A OCORRÊNCIA DE CATÁSTROFES E AS PERDAS .Verificase ainda que os sismos e os furacões foram as

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  • 3as Jornadas de Segurana aos Incndios Urbanos Universidade de Coimbra- Portugal 28 de Maio de 2013

    A OCORRNCIA DE CATSTROFES E AS PERDAS PATRIMONIAIS

    Esmeralda Pauprio* Engenheira Civil Instituto da Construo, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Portugal.

    Xavier Romo Professor Auxiliar, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Portugal.

    Anbal Costa Professor Catedrtico Universidade de Aveiro, Portugal.

    SUMRIO O artigo aborda o tema das perdas de patrimnio cultural resultante de eventos catastrficos, com enfse particular para os sismos e os incndios. So abordados os aspectos considerados fundamentais ao nvel da inventariao e da gesto da informao recolhida acerca do patrimnio em anlise, identificando detalhes de carcter prtico para a implementao de indicadores de risco/vulnerabilidade que possam contribuir para a definio de mapas de risco. Palavras-chave: catstrofe, patrimnio cultural, sismo, incndio, ndice de vulnerabilidade 1. INTRODUO As catstrofes naturais e as perdas econmicas que lhe esto associadas (Figuras 1 e 2) [1] tiveram um crescimento bastante significativo na ltima dcada, trazendo, obrigatoriamente, para a ordem do dia, a discusso sobre a preveno dos desastres e, consequentemente, a forma de se minimizarem as perdas. A Figura 3 apresenta a perdas econmicas anuais registadas desde 1980 ano com particular enfoque nos eventos que, para determinado ano, contriburam por si s para o elevado valor dessas perdas.

    * Autor correspondente Instituto da Construo, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Rua Dr. Roberto Frias, s/n. 4200-465 Porto. PORTUGAL. Telef.: +351 225 083 729. e-mail: pauperio@fe.up.pt

  • Esmeralda Pauprio, Xavier Romo e Anbal Costa

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    Figura 1: Nmero de eventos catastrficos por ano desde 1980 [1].

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    Figura 2: Perdas econmicas anuais desde 1980 por tipo de catstrofe [1]

    A anlise dos grficos das Figuras 1 a 3 permite concluir que a partir do ano de 1995 se regista um aumento do nmero de catstrofes naturais que ocorrem anualmente e que o valor das perdas associadas a esses eventos atingiu um valor significativamente mais elevado entre 1995 e 2012 (17 anos) do que o valor das perdas entre 1980 e 1994 (14 anos). Verifica-se ainda que os sismos e os furaces foram as catstrofes naturais responsveis pelas maiores perdas econmicas. s perdas econmicas estimadas estaro, naturalmente, includas as perdas do patrimnio cultural e natural tangvel que, no entanto, no sero fceis de calcular face aos diferentes valores associados ao patrimnio (valor cultural, valor econmico, valor religioso, etc). Admite-se, no entanto, que as perdas associadas ao patrimnio cultural intangvel no estejam includas nas perdas econmicas apresentadas, o que implica que as perdas patrimoniais globais possam ser ainda superiores aos valores contabilizados. A observao das aces de emergncia aps a ocorrncia de catstrofes permite constatar que, de um modo geral, as pessoas e meios esto bem preparados para

  • A ocorrncia de catstrofes e as perdas patrimoniais socorrer as vidas humanas, no estando, no entanto, to bem preparados para aces de emergncia e resgate de bens patrimoniais/culturais. No balano das consequncias das catstrofes, confrontamo-nos com perdas irreparveis de bens patrimoniais/culturais que ocorrem sobretudo em museus, igrejas ou outros edifcios que, por si s ou pelos contedos que albergam, podem ser considerados como edifcios patrimoniais.

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    Sismo de Npoles, Itlia ($56 mil milhes)

    Sismo de Kobe, Japo ($152 mil milhes)

    Sismo de Northridge, EUA ($47 mil milhes)

    Furaces Katrina, Rita e Wilma ($185 mil milhes)

    Sismo de Niigata-ken, Japo ($34 mil milhes)

    Sismo/Tsunami de Tohoku, Japo ($216 mil milhes)

    Furaco Sandy, EUA ($51 mil milhes)

    Sismo de Sichuan, China ($92 mil milhes)

    Sismo do Chile ($32 mil milhes)

    Sismo de Izmit, Turquia ($28 mil milhes)

    Figura 3: Perdas econmicas anuais desde 1980 com destaque de alguns eventos [1].

