of 575/575
1

OS NOSSOS MODELOS - Instituto de los … · Web viewQuero terminar esta circular, expressando-lhes “o meu credo”. Creio que o Espírito acendeu em Marcelino o amor apaixonado

  • View
    214

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of OS NOSSOS MODELOS - Instituto de los … · Web viewQuero terminar esta circular, expressando-lhes...

OS NOSSOS MODELOS

PAGE

2

Apresentao

Este livro visa oferecer uma viso global dos nossos modelos de santidade marista. At o presente, muito se publicou sobre as nossas causas, mas nada ainda que permita um conhecimento de conjunto de tais causas, da sua natureza e mesmo do seu nmero.

O livro versa dois temas que se alternam. O primeiro uma reflexo acerca da santidade em geral e das exigncias da Congregao para as causas dos santos ao longo do percurso at a canonizao.

O segundo tema, muito mais importante, apresenta os nossos modelos de santidade marista, que so os confessores: Marcelino, Francisco, Alfano, Baslio; em seguida comparecem os nossos numerosos mrtires, pouco conhecidos, mas to tipicamente maristas. As ltimas pginas do lugar tambm aos Irmos cuja causa no foi introduzida e que so considerados com ateno e reconhecimento por muitos Irmos, como o Irmo Chris Mannion, o Irmo Estevo Ruesa, os quatro Irmos de Bugobe e os nossos mrtires da China, ademais do Irmo Marie-Nizier, amigo ntimo de so Pedro Chanel, e que segue na frente de todo este grupo.

A descoberta dos nossos modelos vai levar-nos ao de graas: Deus, realmente, abenoou a nossa Congregao. Compreendemos que esses modelos no so seno a ponta do iceberg da santidade marista. Na humildade do cotidiano, o Esprito de Deus est em atividade e muitos Irmos, leigos maristas, antigos alunos e alunos dizem sim a este Esprito que cria os santos.

Por fim, estas pginas podem tambm ajudar-nos a rezar com esses Irmos que nos precederam no caminho marista em que hoje andamos. Eles nos recordam isto: fazer-se Irmo comprometer-se a se tornar santo.

Janeiro de 2010.

ndice das matrias

Apresento

2

M. Champagnat, fundador

5

Ir. Francisco Gabriel Rivat

20

Ir. Alfano, Joseph Carlo Vaser

30

Ir. Basilio Rueda Guzmn

42

Ir. Lycarion

61

Bernardo Fbrega Juli

66

A noite dos mrtires: Laurentino etc.

76

El grupo del H. Crisanto

154

Os nossos mrtires de Las Avellanas

155

Os Irmos da comunidade de Toledo

163

Os nossos Irmos mrtires de Valencia

171

Os Irmos mrtires da comunidade de Vich

179

O Irmo Jos de Arimatea

184

Irmo Aureliano

190

Irmo Guzmn e confrades de Mlaga

194

Os nossos mrtires de Madrid

197

Os quatro mrtires de Chinchn

211

Trs violetas: os mrtires de Torrelaguna

215

Os nossos Irmosde Villalba de la Sierra

220

Vtimas nossas de Cabezn e de Carrejo

225

Um tmulo: 60 mrtires, Barruelo de Santulln

230

Um mrtir fora de srie: Irmo Benedicto Andrs

233

Os Irmos Valente Jos e Eloy Jos

236

Morrer juntos, mestre e discpulo: Ir. Milln

240

A morte de um humilde: Irmo Luis Firmn

244

Roupeiro, jardineiro e pedreiro testemunham o Cristo

247

Irmo Pablo Daniel

252

A causa do Irmo Eusebio e 58 outros confrades

256

Os nosos Irmos da Oceania

272

Os nossos mrtires da China

279

Irmo Henri Vergs

342

Os nossos Irmos da frica

352

MARCELINO CHAMPAGNAT

FUNDADOR DOS PEQUENOS IRMOS DE MARIA

A descoberta do homem de corao sem fronteiras

Voc tem nas mos a vida de um homem sem fronteiras: Marcelino Champagnat. Boa ocasio para voc achegar-se a ele, tornar sua a pessoa dele, com o seu esprito, com a sua misso e corao.

convite para voc acolher a vida e a mensagem dele como novo ideal. Para voc descobrir o jeito de Deus num homem de carne e osso como voc e como eu. Ele deixou marcas, porque se entregou nas mos amorosas de Deus; porque soube estar aberto s necessidades do tempo; porque soube responder com audcia ao projeto de Deus em sua vida; porque arriscou sem medo, porque construiu sobre a rocha, porque buscou sempre a vontade de Deus.

risco, porque voc no sabe at que ponto vai ser levado. A vida dele um tesouro, que estamos chamados a compartilhar como dom e graa do Senhor, vida que nos vai interpelar e questionar para no ficarmos indiferentes perante o mundo, como se tudo j estivesse feito. A vida de Marcelino para cada um de ns uma aventura, porque estamos chamados a reviv-la criativamente.

ideal, porque evidente que depois que voc descobrir esse homem, ele vai comunicar-lhe o seu ideal. Voc ter o corao transbordante de esperana e coragem. Marcelino homem que transmite coragem e energia. D vontade incrvel de parecer-se com ele, pelo menos parcialmente. Depois de conhec-lo, voc vai gostar dele, porque o corao e os gestos dele cativam e criam laos de amizade.

convite que fao a voc: chegue mais perto desse homem, que Amigo, porque a felicidade dele estar junto com as crianas e jovens, porque convive na simplicidade. Marcelino educador pela presena e pelo amor: sempre com as crianas no corao. Para educar preciso ter amor e passar muito tempo no meio das crianas e dos jovens.

Apstolo, porque a paixo da vida dele foi tornar Jesus conhecido e amado: No posso ver uma criana sem desejar dizer-lhe quanto Deus lhe tem amor. Foi uma resposta concreta a tanta ignorncia religiosa da juventude do seu tempo. Foi da que nasceram todas as escolas que fundou para educar cristmente as crianas pobres da zona rural.

Pai e Fundador: Pai de irmos, fundador dos Pequenos Irmos de Maria, simples e pobres: nascidos dos braos da Boa Me, porque Ela que tudo fez entre ns. Somos propriedade de Maria; por isso temos o nome dela.

Quando entra, todos os olhares se voltam para ele. H um delrio de jubilo indescritvel. Todos se levantam instantaneamente, como um s homem. Descontraem-se os semblantes, todas as fisionomias traduzem felicidade. A comunidade em peso volta-se para ele e exclama: o padre Champagnat, nosso bom pai! (Cf. Vida, Ed. Do Centenrio, p. 135)

Gosta de ficar junto dos seus irmos e os ama com extremos de ternura. Sabem que s vivo para vocs; no h nenhum bem verdadeiro que eu no pea diariamente para vocs e que eu no esteja disposto a conseguir s custas dos maiorres sacrifcios. (Vida, 41).

Santo porque fez a experincia de Deus na sua vida; Deus pde atuar na historia por meio dele. A generosidade e a disponibilidade de Marcelino foram a resposta ao convite do Senhor.

A experincia de sentir-se guiado pelo Esprito e cativado pelo amor de Jesus e de Maria para com ele e para com os outros e, ainda mais, a sua abertura aos acontecimentos do seu tempo (C.2) fazem de Marcelino um santo para hoje, para cada um de ns, que lhe temos profundo amor, e para a Igreja, que reconhece e confirma a sua santidade e no-lo prope como modelo, como vereda de santidade no incio do novo seculo. Marcelino Champagnat, homem sem fronteiras para os cristos. Marcelino Champagnat, ideal evanglico de vida para nossos dias. Marcelino Champagnat, santo para os dias de hoje. Faa por descobri-lo e seguir-lhe as pegadas.

Os grandes momentos da vida

Em 20 de maio de 1789, nasceu na aldeia de Rosey, Marlhes, Frana. No batismo recebeu o nome de Jos Bento Marcelino.

Em 1805, Marcelino entrou no seminrio menor de Verrires, aos dezesseis anos. Um sacerdote que procurava jovens para o seminrio lhe havia dito: Tu deves fazer-te sacerdote, Deus o quer. As palavras de que Deus o quer ser a fora do jovem Marcelino em todas as dificuldades.

Em julho de 1816, ele ordenado sacerdote em Lio, Frana. Em 12 de agosto, como coadjutor ou vigrio, chega a La Valla.

Em 28 de outubro foi chamado cabeceira do jovem Montagne, adolescente que ignorava quase tudo de Deus e que morreu pouco depois. Marcelino leu a o sinal que Deus lhe dava para que fundasse os Irmos.

Em 2 de janeiro de 1817, fundou a Congregao em La Valla.

Em 1824, ele construiu lHermitage.

Em maio de 1825, a comunidade se estabeleceu em lHermitage.

Em fins de dezembro de 1826 e janeiro de 1826, Marcelino adoeceu gravemente. O ano foi de grandes provaes: Courveille e Terraillon, dois sacerdotes, deixaram lHermitage; Jean Marie Granjon, primeiro Irmo, abandonou a vocao; Marcelino enfrentou a doena, as dvidas, o desnimo dos Irmos. Encontrou grande apoio no Irmo Estanislau, cujo devotamento salvou o Fundador e a jovem Congregao.

Em 1836 e 1838, fez diligncias em Paris para a autorizao legal da Congregao.

Em 1839, aconteceu a ltima doena do Fundador.

Em 6 de junho de 1840, de madrugada, morreu em lHermitage. Fez preceder a sua morte da leitura do testamento espiritual, jia de afeio e sabedoria.

Ele deixou a Congregao com 300 Irmos, 50 escolas, 7000 alunos e grande ambio apostlica: Todas as dioceses do mundo entram nos nossos planos.

Em 1889-1891, houve o Processo ordinrio, em Lio.

Em 1920, o papa Bento XV decretou a heroicidade das suas virtudes.

Em 29 de maio de 1955, foi beatificado pelo papa Pio XII.

Em 18 de abril de 1999, o papa Joo Paulo II canonizou-o.

Cinco episdios da sua vida

1 A casa partilhada.

A direo da casa dos Irmos absorvia tempo considervel de Champagnat. Ai passava os seus recreios e todo o tempo livre de que dispunha em seu ministrio sacerdotal. Convenceu-se, porm, de que isto era insuficiente, pois os seus Irmos eram apenas novios na vida religiosa e no magistrio, e necessitavam a toda a hora da sua orientao e dos seus conselhos. Muita coisa faltaria, enquanto no se pusesse frente de sua comunidade. Essas razes e, mais ainda, o afeto que votava aos Irmos, decidiram-no a morar com eles.

Falou com o proco, que tudo fez para demov-lo: Que far voc, disse ele, no meio desses jovens? So bons e piedosos, sem dvida, mas rudes e pobres, incapazes de assisti-lo e de preparar-lhe a comida. As alegaos, mesmo verdadeiras, no influram absolutamente no nimo de Champagnat. Bem sabia que, vivendo em comunidade, deveria suportar a pobreza, a vida regular, as privaes e todos os sacrifcios da vida religiosa. Era exatamente por isso que desejava estar com os Irmos. No seu entender, o melhor meio de afeio-los vocao, lev-los ao amor da pobreza, vida regular e prtica de todas as virtudes do seu estado seria pr-se frente deles; unir sua sorte deles, identificar-se com eles, dar-lhes o exemplo e ser o primeiro a praticar antes de ensinar. Alm do mais, amava os Irmos como filhos e o seu corao de pai lhe dizia que deveria ficar no meio deles, viver com eles e como eles. (Vida de Champagnat, edio do bicentenrio, cap. 7, p. 71.)

2 O trabalho partilhado.

O Irmo Loureno, no cartrio civil Jean Claude Audras, um dos seus primeiros discpulos, fala-nos de Marcelino Champagnat com muita humildade.

