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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE CIÊNCIAS NATURAIS E EXATAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA GEOCIÊNCIAS ANÁLISE DO GERENCIAMENTO DOS RESIDUOS SÓLIDOS EM PANAMBI-RS: 1955 a 2012 DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Cléa Hempe Santa Maria, RS, Brasil. 2013

ANÁLISE DO GERENCIAMENTO DOS RESIDUOS SÓLIDOS EM PANAMBI ...w3.ufsm.br/ppggeo/images/dissertacoes/Dissertao Analise dos Res... · sÓlidos em panambi-rs: 1955 a 2012 dissertaÇÃo

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE CINCIAS NATURAIS E EXATAS

PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM GEOGRAFIA GEOCINCIAS

ANLISE DO GERENCIAMENTO DOS RESIDUOS

SLIDOS EM PANAMBI-RS: 1955 a 2012

DISSERTAO DE MESTRADO

Cla Hempe

Santa Maria, RS, Brasil.

2013

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ANLISE DO GERENCIAMENTO DOS RESIDUOS SLIDOS

EM PANAMBI-RS: 1955 a 2012

Cla Hempe

Dissertao apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Ps Graduao

em Geografia e Geocincias, rea de Concentrao Anlise Ambiental e

Dinmica Espacial, Linha de Pesquisa Geoinformao e Sensoriamento Remoto

em Geografia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como

requisito parcial para obteno do grau de

Mestre em Geografia

Orientador: Prof. Dr. Carlos Alberto da Fonseca Pires

Santa Maria, RS, Brasil

2013

3

@2013

Todos os direitos reservados a Cla Hempe. A reproduo de partes ou do todo deste trabalho s poder ser feita

com autorizao por escrito do autor.

Endereo: Rua Paulo Beckert, n 1134. Bairro Erica, Panambi, RS. CEP 98. 280.000

Fone (55) 9115 7080 e-mail: [email protected]

4

Universidade Federal de Santa Maria

Centro de Cincias Exatas

Programa de Ps- Graduao em Geografia e Geocincias

A Comisso Examinadora, abaixo assinada,

aprova a Dissertao de Mestrado

ANLISE DO GERENCIAMENTO DOS RESIDUOS SLIDOS EM

PANAMBI-RS: 1955 a 2012

elaborada por

Cla Hempe

como requisito parcial para obteno do grau de

Mestre em Geografia

COMISSO EXAMINADORA

_______________________________________ Carlos Alberto da Fonseca Pires, Dr.

(Presidente/Orientador)

____________________________________

Jorge Orlando Cuellar Noguera, Dr. (UFSM)

_____________________________________

Elsbeth Leia Spode Becker, Dr. (UNIFRA)

Santa Maria, 07 de agosto de 2013.

5

AGRADECIMENTOS

A Deus por sua infinita bondade e bnos em minha vida.

A meu Orientador, Prof. Dr. Carlos Alberto da Fonseca Pires pela ateno e

dedicao.

Ao Coordenador do Curso de Geografia e Geocincias e aos Professores que

ministraram as disciplinas, meu muito obrigado.

Ao professor Romrio Trentini, agradeo sua disponibilidade em auxiliar-me, meu

muito obrigado.

Ao Professor, Dr. Jorge Orlando Cuellar Noguera, coordenador do Curso de

Especializao em Educao Ambiental em EAD, o qual me incentivou para avanar meus

estudos, meu muito obrigado de corao.

Ao Sr. Ovdio Trentini e ao Sr. Paulo Roberto Wengrat, meu muito obrigado pela

disponibilizao dos diversos materiais.

As pessoas responsveis pelos diversos setores da Prefeitura Municipal de Panambi,

que no mediram esforos para fornecer documentos e registros necessrios realizao desta

pesquisa, obrigado.

A Solange Molz, Coordenadora do Polo da UAB/Panambi-RS, obrigado pelo

incentivo e pela disponibilidade de fazer os arranjos no meu horrio, a fim de que pudesse

cursar as disciplinas do Mestrado.

A Equipe de Professores e Funcionrios do Museu e Arquivo Histrico Professor

Hermann Wegermann pela pacincia e dedicao ao disponibilizar os vrios documentos para

a realizao da pesquisa, meu muito obrigado.

Ao Joo Severo Malheiros que sempre esteve ao meu lado, muito obrigado.

Ao meu irmo Ademar e minha Cunhada Marli, minha irm Enalda e meu cunhado

Elton que no mediram esforos para cuidar da minha me, enquanto realizava as aulas no

decorrer de 2011, meu muito obrigado.

Meus trs filhos agradeo de corao o apoio recebido durante a realizao da

pesquisa.

6

DEDICATRIA

Ofereo com muito carinho a minha primeira neta Maria Sofia Hempe de Almeida e

ao primeiro neto Rafael Hempe Kettermann.

Ao meu filho Lucas Juarez Hempe e as minhas filhas Claudia Rosane Hempe de

Almeida e Catia Regina Hempe Kettermann.

Ao Joo Severo Malheiros que esteve comigo acompanhando de perto todos os meus

passos para a realizao da pesquisa.

A minha sobrinha Lilia Souza Rosa, companheira dos trabalhos de campo.

A todos que de alguma forma colaboraram para que meu sonho se realizasse.

Dedico in memria aos meus pais Sanduval Pitham de Souza e Olga Silva de Souza,

que foram sempre grandes incentivadores para que continuasse estudando.

7

Tentar e falhar pelo menos, aprender.

No chegar a tentar sofrer a inestimvel perda do que poderia ter

sido.

(Geraldo Eustquio).

