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:: Ano III – Número 39 :: 1 a QUINZENA DE MARÇO DE 2007 :: Os acórdãos, as sentenças, as decisões do STF e do STJ, e as informações contidos na presente edição foram obtidos em páginas da “internet” ou enviados pelos seus prolatores para a Comissão da Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. Por razões de ordem prática, alguns deles foram editados e não constam na íntegra, preservando-se, porém, na parte remanescente, o texto original. Denis Marcelo de Lima Molarinho Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região Mario Chaves Maria Helena Mallmann Ricardo Carvalho Fraga Comissão da Revista AdrianaaPooli Luís Fernando Matte Pasin Sidnei Gomes da Silva Tamira Kiszewski Pacheco Wilson da Silveira Jacques Junior Equipe Responsável Sugestões e informações: (51) 3255.2140 Contatos: [email protected] Utilize os links de navegação: volta ao índice volta ao sumário textos

Revista Eletrônica 39ª Edição

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Revista Eletrnica de Jurisprudncia n20/2006 - Ano II

:: Ano III Nmero 39 :: 1a QUINZENA DE MARO DE 2007 ::

Os acrdos, as sentenas, as decises do STF e do STJ, e as informaes contidos na presente edio foram obtidos em pginas da internet ou enviados pelos seus prolatores para a Comisso da Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 4 Regio. Por razes de ordem prtica, alguns deles foram editados e no constam na ntegra, preservando-se, porm, na parte remanescente, o texto original.

Denis Marcelo de Lima MolarinhoPresidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4 RegioMario ChavesMaria Helena MallmannRicardo Carvalho FragaComisso da Revista

AdrianaaPooli Lus Fernando Matte Pasin Sidnei Gomes da Silva Tamira Kiszewski Pacheco Wilson da Silveira Jacques JuniorEquipe Responsvel

Sugestes e informaes: (51) 3255.2140

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:: Ano III Nmero 39 :: 1 QUINZENA DE MARO DE 2007 ::

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1.1. Danos esttico e moral. Acidente do trabalho. Descumprimento do dever de diligncia quanto segurana da mquina operada. No-fornecimento de EPIs. Responsabilidade subjetiva do empregador. Indenizaes devidas. Art. 187 do CC/2002.(1 Turma. Relatora a Exma. Juza Eurdice Josefina Bazo Trres. Processo n 01114-2005-333-04-00-3 RO. Publicao em 12.02.2007).09

1.2. Danos materiais, estticos e morais. Acidente do trabalho. Doena ocupacional. Preservao de madeiras para fabricao de postes usados em energia eltrica. Exposio do trabalhador a produtos qumicos por duas dcadas. Prescrio afastada. Contagem do prazo prescricional a partir do reconhecimento da existncia do nexo causal entre a atividade desenvolvida e o acometimento da molstia. No-fornecimento de EPIs. Responsabilidade objetiva do empregador. Penso vitalcia devida. Indenizaes por alteraes morfolgicas no corpo e pelo sofrimento da vtima, distinguveis e cumulveis. Despesas mdicas. Ausncia de comprovao. Ressarcimento indevido. Arts. 21-A e 121, ambos da Lei n 8.213/91; arts. 186, 927, 949 e 950, todos do Cdigo Civil; art. 5, incisos V e X, e art. 7, inciso XXIX, ambos da Constituio Federal.

(1 Turma. Relatora a Exma. Juza Maria Helena Mallmann. Processo n 00366-2005-761-04-00-7 RO. Publicao em 05.02.2007)11

1.3. Danos material e moral. Acidente do trabalho. Morte do empregado. Indenizaes vindicadas pela viva. Competncia da Justia do Trabalho. Inciso VI do art. 114 da Constituio Federal. (1 Turma. Relator o Exmo. Juiz Pedro Luiz Serafini. Processo n 00534-2006-811-04-00-7 RO. Publicao em 12.02.2007)26

1.4. Danos material e moral. Doena ocupacional. Perda auditiva parcial induzida por rudo excessivo. No-fornecimento de EPI. Culpa do empregador. Indenizaes devidas. Critrio de fixao do prejuzo patrimonial. Utilizao da tabela do seguro DPVAT como referencial para o pensionamento vitalcio. Desnecessidade da constituio de capital. Smula 313 do STJ e do art. 475 - Q do CPC (acrescentado pela Lei n. 11.232/05). Estado do Rio Grande do Sul como reclamado. Despesas mdicas. Ausncia de comprovao. Ressarcimento indevido. Inciso I do art. 157 da CLT; arts. 159, 1.538 e 539, todos do CC/1916; arts. 186, 927, 949 e 950, todos do CC/2002; art. 21, inciso I, art. 19, 1 e 3, ambos da Lei n 8.213/91; art. 5, incisos V e X, e art. 7, inciso XXVIII, ambos da Constituio Federal.(7 Turma. Relator o Exmo. Juiz Flavio Portinho Sirangelo. Processo n 01071-2005-471-04-00-0 REO/RO. Publicao em 06.02.2007)27

1.5. Danos material e moral. Doena profissional. Perda auditiva parcial induzida por rudo. No-fornecimento de EPI. Indenizaes devidas.

(3 Turma. Relator o Exmo. Juiz Ricardo Carvalho Fraga. Processo n 00639-2005-531-04-00-5 RO. Publicao em 12.02.2007)36

1.6. Danos material e moral indireto ("dano em ricochete"). Acidente do trabalho. Morte do empregado. Indenizaes vindicadas pela viva e filhos por leso a direito prprio, alheio relao laboral. Incompetncia da Justia do Trabalho. Atos decisrios anulados. Conflito negativo suscitado. Remessa dos autos ao Superior Tribunal de Justia. Art. 114, inciso VI, e art. 105, inciso I, alnea "d", ambos da Constituio Federal; art. 12 do CC; art. 113 do CPC; art. 151 do Regimento Interno do TRT-4 Regio; O.J. n 334 da SDI-I do TST.(8 Turma. Relatora a Exma. Juza Ana Luiza Heineck Kruse. Processo n 00860-2005-561-04-00-5 RO. Publicao em 05.02.2007).38

1.7. Prescrio. Dano moral. Acidente de trnsito decorrente da relao laboral. Competncia da Justia do Trabalho. Indenizao de natureza civil. Aplicao da regra de transio prevista no Novo Cdigo Civil. Pronncia afastada. Retorno dos autos origem. Inciso V do 3 do art. 206 e parte final do art. 2.028, ambos do CC/2002, e pargrafo nico do art. 8 da CLT.(8 Turma. Relatora a Exma. Juza Cleusa Regina Halfen. Processo n 00396-2005-831-04-00-0 RO. Publicao em 12.02.2007)38

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2.1. Ao monitria. Contribuio sindical. Editais para recolhimento. Publicao no Dirio Oficial da Unio. No-enquadramento no conceito de "jornal de maior circulao". Ausncia de notificao prvia da devedora e da remessa de guias para pagamento. Inadimplemento no-caracterizado. Carncia de ao. Extino do processo sem resoluo do mrito. Arts. 605 e 769 da CLT e inciso VI do art. 267 do CPC.(Exmo. Juiz Leandro Krebs Gonalves. Processo n 00851-2006-802-04-00-2 (Ao Monitria) - 2 Vara do Trabalho de Uruguaiana. Publicao em 16.01.2007)43

2.2. Transferncia. Extino do estabelecimento. Dirigente sindical. Insubsistncia da estabilidade provisria. Recusa expressa do empregado transferncia. Abandono de emprego no-demonstrado. Despedida sem justa causa. Quitao do contrato devida. Art. 2, caput, e 469, 2, ambos da CLT, e Smulas 339, 369 e 212 do TST.(Exmo. Juiz Leandro Krebs Gonalves. Processo n 00156-2006-802-04-00-0 - 2 Vara do Trabalho de Uruguaiana. Publicao em 30.01.2007)44

Decises do Supremo Tribunal Federal publicadas de 02 a 08 de fevereiro de 2007, envolvendo matrias trabalhista e processual.48(Disponveis no "site" do Tribunal Superior do Trabalho, www.tst.gov.br Bases Jurdicas)

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Decises do Superior Tribunal de Justia publicadas de 19 de dezembrode 2006 a 09 de fevereiro de 2007, envolvendo matrias trabalhista e processual.49(Disponveis no "site" do Tribunal Superior do Trabalho, www.tst.gov.br Bases Jurdicas)

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5.1. Supremo Tribunal Federal - STF (www.stf.gov.br).

5.1.1. Informativo n 454. Braslia, 1 e 2 de fevereiro de 2007.

Plenrio

Competncia da Justia do Trabalho e Matria Penal515.1.2. Supremo nega pedido de reintegrao de empregado aos quadros de empresa.Veiculada em 29.01.2007.51

5.1.3. Presidente do STF defere liminar em reclamao de ex-prefeito de Itajub.Veiculada em 30.01.2007.51

5.1.4. Tocantins reclama contra deciso da Justia Trabalhista.Veiculada em 12.02.2007.52

5.1.5. Funcionrios da ECT contestam no STF exigncia de concurso pblico para ascenso funcional.Veiculada em 12.02.2007.52

5.1.6. ndice das Aes Diretas de Inconstitucionalidade j pode ser acessado no site do STF.Veiculada em 16.02.2007.53

5.1.7. STF nega liminar para reintegrar anistiados da ECT.Veiculada em 16.02.2007.53

5.2. Superior Tribunal de Justia (www.stj.gov.br).

5.2.1. Informativo n 309. Perodo: 18 de dezembro de 2006 a 9 de fevereiro de 2007.

Corte EspecialLegitimidade. Sindicatos. Entidades associativas. Autorizao expressa.54Segunda TurmaEquipamento. Proteo individual. Uso. Obrigatoriedade.545.2.2. Alm da Unio, estados e municpios podem intervir em caso de interesse econmico.Veiculada em 22.02.2007.55

5.3. Tribunal Superior do Trabalho (www.tst.gov.br).5.3.1. JT nega indenizao por dano moral a empregada com LER (AIRR-454-2002-017-09-40.8).Veiculada em 29.01.2007.555.3.2. Trabalhador chamado de "menino da Febem" ser indenizado (AIRR 18578/2001-008-09-40.8).Veiculada em 29.01.2007.565.3.3. TST rejeita mudana de data de pagamento na Petrobrs (RR 475330/1988.7).Veiculada em 29.01.2007.575.3.4. TST confirma validade de ampliao de turnos ininterruptos (RR 341/2005-092-03-00.0).Veiculada em 30.01.2007.575.3.5. TST reconhece prevalncia de norma coletiva (RR 753958/2001.7).Veiculada em 31.01.2007.585.3.6. No cabem honorrios se o sindicato atua como substituto processual (E-ED-RR-787.167/2001.1).Veiculada em 31.01.2007.595.3.7. Municpio de Pelotas tem juros de mora reduzidos (RR 328/200-102-04-40.8).Veiculada em 31.01.2007.604.3.8. Matria especial: assdio moral na Justia do Trabalho.Veiculada em 01.02.2007.605.3.9. Empregado pede adicional em grau mdio e ganha o mximo (E-RR-531.160/1999.0).Veiculada em 02.02.2007.635.3.10. TST decide sobre competncia funcional (ROAA-20282/2003-000-02-00.1).Veiculada em 02.02.2007.635.3.11. Banespa condenado a pagar indenizao a empregado com LER (RR-735/2001-010-18-00.1).Veiculada em 05.02.2007.645.3.12. TST decide sobre prazo para apresentao de depsito recursal (RR-1448/2005-232-04-00.2).Veiculada em 07.02.2007.655.3.13. TST nega equiparao salarial com base em incorporao de URP (RR 68160/2002-900-22-00.0).Veiculada em 07.02.2007.665.3.14. TST garante integrao de aviso prvio de 60 dias (ERR 614133/1999.0).Veiculada em 07.02.2007.675.3.15. Estabilidade de membro de CIPA termina com extino da empresa (RR 49308/2002-900-02-00.6).Veiculada em 08.02.2007.675.3.16. Empregado apelidado de javali ganha R$ 84 mil por danos morais (AIRR-801/2003-032-15-40.3).Veiculada em 08.02.2007.68

5.3.17. TST considera vlido acordo que no estendeu abono a inativo (ERR 858/2003-004-04-00.9).Veiculada em 09.02.2007.69

5.3.18. TST reconhece legitimidade processual ampla de sindicato (ERR 36903/1991.8).Veiculada em 09.02.2007.705.3.19. Atestado odontolgico vlido para justificar ausncia em audincia (RR-608/2003-014-10-40.8).Veiculada em 12.02.2007.705.3.20. TST mantm natureza salarial de produtividade na Brasil Telecom (RR 44809/2002-900-04-00.5).Veiculada em 12.02.2007.715.3.21. TST reconhece prazo decadencial de 5 anos sobre crdito do INSS (RR 360/2004-021-24-00.3).Veiculada em 13.02.2007.71

5.3.22. Piloto que consertava helicptero enquadrado como aerovirio (E-AIRR e RR 54821/2002-900-02-0.9).Veiculada em 13.02.2007.725.3.23. TST garante adicional noturno em regime de 12x36 horas (RR 678/2005-302-04-00.0).Veiculada em 14.02.2007.735.3.24. Lojas Marisa condenadas em R$ 30 mil por revista constrangedora (AIRR 813/2004-030-04-40.6).