O nosso bom Pai, celebrava a missa sempre de madrugada. Era inimigo declarado dos preguiosos. Ele levantava sempre muito cedo. Depois da missa, no perdia tempo. Gostava do trabalho manual; no se poupava; ele fazia sempre o trabalho mais penoso e mais perigoso. Foi ele que construiu a nossa casa de La Valla. Ns fazamos, certamente, alguma coisa; mas como no ramos peritos como pedreiros, era preciso que, a todo o instante, nos mostrasse como fazer; s vezes, era preciso recomear. Deslocar alguma pedra muito pesada era sempre com ele; dois de ns a colocvamos nos seus ombros.

Ele nunca se incomodava pelo nosso pouco jeito no trabalho; por certo no nos faltava boa vontade, mas ramos muito canhestros. No entardecer, muitas vezes, ele chegava de roupa rasgada e todo coberto de suor e poeira; mas nunca era mais contente do que quando havia trabalhado e sofrido muito. Diversas vezes, eu o vi trabalhar em tempo de chuva e neve; ns abandonvamos o trabalho, mas ele continuava e quase sempre de cabea descoberta, apesar do rigor da temperatura.

Ns ramos muito pobres no comeo; o nosso po tinha a cor da terra; mas nunca nos faltava o necessrio. O nosso bom superior, como o mais terno dos pais, tinha grande cuidado de ns. Sempre recordo quo bem ele cuidou de mim, quando estive doente em La Valla. Ele me visitava todos os dias e sempre me trouxe algo para aliviar o meu estado. Com palavras de consolo, ele me animava a sofrer com pacincia e por amor de Deus.

Quando nos falava da bondade de Deus e do seu amor por ns, punha certo acento de persuaso, para nos transmitir o fogo divino de que estava repleto, de modo que as penas e os trabalhos e todas as misrias da vida teriam sido incapazes de nos desanimar.

Ele tinha grande devoo Santssima Virgem, devoo que ele inspirava a todos; falava de Maria em todas as suas conferncias. Sempre tinha algo que dizer em louvor desta boa Me. Queria que comungssemos em todas as suas festas e que a cultussemos de forma toda particular. Dizia-nos muitas vezes: Se a Sociedade faz algum bem, se o nmero de candidatos aumenta, Santssima Virgem que devemos. a esta boa Me que somos devedores de todo o progreesso que a Sociedade realizou desde o comeo: sem ela nada teramos conseguido.

3 O po partilhado.

O Irmo Jean Pierre Martinol, diretor de Boulieu, Ardche, em 1824 visitou La Valla. No dia seguinte, na sua despedida de madrugada, o venerado Pai lhe disse: Como o Irmo cozinheiro ainda no levantou, tome este bolo que recebi como oficiante da missa solene; voc o comer pelo caminho, como almoo. _ No, Padre, replicou o Irmo. Vou lev-lo aos meus Irmos; ns o comeremos em comunidade com muita satisfao, porque tudo o que vem do senhor e da nossa casa-me de La Valla doce, agradvel e nos faz muito bem. Estou prazerosamente disposto a causar esta alegria aos meus Irmos; estou certo de que os farei vibrar de contentamento e que na hora do almoo falaremos apenas do senhor e dos nossos confrades de La Valla.

Encantado com tais sentimentos, o venerado Pai exclamou: Caro Irmo, assim voc me faz chorar de alegria; esses so os sentimentos do esprito de famlia que deve animar a todos os Irmos de Maria; conservemos com cuidado esses sentimentos e esse esprito que, assim, gozaremos em plenitude a felicidade da vida religiosa. (Avis, Leons, Sentences. Edio de 1927, p. 321-322)

4 O castigo partilhado e negociado.

Certo dia, na leitura espiritual, como eu houvesse feito barulho em colocar um quadro na minha estante, o mestre de novios, algo incitado, certamente, por alguma travessura anterior, deu-me como penitncia 1200 linhas para decorar.

Avaliando essa penitncia muito injusta, assumi o risco de ir ter com o venerado Pai, para me safar da dificuldade. Chegado ao quarto, chorando eu lhe contei detalhadamente por que vinha visit-lo. Depois de escutar-me com ateno, ele retirou uma folha de papel da gaveta, escreveu alguma linha, assinou e envelopou, aps o seu selo e me entregou, recomendando-me de ser mais silencioso. Qual era o texto da linha? Ei-lo: Quitao de mil e duzentas linhas. Agradeci da melhor forma e levei o documento ao mestre de novios. O bom Irmo, vendo a assinatura do venerado Pai, recebeu o pagamento com muito respeito e tudo terminou a.

Compreende-se que essa eqidade, que era natural ao nosso Fundador, o garantia de qualquer parcialidade e lhe ganhava o corao, a afeio e a confiana de todos os Irmos e de todos os que tratavam com ele. (Memrias do Irmo Silvestre, p. 303-304).

5 A vida partilhada.

Eu vos peo tambm, meus queridos Irmos, com toda a afeio de minha alma e por toda a afeio que tendes por mim, procederdes sempre de tal modo que a santa caridade se mantenha sempre entre vs. Amai-vos uns aos outros como Jesus Cristo nos amou. Que no haja entre vs seno um mesmo corao e um mesmo esprito. Que se possa dizer dos Pequenos Irmos de Maria como dos primeiros cristos: Vede como eles se amam. o mais ardente voto de meu corao neste ltimo momento de minha vida. Sim, meus carssimos Irmos, atendei s ultimas palavras do vosso pai, pois so as mesmas do nosso amado Salvador: Amai-vos uns ao outros. (In Testamento espiritual)

Contemplando Marcelino

1Documento do 20 Capitula Geral

Olhamos Marcelino como o filho olha o pai, aprendendo dele os valores essenciais, como se explicita em seguida.

Um homem de f, que vive na presena de Deus e que nele v o mundo; homem cativado por Jesus e por Maria, homem de orao, peregrino na f, corao apaixonado por Deus.

Um pai que cuida dos Irmos como filhos; homem cheio de vigor e de ternura, sabe cultivar a alegria e o bom humor, homem de corao paterno e materno.

Um pastor que escuta e acolhe as pessoas: apstolo de corao ardente para anunciar a Boa Nova de Jesus; amigo das crianas e dos jovens; educador que sabe ser misericordioso e exigente; pessoa criativa e audaz; corao de apstolo.

Um homem que v alm da sua poca; abraa o mundo inteiro na sua viso e prepara missionrios; algum que vive o seu ideal com tal intensidade, que muitos querem ser como ele; em suma, homem de corao sem fronteiras.

2 Irmo Sen Sammon

Cristo era a referncia nuclear na espiritualidade do Fundador. A virtude marcante de Marcelino era a simplicidade. O seu jeito direto, entusiasta e confiante transpirava grande humildade. Nunca foi descrito como pessoa pretensiosa. A espiritualidade transparente de Marcelino expressava um critianismo prtico, com o poder de nos transformar, assim como transformar o nosso mundo. (Uma Revoluo do Corao.)

Apaixonado e pragmtico

Que herana Marcelino deixou aos seus Irmos? Certamente no foi uma biblioteca de reflexes teolgicas e religiosas. A sua herana consiste no corao generoso, na paixo pelo Evangelho de Jesus, no grande bom senso e na maneira prtica de considerar a vida. Em palavras simples, ele foi homem de paixo e de ao.

A construo de lHermitage com os seus primeiros Irmos permite que vejamos alguma coisa do carter fogoso deste homem. A construo, levantada com pedras grosseiramente talhadas, revela as suas qualidades: fora, determnao, constncia. O local, no meio de jardins, campos e regatos cristalinos e as mudanas das estaes da regio, tudo sugere outros aspectos da personalidade: amor da vida, compaixo, compreenso.

A alma de Marcelino era fogo que aquecia e iluminava. A sua acolhida era sempre calorosa; era homem de corao, cheio de afeto. Sem dvida, foi essa paixo que fez dele a pessoa carismtica que todos conhecemos, e no somente para os jovens que ele atraa naturalmente, mas tambm para todos aqueles que o encontravam. ( In Um Corao sem fronteiras)

3 Do Irmo Basilio Rueda.

Quem foi Champagnat? Um homem que, de maneira dinmica e com eficcia, soube escutar os apelos dos seus contemporneos e do seu mundo. No corao aflito do Padre Champagnat ressoa a voz da ignorncia religiosa com toda uma srie de percalos, inibies e frustraes pessoais e sociais.

Sobe aos seus ouvidos o clamor de uma pedagogia deficiente, isto , maneiras infelizes de abordar as crianas e os jovens, com as seqelas de cicatrizes e fracassos educativos conseqentes.

Marcelino ouviu o grito da marginalizao rural. Soube enxergar as necessidades e votar-se, de corpo e alma, a remedi-las.

Marcelino soube aplicar a resposta. Fez-se eco ouvido por aqueles que seriam os seus discpulos e companheiros na Sociedade de Maria e na sociedade civil. Grande perito espiritual, soube sondar os coraes e adivinhar, com ouvido atento, o murmrio de Deus na alma dos jovens, para convert-los em colaboradores da sua apaixonante aventura.

Enfim, ele soube formar os seus discpulos. Se considerarmos a matria prima que usou, preciso convir que os resultados no poderiam ser melhores. Desses jovens camponeses quase analfabetos, em poucos anos e quase sem meios, fez pedagogos intuitivos, educadores que sabiam fazer-se respeitar nos vilarejos. (Quemar la vida, p. 210-211.)

4 O olhar de Irmo

Marcelino, tu foste plantado no solo do evangelho. Vemos desabrochar em ti a converso interior que transforma o ser humano na imagem de Cristo.

Marcelino, vemos crescer em ti a f em Cristo que levanta o olhar at reconhecer no rosto dos jovens o prprio rosto de Deus.

Marcelino, vemos amadurecer em ti a orao que leva proximidade cotidiana de Deus e do prximo.

Marcelino, vemos difundir-se em ti a claridade que situa espritos e coraes na nica verdade do carisma.

Marcelino, vemos desenvolver-se em ti o servio que te colocou disposio dos jovens, dos pobres e dos pequenos.

Marcelino, a paixo do evangelho te invade, ela j no te deixa tranqilo, at ao dom de ti mesmo, para que faas brilhar o conhecimento de Deus.

5 O olhar da Igreja

(Um dos prefcios propostos para a festa de Marcelino)

verdadeiramente justo dar-te graas,

belo cantar a tua glria,

Deus grande e cheio de amor,

por Cristo, teu Filho, nosso Senhor.

Tu, como Pai, no teu eterno amor,

suscitaste na tua Igreja so Marcelino,

como amigo,

como irmo

e como pai dos jovens,

para conduzi-los no caminho da vida.

Ele, Marcelino, com olhar proftico dos novos tempos,

preparou os jovens para enfrentar a vida

com honesta sabedoria e f comprometida.

Animado pelo teu Esprito,

deu nascimento a uma grande famlia,

para que ela continue no meio dos homens

a sua misso de educador e de pai.

E ns, Irmos, jovens e amigos de Marcelino,

reunidos nesta ditosa assemblia,

fazemos subir a ti, Pai,

um hino de adorao e de louvor e,

juntamente com os anjos e os santos do cu,

proclamamos a tua glria

e cantamos a imensa santidade que est em ti.

Meu Credo

Muitas vezes empregamos a expresso creio como sinnimo de uma convico to profunda que permite encarar a vida com deciso e entusiasmo. A realidade da vida nos mostra que, sem utopia, no h entusiasmo, inovao, nem f animada que nos impulsione a escolher a vida. Quero terminar esta circular, expressando-lhes o meu credo.

Creio que o Esprito acendeu em Marcelino o amor apaixonado por Jesus Cristo e o zelo ardente em propagar o seu Reino. Creio que esse o fundamento da nossa origem como famlia religiosa, porque cada vez que vejo um menino, sinto o desejo de dizer-lhe quanto Jesus Cristo o ama. E creio que esta ser sempre a medida da nossa razo de ser.

