Agenda Cultural DDC Março e Abril - 2016

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Programação Cultural dos meses de março e abril de 2016, realizada pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS.

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  • 1AG

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  • 2Era um menino que sonhava demais, e um dia sonhou que havia uma folha especial, uma folha to especial que fazia com que tudo o que l se escrevesse ganhasse vida e fosse real, o menino adorou a ideia e foi contar aos pais:

    - Voc est maluco.

    Mas o menino era um menino que sonhava demais e no desistia de sonhar, e em vez de desistir da ideia aumentou a ideia, essa a vantagem de ser um menino e sonhar, quando se um menino e se sonha em vez de se parar perante o sonho aumenta-se o sonho, sonha-se ainda mais maior, ainda mais grande:

    - e se em vez de uma folha fosse um caderno inteiro.

    E o menino correu na livraria, pediu duas folhas do papel mais barato que havia, os sonhos no tm de ser caros e o menino sabia, afinal de contas os melhores brinquedos que tinha no eram brinquedos, uma bola de trapos, um parafuso que para ele a Torre Eiffel, um taco de madeira que ele transformou num automvel:

    - Vruum!

    Ele e a folha em branco, a magia pela primeira vez, ali pode inventar o que quiser porque inventou a folha mgica, basta escrever e acontece, ele no sabe muitas letras nem muitas palavras, entrou h pouco tempo na escola, escreve o que sabe e que no fundo o que quer:

    - Pai.

    Depois olha e gosta, apaga um ou outro risco, pe direitinho para nada falhar, para que a magia acontea como tem de ser, olha outra vez, agora est perfeito, s mais uma palavra e pode ser que a magia acontea:

    - Me.

  • 3Basta arrancar a folha e vai acontecer a magia, agora que vai testar a sua inveno:

    - Pai!

    - Me!

    E eles chegam, o menino arrancou a folha, leu as palavras vrias vezes, e eles apareceram, talvez preocupados com ele, talvez sem saber o que aconteceu, mas na verdade que aconteceu, a magia aconteceu, o menino explica aos pais outra vez que inventaram a folha mgica primeiro e o caderno mgico depois, os pais respiraram fundo primeiro e responderam depois

    - No volte a nos assustar assim.

    O menino no compreendeu, que mal tem sonhar?, e continuou na sua inveno que iria mudar o mundo, bastava escrever e o mundo mudava, imagine o que no se poderia fazer com isso, pensou em mil e uma coisas para escrever , mil e uma coisas para inventar, mas percebeu ento que no sabia escrever e tinha de saber escrever para que a folha fizesse o seu trabalho, podia chorar e ser como todos os outros meninos que no tm o que querem e choram e param, mas este menino nisso era diferente e quando tinha um sonho no chorava e fazia.

    - Por favor me ensine a escrever at comearem os desenhos animados

    A irm mais velha riu mas no resistiu, ao fim do dia, quando chegavam da escola, l iam os dois para o quarto, ningum sabia o que iam fazer, diziam que havia trabalhos para fazer e havia, mas o menino estava s lutando pelo sonho, a irm gostou de brincar de professora e lhe ensinou tudo, as letras todas, e vinte ou trinta dias depois o menino que s queria sonhar j tinha todas as ferramentas para criar o seu sonho.

    - Era uma vez...

    Comeou assim porque lhe pareceu que era assim que comeavam todos os sonhos, e foi escrevendo, frase a frase, inveno a inveno, e aos poucos foi percebendo que aquele seu caderno era mais mgico ainda do que aquilo que ele tinha inventado, afinal nem precisava arrancar a folha para existir, ele ia escrevendo e medida que ia escrevendo sentia tudo acontecer, o prncipe que queria voar, a princesa que

    queria ser salva, o menino foi escrevendo e aquilo tudo foi acontecendo, ele via ali, sua frente, dentro de si, mesmo dentro de si, todas as emoes, ria, sorria, at chorava, vejam l:

    - Como podem dizer que no existe se me faz chorar?

    E quando muitos anos depois, centenas de adultos e de crianas de uma escola primria diante de si, ele apresentou mais um dos seus livros, resolveu oferecer um presente especial a cada um deles:

    - um caderno com superpoderes!

    E passou para a mo deles um monte de folhas em branco igualzinho ao que mudou a sua vida:

    - O que vocs escreverem nele acontece mesmo .

    Todos riram menos as crianas, que comearam imediatamente a experiment-lo.

    *FREITAS, Pedro Chagas. Prometo Falhar - Ribeiro Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2015. pp. 17-19

    Este texto do escritor portugus Pedro Chagas Freitas dedicado a todos que esto chegando na UFRGS com seu caderno em branco e seu sonho na mente, e que comeam a preencher o seu caderno com outros sonhos e desejos.

    Claudia Boettcher Diretora do Departamento de Difuso Cultural

  • 4M O S T R A F R A N C E S E S C O N T E M P O R N EO S: C I N E M A

    Em maro, a Sala Redeno Cinema Universitrio, em parceria com Aliana Francesa de Porto Alegre, Cinemateca da Embaixada da Frana e Institut Franais, apresentam a mostra Franceses Contemporneos: cinemas. A mostra contempla filmes de realizadores contemporneos, muitos deles pouco conhecidos pelo grande pblico brasileiro. Do diretor e roteirista Sbastien Betbeder ser exibido 2 Outonos, 3 Invernos (2013), selecionado para a programao da ACID, no Festival de Cannes 2013, e premiado pelo jri especial no Festival de Turim. Betbeder construi uma slida trajetria de direo de curtas, antes de realizar longas-metragens. Da diretora, roteirista e atriz Pascale Ferran conhecida pelo pblico brasileiro ao dirigir Lady Chatterley (2006), ganhador de cinco Csar, incluindo o de melhor filme exibiremos Pessoas-Pssaro (2014).