Veiculada em 14.02.2007.745.3.25. Ao civil pblica de mbito nacional s julgada no DF (CC-170.061/2006-000-00-00.0).Veiculada em 15.02.2007.745.3.26. CEF condenada por destituir caixa que ajuizou ao trabalhista (AIRR 733/2001-092-09-40.7).Veiculada em 15.02.2007.755.3.27. TST mantm reintegrao de empregado com deficincia auditiva (RR-666.353/00.7).Veiculada em 15.02.2007.765.3.28. TST mantm condenao de empresa que no contratou aprendiz (AIRR 958/2005-005-08-40.6).Veiculada em 23.02.2007.775.3.29. Servidores discriminados da Sucen tm direito indenizao (RR- 79/2002-019-02-40.7).Veiculada em 23.02.2007.785.3.30. Ex-advogado de banco receber indenizao por dano moral (E-ED-RR 682.106/2000.3).Veiculada em 26.02.2007.785.3.31. TST multa empresa por litigncia de m-f (53179/2002-902-02-40.8).Veiculada em 26.02.2007.795.3.32. TST afasta tese de promiscuidade de depoimentos (RR 143.375/2004-900-01-00.4).Veiculada em 27.02.2007.805.3.33. Fraude leva TST a manter vnculo de SBT com PJ (RR 554/2004-023-04-00.0).Veiculada em 27.02.2007.815.4. Tribunal de Justia do Estado do Rio Grande do Sul (http://www.tj.rs.gov.br)

5.4.1. Padronizado atendimento cartorrio dos Foros da Capital.

Veiculada em 15.02.2007.81

5.4.2. Regras de atendimento no Foro da Capital (conforme Ordem de Servio n 02/2007-DF).Veiculada em 15.02.2007.825.4.3. Dirio da Justia ficar disponvel apenas na Internet.Veiculada em 22.03.2007.82

5.4.4. Dirio EletrnicoVeiculada em 22.03.2007.83( volta ao sumrio

6.1. Revista Justia do Trabalho. HS Editor. N 277. Janeiro de 2007.

6.1.1. "A Dispensa de Empregados em Empresas Pblicas e Sociedades de Economia Mista Prestadoras de Servios Pblicos ou Exploradoras de Atividades Econmicas em Regime de Monoplio".

SALIM, Adib Pereira Netto.84

6.1.2. "Prescrio de Ofcio: Da Crtica ao Direito Legislado Interpretao da Norma Jurdica em Vigor".

GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa.84

6.1.3. "Reflexos do Novo Regime das Micro e Pequenas Empresas nas Relaes de Trabalho".

GIS, Luiz Marcelo Figueiras.84

6.2. Revista IOB Trabalhista e Previdenciria. IOB-Thomson. N 211. Janeiro de 2007.

6.2.1. "A Atividade Especial para Efeito de Aposentadoria no Regime Geral de Previdncia Social. Atualidades, Sucesso Legislativa e Jurisprudncia Dominante". DEMO, Roberto Luis Luchi.84

6.2.2. "Ao Direta de Inconstitucionalidade n 3.681/DF: o Segurado Especial e a Interpretao Conforme a Constituio da Expresso 'Sem a Utilizao de Empregados".

BATISTA, Flvio Roberto. SERAU JNIOR, Marco Aurlio.84

6.2.3. "Assdio Moral no Ambiente de Trabalho e a Responsabilidade Civil do Empregador". SILVA, Cristiane Ribeiro da.84

6.2.4. "Prestao de Servios por Trabalhadores Autnomos: Relao de Trabalho ou Relao de Consumo?". ROMITA, Arion Sayo.846.2.5. "Recurso Especial e as Novas Competncias da Justia do Trabalho".

MEIRELES, Edilton. 84

6.2.6. "Responsabilidade dos Scios na Cobrana do Crdito Previdencirio".

SANTOS FILHO, Oswaldo de Souza.85

6.3. Revista IOB Trabalhista e Previdenciria. IOB-Thomson. N 212. Fevereiro de 2007.

6.3.1. "A Execuo Provisria Trabalhista e as Novas Perspectivas Diante da Lei n 11.232, de 22 de Dezembro de 2005". CORDEIRO, Wolney Macedo.85

6.3.2. "Indenizao por Litigncia de M-F: Imposio sem Lastro Legal". PINTO, Raul Moreira.85

6.3.3. "O Empregado Domstico e as Alteraes Advindas com a Lei n 11.324, de 19 de Julho de 2006". BARBOSA, Magno Luiz.85

6.3.4. "Penhora On-Line e o Convnio Bacen-TST". GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa.85

6.3.5. "Penhora On-Line e Efetividade da Prestao Jurisdicional". DIGENES, Christianne Fernandes C.85

6.4. Revista LTr. Ano 71. N 01. Janeiro de 2007.

6.4.1. "Aposentadoria e Extino do Contrato de Trabalho". MARTINS, Melchades Rodrigues.85

6.4.2. "O Dissdio Coletivo na Justia do Trabalho: da Necessidade do Comum Acordo para o seu Ajuizamento". FERREIRA, Monica Brando.85

6.5. Disponveis na Internet.6.5.1. "A Lei n 11.418/06 e a repercusso geral no recurso extraordinrio".

PAIVA, Lcio Flvio Siqueira de.86

6.5.2. "A reforma processual e o novo rol de bens absolutamente impenhorveis do art. 649 do CPC aps a Lei n 11.382/2006". MARTINS, Rafael Lara.86

6.5.3. "Algumas consideraes sobre a linguagem persuasiva". NOGUEIRA, Andra Scavassa Vecchia.86

6.5.4. "Aparentes modalidades de interveno de terceiros". FERNANDES, Andr Capelazo. DINAMARCO, Tassus.86

6.5.5. "Assdio moral: breves notas".

FONSECA, Rodrigo Dias da.86

6.5.6. "Direito do Trabalho, terceirizao e contratos de fornecimento industrial. Notas sobre a responsabilidade jurdica de clientes e fornecedores".

FELICIANO, Guilherme Guimares.86

6.5.7. "Na forma da lei', compete Justia do Trabalho processar e julgar outras controvrsias decorrentes da relao de trabalho".

VIEIRA, Alcio Antonio.86

6.5.8. "Reflexes sobre a prescrio civil luz da Lei 11.280/2006".

MELLO, Andr Luis Camargo.87

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1.1. Danos esttico e moral. Acidente do trabalho. Descumprimento do dever de diligncia quanto segurana da mquina operada. No-fornecimento de EPIs. Responsabilidade subjetiva do empregador. Indenizaes devidas. Art. 187 do CC/2002.

(1 Turma. Relatora a Exma. Juza Eurdice Josefina Bazo Trres. Processo n 01114-2005-333-04-00-3 RO. Publicao em 12.02.2007).

EMENTA: DANOS MORAIS. Os prejuzos morais decorrentes do acidente sofrido pelo reclamante so evidentes e passveis de serem reparados atravs da indenizao vindicada. No caso dos autos est demonstrado o elemento subjetivo ensejador da responsabilidade subjetiva. A percia realizada na mquina demonstra que a reclamada no cumpriu o dever de diligncia quanto segurana da mquina que causou o acidente do trabalho no autor. de considerar ainda que a reclamada no forneceu ao autor os EPIs necessrios. Houve indiscutvel dano moral, o qual ordinariamente dispensa prova, pois inerente ao prprio dano constatado, por todas as situaes por que passou o autor com a leso, tratamentos mdicos, afastamento em benefcio e outros males que expe na ao, havendo a necessidade do pagamento de indenizao pecuniria, como meio de amenizar o sofrimento. Recurso provido no aspecto.

(...)

ISTO POSTO:

DANOS MORAIS.

O Juzo de origem, entendendo que no se pode cogitar a existncia de um sofrimento de ordem moral, j que a percia mdica aponta que no houve perda funcional da mo lesionada e, sendo a dor um aspecto eminentemente subjetivo, julga improcedente o pedido de indenizao por dano moral.

Inconformado, recorre o autor. Alega que sofreu danos morais em razo da negligncia e omisso da reclamada, devendo ser indenizado para compensar os abalos sofridos. Aduz que a reclamada agiu com culpa, dando causa ao acidente, em razo da falta de manuteno da mquina que operava no momento do acidente e tambm devido ao fato de a mquina possuir base de madeira, o que aumenta a vibrao do conjunto da mquina, gerando insegurana ao operador sem lhe oferecer o mnimo de segurana, conforme atesta o perito tcnico, que constatou a irregularidade. Refere que ficou com uma cicatriz em sua mo direita, sendo equivocado o raciocnio do Juzo de origem, que a considerou de pequenas propores, no devendo acarretar preocupaes ao recorrente pelo fato de o mesmo ser homem. Sustenta que vem sofrendo com a dor fsica do acidente, que, por sua vez, causou grande sofrimento pela falta de atendimento e ateno de seus empregadores que no lhe prestaram a devida ajuda no momento do acidente e nem mesmo aps o ocorrido. Alega ter passado por uma situao humilhante e desumana, tendo que trabalhar aps o acidente, j que foi liberado somente na hora do almoo e ainda tendo que ir sozinho at o centro clnico, de nibus. Aduz ter ficado evidente que houve uma ruptura da normalidade na vida do recorrente em razo do acidente e pela conduta omissa da reclamada, o que lhe causou sofrimento psquico e moral, devendo a mesma ser condenada ao pagamento de indenizao por danos morais.

Na inicial o autor descreve o seu local de trabalho e relata a forma como se acidentou. Assevera que foi afastado de seu trabalho, percebendo auxlio-doena acidentrio desde a data do acidente, no tendo ainda condies de retornar, devido s fortes dores nos dedos, sensao de formigamento e inclusive perda da fora nos dedos. Afirma que sente dificuldades em aproximar todos os dedos do polegar (forma de pina), estando os dedos inchados e tortos, pelo que postula a condenao da reclamada em indenizao por danos morais a ser arbitrada pelo Juzo.

