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Abordagem do paciente surdo no contexto da Medicina Dentria

RELATRIO DE ATIVIDADE CLNICA

MESTRADO INTEGRADO EM MEDICINA DENTRIA

Abordagem do paciente surdo no contexto da medicina dentria

Joo Miguel Neiva e Cabral dos Santos

Porto 2014

Abordagem do paciente surdo no contexto da Medicina Dentria

Joo Miguel Neiva e Cabral dos Santos

(Estudante do 5 ano do Mestrado Integrado em Medicina Dentria)

[email protected]

Monografia de reviso bibliogrfica submetida Faculdade de Medicina Dentria da Universidade do Porto para a obteno do grau de Mestre em Medicina Dentria

Orientadora

Professora Doutora Maria de Lurdes Ferreira Lobo Pereira

Professora Auxiliar da FMDUP

Coorientadora

Professora Doutora Isabel Cristina Gonalves Roadas Pires

Professora Auxiliar da FMDUP

Faculdade de Medicina Dentria da Universidade do Porto

Porto, 2014

minha famlia, pelo amor, educao, apoio e oportunidade de estudar,

Faculdade de Medicina Dentria da Universidade do Porto, pelo apoio e conhecimentos transmitidos pelos seus docentes e pelo carinho e amizade com que o pessoal no-docente sempre me brindou,

Aos meus binmios (Maria, Vnia e Ricardo), pela pacincia, amizade e momentos partilhados,

Aos meus colegas de casa, Rui e Cristiano, por testarem constantemente a minha pacincia,

Aos elementos do Grupo de Jovens Esperana, minha segunda famlia, por tudo o que me ensinaram e por partilharem comigo a vontade de tornar o Mundo um lugar melhor,

Tuna de Medicina Dentria do Porto, pelas experincias, amizades e conquistas que alcanamos juntos,

Susana, ao Francisco, Helena, Aurelie, ao Reis e ao Mota,

Ao Nuno,

Claudia,

O meu mais sincero e eterno obrigado.

You may never know what results come of your actions, but if you do nothing, there will be no results.

Mahatma Gandhi

Agradecimentos

Em primeiro lugar quero agradecer minha estimada Orientadora, Professora Doutora Maria de Lurdes Ferreira Lobo Pereira, pela inspirao, ajuda e motivao, sem as quais este trabalho no teria sido possvel.

Quero tambm agradecer minha Coorientadora, Professora Doutora Isabel Cristina Gonalves Roadas Pires, pelo seu olhar atento e pela sua disponibilidade.

Devo tambm homenagear aqui a Dr. Ana Bela Baltazar, pela sua ajuda, disponibilidade, simpatia e trabalho de vanguarda desenvolvido na sua rea e por ter coorientado este trabalho, ainda que no oficialmente.

A todos os que me ajudaram de maneira direta ou indireta a concluir este trabalho, o meu obrigado.

Por fim, quero agradecer a todas as instituies e indivduos que lutam de forma constante e incansvel por uma sociedade melhor.

Resumo

Introduo: A boa comunicao entre mdico e paciente essencial para uma boa relao entre estes, aumentando o grau de satisfao e participao do ltimo. Indivduos surdos ou com dificuldades auditivas deparam-se com dificuldades no acesso a cuidados na Medicina Dentria, entre elas: pobre comunicao entre mdico-paciente, desconhecimento por parte dos prestadores de cuidados de sade acerca das caractersticas prprias da comunidade surda e falta de acesso a intrpretes devidamente treinados. Os mdicos dentistas devem adotar formas mais eficazes para uma comunicao bem-sucedida com este tipo de pacientes para prestar um servio de qualidade. Esta monografia pretende sumariar estas particularidades e sugerir tcnicas e ferramentas para auxiliar no tratamento e comunicao com estes pacientes.

Material e mtodos: Foi analisada bibliografia disponvel na base de dados PubMed e em publicaes nacionais e internacionais impressas, escritas em Ingls e Portugs, no intervalo de tempo entre 1999 e 2014.

Desenvolvimento: Para uma prestao de servios adequada os mdicos dentistas devem registar na histria clnica do paciente uma descrio aprofundada da condio deste, sendo isto importante para a compreenso do seu contexto e dos obstculos com que se depara. Por desconhecimento, os mdicos dentistas criam geralmente uma conceo errada sobre a comunicao com estes pacientes, o que se pode dever falta de instruo a este nvel na sua formao. Esta falha pode ser colmatada atravs de mdulos virtuais de aprendizagem ou formao bsica em Lngua Gestual e introduo cultura surda.

Concluso: O esforo e dedicao dos profissionais e das instituies de ensino e formao na instruo acerca do atendimento deste tipo de pacientes esto na base da quebra das barreiras comunicativas. recomendado a recolha e produo de dados estatsticos a nvel nacional que ajudem a aumentar a perceo acerca do assunto ou melhorar os mtodos j implementados.

Palavras-chave: comunicao metodologia; surdez; lngua gestual; competncias de comunicao clnica; Medicina Dentria; cuidados dentrios

Abstract

Introduction: Good communication between doctor and patient is essential for a good relationship between them, increasing the degree of satisfaction and involvement of the latter. Deaf or hard of hearing individuals are faced with difficulties in accessing care in dentistry, including: poor communication between doctor and patient, ignorance by health care providers about the characteristics of the deaf community and lack of access to trained interpreters. The dentist should adopt more effective ways for a successful communication with this type of patients to provide a quality service. This paper aims to summarize these features and suggest techniques and tools to assist in the treatment and communication with these patients.

Methods: The bibliography consists of available literature at "PubMed " scientific database as well as national and international printed publications, published in English and Portuguese between the years 1999 and 2014.

Development: Towards an adequate provision of services dentists should record at the patients file a thorough description of his condition, which is important data for understanding the context and the obstacles he faces. Through ignorance, dentists generally create a wrong conception about communicating with these patients, which may be due to lack of instruction at this subject during their training. This drawback can be overcome through virtual learning modules or basic training in sign language and an introduction to the deaf culture.

Conclusion: The effort and dedication of professionals and institutions of education and training in the instruction of this type of patient care is fundamental to breakdown communication barriers. The collection and production of statistical data at a national level is recommended to help increase the perception on the subject or improve the methods already implemented.

Keywords: communication methodology; deafness; sign language; clinical communication skills; dentistry; dental care

ndice

ndice

Introduo1

Materiais e Mtodos3

Desenvolvimento4

Surdez5

Surdez em Portugal5

O paciente surdo6

Comunicar7

Utilizao de elementos escritos8

Leitura labial9

Comunicao com pacientes que preferem usar a Lngua Gestual Portuguesa (LGP)12

Comunicao com pacientes que preferem usar a LGP, na presena de um intrprete13

Comunicao com utilizadores de dispositivos auditivos14

Comunicao com crianas surdas15

Encontrar um intrprete qualificado18

Sala de espera19

Outras tcnicas e perspetivas futuras20

Concluso21

Bibliografia22

Anexos25

Anexo A Brochurai

Anexo B - Parecer e Declaraoxxxvii

Abordagem do paciente surdo no contexto da Medicina Dentria

Joo MNC Santos

xlii

IntroduoIntroduo

Os indivduos surdos ou com dificuldades auditivas deparam-se, de uma forma geral, com vrias dificuldades quando tentam aceder a servios de sade, entre os quais a Medicina Dentria. O desconhecimento acerca da cultura surda e a falta de formao nesta rea pode criar mal-entendidos e obstculos durante a partilha de informao com pacientes desta comunidade, que se sentem frustrados quando perdem a sua autonomia e/ou recebem sentimentos de condescendncia por parte de outros.(16)

Com o objetivo de melhorar o cuidado destes pacientes, o mdico dentista deve fazer um esforo no sentido de conhecer as suas caractersticas e entender as barreiras existentes no processo de comunicao. Devem, assim, ser adotadas formas mais eficazes de estabelecer uma comunicao bem-sucedida com este tipo de pacientes.(17)

A comunicao um sistema complexo que envolve a emisso e a interpretao de mensagens. Na sua forma mais simples um processo com duas vias, envolvendo um emissor e um recetor. Para existir uma comunicao adequada o sinal emitido e o sinal recebido tm imperativamente de ser o mesmo, independentemente do sistema utilizado para a transmitir, seja ele por smbolos, linguagem ou imagens.(8)

Quando esta comunicao falha, a relao mdico-paciente pode ficar comprometida e a validade dos tratamentos pode, nalgumas situaes, ser posta em causa. No se pode esperar que um paciente seja capaz de prestar um consentimento vlido relativo aos tratamentos a que vai ser sujeito se no for capaz de entender aquilo que lhe proposto.(1,5,9) Se a comunicao no for eficaz esto criadas as condies para que ocorram mal-entendidos que podem ter efeitos negativos nos dois sentidos da comunicao: o prestador de cuidados pode pensar que a sua mensagem ou inteno foi recebida e entendida pelo paciente e, por outro lado, o paciente pode pensar que apreendeu a mensagem quando, na verdade, nenhuma das situaes se verificou.(3)

Por outro lado, uma comunicao que envolva a transmisso bem-sucedida de informao entre os dois interlocutores (paciente e mdico) estimula uma boa relao entre estes e diminui a sensao de isolamento, aumentando o grau de satisfao e participao do paciente. Pacientes surdos preferem ser atendidos por mdicos que sabem Lngua Gestual ou mdicos que so surdos, bem como por mdicos que fazem o esforo de se aproximar da sua forma de comunicao. Adicionalmente esperam algum esforo por parte destes com vista a melhorar o acesso aos seus servios.(1,5)

O Cdigo Deontolgico da Ordem dos Mdicos Dentistas refere que Todo o mdico dentista tem o dever de assegurar ao seu doente a prestao dos melhores cuidados de sade oral ao seu alcance, agindo com correco e delicadeza. Alm disso, o mdico dentista deve apoiar e participar nas actividades da comunidade que tenham por fim promover a sade e o bem-estar da populao.(10)

