

no processo ensino-aprendizagem tende a acontecer de maneira prazerosa.

Enfim, um ensino que leve o aluno a não ter medo de expor suas ideias

e suas conclusões ao invés de levá-lo a memorizações desnecessárias é o que

deve buscar cada professor em sua área de especialização.

Assim, acredita-se que compondo a grade de um curso de Língua

Portuguesa, esta disciplina é de grande relevância ao profissional que esteja

cursando a especialização.

1.2 Estrutura e formação das palavras

Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores das palavras.

Assim, compreendemos melhor o significado de cada uma delas.

Page 9: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

9 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

As palavras podem ser divididas em unidades menores, a que damos o

nome de elementos mórficos ou morfemas.

Vamos analisar a palavra “gatinhas”:

Nessa palavra observamos facilmente a existência de quatro elementos.

São eles:

gat - este é o elemento base da palavra, ou seja, aquele que contém o

significado.

inh - indica que a palavra é um diminutivo

a - indica que a palavra é feminina

s - indica que a palavra se encontra no plural

Morfemas: unidades mínimas de caráter significativo.

Obs.: existem palavras que não comportam divisão em unidades

menores, tais como: mar, sol, lua, etc.

Vamos voltar ao elementos mórficos:

1. Raiz, radical, tema: elementos básicos e significativos.

2. Afixos (prefixos, sufixos), desinência, vogal temática: elementos

modificadores da significação dos primeiros.

3. Vogal de ligação, consoante de ligação: elementos de ligação ou

eufônicos.

A raiz é o elemento originário e irredutível em que se concentra a

significação das palavras, consideradas do ângulo histórico. É a raiz que

encerra o sentido geral, comum às palavras da mesma família etimológica.

Observe o exemplo:

Raiz = noc [Latim nocere = prejudicar] tem a significação geral de

causar dano, e a ela se prendem, pela origem comum, as palavras nocivo,

nocividade, inocente, inocentar, inócuo, etc.

Obs.: uma raiz pode sofrer alterações. Veja o exemplo:

Page 10: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

10 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

at-o

at-or

at-ivo

aç-ão

ac-ionar

O radical é o elemento básico e significativo das palavras, consideradas

sob o aspecto gramatical e prático. É encontrado através do despojo dos

elementos secundários (quando houver) da palavra.

Por Exemplo:

cert-o

cert-eza

in-cert-eza

Os afixos são os elementos secundários (geralmente sem vida

autônoma) que se agregam a um radical ou tema para formar palavras

derivadas. Sabemos que o acréscimo do morfema “-mente”, por exemplo, cria

uma nova palavra a partir de “certo”: certamente, advérbio de modo.

De maneira semelhante, o acréscimo dos morfemas “a-“ e “-ar” à forma

“cert-” cria o verbo acertar. Observe que a- e -ar são morfemas capazes de

operar mudança de classe gramatical na palavra a que são anexados.

Quando são colocados antes do radical, como acontece com “a-”, os afixos

recebem o nome de prefixos. Quando, como “-ar”, surgem depois do radical,

os afixos são chamados de sufixos.

As desinências são os elementos terminais indicativos das flexões das

palavras. Existem dois tipos:

Desinências Nominais: indicam as flexões de gênero (masculino e

feminino) e de número (singular e plural) dos nomes.

Exemplos:

alun-o aluno-s

Page 11: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

11 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

alun-a aluna-s

Observação: só podemos falar em desinências nominais de gêneros e

de números em palavras que admitem tais flexões, como nos exemplos acima.

Em palavras como mesa, tribo, telefonema, por exemplo, não temos desinência

nominal de gênero. Já em pires, lápis, ônibus, não temos desinência nominal

de número.

Desinências Verbais: indicam as flexões de número e pessoa e de modo

e tempo dos verbos.

A desinência “-o”, presente em “am-o”, é uma desinência número-

pessoal, pois indica que o verbo está na primeira pessoa do singular; “-va”, de

“ama-va”, é desinência modo-temporal: caracteriza uma forma verbal do

pretérito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação.

Vogal Temática é a vogal que se junta ao radical, preparando-o para

receber as desinências. Nos verbos, distinguem-se três vogais temáticas: A E I.

1.3 Categorias morfológicas

Não é fácil definir categorias morfológicas, dada a heterogeneidade do

conjunto tradicionalmente levantado pelos linguistas. O melhor em se tratando

dessas categorias é fazer uma definição extensiva. Em português, nos

interessam as categorias tratadas por soluções baseadas em flexão. Assim

sendo, consideramos as categorias de número, gênero, pessoa, caso, tempo,

modo e aspecto. Poderíamos agregar à lista a categoria de definição, ligada ao

uso dos artigos, mas em português esta categoria é um caso limítrofe que

precisa de abordagem à parte (MANOSSO, 2010).

De forma simplificada, consideramos categoria morfológica a solução

baseada em flexão, usada na língua para agregar traços específicos ao

significado da palavra. Esses traços se distribuem de forma complementar, ou

seja, quando um está presente, fica implícita a ausência do outro e todas as

ocorrências possuem um dos traços possíveis.

Page 12: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

12 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Nosso sistema de flexão em número comporta singular e plural. Línguas

como o grego apresentam singular, dual e plural. A categoria número tem

função semântica, pois indica singularidade ou pluralidade do significado do

termo flexionado. Também apresenta função sintática, pois as frases em

português seguem regras de concordância em que alguns termos da frase

devem concordar entre si em número.

