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v1PR ESA BRASILE IRA DE PESQUISA AGROPECUARIA - EMBRAPA

A DIALETICA NO PENSAMENTO ANTIGO

Departamento de Di fuso de Tecno logia

B, "5 1Iia. DF

1984

(~) EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGRDPECUARIA - EMBRAPA . Vinculada ao Ministrio da Agricultura , Departamento de Difuso de Tecnologia DDT

A DIAL!:TlCA NO PENSAMENTO ANTIGO

Edmundo da Fontoura Gastai

Departamento de Difuso de Tecnologia Bras(lia; DF

1984

EMBRAPADDT. Documentos, 22

Exemplares desta publicao podem ser solicitados

EMBRAPADDT SCS Ouadra 8 . Bloco B . n? 60 Supercenter Venncio 2000 . 4~ andar, sala 440 Telefone: (061) 225.3870 Telex: (061) 1620 ou 1524 Caixa Postal 04.0315 70312 Brasi1ia, DF

Tiragem : 500 exemplares

Gastal, Edmundo da Fontoura

Dialtica no pensamento antigo. Braslia, EMBRAPADDT,1984.

'24p. (EMBRAPA.DDT. Documentos, 22) .

L Filosofia. 2. Dialtica. L Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria. Departamento de Difuso de Tecnologia, Bras{lia, DF. 11. Ttulo. lll. Srie.

CDD 100

EMBRAPA -1984

SUMARIO

Pgina

5 A dialtica

8 Herclito de ~feso (5357 - 4657)

10 Parmnides (540 A .C. - ? )

10 Zen6n de Eleia (490 -430)

12 Os sof istas (sculo V A .C.)

14 Scrates (470/ 469 - 399)

16 Plato (428/ 429 - 347)

20 Aristteles (384 -322)

21 Os esticos

21 Plotino (205 -270)

22 Agostinho (Santo) (354 -430)

24 Bibliografia

A DIALETICA NO PENSAMENTO ANTIG01

Nos ltim os tempos, o interesse pela dialtica tem aumentado significa tivamen-te. O pensamento de Hegel (1770-1881), sua utilizao por parte de marx.istas ~ tanto "ortodoxos" como "revisionistas" e, ainda mais recentemente , por outras correntes responsveis por sua utilizao no campo das cincias, podem ser assinala-dos como os principais responsveis por essa vulgarizao do termo e preocu pao com a profundidade da interpretao adequada de seu contedo .

Conforme assinala Foulqui , infelizmente esta palavra que tem um amplo pas-sado, sofreu suas vicissitudes. Sem dvida - e esta uma das teses essenciais da con -cepo dialtica do pensamento entre os contemporneos - se o sigllificado de um termo depende da constelao mental de quem o utiliza , tambm mais ou menos atingido pelas sucessivas acepes que tem tido ao longo de sua histria. (5)

Por isto, neste trabalho, trata -se de fazer uma reviso da utilizao do termo-e mais que isto, tem a fmalidade de identificar colocaes, independentemente do uso do termo, que se possam vincular concepo contempornea de dialtica - nos pensadores desde a antiguidade. Por razes didticas , nos restringimos ao Pensamen-to Antigo. Esperamos, posteriormente , medida do possvel, continuar a reviso at a poca atual.

A DIAL~TlCA

Segundo Kopnin (1922 -1971), desde a Antiguidade, a dialtica vem assumin-do duas formas diferenciadas : a arte de operar com os conceitos (plato) e a da as-similao terica da prpria realidade , principalmente da natureza (Herclito) . Estes dois princfpios na dialtica tm sido considerados absolutamente heterogneos: a dialtica ou ensina a pensar (a arte de operar com os conceitos) ou permite uma compreenso, uma assimilao do prprio mundo, da natureza de suas coisas. Estes dois sistemas de conhecimento tm, por longo tempo, se oposto um ao outro , o l-gico ao ontolgico. Sem dvida, no transcurso do tempo a evoluo da ftlosofia tem levado idia da coincidncia entre eles. Alm das outras tarefas que tem, a dialti -

1 Seleo. adaptao e traduo de texto. realizados por Edmundo GastaI. Livre Docente da UFPEL (Universidade Federal da Pelotas!.

5

ca objetiva a criao e o aperfeioamento de wn pensamento terico;;i entfico que conduza verdade objetiva . Um dispos.itivo, porm, formado por um sistema que tirado do mundo objetivo. (9)

As formas e leis do pensamento que a dialtica como lgica estuda no so mais que formas e leis do movimento do mundo material, incorporado ao processo conjun to do trabalho e incluido no campo da atividade hwnana . A caracterstica peculiar da atividade do homem e de seu pensamento consiste just amente na univer salidade, ou seja, no fato de que o homem social capaz dt transfomlar qualquer objeto da natureza em objeto e condio de sua atividade vital e de no estar gado s condies biolgicas da vida da espcie, como ocorre com o animal. Com isto o homem demonstra sua universalidade em geral e a universalidade de seu pensamen to em particular, uma vez que o pensamento nada mais que a capacidade desenvol vida para atuar conscientemente com qualquer objeto, segundo a fom13 pr pri a e dimenso deste, baseado na inlagem que com veracidade objetiva o repete . (9)

