Queima Teu Celular

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  • Barcelona, fevereiro de 2010verso 1.0

    Sem copyright

    Encontrars no site do projeto umaverso digital destes textos, os linksaos documentos aos quais fazemosreferncia e uma verso PDF.Imprima-o, difunda-o, debata-o.

    quematumovil.pimienta.org

    A capa deste livro foi impressamanualmente com blocos demadeira e um autntico celular. Onico que usamos para escreveristo.

    Sua pesquisa, redao,diagramao, ilustrao e site foramtodas realizadas com software livre.

    quematumovil@pimienta.org

    Verso brasileira:Edies Baratas, 2014.edicoesbaratas.wordpress.com

    Barcelona, fevereiro de 2010verso 1.0

    Sem copyrightEncontrars no site do projeto uma verso digital destes textos, os links aos documentos aos quais fazemos refe-rncia e uma verso PDF. Imprima-o, difunda-o, debata-o.

    quematumovil.pimienta.org

    Sua pesquisa, redao, diagramao, ilustrao e site foram todas realizadas com software livre.

    quematumovil@pimienta.org

    Verso brasileira: Edies Baratas, 2014.

  • Com todo o investimento feito para nos vigiar no surpreendente quedepois de apenas quatro anos esse texto j tenha algumas defasagenstcnicas. Porm, apesar disso, ele de grande importncia por ser umaboa introduo ao tema. Alm disso, acreditamos que a denncia davigilncia e o esforo pela nossa segurana nunca estaroultrapassados.

    Edies Baratas

    Com todo o investimento feito para nos vigiar no surpreendente que depois de apenas quatro anos esse texto j tenha algumas defasagens tcnicas. Porm, apesar disso, acreditamos no seu valor por ser uma boa introduo ao tema. Alm disso, a denncia da vigilncia e o esforo pela nossa segurana nunca estaro ultrapassados. Edies Baratas

  • Este trabalho comeou com a vontade de esclarecer os mitos everdades a respeito da segurana com os celulares: possibilidades deescuta, de rastreamento, etc.

    Alm do controle policial queramos falar de controle social equestionar o impacto desta tecnologia sobre nossa maneira de noscomunicar e nos relacionar. F inalmente nos interessamos por suasconsequncias sociais, biolgicas e ecolgicas.

    Parece que esquecemos que h dez anos no tnhamos celulares e quese nos agrada podemos viver sem eles. S im, exatamente isso.

    A verdade que adoraramos que queimes teu celular e vamos te darboas razes para faz-lo ou pelo menos pens-lo...

    Adotaram o mtodo da clandestinidade. Nuncausam celulares [ ].

    Michle Alliot-Marie,ministra do interior francesa sobre as detenes desubversivos no caso de Tarnac, novembro de 2008

    Este trabalho comeou com a vonta-de de esclarecer os mitos e verdades a respeito da seguran-a com os celulares: possibilidades de escuta, de rastreamento, etc. Alm do controle policial queramos falar de contro-le social e questionar o impacto desta tecnologia sobre nos-sa maneira de nos comunicar e nos relacionar. Finalmente nos in-teressamos por suas consequncias socias, biolgicas e ecolgicas. Parece que esquecemos que h dez anos no tnhamos celula-res e que se nos agrada podemos viver sem eles. Sim, exatamente isso. A verdade que adoraramos que queimes teu celular e vamos te dar boas razes para faz-lo ou pelo menos pens-lo...

    Adotaram o mtodo da clandestinidade. Nunca usam celulares [...].Michele Alliot Marie,

    ministra do interior francesa sobre as detenes de subversivos no caso de Tarnac, novembro de 2008

  • Introduo 6

    O controle policialAs escutas 10

    A localizao 13A reteno de dados 16

    Os IMS I-catchers 18O S ITEL 20

    Bons costumes 22

    O controle socialMais isolado 26

    Mais estpido 28Mais espectador 30

    Carta de uma viciada 32

    Responsveis ?F inancia o capital 36

    Comprar vento 39Queima o crebro 42O celular no Sul 45

    Enfin 47

    Introduo 06

    O controle policial As escutas 10

    A localizao 13A reteno de dados 16

    Os IMSI-catchers 18O SITEL 20

    Bons costumes 22

    O controle socialMais isolado 26

    Mais bobo 28Mais espectador 30

    Carta de uma viciada 32

    Responsveis?Financia o capital 36

    Compra vento 39Queima o crebro 42

    O celular no Sul 45Enfim... 47

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    Esta publicao para ti. No te conheo, mas tenho quase certeza quevoc tem um celular no bolso.

    Em 15 anos, o celular foi difundido pelo planeta como nenhumatecnologia o tinha feito antes. At chegar a uma situao absurda: noestado espanhol, como em quase toda Europa, os contratos de telefoniacelular superam agora o nmero de habitantes.

    O controle social est tornando-se cada vez mais difuso, complexo eintegrado. Qual a tecnologia de controle mais eficaz, a TV ou ascmeras de vigilncia? Com o celular chegamos combinao idealentre o Big Brother de Orwell e a sociedade de comunicao capitalista.Essa submisso voluntria to massiva e a dependncia que implica auma ferramenta, desenvolvida e promovida pelo sistema, nos leva aquestionar algumas coisas.