Creio que Marcelino aprendeu na escola de Maria o amor vontade de Deus. Como ela, quis fazer o bem sem alarde, na simplicidade e na humildade.

Creio que tambm hoje o Esprito e Maria sustentam a nossa vida marista, acompanhando-nos na nossa peregrinao, na nossa fidelidade e em nossas incertezas. Creio que eles nos inspiram gestos e aes que recriam o que h de mais autntico do carisma confiado a Marcelino.

Creio que, nesta caminhada coletiva, continuamos recebendo o presente de Irmos e de mrtires que, por inspirao do Esprito e na docilidade a Ele, nos apontam novos horizontes de evangelho comprometido. dos profetas que vamos necessitar sempre.

Creio que os Irmos na frica, nas Amricas, na sia, na Europa e na Oceania, todos so dom do Senhor uns para aos outros. Sentimo-nos chamados a viver a herana espiritual de so Marcelino na diversidade cultural, mas com um s corao e um mesmo esprito, em comunho de orao e de vida fraterna.

Creio que h mais riqueza no Instituto do que aparentemente podemos perceber. E, graas a muitas vidas generosas, por vezes ocultas, podemos esperar, serena e alegremente, o novo amanhecer.

Creio no poder evangelizador de uma comunidade que testemunha a fraternidade e que se abre comunidade eclesial mais ampla, como fermento na massa que atua silenciosamente.

Creio que os jovens e os pobres so imprescindveis na nossa vida: Marcelino nos fundou para estarmos junto deles, para sermos presenas de Jesus no meio deles. Sem o cultivo do amor a eles, mediante a ao, deixaremos de ser sal que d sabor e luz que ilumina.

Creio que a pessoa de Marcelino est impregnando de sentido muitas vidas de Irmos e leigos. Com a sua canonizao nos tornamos mais conscientes de que ele modelo de vida evanglica para a Igreja universal.

Creio que h muitos motivos para esperar que novas formas de ser marista sero realidade. (In Circular da convocao do XX Captulo Geral)

O credo dos Irmos e dos amigos de Marcelino

Cremos, Senhor,

que Marcelino encarna para ns

a vocao a que nos chamas cada dia.

Faz-nos andar nas pegadas dele.

Cremos que Marcelino, atrado pelo Esprito,

Colhido pelo amor que Jesus e Maria

Tinham por ele e pelos outros.

Faz-nos andar nas pegadas dele.

Cremos que Marcelino

Foi profundamente tocado pela carncia

Religiosa e cultural dos jovens campesinos.

Para ns, hoje, so os jovens menos favorecidos

Do nosso sistema educativo.

Faz-nos andar nas pegadas dele.

Cremos que, para Marcelino,

A melhor forma de educao o amor,

E que tal amor exige que estejamos presentes

s crianas e conscientes do seu mundo.

Faz-nos andar nas pegadas dele.

Cremos que Marcelino deseja

Que Maria seja a nossa esperana e Boa Me,

Ele nos quer simples, pobres e industriosos,

Testemunhas do amor fraterno.

Faz-nos andar nas pegadas dele.

Marcelino, ajuda-nos a imitar-te

No nosso tempo,

Vivendo o carisma que tu nos deste,

Sabendo adaptar-nos,

Seguindo os apelos que recebemos. Amm.

(Circ. Avancer sereinement mais sans tarder,

Fr. Benito, S.G. 8 nov. 1997)

Ladainha (Fonte: Blgica 1999, canonizao)

So Marcelin Champagnat,

Em ti o esprito de Deus fez maravilhas.

Ns te bendizemos.

Hoje ainda tu nos convidas

A seguir a Cristo como Maria,

Na sua vida de amor pelo Pai

E pelos homens.

Ns te bendizemos.

Homem de f,

tu te apoiaste em Deus

como em rochedo;

ensina-nos a confiana

que d paz e audcia.

Servo de Maria,

Tu a tomaste em tudo como me e modelo;

ensina-nos a imitar a sua humildade,

a sua simplicidade e disponibilidade.

Irmo entre os irmos,

Artista da comunho fraterna,

Ensina-nos o esprito de famlia

Que oferece o sinal da alegria e da unidade.

Corao sem fronteiras,

Aberto a todos, sobretudo aos menos favorecidos,

ensina-nos o servio desinteressado que encoraja.

So Marcelino Champagnat,

Roga por ns,

Por aqueles que amamos,

Em particular pelos jovens,

A fim de que todos descubram

O amor de Cristo

E possam responder ao seu apelo.

So Marcelino, conheceste o amor no seio de uma famlia crist; desde jovem quiseste responder com generosidade ao chamado de Deus; criaste uma comunidade de Irmos sob o signo da fraternidade; fundaste o Instituto Marista para educar crianas e jovens, especialmente os mais necessitados; quiseste anunciar o Evangelho por toda a parte, porque todas as dioceses do mundo entravam nos teus planos. Pedimos-te que intercedas perante Deus e Maria, nossa Boa Me, para que saibamos cumprir a sua vontade amorosa na nossa vida, para que ela nos abenoe e nossa famlia, nas nossas tarefas e preocupaes, a fim de que saibamos partilhar a tua misso em favor dos pobres e necessitados. Por Cristo, Nosso Senhor. Amm. So Marcelino Champagnat, roga por ns.

IR. FRANCISCO GABRIEL RIVAT

Um renascimento

O ano especial do Irmo Francisco, de 6 de junho de 2003 a 6 de junho de 2004, produziu grande despertar de interesse por aquele que foi o nosso primeiro Superior Geral e o retrato do Fundador. Nunca se haviam feito tantas novenas para obter a sua intercesso. No mesmo tempo produziram-se opsculos, artigos, imagens, cartazes, livros. uma como renascena do Irmo Francisco no corao dos Irmos. Esse ano especial revelou diversos aspectos do Irmo Francisco que o tornam mais achegado a ns.

1 O grande amor que ele teve pelos Irmos e pelo Instituto, com cuidado particular para consolidar as vocaes. Nas suas cartas podem ler-se acentos de afeio muito sincera e, provavelmente, o Instituto no mais conheceu, depois dele, to forte perseverana dos Irmos.

2 Ele demonstrou uma ateno materna pelos doentes e pelos pobres: era enfermeiro habilidoso e apaixonado pelos conhecimentos mdicos; repleto do amor de Deus, atendia aos enfermos. Ele visitava tambm os pobres e os doentes fora de lHermitage, levando consigo medicamentos por ele preparados. Nessas visitas, as pessoas se deram conta de que o Irmo Francisco era como habitado por Deus. Por ocasio do seu enterro diziam: Morreu um santo.

3 O Irmo Francisco revelou-nos sobretudo a alegria de amar a Deus, de se dar a ele generosamente, de colocar Jesus no centro da nossa vida; na sua companhia redescobre-se a beleza e alegria da vida mstica. No pouco para o mundo que se torna cada vez mais um deserto espiritual, que nos assedia por toda a parte e bloqueia em ns a fome e a sede de Deus. Francisco ensina o caminho das fontes vivas. O XX Captulo Geral retorna sua escola, quando convida a todos aqueles que vivem do carisma e da espiritualidade de Marcelino Champagnat a centrar apaixonadamente as nossas vidas e as nossas comunidades em Jesus Cristo, como Maria (Doc. du Chap. gn. N18).

1. Alguns traos da vida do Irmo Francisco

Gabriel Rivat (Irmo Francisco) nasceu em 22 de janeiro de 1808, em Maisonnettes, povoado de La Valla-en-Giers (Frana). Na famlia, a recitao do tero era cotidiana; quando Gabriel atingiu cinco anos de idade, a me o consagrou Virgem Maria, numa peregrinao a Valfleury.

Marcelino Champagnat chegou a La Valla em 1816. Gabriel tinha 8 anos, mas era dos primeiros a assistir ao catecismo matinal do coadjutor. Aos 10 anos, recebeu a primeira Comunho, que o marcou para a vida. Trs semanas depois, pediu que o aceitassem na nova comunidade, que Marcelino Champagnat acabava de fundar, em 2 de janeiro de 1817.

Gabriel era muito jovem, mas a sua fidelidade desconhecia falhas. Em 1826, aos 18 anos, emitiu os votos perptuos; irradiava tal alegria, que Marcelino lhe disse: Invejo-lhe a felicidade!. Iniciou a carreira do magistrio com 12 anos de idade: de manh, se encarregava da cozinha da comunidade e dos alunos semi-internos; de tarde, ensinava a leitura, o catecismo e as oraes aos menos adiantados.

Em breve foi nomeado diretor de escola. Marcelino, que lhe conhecia as qualidades, chamou-o perto de si: foi o homem da sua confiana, o seu secretrio e enfermeiro da casa. Nessas tarefas demonstrou grandes aptides: cuidava dos doentes, valendo-se de ervas, que recolhia ou cultivava; aconselhava os doentes, rezava com eles e, muitas vezes, obtinha curas inesperadas.

Em 1839, as foras de Marcelino declinavam e pediu aos Irmos que elegessem o seu sucessor; o Irmo Francisco foi o escolhido. Quando Marcelino morreu, em 6 de junho de 1840, Francisco se decidiu a ser a imagem viva do Fundador, e pediu aos confrades que tambm o revivessem na sua vida.

Durante 20 anos foi Superior Geral dos Irmos Maristas. Herdou de Marcelino uma Congregao de 280 membros, entregou-a ao Ir. Lus Maria, seu sucessor, com mais de 2000 Irmos. A partir de 1860, isto , sepois do seu mandato, esteve em lHermitage, santurio marista construdo por Marcelino. Superior da casa, era para todos o modelo de orao e de vida interior. Ao voltar da comunho, o sorriso iluminava-lhe o rosto, expressando a alegria de receber o Senhor. Em 22 de janeiro de 1881, faleceu, de joelhos, ao recitar o Angelus. Toda a vizinhana dizia: Morreu o santo.

2. Excertos dos escritos do Irmo Francisco.

Escreveu a um diretor de escola: A doena do Irmo Acrio me leva a recomendar-lhe com insistncia que d, em abundncia, aos seus colaboradores tudo aquilo de que necessitam para bem suportar as fadigas do ensino. A conservao da sade deles a maior economia que pode fazer.

Para proteger a vocao de um Irmo, escreve a um Superior:

Para desfazer-se de algum, basta mostrar-lhe a porta e a gente se livra dele; mas a no h pacincia, nem coragem, nem zelo, nem verdadeira caridade. A coragem est em no desesperar de nada, quando se tratar de formar um Irmo. A caridade est em am-lo, apesar dos defeitos, rezar por ele, dirigi-lo, encoraj-lo, pondo tudo em ao para conserv-lo na sua vocao .

Num de seus cadernos o Ir. Francisco anota: Um dos maiores defeitos em que o Superior de uma grande casa pode cair ocupar-se demasiadamente com as mincias. O Superior deve governar fazendo escolhas, formando e dirigindo os que trabalham com ele. Governa-se bem, quando se escolhem e se empregam, segundo seus talentos, as pessoas que colaboram conosco. Querer examinar tudo pessoalmente desconfiana, mesquinhez. As pessoas que governam pelos detalhes ficam sempre determinadas pelo presente, sem alargar a vista para o futuro distante. Os Superiores que trabalham, que despacham servio, que mais se empenham em atividades, so os que menos governam. O verdadeiro Superior aquele que, parecendo nada fazer, faz com que tudo seja feito: pensa, inventa, penetra no futuro, volta ao passado, compara, resolve, decide. Numa palavra, o verdadeiro Superior apenas deve fazer as coisas que ningum pode fazer no lugar dele.

Vamos a Maria com toda a confiana, pois ela tudo pode junto de seu divino Filho, o qual lhe inteiramente favorvel; ela dispe dele, tudo pode sobre ele; usa desse poder como algo que lhe pertence, e o aplica como quer, porque o princpio desse grande poder o imenso amor de Jesus por Maria.