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RESUMO

Dissertao de Mestrado

Programa de Ps - Graduao em Geografia e Geocincias

Universidade Federal de Santa Maria

ANLISE DO GERENCIAMENTO DOS RESIDUOS SLIDOS

EM PANAMBI-RS: 1955 A 2012

AUTORA: CLA HEMPE

ORIENTADOR: CARLOS ALBERTO DA FONSECA PIRES

Data e Local: Santa Maria, 07 de agosto de 2013

O objetivo geral desta pesquisa consistiu em realizar um resgate histrico e geogrfico do

gerenciamento dos resduos slidos. O estudo foi realizado utilizando-se da pesquisa

qualitativa, deste modo foi possvel refletir, analisar e posicionar-se sobre as aes dos

gestores pblicos. Ao longo das gestes pblicas municipais de 1955 a 2012, estiveram em

frente administrao sete gestores sendo que trs administraram apenas uma gesto, dois

administraram por duas gestes e dois administraram por trs gestes. O municpio de

Panambi ao longo dos 57 anos teve trs lugares onde foi realizado o depsito de resduos

slidos. A partir do referencial terico e busca atravs da pesquisa de campo foi possvel

realizar as anlises e percebe-se que cada gestor teve o seu conceito de gerenciamento dos

resduos slidos e a forma de administrao. Houve consrcio, terceirizao e por ltimo os

servios esto sendo realizados pelos funcionrios da prefeitura. No primeiro lugar de estudo,

constatou-se que a prefeitura municipal apenas oferecia os servios de recolhimento e era

levado para um terreno distante a um km do centro urbano, literalmente era um grande lixo.

A preocupao estava em afastar do centro da cidade os resduos. O segundo lugar houve uma

evoluo no gerenciamento dos servios, passou de lixo para aterro controlado e foi

construda uma usina de triagem e no terceiro lugar evoluiu de aterro controlado para aterro

sanitrio e foi construda uma usina de triagem. Panambi tem se destacado na regio da

AMUPLAM, a qual faz parte na maneira de realizar o gerenciamento dos seus resduos

slidos, embora precise avanar muito para ser considerada modelo.

Palavras Chaves: Resduos Slidos; Legislao; Gerenciamento; Gestor Pblico

Municipal.

9

ABSTRACT

Masters Degree Dissertation

Graduate Program in Geographi and Geosciences

Federal University of Santa Maria

ANALYSIS OF SOLID WASTE MANAGEMENT IN

PANAMBI-RS: 1955 TO 2012

AUTHOR: CLA HEMPE

ADVISOR: CARLOS ALBERTO DA FONSECA PIRES

Place and date of Apresentation: Santa Maria 07 ago th, 2013.

The general objective of this research consisted in conducting a historical and geographical

review on the solid waste management from 1955 to 2012. The study was conducted using the

qualitative research, where it was possible to reflect, analyze and position on the actions of

the public officials. Over the city public administrations from 1955 to 2012, there were seven

administrators whereas three of them managed only one term, two managed for two terms and

two managed for three terms. Panambi city had three places where they held the solid waste

disposal. From the theoretical framework and search through the field research it was possible

to carry out the analysis where we realized that each administrator had their own concept of

solid waste management and administration. There were a consortium, outsourcing and

ultimately the services have been carried out by city employees. At the first place of study, it

was found that the city government only offered the services of collection and the waste was

taken to an area far from the urban center, it was literally a big rubbish dump. The concern

was keeping the waste away from the city center. The second place showed an evolution in

the management of services, it had changed from a rubbish dump to a recycling plant with a

controlled landfill and at the third place they started with a recycling plant and sorting with a

controlled landfill and after they invested in the construction of a sanitary landfill. Panambi

has excelled in the region of AMUPLAM, which is part of the way to perform the

management of solid waste, although much progress is needed for it to be considered a model.

Key Words: Solid Waste, Legislation, Management, City Public Administrator.

10

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Mapa do Municpio de Panambi ................................................................. 38

Figura 2 - Mapa do Rio Grande do Sul Localizao de Panambi.............................. 38

Figura 3 - Bacia do Rio Iju Destaque Para o Municpio de Panambi/RS................. 43

Figura 4 - Mapa de Panambi: Zona Urbana e Rural..................................................... 53

Figura 5 - Planta de uma Frao de Terra Primeiro Lugar de Depsito (...).............. 54

Figura 6 - Fachada do Primeiro Lugar de Depsito de Resduos Slidos..................... 57

Figura 7 - Primeiro Lugar de Depsito de Resduos Slidos........................................ 57

Figura 8 - Riacho - Destaque Para os Resduos na gua.............................................. 58

Figura 8.1Riacho-Destaque para a Vegetao nas Margens......................................... 58

Figura 9 - Incio da Canalizao do Riacho.................................................................. 59

Figura 10 - Infraestrutura na rua da Palmeira............................................................... 60

Figura 11 - Paisagem do Segundo Lugar de Depsito de Resduos Slidos................. 61

Figura 12 - Planta baixa do Segundo Lugar de Depsito de Resduos Slidos............ 64

Figura 13 - Infraestrutura da Usina de Reciclagem de Lixo, 1990............................... 64

Figura 14 - Mudas Plantio no Segundo Lugar da Usina de Depsito de Resduos.... 69

Figura 14.1 Momento Final do Plantio no Segundo Lugar de Depsito de Resduos.. 69

Figura 15 - Aes Antrpicas........................................................................................ 70

Figura 15.1Aes Antrpicas........................................................................................ 70

Figura 16 - Placa no Porto de Entrada......................................................................... 71

Figura 17 - Depsito de Restos de Construes............................................................ 72

Figura 18 - Vestgios de Invaso de Animais............................................................... 72

Figura 19 - Ip Branco e Angico .................................................................................. 72

Figura 20 - Imagem Area do Segundo Lugar de Depsito de Resduos Slidos....... 74

Figura 21 - Lagoa ......................................................................................................... 75

Figura 22 - Trajeto Realizado Pelas Mquinas Para Chegar a Pedreira........................ 77

Figura 23 - Trilha dos Motoqueiros.............................................................................. 78

Figura 24 - Caixas de Abelhas e galhos inseridos na paisagem................................... 79

Figura 24.1 Situao da Paisagem no Segundo Lugar de Depsito de Resduos ....... 79

Figura 25 - Situao da Paisagem no Segundo Lugar de Depsito de Resduos ........ 79

Figura 26 - Terceiro Lugar de Depsito de Resduos Slidos...................................... 82