    Diante desta situao, as pessoas e grupos preocupados com aprivacidade, com suas liberdades individuais ou ameaados pelavigilncia policial, se assustam com as possibilidades tcnicas docontrole via celular. A histria nos mostra que, se em outras situaes ospoderosos tivessem as ferramentas tecnolgicas atuais para vigiar apopulao, poucos dos alvos da represso (pela convico, pela origem,pela sensibilidade ou por suas prticas) teriam podido escapar. Nsmesmxs, atravs de lutas ambientais ou similares, de apoios aimigrantes ou simplesmente por nos relacionarmos com pessoasenvolvidas nesses movimentos, em Barcelona ou em outras esquinas daEuropa, vimos como a polcia pode, sob o pretexto da segurana, violara intimidade de cidadxs inquietxs, fichar os dissidentes polticos,

    Esta publicao para ti. No te conheo, mas tenho quase certeza que voc tem um celular no bolso. Em 15 anos, o celular foi difundido pelo planeta como nenhuma tecnologia o tinha feito antes. At chegar a uma situao absurda: no estado espanhol, como em quase toda Europa, os contratos de telefonia celular su-peram agora o nmero de habitantes. O controle social est tornando-se cada vez mais difuso, complexo e integrado. Qual a tecnologia de controle mais eficaz, a TV ou as cmeras de vigilncia? Com o celular chegamos combinao ideal entre o Big Brother de Orwell e a sociedade de comunicao capitalista. Essa submisso volunt-ria to massiva e a dependncia que implica a uma ferramenta, desenvolvida e promovida pelo sistema, nos leva a questionar algumas coisas. Diante desta situao, as pessoas e grupos preocupados com a pri-vacidade, com suas liberdades individuais ou ameaados pela vigilncia po-licial, se assustam com as possibilidades tcnicas do controle via celular. A histria nos mostra que, se em outras situaes os poderosos tivessem as ferramentas tecnolgicas atuais para vigiar a populao, poucos dos alvos da represso (pela convico, pela origem, pela sensibilidade ou por suas prti-cas) teriam podido escapar. Ns mesmxs, atravs de lutas ambientais ou si-milares, de apoios a imigrantes ou simplesmente por nos relacionarmos com pessoas envolvidas nesses movimentos, em Barcelona ou em outras esquinas da Europa, vimos como a polcia pode, sob o pretexto da segurana, violar a intimidade de cidadxs inquietxs, fichar os dissidentes polticos, submeter ,

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    submeter ao seu controle coletivos inteiros... A parte mais violenta dessalgica pode ser a extenso, desde o dia 11 de setembro, do marcoantiterrorista chegando por exemplo a detenes de militantes porpanfletar na Frana1, por publicar um jornal crtico em basco2, por abriruma pgina de informao do Twitter nos Estados Unidos3, e mais umalonga lista de abusos. Nesse contexto, desenvolver ideias divergentes eexpress-las pode nos transformar em suspeitxs.

    Esse controle funciona atravs do medo e gera paranoias. Assim sedifundiram algumas lendas urbanas relacionadas aos celulares: vamoscomear a assembleia, todos apagaram os celulares?, Caralho, meucelular t louco, tenho certeza que est grampeado!... Como todas alendas costumam gerar confuses, so difceis de elucidar e dequestionar coletivamente. Gostaramos aqui de documentar estastcnicas de vigilncia e propor prticas coletivas para escapar do olhodo Big Brother.

    Ateno! As informaes relativas a essas tcnicas podem ser difceisde ser encontradas entre os segredos da policia e a opacidade da justiasobre os seus mtodos de investigao. Alm disso, a evoluoconstante dessas tecnologias faz com que este contedo tenha data devalidade...

    Se no incio o celular foi associado ao homem de negcios, pouco a

    1 Em maio de 2009, em Forcalquier, no sul da Frana, a polcia antiterrorista registrou osdomiclios e deteve 4 pessoas por terem distribudo panfletos criticando a polticarepressiva do governo.http://www.laprovence.com/[ ]pour-un-tract-contre-lanti-terrorisme (Em francs)

    2 Euskaldunon Egunkaria, primeiro e nico jornal em basco, lngua oficial do Pas Basco, dahistria, foi fechado numa operao judicial em 2003. Vrias pessoas passaram meses napriso. At hoje no foi encontrada nenhuma prova formal da relao do jornal com o ETA.http://www.javierortiz.net/voz/egunkaria (Em espanhol)

    3 No dia 1 de outubro de 2009, a policia antiterrorista estadunidense registra e detm todosos moradores de uma casa coletiva em Nova York. Dois dos companheiros de casa foramdetidos no ato contra o G20 depois de terem mandado mensagens atravs do site deinformaes Twitter.http://friendsoftortuga.wordpress.com/about/ (Em ingls)

    submeter ao seu controle coletivos inteiros... A parte mais violenta dessa l-gica pode ser a extenso, desde o dia 11 de setembro, do marco antiterrorista chegando por exemplo a detenes de militantes por panfletar na Frana1, por publicar um jornal crtico em basco2, por abrir uma pgina de informa-o do Twitter nos Estados Unidos3, e mais uma longa lista de abusos. Nesse contexto, desenvolv