A reclamada contesta, confirmando o alegado quanto ao momento do acidente. No entanto, rejeita as afirmaes de que a mquina operada estivesse modificada e que no oferecesse segurana ou que estivesse tremendo. Afirma que o acidente foi causado por negligncia do prprio autor, que se encontrava distrado conversando com um colega no momento em que operava a mquina. Nega que houvesse vetado a sada do reclamante, que s permaneceu na empresa porque inicialmente no demonstrava sentir muita dor. Aduz que tomou todas providncias necessrias, tendo encaminhado a CAT. Sustenta que o reclamante j recebeu alta, retornando ao trabalho em 16 de agosto de 2005, mas, alegando sentir dores, abandonou o trabalho no mesmo dia. Aduz que o reclamante buscou ajuda sem o auxlio da reclamada, eis que no avisou seus superiores que iria ao mdico. Sustenta ser do autor o nus de demonstrar a dormncia e dores nos dedos, assim como sua incapacidade para o trabalho, j que foi considerado habilitado ao retorno ao trabalho pelos mdicos da Previdncia Social. Postula seja considerada a culpa do autor e no ao ou omisso da reclamada.

A indenizao por dano moral devida nos casos em que o dano seja a causa de sofrimento moral, de ferimento da honra e de injustia que objetivamente experimente o empregado em sua situao pessoal e social, os quais sejam de tal monta que, e mesmo sendo possvel o restabelecimento das coisas ao estado anterior ao dano e ademais no caso no o , tal no se mostra meio suficiente de reparao, havendo a necessidade do pagamento de indenizao pecuniria, como meio de amenizar o sofrimento moral.

A ocorrncia do acidente sofrido pelo autor incontroversa e demonstrada pela CAT, encaminhada pela reclamada em 17/02/2005 (fl. 45), na qual h a descrio de que o colaborador estava asperando a planta do sapato quando feriu sua mo direita.

Os prejuzos morais decorrentes do acidente sofrido pelo reclamante so evidentes e passveis de ser reparados atravs da indenizao vindicada. No caso dos autos est demonstrado o elemento subjetivo ensejador da responsabilidade subjetiva. Nesse sentido, um dos mais importantes novos dispositivos do Cdigo Civil encontra-se no art. 187, verbis: "Tambm comete ato ilcito o titular de um direito, que, ao exerc-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econmico ou social, pela boa-f ou pelos bons costumes." Como deflui do mesmo, o exerccio irregular de um direito se traduz diretamente em ilcito e basta a contrariedade a um princpio na sua caracterizao, como a boa-f e bons costumes e a prpria funo social da atividade. Ao mesmo tempo tambm est dimensionada a responsabilidade do empregador no risco de sua atividade econmica com todos aspectos da segurana e sade do trabalhador.

(volta ao ndiceA percia realizada na mquina demonstra que a reclamada no cumpriu o dever de diligncia quanto segurana da mquina em que se acidentou o autor, conforme concluses do perito tcnico a seguir transcritas (fls. 152/155): A empresa para aumentar a altura da mquina, colocou entre a base da mquina (embaixo da mquina) e sobre o piso de concreto, uma madeira de 700mm de comprimento x 500mm de largura e 100mm de altura. A reclamada informou ao perito que a madeira foi colocada uma vez que o reclamante queixava-se de dores musculares e para sua maior comodidade. (....) Atualmente, por questes de ergonomia, as empresas que fabricam mquinas para calados (mquinas de lixar e/ou asperar), na estrutura da mquina existem regulagens, que possibilitam aumentar e/ou baixar a altura da lixao, adaptando-se ao tipo fsico (altura) do operador. O perito concluiu que: -A mquina que o autor operou no poderia estar com a base de madeira, uma vez que aumentava a vibrao do conjunto da mquina e gerando insegurana ao operador.

-Entre a base metlica da mquina e o piso do concreto, ao invs da base de madeira, a empresa deveria ter colocado suportes e/ou uma placa de borracha.

-A escova de ao deveria ter protees regulveis, para evitar que a pea que estava sendo asperada (lixada), adentrasse no bocal de captao de p da mquina e assim, levando (projetando) as mos do operador sobre a escova de ao.

-O operador (caso do autor) durante a execuo da tarefa de asperar calados, deveria ter usado luvas de vaqueta e culos de proteo.

O reclamante esteve comprovadamente em benefcio previdencirio at 15/08/2005 (fl. 99), no tendo mais retornado ao trabalho depois desta data, alegando fortes dores nos dedos, em razo do que o autor consultou o centro clnico, que o encaminhou ao INSS (fl. 93).

Embora a reclamada, ao impugnar o laudo pericial, reafirme que o acidente ocorreu por culpa exclusiva do autor, justifica suas alegaes no laudo de investigao do acidente (fls. 88/90), documento unilateralmente produzido e impugnado pelo autor. Era da reclamada, portanto, o nus da prova quanto culpa da vtima, eis que se trata de fato extintivo do direito deste, do qual a mesma no se desincumbiu, conforme sinalado na origem.

O autor no recebeu atendimento imediato, o que incontroverso, embora as partes apontem razes diversas para o fato de o autor no ter sado em busca de ajuda to-logo tenha se acidentado. Alm disso, a prpria reclamada alega na contestao que o atendimento recebido pelo autor no foi adequado, o que serviu para agravar seu sofrimento, conforme a seguir transcrito: inobstante o obreiro tenha consultado inmeros mdicos do Centro Clnico, nenhum destes o examinou de forma correta a ponto de diagnosticar que no era apenas um simples corte, como parecia, mas que havia ficado um corpo estranho no msculo da mo direita. Com isso, a reclamada reconhece as afirmaes do autor de que no Centro Clnico no havia um mdico que pudesse tratar do reclamante, no havia especialista, somente clnico geral. As seqelas morais esto demonstradas pelos fatos referidos.

Houve indiscutvel dano moral, o qual ordinariamente dispensa prova, pois inerente ao prprio dano constatado, por todas as situaes por que passou o autor com a leso, tratamentos mdicos, afastamento em benefcio e outros males que expe na ao, havendo a necessidade do pagamento de indenizao pecuniria, como meio de amenizar o sofrimento.

Sobre o valor da indenizao inexistentes no ordenamento jurdico critrios objetivos para a fixao do valor da indenizao devida em decorrncia de dano moral, o quantum deve ser fixado por arbitramento, levando em conta as circunstncias do caso. A fixao do valor devido ao ofendido deve considerar a agressividade do dano causado, o componente da culpa do empregador e a razoabilidade. O valor da condenao deve visar compensao pelo sofrimento experimentado pela vtima, considerando-se a gravidade do dano, que evidente no caso. Por esta razo, a indenizao no deve ser irrisria, para no afastar a finalidade a que se destina, mas, de igual forma, deve ser levada em considerao a falta da capacidade econmica da r para suportar o nus que lhe foi imposto. Nesse sentido, arbitra-se, o valor de R$ 5.250,00, que corresponde a trs vezes o valor arbitrado na origem para o dano esttico, atingindo o fito de compensao pelo sofrimento experimentado pela vtima.

Recurso provido.

DANO ESTTICO.

O Juzo condena a reclamada a pagar ao autor uma indenizao no valor de R$ 1.750,00, em razo dos danos estticos sofridos. Entende o julgador que a cicatriz permanente gera o direito indenizao pleiteada, levando-se em conta o local e o tamanho da cicatriz, alm da funo punitiva a que se destina a indenizao.

Inconformado, recorre o autor, postulando a majorao do valor arbitrado na origem. Alega que o dano esttico compromete a aparncia, assim como a imagem social do lesado e, assim, o valor constante da deciso recorrida no atinge sua finalidade, que o da reparao pelo dano sofrido.

Em que pesem as alegaes do autor, no deve ser majorado o valor arbitrado na origem. O autor est sendo recompensado pelos danos estticos em razo de a leso representar uma deformidade permanente. Mas, tendo em vista que o autor ir perceber uma indenizao pelos danos morais, sendo tambm ressarcido pelas despesas que teve em razo do acidente, e, considerando-se ainda a situao da reclamada, que teve a falncia decretada (fl. 266), a indenizao fixada na origem afigura-se adequada, porque somada a indenizao de dano moral, a reparar o dano sofrido no aspecto esttico.

Recurso negado.

(...)

(volta ao ndice( volta ao sumrio1.2. Danos materiais, estticos e morais. Acidente do trabalho. Doena ocupacional. Preservao de madeiras para fabricao de postes usados em energia eltrica. Exposio do trabalhador a produtos qumicos por duas dcadas. Prescrio afastada. Contagem do prazo prescricional a partir do reconhecimento da existncia do nexo causal entre a atividade desenvolvida e o acometimento da molstia. No-fornecimento de EPIs. Responsabilidade objetiva do empregador. Penso vitalcia devida. Indenizaes por alteraes morfolgicas no corpo e pelo sofrimento da vtima, distinguveis e cumulveis. Despesas mdicas. Ausncia de comprovao. Ressarcimento indevido. Arts. 21-A e 121, ambos da Lei n 8.213/91; arts. 186, 927, 949 e 950, todos do Cdigo Civil; art. 5, incisos V e X, e art. 7, inciso XXIX, ambos da Constituio Federal.

(1 Turma. Relatora a Exma. Juza Maria Helena Mallmann. Processo n 00366-2005-761-04-00-7 RO. Publicao em 05.02.2007).

EMENTA: RECURSO ORDINRIO DO RECLAMANTE

ACIDENTE DO TRABALHO. DOENA OCUPACIONAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. Diagnstico da doena de Behet. Laudo pericial no acolhido que aponta para doena de Behet sem examinar e relacionar - com a especificidade necessria - a patologia ao histrico funcional do trabalhador no que tange exposio por duas dcadas grande variedade de produtos qumicos, altamente nocivos tal como admite a empresa em vrios laudos que produziu para fins da aposentadoria especial por tempo de servio, em decorrncia de atividade insalubre e de patologias desenvolvidas no curso do contrato. Atividade de preservao de madeiras para a fabricao de postes usados em energia eltrica. Exposio por duas dcadas aos agentes qumicos Creosoto (composto 90% de hidrocarbonetos aromticos: naftaleno, benzeno pireno, antraceno, acenafteno, carbozol, fenantreno, criseno) e tambm ao CCA (cromo, cobre, arsnico). Vrias afeces acometidas ao trabalhador relacionadas na lista de doenas ocupacionais e os agentes qumicos manipulados constantes como agentes patognicos no Decreto 3048/99. Apelo provido.

DANOS PATRIMONIAIS. LUCROS CESSANTES. PENSO VITALCIA. A incapacitao causada pela exposio a agentes qumicos e o bice legal de retorno profisso exercida antes da aposentadoria especial so fatores de reduo de renda, hbeis a ensejar a reparao por meio de penso vitalcia. Apelo negado.

DANOS ESTTICOS E MORAIS. So distinguveis e acumulveis as reparaes por danos esttico e moral. O primeiro corresponde a uma alterao de ordem morfolgica no corpo humano gerador de destaque ou atitudes repulsivas, dependente de prova. O segundo decorrente do ntimo sofrimento, no mensurvel e, portanto, presumvel. Indenizaes devidas. Apelo provido.

(volta ao ndiceAO REPARATRIA. ACIDENTE DO TRABALHO. DOENA OCUPACIONAL. PRESCRIO. INEXISTNCIA. A jurisprudncia do STJ consagrou entendimento (Smula 278) de que o termo inicial da prescrio da ao indenizatrio deve ser a cincia inequvoca da incapacidade laboral, o que no se confunde com a simples cincia de que havia uma leso. No h curso de prazo prescricional enquanto ausente o reconhecimento do estado de doena ocupacional. A ao nasce com a cincia da leso ao direito. Recurso provido.

(...)

ISTO POSTO:

RECURSO ADESIVO DA PRIMEIRA RECLAMADA - CEEE.

Examina-se, primeiramente, o recurso adesivo da primeira reclamada, na questo prejudicial.

1. PRESCRIO

A primeira reclamada (CEEE) em sede de recurso adesivo suscita a prescrio extintiva da pretenso indenizatria. Invoca a prescrio do direito de ao na forma do art. 7, XXIX, da Constituio Federal.

anlise.

Trata-se de ao indenizatria de danos patrimoniais e extrapatrimoniais, em virtude de diminuio de capacidade laborativa, ajuizada perante a Justia Comum em 19.04.2001.