Tambm a legislao portuguesa procura a promoo da acessibilidade, referindo que esta constitui um elemento fundamental na qualidade de vida das pessoas e contribui decisivamente para um maior reforo dos laos sociais, para uma maior participao cvica de todos aqueles que a integram e, consequentemente, para um crescente aprofundamento da solidariedade no Estado social de direito.(11)

A obteno de consentimento para os tratamentos a efetuar indispensvel em Medicina Dentria e O mdico dentista deve informar e esclarecer o doente, a famlia ou quem legalmente o represente, acerca dos mtodos de diagnstico e teraputica que pretende aplicar, bem como transmitir a sua opinio sobre o estado de sade oral do doente.(10)

Segundo vrios autores, as maiores dificuldades encontradas pelos pacientes surdos so a pobre comunicao entre mdico-paciente, o desconhecimento por parte dos prestadores de cuidados de sade acerca das caractersticas prprias da comunidade surda e a falta de acesso a intrpretes devidamente treinados.(17,12)

Tudo isto pode levar a ms interpretaes do diagnstico, objetivo dos tratamentos, da medicao e os seus efeitos secundrios por parte dos pacientes, que consequentemente podem sentir frustrao, excluso e incapacidade de transmitir os seus sentimentos, sintomas, histria mdica e ter controlo sobre a prpria sade. Nestas condies difcil providenciar um tratamento de sade adequado.(1,35,12)

Esta monografia pretende sumariar as particularidades relacionadas com a abordagem de pacientes surdos, especificamente em Medicina Dentria e sugerir tcnicas e ferramentas para auxiliar no tratamento e comunicao com estes pacientes. Apesar de ser mais difcil, o processo de comunicao entre um paciente surdo e um prestador de cuidados de sade no impossvel.

Materiais e MtodosMateriais e Mtodos

A pesquisa bibliogrfica efetuada durante a elaborao desta monografia teve como principal objetivo a obteno de informao cientfica atual. Incluram-se (Tabela 1): publicaes nacionais e internacionais que incluram livros, revistas da especialidade, publicaes avulsas e imprensa escrita. A pesquisa na base de dados indexada PubMed e foi limitada a artigos publicados nos ltimos 15 anos, escritos em Ingls e Portugus. Para evitar a introduo de possveis fatores que pudessem induzir concluses errneas nesta monografia, optou-se por incluir apenas as publicaes que estudassem populaes humanas surdas ou com dificuldades auditivas e que no apresentassem outro tipo de limitaes sensoriais ou psico-motoras. Utilizaram-se os termos de pesquisa: deaf, dentistry, special care, clinic, waiting room, hearing impairment e patient management.

Tabela 1 Critrios de incluso e excluso da bibliografia utilizada

Critrios Incluso

Critrios excluso

Data de publicao: ltimos 15 anos

Populao: surda e/ou com dificuldades auditivas associadas a outras incapacidades

Lngua: Portugus, Ingls

Populao: apenas pacientes surdos e/ou com dificuldades auditivas

Disponibilidade: Livros e artigos full-text available

DesenvolvimentoDesenvolvimento

O choque cultural e os obstculos sentidos por pacientes surdos ou com dificuldade auditivas quando tentam aceder a servios de sade geram sentimentos negativos nestes pacientes.(15,12) Chaveiro et al (2009) definem que a surdez se distingue de outras deficincias, no pela deficincia propriamente dita, mas pela dificuldade de estabelecer comunicao entre pessoas.(1)

Num estudo baseado em entrevistas a pacientes surdos brasileiros, Pereira & Fortes (2010) observaram que os prestadores de cuidados de sade so descritos, geralmente, de forma negativa.(5) Neste estudo, os entrevistados caracterizavam com as seguintes afirmaes o pessoal prestador de cuidados de sade:

[Eles] tm medo de comunicar. [Eles] fogem de voc. [Eles] no sabem como ajudar e no sabem como comunicar. [Eles] no sabem o que fazer. [Eles] no se conseguem adaptar pessoa surda. [Eles] tm preconceitos. [Eles] so duros. [Eles] no gostam de pessoas surdas. [Eles] no tm respeito. [Eles] riem-se da pessoa surda que tem medo [Eles] ficam com o dinheiro e dizem adeus. [Eles] mostram preocupao.

Kritzinger et al (2014), por outro lado, referem que os pacientes relatam mais experincias positivas junto de mdicos dentistas que recorriam a intrpretes com experincia clnica, com profissionais capazes de utilizar lngua gestual e nos casos onde os prestadores de cuidados de sade faziam um esforo por melhorar a comunicao.(5,13)

Outros autores apontam ainda a falta de sensibilidade e de conhecimento de boas prticas a ter com esta comunidade, expressa frequentemente atravs de erros bsicos como a falta de cuidado em esclarecer claramente quando se dirigem ao paciente surdo, manter contacto visual com este quando o fazem ou quando o excluem de conversas.(2,4)

Embora haja esforos no sentido de promover a sade oral em crianas surdas, tem sido relatado por pacientes surdos adultos que sentem que medida que crescem encontram menos pacincia e preocupao por parte do pessoal mdico.(14)

Por estas razes os pacientes surdos adultos sentem-se frequentemente envergonhados ou inibidos em ambientes clnicos e consequentemente podem evitar os cuidados de sade com medo de o tratamento correr mal devido comunicao m ou insuficiente.(3,5,13,15,16) Estas atitudes por parte dos profissionais de sade podem levar a que os pacientes surdos desistam e deixem de procurar obter mais informao junto dos seus mdicos ou, por outro lado, criem o hbito de consultar vrios profissionais como forma de lidar com a falta de informao que obtm de cada um.(2,5)

Pacientes no Reino Unido reportaram dificuldades em entender o diagnstico ou instrues dos medicamentos, consequentemente tomando doses erradas; um deles chegou a relatar acordar de uma cirurgia e surpreender-se ao aperceber-se que tinha sido amputado.(16)

Surdez

Segundo a OMS a surdez pode ser congnita ou adquirida. Pode ento estar presente ao nascimento nos casos em que tem origem hereditria e noutros com origem no-hereditria como quando causada por doenas maternas (e.g.: rubola, sfilis) ou complicaes durante o parto. Pode ser posteriormente causada por certas doenas infeciosas tais como a meningite, infees crnicas dos ouvidos ou desenvolver-se devido ao contacto com substncias ototxicas (aminoglicosdeos, frmacos citotxicos, medicao antimalrica e diurticos), exposio a nveis sonoros elevados e ao processo fisiolgico do envelhecimento.(17)

A OMS refere que existem 360 milhes de pessoas no mundo com perda auditiva incapacitante, o que quer dizer que no adulto existe uma perda auditiva superior a 40dB no ouvido que ouve melhor e em crianas que existe uma perda auditiva superior a 30dB no ouvido que ouve melhor.(17)

Aproximadamente um tero dos indivduos com idade superior a 65 anos encontram-se afetados por perda auditiva incapacitante.(18)

Surdez em Portugal

A Associao Portuguesa de Surdos estima que existem cerca de 30 000 surdos (na sua maioria portadores de surdez grave e profunda) que praticam Lngua Gestual Portuguesa no nosso pas. A mesma associao estima ainda que existam cerca de 120 000 pessoas com algum grau de perda auditiva (incluindo aqui os idosos que vo perdendo a audio gradualmente).(19) Ana Bela Baltazar, autora do Dicionrio de Lngua Gestual Portuguesa editado em 2010, refere no seu Prefcio que a comunidade surda representa cerca de 100 000 indivduos em Portugal.(20)

Segundo dados recolhidos entre Setembro de 1993 e Junho de 1995 publicados pelo ento Secretariado Nacional de Reabilitao residiam em Portugal, num universo de 142 112 indivduos, 19 172 (cerca de 13,5%) eram surdos ou tinham reduo grave da capacidade auditiva. Destes, 39,42% declararam no possuir nenhum nvel de instruo; apenas 2,34% referiram o nvel secundrio, 1,72% a instruo politcnica e 1,54% o ensino universitrio.(21)

Os Resultados Definitivos dos Censos 2011 no fazem referncia especfica populao surda ou com dificuldades auditivas.(22)

Pereira & Fortes (2010) referem que a dificuldade em fazer um retrato fiel da realidade do problema no Brasil se deve inexistncia de dados produzidos de forma sistemtica escala nacional, o que tambm acontece no nosso pas.(5,23)

O paciente surdo

O mdico dentista deve reconhecer que cada paciente um indivduo nico e que os pacientes surdos podem apresentar uma grande heterogeneidade de caractersticas. O mdico dentista deve, em primeiro lugar, procurar saber como o paciente comunica normalmente.(2,4) Se o paciente uma criana, pode perguntar aos pais ou ao cuidador. Tambm deve procurar observar como o paciente se comunica com os pais ou encarregados de educao. No caso de adultos, o mdico dentista pode fazer a pergunta diretamente ou o paciente pode antecipar a questo e explicar como a devemos tratar.(4)

Os trs primeiros anos de vida so crticos para o desenvolvimento da criana ao nvel percetivo, das capacidades motoras, da inteligncia e da linguagem, segundo Alsmark e colegas.(4) Outros autores estimam que o perodo ideal para desenvolver esta ltima se situe algures entre os 5 e os 9 anos de idade.(3) Quando a surdez tem origem anterior ao desenvolvimento da fala, diz-se surdez pr-lingual. Por outro lado, quando adquirida aps o desenvolvimento desta habilidade, diz-se surdez ps-lingual.(24)

Algumas famlias podem privar a criana surda de aprender Lngua Gestual numa atitude de negao face realidade e motivadas pelo medo de perder a criana para uma comunidade que no conhecem.(3)

A perceo de pacientes surdos adultos indica que alguns podem ter um nvel de stress mais elevado do que a populao geral. A presena de fatores como o difcil acesso ao emprego, dificuldades de comunicao no quotidiano e stress associado a fazer parte de uma minoria lingustica e cultural podem justificar este facto.(25)

Vrios autores e equipas de investigadores referem ter encontrado piores condies de higiene oral em pacientes surdos quando comparado com pacientes ouvintes, o que preocupante.(12,26)

H tambm indcios que sugerem que a taxa de infeo por VIH em algumas populaes surdas maior quando comparada com a populao ouvinte e que h uma maior incidncia de doenas sexualmente transmissveis (DSTs). Tais achados podero ser justificados pela maior dificuldade de acesso a informao de sade e preveno de DSTs reportada por estas populaes.(27)

Tabela 2 Graus de surdez e possvel impacto no paciente(8)

Grau de surdez

Sons ouvidos mais leves, em decibis

Possvel impacto

Leve

25-39

Dificuldade em acompanhar conversas em situaes ruidosas.

