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1 ARTIGO AVALIAÇÃO BIOMECÂNICA DE ATLETAS DE PENTATLO MILITAR Marco Túlio Baptista Diego Garcia Leite Fábio Alves Machado Paulo Cesar Marinho

Análise Biomecânica Da Pista de Pentatlo Militar

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    ARTIGO

    AVALIAO BIOMECNICA DE ATLETAS DE PENTATLO MILITAR

    Marco Tlio Baptista

    Diego Garcia Leite

    Fbio Alves Machado

    Paulo Cesar Marinho

  • 2

    RESUMO

    AVALIAO BIOMECNICA EM ATLETAS DE PENTATLO MILITAR

    O objetivo deste estudo foi analisar por meio da cinemetria, dois componentes: o tempo de

    transposio de obstculos e de corrida limpa da PPM. A amostra consistiu em 07 indivduos

    divididos em dois grupos: Grupo Brasil, 06 atletas da equipe do Brasil de Pentatlo Militar e

    Grupo Recorde, atleta recordista mundial da Pista de Obstculos do Pentatlo Militar. Os

    voluntrios participaram do 60 Campeonato Mundial de Pentatlo Militar, ocasio em que o

    recorde mundial foi batido. A PPM para melhor anlise foi dividida em dois componentes

    principais: a transposio do obstculo e a corrida entre os obstculos, tambm chamada de

    corrida limpa. A partir destas definies foi possvel trabalhar com a varivel tempo de cada

    um dos componentes: mdia do tempo de transposio dos obstculos (TTO), mdia dos

    tempos de corrida limpa (TCL) e tempo total (TT) oficial da competio de cada atleta. Para

    fins de anlise foram levados em considerao 19 tempos de corrida limpa e 20 tempos de

    transposio de obstculo de cada sujeito. Os valores de TTO dos dois grupos esto

    prximos, o mesmo no ocorrendo para o TCL. Considerando os trechos de TCL e TTO e

    comparando-os entre os grupos Brasil (TCL=4.18s; TTO=2.886s) e Recorde (TCL=3.366s;

    TTO=2.784s), o resultado mdio encontrado dos tempos obtidos indicaram que no existe

    diferena significativa entre os grupos. Embora no se evidenciasse diferena significativa

    entre os grupos, nota-se que o Grupo Recorde apresenta uma habilidade 19,47% melhor que

    os atletas brasileiros no trecho de corrida limpa. Os resultados de nosso estudo sugerem que

    o TTO e TCL apresentam alta correlao com resultado do tempo total da prova de pista de

    obstculos. Porem, somente o TCL apresentou correlao significativa. Deste modo,

    necessrio enfatizar o treinamento de corrida, tcnica de corrida, velocidade de reao e

    tempo de reao aps a sada dos obstculos a fim de aperfeioar o TCL.

    Palavras-chave: pentatlo militar, pista de obstculos, tempo parcial, correlao

  • 3

    ABSTRACT

    BIOMECHANICAL EVALUATION OF THE MILITARY PENTATHLON

    ATHLETES

    The aim of this study was to analyze through kinematics two components of Obstacle Run

    (OR): the time of passing obstacles and the time of clean race. The sample consisted of 07

    athletes divided into two groups: Brazil Group (06 athletes from Brazils Team of Military

    Pentathlon) and Record Group (worlds record athlete of OR). To be better analyzed the

    OR was divided into two main components: the passing of the obstacle and the race

    between obstacles, also called clean race. From these definitions, it was possible to analyze

    the variable time (s) of each component: the obstacle passing average time (OAT), the clean

    race mean time (CRT) and the official total race time (TT) of the competition each athlete.

    For purposes of analysis it was considered 19 times of CRT and 20 obstacle passing times

    of each athlete. OAT values of both groups are close, but the same was not true for CRT.

    Considering the variables CRT and OAT and comparing them between Brazil Group (CRT

    = 4.18s; OAT = 2.886s) and Record Group (CRT = 3.366s; OAT = 2.784s), the average

    results achieved from the obtained times indicated that there were no significant difference

    between groups. Although it was noted no evidence of significant difference between the

    groups, it is observed that the Record Group has a better ability of 19.47% when compared

    to the Brazilian athletes in the variable CRT. The results of our study suggest that the OAT

    and CRT are highly correlated with results of total race time for the obstacle course.