Os autos foram remetidos Justia do Trabalho por ordem da Exma. Juza de Direito Romani T. B. Dalcin, que declinou da competncia face Emenda Constitucional 45/2004 (v.fl. 571).

Foi realizada audincia de instruo (fls. 596-602) e prolatada sentena pela Vara do Trabalho de Triunfo, que afastou a prescrio na forma do art. 7, XXIX, da Constituio Federal, deciso que se mantm no particular.

O contrato de trabalho perdurou de 17.02.1975 a 31.12.1997 e o empregado alega ter sido acometido de vrias doenas em razo do exerccio da atividade laboral.

No caso, no h falar em curso de prazo prescricional uma vez que no houve consolidao do estado de doena ocupacional, cujo reconhecimento buscado na presente ao.

Observe-se que a presente visa, em primeiro plano, declarao do estado de doena ocupacional para, num segundo momento, postular a indenizao. Nessa senda no h curso de prazo prescricional, no tendo havido o reconhecimento da doena ocupacional, o que se busca na demanda.

O dies a quo da prescrio no caso de acidente do trabalho nem sempre de fcil definio, mormente quando se trata de doena ocupacional, hiptese dos autos. A jurisprudncia do STJ consagrou entendimento (Smula 278) de que o termo inicial da prescrio da ao indenizatria deve ser a cincia inequvoca da incapacidade laboral.

A simples cincia de que havia uma leso no se confunde com cincia inequvoca da incapacidade para laborar.

Em meio s vrias leses fsicas apontadas pelo reclamante, uma delas originou laudo mdico particular, fl. 37, datado de 27.02.1996 (anexado ao processo administrativo para fins de aposentadoria especial), recomendando o afastamento do trabalho.

Numa anlise apressada se teria 27.02.1996, como o termo inicial da prescrio. Todavia, essa no a melhor soluo dos autos.

Esse laudo sem dvida detecta um estado de doena e de incapacidade, mas por si s no ensejou ao trabalhador o reconhecimento da doena ocupacional, que depende da declarao do juzo. Como sabido, o direito de ao nasce com a cincia da leso ao direito, no havendo incio de prazo para ao reparatria.

A propsito colaciona-se ementas de decises do Superior Tribunal de Justia, consagrando esse entendimento:

(volta ao ndiceACIDENTE NO TRABALHO. Prescrio. Termo inicial. Asbestose. Amianto.

- O termo inicial da prescrio da pretenso indenizatria no flui da data do desligamento da empresa, mas de quando o operrio teve conhecimento da sua incapacidade, origem, natureza e extenso, que no caso corresponde data do laudo.

O fato do decurso de 34 anos da despedida do empregado impressiona, mas deve ser examinado em conjunto com as caractersticas da doena provocada pelo contato com o amianto (asbestose), que pode levar muitos anos para se manifestar.

Recurso conhecido e provido.

(REsp 291.157/SP, Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 01.03.2001, DJ 03.09.2001 p. 227).

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. INDENIZAO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. ACIDENTE DE TRABALHO. PRESCRIO. TERMO INICIAL. DATA DA EFETIVA CONSTATAO DO DANO. RECURSO ESPECIAL. MATRIA FTICA.

SMULA 07/STJ.

1. Esta Corte j assentou o entendimento de que, em ao de indenizao por danos materiais, o prazo prescricional s passa a fluir a partir da efetiva constatao do dano (AgRg no Ag 648.278/MG, Min. Nancy Andrighi, 3 Turma, DJ 07.11.2005; REsp 735.377/RJ, Min. Eliana Calmon, 2 Turma, DJ 27.06.2005; REsp 20.109/SP, Min. Slvio de Figueiredo Texeira, 4 Turma, DJ 12.08.2003; AgRg no REsp 329.479/SP, Min. Slvio de Figueiredo Teixeira, 4 Turma, DJ 04.02.2002; REsp 302.238/RJ, Min. Jos Delgado, 1 Turma, DJ 11.06.2001; REsp 194.665/RS, Min. Humberto Gomes de Barros, 1 Turma, DJ 29.11.1999).

2. vedado o reexame de matria ftico-probatria em sede de recurso especial, a teor do que prescreve a Smula 07 desta Corte.

3. Recurso especial a que se nega provimento.

(REsp 742.500/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28.03.2006, DJ 10.04.2006 p. 144).Assim, tendo o reclamante ajuizado a presente ao em 19.04.2001, postulando a reparao de dano moral e patrimonial decorrente de doena ocupacional supostamente ocorrida no contrato de trabalho que se extinguiu em 31.12.1997, no h prescrio a ser declarada.

Recurso da primeira reclamada no provido no item.

RECURSO ORDINRIO DO RECLAMANTE

1. ACIDENTE DO TRABALHO. DOENA OCUPACIONAL. RESPONSABILIDADE CIVIL

1.1. CARACTERIZAO DA DOENA OCUPACIONAL

O reclamante no se conforma com a sentena ao ter indeferido - ao fundamento de ausncia de comprovao do nexo causal - o pleito indenizatrio (danos morais, materiais - danos emergentes e lucros cessantes) decorrente de doena que entende ser de natureza ocupacional. Sustenta que a omisso das empregadoras contribuiu para o aparecimento e agravamento de sua patologia. Enfatiza que est presente o nexo causal por vrios argumentos que repisam os termos da petio inicial, em resumo: a) comprovao de que os equipamentos de proteo individual fornecidos foram insuficientes em nmero e qualidade; b) necessidade de luvas e cremes face manipulao de produtos qumicos, fato que teria sido ressaltado em recomendao do programa de Controle Mdico em Sade Ocupacional da empresa AES SUL - Unidade Barreto; c) carncia no fornecimento dos equipamentos de proteo individual adequados retratada pela imprensa, conforme documento anexado aos autos; d) confisso do preposto em depoimento pessoal acerca da existncia de contaminao com a substncia dioxina no local de trabalho desde a dcada de 60, mas descoberta recentemente; e) negligncia das empresas com relao contaminao noticiada face carncia de cursos, equipamentos de proteo individual e realizao de exames mdicos peridicos e especficos descritos no programa de Controle Mdico em Sade Ocupacional da empresa AES SUL; f) prova de contato direto e habitual com produtos txicos (toxidade comprovada pelo mesmo laudo pericial que conclura pela ausncia de nexo causal); g) demonstrao de que estava com nveis de cromo acima do tolerado em seu organismo (v. documento 21), o que tem nexo com o seu trabalho na Usina de Barreto no tratamento da madeira em contato com cromo, cobre e arsnico; laudo pericial (fls. 215-218) indicando a possibilidade grande de nexo causal entre a patologia e o ambiente de trabalho; h) comprovao (fl. 34) da existncia no s da Doena de Behet, mas de problemas digestivos (pangastrite endoscpica enantemtica, com eroses, duodenoite e duodeno deformado por leses prvias), que seriam tpicos do contato com agentes qumicos utilizados na preservao da madeira; i) desrespeito a ordem medida de reenquadramento funcional face ao quadro de doena. Invoca, por derradeiro, o teor do artigo 436 do Cdigo de Processo Civil e sustenta inequvoca prova da culpa das reclamadas.

(volta ao ndiceEm contra-razes (fls. 692/693), a CEEE argumenta que a prova pericial conclusiva no sentido de afastar o nexo de causalidade entre as leses alegadas e as atividades laborativas e que nem sequer incapacidade existe. Acrescenta que sempre zelou pela sade dos seus empregados com fornecimento de EP e que, neste particular, o nus da prova era do autor consoante art. 818 e art. 333, I, do CPC. Por sua vez, nas contra-razes das fls. 725/742, a AES SUL diz que os depoimentos das testemunhas no merecem ser analisados como prova inequvoca do deslinde do feito por falta de credibilidade, uma vez que as duas primeiras ajuizaram reclamatria contra as recorridas e que o recorrente foi testemunha no processo da segunda, alm de no mencionarem a existncia de doena relacionada com o trabalho. Ressalta que a prova pericial mostrou que o quadro clnico do autor (dor nas articulaes, manifestaes oculares e gastrites) no tem relao com o trabalho tendo em vista que foi diagnosticada a Doena de Behet, no se podendo presumir que a contaminao ambiental que ocorreu na Usina tenha atingido a todos os empregados.

anlise.

O autor foi admitido para o cargo de agrotcnico em 17.02.1975, quando contava com vinte anos de idade e, a partir de 13.05.95, foi promovido a chefe de turma (v. ficha de registro de empregados, fls. 17-23). O contrato (aps sub-rogao pela AES Sul) foi extinto em 11.08.1997, em razo de concesso de aposentadoria especial (trabalho em condies que prejudiquem a sade ou a integridade fsica, art. 55, da Lei 8.213), com efetivo desligamento do trabalho em 31.12.1997 (fls. 200/203).

Para fins de obteno da aposentadoria especial a CEEE, em observncia ao disposto no 2, do art. 66 do Regulamento dos Benefcios da Previdncia Social, prestou as necessrias informaes (fls. 24 e 32), com base em laudo tcnico de condies ambientais do trabalho (fls. 26/27).

Assim foram descritas as atividades no formulrio do INSS (fl. 24): a) executa todas as operaes de explorao de postes compreendendo o corte, arraste, estaleiramento e o transporte s usinas de preservao de madeiras; b) executa dentro do ptio da usina de preservao de madeira todas as etapas de estaleiramento, secagem e preparao das madeiras para tratamento; c) executa e orienta o controle de qualidade a reteno das madeiras impregnadas com preservativos txicos como CREOSOTO, CCA; d) executa e orienta o carregamento de madeiras preservadas (tratadas com Creosoto e CCA). Estavam includas ainda em sua atividade profissional a seleo da semente, produo de mudas em viveiro florestal, preparao do solo para plantio, combate formiga, explorao de florestas, com aplicao de organoclorados como Aldrin, DDT, Endrin, fungicidas como Thiaran, Zineb, Maneb, Ditahe M45 e herbicidas como Gliphosate e Bi-hedonal o que mencionado no laudo sobre as condies ambientais a cargo da empregadora (fls 26/27). Assim, o enquadramento no Anexo IV, do Decreto 2172/95 (vigente poca) proposto foi: a) cdigo 1.01, item g (conservao e curtume de peles, tratamento e preservao da madeira com a utilizao de compostos de arsnio); b) cdigo 1.09, item a (fabricao e emprego de defensivos organoclorados); c) cdigo 1.012, item b (fabricao e aplicao de produtos fosforados e organofosforados - snteses orgnicas, fertilizantes e praguicidas); d) cdigo1.019, item g (operaes de preservao da madeira com creosoto).

Em ofcio dirigido ao INSS datado de 28.09.1997 (fl. 32), esclarece que na Usina de Triunfo havia o consumo mensal de 120 toneladas de creosoto e 200 toneladas de CCA (cromo, cobre, arsnico), referindo que o creosoto composto por hidrocarbonetos aromticos (naftaleno, benzeno pireno, antraceno, acenafteno, carbozol, fenantreno, criseno).

Refira-se, por fundamental, que o reclamante apresentava quadro de molstia na ocasio do encaminhamento do pedido de aposentadoria. O exame da fl. 33, de 31/01/96, assinado pela Dra. Marisa Santos Weiss, diagnostica demohipodermite crnica, com fibrose hipodrmica, baseado no exame histolgico das lminas coradas pela hematoxilina-eosina, pr-existente e em novas sries de cortes revela pele com fibrose em derme reticular inferior, e substituindo adipcitos, alm de moderado infiltrado inflamatrio linfocitrio ao redor de vasos com endotlio proeminente. O atestado da fl. 37, assinado pelo Dr. Csar Bimbi, mdico do trabalho com larga atuao na Justia do Trabalho, em 27.02.96, diagnostica reao cutnea do tipo eritema nodoso, sugerindo o afastamento do trabalho. A biopsia endoscpica de estmago (fl. 36), realizada em 14/05/98, mostra que o reclamante estava j na ocasio acometido de gastrite crnica, alm de pangastrite endoscpica enantemtica, com eroses planas no antro, duoenite aguda e duoedeno deformado por leses prvias (endocospia digestiva alta realizada em 13.05.98, fl. 34).

