O vôo da águia - J. Krishanamurti

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    15-Jun-2015

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O vo da guia - J. Krishanamurti

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<ul><li> 1. NDICE Primeira parte1. A liberdade. Pensamento, prazer e dor 112. A fragmentao. A diviso. O consciente e o inconsciente. Morrer para oconhecido 253. A meditao. O significado da busca; problemas implicados na prtica e odomnio; a qualidade do silncio 37Segunda parte4. Pode trocar o homem? A energia; sua dissipao no conflito 535. Por que no podemos viver em paz? Como surge o medo, O tempo e opensamento. A ateno: manter-se acordado 656. A totalidade da vida. Compreender a paixo sem motivo 77Terceira parte7. O temor. A resistncia; energia e ateno 918. O transcendental. Penetrar na realidade? A tradio na meditao. Arealidade e a mente silenciosa 99Quarta parte9. A violncia. O que a violncia? A imposio na raiz da violnciapsicolgica. Necessidade de observar. A falta de ateno 110. A mudana radical. Qual o instrumento que observa? 13011. A arte de ver. Dar-se conta sem intervalo de tempo. O tigre caa do tigre14212. Penetrar no desconhecido. A represso. Ao que surge do silncio. Viajeao interior de si mesmo; falsas caminhadas e a imagem do desconhecido 156</li></ul><p> 2. PRIMEIRA PARTE1. A LIBERDADEPensamento, prazer e dorPara a maioria de ns a liberdade uma idia, no uma realidade. Quandofalamos de liberdade, o que queremos ser livres no externo, fazer o que nosagrade, viajar, estar livres para nos expressar de diferentes maneiras e parapensar o que gostarmos.A expresso externa da liberdade parece ser de extraordinria importncia,especialmente nos pases onde h tirania e ditadura. E naqueles pases onde possvel a liberdade externa, em busca de mais, agradar mais, mais e maisposses.Se que vamos inquirir profundamente no que a liberdade implica: ser total ecompletamente livres no interno o qual se expressa logo exteriormente narelao com a sociedade- ento me parece que devemos nos perguntar se amente humana, que est to excessivamente condicionada, pode alguma vezser de tudo livre. Tem a mente que viver e funcionar sempre dentro dasfronteiras de seu prprio condicionamento, de maneira que no hajapossibilidade alguma de liberdade para ela? Vemos como a mente, aocompreender de maneira verbal que no existe liberdade alguma sobre estaterra, nem interna nem exteriormente, comea ento a inventar a liberdade emoutro mundo, uma liberao futura, um cu etc.Descartemos todos os conceitos tericos e ideolgicos da liberdade para quepossamos inquirir se nossas mentes, a de vocs e a minha, podem alguma vezestar realmente livres, livres da dependncia do medo, da ansiedade, livres dosinumerveis problemas, tanto dos conscientes como dos que se ocultam nascapas mais profundas do inconsciente. Pode existir liberdade psicolgicacompleta, de maneira que a mente humana possa dar com algo que no sejatemporrio, que no seja produto do pensamento, e que ao mesmo tempo noconstitua um escapamento das realidades da vida cotidiana? 3. A menos que a mente humana esteja de tudo livre interna, psicologicamente,no possvel ver o que verdadeiro, ver se existir uma realidade que noseja inventada pelo temor, que no seja moldada pela sociedade ou pelacultura em que vivemos, e que no seja um escapamento da rotina diria, comseu tdio, solido, inquietao e desespero. Para descobrir se realmente existetal liberdade, a gente tem que dar-se conta de seu prprio condicionamento,dos problemas, da montona superficialidade, do vazio e insuficincia de suavida cotidiana e, sobre tudo, tem que dar-se conta do temor. A gente tem queser consciente de si mesmo no de maneira introspectiva ou analtica, a noser dando-se conta de como um em realidade, e ver