Figura 27 - Unidades de Apoio: Recepo e Balana (2001) ...................................... 84

Figura 28 - Unidades de Apoio: Recepo e Balana (2012)....................................... 84

Figura 29 - Refeitrio, Banheiro e Casa do Zelador (2001) ......................................... 85

Figura 30 - Refeitrio, Banheiro e Casa do Zelador (2012) ......................................... 85

Figura 31 - Vista Parcial das Leiras de Compostagem de Resduos Orgnicos........... 86

Figura 32 - Vista do Depsito de Galhos e Restos de Construo............................... 87

Figura 33 - Box: Depsitos de Reciclveis .................................................................. 87

Figura 34 - Prensa de Materiais Reciclveis................................................................. 88

11

Figura 35 - Pavilho de Resduos Reciclveis ............................................................. 88

Figura 36 - Moega ........................................................................................................ 89

Figura 37 - Esteira ........................................................................................................ 90

Figura 38 - Box dos Resduos Reciclveis.................................................................... 90

Figura 39 - Trator Escavo-Carregador.......................................................................... 91

Figura 40 - Depsito de Resduos Reciclveis.............................................................. 91

Figura 40.1 Depsito de Resduos Reciclveis ............................................................ 92

Figura 40.2 Depsito de Resduos Reciclveis ............................................................ 92

Figura 41- Vista Parcial da Paisagem Anterior a Implantao da CTCAS .................. 94

Figura 42 - Solo Argiloso Usado na Compactao do Aterro Sanitrio CTCAS......... 94

Figura 43 - Planta da Usina de Reciclagem de Lixo CTCAS................................... 96

Figura 44 - Vazadouro a Cu Aberto Prximo Via Interna da CTCAS .................... 97

Figura 45 - Vazadouro a Cu Aberto, Escorregamento de Chorume........................... 97

Figura 46 - Lixo Prximo a Mata, Formao de Chorume .......................................... 98

Figura 47 - Espcimes Exticos Porto de Entrada CTCAS, 2012.............................. 99

Figura 48 - Espcimes Exticas em Frente a Casa do Vigia ...................................... 100

Figura 49 - Vista do Reflorestamento, Norte do Pavilho de Resduos Reciclveis.... 100

Figura 50 - Vista Parcial da Paisagem nas Vias Internas na Usina de Compostagem. 101

Figura 51 - Vazadouro a Cu Aberto, 2005 ................................................................. 101

Figura 52 - Paisagem em Processo de Recuperao..................................................... 102

Figura 53 - Box de Recebimento de Resduos Reciclveis ......................................... 102

Figura 54 - Pavilho de Depsito de Resduos Reciclveis.......................................... 103

Figura 55 - Espcimes Exticas e Plantao de Milho, Abbora................................. 103

Figura 56 - Espcimes Exticas ................................................................................... 104

Figura 57 - Vista Parcial da Paisagem, Lugar de Depsitos de Galhos........................ 104

Figura 58 - Aterro Controlado....................................................................................... 106

Figura 59 - Aterro Sanitrio e Lagoa Anaerbica......................................................... 106

Figura 60 - Aterro Sanitrio Reinaugurao em 2007............................................... 110

Figura 61 - Galpo de Triagem e Compostagem.......................................................... 110

Figura 62 - Organograma das Etapas do Trabalho na CTCAS..................................... 111

12

LISTA DE GRFICOS

Grfico 1 Populao por bairro em Panambi/RS................................................. 46

Grfico 2 Proporo de moradores por tipo de destino de lixo........................... 47

13

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Hierarquizao de critrios de seleo................................................ 29

Tabela 2 Pesos e critrios e do tipo de atendimento .......................................... 29

14

SIGLAS

ABRELPE Associao Brasileira de Empresas de Limpeza Pblica e Resduos Especiais

AMUPLAM Associao dos Municpios do Planalto Mdio

CTCAS Central de Triagem e Compostagem com Aterro Sanitrio

CNM Confederao Nacional dos Municpios

CNUMAD Conferncia das Naes Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento

CMMAP Conselho Municipal do Meio Ambiente de Panambi

DEMA Departamento de Meio Ambiente

DENATRAN Departamento Nacional de Trnsito

EIA Estudos de Impacto Ambiental

FEPAM Fundao Estadual de Proteo Ambiental Henrique Luiz Roessler/RS

FUNDEMA Fundo Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Panambi

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia Estatstica

IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente

MAHP Museu e Arquivo Histrico Professor Hermann Wegermann

RIMA Relatrio de Impacto Ambiental

RAMP Relatrios Anuais Municipais da Prefeitura

SMAIC Secretaria da Agricultura, indstria e Comrcio.

ONG Organizaes No Governamentais

PRAD Projeto de Recuperao de rea Degradada

TAC Termo de Acordo de Conduta

FAMURS Federao das Associaes de Municpios do Rio Grande do Sul

15

SUMRIO

INTRODUO ............................................................................................................... 16

1 RESDUOS SLIDOS: CONSIDERAES GERAIS............................................ 18

1.1 Histrico do Surgimento, Conceitos, Classificao, Caracterizao e Legislao...... 18

2 CARACTERIZAO DO MUNICIPIO DE PANAMBI-RS................................. 37

2.1 Criao, Localizao, Ocupao e Colonizao de Panambi-RS ................................ 37

2.2 Aspectos Fsicos do Municpio de Panambi/RS .......................................................... 42

3 ABORDAGEM TERICA-METODOLGICA....................................................... 49

4 GESTO DOS RESDUOS SLIDOS NO MUNICIPIO DE PANAMBI ........... 52

4.1 Localizao dos Lugares de Depsitos de Resduos Slidos (...)................................ 52

4.2 Primeiro Lugar Utilizado Para Depsito dos Resduos Slidos de 1955 a 1974......... 54

4.3 Segundo Lugar Utilizado Para Depsito dos Resduos Slidos de 1975 a 2001......... 60

4.4 Terceiro Lugar Utilizado Para Depsito dos Resduos Slidos de 2001 a 2012......... 81

4.5 O Perfil dos Trabalhadores e Suas Contribuies Para a Gesto (...). Municipal........ 113

4.7 Cronologia das Aes dos Gestores Municipais (...)................................................... 118

CONCLUSES E RECOMENDAES...................................................................... 124

REFERNCIAS............................................................................................................... 127

APNDICE....................................................................................................................... 139

ANEXOS........................................................................................................................... 147

16

INTRODUO

Os resduos slidos passam a ser problema quando em quantidade e qualidade tal que

impea o desenvolvimento harmnico dos seres vivos em dado ecossistema e j vem

preocupando os homens h milhares de anos, em funo das epidemias de doenas surgidas

pela contaminao de guas (CASTRO, 2003, p.94).