(volta ao ndiceEssas doenas, no entanto, segundo as concluses dos peritos do Tribunal de Justia do Estado do Rio Grande do Sul no decorrem do trabalho constituindo-se em meros sintomas da Doena de Behet diagnstico por eles feito. O Dr. Hlio Tadeu Pereira, Perito-Reumatologista conclui: O Autor apresenta diagnstico de doena de Behet. Trata-se de patologia da rea reumatolgica de etiologia no totalmente esclarecida, porm caracterizada por uma vasculite, associada a fatores auto-imunes e genticos. As manifestaes clnicas mais comuns so as leses aftosas em mucosa oral e genital, as manifestaes cutneas (leses acneiformes, eritema nodoso e fenmeno de patergia), manifestaes articulares (sinovisite) e a uvete anterior aguda, todas apresentadas pelo Autor (fl. 244). Sem qualquer discordncia quanto ao diagnstico da doena de Behet, o Dr. Alberto Naiditch constatou intensa reao inflamatria no segmento anterior e posterior do olho direito, com funo visual nulo, observando reduo de capacidade funcional da ordem de 30% (trinta por cento) em relao viso binocular normal, esclarecendo que a uvete est, geralmente, associada a outras doenas sistmicas (fls. 245/248). Por fim, o Dr. Paulo Roberto Butelli, perito mdico do trabalho, acerca dos exames juntados pelo reclamante afirma: O exame histolgico de pele da perna realizado em 31/01/96 (fl. 33) mostra processo inflamatrio linfocitrio perivascular na hipoderme, compatvel com o diagnstico da Doena de Behet. A reao cutnea tipo eritema nodoso (citada pelo dermatologista Csar Bimbi na fl. 37) e a pseudofoliculite (mostrada nas fotos de fls. 28/29) fazem parte do quadro clnico da Doena de Behet. No se trata de dermatite de contato, nem alergia. A gastrite detectada em exame endoscpico realizado em 13/05/98 (fl. 34) no tem relao com exposio ocupacional. Pode ser decorrente de tratamento com corticide e antiinflamatrio (fl. 249). As concluses dos peritos foram impugnadas pelo autor (manifestao das fls. 285/287) com apresentao de quesito suplementares que so respondidos pelo Dr. Hlio - perito-reumatologista (fl. 299) e, face aposentadoria do Dr. Butelli (comunicao da fl. 297), feito novo exame pelo Dr. Jlio Srgio de Lima Appel (perito mdico do trabalho) que conclui: o autor apresenta quadro de vasculopatia perifrica, alteraes oftalmolgicas (uvete), histrico de estomatite aftosa e artralgias. O conjunto de sintomas compatvel com o diagnstico de Sndrome de Behet, sem nexo de causalidade com o ambiente de trabalho (fl. 534).

Ocorre, no entanto, que vrias das afeces acometidas ao reclamante, cujo diagnstico pericial resumiu como serem originrias da Doena de Behet, doenas secundrias, portanto, tambm esto relacionadas discriminadamente na lista de doenas ocupacionais e os agentes qumicos manipulados esto relacionados como agentes patognicos no Anexo II do Regulamento, a exemplo do que se descreveu do Anexo IV, conforme laudo da CEEE. E mesmo que assim no fosse, h que se atentar para o fato de que a doena que acomete ao trabalhador para fins de acidente de trabalho no precisa estar necessariamente relacionada nos Anexos do Regulamento de Benefcios da Previdncia Social. Assim, configura-se o carter de doena ocupacional na forma do artigo 20 e da Lei 8.213/91, mormente, em face do teor do pargrafo segundo do referido dispositivo que permite, em caso excepcional, seja considerada doena ocupacional, mesmo aquela no relacionada oficialmente.

Seguindo esse raciocnio, exemplificativamente, no h como deixar de associar o contato com o arsnico estomatite ulcerativa crnica (K12.), gastroentetire e colites txicas (K52), dermatite de contato por irritantes (L24); o cromo, alm das dermatites (L23 e L24), s dermatoses ppulo-pustulosas (L08.9), lcera crnica da pele, no classificadas (L98.4); os hidrocarbonetos aromticos a manifestaes hemorrgicas (D69), neurite ptica (H46).

Est demonstrado que o reclamante no decorrer do contrato esteve submetido a extenso rol de substncias classificadas como nocivas sade com potencial cancergeno e mutagnico.

Refira-se tambm, por oportuno, que o arsnico e seus compostos por fora da Directiva 89/677/CEE, de 21 de dezembro de 1989, foi includo no rol das substncias perigosas de que trata a Directiva 76/769 (JO L 398, p. 19). Com referncia ao creosoto (destilado do alcatro de hulha), classificado como veneno (Inseticida e fungicida), a Directiva n 94/60/CE aditou ao anexo I, ponto 32, da Directiva n 76/769, as substncias e preparaes que contenham creosoto, leo de creosoto ou destilados de alcatro de hulha. O ponto 32.1 do anexo prev que essas substncias no podem ser utilizadas no tratamento da madeira caso contenham benzo-a-pireno numa concentrao superior a 0,005% em peso e/ou fenis extraveis com gua numa concentrao superior a 3% em peso. E mesmo observados os limites, a comercializao da madeira tratada ficou limitada a uso exclusivamente profissional e industrial, vedada a utilizao na construo de residncias.

(volta ao ndiceEstudo detalhado sobre a toxidade e efeitos na sade humana do creosoto encontra-se nos fundamentos da Deciso das Comunidades Europias, de 22.01.99 (1999/833/CE), em razo de consulta feita pela Repblica Federal da Alemanha que pretendia a adoo de normas mais rgidas na sua colocao no mercado (disponvel: http://europa.eu.int). Chama ateno a preocupao das autoridades da Alemanha com os malefcios que poderiam advir populao por exposio ao creosoto nas hipteses de: contacto com a pele durante a utilizao dos leos de alcatro (em geral durante a aplicao por pincelagem); - contacto com a pele durante a instalao/execuo de obras de carpintaria com madeira tratada; contato da pele com madeira tratada de obras j instaladas; exposio por inalao durante a utilizao dos leos de alcatro; exposio por inalao de componentes de alcatro liberados, na forma de gases, da madeira tratada.

No Brasil, a Resoluo CONAMA n 23, de 12 de dezembro de 1996, classifica como resduo perigoso os sedimentos de fundo do tratamento de guas residurias de processos de preservao de madeira que utilizam creosoto e/ou pentaclorofenol, proibindo a sua importao. O uso exclusivo como preservativo de madeira para dormentes, postes, cruzes, moures para cercas rurais, esteios e vigas, permitida a comercializao com usinas sob presso pelo mtodo de autoclavagem e indstrias cadastradas pelo IBAMA. Ainda, segundo normas da ANVISA, o local onde se encontra o leo creosoto deve ser monitorado diariamente.

Vasta a literatura acerca dos malefcios da ao dos organoclorados e organofosforados que muito tem preocupado no s governos, mas a sociedade em geral envolvendo profissionais de diversas reas. Est comprovado que, em casos de intoxicao aguda, podem ocorrer danos ao sistema nervoso central, hiperirritabilidade, cefalia (que no cede aos analgsicos comuns), sensao de cansao, mal-estar, nuseas e vertigens com confuso mental passageira e transpirao fria, reduo da sensibilidade (lngua, lbio, face, mos), contraes musculares involuntrias, perdas de apetite e peso, tremores, leses hepticas e renais, crise convulsiva e coma. Os efeitos da ao prolongada, no menos severos ao organismo, podem causar ao sistema nervoso a Sndrome asteno-vegetativa, polineurite, radiculite, encefalopatia, distonia vascular, esclerose cerebral, neurite retrobulbar, angiopatia da retina; ao sistema respiratrio: Traquete crnica, pneumofibrose, enfisema pulmonar, asma brnquica; ao sistema cardiovascular: Miocardite txica crnica, insuficincia coronria crnica, hipertenso, hipotenso; ao sistema hematopotico: Leucopenia, eosinopenia, monocitose, alteraes na hemoglobina, e ainda hepatite crnica, colecistite, insuficincia heptica, albuminria, nictria, alterao do clearance da uria, nitrognio e creatinina, gastrite crnica, duodenite, lcera, colite crnica (hemorrgica, espstica, formaes polipides), hipersecreo e hiperacidez gstrica, prejuzo da motricidade, dermatites, eczemas, conjuntivite, blefarite (www.geofiscal.eng.br).Merece destaque o estudo de Carlos Anbal Rodrigues La salud de los trabajadores, disponvel no endereo www.srt.gov.ar/nvaweb/publicaciones/Rodriguez/CapI.pdf, acerca do aumento da incidncia do cncer e infeces decorrentes da exposio ambiental a substncias qumicas, como segue:

(volta ao ndiceLa asociacin entre la supresin de la inmuno respuesta y el aumento en la incidencia de infecciones y cncer, est probada desde hace buen tiempo. El avance del SIDA en los ltimos aos ha puesto ribetes trgicos a este conocimiento que ya haba avanzado considerablemente merced a ls observaciones hechas en pacientes transplantados. Tambin est probado que la exposicin ambiental a sustancias qumicas, muchas de las cuales son plaguicidas o contaminantes de estas sustancias, pueden alterar el funcionamiento inmune. Esto ha sido demostrado especialmente en experimentacin animal. No obstante, sabedores de ls interrelaciones entre la farmacocintica de ciertos plaguicidas en animales y humanos, con las consiguientes posibilidades de extrapolacin (como se h efectuado con medicamentos como la ciclofosfamida y la ciclosporina-A), se han estimulado lneas de investigacin que seguramente en el futuro brindarn nuevos hallazgos. Sin embargo, ya contamos con algunos conocimientos. Los clorados parecen ser los compuestos que ms posibilidades tienen en esse terreno. Adicionalmente, debe tenerse presente que la formulacin de los plaguicidas permite la aparicin de los mal llamados ingredientes inertes", y aun, ocasionalmente, subproductos no queridos del proceso de fabricacin. ltimamente se da una importancia cada vez mayor a estos elementos, tanto em fenmenos de inmuno-supresin como en la gnesis de otras alteraciones.Plaguicidas, necesidad y posibilidades de limitar su uso Veamos, por ejemplo que el grado tcnico del pentaclorofenol suprime la inmuno respuesta en los animales de laboratorio, mientras que versiones ms puras no lo hacen. Los efectos del primero estn mostrando ser mediatizados por derivados clorados inmunotxicos del dibenzo-p-dioxina y dibenzofuranos que se hallan como contaminantes en las formulaciones de pentaclorofenol. De la misma forma las formulaciones del cido 2,4,5 triclorofenoxiactico (componente Del agente naranja), fabricado entre 1958 y 1969, se mostraron contaminadas con un compuesto extremamente inmunotxico, el 2,3,7,8, tetraclorodibenzo-pdioxina (TCDD). Recientemente el OO,S-trimetilfosforotioato, contaminante del malatin, se exhibi igualmente capaz de alterar las funciones inmunes. 9 En trabajadores expuestos a plaguicidas se han encontrado alteraciones en las inmunoglobulinas sricas, pero no incremento de las infecciones. En trabajadores expuestos a clorados se encontraron aumentos en la inmunoglobulina G y descenso de la IgM y el componente del complemento C-

3.10 En trabajadores expuestos a fosforados, por su parte, se han demostrado alteraciones en la quimiotaxis neutroflica acompaada de un incremento de ls infecciones del tracto respiratorio superior. Un estudio de Fiore11, sugiere que las mujeres que ingieren bajos niveles de aldicarb, presente como contaminante de las aguas subterrneas, tienen alterado el nmero de las clulas T. Se necesitan ms estudios para confirmar estos hallazgos y justamente una investigacin epidemiolgica en Rusia muestra que los residentes de distritos agrarios donde el uso de plaguicidas es sustancial, tienen un conteo de clulas T menor que los grupos control. En estas personas tambin la tasa de enfermedades infecciosas es mayor.12 Por otro lado, hay pruebas definitivas de que ciertos venenos (captan y ciertos steres organofosforados y carbamatos) inducen respuestas de hipersensibilidad. En este sentido las dermatitis por contacto entre agricultores parecen ser un fenmeno bastante ms extendido de lo que anteriormente se crea. En cuanto a las reacciones de hipersensibilidad inmediata con reacciones alrgicas como la rinitis o el asma, no siempre existen las posibilidades de diagnosticarlas apropiadamente. La similitud con los cuadros de irritacin se presta a confusin. Es una lnea de investigacin que necesita de nuevos aportes. Otro filn de investigacin en desarrollo, sobre el cual an no se pueden dar datos en humanos, es la posible correlacin entre las enfermedades autoinmunes y la exposicin a plaguicidas." (Grifamos).Se de um lado ainda no h estudos conclusivos relacionados a doenas auto-imunes com a exposio a agentes qumicos, tambm as causas da Doena de Behet ainda so desconhecidas, ou, na expresso do perito, no totalmente esclarecidas (fl. 243).

