A IGREJA E A CONSTITUIÇÃO FEDERAL 116 pag

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NDICE CaptulosIntroduo 02 04 10 24 32 39 43 45 49 52 56 58 61 63 67 68 74 76 77 81 94 107 111 112 113 114 115 116 120 154 160 1

I. II. III. IV. V. VI. VII. VIII. IX. X. XI. XII. XIII. XIV. XV. XVI. XVII. XVIII. XIX. XX. XXI. XXII. XXIII. XXIV. XXV. XXVI. XXVII. XXVIII. XXIX. XXX.

A Igreja e a Constituio Federal Brasileira Organizao Legal-Enquadramento-Estatuto- Membros-Ciso Assemblias, Requerimentos, Atas A Igreja e o Empregado A Igreja e o Pastor Trabalhador Voluntrio A Igreja e as Obrigaes Tributrias Aquisio de Imveis Preveno de Incndio Aposentadoria A Igreja e a Previdncia Social Comodato- Contrato O Governo Eclesistico Imunidade Tributria A Igreja no exterior e Legislao no Brasil Reintegrao do Plpito e do Imvel Sossego Alheio Documentos de Arquivo Obrigatrio A igreja e Justia do Trabalho Regimento Interno Modelos Ofcios Construo Veculos Documentos de Apresentao Obrigatria Documentos Obrigatrios para Congregao Como Requerer Iseno do IPTU Bandeiras Manual do Ministro ( Cerimonial) A Igreja e o Cdigo Civil Brasileiro Substituio

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Perguntas e Respostas

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Introduo O Rei Salomo ao iniciar a construo do templo do Senhor, entre tantas; uma das aes do Esprito Santo foi ungir os artesos que iriam trabalhar na obra. Apesar de profissionais experintados, receberam uma nova uno, equivalente a dos sacerdotes, esta foi uma manifestao impar do sacerdcio universal dos Santos. Esta atitude nos conduz a santificao de toda atividade humana,fazendo de cada ato de nossa vida um culto de adorao ao eterno. Os princpios e inspiraes espirituais so fixos,imutveis,permanecem sem alterao de gerao em gerao.A inspirao de Moiss,Josu e Paulo pode ser a nossa ainda hoje, com a mesma eficcia, pois o nosso ideal de liderana est exclusivamente em Jesus e nele devemos permanecer.Somos de Jesus Cristo e como tal somos cristos.Portanto, nosso referencial ele. Por muito tempo a Igreja tem se preocupado com o carisma, o organismo, sempre afirmando que somos cidados do cu.S que ainda estamos a caminho,e, enquanto estivermos na terra, temos que permanecer obedientes a Deus, mas cumprindo as leis dos homens. Jesus no mudou, mas os tempos mudaram. Com a queda , o homem tornou-se vulnervel s armadilhas do inimigo, o que tem permitido que mesmo entre o povo de Deus encontremos dificuldades para harmonizar carter e carisma. Quem temcarter nem sempre tem carisma, e quem possui carisma raramente tem carter. Como as leis so promulgadas com base nos usos e costumes obedecendo as necessidades sociais, os desvios de conduta que prejudicam a convivncia social so objetos de normatizao. A Igreja tambm passou por este crivo, esteve e est na mira da luneta dos legisladores,justamente para que se torne um segmento alternativo com sua doutrina e princpios, mas que no use isto para manipular nem constranger aqueles que a buscam, como tambm que no se transforme em um atalho para alguns espertos que em nome de Jesus vem trazendo transtornos sociais. At ento a Igreja era praticamente intocvel. Como sociedade religiosa se bastava a si mesma. Seu compromisso era espritual:2

tudo de Jesus, para Ele trabalhamos e vivemos. Porm , a Igreja deixou escapar que havia desvios, os quais no no foram solucionados a portas fechadas;e, diante disso foram esbarrar nos tribunais,alertando, ento,os legisladores para uma ateno no sentido de normalizar perante a Lei. A Lei no veio para atacar a Igreja,mas para que houvesse uma conscientizao que objeto de ateno normativa da Lei. A Igreja nunca foi alvo de uma legislao especial, mas to somente referncias sobre imunidade tributria,liberdade de culto, de associao e credo. O reino visado no diploma legal terreno enquanto a Igreja direcionada para o reino atemporal e espiritual. A Igreja disseminadora do reino de Deus deve estar acima de toda e qualquer norma legal, pois tem a responsabilidade de ser tica e proba. Assim sendo,no justificaria recusar seu enquadramento jurdico s normas legais, as quais so extraidas das atividades sociais. A Igreja como agente de transformao social no pode pretender viver a margem da ordem jurdica nacional.Jesus cumpriu as leis do seu tempo, e at mesmo pagou os tributos cobrados ilegalmente pelo Imprio Romano, mostarndo assim que aqueles que se dispem a viver para o reino de Deus devem pautar-se por uma postura tica irrepreensvel. Em Marcos 12.17 est escrito: Da a Csar o que de Csar. Foi uma atitude digna de exemplo para ns. Quando o fiscal da Receita Federal do Governo Romano questionou a Pedro sobre o pagamento do imposto do templo, este foi at Jesus e o mesmo mandou- o pescar para produzir o fato gerador do imposto. Portanto,at o Senhor Jesus submeteu-se as leis terrenas. No que depender de vocs tenham Paz com todos. A ningum permitido viver acima da Lei , a no ser mediante a manifestao do fruto do Esprito, quando vivemos um padro de justia superior ao exigido pela Lei.

