Revista Paulo Freire - edi§£o 02

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Rosa Luxemburg - A história de uma das maiores socialistas de todos os tempos 90 anos depois de seu assassinato

Text of Revista Paulo Freire - edi§£o 02

  • 1LUXEMBURGROSAA histria de uma das maiores socialistas de todos os tempos 90 anos depois de seu assassinato

    Revista de Formao

    Poltico-Pedaggica

    do SINTESE

    n 02 - Sergipe - janeiro - 2009

  • 2

  • 3dade socialista. Neste ms, mais

    precisamente em 15 de janeiro de

    2009 faz 90 anos que ela e o seu

    companheiro Karl Libknecht fo-

    ram barbaramente assinados por

    nazistas alemes. Mesmo 90 anos

    depois, suas idias de uma outra

    sociedade, com o protagonismo

    dos trabalhadores permanecem

    extremamente vivas, assim como

    as do educador Paulo Freire.

    No por acaso esta edio

    patrocinada pelo Sintese, sindica-

    to dos professores da rede pblica

    em Sergipe. Rosa foi uma extraor-

    dinria educadora na vida cotidia-

    na e na escola. Em um tempo que

    mulher no entrada na universida-

    de, ela conseguiu o ttulo de dou-

    tora em economia. Ela foi tambm

    professora de Economia Poltica e

    Histria Econmica na escola de

    formao do Partido Social-De-

    mocrata Alemo. A partir de suas

    aulas ela escreve duas das suas

    obras mais importantes: Introdu-

    o economia poltica (publica-

    do em 1925) e A acumulao do

    capital (1913). Rosa Luxemburg

    era uma excelente professora,

    daquelas que levava os alunos

    reflexo, evitando impor-lhes dog-

    maticamente suas prprias idias.

    Essa sua ao em levar os alunos

    reflexo no encontrava guarida

    nos altos dirigentes do partido e

    ela obrigada a deixar a escola.

    Esta modestssima lembrana

    de uma mulher que marcou a his-

    tria de luta dos trabalhadores em

    busca de uma sociedade socialista

    pode, quem sabe, ajudar a manter

    acessa a chama revolucionria que

    existe em cada um de ns. Agra-

    decimentos especiais ao pessoal

    da Fundao Rosa Luxemburg, ao

    companheiro socialista Hildebran-

    do Maia, a professora Alexandrina

    Luz e aos dirigentes do Sintese.

    Boa leitura e discusses!

    Jos Cristian Ges

    Editor da Revista Paulo Freire

    A primeira edio da Revista Paulo Freire no poderia ter sido diferente. L se contou, resumi-

    damente, a histria de um dos

    maiores educadores de todos os

    tempos, o prprio Paulo Freire.

    Foi um presente extraordinrio

    para educadores, alunos e mili-

    tantes sociais concedido pela de-

    putada estadual Ana Lcia e pelo

    deputado federal Iran Barbosa,

    ambos professores e grandes refe-

    rncias do magistrio sergipano. A

    procura pela revista foi to grande

    que os mil exemplares iniciais logo

    se transformaram em 3 mil e at

    hoje ela procurada para servir

    de pesquisa e debate em escolas e

    universidades.

    Esta segunda edio da Revista

    Paulo Freire tambm no poderia

    ter destino diferente. Aqui se faz

    uma homenagem mais que justa

    a uma das maiores socialistas de

    todos os tempos: Rosa Luxem-

    burg, uma mulher guerreira, re-

    volucionria, judia polonesa que

    enfrentou com coragem e ousadia

    enormes preconceitos para defen-

    der a construo de uma socie-

    Rosa Luxemburg: presente!primeiras palavras

    Revista de Formao Poltico-Pedaggica do SINTESE

    Rua Slvio Tefilo Guimares, 70, B. Pereira Lobo

    Aracaju/SE Cep. 49052-410. Tel: (79) 2104-9800

    Jos Cristian Ges - Editor (DRT/SE 633)

    Diego Oliveira - Coordenao Grfica(DRT/SE 1094)

    Conselho Editorial:

    Hidelbrando Maia, Joel Almeida, Nelton Diniz,

    Alexandrina Luz.

    Apoio:

    Instituto Rosa Luxemburg Stiftung

    Rua Ferreira de Arajo, 36. 05428-000 So

    Paulo SP Brasil. Tel: +55 11 37969901

    Fax: +55 11 30979014. site@rls.org.br

    Representantes na Amrica do Sul.

    Kathrin Buhl - Diretora

    Julie Pfeiffer - Coordenadora de Projetos

    Ana Garcia - Coordenadora Poltica de Projetos

    Natalia Codo - Assistente Administrativa

    Danilo C. Csar - Contedo Web

    Suia Dubiela - Assistente Administrativa

    Fundao Rosa Luxemburg

    A Fundao Rosa Luxemburg (Rosa Luxem-

    burg Stiftung RLS) foi fundada em 1990, e

    desde 1996 uma fundao poltica prxima

    ao antigo Partido do Socialismo Democrtico

    (PDS), hoje o Partido de Esquerda (Die Linke).

    site: http://www.rosalux.de

    Outras referncias:

    -Luxemburgo, Rosa. Reforma social ou revolu-

    o?, So Paulo: Global Editora, 1986.

    -Vares, Luiz Pilla. Rosa, a vermelha; Vida e

    Obra de Rosa Luxemburgo, So Paulo: Busca

    Vida, 1988.