A respeito, a seguinte passagem no trabalho apresentado por grupo mdico da Faculdade de Medicina da Universidade do Vale do Sapuca extremamente elucidativo:

A presena do gene HLA-B51 um fator de risco para esta doena. A presena primria deste gene no a causa da doena. Muitos possuem o gene e poucos desenvolvem a doena. Apesar da predisposio conferida pelo gene para doena de Behcet, casos familiares so a regra. Acredita-se que a interao da gentica com fatores como infeco e exposio ambiental estejam envolvidos. O sistema imunitrio, que normalmente protege o corpo contra infeces, produzindo inflamaes controladas, torna-se hiperativo e passa a produzir inflamaes imprevisveis, exageradas e no controladas. No caso da SB estas inflamaes podem afetar qualquer estrutura 1,3,4,6.. (Virglio Cndido Tosta de Souza e outros (FSTULA ANORRETAL COMPLEXA POR DOENA DE BEHCET - RELATO DE CASO, disponvel em (www.sbcp.org.br/pdfs/24 ).

Assim, mesmo considerada a hiptese de ser o reclamante o portador do HLA-B51, no h como descartar a contribuio dos fatores externos (exposio ambiental) para o desenvolvimento do DB, at pela elementar razo de que o aparecimento de qualquer doena decorre da relao sujeito-ambiente como afirmado no trecho que destacamos do artigo da autoria de Maria Regina Gomes-Carneiro, Lus Felipe Ribeiro-Pinto, Francisco Jos Roma Paumgartten, grupo de trabalho do Laboratrio de Toxicologia Ambiental, Departamento de Cincias Biolgicas, Escola Nacional de Sade Pblica, Fundao Oswaldo Cruz:

(volta ao ndiceEm contraposio aos fatores ambientais, h o risco intrnseco decorrente da constituio gentica, ou o risco herdado pelo indivduo. O componente de risco gentico pode ser muito importante em alguns tipos de cncer e menos importante, ou relativamente pouco importante, em outros. Este risco visto, em princpio, como no evitvel e, portanto, fora do alcance de possveis aes preventivas. Entretanto, no caso do cncer, como tambm no de vrias outras doenas, a dicotomia que ope o inato ao adquirido mostra-se frgil. Da mesma forma que o indivduo no existe fora do meio em que vive, o aparecimento da doena deve ser visto como resultando da relao do sujeito com o ambiente. A predisposio gentica s se expressa fenotipicamente a partir da interao do indivduo com fatores ambientais. Por isso, a vulnerabilidade intrnseca e o agravo extrnseco so dois lados da mesma moeda e mais til visualizar a interao dos dois fatores do que abstrair um ou outro componente (Fatores de riscos ambientais para o cncer gstrico: Cad. Sade Pblica vol.13 suppl.1 Rio de Janeiro 1997).Por fim, as Dras. Ninotchkaa Alvarado e Dra. Mara de Jess Ambriz, em artigo sobre a Enfermedad de Behet (disponvel: www.imbiomed.com), referem:

Se ha encontrado la participacin de mecanismos autoinmunes en la patognesis de la enfermedad, sin embargo existe desacuerdo en clasificar la EB como enfermedad autoinmune. Las principales diferencias entre EB y enfermedad autoinmune son el predominio en el sexo masculino (principalmente en formas severas de la enfermedad), la ausencia de asociacin con tipos autoinmunes de HLA, ausencia de autoanticuerpos, hiperactividad de clulas B y la hipofuncin de clulas T. A pesar de eso, la exposicin a ciertos qumicos (compuestos rgano fosforados y organoclorados) puede precipitar los eventos patognicos.Aps essas consideraes, torna-se possvel afirmar que a concluso do perito oficial, que afasta o nexo causal no isenta de dvidas, no s em razo da vasta literatura que afirma os malefcios decorrentes da ao prolongada a substncias qumicas, mas tambm diante da hiptese admitida em artigos mdicos ser essa exposio desencadeante da doena de Behet. No se pode perder de vista, de outra parte, a idia de concausalidade quando vrias causas concorrem para um resultado, mas cuja causa determinante o fundamento para configurao do nexo causal.

H de se frisar o reconhecimento pela CEEE nos inmeros laudos produzidos de que o reclamante esteve exposto a agentes qumicos altamente nocivos e por esta razo obteve aposentadoria especial por tempo de servio em decorrncia do contato com vrios elementos qumicos (trabalho insalubre).

De fundamental importncia atentar-se para a data dos diagnsticos das vrias doenas apontadas pelo reclamante (parecer mdico da fl. 37, datado de 27.02.1996; laudo da fl. 36, de 14.05.1998; laudo mdico, datado de 31.01.1996), ainda que secundrias mostram que a doena primria teve seu desencadeamento ainda na vigncia do contrato (circunstncia admitida no laudo pericial, fl. 249).

No se pode olvidar tambm que na definio do nexo causal de doena de cunho ocupacional, o trabalho pode representar um elemento apenas secundrio, de agravamento, no precisa ser necessariamente o elemento nico, gerador da doena. Nesse sentido, Sebastio Geraldo de Oliveira refere que h casos em que o trabalho (...) to-somente um fator contributivo (...) apenas agrava uma doena preexistente ou determina a precocidade de uma doena latente (...) in Indenizaes por Acidente do Trabalho ou Doena Ocupacional.

Nessa mesma linha de raciocnio, o autor precitado (op. cit. p. 139) refere a Resoluo do Conselho Federal de Medicina n 1488, de 11 de fevereiro de 1998, recomendando procedimentos e critrios tcnicos mais apropriados para afirmar ou negar o nexo causal de doenas ocupacionais em percias mdicas estabelecendo no art. 2 da Resoluo que alm, do exame clnico, deve haver um estudo da histria clnica e ocupacional, local de trabalho, da organizao do trabalho, do depoimento e experincia dos trabalhadores, conhecimentos e prticas de outras disciplinas e de seus profissionais, sejam ou no da rea da sade, representado importante diretriz.

(volta ao ndiceReconhece ainda o precitado jurista e magistrado (op. Cit. p. 140), tal como no caso dos autos, que (...) em muitas ocasies, as provas colhidas no permitem concluir com absoluta certeza quanto origem do adoecimento (...) e reproduz acrdo que retrata muito bem a hiptese em tela: (...) Acidente do trabalho - Benefcio - Converso - Aposentadoria previdenciria em acidentria - Doena - Mal da coluna - Nexo causal - Prova. A presena do nexo causal se mede por razovel probabilidade, no por matemtica certeza, mesmo porque a cincia mdica no exata. (...) Vale dizer o possvel lgico e no o absolutamente certo, que embasa a concluso pela presena do nexo causal e concausal. (...) So Paulo, Tribunal de Alada Civil, 12 Cmara. Apelao sem Reviso n. 690.457-00/5; Rel. Juiz Palma Bisson, Julgado em 28.08.2003. Grifamos.

No caso dos autos, no h dvida de que a concluso do perito oficial no est relacionando com a especificidade necessria o histrico funcional do reclamante no que tange exposio por duas dcadas variedade de produtos qumicos altamente nocivos tal como admite a empresa em vrios laudos que produziu para fins da aposentadoria especial por tempo de servio face atividade insalubre e patologias desenvolvidas no curso do contrato.

Portanto, conclui-se haver elementos suficientes concluso de que h nexo de causalidade entre a atividade laboral do autor que incluiu o contato com produtos qumicos por mais de duas dcadas a vrias doenas diagnosticadas, com efeitos incapacitantes, que originaram o procedimento administrativo com vistas aposentadoria especial por tempo de servio, decorrente do labor em atividade insalubre.

Por derradeiro, refira-se que a Medida Provisria n 316, de 11.08.06, acrescenta a seguinte disposio Lei no 8.213/91: Art. 21-A - Presume-se caracterizada incapacidade acidentria quando estabelecido o nexo tcnico epidemiolgico entre o trabalho e o agravo, decorrente da relao entre a atividade da empresa e a entidade mrbida motivadora da incapacidade, em conformidade com o que dispuser o regulamento (NR). Esse dispositivo introduz substancial alterao na distribuio do nus da prova do acidente do trabalho por doena ocupacional, alm de ampliar as hipteses das patologias relacionadas ao trabalho antes ocultas ou dissimuladas.

Em concluso, considera-se evidente a comprovao do nexo causal.1.2. DA RESPONSABILIDADE CIVIL COM FUNDAMENTO NA CULPA

De outra parte, tambm flagrante a culpabilidade do empregador no caso presente, em decorrncia da no-observncia de inmeros deveres e regras legais que resultariam na preservao da sade do trabalhador, omisses que resultaram na configurao do dano (doena laboral incapacitante ou severamente redutora da capacidade).

Consoante dispe o artigo 7, XXVIII, da Constituio da Repblica, cabe ao empregador reparar dano causado por acidente do trabalho ou doena profissional na hiptese de dolo ou culpa. No mesmo sentido, o artigo 121 da Lei n 8.213/91. J o artigo 186 do Cdigo Civil determina que "Aquele que, por ao ou omisso voluntria, negligncia ou imprudncia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilcito", e deve indenizar nos termos dos artigos 927 e seguintes do Cdigo Civil Brasileiro.

Veja-se que a empresa no cumpriu adequadamente as normas de segurana no trabalho, porquanto reconhece em vrios documentos supramencionados a exposio do autor a agentes qumicos com alto grau de nocividade, sem o uso de equipamentos de proteo individual capazes de evitar contaminao. Saliente-se referncia utilizao de equipamentos de proteo individual: coturno, capacete, luvas de raspa de couro e hexanol (v.fl. 24). toda evidncia insuficientes para elidir os efeitos nocivos de produtos qumicos.

H inmeros equipamentos de proteo individual descritos na NR-6 da Portaria 3214/78, listados no seu anexo I, que certamente evitariam a contaminao: (p.ex. macaces de segurana, cala de segurana, culos, mscaras para respirao, etc), equipamentos de proteo individual, direcionados manipulao com produtos nocivos, tais como os qumicos manipulados pelo reclamante.

Trata-se aqui - acima de qualquer outro argumento - de observar o descumprimento do dever geral de diligncia do empreendedor que o probe de colocar em risco a vida e a integridade fsica e psicolgica do trabalhador.

Demais disso, h regras formais expressas a serem observadas consoante a Portaria 3214/78 do MTE, que ensejam a responsabilidade por omisso do empregador, como por exemplo, a NR 01 (Disposies Gerais) e a NR 4.