    However, only the TCL showed a significant correlation. Thus, it is necessary to emphasize

    the training of running, running technique, reaction speed and reaction time after the

    departure of obstacles in order to improve the CRT.

    Keywords: military pentathlon, obstacle run, part-time, correlation.

  • 4

    1. INTRODUO

    Biomecnica uma das cincias derivadas das cincias naturais e que se ocupa das

    anlises fsicas dos movimentos do corpo humano (AMADIO e SERRO, 2007). Um dos

    mtodos utilizados pela biomecnica para abordar as diversas formas de movimento a

    cinemetria (WINTER, 2009). Cinemetria consiste de um conjunto de mtodos que mede os

    parmetros cinemticos do movimento (AMADIO et al., 1999).

    O instrumento bsico para as anlises cinemticas baseado em cmeras de vdeo

    que registram a imagem do movimento. Por meio de programa computacional especfico

    possvel calcular as variveis cinemticas de interesse (AMADIO e SERRO, 2007), dentre

    estas, as medidas de tempo. Entre os principais objetivos que indicam a utilizao deste

    procedimento destaca-se, dentre outros: a) avaliao da tcnica para competio; b)

    desenvolvimento de tcnicas de treinamento; c) monitoramento de atletas (AMADIO e

    BAUMANN, 2000).

    Usualmente, uma das formas de acompanhar o treinamento e a evoluo do

    desempenho atltico de modalidades esportivas em ambientes outdoor por meio de

    cronometragem manual. Este tipo de mensurao de desempenho desprovido de

    refinamento cientfico e permite interpretaes equivocadas. Por este motivo, comum em

    competies esportivas a utilizao de anlise cinemticas para balizar o treinamento tcnico

    e fsico.

    Para analisar as fases de determinado gesto motor importante a elaborao de

    simuladores com tempos parciais, frequncias e distncias de ciclo especficos da

    competio (BLANKSBY e ELLIOT, 2002). comum estudos que analisem os gestos

    motores especficos da modalidade (BLANKSBY e ELLIOT, 2002), que os fracionem em

    fases (THOMPSON, 2007) e que realizem a comparao de tempos individuais

    (THOMPSON, 2007; JRINE, 2004) e da execuo tcnica (BLANKSBY e ELLIOT,

    2002).

    Algumas modalidades desportivas so carentes de estudos com anlises cinemticas,

    dentre estas se destaca o Pentatlo Militar. O Pentatlo Militar um esporte tradicional no

    Exrcito Brasileiro, exclusivamente militar e tem a sua origem no treinamento de militares

    paraquedistas Holandeses. Atualmente, este esporte composto pelo Tiro de fuzil na

    distncia de 200m ou 300m, Pista de Pentatlo Militar (PPM), tambm chamado de Pista de

  • 5

    Obstculos, Pista de Natao Utilitria, Lanamento de Granadas e Corrida Atravs Campo

    (8Km ou 4Km).

    O Pentatlo Militar utilizado como um meio de preparao fsica do combatente e

    praticado sistematicamente como um esporte militar. Sob o prisma esportivo, o Pentatlo

    Militar considerado o principal esporte do Conselho Internacional do Desporto Militar

    (CISM) e tambm da Comisso Desportiva Militar do Brasil (CDMB), entidades mximas

    que regulamentam os esportes militares no mundo e no Brasil respectivamente. O Brasil

    possui um histrico de sete vitrias em campeonatos mundiais e a segunda equipe com

    maior nmero de conquistas internacionais.

    Devido a carncia de estudos cientficos acerca das disciplinas do Pentatlo Militar, da

    falta de parmetros de treinamento e da importncia desta prtica para o esporte militar em

    nvel mundial iniciou-se uma srie de investigaes cientficas desta importante modalidade

    esportiva. A primeira desta srie e que marca o presente estudo sobre Pista de Pentatlo

    Militar.

    Na 60 edio do campeonato mundial (2013) foi batido o recorde individual por um

    atleta chins e coincidentemente, o Brasil sagrou-se campeo por equipe nesta disciplina.

    Tendo como referncia o campeo mundial da PPM, questionou-se qual seria a vantagem

    competitiva do atleta recordista em relao a melhor equipe do mundo da Pista de

    Obstculos.

    So vrios os fatores que auxiliam no desempenho da PPM. Dentre estes, destaca-se

    a velocidade de ultrapassagem nos obstculos e a velocidade de corrida entre os mesmos

    (ION, 2009).

