A sedução como metonímia Estratégias da sedução no audiovisual

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  • A seduo como metonmia Estratgias da seduo no audiovisual
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  • Seduo As mensagens televisivas baseiam seu potencial socializador na utilizao de mecanismos de seduo. No pretendem convencer, mas seduzir. No utilizam a via racional, mas a emotiva. No se baseiam na argumentao, mas no fascnio. Os mecanismos de seduo so a manifestao televisiva do domnio da emoo sobre a razo.
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  • Seduo O fenmeno de seduo torna manifesto as contradies do psiquismo humano. De uma perspectiva racional, um fenmeno surpreendente, absurdo inclusive. Racionalmente todo mundo est de acordo em admitir que ningum perfeito. Em troca, a realidade sedutora vivida como um todo, como um absoluto, como plenitude.
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  • Seduo Poder-se-ia dizer que a seduo representa o triunfo da metonmia, no sentido de que consiste em conseguir a adeso total para uma pessoa a partir da adeso a uma parte dela.
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  • Seduo A fora da seduo se baseia em dois mecanismos do psiquismo humano que se ativam a partir do ofuscamento provocado pela fragmentao seletiva: O adormecimento da racionalidade, como conseqncia do domnio das emoes, e a transferncia globalizadora que se realiza pela ativao do pensamento primrio.
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  • O carter da seduo A fora da seduo est, principalmente, numa hipertrofia da emoo, e se sabe que as emoes intensas ofuscam, at o ponto de adormecer toda capacidade reflexiva, analtica, crtica. O fascnio dificulta ou inclusive impede a ativao de mecanismos reflexivos. Possivelmente tenha algo que ver com isto o sentido etimolgico da palavra seduzir.
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  • Seduzir Provm de se-ducere, que significaria levar parte, deslocar, desviar de seu caminho. Talvez por este carter soporfero o termo seduzir aparece em todos os dicionrios vinculados a conceitos to negativos, ou ao menos to ambguos, como cativar, que por sua vez tem conotaes com fazer prisioneiro, embargar, alienar.
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  • Seduo Seduzir supe levar o outro a um certo grau de perturbao, de loucura, de alienao, no sentido etimolgico do termo, supe de renncia prpria personalidade, ultrapassada ou engolida por uma personalidade alheia. Seduzir enganar. A seduo como uma espcie de roubo.
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  • Seduo O Dicionrio da Real Academia Espanhola a define como enganar com arte e manha. E associam a ela conotaes to negativas como as que derivam de outra definio: Persuadir suavemente para o mal.
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  • Seduo A viso ofuscante, fascinada, parcializada e descontextualizada que a seduo tende a impor o que dificulta a anlise pormenorizada de todas as dimenses da realidade sedutora, facilitando o escamoteio daquelas que no respondem s expectativas.
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  • Seduo O carter soporfero da seduo pode ser comprovado quando se observam desapaixonadamente quer dizer, de fora do processo as atitudes e os gestos de quem tenta seduzir. Desprovidos da fora emotiva que geram em quem os compartilha, estes gestos e atitudes seguidamente parecem ridculos ou at grotescos.
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  • A transferncia globalizadora potencialidade soporfera das emoes preciso acrescentar sua capacidade globalizadora, como conseqncia da ativao do pensamento primrio. A seduo, que parte da fragmentao, fundamenta-se na hiperestimulao emotiva, e a emoo globalizadora, tende a projetar sobre o conjunto o valor da parte. A emoo aproveita o carter elementar, simplista, do pensamento primrio e dos mecanismos associativos que ativa.
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  • O que Gestalt? A palavra Gestalt (plural Gestalten) um termo intraduzvel do idioma alemo para o portugus. O Dicionrio Michaelis apresenta como possibilidades as palavras figura, forma, feio, aparncia, porte; estatura, conformao; vulto, s quais ainda se pode acrescentar estrutura e configurao.
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  • O que Gestalt? No final do sculo 19 (1870), alguns pesquisadores alemes comearam a estudar os fenmenos perceptuais humanos, especialmente a viso. Eles procuravam entender como se davam os fenmenos perceptuais, utilizando-se de obras de arte.
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  • O que Gestalt? Queriam entender o que ocorria para que determinado recurso pictrico resultasse em tal e tal efeito. A estes estudos convencionou-se denominar de Psicologia da Gestalt ou Psicologia da Boa Forma. Seus expoentes mais conhecidos foram Kurt Koffka, Wolfgang Khler e Max Werteimer. Assim, eles criaram as Leis da Gestalt relativas percepo humana, que at hoje se mantm vlidas.