No resta comprovado, por outro lado, que as empresas reclamadas tivessem de forma eficaz realizado o Programa de Preveno de Riscos Ambientais - PPRA, visando preservao da sade e da integridade dos trabalhadores, atravs da antecipao, reconhecimento, avaliao e conseqente controle da ocorrncia de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em considerao a proteo do meio ambiente e dos recursos naturais. (conforme NR 9 da Portaria 3214/78 do Mtb), concluso que reforada em vista do encerramento das atividades da Usina de Preservao de Madeira, localizada no Distrito de Barreto, Municpio de Triunfo, unidade na qual o autor trabalhou de 17.02.75 at o seu desligamento por aposentadoria (doc. fl. 26) por contaminao ambiental.

(volta ao ndiceCuida-se, portanto, do descumprimento de normas expressas quanto segurana do trabalhador, o que denota a denominada culpa contra a legalidade, expresso trazida por Srgio Cavalieri Filho. Em voto de lavra do referido Desembargador e Jurista afirmou-se que h (...) culpa contra a legalidade quando o dever violado resulta de texto expresso de lei ou regulamento (...) (Programa de Responsabilidade Civil, Ed. Malheiros, 2006, p. 90-91).

Conclui-se em vista da constatao da existncia do quadro patolgico e da bvia ausncia de cautelas preventivas por parte do empregador, que tem o dever legal de zelar pela sade de seus colaboradores e tambm do meio-ambiente do trabalho, estar plenamente configurado o dano injusto e indenizvel e todos os demais elementos condicionantes da responsabilidade civil: agente causador de um dano indenizvel; nexo de imputabilidade entre o sujeito e seu dever e o nexo causal entre o dever e o dano.

Alm dos fatos sobejamente demonstrados com relao aos agentes qumicos a que se expunha o trabalhador, a contaminao do solo e do lenol fretico por utilizao do preservante pentaclorofeno (fungicida empregado para desinfetar madeira) no perodo de 1960 a 1982, motivou o encerramento das atividades da unidade de Triunfo em 31.12.05, com isolamento do local para o processo de descontaminao (disponvel: http://www.aessul.com.br/florestal/).

Nesse contexto, partindo-se da premissa que os danos ao meio ambiente so reparveis independentemente de culpa (art. 14, 1, da Lei 6938/81),sob outro ngulo, razovel concluir pela possibilidade de responsabilizao objetiva do empregador que submete o trabalhador a condies de extrema adversidade.

1.3. DA CONTAMINAO DO MEIO AMBIENTE DE TRABALHO E A REPERCUSSO INDIVIDUAL. DA DOENA EM ESTADO DE LATNCIA. DO DIREITO REPARAO. DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA POR DANO AMBIENTALMesmo que em um raciocnio hipottico no se considerasse suficientemente provada a ligao das afeces do autor com a contaminao oriunda do meio ambiente do trabalho, a condenao se justifica sob outros argumentos.Para que no reste dvidas acerca da presena de todos os elementos hbeis a gerar o direito reparao, ainda, em sede de nexo da causalidade - mas j traando o caminho que leva tambm ao fundamento da responsabilidade civil de natureza objetiva em virtude da contaminao ambiental - a questo merece exame sob outras premissas fticas e jurdicas, de acordo com o que se exige da justia contempornea, que necessita obter respostas jurdicas adequadas e consentneas s demandas resultantes de novos padres de comportamentos nocivos, dos quais exemplo a contaminao do meio ambiente e suas conseqncias nocivas s pessoas que vivem na comunidade envolvida.

No caso, trata-se da contaminao do meio ambiente de trabalho e suas conseqncias na pessoa do trabalhador, conseqncias essas que em vrias situaes de contaminao no resultam em repercusso patolgica imediata, mas emergem progressivamente no tempo, transformando o indivduo antes saudvel (mas contaminado) em doente. Quer dizer, uma vez contaminado, a possibilidade de doena passa a ser real. Uma realidade que depende da conjugao e vrios fatores, inclusive, a predisposio gentica e principalmente a intensidade dessa contaminao. E esta realidade tem repercusses jurdicas, uma vez que consabido que a contaminao, por si s, do meio ambiente de trabalho fato gerador de danos (o dano moral genrico, ou coletivo), cuja reparao o poder judicirio trabalhista tem concedido na forma da Lei da Ao Civil Pblica. Da mesma forma que no denominado dano moral coletivo, ligado aos interesses difusos, aqueles em que h indeterminao das vtimas, se faz por meio da Ao Civil Coletiva a defesa dos interesses individuais homogneos, quando as vtimas so individuadas e a leso ao direito detm uma origem comum.

(volta ao ndicePor decorrncia lgica, uma vez configurado o dano ao meio ambiente de trabalho, que gerador do denominado dano moral genrico, ou coletivo, configura-se o direito individualizao desses danos a cada uma das pessoas que sofreram exposio contaminao.

Observe-se que no foi por acaso que se sublinhou a expresso pessoas que sofreram exposio contaminao, isso porque, basta a mera exposio para que se tenha configurado o dano. que o estado potencial de doena reconhecido pelo direito e enseja reparao. A doena pode no se manifestar imediatamente, mas isso no retira do sujeito exposto contaminao ambiental, a violao ao seu direito sade e vida.

Repita-se que, no caso, alm dos fatos sobejamente demonstrados com relao aos agentes qumicos a que estavam expostos os trabalhadores, a contaminao do solo e do lenol fretico por utilizao do preservante pentaclorofeno (fungicida empregado para desinfetar madeira) no perodo de 1960 a 1982, motivou o encerramento das atividades da unidade de Triunfo em 31.12.05, com isolamento do local para o processo de descontaminao (disponvel: http://www.aessul.com.br/florestal/).

Portanto, alm de toda a sorte de agentes qumicos aos quais ao autor esteve diretamente exposto, ainda sofreu com a contaminao do ambiente de trabalho, fato, alis, reconhecido em depoimento pessoal do preposto da empresa.

Portanto, ainda que se desconsiderasse todos os elementos de prova mencionados no item anterior e se reputasse no haver comprovao de que qualquer das afeces que acometeram ao reclamante estivessem ligadas exposio aos agentes qumicos relacionados sua atividade, justifica-se a condenao sob o fundamento de que o autor foi vtima inconteste da contaminao ambiental.

Observe-se que o raciocnio proposto vem sendo consignado em diversas decises judiciais, ainda que no sejam idnticos os pedidos:TIPO: RECURSO ORDINRIO, DATA DE JULGAMENTO: 27/03/2000, RELATOR(A): WILMA NOGUEIRA DE ARAUJO VAZ DA SILVA, REVISOR(A): JOSE MENDES BOTELHO, ACRDO N: 20000135156, PROCESSO N: 02990140993, ANO: 1999, TURMA: 8, DATA DE PUBLICAO: 18/04/2000, PARTES: RECORRENTE(S): J.C.T. RECORRIDO(S): KOLYNOS DO BRASIL LTDA.

EMENTA: ESTABILIDADE ACIDENTRIA. INEXIGVEL O REQUISITO DA CONCESSO DE AUXLIO-ACIDENTE NOS CASOS DE DOENA DO TRABALHO. O art. 118 da Lei no. 8.213/91, a respeito da cessao do auxlio-doena acidentrio, constitui cautela normativa aplicvel ao acidente de trabalho em sentido estrito, em que, de regra, a vtima sobrevivente (porque o acidente fatal tampouco propicia o auxlio-doena acidentrio) se v compelida ao afastamento imediato superior a 15 dias. Caso a hiptese fosse a de requisito inafastvel para o gozo da garantia de emprego, no se encontraria, no mesmo diploma legal, a expressa previso de que se considere, como dia do acidente, no caso de doena profissional ou do trabalho, uma das trs possibilidades seguintes: a data do incio da incapacidade laborativa para o exerccio da atividade habitual; ou o dia da segregao compulsria (infecto-contgio); ou o dia em que for realizado o diagnstico (art. 23 da Lei no. 8.213/91). Ora, dessas trs hipteses apenas a segregao compulsria acarretaria necessariamente o afastamento previdencirio. Nem sempre exigvel, portanto, que o empregado tenha requerido e obtido o mencionado afastamento no curso do contrato, particularmente quando o mal que o acomete, resultante do meio e das condies em que trabalhou, instalou-se em seu organismo ao longo de um processo de contaminao desencadeado em momento incerto e prolongado em durao indefinida, ocasionando uma leso irreversvel cuja implantao progressiva no raro impossibilita seu diagnstico ainda na constncia da relao empregatcia. (...).

(volta ao ndiceEm concluso, trata-se de se considerar a contaminao do meio ambiente do trabalho, ipso facto, geradora de danos, independente de se estabelecer ter havido ou no incio da doena. Ordem de danos, repita-se, cuja reparao se faz necessria, no s com a configurao de dano moral coletivo - como ocorre em pleitos do Ministrio Pblico do Trabalho atendidos em sede de ao civil pblica - mas tambm com a reparao do dano individualmente considerado, em virtude do estado potencial de contaminao e possibilidade de doena.

2. DA REPARAO

2.1. DANOS MATERIAIS.

O pleito inicial de danos morais, esses incluindo o dano esttico e danos materiais, esses ltimos consistentes em: a) reduo da renda em 18 % face aposentadoria por invalidez com proventos proporcionais; b) despesas mdicas e laboratoriais; c) gastos com farmcia, na mdia de R$ 700,00 (setecentos reais) ao ms. Postulou tambm o pagamento imediato dos danos emergentes e lucros cessantes j realizados e penso vitalcia mediante a constituio de capital.

2.1.1. DANOS EMERGENTES

Embora seja presumvel a existncia de despesas mdicas e gastos farmacuticos, nenhuma prova produziu o autor, nem mesmo a ttulo exemplificativo, quanto aos referidos danos materiais. Portanto, invivel o deferimento.

2.1.2. DANOS PATRIMONIAIS. LUCROS CESSANTES. PENSO VITALCIA.

A penso postulada se justifica quando comprovado haver prejuzo material em virtude de reduo ou perda total da capacidade laborativa, compreendendo-se nos denominados lucros cessantes, com fundamento no artigo 950 do CCB, nos seguintes termos:

Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido no possa exercer o seu ofcio ou profisso, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenizao, alm das despesas do tratamento e lucros cessantes at ao fim da convalescena, incluir penso correspondente importncia do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciao que ele sofreu.

Pargrafo nico. O prejudicado, se preferir, poder exigir que a indenizao seja arbitrada e paga de uma s vez.

fato inconteste que o autor se aposentou por tempo de servio, com base em aposentadoria especial, que se justifica em virtude da sua atividade em contato com agentes qumicos, descrita no Anexo IV e II do Regulamento de benefcios. Todavia, dos autos emergiu claramente que a empresa reconhecia os estado de doena do reclamante e, em virtude dessa situao, encaminhou-lhe para o processo de jubilamento, ainda que na forma de aposentadoria especial. Nesse contexto, a simples aposentadoria lhe acarreta prejuzos. Isso porque, o art. 57, 8, da Lei 8.213 (pargrafo acrescentado pela Lei 9732/98) prev o cancelamento automtico da aposentadoria em caso de retorno a atividade nas mesmas condies.

de se recordar, ainda, que o reclamante atuou na rea de tratamento de madeira que exige a aplicao de substncias qumicas, nica profisso que exerceu por mais de vinte anos e para a qual no h possibilidade de retorno, no s por vedao legal, mas tambm em decorrncia do agravamento do quadro patolgico que vem se acentuando, hodiernamente, o que resta evidente da percia realizada. Alm disso, o agravamento das doenas diagnosticadas, notoriamente o comprometimento ocular com reduo da viso binocular de 30% (viso nula do olho direito) evidencia a incapacidade para o retorno ao trabalho.