    O desempenho de uma determinada atividade esportiva pode ser melhor interpretada

    quando fracionada em fases (MARINHO, 2003). Cita-se como a exemplo a natao, que

    para fins de estudo dividida em sada, virada e nado limpo. Analogamente, anlise

    semelhante pode ser realizada na Pista de Obstculos do Pentatlo Militar.

    Utilizando-se da cinemetria, o tempo de transposio de obstculo e o tempo de

    corrida limpa podem ser descritos e modelados matematicamente, permitindo a maior

    compreenso dos mecanismos internos reguladores e executores do movimento do atleta.

  • 6

    Deste modo, investigaes cientficas sobre a Pista de Obstculos que possibilitem

    destacar indicadores de treinamento e sua relao com o desempenho atltico poder

    contribuir no aperfeioamento e direcionamento de uma prtica mais referenciada e balizada.

    Sob este enfoque, o objetivo do presente estudo analisar por meio da cinemetria,

    dois componentes: o tempo de transposio de obstculos e de corrida limpa da PPM. Este

    estudo analtico dos tempos de cada componente e a influncia deles no resultado final do

    desempenho na prova da Pista de Obstculos poder contribuir para a cientificidade de um

    esporte que carece de estudos e referenciais tericos.

    2. METODOLOGIA

    2.1 Casustica

    Participaram deste estudo, indivduos saudveis, ativos e sem antecedentes de

    leso do aparelho locomotor ou qualquer desordem neurolgica e cardiolgica. Os

    indivduos foram divididos em dois grupos: Grupo Equipe do Brasil (Gp_Brasil), 06 atletas

    de PM, caracterizados pelos seguintes dados (mdia desvio padro): 28,0 5,5 anos de

    idade, massa corporal 73,9 4,4 kg e estatura 180,3 9,5 cm; Grupo Recordista

    (Gp_Recorde), 24,6 anos de idade, massa corporal 70,2 kg e estatura 175,5 cm, sendo todos

    do sexo masculino. Os atletas abstiveram-se de bebidas alcolicas e a no realizaram

    qualquer tipo de refeio hipercalrica pelo menos 8 horas antes da avaliao.

    Todos os atletas analisados se classificaram entre os 16 melhores tempos do

    mundo no 60 Campeonato Mundial de Pentatlo Militar dentre os 132 atletas participantes. A

    presente investigao adotou os preceitos ticos preconizados pela Resoluo n 196, de 10

    de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Sade, garantindo aos sujeitos envolvidos no

    estudo a preservao dos dados e confidencialidade pela participao na pesquisa.

    2.2 Protocolo

    Os atletas utilizaram a vestimenta e o calado especficos para a execuo da

    pista de obstculos, conforme a regra do CISM.

    O protocolo experimental foi realizado por ocasio do 60 Campeonato Mundial

    de Pentatlo Militar. Inicialmente, os atletas realizavam um aquecimento individual

    caracterizado por exerccios especficos de mobilizao articular e flexibilidade envolvendo

  • 7

    todo o corpo. Aps este aquecimento, os atletas realizavam a Pista de Obstculos em

    situao de competio.

    2.3 Delineamento experimental

    A Pista est regulamentada pelo padro determinado pelo Comit Internacional do

    Desporto Militar, com as seguintes caractersticas bsicas:

    Distncia de 500 (quinhentos) metros;

    Composta de duas ou mais raias de 2,5 metros de largura;

    Piso emborrachado do tipo Tartan;

    20 obstculos com intervalo mnimo de 10 metros entre eles;

    Todos os obstculos devem seguir as medidas padronizadas pelo CISM.

    Foi utilizada uma cmera de vdeo marca JVC, modelo 220 DVP e com frequncia

    de aquisio de 60 Hz. A cmera foi posicionada em ponto elevado de tal modo que se

    pudesse avistar toda a rea de competio (Figura 1). O evento atltico foi gravado durante o

    60 Mundial de Pentatlo Militar, no Complexo Desportivo de Deodoro, Rio de Janeiro/RJ,

    Brasil em 2013.

  • 8

    Figura 1: Posio da filmadora no momento da gravao

    Adotou-se uma modelagem de anlise para o presente estudo baseada em

    WILLIANS e KENDALL (2007) que descrevem que cada metodologia ou sistema de

    anlise deve orientar-se segundo um protocolo de observao, de forma a determinar

    parmetros cinemticos julgados convenientes para avaliar o comportamento e o

    desempenho do atleta. Deste modo, a Comisso Tcnica de especialistas em Pentatlo Militar

    definiu um protocolo de anlise especfico para a PPM baseado no tempo de transposio

    dos obstculos, mdia dos tempos de corrida limpa e no tempo total da prova.

