Modernidade e Religião

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A modernidade trouxe novos instrumentos para que possamos realizar uma nova interpretação do cristianismo

Text of Modernidade e Religião

  • 1. MODERNIDADE E RELIGIO Prof. Dr. Juarez Aparecido Costa

2.

  • A modernidade marcou definitivamente a caminhada da humanidade. Ela promoveu grandes acontecimentos que revolucionou o mundo ocidental.
  • A modernidade anunciou-se sob diversas formas: No mundo econmico, vinha j dos finais da Idade Mdia a tecitura do capitalismo at firmar-se nos sculos XVII e XVIII com a Revoluo Industrial.

3.

  • Aspiraes comunitrias, associativas revelaram um anseio poltico democrtico que a Revoluo Francesa consagrou com a trade: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
  • A enorme mudana que estes dados introduziram provocou uma crise no cristianismo, exigindo que se o repense, que possa refazer uma releitura moderna dessa religio.

4.

  • O cristianismo, especialmente sob a forma catlica, resistiu ao embate com a modernidade. Cercou-se de duplo cuidados como: a Contra-Reforma e a antimodernizao.
  • Construiu uma identidade to slida e firme que resiste at hoje, com fragmentos de uma mentalidade pr-moderna, em muitos lugares.

5. Conceito de Modernidade

  • Entende-se por modernidade um modo e civilizao que se desenvolveu na Europa ocidental a partir do sculo XVI, com o Humanismo Renascentista e a Reforma Protestante.
  • Encontrou seus fundamentos filosficos e polticos nos sculos XVII e XVIII, com o pensamento empirista, racionalista e iluminista.

6.

  • Modernidade diz respeito ao modo como as elites culturais ilustradas passaramcaracterizar a prpria posio em relao a um longo perodo obscurantista estruturado pelo cristianismo e dominado pela tradio religiosa catlica, num ambiente rural atrasado e ignorante, e pejorativamente chamado de Idade Mdia.

7.

  • A nova civilizao alcana o seu apogeu em meados do sculo XVIII com o Iluminismo e um acontecimento decisivo: a Revoluo Francesa que traz a modernizao e o desencantamento do mundo religioso.

8.

  • Os conceitos de subjetividade e racionalidade descreveram a dinmica da modernidade:
  • A entrada na modernidade coincide com a emergncia de um sujeito humano consciente da sua autonomia e com a vitria de uma anlise racional de todos os fenmenos da natureza e da sociedade.

9.

  • Etimologicamente o termo Modernidade tem sua origem no advrbio latinomodo , que significa h pouco , recentemente .
  • O vocbulo latinomodernus,significa literalmente atual , oumodo.
  • Ao falar de modernidade estamos nos referindo a um tempo atual, presente ou a um tempo recente, as coisas novas, quilo que novo.

10.

  • A ideia de modernidade no contnuo histrico como emergncia de novos atos da razo, de novos padres e paradigmas da vida vivida e pensada, volta-se para o sculo XVI paraestabelecer uma linha de ruptura entre o declnio do antigo e a emergncia do novo, a emergncia de uma modernidade ocidental.

11.

  • O sculo XVI considerado o sculo da ruptura com a Idade Mdia Latina reconhecida como Idade de uma Civilizao Crist.
  • Essa ruptura passa a ser entendida como ruptura com um paradigma histrico cristo, onde este novo paradigma avana pelos sculos XVII, XVIII e XIX, essa ruptura atravessa todaespessura do tecido social e cultural.

12.

  • No campo do pensamento, uma dessas formas de ruptura radical foram o Iluminismo e o advento da cincia como nova interpretao do mundo e da histria.
  • O Iluminismo substituiu o modelo teolgico de pensamento,a base terica da Idade Mdia. Portanto, o paradigma cristo perde fora e cede lugar para o paradigma da cincia na interpretao do mundo.

13.

  • Com o advento da cincia ocorre a perda do privilgio do credo cristo como centro de referncias das ideias e valores dominantes no mundo ocidental.
  • Assim toda forma de conhecimento e de representao da realidade que no fosse subordinada aos princpios da razo deveria ser eliminado.

14.

  • A sociedade moderna se ope constantemente tradio crist, considera superado o que velho, e substitui a ideia de Deus pela ideia de cincia e de progresso.

15.

  • A modernidade, principalmente a partir do sculo XVIII, pelo fato de privatizar a religio, no significou o seu fim, mas o fim da fundamentao e legitimao religiosa das estruturas sociais e polticas que a marca da construo da primeira civilizao no-religiosa da histria, na qual a modernidade se afirma n sua novidade e na justificao de seus valores.