Em concluso, d-se provimento ao recurso para condenar as recorridas ao pagamento de penso vitalcia no valor correspondente a 30% do valor da aposentadoria recebida do Instituto Nacional do Seguro Social.

(volta ao ndice2.2. DANOS MORAIS. DANOS ESTTICOS

Declarada a existncia de doena ocupacional, situao equiparvel a acidente de trabalho, em virtude de inmeras patologias derivadas da atividade laboral, h dano moral indenizvel.

Tal como afirmou, em vista da constatao da existncia de doena ocupacional e da ausncia de cautelas preventivas por parte do empregador conclui-se estar plenamente configurado o dano injusto e indenizvel e todos os demais elementos condicionantes da responsabilidade civil por danos morais: agente causador de um dano indenizvel; nexo de imputabilidade entre o sujeito e seu dever e o nexo causal entre o dever e o dano.

2.2.1. O prejuzo de natureza extrapatrimonial, no caso, o denominado dano moral puro, ao contrrio dos danos materiais, no depende de comprovao. A jurisprudncia nacional h muito j evolui para a considerao de que os danos de natureza moral so de tal ordem que impossibilitam a comprovao e mesmo se presumem no sendo possvel aferir a dor, o sofrimento, a angstia, que acometem o ser humano, em face dos males fsicos e psicolgicos causados pela ao ou omisso humana e suas mais variadas conseqncias. Trata-se de damnum in re ipsa. Isto , basta para a configurao do dano moral indenizvel que haja fato causador de violao de direitos de personalidade, direitos fundamentais (direito sade, direito vida).

Incide, portanto, a Constituio Federal, artigos 5, V e X, bem como o artigo 186 do Cdigo Civil Brasileiro, para reconhecer ao reclamante o direito indenizao por danos morais decorrentes do sofrimento causado pela contaminao, pela doena e suas conseqncias.

2.2.2. Impe-se examinar, nesse momento, as questes relativas ao dano esttico. Primeiro, para esclarecer que, embora estejam compreendidos no gnero danos morais, com os danos morais stricto sensu no confundem, constituindo, em verdade, um tertium genus dos danos extrapatrimoniais: danos morais (vrios direitos de personalidade, intimidade, sade, vida), danos imagem (honra) e danos estticos (direito integridade fsica e seus consectrios).

Vale citar a observao de Sergio Cavalieri Filho ao mencionar que, embora no tenha referncia expressa ao dano esttico, essa ordem de danos estaria compreendida no Cdigo Civil Brasileiro, artigo 949, parte final, quando menciona alm de algum outro prejuzo que o ofendido prev haver sofrido (in Programa de Responsabilidade Civil, p. 122, Ed. Malheiros, 6 Edio, 2006.) Para melhor compreenso, repete-se o integral teor do dispositivo:

Art. 949. No caso de leso ou outra ofensa sade, o ofensor indenizar o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes at ao fim da convalescena, alm de algum outro prejuzo que o ofendido prove haver sofrido.Embora o precitado autor conclua doutrinariamente em sentido contrrio, cita a evoluo da Jurisprudncia do STJ (Resp 65.393-RJ, Rel Min Ruy Rosado de Aguiar; Resp 84.752-RJ, Rel Min Ari Pargendler) quanto a ter prevalecido (p. 123-4 da obra citada) o entendimento de que o dano esttico distinto do dano moral, correspondendo o primeiro, a uma alterao morfolgica de formao corporal que agride a viso, causando desagrado e repulsa; e o segundo ao sofrimento mental - dor da alma, aflio e angstia a que a vtima submetida. Um de ordem puramente psquica, pertencente ao foro ntimo; outro visvel, porque concretizado na deformidade. Assim, o dano esttico d causa a uma indenizao especial com base no artigo 949 do Cdigo Civil Brasileiro.

Ao contrrio do dano moral puro, o dano esttico depende de prova. No presente caso, temos que se encontra claramente demonstrado em virtude das leses cutneas constadas pelos laudos mdicos e corroboradas nas fotografias trazidas colao, bem assim, em virtude das leses oculares que anularam a viso em um dos olhos do empregado, causando-lhe ainda, inchao e lacrimejamento.

2.2.3. Quanto ao valor da indenizao h de considerar as finalidades da responsabilidade civil - reparar, compensar a vtima, alm de punir o agressor e dissuadi-lo a cometer novos ilcitos, sem, no entanto, gerar enriquecimento sem causa com indenizao excessiva. Assim, considerando, ainda, a condio profissional do reclamante, bem como a capacidade financeira da reclamada e o tempo de contrato de trabalho, fundamental, nesse caso para fins do nvel de exposio e contaminao, fixa-se a indenizao em R$ 100.000,00 (cem mil reais) a ttulo de danos morais e R$ 50.000,00 (cinqenta mil reais) pelos danos estticos.

Dessa forma, d-se provimento ao recurso do autor para condenar a segunda reclamada (AES - SUL) ao pagamento de indenizao por danos morais e estticos na importncia de R$ 150.000,00 (cento e cinqenta mil reais), com juros e correo monetria.

(volta ao ndiceIII - RECURSO ADESIVO DA PRIMEIRA RECLAMADA - CEEE (matria remanescente). CONTRA-RAZES DA SEGUNDA RECLAMADA - AES SUL. MATRIA COMUM A AMBOS OS RECURSOS

1. DA RESPONSABILIDADE DAS RECLAMADAS. EXCLUSO DA LIDEA primeira reclamada - CEEE, em recurso adesivo, pretende a excluso da lide, alegando ter havido a sub-rogao no contrato de trabalho do reclamante quanto ao plo empregador, ficando a cargo da AES - SUL toda a responsabilidade oriunda do contrato de trabalho.

J a segunda reclamada AES - SUL, em contra-razes, tambm entende ser parte ilegtima ao fundamento de que na quase totalidade do contrato de trabalho a primeira reclamada (CEEE), foi empregadora. Requer a extino do feito sem resoluo do mrito, com base no art. 267, IV, do CPC.

anlise.

Refira-se, inicialmente, que a excluso da lide por ilegitimidade passiva invocada pelas reclamadas, na verdade, matria pertinente ao mrito da demanda j que se discute tambm a existncia ou no de responsabilidade de ambas as reclamadas, em face do contrato de trabalho do reclamante, e assim ser examinada.

O autor foi admitido pela CEEE como agrotcnico, em 17.02.1975, contrato assumido por sub-rogao pela Superintendncia de Distr. Centro-Oeste e depois AES - SUL em 18.08.1997 (v. ficha de registro de empregados, fls. 17-23), fato incontroverso. Obteve concesso de aposentadoria por tempo de servio com vigncia a partir de 11.08.1997 (v. carta de concesso fl. 200, com data de 10.12.1997), ocorrendo seu desligamento da empresa em 31.12.1997 (v.fls. 201-203).

Houve continuidade da prestao laboral aps a vigncia da aposentadoria comunicada em 10.12.1997, restando perfectibilizada a sub-rogao contratual.

A questo da responsabilidade restou pacificada nessa Corte Regional pela Smula 22, nos seguintes termos: "CEEE. PRIVATIZAO. RESPONSABILIDADE DAS EMPRESAS SUBSIDIRIAS. Os crditos dos empregados da Companhia Estadual de Energia Eltrica que no tiveram seus contratos de trabalho transferidos ou sub-rogados s empresas criadas a partir do processo de privatizao so de responsabilidade exclusiva da CEEE."

Logo, ainda que no se tratasse de questo atingida pela precluso, de ser mantida a responsabilidade da AES - SUL, porquanto reconhecida a sub-rogao no contrato de trabalho do demandante.

A Lei Estadual n 10.900, de 26/12/1996, determina uma reestruturao societria e patrimonial da CEEE, constituindo as subsidirias - Cia. Norte- Nordeste de Distribuio de Energia Eltrica, a Cia. Centro-Oeste de Distribuio de Energia Eltrica e a Cia. de Gerao Trmica de Energia Eltrica. Formou-se um grupo econmico na forma do pargrafo 2. do artigo 2. da CLT, resultando em princpio na solidariedade de todas as empresas pelos crditos trabalhistas.

A empresa controladora - CEEE aumentou o capital e transferiu parte do seu patrimnio s subsidirias. Posteriormente, as subsidirias foram alienadas pela empresa controladora. Com a transferncia do controle acionrio para empresas de capital privado, deixou efetivamente de existir grupo econmico entre as empresas.

Observe-se que cada uma das empresas que formavam o grupo econmico foram autonomamente alienadas. Assim, no houve a ciso de uma pessoa jurdica, razo pela qual tal situao no configura uma ciso parcial propriamente dita, na forma como regulada nos artigo 229 e seguintes da Lei 6.404/76. Assim resta inaplicvel a solidariedade prevista no artigo 233 do mesmo Diploma Legal. Mais que isso, a responsabilidade trabalhista obedece a regramento prprio, qual seja o previsto nos artigos 10 e 448 da Consolidao das Leis do Trabalho, de maneira que sob todos os aspectos no se configura as hipteses legais aventadas pela reclamada RGE.

Nessa senda, com a constituio da Companhia Centro-Oeste de Distribuio de Energia Eltrica, em 11/08/97, atual AES SUL - DISTRIBUIDORA GACHA DE ENERGIA ELTRICA S.A. houve a sub-rogao nos contratos de trabalho dos autores, passando esta empresa a ser beneficiria da prestao de servios do reclamante. Existente a sucesso de empregadores, torna-se irrelevante o fato de no ter ocorrido a extino da empresa sucedida (CEEE).

(volta ao ndiceA responsabilidade pelos crditos trabalhistas do sucessor, no havendo nem solidariedade e nem subsidiariedade por parte da sucedida. As clusulas contratuais que estabeleam o contrrio no tm validade perante o empregado, mantido o eventual direito de regresso da sucessora contra a sucedida em foro devido.

Essa seria a concluso acerca da responsabilidade pelos crditos trabalhistas decorrentes da assuno do plo passivo no mbito do contrato de trabalho, com base nos artigos 10 e 448 da Consolidao das Leis do Trabalho.

No caso, todavia, trata-se de ao reparatria por danos decorrentes de acidente de trabalho, no se tratando propriamente de um direito oriundo do contrato de trabalho, mas sim um direito de reparao com fundamento em ilcito civil, e tambm com fundamento constitucional na forma da Constituio Federal, art. 7, XXVIII.

Na verdade, quando se trata de responsabilidade civil decorrente de acidente de trabalho possvel defender um tratamento diferenciado da responsabilidade que decorre da sucesso trabalhista tpica. Isto , a natureza do direito de reparao por acidente do trabalho (com fundamento na ilicitude da conduta e no no contrato, decorrente da culpa ou mesmo do risco da atividade) em virtude dos elementos condicionantes dessa responsabilidade (agente causador de um dano indenizvel; nexo de imputabilidade entre o sujeito e seu dever e o nexo causal entre o dever e o dano).

Com efeito, a responsabilidade no caso de acidente de trabalho sempre vai depender da conjugao desses elementos e, no caso dos autos, ao se levar em considerao que todas as seqelas fsicas da doena ocupacional restaram consolidadas no mbito do contrato de trabalho mantido com a empresa sucedida, no h razes para excluir sua responsabilidade, uma vez que foi a causadora do dano. Por outro lado, a sucessora assume todos os riscos decorrentes do contrato de trabalho, inclusive, o dever de reparao sob fundamentos extracontratuais, por assuno do nus do empreendimento econmico (art. 2 da CLT) e pela substituio no plo passivo da relao jurdica em face do artigo 448 da Consolidao das Leis do Trabalho.

Portanto, as duas empresas tm responsabilidade solidria pela reparao decorrente do acidente de trabalho.

Nega-se provimento ao recurso adesivo da primeira reclamada CEEE e no se acolhe a ilegitimidade passiva da segunda reclamada AES SUL, argida em contra-razes.

(...)

(volta ao ndice( volta ao sumrio1.3. Danos material e moral. Acidente do trabalho. Mor