Os gêneros são o masculino e o feminino. Não é possível atribuir

característica semântica de sexo para alguns substantivos como garfo, colher,

prato, mas em português mesmo substantivos assexuados estão associados

convencionalmente a um gênero para garantir o funcionamento das regras de

concordância sintática (MANOSSO, 2010).

Em português, há dois sistemas de flexão de grau: o diminutivo-normal-

aumentativo, típico dos substantivos e adjetivos e o sistema normal-superlativo,

usado com adjetivos (CEGALLA, 2008).

A categoria de pessoa é usada para discriminar as pessoas do discurso.

Elas são três no português: primeira (quem fala), segunda (a quem se fala) e

terceira (de quem se fala) (CEGALLA, 2008).

A categoria morfológica de tempo também é típica dos verbos. Em

nosso sistema verbal temos basicamente três tempos: futuro, passado e

presente (CEGALLA, 2008).

A categoria de modo está presente no sistema verbal do português. O

verbo pode ser flexionado em três modos diferentes: imperativo, indicativo e

subjuntivo. Simplificadamente, o modo indicativo é empregado para indicar

ações de consumação certa, o subjuntivo para expressar ações hipotéticas ou

o desejo de que determinada ação venha a se consumar e o imperativo é

usado para incitar à ação (CEGALLA, 2008).

Não existe só uma categoria de aspecto em português, mas três, que

agrupamos em uma só por se manifestarem em apenas algumas flexões do

sistema verbal.

Page 13: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

13 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

O aspecto de afirmação está presente nas flexões verbais do modo

imperativo. Este tempo verbal pode ter aspecto afirmativo, quando se incita

positivamente à ação ou negativo, quando se incita à não consumar a ação.

O aspecto de consumação ocorre nas flexões verbais do futuro do modo

indicativo. Este aspecto pode ser confirmado, caso a ação seja considerada

como certa no futuro ou então, cancelado, quando a ação é dada como não

passível de consumação futura.

O aspecto de duração está presente nos tempos verbais do modo

indicativo passado. Temos o aspecto pontual que indica ações consumadas em

um momento específico. O aspecto durativo indica ações que se estendem

para aquém e além de uma determinada marca temporal no passado. O

aspecto imperfeito indica ações continuadas no passado. Por fim, o aspecto

anterior indica ação consumada num passado anterior a uma marca temporal

do passado (MANOSSO, 2010).

No quadro abaixo encontramos de forma resumida, as possibilidade de

flexão de cada categoria morfológica do português.

Categoria Flexões

Número Plural e singular

Gênero Feminino e masculino

Grau Aumentativo, diminutivo, normal, e

superlativo

Caso Oblíquo e reto

Pessoa Primeira, segunda e terceira

Tempo Futuro, passado e presente

Modo Imperativo, indicativo e subjuntivo

Aspecto de

afirmação

Negativo e positivo

Aspecto de

consumação

Cancelado e confirmado

Aspecto de duração Anterior, durativo e pontual

Definição Definido e indefinido

Page 14: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

14 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

1.4 Classes de palavras

Na língua portuguesa, há dez classes de palavras, classificação que

acontece de acordo com as funções exercidas nas orações. As seis primeiras

são variáveis, ou seja, flexionam-se em gênero, número, etc. e as quatro

últimas são invariáveis (CEGALLA, 2008).

1 Substantivo

É a palavra variável que denomina qualidades, sentimentos, sensações,

ações, estados e seres em geral. Quanto a sua formação, o substantivo pode

ser primitivo (jornal) ou derivado (jornalista), simples (alface) ou composto

(guarda-chuva). Já quanto a sua classificação, ele pode ser comum (cidade) ou

próprio (Curitiba), concreto (mesa) ou abstrato (felicidade). Os substantivos

concretos designam seres de existência real ou que a imaginação apresenta

como tal: alma, fada, santo. Já os substantivos abstratos designam qualidade,

sentimento, ação e estado dos seres: beleza, cegueira, dor, fuga. Os

substantivos próprios são sempre concretos e devem ser grafados com iniciais

maiúsculas. Certos substantivos próprios podem tornar-se comuns, pelo

processo de derivação imprópria. Os substantivos abstratos têm existência

independente e podem ser reais ou não, materiais ou não. Quando esses

substantivos abstratos são de qualidade tornam-se concretos no plural (riqueza

X riquezas).

Muitos substantivos podem ser variavelmente abstratos ou concretos,

conforme o sentido em que se empregam (a redação das leis requer clareza /

na redação do aluno, assinalei vários erros).

Já no tocante ao gênero (masculino X feminino) os substantivos podem

ser:

biformes: quando apresentam uma forma para o masculino e outra para

o feminino. (rato, rata ou conde X condessa).

uniformes: quando apresentam uma única forma para ambos os

gêneros. Nesse caso, eles estão divididos em:

-epicenos: usados para animais de ambos os sexos (macho e fêmea) -

albatroz, badejo, besouro, codorniz;

Page 15: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

15 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

-comum de dois gêneros: aqueles que designam pessoas, fazendo a

distinção dos sexos por palavras determinantes - aborígine, camarada, herege,

manequim, mártir, médium, silvícola;

-sobrecomuns - apresentam um só gênero gramatical para designar

pessoas de ambos os sexos - algoz, apóstolo, cônjuge, guia, testemunha,

verdugo.

2 Artigo

É a palavra variável que restringe a significação do substantivo,

indicando qualidades e características deste. Mantém com o substantivo que

determina relação de concordância de gênero e número.