tambm se for possvelestar inteiramente livre de todos esses problemas que parecem nublar econfundir a mente.Para explorar, como vamos fazer o, tem que haver liberdade, no ao final, ano ser do mesmo princpio. A gente no pode explorar, investigar ou examinaras coisas a menos que seja livre. Para poder olhar profundamente se requerno s liberdade, mas tambm a disciplina necessria para observar. Aliberdade e a disciplina vo juntas (no que algum deva ser disciplinadopara logo ser livre). Usamos a palavra disciplina no no aceito sentidotradicional que implica conformar, imitar, reprimir segundo um patrodeterminado, mas sim com o significado da raiz da palavra, que aprender. Oaprender e a liberdade vo juntos, e a liberdade gera sua prpria disciplina; nouma disciplina imposta pela mente para obter certo resultado. Estas duascoisas so essenciais: a liberdade e o ato de aprender. A gente no podeaprender sobre si mesmo a menos que seja livre, de modo que possa observar,no de acordo com algum patro, frmula ou conceito, a no ser observar-se asi mesmo tal como . Essa observao, essa percepo, esse ver, geram suaprpria disciplina e seu prprio aprender. Isto no implica conformidade,imitao, represso ou controle de classe alguma; e nisso h grande beleza. um fato bvio que nossas mentes esto condicionadas por uma cultura ousociedade em particular, infludas por diversas impresses, pelas exigncias etenses da vida de relao, por fatores econmicos, climticos, educativos,pela conformidade religiosa, etc. Nossas mentes esto treinadas para aceitar omedo e para escapar, se isso for possvel desse medo, e nunca somoscapazes de pr trmino completamente natureza e estrutura total do medo.De maneira que nossa primeira pergunta : pode a mente, to recarregadacomo est, pr fim por completo, no s a seu condicionamento, mas tambma seus medos? Porque o medo que nos faz aceitar o condicionamento.No se limitem a escutar um cem nmeros de palavras e idias que realmenteno tm valor algum; observem, mediante o ato de escutar, os prprios estadosda psique, to verbais como no verbais. Inquiram se a mente pode chegar aser livre, no aceitando o medo, nem escapando, nem dizendo devodesenvolver valor, resistncia, a no ser dando-se conta completamente domedo no que algum est apanhado. A gente no pode ver muito clara e 4. profundamente enquanto no est livre dessa qualidade do medo; e bvioque quando h medo no h amor.Portanto, pode a mente chegar de fato a estar livre do medo? Parece-me queessa tanto para mim como para qualquer pessoa cabalmente sria, uma dasperguntas bsicas e essenciais que devem ser formuladas e resolvidasdefinitivamente. H temores fsicos e temores psicolgicos. Existem os medosfsicos dor e os medos psicolgicos, a lembrana de ter sofrida dor nopassado, e a idia de que pode repetir-se essa dor no futuro. Existem tambmos medos velhice e morte, os medos insegurana fsica, incerteza doamanh, a no conseguir ser um grande xito, a no chegar a realizar aambio de ser algum neste feio mundo; os medos destruio, solido, ano amar ou no ser amado, etc. Existem os medos conscientes ao igual aosmedos inconscientes. Pode a mente estar completamente livre de tudo isto? Sea mente disser que no pode, ento se incapacitou ela mesma, distorceu-se e incapaz de perceber, de compreender; incapaz de estar quieta, em completosilncio. , pois, uma mente que na escurido procura a luz sem jamaisencontr-la e, portanto, inventa uma luz feita de palavras, conceitos, teorias.Como pode uma mente to sobrecarregada de medos, com todo seucondicionamento, estar alguma vez livre de todo isso? Ou que devemosaceitar o medo como algo inevitvel na vida? E a maioria de ns aceitamos omedo, toleramo-lo. O que temos que fazer? Como vamos voc e eu, sereshumanos, nos desfazer do medo? No de um medo em particular mas sim domedo