Moderado

40-69

Dificuldade em acompanhar conversas sem um dispositivo auditivo.

Grave

70-94

Dependente de leitura de lbios mesmo com um dispositivo auditivo;

Lngua Gestual pode ser o meio preferencial de comunicao.

Profundo

>95

Lngua Gestual pode ser o meio preferencial de comunicao.

O mdico dentista deve registar na histria clnica do paciente a fase de desenvolvimento em que surgiu a surdez (pr ou ps-lingual, por exemplo), o grau de surdez (leve, moderado, grave ou profundo) (Tabela 2), o nvel de formao escolar ou acadmica e tipo de educao recebida (oral, bilingue, integrada, especial), problemas associados (dificuldades de aprendizagem, por exemplo) e fatores familiares (atitude dos pais face surdez, pais ouvintes ou surdos). Estes dados so importantes de modo a compreender o contexto do paciente e os obstculos com que se deparou previamente e que influenciam a sua atitude perante os outros.(4)

Comunicar

Por falta de conhecimento, o mdico dentista pode criar a conceo errada de que para comunicar com pacientes surdos ou com dificuldades auditivas basta recorrer linguagem escrita, leitura de lbios ou confiar em terceiros relacionados com o paciente que faam o papel de intrprete.

certo que existe uma falha generalizada na formao dos profissionais de sade relativamente aos cuidados a ter com a populao surda, pois so raras as instituies de ensino que incluem no seu programa curricular algum tipo de formao especfica nesta rea. Est provado que a utilizao, por exemplo, de um mdulo de aprendizagem atravs de um paciente virtual interativo pode ser uma ferramenta eficaz para introduzir o contato clnico com pacientes com anomalias de desenvolvimento a estudantes de medicina dentria.(28)

Um facto que pode passar despercebido e que deve ser mencionado que pode haver transmisso de informao sem que se diga uma nica palavra atravs, por exemplo, da linguagem expressa facial ou corporalmente.(3,5) Segundo Dougall e Fiske (2008), esta representa cerca 60% de responsabilidade na transmisso da mensagem.(8) Os pacientes surdos interpretam no s o que dito mas principalmente o modo como o mdico se comporta enquanto transmite a informao.(5)

Pereira e Fortes (2010) referem que os prestadores de cuidados de sadem tendem a melhorar a sua postura e eficcia de comunicao assim que se apercebem da importncia da linguagem corporal, aumentando a proximidade fsica, postura e contacto visual com o paciente.(5)

Pacientes surdos aprendem por observao e repetio. Apresentar e demonstrar como utilizar equipamentos ou medicao tem melhores resultados do que a mera explicao.(24)

Nos tpicos seguintes apresentam-se e discutem-se os vrios mtodos que podem ser utilizados para veicular a informao aos pacientes surdos ou com dificuldades auditivas no ambiente clnico.

Os protocolos apresentados so baseados no trabalho de Alsmark e colegas em 2007, tendo sido completados com informaes e conselhos publicados por outros autores.

Utilizao de elementos escritos

Os programas de educao para a sade oral so frequentemente produzidos e divulgados sob a forma de informao escrita (panfletos, brochuras) ou udio (vdeo), caso sejam dirigidos a um pblico infantil, por exemplo.(2931)

A utilizao de elementos escritos apresenta vantagens e desvantagens. Apesar de poder fornecer um meio imediato de transmisso de informao entre paciente e mdico, pode criar novas barreiras ao processo de comunicao.(4,5)

A Lngua Portuguesa no a lngua nativa de todos os pacientes surdos. Muitos tiveram de o aprender como uma lngua secundria, geralmente se a surdez est presente numa fase precoce. Acrescentando o facto de que muitos pacientes surdos podem ter encontrado barreiras no acesso a oportunidades de educao compreensvel que desconheam inclusivamente a prpria anatomia e nomenclatura associada, preveno e tratamento de doenas. normal tambm que o vocabulrio possa ser reduzido o que complica a transmisso de mensagens complexas atravs deste meio.(1,4)

A informao escrita pode ser complementada com desenhos simples, imagens ou at pequenos vdeos.(24)

Na tentativa de fornecer uma base para a educao destes pacientes, criou-se uma brochura (Anexo A) que simplifica os Folhetos Educativos da Ordem dos Mdicos Dentistas e que aborda a generalidade das reas da Medicina Dentria.(29) Contm informao relevante para o paciente, desde a preveno de vrias patologias orais at s opes de tratamento mais comuns e est redigida num Portugus simples, podendo ser impressa e entregue aos pacientes que a podero levar consigo para estudar e familiarizar-se com alguns termos e conceitos at ento desconhecidos.

Leitura labial

A leitura labial praticada pela maioria das pessoas com deficincia auditiva e pode por isso ser utilizada em combinao com as outras tcnicas. apenas totalmente eficiente quando as condies so ideais. Muitas vezes h obstculos como bigodes, falta de iluminao, localizao e posio errada do falante, falar excessivamente rpido, sotaques estrangeiros, alguns sons que no pode ser vistos (por exemplo, sons guturais), palavras homfonas (mam, pap, etc.), a falta de conhecimento do vocabulrio habitual do destinatrio e a distncia entre os interlocutores. Na clnica dentria, podem existir outros obstculos, tais como a mscara facial do dentista, o uso de termos tcnicos, a posio supina do paciente na cadeira, ansiedade, etc. O mdico dentista deve tentar comunicar nas melhores condies possveis para que o paciente o possa compreender.(24,6,7,9,15)

Existem algumas regras bsicas que devem ser levadas em conta antes e durante a conversa:

Antes da conversa:

Fale com calma, devagar e agradavelmente. Se estiver com pressa, cansado ou irritado, isso vai afetar a sua comunicao com o paciente. Uma atitude paciente relaxa o doente e melhora a sua concentrao e confiana.

Entenda que a ida a uma consulta mdica envolve geralmente um grande esforo por parte do paciente surdo e este precisa de ultrapassar o medo de que algo corra mal devido a problemas de comunicao.(5)

Nunca comece a falar se o paciente no est a olhar.

Chame a sua ateno com um leve toque no brao ou ombro, uma pancada ligeira na estrutura ou superfcie onde o paciente est apoiado para criar vibraes, um sinal discreto antes de comear a falar ou at acendendo/apagando as luzes da sala onde o paciente se encontra. Tenha isso em mente ao chamar o paciente a partir da sala de espera.

Encare o paciente de frente e, de preferncia, ao mesmo nvel (especialmente para crianas). Tente manter a mesma posio durante a conversa.

Se quiser explicar alguma coisa, deve parar o procedimento e dirigir-se ao paciente.

No mova a sua cabea para qualquer lado no final de uma frase; no olhe para baixo, etc.

No se mova para muito longe ou muito perto do paciente.

Deve manter-se numa posio confortvel para o paciente e em que totalmente visvel. Evite ficar em p atrs do encosto de cabea, pois nesse caso o paciente deve assumir uma posio desconfortvel de modo a conseguir ver os seus lbios.

Certifique-se o seu rosto est bem iluminado.

Nunca fique em frente a uma janela ou luz (se o fizer o rosto vai estar na escurido).

Durante a conversa:

Certifique-se que no tem nada entre os lbios (cigarro, caneta), nem na boca (pastilha elstica, doces).

Evite colocar a mo ou qualquer objeto em frente sua boca. A mscara facial uma barreira para a leitura labial.

Quaisquer procedimentos devem ser explicados antes de aplicar a mscara facial.

Se quiser explicar alguma coisa a meio do processo, o dentista no se deve esquecer de remover a mscara.

Pronuncie claramente, sem exagerar ou gritar. Os movimentos labiais devem ser claros, mas no exagerados. Com isso evita distorcer os lbios, tornando-se mais fcil de ler. Isso tambm acontece com gritos, que so desagradveis para os deficientes auditivos, especialmente em pblico e que afetam a sua dignidade e privacidade.

Falar claramente muito mais eficaz do que falar alto. No entanto, pode ser til para alguns pacientes com perda auditiva levantar ligeiramente a sua voz ou falar num tom mais grave na medida em que as pessoas perdem primeiro a audio de sons agudos.(8,32)

Fale sempre usando a sua voz.

Fale naturalmente, nem muito rpido nem muito devagar.

No simplifique demasiado a frase nem utilize termos tcnicos, pois o paciente surdo, ao contrrio de ouvintes que esto constantemente a receber informaes e aprender novas palavras e termos, pode no entender.

De modo a facilitar a integrao do deficiente auditivo, importante explicar o que est a acontecer e dito em torno dele ou dela.

Como mdico dentista deve ensinar novas palavras relacionadas com a sade oral (crie, restaurao, etc.) a crianas ou adultos com deficincia auditiva

Evite conversa excessiva, porque a leitura labial cansativa.

Use linguagem simples e frases curtas, especialmente com crianas pequenas, sem as tratar, contudo, como se tenham uma dificuldade de aprendizagem.

Simplifique a frase mas no as palavras. O contexto da frase muitas vezes importante.

H certas palavras homfonas que so difceis de distinguir unicamente atravs de leitura labial.

Se no se conseguir fazer entender, repita a sua mensagem (cerca de 3 vezes). Se ainda no conseguir ser compreendido, reconstrua a frase ou use sinnimos.

Se necessrio, use gestos naturais ou algumas palavras escritas.

possvel comunicar por escrito com pacientes com deficincia auditiva que tm dificuldade de entender, pelo que deve ter sempre lpis e papel mo. Os inconvenientes da escrita manual so que algumas pessoas com deficincia auditiva podem no ser bons leitores e isso leva tempo, especialmente se a informao para ser transmitida complexa (como quando se descreve um tratamento endodntico radical) e a caligrafia no a melhor.