Temos adjetivos pátrios quando indicam a nacionalidade ou a origem

geográfica, normalmente são formados pelo acréscimo de um sufixo ao

substantivo de que se originam (Alagoas por alagoano). Podem ser simples ou

compostos, referindo-se a duas ou mais nacionalidades ou regiões; nestes

últimos casos assumem sua forma reduzida e erudita, com exceção do último

elemento (franco-ítalo-brasileiro).

Temos também as locuções adjetivas: expressões formadas por

preposição e substantivo e com significado equivalente a adjetivos (anel de

prata = anel argênteo / andar de cima = andar superior / estar com fome = estar

faminto).

3 Numeral

Quanto à variação dos adjetivos, eles apresentam as seguintes

características:

-O gênero é uniforme ou biforme (inteligente X honesto[a]). Quanto ao

gênero, não se diz que um adjetivo é masculino ou feminino, e sim que tem

terminação masculina ou feminina.

-No tocante a número, os adjetivos simples formam o plural segundo os

mesmos princípios dos substantivos simples, em função de sua terminação

(agradável X agradáveis). Já os substantivos utilizados como adjetivos ficam

invariáveis (blusas cinza).

Page 16: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

16 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Quanto ao grau, os adjetivos apresentam duas formas: comparativo e

superlativo.

-O grau comparativo refere-se a uma mesma qualidade entre dois ou

mais seres, duas ou mais qualidades de um mesmo ser. Pode ser de

igualdade: tão alto quanto (como / quão); de superioridade: mais alto (do) que

(analítico) / maior (do) que (sintético) e de inferioridade: menos alto (do) que.

-O grau superlativo exprime qualidade em grau muito elevado ou

intenso. O superlativo pode ser classificado como absoluto, quando a qualidade

não se refere à de outros elementos. Pode ser analítico (acréscimo de advérbio

de intensidade) ou sintético (-íssimo, -érrimo, -ílimo). (muito alto X altíssimo)

O superlativo pode ser também relativo, qualidade relacionada, favorável

ou desfavoravelmente, à de outros elementos. Pode ser de superioridade

analítico (o mais alto de/dentre), de superioridade sintético (o maior de/dentre)

ou de inferioridade (o menos alto de/dentre).

4 Pronome

É palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui ou

acompanha um substantivo, indicando-o como pessoa do discurso.

Eles representam os nomes dos seres ou os determinam, indicando a

pessoa do discurso (CEGALLA, 2008).

A diferença entre pronome substantivo e pronome adjetivo pode ser

atribuída a qualquer tipo de pronome, podendo variar em função do contexto

frasal. Assim, o pronome substantivo é aquele que substitui um substantivo,

representando-o. (Ele prestou socorro). Já o pronome adjetivo é aquele que

acompanha um substantivo, determinando-o. (Aquele rapaz é belo). Os

pronomes pessoais são sempre substantivos.

Quanto às pessoas do discurso, a língua portuguesa apresenta três

pessoas:

1ª pessoa - aquele que fala, emissor;

2ª pessoa - aquele com quem se fala, receptor;

3ª pessoa - aquele de que ou de quem se fala, referente.

Page 17: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

17 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Há seis espécies de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos,

indefinidos, relativos e interrogativos.

5 Verbos

É a palavra variável que exprime um acontecimento representado no

tempo, seja ação, estado ou fenômeno da natureza.

Os verbos apresentam três conjugações. Em função da vogal temática,

podem-se criar três paradigmas verbais. De acordo com a relação dos verbos

com esses paradigmas, obtém-se a seguinte classificação:

regulares: seguem o paradigma verbal de sua conjugação;

irregulares: não seguem o paradigma verbal da conjugação a que

pertencem. As irregularidades podem aparecer no radical ou nas

desinências (ouvir - ouço/ouve, estar - estou/estão);

Entre os verbos irregulares, destacam-se os anômalos que apresentam

profundas irregularidades. São classificados como anômalos em todas as

gramáticas os verbos ser e ir.

defectivos: não são conjugados em determinadas pessoas, tempo ou

modo (falir - no presente do indicativo só apresenta a 1ª e a 2ª pessoa

do plural). Os defectivos distribuem-se em três grupos: impessoais,

unipessoais (vozes ou ruídos de animais, só conjugados nas 3ª

pessoas) por eufonia ou possibilidade de confusão com outros verbos;

abundantes - apresentam mais de uma forma para uma mesma flexão.

Mais frequente no particípio, devendo-se usar o particípio regular com

ter e haver; já o irregular com ser e estar (aceito/aceitado,

acendido/aceso - tenho/hei aceitado ≠ é/está aceito);

auxiliares: juntam-se ao verbo principal ampliando sua significação.

Presentes nos tempos compostos e locuções verbais;

certos verbos possuem pronomes pessoais átonos que se tornam partes

integrantes deles. Nesses casos, o pronome não tem função sintática (suicidar-

se, apiedar-se, queixar-se etc.);

Page 18: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

18 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Temos também as formas rizotônicas (tonicidade no radical - eu canto) e

formas arrizotônicas (tonicidade fora do radical - nós cantaríamos).

6 Artigo

Precede o substantivo para determiná-lo, mantendo com ele relação de

concordância. Assim, qualquer expressão ou frase fica substantivada se for

determinada por artigo (O 'conhece-te a ti mesmo' é conselho sábio). Em certos

casos, serve para assinalar gênero e número (o/a colega, o/os ônibus).

Os artigos podem ser classificado em:

definido - o, a, os, as - um ser claramente determinado entre outros da

mesma espécie;

indefinido - um, uma, uns, umas - um ser qualquer entre outros de

mesma espécie;

Podem aparecer combinados com preposições (numa, do, à, entre

outros).