A fora da dialtica como lgica est em sua capacidade de relacionar a objeti vidade do contedo dos conceitos e teori as da cincia com sua mutabilidade. in sta bilidade . Alm disso , a dialtica demonstra que fora do desenvolvimento, impos svel a obteno da verdade objetiva. A cincia contempornea precisa de wn a lgi ca que revele as leis do conhecimento como processo de conhecinlento do objeto pelo pensamento. A dialtica do desenvolvimento da natureza e da sociedade jus tamente a lgica do pensamento combinado com a realidade. (9)

A dialtica no se prope construo do con hecinlento dispon vel segundo UIl1 modelo ideal, sua finalidade interpretar as leis de trans.io de um sistema te rico para outro, descobrindo as leis da gnese das teorias cientficas, os caminhos de seu desenvolvimento. Tem como objetivo o estudo do movinler. to do pensamento no sentido da verdade. Por isto , o mais inlportante para ela definir que pensamen. to verdadeiro e como estabelecer sua veracidade. Ela parte do reconhecimento de que a verdade objetiva um processo de movinlento do pensamento. de que no se deve conceber a verdade sob a forma de uma tranqilidade morta, sem movinlen-to.

A dialtica que, segundo Foulqui, se pode chamar de antiga, vai at Hegel (1770-1881). Neste longo perodo, a dialtica concebida como uma arte similar lgica ou mesmo se confunde com ela. No pe em dvida, no entanto, em ne-nhum momento, a inlportncia e o valor do princpio da contradio, fundamento essencial da lgica clssica : a mesma coisa no pode ser e no ser ao mesmo tempo ; propriedades contraditrias so incompatveis. (5)

6

Para Hegel , ao con trrio, a contrad io condiciona o pensamento , bem como s coisas e somente o nada corresponde s exigncias da no contradio formuladas pela lgica clssica. A nova dialtica v a contradio nas coisas que so e no so

simultaneamente e desta contradio se faz o esse ncial da atividade dos seres que,

sem ela, se riam inertes. (5)

Na origem da palavra "dialtica" se encontra o substantivo grego " Iogos" derivado de "Iegei", cujos principais significados so : " palav ra" o u " di scurso" e "raz"o" . Os dois significados se encontram em "dialtica" na qual o prefLXo "dia" exprime uma idia de reciprocidade ou de troca: "dialegei" trocar palavras ou ra-

zes, conversar, discutir.

Segundo Ferrater Mora, certamente, o termo "dialtica" , e mais apropriada-mente a expresso "arte dialtica" esteve em estreita relao com o vocbulo "di-logo": "arte dialtica" pode defmir-se, primeiramente, como "arte do dilogo" . Como no dilogo , existem (pelo menos) dois "Iogoi" que se contrapem entre si, na dialtica existem tambm dois logoi, duas "razes" ou "posies" entre as quais se estabelece precisamente wn dilogo, isto , um con fronto no qual h uma espcie de acordo no desacordo - sem o qual no haveria dilogo - porm tambm uma esp-cie de trocas sucessivas de posies induzidas por cada uma das posies "contr-rias" . (4)

Este sentido "dialgico" da "dialtica", ainda que primrio, no suficiente : nem todo dilogo necessariamente dialtico. Num sentido mais "tcnico", a dial-tica se entendeu como um tipo de argumento semelhante ao argumento chamado "reduo ao absurdo", porm no idntico ao mesmo. Neste caso , continua haven-do na dialtica um "dialogar" , porm no tem lugar ne cessariamente entre dois in-terlocutores , seno, por assim o dizer, "de ntro do mesmo argumento" . (4)

Baseado na etimologia da palavra , a dialtica pode ser concebida : em primeiro lugar como a arte da palavra; no a palavra que impressiona ou capta, uma vez que este o objetivo da retrica, mas a palavra que convence e leva compreenso; em segundo lugar, como a arte da discusso, do dilogo, englobando a arte da demons-trao e da refutao. O dialeta sabe organizar seu saber em um sistema coerente e, acima de tudo, encontrar a fundamentao lgica para suas opinies. Distingue-se, porm, principalmente pela capacidade em discernir o verdadeiro do falso nas afir-maes dos demais, em identificar o ponto fraco na tese antagonista e o argumento decisivo capaz de lev-lo ao silncio. (5) Para o dialeta, o "escutar" tio importan-te como o "falar" , o "ouvir" igual ao "dizer"; fundamental na busca da explica-o dos fatos e fenmenos_ O dlaleta, mais que ningum, sabe que no h sntese, sem a tese e a anttese_ .

7

HERCLITO DE HESO (535 7 - 46571

No deixa de ser curioso que o precursor da dialtica em seu sentido moder-no, consagrado apenas a partir de Hegel , tenha sido este pensador anterior a todos os demais pensadores antigos vinculados dialtica em sua antiga concepo.

Com seu carter triste e pessimista, Herclito se impressiona com a instabili-dade essencial das coisas. ~ o msofo da contradio: "somos e n~o somos", diz ele. Insiste principalmente sobre a luta dos opostos na natureza, luta necessria para alcanar a harmonia. O prprio Aristteles assinala que, segundo Herclito, "a mes-ma coisa e no ". (2)

Ele tem sido chamado "o Obscuro", talvez devido ao elevado con tedo dial-tico de suas concluses par

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