Viver 6 - Artesãos e Artes Populares da BIS

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Um olhar por entre aqueles que constituíram em tempos uma importante fonte de rendimento nas economias rurais da BIS e que se assumiram como insubstituíveis marcos de preservação da cultura popular local. A edição 6 da Revista VIVER dedicou o espaço merecido aos artesãos e artes populares da BIS, uma realidade cada vez mais esquecida na memória colectiva do povo beirão e que urge revitalizar como recurso endógeno com potencial da região raiana. Especial atenção deve ser igualmente dedicada à rubrica "Inovadores e Pioneiros". Neste número destacamos o grupo de especialistas agrícolas que acredita na produção de bioetanol, a partir da cana-de-açúcar, como uma cultura ambiental, social e economicamente mais viável do que a tradicional cultura do tabaco, em desaparecimento na BIS. Não deixe ainda de espreitar a Lei das Associações de Desenvolvimento Local de Cabo Verde publicada nas "Teorias e Práticas de Desenvolvimento Local".

Text of Viver 6 - Artesãos e Artes Populares da BIS

  • 0607

    Jun. Jul. Ago.

    o grande tema

    Artesos e Artes Populares da BIS

  • (United Colors of Benetton)Segura, Concelho de Idanha-a-Nova

  • Antnio RealinhoDirector da ADRACES

    Carssimo/a leitor(a): A Arte precisa de tempo, sem ele, o artista fi-ca limitado a reproduzir, em vez de criar!Desde o primeiro nmero da VIVER, temos analisado a questo do volume dos textos que preenchem as pginas da Revista. As opinies, como natural, diferem. H quem pense que exageramos e que nin-gum tem tempo para ler tanto texto e, pelo contrrio, h quem defenda que, numa Revista trimestral, nunca falta o tempo para se ir lendo tudo o que ela contm. Esta questo do tempo disponvel para fazer o que desejamos ou somos obrigados a fazer, parecendo um assunto sem importncia, se nos dermos o tempo necessrio para pensar nele, talvez descu-bramos que, de facto, assim no ! Por exemplo, diz-se: (quem fala muito ouvindo pouco, arrisca-se a dizer asneira); embora nos esforcemos por ouvir, vocs falam pouco connosco, por isso, talvez estejamos correndo esse risco!O ritmo desenfreado que aceitamos impor ao governo das nos-sas vidas obriga-nos, por vezes, a decidir sobre questes sobre as quais ainda no tivemos o tempo de pensar Para esconder tal facto, quanto menos seguros estivermos, mais afirmativos e impe-rativos temos de ser para que os outros no duvidem das nossas capacidades de liderana!Porm, sabido que ningum consolida lideranas irreflectidas. Todos sabemos que quem quer agir muito pensando pouco, ou irresponsvel ou louco.

    Ora servem estas palavras para vos solicitar que encontrem e usem o tempo de nos ler. Esta Revista, por no ser uma revista de informao, tem a pretenso de contribuir para que os leitores possam aumentar os seus conhecimentos e capacidades de anlise sobre temas determinantes do nosso comum VIVER. Se pudermos contribuir para que os nossos actos sejam mais re-flectidos e respeitadores das reflexes alheias; se pudermos melho-rar as nossas capacidades de liderana a todos os nveis, individual e colectivamente falando; se estas leituras nos ajudarem a consoli-dar os nossos pequenos e grandes poderes baseados no respeito e na considerao pela importncia e reflexo que atribumos a cada assunto em discusso e no pela imposio do simples direito de mandar ento estaremos no bom caminho! S as pessoas, ao desenvolverem-se, adquirem os conhecimentos necessrios ao desenvolvimento e transformao de todas as coisas.Tambm por assim pensar que editamos esta Revista. A vossa crtica ao que aqui se faz e diz, as vossas sugestes para melhor ir ao encon-tro das vossas preferncias e gostos, so o fermento que h-de ajudar a levedar este po que trimestralmente amassamos.Se nos criticarem, sinal de que nos leram e nos deram a oportuni-dade de ouvir, para melhor poder dizer.

    O Director

    O tempo de nos ler ou a arte e o tempo!