7 Numeral

Numeral é a palavra que indica quantidade, número de ordem, múltiplo

ou fração. Classifica-se como cardinal (1, 2, 3), ordinal (primeiro, segundo,

terceiro), multiplicativo (dobro, duplo, triplo), fracionário (meio, metade, terço).

Além desses, ainda há os numerais coletivos (dúzia, par).

Quanto ao valor, os numerais podem apresentar valor adjetivo ou

substantivo. Se estiverem acompanhando e modificando um substantivo, terão

valor adjetivo. Já se estiverem substituindo um substantivo e designando seres,

terão valor substantivo. [Ele foi o primeiro jogador a chegar. (valor adjetivo) /

Ele será o primeiro desta vez. (valor substantivo)].

8 Advérbios

É a palavra que modifica o sentido do verbo (maioria), do adjetivo e do

próprio advérbio (intensidade para essas duas classes). Denota em si mesma

uma circunstância que determina sua classificação:

lugar: longe, junto, acima, ali, lá, atrás, alhures;

Page 19: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

19 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

tempo: breve, cedo, já, agora, outrora, imediatamente, ainda;

modo: bem, mal, melhor, pior, devagar, a maioria dos adv. com sufixo -

mente;

negação: não, qual nada, tampouco, absolutamente;

dúvida: quiçá, talvez, provavelmente, porventura, possivelmente;

intensidade: muito, pouco, bastante, mais, meio, quão, demais, tão;

afirmação: sim, certamente, deveras, com efeito, realmente,

efetivamente.

As palavras onde (de lugar), como (de modo), porque (de causa), quanto

(classificação variável) e quando (de tempo), usadas em frases interrogativas

diretas ou indiretas, são classificadas como advérbios interrogativos (queria

saber onde todos dormirão / quando se realizou o concurso).

9 Preposição

É a palavra invariável que liga dois termos entre si, estabelecendo

relação de subordinação entre o termo regente e o regido. São antepostos aos

dependentes (objeto indireto, complemento nominal, adjuntos e orações

subordinadas). Divide-se em:

essenciais (maioria das vezes são preposições): a, ante, após, até, com,

contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre,

trás;

acidentais (palavras de outras classes que podem exercer função de

preposição): afora, conforme (= de acordo com), consoante, durante,

exceto, salvo, segundo, senão, mediante, visto (= devido a, por causa

de) etc. (Vestimo-nos conforme a moda e o tempo / Os heróis tiveram

como prêmio aquela taça / Mediante meios escusos, ele conseguiu a

vaga / Vovó dormiu durante a viagem).

As preposições essenciais regem pronomes oblíquos tônicos; enquanto

preposições acidentais regem as formas retas dos pronomes pessoais. (Falei

sobre ti/Todos, exceto eu, vieram).

Page 20: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

20 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

As locuções prepositivas, em geral, são formadas de advérbio (ou

locução adverbial) + preposição - abaixo de, acerca de, a fim de, além de,

defronte a, ao lado de, apesar de, através de, de acordo com, em vez de, junto

de, perto de, até a, a par de, devido a.

Observa-se que a última palavra da locução prepositiva é sempre uma

preposição, enquanto a última palavra de uma locução adverbial nunca é

preposição.

10 Interjeição

São palavras que expressam estados emocionais do falante, variando

de acordo com o contexto emocional. Podem expressar:

alegria - ah!, oh!, oba!

advertência - cuidado!, atenção

afugentamento - fora!, rua!, passa!, xô!

alívio - ufa!, arre!

animação - coragem!, avante!, eia!

aplauso - bravo!, bis!, mais um!

chamamento - alô!, olá!, psit!

desejo - oxalá!, tomara! / dor - ai!, ui!

espanto - puxa!, oh!, chi!, ué!

impaciência - hum!, hem!

silêncio - silêncio!, psiu!, quieto!

São locuções interjetivas: puxa vida!, não diga!, que horror!, graças a

Deus!, ora bolas!, cruz credo! (PCI, 2010).

1.5 Análise morfológica

A análise morfológica consiste em dar a classe das palavras, sua

classificação, fazer o levantamento dos diversos acidentes gramaticais (gênero,

Page 21: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

21 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

número, grau, pessoa, etc.) e identificar-lhes o processo de formação e os

elementos mórficos que as constituem.

Em palavras mais simples, é o estudo de cada uma das palavras de uma

frase, visando a sua classe, ou seja, independentemente da análise da frase.

Page 22: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

22 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

2 SEMÂNTICA

Para discorrermos sobre a importância e aplicabilidade prática da

semântica no curso de especialização em Língua Portuguesa, tomaremos

como base os fundamentos da Gramática Gerativa transformacional, que é um

tipo particular de gramática ge(ne)rativa.

Essa noção de gramática foi introduzida na linguística na década de

1950, por Noam Chomsky, renovando completamente a investigação nessa

área do conhecimento. Seu objetivo é exatamente transformar.

Segundo Schutz (2003) a teoria linguística gerativo-transformacional

revolucionou conceitos e trouxe um elemento novo: o de que a linguagem

humana é criativa, e de que a capacidade (competence) de um falante nativo

(native speaker) com bom grau de instrução, através da qual ele consegue

produzir um número ilimitado de frases, é que determina a “gramaticalidade” ou

a “aceitabilidade” da língua.

Voltando um pouco no tempo, é preciso definir a gramática tradicional,

normativa ou ainda, prescritiva, como uma tentativa de estabelecer um

ordenamento lógico em um determinado idioma e definir normas que vão

determinar o que é apropriado no uso desse idioma. Daí surge a noção de

certo e errado. Aquilo que não estiver de acordo com as normas, com as regras

gramaticais, é classificado como errado. Esta teoria predominou desde meados

do século XVIII até o início deste século, e ainda hoje é encontrada no currículo

de muitas escolas.