Aps a Revoluo Industrial agravou-se a situao ambiental, uma vez que houve

aperfeioamento das tecnologias, que gerou melhores condies de vida na sociedade,

contribuindo para o aumento da populao e gerando a necessidade de produo em massa, a

fim de atender a demanda crescente de consumo. Diante da exploso populacional e de

consumo, estima-se que, em mdia, cada pessoa produz em torno de um quilo de resduo por

dia. No Brasil, calcula-se que so produzidas aproximadamente 240 mil toneladas de resduos

slidos no mesmo perodo e, por dia, o total pode chegar a 86,4 milhes de toneladas por ano

(DIAS, 2006). A adequao dos destinos dos resduos nos vrios municpios brasileiros

ainda um grande desafio neste sculo XXI.

O problema da pesquisa consistiu em verificar como ocorreu o gerenciamento dos

resduos slidos no municpio de Panambi/RS e as formas de destinao final adotadas pela

Administrao Pblica Municipal de 1955 a 2012. Justifica-se a escolha do tema a partir da

conscincia de cidad e a preocupao na preservao do meio ambiente.

A pesquisa teve como objetivo geral realizar um resgate histrico e geogrfico sobre a

gesto dos resduos slidos no municpio, nas Administraes Pblicas Municipais 1955 a

2012. Os objetivos especficos consistiram-se em localizar os lugares que foram depsito de

resduos slidos no municpio e descrever como ocorreu o gerenciamento nas Administraes

Pblicas Municipais no perodo compreendido entre 1955 a 2012; conhecer, descrever e

analisar a unidade operacional e os servios na Central de Triagem e Compostagem que est

operando no municpio de Panambi/RS; conhecer o perfil dos funcionrios pblicos que

desempenham suas funes na Usina de Triagem, a fim de colher informaes e sugerir

aes ao Administrador Pblico Municipal; identificar e nomear as aes dos diferentes

gestores municipais com relao aos resduos slidos, construindo uma cronologia para ser

visualizada, apresentada comunidade panambiense e subsidiar novas aes dos

Administradores Pblicos Municipais.

A presente dissertao est estruturada em quatro captulos, sendo que a introduo

contm a problemtica, a justificativa, os objetivos e descreve brevemente cada captulo.

17

O primeiro captulo trata do surgimento dos resduos slidos, os conceitos, a

classificao, a legislao dos resduos slidos, as formas de disposio existentes no Brasil,

conceito de paisagem, conceito de lugar e os impactos na paisagem que os resduos resultam.

O segundo captulo apresenta a caracterizao do municpio onde esto localizados os

lugares de estudo. Nesse captulo aborda-se a histria da ocupao inicial de Panambi/RS, os

aspectos fsicos do municpio e a caracterizao geral da rea urbana.

O terceiro captulo descreve a abordagem terico-metodolgica.

O quarto captulo aborda a Gesto dos Resduos Slidos no municpio de Panambi-RS.

Apresenta-se o resgate histrico e geogrfico dos lugares que foram depsito de resduos

slidos em Panambi/RS, de1955 a 2012. A Administrao Pblica Municipal utilizou trs

lugares para o depsito nesse perodo e cada lugar revela a concepo e a forma de gerenciar

as aes municipais nas diversas gestes. Os lugares de depsito de resduos slidos de cada

gesto deixaram marcas registradas, essas revelam o tipo de relao e de conhecimento das

pessoas que estavam diante da funo de administrar o gerenciamento dos resduos slidos

urbanos.

Aps o quarto captulo apresentado concluso e as recomendaes da pesquisa.

No final tambm so listados os autores, as instituies e a relao da legislao utilizada na

elaborao deste trabalho.

18

1 RESDUOS SLIDOS: CONSIDERAES GERAIS

1.1 Histrico do Surgimento, Conceitos, Classificao, Caracterizao e Legislao

Esse captulo apresenta o histrico dos resduos slidos, conceitos, classificao dos

resduos conforme os riscos ambientais de contaminao ao meio ambiente, caracterizao

geral dos destinos do lixo no Brasil, formas de disposio adotada e legislaes.

O servio dirio de limpeza urbana no Brasil teve incio oficialmente em 25 de

novembro de 1880, na cidade de So Sebastio no Rio de Janeiro, na poca capital do

Imprio. O Contrato de limpeza e irrigao da cidade foi assinado por D. Pedro II. O

Decreto n 3024 regulamentava os servios, sendo executada por Aleixo Gary e Luciano

Francisco Gary, cujo sobrenome originou a palavra gari, que na atualidade denominada a

funo dos trabalhadores da limpeza urbana em muitas cidades. Dos tempos imperiais aos

dias atuais os servios de limpeza urbana tiveram seus momentos muitas vezes avaliados

como bons ou ruins. A gesto dos resduos slidos se apresenta em cada municpio de forma

diversa, prevalecendo, entretanto, uma situao nada alentadora (MONTEIRO, 2001).