Uma alternativa ter algumas folhas escritas preparadas com antecedncia (ver Anexo A), explicando os principais procedimentos dentrios, instrues, etc.(2)

Desenhos simples podem tambm ser teis.

Este material poupa tempo e permite que o paciente leve consigo uma cpia para casa e o estude vontade.

A linguagem corporal (postura e movimento) e as expresses faciais desempenham um papel muito importante na comunicao com o deficiente auditivo na clnica dentria e pode ser especialmente importante no ensino de crianas surdas.

Deve saber como usar o seu rosto e corpo para expressar sentimentos (de felicidade, tristeza, raiva, medo, interesse, etc.), para facilitar a compreenso para a criana surda. Se a criana no se comportar corretamente e for repreendida de forma inexpressiva, pode no entender.

Use expresses faciais agradveis e calmas.

Outros conselhos:

V perguntando ao longo da consulta se a comunicao est a funcionar ou se pode ser melhorada.

As perguntas devem ser de forma aberta para evitar respostas do tipo sim-no e assegurar que tudo foi compreendido. O paciente com deficincia auditiva pode anuir mesmo que no tenha compreendido inteiramente.(3,13)

No se iniba de repetir qualquer frase quando for necessrio.

Comunicao com pacientes que preferem usar a Lngua Gestual Portuguesa (LGP)

A Lngua Gestual uma forma de comunicao que se baseia em sinais que so reconhecidos a nvel nacional e regional (mas no internacionalmente), e tem a sua prpria estrutura que diferente da linguagem oral e escrita.(20)

Esta lngua realizada recorrendo a diferentes configuraes, locais de articulao e orientao das mos, bem como a diferentes expresses faciais e movimentos corporais que acompanham os gestos criados pelas mos. A sua estrutura muito especfica e diferente da que utilizada habitualmente na Lngua Portuguesa, predominando a sequncia sujeito-objeto-verbo.(20)

Os membros da famlia ou amigos capazes de usar lngua gestual acompanham por vezes o paciente e ajudam a dar explicaes ou fazer perguntas. Por outro lado, apesar de estas pessoas serem capazes de comunicar com o paciente surdo, o mdico dentista deve reconhecer que improvvel que estejam familiarizados com a amplitude de sinais necessrios para transmitir conceitos mdicos complexos. O recurso a amigos ou familiares como intrpretes pode criar problemas quanto garantia de confidencialidade do paciente e lev-lo a guardar informaes de natureza pessoal ou sensvel. Podem ainda alterar inconscientemente as observaes referidas pelo paciente ou transmitir informao tendenciosa acerca deste para o proteger.(2,6,7,33,34) Pereira e Fortes (2010) referem que a utilizao de um intrprete no qualificado pode ter consequncias to ou mais negativas como a no-utilizao do intrprete.(5)

Deve ento ser utilizado um intrprete profissional com experincia clnica sempre que possvel e quando aceite pelo paciente; no entanto, isto pode aumentar os custos da consulta ou criar questes de confiana entre o paciente e o intrprete caso este lhe seja desconhecido.(3,7) Nos Estados Unidos da Amrica a legislao contempla esta situao e o prestador de cuidados de sade responsvel por providenciar e suportar os custos relacionados com o intrprete especializado e registado.(2,8,35)

Alguns mdicos podem recear que o recurso a um intrprete possa representar perigo para eles na medida em que poder tornar-se uma testemunha de defesa caso o paciente alguma vez decida processar o profissional devido a m-prtica.(15)

Os avanos tecnolgicos permitem o desenvolvimento de reas como a telemedicina nalguns pases. Esta rea tem especial interesse neste assunto, uma vez que o paciente ou o mdico dentista podem aceder em tempo real aos servios de um intrprete utilizando uma webcam e uma ligao Internet.(3)

Comunicao com pacientes que preferem usar a LGP, na presena de um intrprete

Quando se recorre aos servios de um intrprete de LGP (membro profissional, familiar ou amigo paciente), importante olhar mais para o paciente do que para o intrprete.(2,4,6,8,32)

Os nicos momentos em que se deve dirigir ao intrprete durante a consulta so no incio e no fim, para lhe agradecer o servio prestado. Pode ser til encontrar-se previamente com o intrprete para discutirem terminologia mdico-dentria e necessidades especiais de interpretao.(8) O intrprete deve estar presente em todas as consultas, garantindo (caso seja um intrprete profissional com experincia na rea) que o mdico dentista capaz de compreender as queixas do paciente, que se consegue obter um consentimento informado, que o tratamento prestado o mais seguro e eficiente e que se promove o entendimento e a colaborao do paciente, funcionando de modo vantajoso para ambas as partes.(7,35)

Deve falar-se diretamente com o paciente usando a segunda pessoa e prestar ateno quando o paciente responde. A generalidade da bibliografia refere que o intrprete deve estar posicionado ligeiramente atrs do prestador de cuidados de sade de modo a que estejam ambos no campo de viso do paciente. No entanto, a orientao dos intervenientes segundo um tringulo equiltero conseguindo contato visual direto entre todos poder ser mais favorvel.

A pessoa surda pode ser bilingue, isto , pode ser capaz de utilizar ambos os tipos de linguagem (oral/gestual).

til aprender o alfabeto da Lngua Gestual Portuguesa. Participando num curso de Lngua Gestual Portuguesa pode, pelo menos, familiarizar-se com a sua estrutura bsica e alguns gestos simples.

Fale devagar e com clareza. Use frases simples porque a lngua gestual tem uma estrutura diferente daquela usada na linguagem oral e escrita, por exemplo: O aluno deu uma flor professora (Lngua Portuguesa)./ Aluno flor professora dar (Lngua Gestual Portuguesa).(20)

muito importante o uso de linguagem corporal e expresses faciais. As expresses faciais fazem parte da lngua gestual. Podem ser usados para expressar felicidade, tristeza, raiva, dvida, ignorncia, desapontamento, etc.

As mudanas de tpico devem ser claramente identificadas.

Deve verificar-se periodicamente que o paciente est a perceber e que se consegue perceber o paciente. Deve confirmar-se com paciente, no com o intrprete.

Comunicao com utilizadores de dispositivos auditivos

Muitos pacientes desligam os seus dispositivos auditivos devido expectativa de encontrarem no ambiente clnico rudos agudos ou que causem interferncia com os dispositivos. Deve assegurar-se que o dispositivo est ligado durante os perodos de comunicao sempre que for possvel.(8)

Caso no haja um aparelho auditivo disponvel, uma alternativa possvel e acessvel para conseguir aumentar o som sem grandes custos econmicos associados a utilizao de um aparelho de comunicao um-para-um. Com este dispositivo, o mdico dentista fala para um microfone ligado a um amplificador que envia ento o sinal para auscultadores usados pelo paciente.(36)

No deve assumir que o paciente vai conseguir entender simplesmente porque usa um aparelho auditivo uma vez que este pode ser utilizado apenas para conseguir distinguir sons ambientais como por exemplo alarmes de incndio ou buzinas de automveis e no serem capazes de ajudar o paciente a compreender o discurso oral.(34)

A utilizao de instrumentos eltricos em pacientes portadores de implantes cocleares pode causar algumas preocupaes no mdico dentista. Um estudo realizado por Roberts e colegas (2002) em tecidos cadavricos sugere que a utilizao de equipamento dentrio como o cauterizador eltrico, localizador de pice ou o ortopantomgrafo segura; no entanto, a utilizao de equipamentos como o bisturi eltrico pode causar danos irreversveis no implante coclear a partir de um certo nvel de potncia (nvel 5).(37)

Recomendaes para melhorar a comunicao com pacientes que usem aparelhos auditivos

Elimine qualquer rudo de fundo (msica, trnsito, etc.) durante a conversa. Os aparelhos auditivos digitais mais modernos fazem isso automaticamente.

Evite rudos repentinos que podem afetar mais o paciente com dificuldades auditivas do que um ouvinte normal. Crianas com deficincia auditiva podem assustar-se com barulhos vindo de trs. Tente no fazer muito barulho.

Se a pessoa com deficincia auditiva prefere desligar o aparelho auditivo enquanto o mdico dentista est a utilizar instrumentos rotatrios ou o sistema de suco, deve avis-lo antes de comear a usar esses equipamentos.

Deve recordar-se que, se o aparelho auditivo est desligado, a conversa deve ser muito limitada e, durante o tratamento, o assistente deve assegurar que as instrues e aes so claras.

Evite passar as mos perto do aparelho auditivo ou inclinar o seu brao ou corpo contra ele durante o tratamento uma vez que pode causar interferncias.

Comunicao com crianas surdas

A criana surda deve ser tratada na clnica dentria como um ser nico na sua individualidade. O mdico dentista deve reunir informao sobre o grau de comprometimento, quando foi adquirida, o tipo de tratamento de reabilitao a que a criana est sujeita, o tipo de educao e da comunicao preferida, o tratamento familiar e qualquer problema associado.

Recomendaes especialmente apropriadas para crianas surdas

O mais importante saber como a criana comunica. Pode ser til observar como os pais ou educadores falam com a criana, usando uma linguagem que seja o mais semelhante possvel.

Uma reunio marcada previamente com os responsveis pela criana pode servir para explicar exatamente o que vai acontecer durante a consulta e inform-los de como a podem preparar para a visita ao mdico dentista.

Podem ser entregues folhetos ou fotos aos educadores para que a criana possa ter uma ideia do que a clnica e o que vai acontecer a. As visitas devem ser cuidadosamente programadas para que a criana no tenha que esperar muito tempo na sala de espera, evitando assim a ansiedade excessiva e medo caractersticas da situao.

Uma vez que a criana se encontre na cadeira de observao, o dentista, assistente e os seus acompanhantes devem permanecer dentro do seu campo de viso. O dentista deve olhar para a criana mais do que para os seus intrpretes ao explicar coisas ou responder perguntas.