Todos as cristos so como pintores que devem copiar Jesus Cristo. Cumpre que os seus olhos estejam atentos a este divino original, a fim de bem copiar os traos das suas virtudes. Faam o teste e reconhecero logo que a contemplao dos seus mistrios e o exemplo da sua vida, como em admirvel painel, faro uma perfeita cpia deste divino Salvador. (Ir. Pierre Zind, Conselhos Espirituais do Irmo Francisco, p. 23.)

Prudncia e experincia no trato com os confrades.

1Nada dizer e nada fazer, sentimentos de antipatia no corao.

2Expressar-me clara e brevemente, com afeto e de maneira que se possa compreender e responder com tranqilidade, fcil e agradavelmente.

3Antes de propor, de concordar ou de recusar uma coisa, consultar pessoas interessadas ou afetivamente ligadas Congregao, para estar mais seguro e ser mais agradvel.

4No utilizar pretextos especiais, finuras e astcias subtis.

5 A pessoa que eu advertir deve sentir que ela no perdeu a minha considerao.

6Ir docemente, orar muito e agir com coerncia para dirigir solidamente o Instituto.

7 Cumpre ser lento na deliberao e rpido na ao.

8Ver tudo, dissimular bastante e castigar pouco.

9-Quando tiver feito uma penosa advertncia ou punido a um Irmo, devo perguntar-me: Este Irmo vai corrigir-se?

10- Quando algum me faz uma advertncia sobre algum, ter sempre uma orelha para o acusado, ter minhas reservas a respeito de um e de outro, escutando-os tranqilamente.

O legado do Irmo Francisco

1) Uma congregao legalmente reconhecida (1851).

2) Cinco noviciados.

3)O primeiro escolasticado, em 1848, em la Grange-Payre.

4)Novas Regras Comuns, em 1852.

5)O Guia das Escolas, em 1853.

6)Constituies e Regras do Governo, em 1854.

7)Um novo voto, o de Estabilidade, em 1855.

8)A primeira biografia do Fundador, (Ir. Jean Baptiste Furet) 1856.

9)Uma nova casa geral: Saint- Genis-Laval, 1853-1858.

10) 2086 Irmos, 379 escolas, 50.000 alunos.

11) A congregao est presente na Frana, na Blgica, na Inglaterra, na Esccia e dezenove Irmos trabalham na Oceania.

12)As primeiras diligncias so tomadas em Roma, em 1858, para o reconhecimento do direito pontifcio da Congregao. Francisco deu Congregao slidas estruturas.

Testemunhos sobre o Irmo Francisco

1Ouvi do bom velhinho Ir. Renovato, que outrora conheceu o Ir. Francisco em lHermitage: O Ir. Francisco no ser beatificado to cedo, demasiado humilde, nunca querer passar antes do Padre Champagnat. O bom Irmo dizia isso com certo acento de gravidade e segurana que me tocou e me fez sentir a impresso profunda que ele guardava da humildade do Ir. Francisco.

2Depoimento do Irmo Estratnico

Recebia em particular todos os novos postulantes, chegados durante sua ausncia. Era para conhec-los. No foi sem emoo, mesclada de receio, que, chegando a minha vez, entrei no quarto do Superior Geral. Como se chama? Que idade tem? De onde provm? Est se habituando bem? No h nada que o aflija na casa? Voc dorme bem?. Essas foram as perguntas que me fez com bondade maternal verdadeiramente comovente. Como eu ia deix-lo para ceder o lugar a outro, me reteve para perguntar: Voc faz quatro horas, meu filho?. Hesitei em responder, porque no compreendi bem o que pretendia dizer com a expresso Voc faz quatro horas?. Ento mudou a forma da pergunta para coloc-la a meu alcance: Voc vai comer algo s quatro horas?, disse-me sorrindo. minha resposta afirmativa acrescentou paternalmente: Nutra-se bem, meu filho; voc precisa crescer, porque muito pequeno, mas defeito de que se corrigir, com certeza. No duvido disso.

Esse breve entretenimento com o primeiro Superior do Instituto deixou-me na alma algo que me encantou. Era alegria de boa qualidade que sentia, deixando esse bom pai para juntar-me aos condiscpulos.

Toda a comunidade de lHermitage notava ou podia observar a espcie de transformao que se manifestava no rosto do Irmo Francisco no trajeto que fazia ao voltar ao lugar, depois de ter comungado; devia percorrer quase todo o comprimento da capela. Eu estava colocado de modo a poder observ-lo sem me deslocar. Era sorriso que diferia do sorriso humano comum. difcil achar uma expresso para pintar o aspeto que assumia sua fisionomia nesse momento. Era algo que parecia aproximar o sobrenatural e, no entanto, parecia produzir-se muito naturalmente. Acho que todos os meus colegas notavam to bem como eu essa transfigurao. Falvamos disso, por vezes, nos recreios e nos passeios. Vrios Irmos mais antigos, a quem falei desse fato, me afirmaram terem constatado a mesma coisa.

3 - Do Irmo Juventino

A razo desta carta a convico que tenho da santidade do Reverendssimo Ir. Francisco, que teve a bondade de me admitir no noviciado de lHermitage, em 15 de setembro de 1853. Tenho o costume de invoc-lo, ao visitar nossos benfeitores dos juvenatos.

O que me faz acreditar na sua santidade a estranha permisso que me deu, quando lhe dei a conhecer de que maneira vivemos em Quinci, no ano de 1854-1855. Eis suas prprias palavras: Se, no futuro, se encontrar em casa semelhante, sendo deixado sozinho por dias inteiros no estabelecimento, venha casa-me; se para obter dinheiro, for necessrio pegar um machado, quebre a escrivaninha e pegue a importncia e venha.

Em 1860, encontrando-me em lHermitage, na funo de enfermeiro provisrio, aconteceu o seguinte. Certo Irmo, chamado Zeferino, da escola especial, foi operado das amgdalas; na da esquerda, devido operao demasiadamente profunda, houve considervel hemorragia, das 4 s 6 horas da tarde. Nessa hora, deixando o doente aos cuidados de um coirmo, corri a chamar o Ir. Francisco, que veio logo. Ao chegar, pediu-me o frasco de cido sulfrico e pegando um pouco de algodo molhado no cido, aplicou-o um instante na parte exterior do pescoo, do lado esquerdo. A hemorragia cessou imediatamente. Ter sido a aplicao do cido que a fez cessar, ou a orao do Ir. Superior? Ele rezava ao fazer a aplicao; no sei. O certo que a hemorragia foi detida de repente, e o doente, que estava desmaiado, logo recuperou os sentidos.

4Do Irmo Gaciano

Em 1857, o Ir. Bajulo era diretor da escola de Izieux, onde tambm me encontrava. A cozinha desse lugar era muito mals. Combinou-se com o Ir. Francisco que seria instalada na sala de estudos do primeiro andar. Esse quarto estava separado da sala da prefeitura apenas por um simples tabique.

Tal vizinhana era pouco conveniente para ambos. O prefeito no agentou. Assim, poucos dias depois de nossa instalao, deu-nos ordem de sair, sem demora.

s observaes do Ir. Diretor, o prefeito respondeu que se, dentro de quinze dias, no se tivesse evacuado a sala, viria ele prprio lanar o nosso mobilirio pela janela. No quis ouvir nenhuma observao e se retirou muito mal-humorado.

Voltou na mesma tarde para entender-se com o Ir. Diretor. O Ir. Bajulo disse que nada tinha feito e nada faria sem a autorizao do Superior. Se assim diz o prefeito eu mesmo irei a lHermitage para convencer o seu Superior. Com efeito, ele foi; mas a bondade e a firmeza do Rev. Ir. Francisco conquistaram o prefeito a ponto no apenas de deixar os Irmos tranqilos, mas de ceder-lhes a sala da prefeitura. E isso realmente foi feito.

5De outra testemunha

Nenhum acidente ou insucesso o molestava. A sua serenidade era sempre a mesma. A sua confiana em Deus era ilimitada. Ele nos lembrava que nunca algo acontece sem a permisso do nosso Pai, que nos ama, que saber fazer-nos justia, se confiarmos nele. No desanimava; pelo contrrio, quanto mais dificuldades, maior confiana ele tinha. Todos os Irmos observaram isso.Ele fala ao Bom Deus, dizia-se. Ia buscar junto ao Santssimo a soluo das dificuldades! Sei que, pela confiana em Deus, o Ir. Francisco nunca desanimava. Em caso de insucesso, aguardava o momento de Deus.

Por ocasio da morte do Padre Champagnat, em 1840, o Ir. Francisco, que certamente a sentiu mais que todos os outros que se deixavam levar ao desnimo, repreendia-os suavemente, consolava-os e lhes dizia entre outras coisas: No se deve desesperar. Tenhamos, pois, confiana em Deus que prometeu a vida aos que tm confiana nele. O Ir. Francisco ps sempre a sua esperana em Deus nas numerosas dificuldades do seu Generalato, mesmo nos casos que pareciam sem esperana. Em todas as suas doenas sempre manteve a serenidade em razo da sua confiana em Deus.

6 - Quando o Servo de Deus via um coirmo vtima de melancolia obstinada, acentuava a condescendncia, ele que era to srio, a ponto de entoar uma cano humorstica, e s se retirava depois de lhe arrancar um sorriso e uma palavra religiosa de confiana.

Ladainha do Ir. Francisco.

1-Filho dado e consagrado a Maria,

2-Fiel discpulo do Padre Champagnat,

3-Assduo adorador de Jesus Eucarstico,

4-Intrpido formador marista,

5-Primeiro servo dos Pequenos Irs de Maria,

6-Superior jovem e prudente, doce e honesto,

7-Discreto e seguro acompanhante,

8-Alma e esprito dos trs um,

9-Filho amvel da Virgem Recurso Habitual,

10-Imitador de so Jos,

11-Exemplo de profunda e verdadeira piedade, rogai por ns

12-Modelo do dever cumprido,

13-Homem pleno de esprito de f,

14-Homem da Igreja,

15-Religioso simples e cordial,

16-Irmo achegado aos vossos irmos,

17-Amigo dos pobres e dos humildes,

18-Visitante dos doentes,

19-Irmo atencioso,

20-Irmo obediente,

21-Guardio do esprito marista,

22-Presena que congrega e unifica,

23-Fonte de audcia e de confiana,

24-Imagem viva do Padre Champagnat,

Orao para pedir uma graa

Pai bonssimo,

deste ao Irmo Francisco

aptido particular para cuidar dos doentes e san-los,

ou prepar-los para aceitarem, em paz,

a evoluo do seu estado de sade.

Permite que recorramos a ele para que possa,

como na sua vida terrestre,

pedir ao teu Filho Jesus e a Maria, sua santa Me,

a graa relativa ao problema de sade que lhe confiamos.

Irmo Francisco, tu que nos ouves, intercede por ns.

Orao para pedir Vocaes

Irmo Francisco,

o Senhor quis fazer de ti um santo da vida cotidiana,

santificada pelo trabalho e pela orao,

na vocao de Irmo Marista.

Tu te abriste a Deus,

tu te consagraste a Maria,

e as vocaes de novos Irmos floresceram ao teu redor.

Hoje, ns te rogamos, Francisco,

que olhes nossa Famlia, p

ara que se renove na acolhida de jovens

que queiram doar-se totalmente a Deus,

como educadores consagrados

e apstolos da juventude de hoje.

Venervel Irmo Francisco,

intercede pela nossa Famlia, com Marcelino,

com todos os Irmos do cu

e Maria, nossa Boa Me,

junto a Cristo, nosso nico Senhor. Amm.

Situao da causa do Irmo Francisco

1-Em 20 de junho de 1910, o Processo ordinrio se abriu em Lio e se encerrou em 10 de maio de 1912.

2-Em 14 de novembro de 1934, a causa do Irmo Francisco foi introduzida em Roma.