No quadro da gramática gerativa, semântica é um meio de

representação do sentido dos enunciados. A teoria semântica deve explicar as

regras gerais que condicionam a interpretação semântica dos enunciados do

mesmo modo que a teoria fonológica deve explicar as regras fonológicas

universais, das quais as línguas não utilizam senão, um subconjunto (DUBOIS,

1973, p. 528).

Page 23: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

23 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Simplificadamente, a semântica estuda o sentido e a aplicação das

palavras em um determinado contexto. Por exemplo: a palavra manga pode ter

vários significados, de uma fruta a uma parte de uma roupa.

A semântica estuda as relações entre o signo e a coisa significada, sem

qualquer referência aos falantes e a sintaxe, as relações formais entre os

signos, com independência das pessoas que falam e as relações com as

coisas significadas (CUNHA, 2008).

Os estudos semânticos podem ser descritivos ou sincrônicos, quando

se referem à significação das formas linguísticas e às relações significativas

que mantêm entre si num determinado espaço de tempo, e históricos ou

diacrônicos, quando se referem às significações no decorrer do tempo (ou

seja, as transformações de sentido de uma forma ou às mudanças que se

verificam entre as relações significativas que mantêm entre si).

Para estudar, usar e falar de semântica, o estudioso, no caso o

professor, deve dominar alguns conceitos que levam à semântica, como por

exemplo: conotação, denotação, homonímia, lexema, metassemia,

onomasiologia, dentre outros.

É necessário esclarecer que nem sempre o termo semântica tem no

mundo científico contemporâneo o mesmo significado. Nas novas

investigações lógicas aparece uma ciência chamada de Semiótica, que é a

teoria dos signos, e nessa ciência, altamente formalizada, distinguem-se três

ramos:

1. Pragmática – Todo estudo que considera os indivíduos como

falantes.

2. Semântica – Estuda as relações entre o signo e a coisa significada,

sem qualquer referência aos falantes.

3. Sintaxe – Relações formais entre os signos, com independência das

pessoas que falam e as relações com as coisas significadas. Adiante

falaremos da semiótica.

As relações de sentido dentro da semântica lexical nos levam a algumas

definições muito importantes:

Page 24: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

24 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

2.1 Sinonímia

Os sinônimos são palavras de sentido igual ou aproximado.

2.2 Antonímia

São palavras de significação oposta.

2.3 Homonímia

Os homônimos são palavras que têm a mesma pronúncia, e às vezes a

mesma grafia, mas sentido diferente. O mais impressionante nos homônimos,

segundo Cegalla (2008) é o seu aspecto gráfico e fonético, por isso serem

divididos em:

Homógrafos heterofônicos – iguais na escrita e diferentes no timbre ou

na intensidade das vogais.

Ex: rego (substantivo) e rego (verbo)

para (verbo parar) e para (preposição)

Homófonos heterográficos – iguais na pronúncia e diferentes na escrita.

Ex: acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir)

paço (palácio) e passo (andar)

Homófonos homográficos – iguais na escrita e na pronúncia.

Ex: somem (verbo somar) e somem (verbo sumir)

Cedo (verbo) e cedo (advérbio)

2.4 Parônimia

São palavras parecidas na escrita e na pronúncia.

Ex: coro e couro; cesta e sesta; osso e ouço; infligir e infrigir

2.5 Polissemia

Acontece quando uma palavra pode ter mais de uma significação. A

esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia.

Page 25: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

25 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

2.6 Denotação e conotação

Certas palavras tem o grande poder de evocar uma extraordinária carga

semântica, ou seja, são capazes de sugerir muito mais do que o objeto

designado.

O sentido denotativo quer dizer exatamente aquilo que a palavra é. Ou

seja, quando falamos a palavra ouro estamos falando de um metal, precioso,

brilhante, de cor amarela. É o seu sentido real, próprio.

Quando falamos em sentido conotativo queremos dizer que há várias

ideias associadas, evocações que irradiam da palavra. Nesse sentido ouro

quer dizer, prazer, conforto, glória, luxo, ostentação (CEGALLA, 2008).

2.7 Semiótica

A semiótica provém da raiz grega „semeion‟, que denota signo. Assim,

desta mesma fonte, temos „semeiotiké‟, „a arte dos sinais‟. Esta esfera do

conhecimento existe há um longo tempo, e revela as formas como o indivíduo

dá significado a tudo que o cerca. Ela é, portanto, a ciência que estuda os

signos e todas as linguagens e acontecimentos culturais como se fossem

fenômenos produtores de significado, neste sentido define a semiose

(SANTANA, 2008).

A Linguística era um dos campos da Semiologia, hoje em dia, essas

ciências trabalham lado a lado.

Segundo alguns autores, a semiótica nunca foi considerada parte da

linguística. De fato, ela se desenvolveu quase exclusivamente graças ao

trabalho de não-linguistas, particularmente na França, onde é frequentemente

considerada uma disciplina importante. No mundo de língua inglesa, contudo,

não desfruta de praticamente nenhum reconhecimento institucional (SANTANA,

2008).