Durante as primeiras visitas, os responsveis pela criana podem preferir estar presentes para a ajudar a sentir-se mais segura. A partir desse momento deve ser feita uma tentativa para falar com a criana atravs da sua forma de comunicao e estimular a sua autonomia. Quando h confiana por parte dos adultos e da criana, a criana pode gradualmente ser separada dos seus responsveis. Isto ajudar a aumentar a sua independncia.

A equipa clnica deve estar treinada para utilizar comunicao no-verbal, com linguagem corporal e expresses faciais e estar consciente da sua importncia. importante para dar uma impresso agradvel, a fim de relaxar a criana e promover a confiana.

Os pais ou educadores, primeiros intrpretes da criana, podem determinar a atitude da criana para novas experincias. As atitudes da famlia podem ser positivas ou negativas (excesso de proteo, no aceitao da deficincia, carga excessiva num membro da famlia, pais exigentes, etc.) Se os pais forem realistas e compreenderem e aceitarem as limitaes da criana, vo ajudar a criana a lidar com a nova situao de forma independente. Por outro lado, se forem super-protetores e considerarem o comprometimento auditivo como uma deficincia incapacitante, vo limitar a participao da criana na nova experincia e tornar a criana muito dependente deles, caso em que a criana vai prestar pouca ateno ao mdico dentista e procurar constantemente a ateno dos adultos, deixando-os comunicar por si.

Quando explicar as coisas, use frases claras, curtas. Se a criana no entendeu completamente, repita a frase e se ainda no se conseguiu fazer compreender, deve reconstruir a frase com sinnimos ou usando uma estrutura mais simples. Se h algo que o paciente ainda no entende bem, uma palavra ou frase pode ser escrita, ou explicada com um desenho.

Como todas as crianas, a criana surda ou com dificuldades auditiva vai se sentir mais relaxada com uma carcia ou um aperto de mo.

A criana surda tem especialmente medo do desconhecido e precisa por isso de muitas explicaes e demonstraes. Os instrumentos e equipamentos devem ser mostrados e todos os que vibram devem ser apresentados e explicados para que a criana possa entender que normal e preparar-se.

A tcnica dizer-mostrar-fazer pode ser alterada nestes pacientes para mostrar-fazer; no entanto, deve ter em conta a idade do paciente, o grau de comprometimento, o tipo de comunicao principal, habilidades, etc.

As tcnicas de modelao podem ser muito teis, permitindo que a criana observe o irmo ou outra criana a ser tratado ou enquanto est na cadeira de observao ou assistindo vdeos sobre consultas dentrias. Outra forma de explicar os atos clnicos dentrios usar panfletos, fotografias e desenhos. Devem ser utilizados estmulos visuais para promover a aprendizagem e melhorar o comportamento.

Lembre-se que a visibilidade total essencial para a comunicao com a criana surda. Deve retirar a mscara facial quando algo para dizer e no fazer nada fora do campo de viso da criana pois pode criar uma fonte de frustrao.

Se a criana usa um aparelho auditivo, siga as instrues anteriormente descritas (reduzir o rudo de fundo, desligar dispositivos de rotao que perturbem a criana, etc.)

Se a criana geralmente usa a lngua de sinais, os pais podem agir como intrpretes. Se o dentista no for capaz de utilizar a LGP, os pais ou um intrprete profissional adequado tero que estar presentes em todos os momentos durante a consulta.

Recomenda-se que o mdico dentista aprenda pelo menos a estrutura bsica da Lngua Gestual e alguns sinais simples, bem como a utilizao de linguagem corporal e expresses faciais.

O tratamento dentrio propriamente dito para uma criana surda semelhante das crianas ouvintes, mas importante realizar tratamento preventivo para essas crianas, pois pode haver falta de higiene devido principalmente a uma educao pobre ou mal-sucedida e falta de motivao.

O tratamento requer uma boa comunicao entre o mdico dentista e a criana e os pais ou educadores devem estar envolvidos na educao para a sade oral.

No fcil explicar o conceito de anestesia local a uma criana surda, mas com a ajuda dos seus intrpretes, pode ser til dizer que os dentes so postos "a dormir". A palavra "dor" importante para estas crianas, por isso no aconselhvel utilizar uma palavra diferente. Uma vez que a anestesia local for administrada, importante testar se est a funcionar; caso contrrio pode levar falta de confiana no dentista.

A utilizao do dique de borracha deve ser introduzida lentamente de modo a evitar o comportamento negativo na criana. No se deve bloquear o campo de viso da criana enquanto o aplica, pois ir afetar a comunicao entre a criana e o mdico dentista.

Havendo uma relao de confiana, a maior parte das dificuldades ser resolvida.

Encontrar um intrprete qualificado

O paciente deve ser informado das vantagens e necessidade de recorrer a um intrprete profissional e as vantagens/desvantagens de recorrer a um familiar devem ser bem esclarecidas. Assim que isto esteja clarificado deve ser dada oportunidade ao paciente para se pronunciar e tomar uma opo.

Segundo o Artigo 2. da Lei n. 89/99 de 5 de Julho, consideram-se intrpretes de lngua gestual portuguesa os profissionais que interpretam e traduzem a informao de lngua gestual para a lngua oral ou escrita e vice-versa, por forma a assegurar a comunicao entre pessoas surdas e ouvintes. A mesma Lei define que para se considerar profissional, o indivduo deve ter frequentado com aproveitamento um curso superior de tradutor-intrprete de lngua gestual, com a durao mnima de trs anos. Os intrpretes de lngua gestual, no exerccio da sua atividade devem respeitar e cumprir o cdigo de tica e linhas de conduta do intrprete de lngua gestual portuguesa. Assim, esto obrigados a: guardar sigilo de tudo o que interpretam; realizar uma interpretao fiel, respeitando o contedo e o esprito da mensagem do emissor; utilizar uma linguagem compreensvel para os destinatrios da interpretao; no influenciar ou orientar nenhuma das partes interlocutoras; no tirar vantagem pessoal de qualquer informao conhecida durante o seu trabalho.(38)

No h ainda em Portugal um registo nacional oficial acessvel que inclua todos os intrpretes profissionais de Lngua Gestual Portuguesa.

Para requisitar os servios de um profissional, os mdicos dentistas interessados devem entrar em contato com a associao de surdos federada mais prxima da rea. Atravs da pgina web da Federao Portuguesa das Associaes de Surdos possvel aceder aos contatos das Associaes Filiadas.(39) Atualmente so as que se seguem:

Associao Cultural de Surdos da Amadora

Associao Cultural de Surdos do Barreiro

Associao Cultural dos Surdos de gueda

Associao de Surdos da Alta Estremadura

Associao de Surdos da Linha de Cascais

Associao de Surdos de Guimares e Vale do Ave

Associao de Surdos do Algarve

Associao de Surdos do Concelho da Almada

Associao de Surdos do Oeste

Associao de Surdos do Porto

Associao Portuguesa de Surdos

Sala de espera

Tradicionalmente, os mdicos dentistas baseiam-se no mtodo oral para informar os seus pacientes que esto prontos para o receber, chamando o paciente pelo nome. Essa tarefa pode ser sua ou estar a cargo do pessoal assistente ou rececionista. Alguns pacientes surdos referem ter dificuldades com este sistema pelas razes bvias e referem que a alternativa passa pela implementao de mostradores eletrnicos, mais comuns em meios hospitalares ou ento por ter algum a vir inform-los diretamente e que esteja treinado para lidar com pacientes surdos, de preferncia.(2,18) Outra opo pode ser entregar aos pacientes um pager ou um dispositivo eletrnico que vibre assim que forem chamados.(3)

De modo a facilitar e simplificar este processo, o tempo de espera dos pacientes surdos deve ser minimizado ao mximo; para isso, as consultas devem ser previamente organizadas e agendadas de modo a proporcionar um ambiente calmo e um tempo de espera adequado.(4)

Importa tambm minimizar o stress que o paciente surdo possa apresentar e que normalmente provocado pelo medo de haver problemas na comunicao, ansiedade normal da ida ao dentista ou at medo de se sentir exposto perante outros.(3,5,15,18) Na eventualidade de o paciente se mostrar demasiado tenso ou ansioso devido a fobias relacionadas com a clnica dentria poder ser vantajoso efetuar uma primeira consulta de apresentao ou avaliao num ambiente ou espao diferente.(8)

Outras tcnicas e perspetivas futuras

Alguns autores sugerem utilizar outras tcnicas e materiais para facilitar ou melhorar a comunicao entre o mdico dentista e os pacientes surdos ou com dificuldades auditivas. Aparelhos de mensagens instantneas, software tradutor informatizado ou o recurso a interpretao online em tempo real podero ser cada vez mais utilizados no futuro.(3,9,18,33,40)

Em Portugal, existe pelo menos um projeto em execuo que busca criar um software de traduo de Lngua Portuguesa para Lngua Gestual recorrendo a um avatar virtual.

ConclusoConcluso

Os Mdicos Dentistas, semelhana de outros prestadores de cuidados de sade, tm geralmente uma conceo errada de como abordar e comunicar com pacientes surdos e podem, por isso, provocar graves mal-entendidos quando esta comunicao falha, perpetuando a ideia negativa que estes pacientes tm acerca desta classe profissional. Estes profissionais podem tambm desconhecer algumas particularidades destes pacientes, como por exemplo patologias ou dispositivos mdicos associados surdez.

De modo a ultrapassar esta falha, as instituies de ensino superior devem incluir no seu programa curricular a contextualizao sobre regras de conduta perante a cultura surda e, se possvel, algum grau de formao bsica em lngua gestual. Os profissionais j formados devem procurar obter estes conhecimentos junto das instituies ou organizaes que lhes fornecem formao contnua de modo a poder proporcionar os melhores cuidados possveis aos seus pacientes.

Existe ainda alguma dificuldade em retratar fielmente a realidade sobre este tema em Portugal, fato que pode ser mitigado pela aplicao de ferramentas estatsticas ou de recenseamento que incluam dados sobre a populao surda portuguesa e a sua experincia no acesso aos servios de sade. H ainda muito trabalho que pode ser feito na rea da Medicina Dentria com vista a facilitar o acesso destes pacientes aos seus servios e garantir tratamentos de qualidade. Esta monografia pode ser um ponto de partida para os interessados em desenvolver este tema.