    Do acima exposto, a PPM para melhor anlise foi dividida em dois componentes

    principais: a transposio do obstculo e a corrida entre os obstculos, tambm chamada de

    corrida limpa. A partir destas definies foi possvel trabalhar com a varivel tempo de cada

    um dos componentes: mdia do tempo de transposio dos obstculos (TTO), mdia dos

    tempos de corrida limpa (TCL) e tempo total (TT) oficial da competio de cada atleta.

    Para analisar os componentes da pista de obstculos foi utilizado um programa de

    edio de vdeo denominado Race Wizard Analyzer, desenvolvido exclusivamente para a

    realizao deste tipo de estudo pela empresa Sport System Engenharia.

  • 9

    2.4 Seleo dos trechos estudados

    As anlises dos tempos de TTO, TCL e TT foram selecionados para a anlise. O TTO

    foi caracterizado desde o toque da primeira parte do corpo com o obstculo at o momento

    em que a ltima parte do corpo do atleta toca o solo. O TCL caracterizou-se pelo ltimo

    toque de qualquer parte do corpo com o solo aps a sada do obstculo at a abordagem do

    prximo obstculo. O TT considerado para fins de estudo foi o determinado oficialmente

    pela organizao do evento.

    A fim de se evitar dados inviabilizados no foi tomado o TCL da largada at a

    abordagem do primeiro obstculo pelo fato da filmadora no estar sincronizada com o

    disparador eletrnico da largada. O mesmo raciocnio adotou-se do ltimo obstculo at a

    linha de chegada. Deste modo, para fins de anlise foram levados em considerao 19

    tempos de corrida limpa e 20 tempos de transposio de obstculo de cada sujeito.

    2.5 Estatstica

    Foi realizada uma anlise estatstica comparando-se os dois grupos analisados

    (Gp_Brasil e Gp_Recorde) e os respectivos TTO, TCL e TT.

    A anlise estatstica foi realizada no programa Statistica 7.0. A distribuio normal

    dos dados foi testada e confirmada pelo teste Shapiro-Wilk e a igualdade das varincias pelo

    teste de Levene. As mdias de TCL e TTO entre os grupos estudados foram comparadas pelo

    teste t para amostras independentes.

    Foi realizada tambm uma comparao das mdias entre TCL e TTO considerando

    juntos os tempos dos dois grupos por meio do teste t para amostras dependentes.

    Realizou-se uma regresso linear mltipla com o intuito de analisar a relao entre

    TT e seus estimadores (TTO e TCL), bem como se quantificou a fora desta relao. O nvel

    de significncia adotado foi de p < 0,05.

    3. Resultados

    A partir dos tempos obtidos por cada atleta nos trechos considerados (19 trechos de

    TCL e 20 trechos de TTO) foi determinada uma mdia geral para cada indivduo, bem como

  • 10

    uma mdia de TCL, TTO e TT para cada Grupo. Na Tabela 1 apresentado os tempos

    mdios obtidos pelos dois grupos.

    TCL TCL TTO TTO TT TT Md_Brasil Recorde Md_Brasil Recorde Md_Brasil Recorde

    Mdia 4.10 3.70 2.87 2.78 138.03 130.50 Mn 2.32 2.17 0.54 0.50 135.00 130.50 Mx 8.47 7.77 7.64 7.81 140.90 130.50 DP 1.63 1.44 1.61 1.68 2.10 0.00

    Tabela 1: Tempos mdios em s do TCL, TTO e TT dos dois grupos

    A Figura 2 apresenta uma anlise descritiva dos dados obtidos por todos os atletas em

    cada trecho de TTO e TCL. Estes parmetros descreveram o comportamento dos dois grupos

    estudados durante a transposio de cada obstculo e no decurso de cada trecho de corrida

    limpa.

    TTO_Brasil

    TTO_Recorde

    TCL_Brasil

    TCL_Recorde0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21

    Trechos

    0

    1

    2

    3

    4

    5

    6

    7

    8

    (s)

    Figura 2: Anlise descritiva dos tempos parciais mdios dos atletas no TTO e TCL

    A seguir, apresenta-se a diferena entre as mdias do resultado de todos os trechos

    executados pelos dois grupos. O teste t para amostras independentes mostrou que a hiptese

    nula de que as mdias de cada grupo no so diferentes deve ser aceita (p > 0,05), tanto no

    trecho de TTO, quanto para o trecho de TCL, conforme se evidencia na Figura 3.