A partir da Revoluo Industrial deu incio ao processo de urbanizao, provocando a

sada do homem do campo para as cidades, ou seja, o xodo rural. Com a Revoluo

Industrial houve crescimento populacional, favorecido pelo avano da medicina e

consequente aumento da expectativa de vida da populao em geral. A partir destes fatos, os

impactos ambientais passaram a ter um grau de magnitude alto, devido aos mais diversos

tipos de poluio, entre eles a poluio gerada pelos resduos slidos. O fato que os resduos

passaram a ser encarado como um problema, o qual deveria ser combatido e escondido da

populao (CEMPRE, 2000). A Revoluo Industrial trouxe um novo olhar e desencadeou a

necessidade de produzir em grandes quantidades e com maior rapidez.

Segundo Lago (2007),

[...] a m disposio, a falta de conhecimento tcnico e a ganncia dos empresrios

aumentaram os riscos na disposio final dos resduos slidos. Em 1962, Raquel

Carson no livro Primavera silenciosa chama a ateno ao problema ambiental. Dez

anos mais tarde, em 1972, na Conferncia de Estocolmo foram determinadas

algumas aes ambientais. Vinte anos depois, em 1992 foi realizada no Rio de

Janeiro a ECO 92, onde apareceram os Sistemas de Gesto Ambiental (SGA), ISO

14000 e a Agenda 21. Entre 1972 e 1992 muitas catstrofes ambientais foram marco

do panorama mundial: Bhopal (1984), Cidade do Mxico (1984), Flixborough

(1974), Seveso (1976), Vila Soc (1984), Rio Reno (1986), Chernobil (1986). Aps

todos estes acontecimentos so trabalhadas no processo produtivo tecnologias

limpas, mas os problemas no esto superados (2007, p.34).

19

A Conferncia de Estocolmo que aconteceu em 1972 foi a primeira grande reunio

organizada pelas Naes Unidas a concentrar-se sobre questes de meio ambiente. A

convocao para o Evento foi consequncia da crescente ateno internacional para a

preservao da natureza, e do descontentamento de diversos setores da sociedade quanto s

repercusses da poluio sobre a qualidade de vida das populaes.

Para Lago (2007, p.18), A ateno da opinio pblica e as presses polticas

verificavam-se principalmente nos pases industrializados, onde as comunidades cientficas e

um nmero crescente de organizaes no governamentais conquistavam amplo espao para a

divulgao de suas denncias e alertas. A partir da realizao da Conferncia ECO 92,

introduziram-se conceitos e princpios que, ao longo dos anos, vem se tornando a base sobre a

qual tem evoludo para o dilogo e elaborao de legislaes na rea do meio ambiente.

A Conferncia das Naes Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento

CNUMAD tambm conhecida como ECO-92 realizada em junho de 1992 no Rio de Janeiro

teve como objetivo principal busca de meios para conciliar o desenvolvimento scio-

econmico com a conservao e proteo dos ecossistemas da Terra (KRAJEWSKI, 2003).

A CNUMAD tem consagrado o conceito de desenvolvimento sustentvel e contribudo para

a conscientizao de que os danos ao meio ambiente so de responsabilidade dos pases

desenvolvidos. Ao mesmo tempo reconhecida a necessidade de que os pases em

desenvolvimento recebam apoio financeiro e tecnolgico para avanarem na direo do

desenvolvimento sustentvel.

Do incio do sculo XXI aos dias atuais, as questes ambientais tm merecido destaque

na mdia nacional e internacional e praticamente todas as reunies entre Chefes de Estado contm

em sua pauta temas envolvendo a reduo de emisses ou o controle da degradao de reservas

ambientais (ZANIN, 2012, p.1).

Um exemplo de destaque nos dias atuais em relao abordagem das questes

ambientais aconteceu em junho de 2012 - Conferncia das Naes Unidas sobre o

desenvolvimento sustentvel-RIO+20. Esta Conferncia baseou-se em trs pilares:

econmico, social e ambiental e foi organizada com base na Resoluo 64/236 da Assembleia

da Organizao das Naes Unidas, de maro de 2010. Durante a realizao foram tratados

dois temas: a economia verde no contexto da erradicao da pobreza e a estrutura de governo

para o desenvolvimento sustentvel no mbito das Naes Unidas (MMA, 2012, p.1). O

Documento de Contribuio Brasileira para a RIO + 20 coloca que a Amrica Latina e Caribe

consolidaram-se como regio de paz e democracia e que,

http://pt.wikipedia.org/wiki/1992http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeirohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimentohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Ecossistemahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Terrahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_sustentvelhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Pases_desenvolvidoshttp://pt.wikipedia.org/wiki/Pases_desenvolvidoshttp://pt.wikipedia.org/wiki/Pases_em_desenvolvimentohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Pases_em_desenvolvimento

20

(...) a regio evoluiu em vrios aspectos sociais desde o incio da dcada de 90, o

ndice do Desenvolvimento Humano (IDH) mdio aumentou de 0,614 para 0,704; a

distribuio de renda melhorou (o coeficiente de Gini passou de 0,54 para 0,52); a

proporo de pessoas vivendo em habitaes inadequadas caiu de 34% para 23%; a

populao sem acesso energia reduziu-se de 18% para 6%; e o nvel de emprego

passou de 53% para 58%, dado ainda mais relevante tendo em conta o aumento do

contingente populacional. Esses dados no devem mascarar, entretanto, os enormes

desafios sociais ainda existentes (DOCUMENTO DE CONTRIBUIO

BRASILEIRA RIO +20).

A Conferncia das Naes Unidas sobre o desenvolvimento sustentvel-Rio+20

abordou sobre o desenvolvimento sustentvel. Para o xito da mudana, essencial a

mobilizao de todos os atores: governos nacionais e locais, cientistas, acadmicos,

empresrios, trabalhadores, organizaes no governamentais, movimentos sociais, jovens,

povos indgenas e comunidades tradicionais (DOCUMENTO DE CONTRIBUIO

BRASILEIRA A RIO +20, p. 5.).

No item das Cidades e desenvolvimento urbano entre vrios assuntos, cita a

preocupao com as polticas que dizem respeito ao tratamento dos resduos. Dados da

Organizao das Naes Unidas apontam que o setor da construo, em nvel global,

responde por um tero do consumo de recursos naturais, incluindo 12% de todo o uso de gua

doce, e pela produo de at 40% dos resduos slidos (DOCUMENTO DE

CONTRIBUIO BRASILEIRA A RIO+20, p.15).