    O longa participou da competio Un Certain Regard do Festival de Cannes e apresentado pela primeira vez no Brasil no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, em 2014. A Bela Vida (2013), do diretor, ator e cenarista Jean Denizot, estreou no Brasil na 39 Mostra Internacional de So Paulo. O ciclo contempla tambm Minha Alma por ti Liberta (2013) de Franois Dupeyron. Falecido em fevereiro de 2016, Dupeyron um cineasta que se manteve um pouco parte do sistema de cinema francs das grandes produes. Defensor de um cinema de tomada de posio, seus filmes tratam de temas espinhosos, como em Clandestino (2014), sobre um jovem curdo que quer chegar Inglaterra. Minha Alma por ti Liberta narra a histria de um personagem que luta contra a misria do mundo aps ter herdado da me o dom de curar com as mos.

  • 5De Lucas Belvaux exibiremos No meu tipo (2013); Suzanne (2013), da realizadora e cenarista Katell Quillevr tambm est presente na mostra. Segunda longa-metragem da cineasta, foi exibido no Festival de Cannes 2013, nas sesses especiais, tendo uma boa recepo. Exibiremos tambm Os conquistadores (2013), segundo longa-metragem do escritor, diretor e cenarista Xabi Molia, que em 2009 havia realizado 8 Fois Debout, premiado no Festival Internacional de Tokyo. Exibiremos tambm Seraphine (2008), com direo de Martin Provost, que participou em vrias categorias no Festival de Cannes; Maestro (2013) da diretora, roteirista e atriz sua La Fazer. Com uma trajetria marcada pelo teatro clssico e pela televiso, com seu filme Bienvenue en Suisse, exibido no Festival de Cannes, em 2004, na mostra competitiva Un certain Regard,

    que a realizadora inicia sua participao no cinema. Maestro, seu ltimo filme, realizado em 2014, uma homenagem ao ator Jocelyn Quivrin, morto em 2009, que trabalhou com cineastas como Eric Rohmer, entre outros realizadores. Os filmes exibidos na mostra Franceses contemporneos: cinemas foram programados por Thomas Sparfel, da Cinemateca da Embaixada da Frana.

    Tnia Cardoso de Cardoso

    Coordenadora e curadora da Sala Redeno Cinema Universitrio

    Foto: Pessoas-Pssaro

  • 6C I N E M A

    MARO

    Cinemas

    2 OUTONOS, 3 INVERNOS 7 de maro- segunda-feira 16h10 de maro- quinta-feira 16h21 de maro- segunda-feira 19h22 de maro- tera-feira 16h(2 Automnes, 3 Hivers, Frana, 2013, 93min) Dir. Sbastien BetbederArman (Vincent Macaigne) tem 33 anos e resolve mudar de vida. Para comear, inicia a correr no parque aos sbados. No primeiro dia, conhece Amlie (Maud Wyler). A primeira impresso de um choque, a segunda ser uma punhalada no corao. Benjamin (Bastien Bouillon) o melhor amigo de Arman. Entre dois outonos e trs invernos as vidas de Amlie, Arman e Benjamin se cruzam.

    PESSOAS-PSSARO 7 de maro- segunda-feira 19h8 de maro- tera-feira 16h22 de maro- tera-feira 19h23 de maro- quarta-feira 16h(Bird People, Frana, 2014, 127min) Dir. Pascale FerranAps chegar em Paris, um engenheiro de informtica americano (Josh Charles), submetido a presses familiares e profissionais, desliga seu celular e seus aparelhos eletrnicos e decide mudar radicalmente o curso de sua

    vida.

    A BELA VIDA 8 de maro- tera-feira 19h9 de maro- quarta-feira 16h24 de maro- quinta-feira 19h28 de maro- segunda-feira 16h(La Belle Vie, Frana, 2013, 93min) Dir. Jean DenizotSylvain e Pierre fogem da lei desde que uma batalha de custdia com sua me levou seu pai, Yves, a se esconder dez anos atrs. Mas agora que esto mais velhos, os dois irmos esto cansados da estrada e ansiosos para aproveitar o incio da vida adulta.

    MINHA ALMA POR TI LIBERTA 10 de maro- quinta-feira 19h11 de maro- sexta-feira 16h28 de maro- segunda-feira 19h(Mon me par toi Gurie, Frana, 2013, 124min) Dir. Franois DupeyronQuando a me de Frdi morreu, legou-lhe um dom: o de curar outras pessoas usando nada mais do que as suas mos. Mas ele est longe de se rever no papel de curandeiro. Preferia levar a existncia simples de um homem normal e trabalhador, de preferncia ao volante da sua moto. No entanto, vive num dilema, porque tambm quer honrar a memria da me e no lhe parece correcto desperdiar aquele imenso poder de ajudar o

    prximo.

    NO MEU TIPO 11 de maro- sexta-feira 19h14 de maro- segunda-feira 16h29 de maro- tera-feira 16h(Pas Son Genre, Frana, 2013, 111min) Dir. Lucas BelvauxClment, professor de filosofia em Paris