total, de toda a natureza e estrutura do temor.O que o temor? (Se me permite sugeri-lo, no aceitem o que diz o que fala,pois no tem autoridade alguma, no um professor, nem um gur; porquese o fora ento vocs seriam seguidores, e se vocs forem seguidores,destroem-se a si mesmos e destroem ao professor). Estamos tratando dedescobrir a verdade sobre a questo do medo, em forma tal que a mente novolte a abrigar temor e esteja, portanto, por completo livre interna,psicologicamente, de toda dependncia. A beleza da liberdade que no deixarastro. A guia, em seu vo, no deixa rastro; o cientista o deixa. Ao inquirirnesta questo da liberdade indispensvel que haja, no s a observaocientfica, mas tambm o vo da guia que no deixa rastro algum. Ambos sonecessrios; tem que haver tanto a explicao verbal como a percepo noverbal, pois a descrio nunca a realidade descrita: bvio tambm que aexplicao nunca a coisa explicada. Quer dizer, a palavra nunca a coisa.Se tudo isto estiver claro, ento podemos prosseguir. Podemos descobrir porns mesmos no por boca do que fala, no por meio de suas palavras, idiasou pensamentos- se a mente pode estar completamente livre do medo.O dito nesta primeira parte no uma introduo; se no o escutaramclaramente e no o compreenderam, no podem passar a seguinte. 5. A fim de inquirir tem que haver liberdade para olhar; tem que estar livre deprejuzos, concluses, conceitos, ideais, de modo que possa observar por simesmo o que o medo. Quando a gente observa muito de perto, intimamente,h medo algum? Isto : a gente pode observar o medo muito de perto,intimamente, s quando o observador o observado. Vamos investigar isto.O que o temor? Como surge? Os medos fsicos bvios podemoscompreender, igual aos perigos fsicos, para os quais temor uma reaoinstantnea; so bastante fceis de entender e no temos que aprofundarmuito neles. Mas falemos sobre os medos psicolgicos: como surgem? Qual sua origem? Esta a questo. Existe o medo de algo que ocorreu ontem; omedo de algo que poderia ocorrer mais tarde, hoje ou amanh. Existe o medodo que conhecemos, e existe o medo do desconhecido, que o amanh. Agente pode ver por si mesmo muito claramente que o medo se origina naestrutura do pensamento, pensando naquilo que ocorreu ontem e que algumteme, ou pensando no futuro. Verdade? O pensamento gera o medo, no assim? Por favor, vamos estar bem seguros disto; no aceitem minhaspalavras; estejam absolutamente seguros por si mesmos de que o pensamento a origem do medo. Pensar sobre a dor, a dor psicolgica que algumexperimentou faz algum tempo e desejar que no se repita, o s pensar sobreisso, engendra medo. Podemos prosseguir da? No poderemos ir mais longea menos que vejamos isto muito claramente. Ao pensar sobre uma experincia,uma situao em que houve mal-estar, perigo, tristeza ou dor, o pensamentogera medo. E tendo estabelecido psicologicamente certa segurana, no querque essa segurana se altere, porque cada incerteza constitui um perigo, e,portanto, surge o medo.O pensamento responsvel pelo temor e tambm responsvel pelo prazer.Quando a gente desfrutou de uma experincia agradvel, o pensamento pensanela e deseja perpetu-la; e quando isso no possvel, h resistncia, ira,desespero e medo, portanto, o pensamento engendra o temor e o prazer, no assim? Isto no uma concluso verbal, nenhuma frmula para fugir do medo.Isso quer dizer que onde h prazer h dor e medo perpetuadas pelopensamento. O prazer vai junto dor. Os dois so indivisveis, e o pensamento responsvel por ambos. Se no houvesse o amanh, nem o momentoseguinte, sobre os quais pensar em termos de temor ou de prazer, entonenhum dos dois existiria. Seguimos adiante? isso uma realidade, no comouma idia, mas sim como uma coisa que a gente mesmo tem descoberto eque, portanto, real, de maneira que a gente possa dizer: tenho