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  • Gestalt A Gestalt demonstrou que a percepo, enquanto fenmeno primrio, tende a buscar a ordem, e neste sentido tende a completar aqueles estmulos que so fragmentrios, e que tende a faz-lo seguindo os princpios mais elementares, os mais cmodos, os que exigem menos esforo.
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  • Gestalt As leis da percepo falam, pois, da tendncia da mente primria a completar seguindo parmetros de simplicidade e de comodidade. O pensamento primrio tende a organizar a percepo da forma mais simples, mais elementar, continuidade, da unificao, da regularidade.
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  • Percepo primria Quando se escuta no rdio um locutor ou uma locutora a que no se conhece, tende-se a projetar o fascnio de sua voz sobre o conjunto de sua pessoa. O ouvinte tende a imaginar como atraentes um locutor ou uma locutora apenas pelo fato de que sua voz fascinante.
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  • Processo de seduo O processo de seduo tem, pois, uma primeira fase fragmentadora, de decomposio da realidade, com o objetivo de eliminar as dimenses que interessa camuflar, e uma segunda fase globalizadora, de reconstruo, que consiste em transferir para o conjunto os valores da dimenso fascinante selecionada.
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  • Seduo publicitria O carter globalizador da seduo se torna manifesto nos anncios publicitrios. A publicidade televisiva o reino do tudo ou nada. Os objetos publicitrios so apresentados sem nenhum tipo de recato: Como o todo, como o absoluto, como a garantia de plenitude, como o certificado de uma felicidade sem falhas. A promessa total. A encarnao perfeita do desejo.
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  • A lgica da seduo A lgica da seduo , pois, a lgica do pensamento primrio, a lgica do simplismo frente complexidade da realidade. O carter malvolo da seduo, o que tem de engano, provm precisamente de que a seduo mascaradora, de que escamoteia uma parte significativa da realidade.
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  • Processo de seduo De onde provm o carter ofuscante do processo de seduo? Em virtude de que mecanismo consegue a realidade sedutora adormecer o pensamento reflexivo e crtico? Freud dizia que no fascnio o objeto ocupa o lugar do ideal do eu. Em todo elemento sedutor (um rosto, um olhar, um corpo, um canto, uma imagem, uma maquilagem, uma obra de arte...), o sujeito seduzido encontra a si mesmo, o estado de paixo automaticamente interiorizado.
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  • Seduo e narcisismo No fundo de toda experincia sedutora, h, pois, uma experincia narcisista. A seduo no outra coisa do que a busca inconsciente do Eu no Outro. Na experincia de se deixar seduzir, reflete-se uma busca e, em conseqncia, uma aceitao da prpria limitao.
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  • Seduo e narcisismo O narcisismo da experincia sedutora se torna manifesto quando se nota que no seduzido se ativam as dimenses mais profundas e contraditrias de seu psiquismo. Ativam-se tanto Eros como Thanatos. Eros: Filho de Vnus e Deus do Amor Thanatos: Deus da Morte. Um dos mais poderosos guerreiros de Hades, submundo.
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  • Seduo e narcisismo Eros porque, ao se deixar seduzir, o sujeito revela uma atitude de busca de plenitude vital, de busca do absoluto. E Thanatos porque, ao se deixar seduzir, o sujeito se aliena, perde-se, dilui-se.
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  • Seduo e narcisismo A seduo a um tempo uma experincia de plenitude e de vazio. Neste sentido, no estranho que seduzam tanto a beleza como a monstruosidade, tanto a luz como a treva, tanto o cume como o abismo, tanto a vida como a morte.
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  • Seduo e televiso A televiso , consequentemente, uma experincia narcisista porque uma experincia sedutora. O fascnio que os personagens e as situaes exercem sobre o espectador provm de que o pe em contato com o mais profundo e oculto de suas tenses e pulses, de seus conflitos e nsias, de seus desejos e temores. A televiso seduz porque espelho, no tanto da realidade externa representada quanto da realidade interna de quem a v.
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  • Seduo e transferncia Jean Baudrillard (1989, p. 73-74) conta uma fbula realmente sugestiva e que muito indicada para compreender a fora perturbadora da seduo e seus ambguos efeitos. Uma criana pede para a fada que lhe conceda o que deseja. A fada aceita a proposta com uma s condio: Nunca deve pensar na cor vermelha da cauda da raposa. Se s isso!, responde satisfeita a criana.
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  • Seduo e transferncia Em sua interpretao da fbula, Baudrillard indica que o que fascina a criana, o que a seduz, a ausncia de sentido, signos vazios, o insensato, o absurdo da proposio da fada. certo e no certo. certo que a falta de sentido fascina. certa a seduo do absurdo.
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  • Transferncia A fora irresistvel da imagem do vermelho da cauda da raposa est num processo de transferncia, num processo associativo e, portanto, no