Embora a língua seja considerada o caso paradigmático do sistema de

signos, grande parte da pesquisa semiótica se concentrou na análise de

domínios tão variados como os mitos, a fotografia, o cinema, a publicidade ou

Page 26: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

26 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

os meios de comunicação. A influência do conceito linguístico central de

estruturalismo, que é mais uma contribuição de Saussure, levou os

semioticistas a tentar interpretações estruturalistas, num amplo leque de

fenômenos. Objetos de estudo, como um filme ou uma estrutura de mitos, são

encarados como textos que transmitem significados, sendo esses significados

tomados como derivações da interação ordenada de elementos portadores de

sentido, os signos, encaixados num sistema estruturado, de maneira

parcialmente análoga aos elementos portadores de significado numa língua

(SANTANA, 2008).

Quando deliberadamente enfatiza a natureza social dos sistemas de

signos, a semiótica tende a ser altamente crítica e abstrata. Nos últimos anos,

porém, os semioticistas se voltam cada vez mais para o estudo da cultura

popular, sendo hoje em dia comum o tratamento semiótico das novelas de

televisão e da música popular.

Ela lida com os conceitos, as ideias, estuda como estes mecanismos de

significação se processam natural e culturalmente. Ao contrário da linguística, a

semiótica não reduz suas pesquisas ao campo verbal, expandindo-o para

qualquer sistema de signos – Artes visuais, Música, Fotografia, Cinema, Moda,

Gestos, Religião, entre outros.

O conhecimento tem um duplo aspecto. Seu ponto de vista semiótico

refere-se ao significante, enquanto o epistemológico está conectado ao sentido

dos objetos. A origem da semiótica remonta à Grécia Antiga, assim sendo ela é

contemporânea do nascimento da filosofia. Porém, mais recentemente é que

se expressaram os mestres conhecidos como pais desta disciplina. Em

princípios do século XX vieram à luz as pesquisas de Ferdinand de Saussure e

C. S. Peirce, é então que este campo do saber ganha sua independência e se

torna uma ciência.

O trabalho de Peirce tem uma forte tonalidade filosófica. Saussure

aborda mais a Linguística. Um jamais conheceu o trabalho do outro. Nenhum

dos dois publicou suas teorias de forma completa em vida. Atualmente existe

um grande esforço para formalizar, completar e desenvolver essas teorias

(SANTANA, 2008).

Page 27: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

27 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

A Semiótica de Peirce não é considerada um ramo do conhecimento

aplicado, mas sim um saber abstrato e formal, generalizado. Segundo este

autor, as pessoas exprimem o contexto à sua volta através de uma tríade, qual

seja, Primeiridade, Segundidade e Terceiridade, alicerces de sua teoria.

Levando em conta tudo que se oferece ao nosso conhecimento, exigindo de

nós a constatação de sua existência, e tentando distinguir o pensamento do ato

de pensar racional, ele chegou à conclusão de que toda experiência é

percebida pela consciência aos poucos, em três etapas. São elas: qualidade,

relação – posteriormente substituída por Reação – e representação, trocada

depois por Mediação.

Peirce preferiu, porém, por critérios científicos, usar os termos acima

citados, Primeiridade, Segundidade e Terceiridade. A primeira qualidade

percebida pela consciência é uma sensação não visível, tênue. É tudo que

imprime graça e um colorido delicado ao nosso consciente, aquilo que é

presente, imediato, o entendimento superficial de algo. O segundo atributo é a

percepção dos eventos exteriores, da matéria, da realidade concreta, na qual

estamos constantemente em interação. É a compreensão mais profunda dos

significados.

A terceiridade refere-se ao estrato inteligível da experiência, aos

significados dos signos, à esfera da representação e da simbolização. Neste

âmbito se realiza a elaboração intelectual, a junção dos dois primeiros aspectos

à sua vivência, ou seja, ela confere à estruturação dos dois primeiros

elementos em uma oração o contexto pessoal necessário.

Peirce também identifica três tipos de signos: o ícone, elo afetivo entre o

signo e o objeto em si, como a pintura, a fotografia, etc.; o índice, a

representação de um legado cultural ou de uma vivência pessoal obtida ao

longo da vida, o que leva imediatamente à compreensão de um sinal, o qual se

associa a esta experiência ou conhecimento ancestral – exemplo: onde há

fumaça (indício causal), há fogo (conclusão a partir do sinal visualizado) –; e o

símbolo, associação arbitrária entre o signo e o objeto representado.

Page 28: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

28 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Outro autor importante, Ferdinad de Saussure, é conhecido como pai da

Semiose. Para ele, a mera realidade sígnica justifica a existência de um ramo

do conhecimento que estude os signos na sua relação com o contexto social.

Diferentemente de Peirce, ele não confunde o universo da simbolização e o da

vida real. Segundo Saussure, os signos, inerentes ao mundo da representação,

são constituídos por um significante, sua parte material, e pelo significado, sua

esfera conceitual, mental. Já o referente – que Peirce chama de objeto – está

inserido na esfera da realidade (SANTANA, 2008).

Page 29: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

29 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

3 SINTAXE

Em relação a sintaxe, por definição temos que ela, um ramo da

linguística, é o estudo dos processos de estruturação dos elementos nos

sintagmas oracionais e as relações de determinação que entre eles se

estabelecem.

Numa linguagem mais simples, poder-se-ia dizer que a sintaxe é a forma

como uma pessoa transmite certa informação ou ainda como ela organiza e

relaciona as palavras em uma oração.

Para Ibanõs (2009) a Sintaxe é uma subteoria linguística que investiga

as propriedades da sentença em linguagem natural. Ela faz interface interna,

em suas relações intradisciplinares, com as outras subteorias linguísticas, a

Fonologia (Fonética), a Morfologia, a Lexicologia, a Semântica e a Pragmática.