3-Em 4 de julho de 1968: Decreto sobre a heroicidade das virtudes e o ttulo de venervel. A causa atualmente est parada neste ponto. Faltam duas outras etapas: beatificao e canonizao.

Cada uma delas demanda um milagre para ser ultrapassada. Um primeiro milagre reconhecido leva beatificao. Um segundo milagre reconhecido termina o processo na canonizao. Os milagres s se alcanam pela orao.

IR. ALFANO(JOSEPH CARLO VASER)

1873-1943

Merece ser mais bem conhecido.

O Padre Valentino Macca, OCD, era o relator da causa do Irmo Alfano. Apresentando a causa, ele escreveu a telogos, cardeais e bispos as linhas que seguem. A Leitura atenta dos documentos pe-nos em contato com um religioso que a tradio oriental primitiva no tem receado colocar entre os namorados de Deus, com o sentido concreto que se emprestava expresso. Com efeito, o servo de Deus viveu em plenitude de amor que, em pensamento e ao, parece fazer-lhe esquecer os anos. Os extratos de cartas citados mostram uma linha de caridade que no somente conserva o seu vio, mas, no entardecer da vida, se torna mais generosa e mais forte. Isso faz pensar no vinho velho, expresso com que so Joo da Cruz definia os velhos namorados.

No sendo freqentes nas pessoas de idade os arroubos de jovens, o Irmo Alfano d provas de caridade excepcional, cujos propsitos o ligam fortemente aos coraes de Jesus e de Maria, mas tambm dilatam o esprito at aos confins do mundo, naqueles anos conturbados pela guerra. (1943).

O primeiro telogo que examinou os escritos do Irmo Alfano afirma: Aqui, na verdade, a messe to copiosa que h dificuldade na escolha. O Servo de Deus compreendera perfeitamente que o estado da vida religiosa, vivida plenamente, o jardim onde, sob o calor do Esprito Santo, desabrocham as flores de todas as virtudes.

1Simplicidade de vida

Estas so as primeiras linhas do livro Pane di Casa Nostra, biografia breve do Irmo Alfano: Giusepe Carlo Vaser, Irmo Alfano (l873-l943), um Irmo Marista italiano, melhor dizendo, o primeiro Irmo Marista italiano. Primeiro em sentido cronolgico do termo, primeiro principalmente em sentido espiritual: escalou o cume da santidade com impulso e determinao no menor daqueles que exigiram dele, como criana, para subir os montes da sua bela e forte terra natal, o Vale de Aosta.

A sua vida, despojada de acontecimentos extraordinrios, tem o aspecto de aventura toda interior. como cadeia de montanhas, em que somente aqueles que tiveram a coragem de ascender aos mais altos picos podem gozar-lhe a beleza.

Estas so as etapas essenciais da sua vida como religioso.

Em 1886, Giuseppe se dirigiu Saint-Paul-Trois-Chateaux. Em l891, emitiu o voto de obedincia. De l891 a 1903, lecionou no Colgio San Leone Magno e se enamora de Roma, da arte, da cultura e da f que esta cidade encerra. De 1903 a 1941, foi um Irmo formador, com cargos de mestre dos novios por 15 anos, de 1907 a l922; depois diretor dos Irmos estudantes de 1925 a 1941. Foi tambm ininterruptamente conselheiro provincial de 1909 a 1941: 32 anos. Morreu em primeiro de maro de 1943, em plena guerra mundial. Vida simples, como a de tantos Irmos, como a nossa, quando dermos um olhar para trs; contudo vida para Deus e por inteiro dedicada ao amor de Deus.

2A personalidade do Irmo Alfano

1A personalidade humana

Alfano era muito inteligente. Aos cinqenta anos estudou o latim e dele se tornou um dos melhores professores. Era um homem de grande fora de vontade, tenaz no esforo, monoltico e de grande retido, mas tambm de grande cultura. Entre as suas notas caractersticas esto a alegria e a bondade. Os que o conheceram reconhecem: Mostrava-se afvel, especialmente nas relaes interpessoais; nos recreios e nos passeios era muito ameno e de alegria contagiante; de carter forte, mostrava-se bom com quem errava e de grande sensibilidade diante das necessidades dos outros, sempre atento aos problemas dos que estavam perto. Aos Irmos chamados ao servio militar, durante a primeira guerra mundial, seguidamente enviava cartas e circulares com muitas notcias da congregao, conselhos e tambm dinheiro para que pudessem passar os dias de festa um pouco melhor. Um dos seus discpulos escreve: A severidade do Irmo Alfano era um mito que se criou na cabea de certas pessoas. Pela riqueza desta personalidade humana louvemos a Deus.

2A personalidade espiritual.

Neste particular o Irmo Alfano ainda mais surpreendente. Mestre dos novios por 15 anos, formou 266 jovens, dos quais l44 perseveraram at a morte e entre eles muitos de grande estatura espiritual, porque um santo gera santos, como foi o caso de Marcelino. O olhar que lanava no corao dos novios e os conselhos que lhes dava eram de grande lucidez e exatido, como de psiclogo seguro. A sua sabedoria prtica lhe vinha da sua longa permanncia diante de Deus. Dizia: Quanto ajuda um pouco de serena e tranquila reflexo diante de Deus. Tinha preferncia especial para os trs primeiros lugares do Fundandor: Belm, a cruz, o altar. Fazia a via-sacra todas as manhs. Levantava-se antes dos outros para ter tempo de faz-la. H pensamentos que nos deixam aturdidos: Lembrar-me-ei seguidas vezes de que o sofrimento mais doce do que o bem-estar fsico. Procur-lo-ei, portanto, e o abraarei com generosidade.

1 Ele considerava a Virgem Maria como a sua verdadeira me e dizia que os Pequenos Irmos de Maria so os benjamins da Virgem, exatamente porque eles so pequenos.

2 A devoo Virgem Maria foi uma de suas caractersticas. Ele a invocava sobretudo com o ttulo de Maria Imaculada, seguidamente ele empregava tambm a expresso do Fundador: Recurso habitual.

3 Como Irmo Marista, ele era muito devoto da Virgem Maria e dizia que nos deveramos aproximar dela todos os dias. A sua devoo a Maria est toda encerrada no neologismo por ele criado. o rosariante, aquele que preenche o dia com Ave-Marias. Eis uma orao dele a Maria: Maria, fez-se toda para todos, deu-se aos justos e aos pecadores, a todos abre os tesouros da sua misericrdia. Ela desfaz as cadeias dos escravos, d a sade aos enfermos, a consolao aos aflitos, o perdo aos pecadores, o aumento da graa aos justos; ningum pode subtrair-se sua influncia benfica.

Aquilo que o caracteriza como Marista uma admirao sem limites pelo Fundador, pelas suas qualidades e pelo seu carisma. Sempre convidava os novios a contemplar o Fundador, a nutrir-se da sua doutrina que chamava o po de casa. Acrescentava: Tenho somente um desejo, o bem do Instituto pela imitao do Fundador por parte de todos os Irmos.

Quando colocamos juntas a personalidade humana e a espiritualidade, vemos quanta vida manava do Irmo Alfano. Louvemos a Deus, fonte da vida, que para ns quer a vida em plenitude.

2A personalidade do Irmo Alfano

1Personalidade humana

O Irmo Alfano era intelectualmente muito dotado. Marcel Colin, no seu livro A linha Direita, que uma biografia do Irmo Alfano, escreveu: Humanista, com esprito de finura, vibrando com as coisas belas, adivinhando-as com justeza de intuio e de apreciao, amigo das flores, dos cantos e das vastas paisagens, o Irmo Alfano soube dominar a sua afetividade. Tudo no Irmo Alfano exprimia uma sensibilidade forte e profunda, mas controlada. Um homem dos nossos, que se aperfeioou e se afinou por Deus. Foi por meio da vontade que Alfano nunca admitiu a mediocridade e atingiu o equilbrio. A sua arte de viver era a da fidelidade, da lealdade, da linha reta. Ele prprio escreveu: No esmolar popularidade s custas do bem. Nunca pertenceu raa dos medocres.

Aos cinqenta anos, teve de aprender latim e do idioma se tornou excelente professor. Era homem de vontade tenaz, inteirio, de grande retido e de grande cultura. Mas a alegria e a bondade eram tambm duas notas caractersticas suas. Aqueles que o conheceram atestam: Ele mostrava-se afvel, de modo especial nas relaes interpessoais; em recreio ou em passeio era divertido e de alegria contagiosa. O seu carter forte no o impedia de ser compreensivo com aqueles que erravam; era sensvel s necessidades alheias, atento aos problemas do prximo. Aos confrades convocados ao servio militar, na primeira guerra mundial, enviava cartas repletas das notcias da congregao e de bons conselhos, sem esquecer o envio de algum dinheiro, para que os dias de festa fossem mais agradveis. Um dos seus alunos escreveu: A severidade do Irmo Alfano um mito que se criou na cabea de alguns. Ele acolhia com bondade e gentileza aqueles que vinham a ele; ningum saa do seu gabinete sem ser consolado. So os jovens que o dizem. Ele havia tomado como resoluo: Bondade, amizade para com os confrades e para com a nossa querida juventude, encorajar muito. Caridade paciente com todos: saber esperar antes de repreender. Cumpre ser firme, quando se exige o que deve ser feito, mas isso com mansido, pacincia e com a generosa indulgncia da caridade. Isso eu sabia na teoria, mas pouco o traduzi na prtica.

Eis o testemunho do Irmo Antelmo: Na primeira guerra mundial, ele enviava circulares policopiadas aos seus antigos novios e aos Irmos que se achavam no front. Elas eram cheias de sbios conselhos e de notcias da Congregao. Empenhava-se em que mantivessem laos com os superiores. Pelo Natal de 1917, enviou-me um cheque de cinco liras, para que estivesse mais feliz nesse dia. Ele o logrou, visto que isso me permitiu difundir um pouco de alegria com os que se encontravam na trincheira comigo.

2 A personalidade espiritual.

Neste domnio o Irmo Alfano de grande riqueza. Mestre de novios por 15 anos, esteve testa da formao de 266 jovens; 144 deles perseveraram at a morte, alguns tendo logrado grande estatura espiritual. o caso de dizer que os santos formam santos, como foi o caso de Marcelino. O olhar que ele dirigia ao corao dos novios e o juzo que dava deles eram de grande lucidez, como de psiclogo seguro. Mas essa justeza provinha de longos momentos que ele passava de joelhos. Dizia ele: Como nos ajuda refletir com calma e serenidade perante Deus. Ele tinha preferncia pelos trs lugares do Fundador: bero, cruz e altar. Todos os dias ele fazia a via-sacra e, para ter o tempo de faz-la, se levantava antes. Ele tem reflexes que nos podem surpreender: Eu me lembrarei de que o sofrimento, muitas vezes, mais doce que o prazer ou o bem-estar fsico. Hei de procur-lo, pois, e o abraarei generosamente.

3-Alma mariana

A vida do Irmo Alfano toda marial. Consagrou-se a Maria totalmente; ele recorre a ela em toda a necessidade e circunstncia, porque ela o seu recurso ordinrio, invoca-a muitas vezes durante o dia, faz na sua honra numerosas e fervorosas novenas, a sua confiana nela sem reticncia.

Maria o seu modelo. A divisa marista tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus, o Irmo Alfano a vive para si e para levar os outros a Jesus. Junto de Maria ele aprende as trs virtudes que o caracterizam: a piedade, a humildade e a caridade. Se tem necessidade de fora para avanar ou para fazer avanar os outros, ele vai aos ps de Maria.

Maria para ele a expresso sucinta da santidade. Ele realmente visava dar o melhor de si ao Senhor e aos Irmos; para realizar isso ele tomava, na sua prpria palavra, Nossa Senhora como sumrio. Ela o conduzia mais de pressa ao Filho. Ele celebrava as festas da Santssima Virgem com peculiar alegria e dava liturgia o maior espao possvel, a fim de que ela embalsamasse o dia todo com o perfume da festa da Mame.