    FISHEYE

  • Director:AntnioRealinhoDirector-Adjunto:TeresaMagalhesEditor-Geral:CamiloMortguaConselho Editorial:AntnioRealinho,TeresaMagalhes,CamiloMortgua,CelsoLopes,Rui

    MigueleFilipaMinhsCoordenao da Redaco:TeresaMagalhes,FilipaMinhs,CelsoLopes,RuiMigueleMargaridaCristvoDirector Comercial:LusAndrade

    Design / Produo Grfica:Isto,comunicaovisual,ldaRuaSantosPousada,157-3-Sala154000-485PortoColaboradores:AbelCuncas,AidaRechena,AnaPaulaFitas,AntnioSalvado,

    AssunoPedrosa,CarlosRosa,CelsoLopes,ClarisseSantos,DomingosSantos,FernandoPaulouroNeves,FernandoRaposo,GuilhermePereira,JooLudgeroeMariaCelsa,JooMrioAmaral,JosLopes

    Nunes(Jolon),JosPortela,LopesMarcelo,MargaridaCristvo,MariaJosMartins,MartaAlves,PauloPinto,PedroLino,RuiMorais,SandraVicenteCapa:ADRACES

    Depsito Legal:243365/06Registo na Entidade Reguladora para a Comunicao Social (ERC)124952 Propriedade:ADRACESAssociaoparaoDesenvolvimentodaRaiaCentro-Sul

    RuadeSantana,2776030-230VilaVelhadeRdoTelef.+351-272540200Fax.+351-272540209Nmero de Identificao Fiscal (NIF):502706759Sede da Redaco:RuadeSantana,

    2776030-230VilaVelhadeRdoE-mail:viver@adraces.ptPeriodicidade:TrimestralTiragem:4.000exemplares

    01 DO DIRECTOR O tempo de nos ler ou a arte e o tempo!

    03 DO EDITOR Ei-los que repartem!

    04 TEM A PALAVRA Entrevistas s Juntas de Freguesia da BIS: Aldeia de Santa Margarida, Aldeia do Bispo, Almaceda e Aranhas

    08 TRIBUNA DA CIDADANIA Coronel Guardado Moreira De militar a misericordioso!

    10 ONDAS CURTAS EUROPEIAS

    12 GRANDE TEMA Artesos e Artes Populares da BIS

    31 INOVADORES E PIONEIROS Eles prometem-nos... Um grande projecto, com ptimos objectivos econmicos, sociais e ambientais

    34 AO SABOR DA PENA

    37 CONVERSAS DA VSPERA Quatro passarinhos... Nos contaram histrias do seu Ninho, que j no do Aor

    40 NS ADRACES

    43 OS NOSSOS PARCEIROS

    45 QUIOSQUE DA BIS

    47 TEORIAS E PRTICAS DE DESENVOLVIMENTO LOCAL

    ADRACES

  • Camilo MortguaEditor-geral

    camor@sapo.pt

    Por algumas semanas as ruas e praas das nossas aldeias reganharam vida e alegria, crianas voltaram a ouvir-se tagarelando em muitos idiomas, o bulcio do vai e vem de carros e pessoas, dos reencontros ines-perados e de h muito imaginados desapa-receu, voltamos ao silncio!Os nossos emigrantes, ao contrrio das an-dorinhas, nem sequer tm tempo de aqui refazer os ninhos, de aqui conceber e ver nascer e criar os filhos at que estes apren-dam a voar. Os filhos dos nossos emigran-tes j nascem EMIGRANTES!Ns, os que fazemos esta revista, gost-vamos que assim no fosse. Gostvamos que o nosso aquecimento desenvolvi-mento, fosse ganhando capacidade e con-dies para, pouco a pouco, os ir acolhen-do definitivamente, para poder contar

    com a sua capacidade de iniciativa, com a sua alargada viso dos tempos e das opor-tunidades de vida, tambm com os seus recursos postos ao servio do desenvolvi-mento das terras que lhes foram bero porque no?Ao v-los partir, ficamos imaginando as outras duras veredas dos seus VIVERES quotidianos e desejando poder ir at eles