16. A modernidade pela tica histrica

  • A histria introduziu de forma irreversvel a perspectiva crtica da avaliao da cultura, das instituies e tambm da religio.
  • Cada vez mais o ser humano moderno tem a conscincia de estar criando a si mesmo e o seu mundo, e construindo a sua prpria histria.

17.

  • Nesta nova mentalidade, a verdade no mais aceita porque foi dita ou ditada de fora por uma autoridade divina ou humana.
  • O conhecimento, em certo sentido, est subordinado experincia pessoal, ou seja, a auto-experincia do ser humano passa a ser o ponto de partida de qualquer forma de conhecimento.

18.

  • As mudanas histricas produziram a sensao de que, com a mudana ou com a destruio dos moldes culturais estabelecidos, ocorresse uma perda da prpria essncia da f.

19.

  • Mas o que ocorreu foi que a tradio possibilitou a compreenso da mudana e a necessidade de relativizar o que era secundrio e fez ressaltar o que era de fato fundamental, ou seja, uma leitura crtica para a eliminao dos enganos e os danos sem deixar perder o autntico significado, abrindo-se para o dilogo no agressivo.

20.

  • As novas estruturas colocadas pelos movimento histricos que inauguraram a modernidade, como o Renascimento, a Reforma Protestante e o Iluminismo, mostram que as mudanas so determinantes para percebermos que no existe em estado puro a f e nem mesmo a Escritura.

21.

  • Cada contexto deve realizar sua prpria verso de revelao e de vivncia da f, possibilitando fazer uma nova releitura religiosa e o repensar do cristianismo.

22. A modernidade na tica da pluralidade

  • A modernidade significou a pluralidade a partir do desmoronamento do mundo cultural pr-moderno, conduzindo a sociedade a uma nova forma de relacionamento atravs da razo.

23.

  • Com a perda da autoridade tradicional, o que passou a determinar o mundo moderno foi a autonomia alcanada no mbito social, econmico e poltico constituindo em um dado completamente irreversvel, ou seja, a mutao cultural proporcionada pela centralidade da razo humana, o que no Ocidente significou a emancipao da cultura da tutela do cristianismo, mais propriamente da Igreja Catlica.

24.

  • A modernidade contribuiu para a abertura de um campo vasto de uma variedade de sentidos, seguindo um processo de ideologizao caracterizado pela perda do domnio por parte da Igreja, marcando o fim da Cristandade Medieval, acompanharam o ganho de espao crescente das chamadas formas racionais de conhecimento.

25.

  • O racionalismo emprico,autonomizao do homem, a postura crtica que questiona as explicaes situadas para alm do prprio homem, principalmente, representam, no plano da produo do saber, o descrdito das certezas religiosas ocidentais.

26.

  • O impacto da modernidade colocou em pauta no somente a diversidade da religio em si, mas trouxe a emancipao do indivduo, o progresso da sociedade, a proclamao da subjetividade frente s autoridades tradicionais.
  • Abriu a esfera privada do cidado, que deixa de ser submetida s normas da tradio religiosa, para question-las.

27.

  • Em uma sociedade moderna a f j no maisaceita automaticamente e nem uniformemente, pois a sociedade marcada por um pluralismo de convices e de vrias religies. O cristianismo perde sua absolutez.

28. A modernidade pela tica da secularizao

  • A ruptura radical e irreversvel com o passado caracteriza o processo de secularizao na modernidade.
  • As grandes transformaes tecnolgicas, filosficas, culturais, polticas, etc. redesenham o perfil social da humanidade ocidental .

29.

  • Como a racionalidade moderna possui um efeito reflexivo e crtico, o indivduo chamado a inquirir sobre sua interao com a natureza e a sociedade.
  • Diante desse panorama, a sociedade europia vivenciava a mais profunda crise existencial de sua histria.

30.

  • O europeu, desde os seus primrdios, esteve imerso em valores morais com base em doutrinas metafsicas.
  • Os valores se estruturavam em uma vida dedicada experincia do sagrado: o modo de ser dos homens no mundo era uma profunda ligao com a essncia metafsica e seus atos eram carregados de sacralidade.

31.

  • O impacto da secularizao sobre a religio, especialmente em suas formas institucionalizadas, o que acarretou enorme colapso da plausibilidade das definies religiosas tradicionais.
  • Ocorreu uma secularizao subjetiva e o prprio indivduo foi dessacralizado.

32.

  • Instalou-se um conflito entre a sociedade moderna, cientifica, economicamente organizada, de um lado, e a esfera religiosa, agora circunscrita vida particular ou privada dos indivduos.
  • Ruram os esquemas tradicionais que faziam das