Ainda assim, a lio principal que descobrimos no Irmo Alfano, na sua relao com Maria, que, em companhia da Virgem, ele aprende a ser reto, a ter conscincia reta, a ir ao essencial, isto , Deus. Com Maria ele se torna linha reta. Ento Maria o guia para aquilo que vai ser primordial para Alfano: a vontade de Deus. O que Deus quer, como ele o quer, eis o essencial. Como para Marcelino, Maria ensina a Alfano a prontido em cumprir o que o seu Filho lhe vai dizer.

O Irmo Alfano criou o neoglogismo rosariante, termo que o liga ao rosrio.

Que significado Alfano lhe atribua? Ele convidava todos os novios, todos os seus confrades a imergir muitas vezes nos mistrios do rosrio, a conseguir que as Ave-Marias lhes cheguem aos lbios, a viver na companhia de Maria, na sua alegria, a tecer verdadeira relao de filho para com a Me e, com ela, contemplar em cada mistrio o Filho, a maravilhar-se do amor de Deus. Alfano orgulhava-se de ser rosariante, encontrando nisso grande fonte de alegria. E o Magnificat? significativo que toda a sua vida terminasse em Magnificat; a sua vida canta as maravilhas que Deus fez, a ateno de Jav para os pequenos, a longa fidelidade do Deus de Israel a Abrao, a Maria, a Marcelino, a Francisco, a Alfano, a todos aqueles que esto abertos ao Filho de Maria.

4 Com Marcelino

O Irmo Alfano tem para com o Padre Champagnat uma admirao sem limites, em face das suas qualidades e do seu carisma. Ele convidava os seus novios a ter sempre o olhar no Fundador e a se alimentar da sua doutrina, que ele chamava o po de casa. Acrescentava: S tenho um desejo, o bem do Instituto mediante a imitao do Fundador por parte de todos os Irmos. Unindo a personalidade humana e a espiritual do Irmo Alfano, vemos a vida copiosa que brotava dele.

Alguns pensamentos do Irmo Alfano

1Com Jesus, o paraso sempre e em qualquer lugar. Sem Jesus, o inferno. Com Ele tudo fcil. Eu quero, pois, me abandonar em seus braos, com alegria, com confiana. Nas dificuldades e nas cruzes eu vou recorrer ao Corao eucarstico de Jesus e ao Corao de Maria. Jesus a minha fora, a minha defesa, a minha riqueza, o meu tesouro, o meu tudo. Jesus o amigo fiel, constante. (Positio, p. 120. As pginas seguintes sero tiradas da Positio.)

2Ele chamava a missa de sol dos nossos exerccios espirituais. (p. 107)

3Nunca teremos suficiente confiana no corao de Jesus. (p. 121)

4O Menino Jesus me ensina, de maneira muito eficaz e muito eloqente, todas as virtudes, e particularmente a humildade, a obedincia, a castidade, uma confiana filial. Querido Menino Jesus, tu s minha alegria, tu s meu conforto, tu s minha paz. Eu te amo como bem supremo. Acende em mim, Senhor, teu fogo ardente. D-me o que tu queres e eu realizarei o que tu queres. (p. 129).

5 Jesus, luz verdadeira que ilumina, fogo que inflama, alegria e paz. (p. 129).

6 Eu me esforo para permanecer, tanto quanto possa, em esprito e corao, diante do tabernculo em sentimento de adorao, de gratido, de splica ao Corao Eucarstico de Jesus. (p. 131)

7 Senhor, voluntariamente eu quero sofrer o que quiseres. Mas d-me de te amar intensamente e de te fazer conhecido e amado, de ganhar para ti muitos coraes. (p.133)

8Jesus para mim companheiro, reconforto, amigo, pai, tesouro e alegria. (p.133)

9 Por que tanto temor em mim? Posso duvidar da bondade de Jesus ou da Virgem Maria? Por que no deixarei dilatar o meu corao na alegria e gratido? Nos braos de Jesus desejo abandonar-me com alegria e confiana. (p. 119)

10 O Evangelho o livro por excelncia que dilata os coraes dos cristos. Deus o Mestre dos homens e dos acontecimentos. A experincia pessoal nos ensina que sobre mil perigos possveis, segundo a nossa imaginao, Deus os reduz de muito; talvez sobre um apenas, e ainda bastante mais leve do que o imaginamos. Um santo otimista conforme a f e o bom senso. (122)

11 A caridade fraterna a alegria e a felicidade das casas religiosas. uma participao no amor que Deus tem pelo prximo e por ns. E ns, Maristas, devemos estar animados pelo esprito desta virtude, de maneira contnua e prtica, estimando, de maneira sincera, os nossos coirmos, respeitando-os, tendo-lhes religiosa venerao, vendo-os com os olhos da f. (139)

12A orao viva a que vivifica tudo, abarca tudo; que faz como o corao fsico. Como chegar orao contnua? Pondo unidade em nossa vida. Fazer tudo em Deus, por Deus, com Deus. Que a nossa orao seja sempre uma preparao ao; que a preceda, acompanhe e siga. Visar unio com Deus, recorrendo a Ele naturalmente como a criana a seu pai. Sempre um olhar, um ouvido, uma mo para Deus, no meio de todas as aes, mesmo as mais absorvedoras. (Informatio, p. 127)

13No vivo seno para este breve momento que se chama instante. Quero aproveit-lo ao mximo, dizendo: Sim, Pai!. Desse modo, garanto-me dias plenos da vontade de Deus. Sim, Pai!. viver o momento presente, o momento que foge na presena de Deus, aceitando a sua vontade. Eis como o corao reza constantemente com o querer de Deus. (Positio, p. 24)

Testemunhos em favor do Ir. Alfano (Tomados da Positio).

1O Irmo Alfano, afirma um seu discpulo, era considerado pelos co-irmos e pelos superiores um homem excepcionalmente santo, Irmo Marista exemplar.Na base da sua santidade pode-se descobrir grande esprito de f, grande generosidade e constante fidelidade.

Outros testemunham: Reconheo nele um religioso completamente dedicado ao bem do Instituto, somente preocupado com a glria de Deus e com o bem das almas. Aperfeioou-se cultural e espiritualmente. Vivia to intensamente o esprito da regra que o chamvamos a regra viva. No modo de rezar e em seu comportamento demonstrava estar possudo sempre pela presena de Deus e em contnua meditao. minha impresso, e sei que o pensamento e firme convico de outros coirmos, de que o Irmo Alfano foi um religioso que praticou com constncia e de modo herico as virtudes da vida religiosa.

2 Dom Emilio Biancheri, bispo de Rimini, natural de Ventimiglia, conheceu muito bem o Ir. Alfano. Na carta endereada ao Santo Padre, assim se exprime:

Quero assegurar que tanto no clero quanto no laicato, aqueles que tinham a oportunidade de se aproximar dele tinham a clara impresso de estar diante de uma autntica santidade de vida. Era um religioso com o esprito e o olhar fixos em Deus. Ele possua um trao ao mesmo tempo austero e amvel. Nele se encontrava uma fora de alma que lembrava so Paulo. Quando sou fraco, ento que sou forte. Tinha um carter forte que ultrapassava os limites de um fsico delicado do qual obtinha resultados surprendentes que deixava a todos cheios de admirao e de reflexo.

Na sua obra de mestre do esprito, educador e professor, mostrava equilbrio sereno e assombroso com um sentido profundo e doce do sobrenatural, como se fossem coisas que ele via, sentia e tocava com a mo. Os de Vintimiglia, que o conheciam, tinham a impresso de que um santo passava ao seu lado, uma flor graciosa e de bondade sobre a terra das Flores.

3Dom Giuseppe Della Volta, testemunha do tribunal ordinrio, traa em poucas palavras a fisionomia psicoespiritual do Servo de Deus: Era um religioso leal, alheio a todo artifcio ou jogo duplo; sempre coerente no que dizia ou fazia, era de uma retido ilibada.

4O Dr. Mario Colombino escreve ao Ir. Umberto, Provincial: O Irmo Alfano era para ns uma como fora magntica que nos atraa. As linhas de fora que emanavam da sua personalidade slida nos transformavam e nos levavam a imit-lo e a seguir-lhe as pegadas no rduo caminho da perfeio. Querendo ser honestos com ns mesmos, devemos admitir que a nossa vida espiritual estava em funo daquela do Ir. Alfano. Ele nos fazia degustar as belezas de uma vida consagrada ao Senhor. O fascnio que exercia o Ir. Alfano era tal que me sentia fortemente atrado pela sua personalidade admirvel. Quando ele ilustrava ou comentava a vida dos santos, o Evangelho e a Imitao de Cristo, eu tinha a impresso de que ele falava de um mundo que lhe era particularmente congenial, que lhe era habitualmente familiar. Em outras palavras, era um mundo de que ele nunca se havia separado e em que ele vivia cotidianamente.

Orao ao Irmo Alfano

Senhor,

que concedeste ao Irmo Alfano a graa

de seguir fielmente a Cristo pobre e humilde,

dando-lhe a vocao de Irmo Marista, educador e apstolo,

concede-nos, pela sua intercesso,

viver tambm ns com generosidade e plenitude

a nossa vida marista, irradiando com entusiasmo

o esprito de Marcelino, nosso Fundador.

E tu, Maria, nossa Boa Me,

glorifica o teu servo Alfano

que tanto te amou e te glorificou entre ns. Amm

Orao para pedir uma graa

Senhor Jesus, no teu nome que rezamos.

Tu colocaste no corao do Irmo Alfano

A vontade firme de viver generosamente

a sua vida de religioso e de educar cristmente

a juventude. D-nos imitar os seus exemplos

e, pela sua intercesso, concede-nos a graa...

Maria, nossa Boa Me e Rainha do Rosrio,

obtm-nos a glorificao do teu humilde servo,

que tanto se dedicou a fazer-te conhecida

e amada. Amm.

Em que ponto est a causa do Irmo Alfano?

1 Em 1951, abertura do Processo Ordinrio em Ventimiglia, oito anos aps a sua morte.

2 Em 1955, fim do Processo Ordinrio.

3 Em 1987, aprovao do Processo e introduo da causa em Roma. Este atraso se deveu ao fato de que, na Congregao para as causas dos santos, foram adotadas novas normas.

4 Em 1991, em 22 de janeiro, decreto da heroicidade das virtudes e o ttulo de venervel.

A causa do Irmo Alfano, como aquela do Irmo Francisco, est parada nesse ponto. necessrio um milagre para proceder beatificao e outro milagre para a canonizao.

Em cada etapa preciso constituir a positio (ponto de discusso, tese) do milagre. Esta apresenta duas partes.

(1) Os documentos mdicos que provam a cura. Os documentos so estudados por mdicos; em primeiro lugar, na diocese onde o milagre ocorreu, por dois mdicos; em seguida, pela equipe de mdicos do Vaticano: cinco mdicos e o presidente da comisso.

(2) As provas de que o servo de Deus foi realmente invocado. Estas provas sero examinadas por telogos, depois pela comisso dos cardeais e bispos. A orao o nico caminho do milagre.

IR. BASILIO RUEDA GUZMN

1924-1996

Prlogo

Disseram-me que se pretende introduzir a sua causa. Nao havia pensado nisto, entretanto acredito! Era verdadeiramente um santo. Penso que os santos devem ser como ele. No duvido da sua santidade. (P. Raoul Soto Vzquez. M. Sp. S) (Um estilo de una vida, p. 65).

