O Que é Saudades

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  • 1. Rogrio Brando Mdico oncologista clinico RC Recife Boa Vista D4500 Cremepe 5758"Esse pps um relato de vida maravilhoso vivido por esse mdico, e que se aplica a todos ns com certeza, tornando-nos mais humanos e solidrios, para com nosso irmozinho

2. Mdico cancerologista, j calejado com longos 29 anos de atuao profissional, com toda vivencia e experincia que o exerccio da medicina nos traz, posso afirmar que cresci eme modifiquei com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Dizem que a dor quem ensina a viver. 3. No conhecemos nossa verdadeira dimenso,at que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais alm.Descobrimos uma fora mgica que nos ergue, nos anima, e no raro,nos descobrimos confortandoaqueles que vieram para nos confortar. Um dia, um anjo passou por mim... 4. No incio da minha vida profissional,senti-me atrado em tratar crianas, me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho ainda hoje,um carinho muito grande por crianas. Elas nos enternecem e nos surpreendemcomo suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades. 5. Ns mdicos somos treinados para nos sentirmos "deuses".S que no o somos! No acho o sentimento de onipotncia de todo ruim, se bem dosado. este sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer desafios,a se rebelar contra a mortee a tentar ir sempre mais alm . 6. Se mal dosado, porm, este sentimento ser de arrogncia e prepotncia,o que no bom.Quando perdemos um paciente,voltamos plancie, experimentamoso fracasso e os limites que a cincia nos impe e entendemos que no somos deuses.Somos forados a reconhecer nossos limites! 7. Recordo-me com emoo doHospital do Cncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a freqentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. Mas tambm comecei a vivenciar osdramas dos meus pacientes, particularmente os das crianas, que via como vtimas inocentes desta terrvel doena que o cncer. 8. Com o nascimento da minha primeira filha,comecei a me acovardarao ver o sofrimento destas crianas.At o dia em que um anjo passou por mim. Meu anjo veio na forma de uma criana j com 11 anos, calejada porm por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulaes, injees,e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapia e radioterapia. 9. Mas nunca vi meu anjo fraquejar.J a vi chorar sim, muitas vezes , mas no via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto humano!Mas via confiana e determinao. Ela entregava o bracinho enfermeira, e com uma lgrima nos olhos dizia: faa tia, preciso para eu ficar boa. 10. Um dia,cheguei ao hospital de manh cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela me. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje no consigo contar sem vivenciar profunda emoo. 11.

  • Meu anjo respondeu:
  • Tio, disse-me ela, s vezes minha me
  • sai do quarto para chorar escondido
  • nos corredores.
  • Quando eu morrer, acho que
  • ela vai ficar com muita saudade de mim.
  • Mas eu no tenho medo de morrer, tio.
  • Eu no nasci para esta vida!
  • Pensando no que a morte representava
  • para crianas, que assistem
  • seus heris morrerem e ressuscitarem
  • nos seriados e filmes, indaguei:

12.

  • - E o que morte representa para voc, minha querida?
  • Olha tio, quando a gente pequena, s vezes,
  • vamos dormir na cama do nosso pai e no
  • outro dia acordamos no nosso quarto,
  • em nossa prpria cama no ?
  • (Lembrei minhas filhas, na poca crianas de 6 e 2 anos,
  • costumavam dormir no meu quarto e aps
  • dormirem eu procedia exatamente assim.)
  • - isso mesmo, e ento?
  • Vou explicar o que acontece, continuou ela:
  • Quando ns dormimos, nosso pai vem e nos
  • leva nos braos para o nosso quarto,
  • para nossa cama, no ?
  • - isso mesmo querida, voc muito esperta!

13.

  • Olha tio, eu no nasci para esta vida!
  • Um dia eu vou dormir e o meu
  • Pai vem me buscar.
  • Vou acordar na casa Dele,
  • na minha vida verdadeira!
  • Fiquei "entupigaitado" .
  • Boquiaberto, no sabia o que dizer.
  • Chocado com o pensamento deste anjinho,
  • com a maturidade que o sofrimento acelerou,
  • com a viso e grande espiritualidade
  • desta criana, fiquei parado, sem ao.
  • E minha me vai ficar com muitas
  • saudades minha, emendou ela.

14. Emocionado, travado na garganta, contendo umalgrima e um soluo, perguntei ao meu anjo: - E o que saudade significapara voc, minha querida? 15.

  • - No sabe no tio?
  • Saudade o amor que fica!

16. Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definio melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: o amor que fica! Um anjo passou por mim...Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o cu e a terra, do que nos permitimos enxergar.Que geralmente, absolutilizamos tudo que relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jias)enquanto relativizamos a nica coisaabsoluta que temos, nossa transcendncia. 17. Meu anjinho j se foi, h longos anos. Mas me deixou uma grande lio, vindo de algum que jamais pensei, por ser criana e portadora de grave doena, e a quem nunca mais esqueci . Deixou uma lio que ajudoua melhorar a minha vida,a tentar ser mais humano e carinhosocom meus doentes, a repensar meus valores. 18. Hoje, quando a noite chega e o cu est limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo "meu anjo, que brilha e resplandece no cu. Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa. Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lies que ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudades! O amor que ficou eterno 19. Formatou Dom Patr Texto Do mdico citado no incio do pps MusicaBiltis