Por ltimo, importante esclarecer ou relembrar que havendo esforo da parte dos intervenientes (mdico dentista e paciente), possvel estabelecer uma comunicao adequada e prestar um tratamento informado e esclarecido.

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AnexosAnexos

Anexo AAnexo A Brochura

(29)

ndice

Preveno e Higiene Oraliv

Crie Dentria e Dentisteriavi

Branqueamento dentrioviii

Periodontologiax

Mau hlitoxii

Endodontiaxv

Cirurgia Oralxvii

Cancro Oralxix

Prteses dentriasxxi

Prteses removveisxxi

Prteses fixasxxiv

Implantes dentriosxxvii

Ortodontiaxxx

Sade oral na grvida e no bebxxxii

Sade oral na crianaxxxiv

Sade oral sniorxxxvi

Preveno e Higiene Oral

1. Quais as vantagens da higiene oral diria para a sade?

Ajuda a manter os dentes e gengivas com sade e evitar a maior parte das doenas da boca;

Ajuda a mastigar bem todos os alimentos;

Ajuda a dizer bem todas as palavras;

Pode manter um sorriso bonito.

2. Quando devo ser consultado pelo mdico dentista?

Pelo menos uma vez por ano;

Assim que o primeiro dente nascer;

Prevenir sempre mais fcil que tratar.

3. Qual a melhor dieta para continuar com os dentes mais saudveis?

Deve ser simples, variada e equilibrada;

Evitar comer doces fora das horas das refeies de preferncia s sobremesa.

4. Sabe um truque para manter os seus dentes saudveis?

Tcnica 2x2x2

2 vezes por dia

2 minutos a escovar

2 horas sem comer a seguir escovagem e s refeies principais.

5. Quando devo mudar a minha escova dos dentes?

A cada 3 meses ou quando os plos da escova perderem a forma.

Que instrumentos devo usar para escovar os dentes?

Escova e pasta;

Fio ou fita dentria;

Escovilho.

6. Como fazer a higiene da boca?

Primeiro deve usar o fio/fita dentria ou o escovilho para tirar os restos de comida que podem ter ficado presos entre os dentes;

Depois colocar na escova uma quantidade pequena de pasta (do tamanho de uma ervilha);

Escovar todos os dentes, de trs para a frente, em cima e em baixo;

Fazer movimentos em crculo com a escova por todo o dente e fazer o mesmo com o dente a seguir indo de um lado da boca at ao lado contrrio;

No fim deve escovar a parte de cima da lngua com a escova de trs para a frente.

7. Como usar o fio dentrio?

Deve usar cerca de 40cm de fio;

Enrole as pontas volta dos dedos do meio das suas mos;

Deve segurar o fio com os polegares e os indicadores;

Com a ajuda desses dedos, passar o fio no espao entre os dentes e retirar os restos de comida e placa bacteriana desse espao.

8. Conselhos muito importantes!

Quando no tem sade oral, no est de perfeita sade;

Manter a sade oral em bom estado ajuda a ter uma vida melhor e mais longa;

A preveno sempre a forma mais barata de preveno dos problemas;

Quanto mais adiar o tratamento, mas difcil este se torna;

Ter os dentes bem alinhados ajuda a manter uma postura do corpo equilibrada.

Crie Dentria e Dentisteria

1. O que a crie dentria?

Quase 9 em 10 pessoas tm esta doena;

Causada por bactrias;

Pode destruir a parte ou a totalidade de um dente;

As bactrias so ajudadas pela alimentao m (muitos doces) e por lavar mal os dentes;

Pode causar infees que afetam sade das pessoas.

2. Como aparece a crie dentria?

Quando a comida tem acar simples (doces, bolos, chocolates, gomas, etc..) as bactrias vo comer este acar e fazer cido que destri os dentes.

Este processo mais rpido quando comemos estes acares fora das refeies ou noite antes de deitar.

3. Os dentes so afetados todos da mesma forma?

No.

Os dentes so mais sensveis quando aparecem na boca porque ainda so jovens.

Os dentes de trs tm vales onde a comida fica presa com mais facilidade e por mais tempo e so mais difceis de limpar.

4. Porque que as cries podem causar dores fortes nos dentes?

normal a crie comear devagar e quando comea aparece uma mancha branca na parte de fora dos dentes (o esmalte). Com o tempo esta mancha pode transformar-se num pequeno buraco (cavidade). Atravs desta cavidade as bactrias entram na parte intermdia do dente a dentina.

A dentina mais mole e menos resistente s bactrias e facilita o avano da crie.

Com cavidades pequenas pode no haver dor. Com cavidades mais fundas pode haver desconforto, mau hlito e dor: causada (pelo frio, calor ou alimentos doces) ou doer de repente com muita intensidade.

5. Como posso saber se tenho crie dentria?

Se capaz de sentir uma cavidade ou falta de parte do dente provvel que tenha uma leso de crie avanada.

Cries em fase inicial so difceis de descobrir e normalmente s os mdicos dentistas so capazes.

Deve estar atento a alteraes de cor como manchas de cor branca, amarela, castanha ou preta nos vales dos dentes. Cries entre os dentes podem ser descobertas caso o fio dentrio fique preso ou se estrague ao passar entre esses dentes.

6. Que cuidados devo ter para prevenir a crie dentria?

Escovar corretamente os dentes duas vezes por dia depois de comer.

A escovagem da noite a mais importante e no deve comer depois desta escovagem.

Deve usar o fio dentrio pelo menos uma vez por dia de preferncia noite antes de dormir.

Fazer refeies equilibradas e evitar petiscar entre refeies.

Se no conseguir escovar a seguir refeio pode mastigar uma pastilha elstica sem acar mas isto nunca vai substituir a escovagem!

Visite o seu mdico dentista frequentemente.

7. O que a Dentisteria?

a rea da medicina dentria que trata as leses dos dentes.

Utiliza materiais que substituem a estrutura do dente perdido (materiais restauradores).

8. Que tipos de materiais restauradores existem?

Materiais da cor dos dentes (resinas compostas) que tm a vantagem de ser estticos (bonitos) e aplicados diretamente, numa s consulta.

Em dentes de trs pode usar-se amlgama de prata, que uma liga metlica.

Se o dente estiver muito destrudo, o melhor tratamento pode ser uma prtese feita em laboratrio, fixa, que envolve mais consultas para a sua concluso.

9. O amlgama dentrio pode fazer mal sade?

No. J se usa h mais de 100 anos e nunca se encontrou uma relao direta entre restauraes de amlgama e desenvolvimento de doenas sistmicas.

10. Devo substituir as restauraes escuras em amlgama por outras mais estticas?

Depende.

Apenas obrigatrio se a restaurao tiver problemas (fratura, crie).

Pode ser trocada por motivos estticos.

11. Um dente escurecido por restaurao em amlgama pode ficar melhor se trocar a restaurao por uma em resina composta?

Uma restaurao antiga em amlgama pode escurecer o dente.

Ao trocar essa restaurao por uma em resina composta pode melhorar o problema.

Pode ser preciso desgastar muito o dente para remover algumas manchas, o que no adequado muitas vezes.

12. Uma restaurao em resina composta dura o mesmo que uma em amlgama?

Restauraes em amlgama ou ouro podem durar 10 a 20 anos.

Restauraes em resina composta podem durar cerca de 8 anos.

13. Como cuidar das restauraes?

Deve controlar diariamente a higiene oral.

Visitar o seu mdico dentista regularmente.

14. Alguma comida ou bebida pode mudar a cor dos materiais estticos?

Os pigmentos existentes nas comidas ou bebidas podem mudar a cor destes materiais.

O caf, o ch, as colas (refrigerantes) e o tabaco podem acelerar este processo.

Devemos evitar estes produtos, principalmente nas horas a seguir a realizar uma restaurao destas.

Branqueamento dentrio

O branqueamento dentrio

A rea da dentisteria esttica uma das formas mais equilibradas e com melhor relao custo/benefcio, podendo tratar uma grande parte da populao com efeitos estticos rpidos. Por isso, os branqueamentos dentrios esto a tornar-se mais relevantes e populares.

Um dos princpios bsicos dos prestadores de sade executar os tratamentos mais adequados e prevenir danos causados pelos prprios atos mdicos. Assim importante informar os pacientes sobre tcnicas mais eficazes e seguras e desmascarar alguns conceitos e mtodos criados por estratgias de venda e publicidade e muitas vezes sem serem provados pela cincia.

1. Os branqueamentos dentrios so eficazes e seguros?

Existem diversos materiais e tcnicas de branqueamento que permitem resultados eficazes e seguros se forem selecionados e usados de maneira correta.

Os produtos de venda livre (disponveis em supermercados, farmcias, TV-shops, etc.) publicitados como branqueadores no devem ser utilizados por serem pouco seguros: a sua eficcia menor e no tm certificao nem controlo de qualidade.

H tambm tcnicas utilizadas somente por profissionais que, apesar da sua eficcia potencial, no esto devidamente estudadas no que se refere sua segurana a mdio e longo prazo.

2. Que materiais e tcnicas de branqueamento podem ser utilizados?

Pelas razes apresentadas acima j exclumos a utilizao de produtos de venda livre;

As tcnicas utilizadas por profissionais podem ser distinguidas, de modo geral, com base nas concentraes dos produtos qumicos usados e na sua forma de aplicao;

Esta concentrao pode variar num intervalo muito amplo (cerca de 10 vezes);

A sua aplicao pode ser:

Em casa, diretamente pelo paciente;

Em casa, pelo paciente usando um aparelho adaptado aos seus dentes feito por um profissional;

Direta, em consultrio, feita por profissionais e mais intensa;

Os produtos usados em casa tm menor concentrao e podem ser aplicados por perodos entre 1 a 6 horas por dia durante vrios dias ou semanas;

Os produtos usados em consultrio tm maior concentrao e devem ser aplicados por profissionais em ambiente controlado.