Quando se quer testemunhar em favor do Irmo Baslio, fica-se tentado a falar no superlativo. Quando se escuta a sua palavra, fica-se tentado a viver no superlativo. certamente um homem que aquece o corao, cria a generosidade; ele foi o primeiro a viver no patamar do magnnimo. Ele causa impacto, mas permanece prximo, acolhedor, abordvel. Todos os que falam dele progridem em louvores de elevado estilo: um santo, um profeta, um perito em humanidade, um corao atento, inclinado compreenso, compaixo, ao reconforto, um intelectual que se sente vontade na Antropologia, na Sociologia, na Filosofia e na Teologia; homem profundamente dono de si mesmo e sempre igual, trabalhador incansvel e metdico, mestre de espiritualidade segura e slida, mstico, superior geral excepcional e coirmo encantador, simples, vontade com todos, amigo de sadas espirituosas e sempre pronto a vestir o avental para lavar a baixela. Eis o que dizem, muito melhor e com mais convico e detalhes os que foram seus amigos.

Os depoimentos deles alternam com textos do Ir. Baslio, apanhados nos seus escritos, sobretudo nas Circulares. Reler as suas Circulares equivale a descobrir tesouros de espiritualidade, de experincia vivida, de fraternidade e de sabedoria que so nossas; o laitor se encontra diretamente suspenso na inteligncia e no corao de Baslio. Muitas vezes evidente que as melhores reflexes ele busca na sua vida interior ou no seu convvio com os Irmos e com as pessoas. Baslio , com certeza, um intelectual, mas a trama dos seus escritos provm do que nos conhecido, cotidiano, familiar. Algumas das suas Circulares so umas jias. Fica-se tentado a copiar captulos inteiros, como as suas Circulares sobre a Obedincia e sobre Vida Comunitria. As suas primeiras Circulares, as de 1968, quando ento ainda no tinha o cargo de Superior Geral, no revelam apenas o conhecimento que Baslio tinha do mundo, da Igreja e do homem, mas surpreendem-nos pelas novas pistas que indicam e que so todas antecipaes; hoje, so evidentes e com elas nos comprometemos, convictos.

Digamos ainda que o estilo de Baslio no envelheceu, inspira-se na conversao com as descobertas surpreendentes que uma conversa pode sugerir. linguagem prxima, imediata, simples; mas, muitas vezes, ela corta as frases, como mximas. Outras vezes, pargrafos inteiros condensam verdades, sabedoria, humanidade, tudo expresso por uma pena das mais privilegiadas. Algumas vezes peca por excesso, pela necessidade de precisar o que j havia dito claramente. Ele o primeiro a reconhecer isso; mas jamais escreve para dizer trivialidades. Surpreende sempre pela profundidade, pela propriedade, pela verdade.

Que finalidade tero estes excertos de testemunhos e textos selecionados? Tornar o Irmo Baslio presente, vivo entre ns, arranc-lo do passado e do esquecimento que esto sempre espreita, ajudar a nossa admirao em viver e amplificar-se, a tornar-se amizade, dilogo, orao. Orao? Sim, muitas testemunhas confessam que eles o invocam. Pressentem um santo. o que se ouve muitas vezes, espontaneamente, quando a conversa recai sobre ele. Com certeza, Baslio um dom extraordinrio que Deus e a Virgem Maria nos fizeram. Na sua pessoa Deus nos abriu uma fonte de vida. E Baslio, nos seus escritos e na sua amizade, fez jorrar em borbotes essa vida. So tesouros que no se podem ignorar, porque so tesouros nossos: o amor de Deus, de Maria e de Marcelino, que procuram fazer viver a nossa famlia marista.

Escolhamos a vida! o lema inscrito na bandeira do XX Captulo Geral. Com certeza, conhecer o Irmo Baslio e os seus escritos descobrir uma fonte de vida muito generosa, abundante e bem marista.

Perfil biogrfico

1924. Em 16 de outubro, o Irmo Baslio nasceu em Acatln de Juarez. o quarto filho da famlia; no batismo recebeu os nomes de Jos Baslio. Com apenas quatro anos perdeu a me.

1942. No ms de julho, entrou no juvenato dos Irmos Maristas em Tlalpn. Fez seus primeiros votos em 8 de dezembro de 1944 e sua profisso perptua, em 1. de janeiro de 1950.

1947. Iniciou sua carreira apostlica e entrou de imediato nos grupos de Ao Catlica, de animao da catequese nos bairros populares; desempenhou papel importante na organizao dos Cursilhos de Cristandade, no tempo em que garantiu os seus estudos de Filosofia. No dia 17 de dezembro de 1961, defendeu tese de mestrado em Filosofia, sobre o tema Ser e Valor.

1961-1965. Foi membro da Equipe do Padre Ricardo Lombardi, no movimento Mundo Melhor. No Equador foi o principal responsvel, dando retiros e conferncias muito apreciadas pelos auditrios mais variados: operrios, polticos, gente da Igreja e pessoas consagradas.

1966-1967. Foi nomeado Diretor do Segundo Noviciado, na Espanha, em Sigenza, depois em El Escorial. Revolucionou os cursos com abordagens modernas, mais humanidade, melhor centralizao no Evangelho, abertura aos apelos do Conclio e aos problemas de um mundo em transformao. Os Novios so os seus entusiastas. O sucesso, em toda a parte, lhe valeu ser nomeado delegado ao Captulo Geral de 1967.

1967. Em 24 de setembro, foi eleito Superior Geral para um primeiro perodo de 9 anos. Imediatamente comeou a volta ao mundo marista para conhecer-lhe a realidade. Deixou a administrao direta do Instituto ao seu Vigrio, o Irmo Quentin Duffy, e assumiu a pastoral de animao: visitas s comunidades portanto viagens e muito tempo usado para receber e escutar os Irmos ou para escrever-lhes cartas. Perodo difcil aquele que se segue ao Conclio: o mundo, a Igreja, a vida consagrada, mudam rapidamente, no meio de uma juventude contestadora e de geraes adultas inquietas. Baslio foi uma grande chance para a nossa Congregao que, graas a ele, empreendeu com firmeza as mudanas pedidas pelo Conclio. Por natureza, ele aberto a toda a mudana sadia e, muitas vezes, antecipou-se a ela. Durante esse perodo, escreveu Circulares notveis: Um Captulo para o mundo de hoje; Os Apelos da Igreja e do Fundador, Conversao sobre a Orao; A Vida Comunitria, uma obra-prima lida e estudada por muitas outras congregaes religiosas.

1976. De fato, contra a sua esperana, o Irmo Baslio foi reeleito Superior Geral por grande maioria de votos. Como fizera antes, vai entregar-se de corpo e alma s visitas, animao dos retiros, direo espiritual. Na Congregao nos habituamos a um Superior Geral que trabalha todas as noites at 2 ou 3 horas da madrugada. Desse perodo datam as Circulares sobre O Projeto de Vida Comunitria que deveriam dar s comunidades um estilo de vida mais evanglico e mais prprio a responder aos apelos do homem de hoje; A Obedincia, uma jia de verdadeira compreenso da Vida Religiosa; Um Novo Espao para Maria, em que muitas interpretaes exegticas so avanadas sobre o seu tempo; e as Circulares sobre A Orao e A Fidelidade; esta como seu canto de cisne, ou grande Magnificat em que faz cantar toda a Congregao Marista.

1985. Aps o Captulo Geral, gozou um ano sabtico e teve a felicidade de visitar a Terra Santa. Fora os 18 anos de Superior Geral, em perodo dos mais turbulentos, percorreu milhares de quilmetros, escreveu cerca de 2.500 pginas de Circulares e mais de 50.000 cartas, acolheu milhares de Irmos e acompanhou mais diretamente centenas. Na sua reeleio, em 1976, uma autoridade do Vaticano telefonou a um Irmo da Casa Generalcia: Vocs acabam de salvar sua Congregao. Voltando ao Mxico, foi mestre de Novios da Provncia do Mxico Central.

1990. Assumiu a direo do Curso de 18 meses para mestres de novios, na Casa Oasi, perto do lago Albano, Roma.

1991-1996. Retomou o seu cargo de mestre de novios, para os novios das duas Provncias mexicanas. No meio dos jovens ele foi pai, formador, irmo, amigo. Criou grandes espaos de liberdade, de alegria, de famlia e de intimidade com Deus na simplicidade.

1996. Em 21 de janeiro, entrou na Pscoa definitiva pela volta ao Pai. A missa de sepultamento, em 23 de janeiro de 1996, foi uma apoteose de reconhecimento e de amor. As suas cinzas repousam na casa da Quinta Soledad, casa provincial do Mxico Central.

As palavras de algum que viveu conosco

1O profeta sente arder no corao a paixo pela glria de Deus e, uma vez que lhe acolheu a palavra, proclama-a com a boca, com as aes e pensamentos, pelos seus contatos com os outros, em transparncia que integra a autenticidade dos grandes ideais em favor do Reino, em comprometimento herico com todos.

Quando comprometeu a sua existncia no campo do amor, no h mais marcha r. A vela foi acesa nas duas pontas. O tempo depende da intensidade com que vivido; mas, quando o amor irrompe no centro de uma vida, o tempo adquire densidade eterna. O amor no nos foi dado para encher vazios do corao, mas para lanar os homens a alturas inimaginveis de generosidade e doao de si mesmos. Quem conheceu a fascinao do amor de Deus sabe que no se pertence. A alma, com efeito, no pede, ela se d, e dessa doao nasce a grande intuio: a vida no vale a pena ser vivida, seno quando se ama incondicionalmente e quando se est disposto a apostar tudo numa s cartada.

Portanto a vontade do Senhor colocada acima do amor de si e o desejo se transfere a uma disponibilidade absoluta.

Quando o amor de Deus irrompe numa vida, desencadeia um tipo de amor que faz perder a medida racional. O Tu de Deus e do prximo predomina em tudo. A morte prematura o destino dum amor que se condensa no tempo. O amor quer dar-se, quer queimar sua vida.

(Quemar la Vida, pp.304- 305; entrevista J.M.V., p. 162)

2 Hoje vejo a realizao prtica de uma verdade que me disse o Irmo Lonida, h muito tempo: Voc queima a vida nos dois lados, a sua vela arde nas duas pontas. E mandou-me a pgina de uma revista em que havia uma espcie de vela muito grossa, cujas duas pontas estavam acesas. E eu lhe mandei uma resposta, talvez meio insensata: Esse foi sempre o meu ideal. Queimar a minha vida por Cristo e pela Congregao, mesmo se isso a consumisse em menos tempo do que deveria normalmente durar. (Mensagem escrita por Baslio, um ms antes de morrer; apud Quemar la Vida, pp. 306-307)

3 Irmos, o que fundamentalmente faz a nossa paz no o fato de que sejamos bons, mas o fato de que Deus bom. No o fato de que amamos, mas o fato de que somos amados por um amor eficaz e infalvel. Deus nos ama, e no faz outra coisa seno amar-nos; Deus no pode deixar de amar. Deus amor, amor gratuito. Ele no te ama porque tu o amas. Ele no te ama porque s digno de ser amado. Ele no te ama porque tu terias criado na tua vida as condies que te fariam digno deste amor. Deus te ama porque ele amor, ponto final. Na sua santa vontade palpita sempre uma ternura maior do que aquela que se possa imaginar. O verdadeiro amor respeita a liberdade de cada um e ama gratuitamente. Ele no pede, ele d. A mola das molas da vida comunitria o amor verdadeiro e a capacidade de gerar a amizade, balizando de amigos a estrada da vida. Mas se h algum que tu excluis do teu corao, o amor em ti morreu.

4 Basilio se d conta de que, com muita boa vontade, o Instituto est muito centrado na maneira de ajudar os pobres, nas misses, na maneira de se fazer um exerccio mais evanglico da autoridade, e pouco a pouco o Cristo, o bom Jesus, passou para segundo plano e, em certas situaes, desapareceu, sendo ele a razo principal, a sublime razo pela qual ns vivemos e morremos. ele que est na origem do nosso chamado, da nossa fraternidade e da nossa amizade. Ele a nossa salvao; evidente que chegou o momento oportuno de realizar todos os nossos esforos para fazer de Jesus o centro da nossa vida. A renovao da vida comunitria e da orao deve ser o fruto da nossa unio apaixonada com Jesus.