  • 11

    Fa

    tor

    Te

    mp

    o (

    s)

    TCL

    Gp_Brasil Gp_Recorde2.6

    2.8

    3.0

    3.2

    3.4

    3.6

    3.8

    4.0

    4.2

    4.4

    4.6

    TTO

    Gp_Brasil Gp_Recorde

    Figura 3: Comparao das mdias dos tempos obtidos pelos grupos estudados no TTO e TCL

    Foi realizada tambm uma comparao das mdias entre TCL e TTO considerando

    juntos os tempos dos dois grupos. O teste t para amostras dependentes mostrou que a hiptese

    nula de que as mdias de cada parmetro no so diferentes deve ser rejeitada (p=0.006). Esta

    comparao teve por objetivo analisar a possvel diferena entre os parmetros estudados

    considerando os tempos de todos os atletas simultaneamente.

    Median

    25%-75%

    Min-Max TTO_Br e RecTCL_Br e Rec

    0

    1

    2

    3

    4

    5

    6

    7

    8

    9

    Te

    mp

    os

    m

    dio

    s d

    e T

    TO

    e T

    CL

    (s

    )

    *

  • 12

    Figura 4: Comparao das mdias de TTO e TCL considerando os dois grupos juntos. As mdias de

    TTO e TCL so diferentes para p=0.006.

    Foi realizada uma regresso linear mltipla entre TCL, TTO e TT, conforme se

    apresenta na Figura 5 a fim de se medir o relacionamento linear entre as variveis.

    TCL

    TTO130 132 134 136 138 140 142

    Tempo Total (s)

    2.6

    2.8

    3.0

    3.2

    3.4

    3.6

    3.8

    4.0

    4.2

    4.4

    4.6

    Te

    mp

    o d

    os

    Tre

    ch

    os

    (s

    )

    Figura 5: Anlise da correlao entre as variveis TT, TTO e TCL

    A correlao entre TCL e TT (RTCL//TT) e TTO e TT (RTCL//TT) tambm foram

    realizadas a fim de se verificar a qualidade do ajuste (RTCL//TT=0.77 e RTTO//TT =0.74) e

    mostraram uma correlao linear alta. Contudo, somente a correlao entre TCL//TT foi

    significativa. O coeficiente de determinao de r2 = 0.705 do presente modelo explicou

    70.5% da variao do tempo total (TT) e permitiu uma equao de previsibilidade de TT

    como se descreve abaixo:

    = . + . + .

    4. Discusso

    Observando os dados extrados na Tabela 1, pode-se verificar que os valores de TTO

    dos dois grupos esto prximos, o mesmo no ocorrendo para o TCL. Considerando os

  • 13

    trechos de TCL e TTO e comparando-os entre os grupos Brasil (TCL=4.18s; TTO=2.886s) e

    Recorde (TCL=3.366s; TTO=2.784s), o resultado mdio encontrado dos tempos obtidos

    indicaram que no existe diferena significativa entre os grupos. Embora no se evidenciasse

    diferena significativa, nota-se que o Grupo Recorde apresenta uma habilidade 19,47%

    melhor que os atletas brasileiros no trecho de corrida limpa. Esta informao motiva a

    Comisso Tcnica dos diversos pases competidores a observar com mais critrio a tcnica de

    corrida, entrada e sada dos obstculos do atleta recordista.

    Nesta mesma tabela, foi possvel analisar juntamente as mdias dos dois grupos para

    os dois parmetros estudados (TCL_Brasil = 4.10s; TCL_Recorde = 3.70s; TTO_Brasil =

    2.87s; TTO_Recorde = 2.78s) e estabeleceu-se uma mdia geral por parmetro (TCL_Br e

    Rec = 3.896s; TTO_Br e Rec = 2.739s). Nota-se que o tempo destinado aos atletas

    executarem a sua corrida entre os obstculos (TCL) superior ao TTO cerca de 30,15%,

    como observado na Figura 4. Este fato caracteriza a necessidade de direcionar mais ateno

    durante os treinamentos de PPM prtica de corrida limpa, tcnica de corrida e entrada e

    sada dos obstculos.