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Captulo I Igreja e a Constituio Federal A constituio federal mantm os dois paradigmas legais; a separao Igreja Estado e a liberdade de culto e crena: Art.19--- vedado unio, aos estados, ao Distrito Federal e aos Municpios: 1- estabelecer cultos religiosos ou igrejas subvencion-los, embaraar-lhes o funcionamento ou manter com eles relao de dependncia ou aliana, ressalvada, na forma da lei, a colaborao de interesse pblico. Art. 5 --- [...] VI - inviolvel a liberdade de conscincia e de crena sendo assegurado o livre exerccio dos cultos religiosos. Alm desses preceitos legais relativos religio, a Constituio Federal vigente traz ainda dispositivos concernentes a: Proteo aos locais de culto, assistncia religiosa, proibio da privao de direitos: Art. 5 --- [...] VI--E, garantida na forma da lei, a proteo aos locais de culto e suas liturgias; VII- assegurada, nos termos da lei, a prestao de assistncia religiosa nas entidades civis e militares de internao coletiva,: VIII- ningum ser privado de direitos por motivo de crena religiosa ou de convico filosfica ou poltica, salvo se as invocar para eximir de obrigao legal a todos imposta e recusar cumprir prestao alternativa, fixada em lei. Imunidade tributria: Art.150---sem prejuzo de outras garantias asseguradas ao contribuinte vedado Unio, aos estados, ao Distrito Federal e aos Municpios: VI-instituir impostos sobre: [. . .] b) templos de qualquer culto; [. . .]4

4. -As vedaes expressas no inciso VI alneas b e c compreendem somente o patrimnio, a renda e os servios relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Ensino Religioso Art. 210 -Sero fixados contedos mnimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formao bsica comum e respeito aos valores culturais e artsticos, nacionais e regionais. 1. --- O ensino religioso, de matrcula facultativa constituir disciplina dos horrios normais das escolas pblicas de ensino fundamental. Acesso a recursos pblicos: Art.213--- Os recursos pblicos sero destinados s escolas pblicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitrias, confessionais ou filantrpicas, definidas em lei que: I--- comprovem finalidade no lucrativa e apliquem seus excelentes financeiros em educao; II---assegurem a destinao de seu patrimnio a outra escola comunitria, filantrpica ou confessional, ou ao Poder Pblico, no caso de encerramento de suas atividades. Casamento religioso: Art. 226---A famlia, base da sociedade, tem especial proteo do estado. {. . .} 2 O casamento religioso tem efeito civil nos termos da lei. Alm do disposto no texto constitucional, nosso ordenamento jurdico possui ainda mais algumas prerrogativas legais em normas ordinrias, como o disposto no ARTIGO 20 DA LEI N 9.459, de 13 de maio de 1997, que probe de discriminao de qualquer tipo: "Praticar, induzir ou incitar a discriminao ou preconceito de raa, cor, etnia, religio ou procedncia nacional." O legislador imps ainda ao estado brasileiro o respeito ao ato pessoal de culto. Quer dizer que, respeitadas as excees previstas em lei, o oficial de justia est obrigado a aguardar o trmino do culto para cumprir a ordem do juiz, que ,sabemos deve ser5

cumprida sob pena de priso. Trata-se, portanto, de uma limitao do poder judicirio por motivao religiosa. o caso do artigo 217 do Cdigo de Processo Civil(Casos Excepcionais): "No se far, porm, a citao, salvo para evitar o perecimento do direito. [ ... ] Inciso II A quem estiver assistindo a qualquer ato de culto religioso... " Temos tambm a tipificao de um delito religioso no artigo 208 do Cdigo Penal (Ultraje a culto e impedimento ou perturbao de ato a ele relativo): "Escarnecer de algum publicamente, por motivo de crena ou funo religiosa; impedir ou perturbar cerimnia ou prtica de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso ... " Todos os preceitos jurdicos aqui mencionados, desde que respeitados os limites da cidadania, se constituem em exemplos das garantias legais do cidado brasileiro para expressar sua espiritualidade e f, pessoalmente ou atravs de organizao religiosa. O direito associativo A Constituio Federal de 1988 inovou ao estabelecer, em seu artigo 5, "os direitos e garantias do cidado", no qual se incluem diversos preceitos relativos s associaes, dandolhe completa garantia de funcionamento legal. Embora o cdigo civil tenha modificado o enquadramento das igrejas de associaes para organizaes religiosas, no h no Brasil, uma legislao especfica que regulamente a igreja e a organizao religiosa. Com isso, j que as igrejas apresentam, por suas caractersticas intrnsecas, carter associativo, o judicirio, por analogia, dever buscar na regulamentao das associaes os parmetros necessrios para enfrentar litgios pessoais, financeiros, administrativos ou patrimoniais que envolvam integrantes de igrejas e organizaes religiosas. O direito associativo visa, portanto, a entender as manifestaes associativas que unem pessoas com finalidades comuns, de carter social e sem motivao financeira. Os limites impostos pela lei a l