Nas propostas do Documento de Contribuio Brasileira a Rio+20 sugeriu-se que os

aterros sanitrios sejam aproveitados para a produo de energia. Alm da produo de

eletricidade, a combusto do biogs contribui para a diminuio da emisso de gases

causadores do efeito-estufa, pois ao transformar metano (seu principal componente) em gs

carbnico (vinte vezes menos prejudicial ao meio ambiente), contribui para diminuir os riscos

de acidentes e aumentar a qualidade de vida em seu entorno ((DOCUMENTO DE

CONTRIBUIO BRASILEIRA A RIO+20, 2012).

Os resduos slidos urbanos gerados nas cidades, nas diferentes regies do pas tm

sido motivo de preocupao nessa primeira dcada do sculo XXI, pois tm causado crescente

poluio e impactos socioambientais devido disposio final inadequada. Nos lixes, os

principais problemas provocados so a proliferao de vetores de doenas, gerao de maus

odores, poluio do solo e das guas subterrneas (TAKAYANAQUI, 2003).

Os conceitos de lixo e de resduos variam conforme a poca e o lugar. Depende de

fatores jurdicos, econmicos, ambientais, sociais. Sob o ponto de vista econmico, resduo

ou lixo todo o material que uma dada sociedade ou agrupamento humano desperdia. Este

desperdcio pode ocorrer por problemas ligados falta de disponibilidade de informaes e ou

21

por falta de desenvolvimento de um mercado para produtos reciclveis, entre outras razes. A

definio e a conceituao do termo resduo e lixo pode variar conforme a situao em que

seja aplicada. Lixo todo e qualquer material descartado pela atividade humana, domstica,

social e industrial, que jogado fora, pois para o seu proprietrio no tem mais valor,

enquanto que resduo corresponde sobra no processo produtivo e equivalente a refugo ou

rejeito (CALDERONI, 1997).

Para Mazzarino (s.d) lixo tudo o que descartado e que no percebido e que no

possui utilidade imediata. Para o autor, o vocbulo lixo pode ser chamado de resduo, quando

descartado e reutilizado.

Monteiro (2001) define lixo como tudo aquilo que no se quer mais e se joga fora,

coisas inteis, velhas e sem valor. Tambm define resduo ou lixo como sendo todo o

material slido ou semi-slido indesejvel e que necessita ser removido por ter sido

considervel intil por quem o descarta, em qualquer recipiente destinado a este fim ( p.25) .

A Associao Brasileira de Normas Tcnicas - ABNT 10.004 no item trs tem

definido os resduos slidos e semi-slidos:

[...] que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, domstica,

hospitalar, comercial, agrcola, de servios e de varrio. Ficam includos nesta

definio os lodos provenientes de sistemas de tratamento de gua, aqueles gerados

em equipamento (...). Instalaes de controle de poluio, bem como determinados

lquidos cujas particularidades tornem invivel o seu lanamento na rede pblica de

esgotos ou corpos de gua que exijam para isso solues tcnicas economicamente

inviveis em face da melhor tecnologia disponvel (ABNT, 2004, p.63)

Pela definio anterior, os resduos slidos so provenientes de diversas fontes

geradoras e tm apresentado caractersticas diferentes. Uns, mais volumosos, como o entulho

da construo civil; outros apodrecem rapidamente, como o caso de cascas de frutas e restos

de alimentos; outros so txicos, pilhas e baterias so citadas como exemplo.

A Agenda 21 Brasileira, captulo 21, item 21.3, define os resduos slidos como (...)

todos os restos domsticos e resduos no perigosos, tais como os resduos comerciais e

institucionais, os resduos slidos da rua e os entulhos de construo.

Os conceitos de lixo e resduos so sinnimos como pode ser percebido pelas vrias

denominaes. H de se destacar, pois para quem descarta alguma coisa pode no ter

serventia, para outras pessoas pode vir a tornar-se matria prima para um novo produto ou

22

processo. Nesse sentido, segundo Monteiro (2001, p.25) a ideia de reaproveitamento do lixo

um convite reflexo do prprio conceito clssico de resduos slidos.

No Brasil, a Norma Tcnica NBR 10.004 (ABNT, 2004) tem apresentado a

classificao dos resduos slidos conforme os riscos potenciais de contaminao ao meio

ambiente: Os resduos so classificados em trs classes: resduos classe I ou perigosos,

resduos classe II ou no inertes ou banais e resduos classe III ou inertes.

Os resduos classe I ou perigosos correspondem aos resduos slidos ou mistura de

resduos que, em funo de suas caractersticas de inflamabilidade, corrosividade, reatividade,

toxicidade e patogenicidade, podem apresentar risco sade pblica, provocando ou

contribuindo para um aumento de mortalidade ou incidncia de doenas e/ou apresentar

efeitos adversos ao meio ambiente, quando manuseados ou dispostos de forma inadequada.

Os resduos classe II ou no inertes so classificados como classe II ou resduos no

inertes os resduos slidos ou mistura de resduos slidos que no se enquadram na Classe I

ou na Classe II B. Esses resduos podem ter propriedades como combustibilidade,

biodegradabilidade ou solubilidade em gua. So, basicamente, os resduos com as

caractersticas do lixo domstico.

Os resduos classe III ou inertes Resduos classe II B inertes: so classificados

como classe II B os resduos slidos ou mistura de resduos slidos que, quando amostrados

de forma representativa, segundo a NBR 10007 (ABNT, 2004), e submetidos ao teste de

solubilizao, conforme a NBR 10006 (ABNT, 2004),no tenham nenhum de seus

constituintes solubilizado sem concentraes superiores aos padres de potabilidade de gua,

excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor (...).

Quanto natureza ou origem os diferentes tipos de resduo ou lixo podem ser

agrupados em cinco classes, a saber: lixo domstico ou residencial, lixo comercial, lixo

pblico, lixo domiciliar especial e lixo de fontes especiais (MONTEIRO, 2001).