Desde os primeiros retiros que ele pregou aos Irmos do Canad, da Espanha e do Brasil, nos anos de 1970, dizia: Quando tu anuncias o Cristo ressuscitado, tu te comprometes a favor dele, de modo que, em face de qualquer dilema entre Jesus e outra coisa, tu te deixas esfolar antes de renunciar a Jesus, e que tudo se perde, mesmo a prpria me, mas nunca Jesus.

5Ele torna a copiar em caracteres maisculos o conselho do seu diretor espiritual: No sero as pesquisas, os congressos, as conferncias, os cursos que vo salvar a Igreja e o mundo das suas crises hodiernas, mas os santos, os homens de Deus. A tua santidade pessoal, que Deus espera ardentemente, indispensvel ao teu Instituto.

6 Na justa ordem das coisas, as pessoas valem mais que as obras. Se se perde a pessoa, tudo se perde. Pelo contrrio, a obra pode continuar, mesmo quando as pessoas mudam. O amor no escopo, mas a atitude, cujo escopo a pessoa amada.

1Na universidade do motorista de txi.

Baslio, na sua primeira viagem Venezuela, chegou ao aeroporto s 3 horas da madrugada. Ningum o esperava. Alugou um txi e foi a Los Teques, a 30 km de Caracas, lugar do retiro espiritual; mas o local fora mudado sem que Baslio fosse avisado. Chegou bem cedo a Los Teques e ningum lhe veio abrir, apesar de vrios toques da campainha. Ento, esperando que viessem atend-lo, ficou no txi, tima ocasio para falar com o motorista.

Acho que teremos tempo para bater um papo, a no ser que voc no goste de falar com os passageiros. Eu teria preferido encontrar no aeroporto uma fisionomia conhecida disse-lhe mas fico feliz por faz-lo ganhar seu dia. Como se chama voc?

Ramn Snchez, s suas ordens! Est na cara que voc pessoa distinta e de bons sentimentos. Acontece que neste carro tenho de escutar tanta coisa... E voc, como se chama?

Baslio Rueda, Irmo Baslio Rueda. Sou religioso marista. A batina est na mala; que as leis do Mxico no nos permitem usar publicamente o hbito. Voc tem famlia?

Sim, uma esposa maravilhosa e cinco filhos que, felizmente, vo crescendo bem. Mas comem que devoram. O txi paga bem, no posso me queixar, mas estou sempre pobre.

E ficamos conversando. Respondeu a tudo o que eu queria saber sobre a Venezuela: poltica, sociedade, educao dos filhos, as pessoas das aldeias e das grandes zonas urbanas residenciais de luxo; sobre a Igreja, os sacerdotes, sobre a crena das pessoas e a moral crist. Trata-se de um homem honesto, de inteligncia notvel e que no havia estudado em livros; mas o seu txi valia uma universidade.

No horrio fixado pelo regulamento, uma religiosa nos abriu a porta. Apresentei-me e mostrei-me preocupado, porque tinha apenas tempo para tomar banho antes de comear o retiro.

Mas no aqui; no Seminrio Interdiocesano. Felizmente ela nos ofereceu um caf quente que nos revigorou nessa manh de setembro de Los Teques, Caracas!

Outro momento de conversa amigvel e rica do Ramn Snchez. Chegamos ao Seminrio, quando acabara a 1. Conferncia-meditao, justamente aquela que Baslio deveria ter dado.

Seu Ramn, quanto lhe devo? Pense na sua esposa, nos seus filhos, nas horas que voc teve a bondade de me dedicar.

Sim, penso em tudo isso, mas penso tambm, que voc um homem valente e no merecia a pssima acolhida que a Venezuela lhe reservou. D-me o que o taxmetro marca e mais um pouco para a gasolina que na Venezuela barata. Pois bem, isso tudo e mais a lio de sociologia venezuelana que voc me deu durante tantas horas.Prometi-lhe que o visitaria na sua casa na primeira ocasio que se apresentasse.

Ele o fez. Quando precisou voltar ao Mxico, samos de casa um pouco mais cedo, para parar na casa do motorista. A alegria daquela famlia humilde poderia ser comparada de Zaqueu, que fez as honras da casa ao Divino Mestre. Quanto essa simples histria do taxista nos revela a personalidade de Baslio! (Irmo Jess Martnez Gmes, de Caracas, Venezuela.)

2 Adulto de doze anos.

Recordo o caso do menino de doze anos, na Bolvia, do qual me interessei para que recebesse boa educao. Um Irmo me acompanhava ao bispado de Cochabamba, para falar com o Vigrio Geral da arquidiocese. O menino se aproximou e disse:

Padre, posso lustrar-lhe os sapatos? No, obrigado. Neste momento, temos de ficar sozinhos.

Na sada do bispado, vejo-o de novo e lhe pergunto o nome e se estuda.

No vou escola, eu lustro sapatos.

Gostarias de estudar? Sim, gostaria. Por que os teus pais no pagam a escola? Onde est o pai? Eles o mataram. E a tua me? Ela morreu.

Como morreu? Ela ficou de cama e morreu. Quem toma conta de ti? Tens algum parente. Parentes? Sim, tenho dois irmos pequenos, um de seis anos e o outro de dois.

Esforava-me em no demostrar demasiada emoo. Cumpre no traumatizar essas pessoas; j sofrem suficientemente; a vida as pe prova.

Mas tem de haver algum que se ocupa de voc, uma tia, um tio.

No. No temos ningum. Ento quem te d de comer? Uma senhora. Eu trabalho; dou-lhe o que ganho e ela d de comer aos meus irmos. por isso que lustro sapatos.

Nesse ponto, eu disse ao Irmo: Veja, preciso levar este menino ao colgio; eu vou encarregar-me de lhe encontrar um pai que o adote e tome cuidado dos pequenos irmos. Onde? Em qualquer parte do mundo, eu ou voc temos de fazer algo. So homens como este garoto que salvam uma nao. Quando se encontra um menino de doze anos capaz de deixar brinquedos, estudos e tudo o que o interessa para se ocupar dos seus irmos pequenos, estamos em face de um homem capaz de fazer da vida muito mais do que imaginamos.

No corao dos seus Irmos

1 Acrescentava a isso notvel delicadeza no relacionamento com os outros. Soube cultivar rica sensibilidade que o tornava extremamente atento s pessoas. Era amvel, atento aos detalhes e pronto em servir em grau mximo. Dono de um corao to generoso, sabia ser amigo universal. Tinha o dom de conservar e cultivar a amizade; para isso nem a memria, nem a imaginao lhe faltavam .

2 O Irmo Baslio queimou sua vida por Jesus Cristo. E o fez nas pegadas de Maria, a Virgem fiel. Amava a todos profundamente. O engraxate das praas, o jovem Irmo, o pai de famlia, o colega de trabalho e, sem limites e sem medida, a Igreja, o mundo, a Congregao e, sobretudo, o que ele chamava a santa vontade de Deus.

3 Era esse o estilo do Irmo Baslio, direto e direto ao assunto e sempre atento pessoa. Um dos maiores dons que ele fez a cada um de ns e ao Instituto este: era o nosso Irmo. Amava-nos a todos como aos seus Irmos e amava a todos aqueles com quem entrava em contato como irmos e irms. O seu modo de ser Irmo conosco e para ns foi uma bno para cada um, como para o Instituto e para a Igreja.

4 Ele viveu e morreu como timoneiro, como chefe, timoneiro de mo firme e chefe de grande corao. Bastava saber que ele estava por a para restabelecer-se a confiana e a calma, mesmo no turbilho das piores tormentas. Ele sabia por que e por qual causa vivia, por quem trabalhava e nas mos de quem entregaria o seu esprito. por isso que deixou um rastro visvel e exemplar, at mesmo para aqueles que no tm a coragem de segui-lo.

5 Sempre tive a impresso de que era um homem afvel e sereno, culto e humilde, religioso cheio de f e de doutrina, zeloso promotor da vida consagrada e fiel ao carisma do Fundador. Tinha a simpatia e admirao do Padre Geral dos Barnabitas, Pe. Giovanni Bernasconi, que tratava com ele dos problemas mais difceis do nosso tempo, poca de contestao, especialmente entre os jovens, na Igreja e nos Institutos Religiosos. A palavra do Irmo Baslio era animada por um sopro de otimismo e de confiana, apesar das dificuldades e das crises. Eu sabia que ele era autor seguro para a vida espiritual e asctica e eu lia com prazer os seus livros sobre a orao, comunidade religiosa e caridade fraterna, encontrando neles luz, consolao e ajuda. Era mestre autntico, guia seguro, lder de grande sensibilidade humana e evanglica.

6 O IrmoBaslio foi apstolo do mundo marista e portador de Boa Notcia.

A sua solicitude pelos Irmos, no pleno sentido da palavra, dava ateno pessoal especial queles que estivessem em grande necessidade.

Na sua capacidade de atingir os coraes, dava sempre preferncia s pessoas em face da instituio. A sua presena, a servio nosso e do trabalho, era total. Dedicava-se ao exame de cada situao, com detalhe e profundidade. Era hbil em obter a informao necessria para formular um juzo sempre adequado. Era voz proftica que nos convidava a aceitar os desafios lanados pelo Vaticano II e a responder aos seus apelos.

Orientou de maneira especial a nossa ateno para as necessidades das misses e dos pobres. Os seus retiros nos alertaram sobre uma dimenso de nossa vida: a dimenso marista. Incentivou profunda renovao da nossa vida espiritual pessoal. A sua competncia nesse setor baseada na sua unio pessoal com Deus na orao. Essa unio deu-lhe unidade de objetivo, integridade, simplicidade e humildade. Estava totalmente integrado tradio do Instituto e do Fundador. A sua equanimidade ia junto com o senso de humor. O seu corao transbordava virtude e ensino.

Jamais abatido, ele era fonte de inspirao para todos ns. Deu a muitos Irmos nova confiana em si mesmos e no Instituto. Devemos gratido a esse intrpido guia que nos mostrou o caminho e nos dirigiu. Na verdade, o Irmo Baslio foi lder nessa marcha.

7 Com a morte do Irmo Baslio Rueda, uma personalidade marcante desaparece, de porte acima da mdia, cujo destaque no resultado da longa durao de 18 anos de superiorato, mas fruto da riqueza pessoal fora do comum. Com certeza, possua o esprito, isto , aquela penetrao rpida e profunda de um conceito, unida capacidade de concluir com uma noo precisa, justa e completa. Quase no se consegue imaginar de outro modo o Irmo Baslio, seno com o seu esprito sempre desperto e pronto a reagir.

8Para o Irmo Quentin Duffy, que trabalhou dezoito anos como Vigrio dele, Baslio ser lembrado pela sua jovem alegria, pela sua inteligncia rpida em apanhar o essencial de uma boa vida religiosa, pelo seu ascendente e influncia sobre os homens e mulheres de qualquer idade, pela sua notvel piedade, pela sua f e caridade ardente, pela palavra fcil e pena inspirada.

9 Pode-se afirmar, sem engano, que o Irmo Baslio, quer nos seus escritos, quer pela sua presena ativa e nica entre ns, foi um dos orientadores mais ouvidos e mais equilibrados nos anos de renovao, no apenas no seu Instituto, mas no conjunto da vida religiosa. Numerosos consagrados, graas aos seus escritos e ao seu testemunho, puderam avanar mais seguramente e com maior alegria no mistrio do Deus vivo e verdadeiro.

10 Eu o conheci quando ele era Superior-Geral do Instituto. Uma das principais caractersticas do Irmo Baslio foi a notvel capacidade de escuta paciente e alegre. Quando no tinha reunio ou conselho, estava sempre disponvel, apesar da montanha de papis que se acumulavam sobre a sua mesa. Quem viesse bater sua porta, fosse o mais humilde dos Irmos da comunidade ou viesse de pas distante, encontrava o Irmo Baslio sempre acolhedor, sorridente e totalmente disposio.

As suas absorventes o