    -Professora Isabel Loureiro, do Departamento

    de Filosofia da Faculdades de Filosofia e Cin-

    cias da Unesp/SP.

    onde achar

    A luta maior e o mais simples da vida! 04A luta revolucionria 05

    O papel das massas 06

    A sociedade socialista na prtica cotidiana 07

    Conselhos de operrios 08

    Militante dos direitos humanos 12Rosa, vermelha Rosa 14Rosa Luxemburg no Brasil 15Alguns legados de Rosa Luxemburg 16O que quer a Liga de Spartakus?, por Rosa Luxemburg(1) 17

    Cronologia da Revoluo: vida e morte de Rosa Luxemburg 10

    Rosa foi uma extra-

    ordinria educadora

    na vida cotidiana e na

    escola.

  • 4Rosa Luxemburg, revolu-cionria judia polonesa assassinada em Berlim em janeiro de 1919, no decorrer

    da revoluo alem, permanece

    at hoje uma figura fascinante, tan-

    to por suas idias polticas, quanto

    por sua coerncia e integridade.

    As militantes em particular po-

    dem mirar-se no seu exemplo: a co-

    ragem e ousadia com que enfrentou

    preconceitos fortemente arraigados

    na social-democracia alem, onde

    s mulheres eram reservados os as-

    suntos femininos, sinnimo pou-

    co srio, at hoje surpreendente.

    Intelectual e oradora brilhante,

    Rosa jamais se conformou com esses

    limites. Seu objetivo era fazer poltica

    partidria em p de igualdade com

    os maiores tericos do partido. Ja-

    mais ficou numa posio subalterna.

    Um episdio do incio de 1907,

    contado por Paul Frlich, um dos bi-

    grafos de Rosa, mostra bem essa fa-

    ceta do seu temperamento. Kautsky

    havia convidado alguns companhei-

    ros de partido para almoar num

    domingo. Rosa e sua amiga Clara

    Zetkin tinham sado para passear e

    chegaram atrasadas. Quando o Be-

    bel (presidente do partido) caoou

    delas, dizendo temer que se tives-

    sem perdido, Rosa voltou-se para

    ele sorrindo e disse: Sim, vocs

    poderiam ter escrito nosso epitfio:

    aqui repousam os dois ltimos ho-

    mens da social-democracia alem.

    lectualmente no interior da social-

    democracia o partido da classe

    operria alem , empurr-la para

    a esquerda, combater a rotina,

    permanecer idealista, trabalho

    a que se dedicou incansa-

    velmente at a guerra.

    Dotada de gran-

    de coragem inte-

    lectual e moral, ela

    sempre combateu

    com intransigncia

    em favor do que con-

    siderava a causa jus-

    ta o fim de todas as

    formas de opresso, tanto

    social quanto individual. Sua luta

    poltica, que podemos acompa-

    nhar pela obra terica exposta em

    artigos e livros, segue em paralelo

    com uma obstinada luta pessoal

    visando construir uma vida feliz

    junto com o homem amado, em-

    bates que encontramos expostos

    na sua vastssima correspondncia.

    CHOQUE DE REALIDADE

    Impregnada de ardentes ideais

    revolucionrios construdos na mi-

    litncia poltica clandestina na sua

    Polnia natal e no exlio na Sua,

    Rosa sofre um choque ao mudar-

    se para Berlim em 1898, vinda de

    Zurique, onde conclura a univer-

    sidade com um brilhante douto-

    rado sobre O desenvolvimento

    industrial da Polnia. Ela d-se

    conta rapidamente de que a social-

    democracia alem, a organizao

    que escolhera para fazer carreira

    poltica (o maior partido operrio

    do ocidente e modelo da esquerda

    na poca), na realidade no passa-

    va de uma grande organizao bu-

    rocrtica, adepta de um marxismo

    de fachada, e que os respeitados

    lderes social-democratas, pusilni-

    mes e medocres, eram totalmente

    carentes de talento e imaginao.

    Rosa, cuja experincia pol-

    tica num pas pobre e atrasado

    lhe fazia ver com olhos crticos

    a atmosfera da esquerda alem,

    ps-se como tarefa vencer inte-

    A luta maior e o mais simples da vida!

    Rosa Luxemburg

    Rosa Luxemburg perma-

    nece at hoje uma figura

    fascinante, tanto por suas

    idias polticas, quanto

    por sua coerncia e inte-

    gridade.

    CLARA E ROSA

    Amigas revolucionrias

    em 1910.

    Rosa: poltica e felicidade pessoal

    Seu maior desejo sempre foi unir

    poltica e felicidade individual desejo

    que cala fundo no corao das mulhe-

    res. Por isso mesmo brigava com Leo

    Jogiches, seu grande amor durante 15

    anos e mentor poltico da juventude, que

    s tinha olhos para a causa e desprezo

    por tudo que fosse burgus: conforto,

    paz de esprito, tranqilidade, prazer, fe-

    licidade, desejo de ter filhos. A seguinte

    passagem de uma carta a Leo, de 6 de

    maro de 1899 Rosa tem 29 anos

    reveladora: Mantenho minhas pre-

    tenses felicidade pessoal. um fato,

    tenho um enorme desejo de ser feliz e

    estou disposta a negociar, dia aps dia,

    em favor da minha pequena rao de feli-

    cidade com a teimosia de uma mula (...).

    Leo Jo