    Transferindo estes dados para a rea de treinamento, no aspecto da tcnica de

    ultrapassagem de obstculos nota-se que os atletas brasileiros esto to desenvolvidos quanto

    o recordista mundial da prova. A busca de um melhor desempenho, segundo os dados aqui

    evidenciados, sugere-se que deva ser direcionada para a tcnica de corrida e a estratgia de

    corrida entre os obstculos.

    Refora esta observao os resultados evidenciados ao quantificar a fora da relao

    entre TCL e TT (RTCL//TT=0.77) e TTO e TT (RTTO//TT =0.74). A correlao mostrou uma

    correlao linear alta entre as variveis, porem somente o TCL mostrou-se significativo. Estes

    achados enfatizam a necessidade de se atentar para o treinamento de corrida, tcnica de

    corrida, velocidade de reao e tempo de reao aps a sada dos obstculos.

    Foi encontrada uma forte correlao entre TT e TTO. Pode ser que a correlao no

    significativa se deva ao fato de cada obstculo possuir condies e solicitaes tcnicas bem

    especficas (ION, 2009). Consequentemente, as discrepncias entre os valores parciais de

    TTO encontrados tenham prejudicado esta relao entre TT e TTO.

  • 14

    Possivelmente, para o presente modelo de correlao aumentar a sua significncia e

    encontrar uma explicao fisiolgica poder-se- incluir variveis de capacidade aerbia e

    anaerbia mxima dos atletas em estudos futuros.

    Quando se restringe a atletas de alto rendimento, nota-se que a diferena na obteno

    no tempo total de prova est no treinamento da corrida limpa. Talvez, se o modelo fosse

    aplicado em atletas iniciantes a estimativa de tempo total no teria o resultado esperado, pois

    provavelmente, estes atletas por no possurem uma tcnica de ultrapassagem de obstculo

    refinada, aumentaria o TTO. Logicamente, nesta anlise est-se desconsiderando a capacidade

    fisiolgica (capacidade aerbia e anaerbia) de cada atleta.

    O modelo de previsibilidade estabelecido para a determinao do tempo total explicou

    70,5% a sua variao. Este modelo ser til ao planejar o treinamento individual dos atletas,

    pois partindo deste modelo possvel estimar o tempo total da prova de PPM. Alm disso, o

    treinador passa a ter uma ferramenta til para referenciar tempos de treinamento para a

    transposio de cada obstculo e para o desenvolvimento do trecho de corrida limpa.

    Um aspecto positivo do presente modelo que o mesmo foi realizado em competio

    internacional. Os tempos obtidos foram medidos em situao em que o atleta apresentava o

    nvel mximo de motivao e fora de um ambiente de laboratrio, cujo aspecto motivacional

    negligenciado. Com o objetivo de elevar ao mximo a prontido atltica, consolidar

    aperfeioamentos tcnicos e maximizar o rendimento desportivo necessrio que o treinador

    observe o comportamento do seu atleta em competio (WILLIANS e KENDALL, 2007).

    Refora esta afirmao Arellano et al. (1994) quando sugeriram que o tempos

    parciais de uma dada competio, tiveram uma relao direta no resultado da prova em

    eventos de estilo nado livre nos Jogos Olmpicos de Barcelona. Corrobora ainda com o

    presente estudo Stefani (2006) que afirma que as competies constituem um terreno de

    observao privilegiado, que no pode ser negligenciado na anlise dos fatores que

    favorecem a otimizao do desempenho esportivo.

    5. Concluso

    Os resultados de nosso estudo sugerem que o TTO e TCL apresentam alta

    correlao com resultado do tempo total da prova de pista de obstculos. Porem, somente o

  • 15

    TCL apresentou correlao significativa. Deste modo, necessrio enfatizar o treinamento de

    corrida, tcnica de corrida, velocidade de reao e tempo de reao aps a sada dos

    obstculos a fim de aperfeioar o TCL.

    A correlao entre TCL e TT (RTCL//TT) foi significativa e o coeficiente de

    determinao do presente modelo explicou 70.5% da variao do tempo total (TT) e permitiu

    uma equao de previsibilidade de TT que auxiliar na planificao dos treinamentos.

    Para o prximo estudo sugere-se que a capacidade fisiolgica (capacidade aerbia e

    anaerbia) de cada atleta seja medida e considerada para fins de explicao do modelo de

    previsibilidade de TT na prova de Pista de Obstculos do Pentatlo Militar.

  • 16

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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