    A anlise posterior das consequncias destas catstrofes mostra que, em muitos casos, parte das perdas poderia ter sido evitada, caso se tivesse efectuado uma estimativa dos riscos envolvidos nos edifcios patrimoniais de uma determinada rea (enquadrada no mbito das perdas de patrimnio mvel ou imvel). Esta anlise de risco efectuada ao nvel do edifcio poderia conduzir realizao preventiva de intervenes que reduzissem a sua vulnerabilidade e contribuir para a implementao de medidas de emergncia e resgate integradas nos planos de emergncia. escala urbana, este tipo de anlise poderia ainda contribuir para a definio de uma lista de prioridades de interveno face aos edifcios patrimoniais envolvidos. 2. BALANO DE ALGUNS EVENTOS RECENTES. Tendo em considerao os perigos mais relevantes para o territrio portugus, apenas sero abordados neste ponto aspectos associados ocorrncia de sismos e de incndios. 2.1 Sismos Aps os sismos recentes que ocorreram em Itlia (LAquila, 2009 e Emilia-Romagna, 2012), no Haiti (2010), no Chile (2010) e ainda em Espanha (Lorca, 2011), verificaram-se grandes perdas patrimoniais devido ao colapso parcial ou total de Igrejas e Museus, entre outros. No caso particular do sismo de LAquila, face ao nmero de edifcios patrimoniais afectados, s

  • Esmeralda Pauprio, Xavier Romo e Anbal Costa potenciais perdas associadas e ao nmero de equipas de interveno disponveis, houve necessidade de implementar procedimentos de emergncia para salvaguardar os bens culturais e de estabelecer diferentes nveis de prioridade de interveno. As equipas de inspeo dos edifcios patrimoniais foram lideradas por tcnicos da Proteo Civil e incluam tcnicos do Ministrio dos Bens e Actividades Culturais, engenheiros e arquitectos, sendo muitos destes voluntrios. Ao nvel do resgate do patrimnio mvel, estas equipas contaram ainda com pessoal tcnico dos museus e de membros da organizao internacional Blue Shield, entre outras organizaes. Aps o sismo de Lorca, a evacuao do Museu Guevara esteve a cargo dos responsveis do Departamento dos Bens Culturais de Mrcia, envolvendo procedimentos adequados para o registo do estado de dano dos bens evacuados, o seu acondicionamento, transporte e registo de controlo de sada do Museu. Estas aces foram iniciadas alguns dias aps o sismo. Imediatamente aps o sismo, apenas foram implementadas aces com objectivo de reduzir o risco de colapso de edifcios mais importantes recorrendo a escoramentos de emergncia. No que respeita aos bens mveis das igrejas, estes foram retirados pelos populares imediatamente aps o sismo e colocados na via pblica, sendo posteriormente transportados para locais de armazenamento A ttulo de exemplo deste tipo de operaes, a Figura. 4 apresenta imagens de situaes de resgate de obras de arte na sequncia do sismo de LAquila, enquanto a Figura 5 apresenta situaes ocorridas aps o sismo de Lorca.

    a) b) Figura 4: a) Sismo de LAquila de abril de 2009: a) Bombeiros resgatam uma Madonna de

    mrmore do topo duma igreja em Paganica [Fonte: Max Rossi, Reuters]; b) Obras de escoramento provisrio da Igreja de S. Maria Ad Cryptas em Fossa.

    A nvel nacional, o sismo mais recente com perdas significativas foi o sismo dos Aores de 1998 (Faial e Pico) onde se registaram danos em 30 igrejas, no havendo, no entanto, registos acerca dos danos e perdas no patrimnio mvel. Destas igrejas, 5 possuam construo em beto armado e tiveram danos ligeiros, e das restantes 25 igrejas construdas em alvenaria, 3 ficaram em runa, 6 tiveram danos severos, 8 tiveram danos ligeiros e 8 no foram afectadas. Para alm das igrejas, no se conhecem registos acerca das perdas patrimoniais associadas a outros edifcios de valor patrimonial (museus, palcios, etc). Com perdas patrimoniais muito significativas a nvel nacional, refere-se o caso do sismo de Lisboa de 1755 onde foram destrudas cerca de 17.000 casas, 32 igrejas, 60 capelas, 31 Most