descobertoque o pensamento gera tanto o prazer como o medo? Um desfrutou do prazersexual e depois pensa nele atravs de imagens, quadros mentais, e o mesmopensar sobre o sexo fortalece esse prezer que agora existe nas imagens dopensamento, e quando isso se frustra h dor, ansiedade, medo, cimes,mortificao, ira, brutalidade. E com isso no queremos dizer que no devaexperimentar prazer. A bem-aventurana no prazer; o xtase no geradopelo pensamento; uma costure de tudo diferente. A gente pode chegar 6. bem-aventurana ou ao xtase s quando compreende a natureza dopensamento, o qual gera tanto o prazer como o temor.Ento surge a pergunta: podemos deter o pensamento? Se o pensamentogerar o medo e o prazer porque bastante bvio que onde h prazer tem quehaver dor- ento se pergunta: pode cessar o pensamento? o qual no significaque termine a percepo ou o desfrute da beleza-. como se vssemos abeleza de uma nuvem ou de uma rvore e a desfrutssemos de total, completae plenamente; mas quando o pensamento procura ter a mesma experinciaamanh, o mesmo deleite que experimentou ontem vendo essa nuvem, essarvore, essa flor, a face atrativa de alguma pessoa, ento convida desiluso, dor, ao medo e ao prazer.Pode, portanto, terminar o pensamento? Ou essa uma pergunta totalmenteerrnea? uma pergunta errnea porque desejamos experimentar um estadode xtase, de bem-aventurana, o qual no prazer. Mediante a terminao dopensamento esperamos encontrar algo que seja imenso, que no seja produtodo prazer e do temor. A pergunta correta : que papel desempenha opensamento na vida? E no como podemos acabar com o pensamento? Qual a relao do pensamento com a ao e com a no ao? Qual a relao dopensamento com a ao quando a ao necessria? por que, quando existeo desfrute completo da beleza, tem que surgir o pensamento em formaalguma? porque se no surgisse no se projetaria para o futuro-. Desejoaveriguar quando existe o pleno desfrute da beleza de uma montanha, de umrosto formoso, de uma extenso de gua- por que tem que brotar opensamento dizendo: tenho que voltar a desfrutar desse prazer amanh.Tenho que descobrir qual a relao do pensamento com a ao, e tambmse deve intervir o pensamento quando o pensamento no necessrioabsolutamente. Vejo uma rvore bela, sem uma s folha, erguido contra o cu; extraordinariamente belo, e isso suficiente; fim. por que tem que misturar opensamento e dizer, devo experimentar esse mesmo deleite amanh? Etambm vejo que o pensamento tem que operar na ao. A habilidade na ao tambm habilidade no pensamento, portanto, qual a verdadeira relaoentre o pensamento e a ao? Tal como ocorre, nossa ao se apia emconceitos, em idias. Tenho uma idia ou um conceito do que deveria fazer-se,e o que se faz uma aproximao a esse conceito, idia ou ideal. De maneiraque existe uma diviso entre a ao e o conceito, o ideal, o que deveria ser; enessa diviso h conflito. Qualquer diviso psicolgica tem que engendrarconflito. Pergunto-me: qual a relao do pensamento com a ao? Se existirdiviso entre a ao e a idia, ento a ao incompleta. Existe alguma aona qual o pensamento v algo instantaneamente e atua imediatamente, semque haja nenhuma idia, nenhuma ideologia que atue separadamente? Existealguma ao na qual o mesmo ver a ao, na qual o mesmo pensar aao? Vejo que o pensamento gera medo e prazer; vejo que onde existe oprazer h dor e, portanto, resistncia dor. Vejo isso claramente, e o v-lo a 7. ao imediata; no v-lo participam o pensamento, a lgica e o pensar comclaridade; e no obstante, o v-lo e a ao so instantneos, portanto, nisso hliberdade.Estamo-nos comunicando? Vamos devagar porque isto complicado, difcil.Por favor, no diga sim to facilmente. Se disser que sim, ento quandoabandonar a carpa deve estar livre do medo. O dizer que sim uma meraasseverao de que compreendeu verbalmente, intelect...</p>