O lixo domstico ou residencial correspondem aos resduos gerados nas atividades

dirias em casas, apartamentos, condomnios e demais edificaes residenciais.

O lixo comercial so os resduos gerados em estabelecimentos comerciais, cujas

caractersticas dependem da atividade ali desenvolvida. Nas atividades de limpeza urbana, os

tipos domsticos, que, junto com o lixo pblico representam a maior parcela dos resduos

slidos produzidos nas cidades. O grupo de lixo comercial, assim como os entulhos de obras,

pode ser dividido em subgrupos chamados de pequenos geradores e grandes geradores. O

pequeno gerador de resduos comerciais o estabelecimento que gera at 120 litros de lixo

23

por dia (1.000 kg ou 50 sacos de 30 litros por dia), j o grande gerador de resduos

comerciais o estabelecimento que gera um volume de resduo superior a esse volume.

O lixo pblico corresponde aos resduos presentes nos logradouros pblicos, em geral

resultantes da natureza, tais como folhas, galhadas, poeira, terra e areia, e tambm aquelas

descartadas irregular e indevidamente pela populao, como entulho, bens considerados

inservveis, papeis restos de embalagem e alimentos.

O lixo domiciliar especial compreende os entulhos de obras, pilhas e baterias,

lmpadas fluorescentes e pneus. Segundo Monteiro (2001) os entulhos de obras esto

enquadrados nesta categoria por causa da grande quantidade de sua gerao e pela

importncia que sua repercusso e reciclagem vem assumindo no cenrio nacional. As pilhas

contm metais como: chumbo, cdmio, mercrio, nquel, prata, ltio, zinco, mangans. Essas

substncias causam impactos negativos sobre o meio ambiente e, em especial sobre o homem

causando efeitos colaterais, isto doenas. As lmpadas fluorescentes liberam mercrio

quando so quebradas, queimadas ou enterradas em aterros sanitrios, o que transforma em

resduos perigosos da classe I. O mercrio txico para o sistema nervoso e, quando inalado

ou ingerido pode, causar uma enorme variedade de problemas fisiolgicos, enquanto que os

pneus so muitos os problemas ambientais gerados pela destinao.

Os lixos de fontes especiais correspondem aos resduos que merecem cuidados

especiais em seu manuseio, acondicionamento, estocagem, transporte ou disposio final.

Cada caso merece ser estudado.

O lixo industrial Adota-se a NBR 10.004 da ABNT para classificar os resduos

industriais: Classe I, II e II.

O lixo de portos, aeroportos e terminais rodo ferrovirios so os resduos decorrentes

do consumo de passageiros em veculos e aeronaves e sua periculosidade est no risco de

transmisso de doenas j erradicadas no pas.

Os resduos de servio da sade compreendem todos os resduos gerados nas

instituies destinadas preservao da sade da populao.

O desafio da limpeza urbana vai alm de remover o lixo de logradouros e edificaes,

isto , principalmente necessrio dar destino final correto aos resduos coletados. Em grande

nmero das municipalidades brasileiras, o sistema de limpeza urbana est em segundo plano e

a prioridade a coleta e a limpeza urbana. comum observar os municpios de pequeno porte

a presena de lixes. Nesses locais, o lixo coletado e jogado diretamente sobre o solo sem

qualquer controle e cuidados ambientais, vindo com o decorrer do tempo a poluir o solo, o ar

e as guas subterrneas e superficiais (MONTEIRO, 2001).

24

Em pesquisa realizada pela Associao Brasileira de Empresas de Limpreza Pblica e

Resduos Especiais - ABRELPE (2009), constatou-se que no Brasil existem 5.565 municpios,

sendo que destes 38,4% (2.138 municpios) utilizam aterro sanitrio, 31,2% (1.739

municpios), possuem aterro controlado e 30,3% (1688 municpios) depositam os residuos

slidos em lixes.

O percentual de municpios que utilizam lixes para depsito de seus resduos teve

diminuio de 2,1 nos ltimos oito anos. Os municpios que tm utilizado os aterros

controlados aumentaram para 12,8%. E a utilizao de aterro sanitrio nos municpios teve

um aumento significativo de 24,6%.

Segundo ABRELPE (2011), 43% dos municpios ainda depositam de forma

inadequada seus resduos slidos. Em 2009, a despesa mdia municipal para fazer frente a todos os servios de limpeza urbana (coleta, transporte, destino final, varrio, capina,

limpeza de vias e logradouros, etc.) foi de R$ 9,27 por habitante por ms no Brasil. J em

Tquio foi de R$ 86,37, em Barcelona R$ 47,00; no Mxico R$ 52,69; em So Paulo foi de

R$ 6,13.

Para Hamada (2003) o mais importante do que a definio de resduos slidos saber

o que deve fazer com eles, e uma soluo bsica restaurar o seu valor at que deixe de ser

resduo. Segundo Junke (2002), os resduos urbanos nas ltimas dcadas vm sendo estudados

no sentido de se obter tcnicas mais eficientes e seguras de disp-lo no ambiente, ou torn-lo

novamente teis.

A Confederao Nacional dos Municpios (CNM) realizou consulta no primeiro

semestre de 2012 com os 5.563 municpios do nosso pas, com a finalidade de verificar a

situao em relao elaborao do Plano de Gesto Integrada de Resduos Slidos. Houve

retorno de 3.457 municpios (62,14%), desses, apenas 9,8% conseguiram atender a obrigao

legal, isto , elaborar os seus Planos de Gesto Integrada de Resduos Slidos.

A pesquisa indica que 49,08% dos municpios no comearam a elaborar os seus

Planos de Gesto Integrada de Resduos Slidos e alegam falta de equipe tcnica e de recursos

financeiros ou esto aguardando a liberao de verbas do governo federal. Dos poucos

municpios que realizaram os Planos, 61% custeiam integralmente a iniciativa e 39%

receberam ou aguardam recursos de convnios.