Os tópicos mais investigados são exatamente os relevantes para que a

investigação pura e ou aplicada esteja numa relação adequada. Inferências

como acarretamento, hiponímia, pressuposição e implicaturas estão no centro

dessas relações intradisciplinares.

Estudar a sintaxe de uma língua significa identificar e compreender as

maneiras como as palavras se associam para formar estruturas maiores como

frases, orações, períodos e textos. Assim, analisar sintaticamente os

enunciados da língua é explicitar as estruturas sintáticas e as relações e

funções dos seus termos constituintes.

Os primeiros passos da tradição europeia no estudo da sintaxe foram

dados pelos antigos gregos, começando com Aristóteles, que foi o primeiro a

dividir a frase em sujeitos e predicados. Um segundo contributo fundamental

deve-se a Frege que critica a análise aristotélica, propondo uma divisão da

frase em função e argumento. Deste trabalho fundador, deriva toda a lógica

formal contemporânea, bem como a sintaxe formal. No século XIX a filologia

dedicou-se sobretudo à investigação nas áreas da fonologia e morfologia, não

Page 30: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

30 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

tendo reconhecido o contributo fundamental de Frege, que só em meados do

século XX foi verdadeiramente apreciado.

Historicamente, a preocupação com o sentido das palavras e sua

relação com o mundo remontam a Antiguidade. Os filósofos gregos já

manifestavam uma certa curiosidade com relação à motivação do sentido das

palavras e travavam longas discussões nas quais alguns defendiam que a

relação entre a palavra e seu significado não era arbitrária, que tinha razão de

ser, outros acreditavam que o sentido dado a uma sequência sonora que

configurava uma determinada palavra era convencional e arbitrária, portanto.

Em se tratando do desenvolvimento de competências quando se vai

estudar a linguagem, Chomsky (1971) considera a sintaxe como um módulo

nuclear voltada para universalidade enquanto a semântica e a fonologia são

periféricas e mais abordadas quando se trata das características particulares

de uma ou de outra língua.

A semântica enquanto objeto de estudo, não é um tema fechado em si,

mas, pelo contrário, participa de estudo que, mesmo não tendo como foco base

a semântica, apresenta um componente semântico. É esse o caso dos estudos

que têm como fim a construção de gramáticas textuais.

Para a construção de um texto com sentido são necessários dentre

outros atributos, coerência e coesão. Coerência é dar sentido completo ao

texto e sobre o uso da coesão, pode-se dizer que é importante escolher o

conectivo adequado para expressar as relações semânticas, pois um mesmo

conectivo pode expressar relações semânticas diferentes, sendo necessário,

portanto, saber reconhecê-las.

As explicações acima levam a inferir que é muito importante conhecer o

significado das palavras, não só para o falante bem como para o escritor, pois

será capaz de selecionar a palavra certa no momento de construir

corretamente o seu texto ou a sua mensagem (OURIVES, 2008).

Uma vez que a sintaxe é a parte da gramática que estuda a disposição

das palavras na frase e a das frases no discurso, bem como a relação lógica

das frases entre si, ao emitir uma mensagem verbal, o emissor deve procurar

transmitir um significado completo e compreensível. Para isso, as palavras são

Page 31: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

31 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

relacionadas e combinadas entre si. A sintaxe é um instrumento essencial para

o manuseio satisfatório das múltiplas possibilidades que existem para combinar

palavras e orações.

Estudar a sintaxe de uma língua significa identificar e compreender as

maneiras como as palavras se associam para formar estruturas maiores como

frases, orações, períodos e textos. Assim, analisar sintaticamente os

enunciados da língua é explicitar as estruturas sintáticas e as relações e

funções dos seus termos constituintes.

Segundo Cunha e Pereira (2007) os primeiros passos em direção ao

estudo da sintaxe foram dados pelos gregos, começando por Aristóteles que

dividiu a frase em sujeitos e predicados. Daí pra cá vieram os complementos

nominal e verbal, os adjuntos, os predicativos dentre outras funções, que fazem

parte da análise sintática de uma frase ou período de uma oração. Análise

sintática serve de ponto de partida para o estudo global de um idioma, devendo

ser usada como um meio e não como um fim, enriquecendo os conhecimentos

do aluno.

Enfim, como percebeu-se ao longo do texto, a importância maior de se

conhecer o significado das palavras e de conseguir analisar cada componente

em uma frase reside no fato de ajudar o falante ou escritor da língua a ser rico,

coeso, coerente em sua fala ou escrita. Para tanto, o professor como mediador

do processo de aprendizagem dominando a língua e utilizando de uma boa

metodologia terá muitas chances de ajudar seu aluno a enriquecer seu

vocabulário para construção textual.

3.1 Funções e análises sintáticas

As funções sintáticas podem ser de período simples ou composto,

conforme mostra o quadro abaixo:

Sintaxe de período simples Sintaxe de período composto

Sujeito

Predicado

Orações coordenadas

Page 32: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

32 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Verbo de ligação

Complemento nominal

Verbo intransitivo

Verbo transitivo direto

Verbo transitivo indireto

Verbo transitivo direto e

indireto

Objeto direto

Aposto

Objeto indireto

Predicativo do sujeito

Predicativo do objeto

Orações subordinadas

Na análise sintática entram os seguintes conceitos terminológicos:

sintagma, frase, oração, período, estrutura de superfície, estrutura profunda,

parataxe e hipotaxe.