3. Quais devem ser usados?

A escolha depende principalmente do paciente: do seu estado clnico, das suas expectativas e da rapidez pretendida;

O profissional deve aconselhar a tcnica mais correta sempre com base na relao eficcia/segurana;

De um modo geral o tratamento em casa com produtos de baixa concentrao, receitados e com instrues e controlo dos profissionais eficaz e seguro a mdio e longo prazo;

A utilizao de produtos com maior concentrao por profissionais em consultrio, apesar de eficaz, ainda no tem suporte cientfico que garanta a sua segurana, pelo menos em certas condies clnicas.

4. So necessrias luzes de LASER ou de outro tipo para branquear os dentes?

As luzes no tornam os dentes mais brancos;

As luzes apenas aceleram o efeito branqueador dos produtos qumicos utilizados;

Esta vantagem potencial pode no ser percetvel;

As luzes que provocam calor, apesar de acelerarem muito a reao qumica, podem ser lesivas para a polpa (nervo) dos dentes saudveis.

5. A quem pode ser feito a um branqueamento dentrio?

Em princpio, qualquer pessoa com bom estado de sade oral;

Pacientes com problemas dentrios (cries, desgastes, sensibilidade aumentada, etc.) podem precisar de tratamentos antes de fazer o branqueamento;

Os jovens e adolescentes podem fazer branqueamentos mas com cuidados especiais;

Pessoas com restauraes e prteses na boca podem ter de as substituir depois do branqueamento para equilibrar a cor dos dentes; os produtos de branqueamento no atuam na cor dos materiais destas prteses e restauraes.

6. Que efeitos secundrios podem surgir?

Os efeitos secundrios, nos dentes e nas gengivas, esto relacionados com a concentrao dos produtos, a sua forma de aplicao e as condies de cada paciente;

Os mais frequentes so a sensibilidade dentria e algum desconforto gengival que desaparece normalmente ao interromper o tratamento;

A aplicao incorreta dos produtos de maior concentrao pode provocar leses mais graves e duradouras.

Periodontologia

1. O que so doenas periodontais?

So doenas que afetam os tecidos que envolvem e do suporte aos dentes;

Incluem a gengiva, osso e outras estruturas que mantm os dentes bem seguros nos maxilares;

H dois grandes grupos:

Gengivites h inflamao da gengiva (camada mais superfcie) mas so fceis de tratar e os tecidos (gengiva, etc) recuperam completamente;

Periodontites as estruturas mais profundas so destrudas e h perda de osso, sem dor e pode levar perda de dentes se no for tratada.

2. Qual a causa destas doenas?

A causa mais frequente so as bactrias;

As bactrias que vivem na boca formam uma placa na superfcie dos dentes e junto gengiva (sulco gengival);

Quando o nmero de bactrias muito grande, causa doenas periodontais.

3. As doenas periodontais passam de pais para filhos? (So hereditrias?)

Para haver doena preciso haver bactrias;

A doena pode ser mais ou menos grave e pode depender de caractersticas genticas/hereditrias.

4. Com que idade comeam estas doenas?

So mais frequentes em adultos, por volta dos 30 anos;

Geralmente, se o paciente for mais jovem, mais provvel ter uma forma mais grave da doena e precisa de mais cuidados;

Raramente afetam crianas mas quando isso acontece, so um perigo grave para os dentes e para a sade geral;

So das doenas mais frequentes na raa humana;

A gengivite afeta quase toda a populao;

A periodontite afeta quase metade dos adultos com mais de 35 anos.

5. Como sei que a minha gengiva est doente?

Os sintomas so:

Sangrar das gengivas durante a escovagem ou sem razo aparente (espontneo);

Aparecer pus nas gengivas;

Aparecer mau hlito ou mau sabor na boca;

Gengiva muito vermelha;

A gengiva comear a baixar;

Os dentes ficarem com posies diferentes;

Os dentes comeam a abanar;

Se tiver algum destes sinais deve consultar o seu mdico dentista que pode avaliar e fazer o diagnstico.

6. normal que a gengiva sangre?

No;

Sangrar das gengivas o primeiro sinal que algo no est bem;

Uma gengiva que sangra pode ter gengivite (menos grave) ou uma periodontite (mais grave);

Algumas doenas e alguns medicamentos fazem com que seja mais fcil sangrar das gengivas.

7. Quando os dentes comeam a abanar e h doena periodontal, podem ficar bons outra vez?

Quando abanam pouco, podem melhorar depois do tratamento;

Contudo, nunca param de abanar completamente porque o osso que se perdeu por causa da periodontite no volta a crescer;

Por estas razes o diagnstico deve ser feito o mais cedo possvel.

8. A doena periodontal tem cura?

O tratamento consegue parar o avano da doena mas no consegue recuperar os tecidos que se perderam;

A periodontite uma doena para a vida (crnica);

A periodontite precisa de cuidados frequentes (para manuteno) seno pode avanar mais;

Nos casos mais graves pode no ser possvel parar a doena mas apenas ter um avano mais lento;

Os casos mais graves so:

Casos que aparecem em crianas ou adultos jovens;

Pessoas que fumam mais de 20 cigarros por dia;

Algumas doenas (como a diabetes no controlada, por exemplo).

9. Como se tratam estas doenas?

O objetivo do tratamento eliminar as bactrias e controlar os fatores que diminuem a resistncia a estas doenas (tabaco, diabetes, medicamentos, etc.);

Nas gengivites basta melhorar a higiene e fazer um tratamento que possa evitar a doena (profilaxia), rpido e fcil;

Nas periodontites h vrias fases:

Estudo inicial para fazer diagnstico e criar um plano;

Fase bsica remover a placa bacteriana;

Em alguns casos pode ser preciso fazer uma pequena cirurgia;

Depois de ter a doena controlada faz-se a fase de tratamento de manuteno (manter a doena controlada).

10. Basta escovar os dentes para prevenir a doena periodontal?

No;

A escova no chega aos espaos entre os dentes;

Para remover a placa bacteriana destes espaos deve usar fio dentrio ou escovilhes interdentrios;

Pode ser difcil aprender a utilizar estes instrumentos (fio e escovilho);

Se sentir mau cheiro ao utilizar estes instrumentos significa que h bactrias que causam alteraes na gengiva;

Quanto mais tempo passar entre cada limpeza entre os dentes, pior se torna o cheiro.

Mau hlito

1. O que a halitose?

Halitose (mau hlito) o termo que descreve um hlito desagradvel ;

Pode ter origem em vrias alteraes na cavidade oral (boca) ou outras localizaes.

2. Qual a sua frequncia na populao?

No se conhece a frequncia (quantas vezes acontece);

Trata-se de uma situao que afeta provavelmente toda a gente, pelo menos de vez em quando e de forma transitria (aparece e desaparece) e apresenta consequncias sociais, afetivas e psicolgicas.

3. Qual a principal origem da halitose?

Na maioria dos casos tem origem na boca;

Pode ser o primeiro sinal de uma doena sistmica.

4. Quais as causas principais que originam a halitose?

Podemos dividir as vrias causas em trs grupos:

Causas orais;

Causas externas;

Causas relacionadas com outras reas.

5. Causas orais

M higiene oral;

Presena de cries;

Doenas das gengivas;

Ulceraes (feridas) orais;

Infees orais (devido a bactrias, vrus ou fungos;

Prtese dentrias com m higiene oral;

Diminuio da quantidade de saliva;

Cancro oral;

Alguns estudos associam presena de bactrias que degradam produtos que contenham enxofre e como resultado libertam produtos sulfurosos que do a noo do mau cheiro.

6. Onde se encontram estas bactrias?

As bactrias encontram-se em toda a cavidade oral;

Devido sua grande rea e estrutura a lngua parece formar um ambiente ideal para as bactrias;

As bactrias utilizam os produtos presentes na lngua (restos de comida, clulas, saliva, etc.) para produzir compostos sulfurosos.

7. Quais as causas externas?

As principais causas externas esto ligadas ingesto de certos alimentos durante o nosso dia a dia (por exemplo o alho e a cebola) que tm efeito direto e sistmico no nosso hlito;

Qualquer fator que diminua o fluxo salivar (quantidade de saliva presente na nossa boca e velocidade com que produzida) como o lcool, tabaco e certos medicamentos, agrava o mau hlito.

8. O que o hlito matinal?

Durante a noite, ao dormir, produzimos menos saliva e passamos vrias horas sem ingerir lquidos e alimentos, por isso normal que s vezes se sinta um hlito mais intenso.

9. Quais as causas relacionadas com outras reas?

A otorrinolaringologia (rea da medicina relacionada com ouvidos, nariz, laringe, faringe, etc.) pode ser considerada a segunda rea de maior importncia associada halitose o que se deve, por exemplo, ocorrncia de sinusite ou de corpos estranhos no nariz em crianas;

H causas pouco frequentes que tm origem nos pulmes, estmago, fgado e rins;

Pode existir uma relao entre mau-hlito e doenas no estmago e do sistema digestivo;

O mau hlito pode tambm surgir por causa de doenas e alteraes gerais como por exemplo a diabetes, falta de vitaminas, falta de gua (desidratao) e at o ciclo menstrual.

10. Temos sempre uma noo correta do nosso hlito?

Muitas vezes no;

s vezes podemos estar menos sensveis por causa da habituao;

Noutras vezes podemos ter uma ideia mais exagerada e isso pode dever-se a:

Publicidade acerca do mau-hlito que torne as pessoas mais sensveis a esse problema;

Noo de mau sabor na boca;

Crianas com pais com mau hlito podem crescer a pensar que tambm tm esse problema;

Se no passado j houve uma chamada de ateno por causa do mau hlito a pessoa pode continuar preocupada.

11. Como que um mdico dentista pode diagnosticar o meu mau hlito?

Num diagnstico adequado h recolha de histria clnica e um exame intra e extra oral (dentro e fora da boca);

O seu mdico dentista pode ainda usar exames complementares tais como testes saliva, testes de pesquisa de micrbios e usar aparelhos especiais para o medir.