    para, com tempo, lhes falar do que por c se passa, das oportunidades criadas e por criar, deste Pas que, apesar de tudo, dife-rente daquele que (alguns) h dcadas dei-xaram, sem que ningum se tenha dado ao trabalho de responsvel e detalhadamente lhes explicar a nova realidade!Ao v-los repartir, aviva-se-nos a conscin-cia do imenso trabalho por fazer, do quanto ser difcil e longa a caminhada pela rege-nerao, pelo menos parcial, das comuni-dades rurais da BIS.Ao reconhecer as dificuldades, renova-se-nos a motivao de colocar todas as nossas possibilidades e capacidades de contribuir, ainda que modestamente, para um cada vez mais acentuado retorno dos mais empreen-dedores e esclarecidos emigrantes da BIS. Por razes alheias nossa vontade, este

    sexto nmero da VIVER no dedicado emigrao. Em seu lugar, decidimos lan-ar a discusso sobre as Artes Populares e os Artesos da BIS, o que significa falar de pessoas e actividades que constituem um dos mais importantes pilares de sustenta-o da vida local, com amplas possibilida-des de expanso e crescimento em termos sociais e econmicos.

    Ei-los que repartem!

    Vm depois e partem antes das andorinhas!

    Cada Grande Tema abordado leva-nos directamente ao contacto com pessoas e realidades que contribuem para aumentar o nosso conhecimento sobre as formas e condies de vida daqueles para quem ob-jectivamente trabalhamos.Como editor da Revista VIVER, no me basta, simplesmente, EDITAR a revista. preciso que a revista contribua para EDI-TAR uma grande e coesa vontade colec-tiva de lutar pela valorizao da imagem e da realidade social e econmica da BIS, de-siderato maior da ADRACES e das autar-quias associadas.

  • Tem a

    Pal

    avra

    Como que entrou na Junta de Freguesia?A poltica apareceu com o Moro. Convidou- -me a concorrer, mas recusei prontamente. J o conhecia h muito tempo, foi sempre um ho-mem invulgar, fora de srie... Tanto insistiu, que eu acabei mesmo por aceitar. Fiz dois mandatos com o presidente Moro com maioria. Numa al-deia que no tinha nada, conseguimos acabar o saneamento, mudar a velha electrificao, calce-tar por inteiro a povoao. A aldeia criou-se com o presidente Moro. E c estou no quarto man-dato. Vou fazer 72 anos e agora no quero mais. A aldeia est bonita. Temos tudo, ainda melhor do que os outros. Mas, s graas boa-vontade da Cmara e unio da aldeia que isto tem si-do possvel. Do nosso plano de actividades, 95 por cento daquilo a que nos tnhamos proposto foi cumprido.

    Qual a dinmica desta freguesia?Temos um professor de educao fsica que co-meou com 40 pessoas noite a fazer ginsti-ca, desde os 10 aos 70 anos. Hoje, perdeu um bocadinho, mas ainda h entre 15 a 20 pesso-as, duas vezes por semana. Crimos um grupo de cantares, temos um grupo de cicloturismo e uma associao de caa, com 60 scios naturais da aldeia. A Junta est sempre disposta a ajudar no que for preciso. A particularidade da aldeia que tem uma claque de gente formada nas mais diversas reas e esto todos muito bem colocados, o que tambm tem ajudado muito no desenvolvimento da aldeia. Cada um d o seu contributo a partir dos stios onde trabalha.Temos tambm um Centro de Dia, com cerca de 30 utentes, mas lutamos por um Centro de Noite. Estamos a envidar esforos no sentido de que esse sonho possa realizar-se.

    Como est a renovao da populao da aldeia?A aldeia est aqui sufocada entre Penamacor, Proena-a-Velha e So Miguel D Acha. Estamos na casa dos 360 eleitores e, segundo a mdica de famlia, das aldeias do concelho com mais gente nova. Alguns reconstruram casas e por c esto a morar, embora trabalhem em Cas-telo Branco, Alcains, Idanha. So talvez nove ou 10 casais nessa situao. No outro dia, fez-se um torneio de malha e de cartas e, no jantar, conta-bilizmos cerca de 50 pessoas entre os 28 e os 30 e tal anos.O problema o encerramento da escola prim-ria este ano. Fica somente o Jardim-de-infncia que ainda