Dentre as utilizações da análise sintática tem-se que ela é capaz de

tratar corretamente de situações que implicam em identificação de gênero e

número, como no caso do artigo “the” em inglês, que deve ser traduzido de

forma diferente em português dependendo da palavra à qual se refere, ou dos

pronomes demonstrativos, possessivos, de quantificadores e de partículas

introdutórias de interrogações.

A análise semântica sempre acompanha a representação sintática,

sejam elas feitas paralelamente, de forma simultânea, ou a análise semântica

após a sintática (o peso ou a ênfase dada a cada uma delas pode variar, porém

a maior parte dos sistemas atualmente em uso baseiam-se fundamentalmente

na sintaxe). A análise semântica também pode ser realizada em vários níveis:

de forma local, fazendo uso de grupos de palavras ao longo da sentença;

englobando toda a sentença; ou experimentando fazer uma análise mais

global, às vezes recorrendo a bancos de dados externos ao texto a ser

traduzido, que podem ser constituídos de outros textos da área, sentenças

prontas, modelos de estruturas, etc. (ALFARO, 1998).

Page 33: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

33 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

Não só o professor de português como qualquer profissional que

trabalhe com línguas, cabe conhecer termos conceituais no momento de

proceder uma análise de frase, oração ou sentença nas mais diversas áreas.

Especificamente sua importância e aplicabilidade prática na área de educação

– ensino fundamental e médio, reside no fato de que o professor tendo esse

domínio de conceitos, terá maior segurança para ensinar e mostrar aos seus

alunos a beleza de analisar e interpretar os detalhes de sua língua.

Page 34: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

34 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

REFERÊNCIAS CONSULTADAS E UTILIZADAS

ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática metódica da Língua

Portuguesa. 32 ed. São Paulo: Saraiva, 1983.

ALFARO, Carolina. Descobrindo, Compreendendo e Analisando

a Tradução Automática. Rio de Janeiro: PUC, 1998. (Monografia de

especialização em Tradução Inglês/Português). Disponível em:

<http://www.tecgraf.puc-rio.br/~carolina/monografia/apresentacao.html>

Acesso em: 13 jun. 2010.

BASÍLIO, Margarida. Teoria lexical. São Paulo: Ática, 1987.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares

nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa/

Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

CHOMSKY, Noam. Linguagem e pensamento. Rio de Janeiro: Vozes, 1971.

CUNHA, Antonio Sérgio Cavalcante da. A importância da contribuição da

gramática gerativa no ensino de morfologia derivacional. I Simpósio de

Estudos Filológicos e Linguísticos, promovido pelo CiFEFiL e realizado na

FFP(UERJ), de 3 a 7 de março de 2008. Disponível em:

<http://www.filologia.org.br/revista/40suple/a%20_importancia_da_contribuicao.

pdf> Acesso em: 12 jun. 2010.

CUNHA, Celso; PEREIRA, Cilene da Cunha. Gramática do português

contemporâneo. Porto Alegre: L & PM, 2007.

DEUS, Dimar Silva de. O gênero dos nomes e a interface entre a

morfologia e a sintaxe. Disponível em:

<http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno14-12.html> Acesso em: 12

jun. 2010.

Page 35: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

35 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

DUBOIS, Jean et al. Dicionário de Linguística. São Paulo: Cultrix, 1973.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio da Língua

Portuguesa – século XXI. 3 ed. 1 reimp. Editora Positivo, 2004 CDRom.

IBANÕS, Ana Maria Tramunt. Pesquisa em sintaxe e suas relações

próximas: semântica e pragmática (2009). Disponível em:

<http://www.pucrs.br/edipucrs/online/pesquisa/pesquisa/artigo10.html> Acesso

em: 13 jun. 2010.

ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente: a língua que

estudamos : a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006.

MANOSSO, Radames. Categorias morfológicas. Disponível em:

<http://www.radames.manosso.nom.br/gramatica/categoriasmorfo.htm> Acesso

em: 12 jun. 2010.

OURIVES, Paulo de Almeida. Descrevendo a semântica e a sintaxe – parte

6. (2008) Disponível em: <http://pt.shvoong.com/humanities/1746780-

descrevendo-sintaxe-semantica-parte/> Acesso em: 12 jun. 2010.

PCI. Classes de palavras. Disponível em:

<http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/> Acesso em: 12 jun. 2010.

ROCHA, Luiz Carlos de Assis. Estruturas morfológicas do português. Belo

Horizonte: UFMG, 1999.

ROSA, Maria Carlota. Introdução à Morfologia. São Paulo: Contexto, 2000.

SCHUTZ, Ricardo. Considerações a respeito de gramática (2009).

Disponível em: <http://www.sk.com.br/sk-grint.html> Acesso em: 13 jun. 2010.

Page 36: MORFOLOGIA, SEMÂNTICA E SINTAXE

INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO

NOME DA DISCIPLINA AQUI

36 WWW.INEEAD.COM.BR – (31) 3272-9521

SANTANA, Ana Lucia. Semiótica (2008). Disponível em:

<http://www.infoescola.com/filosofia/semiotica/> Acesso em: 14 jun. 2010.

SÓ PORTUGUÊS. Morfologia (2009). Disponível em:

<http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/> Acesso em: 13 jun. 2010.

SÓ PORTUGUÊS. Sintaxe (2009). Disponível em:

<http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/> Acesso em: 13 jun. 2010.

VILARINHO, Sabrina. Morfologia (2009). Disponível em:

<http://www.brasilescola.com/portugues/morfologia-1.htm> Acesso em: 14 jun.

2010.

VILARINHO, Sabrina. Semântica (2009). Disponível em:

<http://www.brasilescola.com/portugues/semantica.htm> Acesso em: 13 jun.

2010.