12. Como se pode prevenir o mau hlito?

Geralmente o mau hlito pode ser prevenido com uma boa higiene oral;

A higiene oral tem de incluir:

Escovar os dentes;

Fazer limpeza entre os dentes (com fio dentrio por exemplo);

Fazer a limpeza da lngua (com raspadores linguais, por exemplo);

Deve ingerir gua suficiente para manter uma hidratao correta durante o dia;

Pode usar ainda elixires que o seu mdico dentista lhe recomende e que ajudam na preveno e tratamento da halitose.

13. Como posso avaliar o meu hlito?

Avaliao global: coloque as mos em frente boca em forma de tigela, inspire (respirar) pelo nariz e cheire o ar depois de expirar (soltar o ar) pela boca;

Teste de lamber o pulso: pode fazer este teste sozinho ou pedir ajuda a outros; deve lamber o seu pulso e depois de 5 segundos e a 3 centmetros de distncia, quem vai examinar pode avaliar o cheiro.

Teste da colher: raspe a parte de cima (dorso) da sua lngua com uma colher plstica, removendo a placa bacteriana e resduos presentes e analise o cheiro que fica na colher;

Avaliao olfativa (do cheiro) por uma pessoa amiga ou cnjuge: o melhor mtodo apesar de muitas pessoas no se sentirem vontade para o usar; essa pessoa pode ainda ajudar a avaliar os fatores que causam o mau hlito e deve participar no diagnstico e de avaliao do tratamento.

Endodontia

1. O que a endodontia?

A palavra endodontia tem origem na lngua grega e significa: dentro (endo) do dente (dontia);

Dedica-se s doenas da polpa dentria (rgo conhecido como o nervo do dente) e tecidos que rodeiam as razes e o seu tratamento;

A polpa dentria ocupa canais na parte de dentro do dente canais radiculares;

Antigamente, os dentes com problemas na polpa dentria eram extrados;

Hoje em dia os tratamentos disponveis permitem quase sempre salvar estes dentes.

2. Que acontece quando surge uma dor com origem num dente?

A maior responsvel pela origem da dor de dentes a crie dentria;

Quando a cavidade causada pela crie chega a zonas mais profundas do dente, a polpa dentria fica inflamada e normalmente surgem dores causadas pelo frio;

Se esta agresso continuar a polpa perde a capacidade de defesa e recuperao;

Neste estado (irreversvel), h normalmente dores intensas e que duram muito tempo provocadas pelo frio, quente ou at que surgem de repente durante a noite;

Nesse caso preciso remover a polpa dentria, ou seja, fazer um tratamento endodntico.

3. Que acontece quando surge um abcesso?

Quando aparece dor espontnea (de repente), na maior parte das vezes significa que a polpa dentria encontra-se a morrer e as bactrias comeam a invadir essa parte do dente;

Essa invaso das bactrias provoca uma infeo que se alastra para o osso em volta do dente, podendo causar um abcesso.

4. Em que consiste um tratamento endodntico no cirrgico?

O objetivo de um tratamento endodntico no cirrgico (desvitalizao) garantir que os tecidos volta do dente mantenham ou recuperem o estado saudvel;

O tratamento comea com uma anestesia e abertura de uma pequena cavidade no dente para aceder ao seu interior;

De seguida desinfetam-se os canais e altera-se a sua forma utilizando instrumentos que podem ser manuais ou mecnicos;

Termina-se o tratamento ao preencher os canais com um material prprio;

Depois do tratamento endodntico o acesso (cavidade) selado.

5. Aps a endodontia (desvitalizao), quanto tempo devo esperar at restaurar o dente?

Depois do tratamento endodntico os canais ficam preenchidos e selados;

A cavidade feita para o acesso do tratamento na parte visvel do dente deve ser restaurada definitivamente no prazo mximo de um ms para garantir a proteo e resistncia total do dente.

6. O que acontece se no fizer a restaurao em tempo til?

Se no restaurar o dente no prazo de um ms, a restaurao provisria (temporria) poder estragar-se e/ou sair, o que pode expor o tratamento e causar uma nova infeo;

Como na maior parte dos casos o dente que teve o tratamento j possui pouca estrutura saudvel na coroa (parte visvel do dente) pode haver fratura, tornando a restaurao impossvel e obrigando a extrair (tirar) o dente.

7. Quanto tempo dura um dente tratado por endodontia?

Um dente tratado com o objetivo de durar toda a vida; no entanto, aps o tratamento no fica imune (resistente) a novas cries;

Alm disso, ao perder a polpa dentria (nervo), o dente deixa de doer e de ser capaz de sinalizar as agresses dentrias;

Assim, essencial fazer consultas peridicas de controlo no mdico dentista.

8. No ser prefervel extrair o dente e substitu-lo com prtese?

No tome a deciso de extrair um dente sem antes discutir com o seu mdico dentista todos os benefcios e desvantagens das opes de tratamento disponveis.

O custo e simplicidade de uma extrao dentria podem ser atrativos mas substituir um dente extrado por um dente artificial ser quase certamente mais complexo e dispendioso do que fazer um tratamento endodntico e reabilitar o dente afetado.

9. O que um retratamento endodntico?

uma opo de tratamento quando um tratamento endodntico prvio falhou;

Geralmente tem um grau elevado de dificuldade;

Alguns problemas do tratamento prvio podem no ser corrigveis; nesse caso a microcirurgia endodntica pode ser uma alternativa de recurso.

Cirurgia Oral

1. O que a Cirurgia Oral?

Especialidade da medicina dentria;

Diagnostica e trata doenas, leses e anomalias dos dentes, boca, maxilares e estruturas anexas atravs de cirurgia.

2. O que que faz?

O seu campo de ao clnico grande:

Extrair (arrancar) dentes presentes na boca ou inclusos;

Cirurgia endodntica (ver folheto de endodontia);

Cirurgia de quistos ou tumores;

Cirurgia periodontal (dos tecidos que suportam os dentes);

Implantologia (cirurgia de implantes);

Cirurgia pr-prottica (preparar a boca para que seja colocada uma prtese);

Cirurgia de leses infeciosas;

Traumatologia oral (quando se partem ossos da face, por exemplo).

3. O que um dente incluso?

um dente que no nasce e fica no interior dos tecidos da boca (osso ou mucosa) mesmo depois da altura normal.

Os mais comuns so os dentes do siso (3os molares), principalmente os inferiores.

4. Como posso saber se tenho um dente incluso?

Geralmente o diagnstico s pode ser feito com exames de raios-X;

H vrios mtodos, sendo que o seu mdico dentista selecionar o(s) mais indicado(s).

5. Tenho um dente incluso. Devo extra-lo?

No existe uma regra geral para esta deciso;

Diferentes critrios so ponderados dependendo de cada situao clnica;

Fale com o seu mdico dentista.

6. As cirurgias na boca (atos de cirurgia oral) causam dor?

Graas evoluo da medicina dentria o desconforto causado por qualquer acto cirrgico agora muito pequeno;

Existe trauma em todos eles mas podem ser minimizados;

Deve haver uma boa preparao com recolha da histria clnica, diagnstico e planificao da cirurgia.

Uma boa anestesia, uma tcnica que cause o menor trauma possvel e medicao posterior eficaz permitem um grande nvel de conforto durante a aps a cirurgia.

7. O que devo fazer antes de uma cirurgia oral?

Se estiver planeada uma anestesia local durante a cirurgia, deve evitar um perodo longo de jejum na hora da cirurgia;

Apenas se estiver planeada uma anestesia geral deve estar em jejum vrias horas antes;

O seu mdico dentista deve dar-lhe as indicaes necessrias.

8. O que devo fazer depois de uma cirurgia oral?

Aps a cirurgia muito importante ter alguns cuidados para minimizar algumas marcas (sequelas) e melhorar a cicatrizao.

Geralmente deve:

Aplicar gelo no rosto sobre a regio operada, durante 5 a 10 minutos de cada vez durante as primeiras 24h; o gelo deve ser colocado num saco plstico e envolvido por um pano para evitar queimaduras;

Evitar apanhar muito sol, alimentos muito quentes e duros e esforos fsicos at remover a sutura (os pontos);

Optar por uma dieta mole ou lquida nas primeiras 24 a 48h (gelados, iogurtes, sumos, batidos, gelatina, etc.);

Descansar e dormir com a cabea mais elevada do que o resto do corpo e deitar-se sobre o lado no afetado;

Escovar normalmente os dentes e a lngua mas ter cuidado com a regio da ferida causada pela cirurgia pode usar uma escova muito macia (cirrgica) aps as primeiras 24h nesta regio;

Aps as primeiras 24h, fazer bochechos leves (com cuidado) com um elixir oral (anti-sptico) 2 a 3 vezes por dia durante um minuto;

Evitar fumar, principalmente nas primeiras 24h;

Cumprir a medicao prescrita (recomendada).

9. O que fazer se tiver uma hemorragia (se sangrar)

normal sentir um sangramento ligeiro nas primeiras 24h;

Se sangrar intensamente (hemorragia), deve dobrar uma ou mais compressas de gaze esterilizada, colocar sobre a regio que est a sangrar e segur-las fechando a boca at controlar a hemorragia;

Se precisar de aplicar mais compressas no remova a primeira, aplicando outra sobre esta; aplique gelo e evite deitar-se;

Se a hemorragia continuar contacte o seu mdico dentista.

Cancro Oral

1. O que o cancro oral?

O cancro oral engloba o conjunto de tumores malignos que afetam qualquer localizao da boca, dos lbios garganta (o que inclui as amgdalas e a faringe);

So mais frequentes no pavimento da boca (mucosa abaixo da lngua), parte lateral da lngua e palato mole;

Mais de 90% afetam o epitlio (revestimento) da mucosa oral e chamam-se carcinomas;

Os restantes correspondem a formas raras de tumores (incluem linfomas, sarcomas, melanomas, etc.);

O cancro oral tem ndices de mortalidade elevados, muito por causa do seu diagnstico que se faz tarde.

2. O cancro oral frequente?

O carcinoma (cancro) da cabea e do pescoo representa cerca de 2.8% de todos os cancros e o 6 cancro mais comum em todo o mundo;

mais frequente nos homens, acima dos 45 anos de idade e o risco aumenta muito at aos 65 anos.

3. Quais os fatores de risco do cancro oral?

Os principais so o