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O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, dentre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deves escutar.

O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, dentre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deves escutar

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Page 1: O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, dentre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deves escutar

O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, dentre os teus irmãos,

um profeta como eu; a ele deves escutar.

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15O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, dentre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deves escutar. 16Foi o que pediste ao Senhor, teu Deus, no monte Horeb, no dia da Assembleia, quando lhe disseste: ‘Não queremos mais ouvir a voz do Senhor, nosso Deus, nem tornar a ver mais este fogo enorme, para não morrer.’ 17O Senhor disse-me então: ‘Está certo o que eles dizem. 18Suscitar-lhes-ei um profeta como tu, dentre os seus irmãos; porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes dirá tudo o que Eu lhe ordenar.

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O Livro do Deuteronómio acaba manifestando uma certa tristeza: constata que a promessa da vinda do profeta igual a Moisés não se tinha ainda realizado.

«Nunca mais surgiu em Israel um profeta semelhante a Moisés, com quem o Senhor falava face a face». (Dt 34,10)

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No Livro do Êxodos diz o que distingue este profeta do outros: «O Senhor falava com Moisés, frente a frente, como um homem fala com o seu amigo». (Ex 33,11)

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Moisés não se distingue dos outros profetas pelos prodígios que Deus realizou através dele, libertando o povo da Escravidão, mas sim, pelo facto de que Deus falava com ele como a um amigo. A partir daí, decorriam as suas obras; só desse encontro podia chegar a Israel a Lei divina que o devia conduzir através dos séculos, dentro da história da humanidade.

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Torna-se claro que o profeta não é um adivinho. Ele não adivinha o futuro, não se mete ao serviço da curiosidade e da necessidade de segurança dos homens. O Profeta é aquele que revela o rosto de Deus e indica qual é o caminho certo a seguir: ele introduz o povo no verdadeiro êxodos que leva até a Deus.

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9«Quando entrares na terra que o Senhor, teu Deus, te há-de dar, não imites as abominações daquelas gentes. 10Ninguém no teu meio faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha; ou se dê a encantamentos, aos augúrios, à adivinhação, à magia, 11ao feiticismo, ao espiritismo, aos sortilégios, à evocação dos mortos, 12porque o Senhor abomina todos os que fazem tais coisas. Por causa dessas abominações é que o Senhor, teu Deus, desaloja da tua frente essas gentes. 13Entrega-te inteiramente ao Senhor, teu Deus! 14De facto, essas gentes que tu vais desalojar acreditam em agoureiros e adivinhos, mas a ti o Senhor, teu Deus, não o permite. (Dt 18,9-14)

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A característica do Novo Moisés é que ele fala com Deus, face a face, como um amigo fala com o amigo. Ele tem acesso imediato a Deus. A oração de Moisés – mostra-me o Teu rosto - leva-nos a contemplar o Mistério de Deus.

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18Moisés disse: «Mostra-me a tua glória.» 19E Deus respondeu: «Farei passar diante de ti toda a minha bondade, e proclamarei diante de ti o nome do Senhor … 20E acrescentou: «Mas tu não poderás ver a minha face, pois o homem não pode contemplar-me e continuar a viver.»

21O Senhor disse: «Está aqui um lugar próximo de mim; conservar-te-ás sobre o rochedo. 22Quando a minha glória passar, colocar-te-ei na cavidade do rochedo e cobrir-te-ei com a minha mão, até que Eu tenha passado. 23Retirarei a mão, e poderás então ver-me por detrás. Quanto à minha face, ela não pode ser vista.» (Ex 33,18-23)

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Este texto ajuda-nos a compreender que o acesso imediato a Deus – mesmo para Moisés - tem limites. Ele fala com Deus, mas não pode ver o Seu rosto.

A promessa do novo Moisés esconde uma expectativa ainda maior: o desejo de poder contemplar de verdade o rosto de Deus, em plenitude.

24Na realidade, Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, figura do verdadeiro santuário, mas entrou no próprio céu, para se apresentar agora diante de Deus em nosso favor. (Eb 9,24)

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18A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer. (Jo 1,18)

Em Jesus cumpriu-se a promessa do novo profeta, pois nEle se realizou em plenitude, o que era imperfeito em Moisés: de facto, Jesus vive na intimidade de Deus, não só como amigo, mas sim como Filho muito amado.

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Jesus ensinava com autoridade, não como os escribas e os fariseus. É que o Seu ensinamento não segue de uma aprendizagem humana, mas do diálogo íntimo com o Pai, face a face, da visão do Filho que está no seio do Pai. A sua Palavra é a Palavra do Filho de Deus.

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Os Evangelho deixam transparecer o mistério íntimo de Jesus quando falam da Sua oração. Ele retirava-se em lugares solitários e ficava noites inteiras a «sós» com o Pai. Eis a fonte de onde brota o ensinamento de Jesus, do seu amor que o levou a entregar-se ao suplicio da cruz.

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Jesus fala do Pai sendo Ele o Filho. O mistério de Jesus reside na comunhão filial com Deus Pai, na qual estava envolvida a Sua humanidade. Por isso, Jesus pude afirmar «Quem me vê, vê o Pai» (Jo 14,9)

Os seus discípulos são por Ele introduzidos na mesma comunhão com Deus. Este é mistério da salvação.

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Apresentação realizada por Padre Leone Orlando cs., a partir do livro “Jesus de Nazaré”, Joseph Ratzinger, Introdução.