Com relao aos 496 municpios gachos, 390 foram pesquisados, esses representam o

percentual de 78,63%. Desses 6,5% concluram o Plano de Gesto Integrada de Resduos

Slidos em tempo hbil e apenas 9,7% do universo conseguiu recursos financeiros

(ZIULKOSKI, 2012).

25

Segundo Gonalves (2010), o Ministrio do Meio Ambiente apoia os estados para a

realizao de Planos e Consrcios. Dos 27 estados brasileiros 66,6% (18) possuem Convnios

e 33,3% (09) no possuem. Para ter acesso a verbas federais h necessidade de o municpio

ter elaborado seu Plano de Resduos Slidos, cuja data era at agosto de 2012.

Enquanto os Planos de Gesto Integrada vo sendo elaborados, possvel identificar

trs formas de destinao final dos resduos slidos no Brasil: lixes, aterro controlado e

aterro sanitrio.

Os lixes se caracterizam pela simples descarga de resduos em determinadas reas,

sem medidas de proteo ao meio ambiente e proteo sade pblica (FREIRE 2009).

Geralmente localizam-se em reas sem preparao para receber esses resduos e no h

nenhum tratamento de efluentes lquidos. Sendo assim essas reas propiciam a proliferao de

moscas, aves necrfagas como urubus e alguns tipos de gavies, alm de ratos e outros

pequenos animais, que se transformam em vetores de agentes patognicos. Estes tm

apresentado grande impacto sobre a paisagem e sua presena causa desconforto e tem trazido

a desvalorizao das reas adjacente. Tambm acabam por atrair os catadores, pessoas que

fazem da coleta do lixo um meio de sobrevivncia, muitas vezes permanecendo na rea do

aterro, em abrigos e casebres, criando famlias e formando comunidades (MONTEIRO,

2001).

O aterro controlado uma forma de disposio criada com vistas diminuio dos

efeitos adversos do lanamento do lixo a cu aberto. Instalao destinada disposio de

resduos slidos urbanos cuja tcnica consiste em confinar adequadamente os resduos slidos

urbanos sem poluir o ambiente externo, porm, sem a promoo da coleta e o tratamento dos

efluentes lquidos e gasosos produzidos. Normalmente, descrito como uma clula de um

lixo no qual se adotaram tentativas de remediao.

A clula preparada para receber os resduos com sistema de impermeabilizao

correta e operada de forma a reduzir os impactos negativos, com a adoo de providncias

com a cobertura diria da pilha de lixo com terra ou outro material disponvel como forrao

entre o lixo e o aterro sanitrio. O aterro controlado constitui-se um estgio entre o que vem

a ser um lixo e um aterro sanitrio (FREIRE, 2009, p.23).

Para Souza (2011), o aterro controlado ,

26

uma clula adjacente ao lixo que foi remediado, ou seja, que recebeu cobertura de

argila e grama (...). Esta clula preparada para receber todos os tipos de resduos e

possui uma operao que procura dar conta dos impactos negativos tais como a

cobertura diria da pilha de lixo com terra ou outro material disponvel. No lixo

tambm feita a recirculao do chorume que coletado e levado para cima da

pilha de lixo, diminuindo a sua absoro pela terra (2011, p.2).

O aterro sanitrio a utilizao de tcnica de disposio de Resduos slidos urbanos

que utilizam o solo, tendo a preocupao de no causar danos sade pblica e segurana

da populao, procurando minimizar os impactos ambientais. Esse consiste em um mtodo

que utiliza os princpios de engenharia para confinar os resduos slidos menor rea

possvel e reduzi-los ao menor volume permissvel, cobrindo-os com uma camada de terra na

concluso de cada jornada de trabalho, ou a intervalos menores, se for necessrio

(MONTEIRO, 2001).

A primeira etapa de um projeto de aterro sanitrio a escolha de uma rea para

implantao e operao do mesmo. O desempenho de um aterro sanitrio depende da seleo

dos aspectos ambientais, tcnicos, econmicos, sociais e de sade pblica.

Segundo a NBR 13896 (ABNT, 1997), a avaliao de um local adequado a ser

utilizado para implantao de um aterro sanitrio deve levar em conta os impactos mnimos

ambientais gerados na sua implantao e operao. A instalao deve ser aceita pela

populao vizinha; necessrio estar de acordo com o zoneamento local e que possa ser

utilizado por longo perodo de tempo.

Para Monteiro (2001, p.151), um aterro sanitrio deve necessariamente conter

unidades operacionais e unidades de apoio. As unidades operacionais so: clulas de lixo

domiciliar; clula de lixo hospitalar (caso o municpio no disponha de processo mais efetivo

para dar destino final a esse tipo de lixo); impermeabilizao de fundo (obrigatrio) e superior

(opcional); sistema de coleta e tratamento dos lquidos percolados (chorume); sistema de

coleta e queima (ou beneficiamento) do biogs; sistema de drenagem e afastamento das guas

pluviais; sistemas de monitoramento ambiental, topogrfico e geotcnico; ptio de estocagem

de materiais. As unidades de apoio so: cerca e barreira vegetal, estradas de acesso e de

servio, balana rodoviria e sistema de controle de resduos, guarita, prdio administrativo,

oficina e borracharia.

A escolha da rea para instalao de aterro sanitrio, segundo Monteiro (2001), no

tarefa simples e deve-se levar em conta parmetros tcnicos das normas e diretrizes federais,

estaduais e municipais, planos diretores dos municpios envolvidos, polos de desenvolvimento

27

locais e regionais, distncia de transporte, vias de acesso e os aspectos poltico-sociais

relacionados com a aceitao do empreendimento pelos polticos, pela mdia e pela

comunidade.

A estratgia adotada para a seleo da rea do novo aterro consiste em realizar a

seleo preliminar das reas disponveis no Municpio, estabelecimento de critrios de

seleo, definio de prioridades para o atendimento aos critrios estabelecidos, anlise critica

de cada uma das reas levantadas frente aos critrios estabelecidos e priorizados. Em seguida

selecionar a rea que atenda a maior parte das restries atravs de seus atributos naturais,

reduzindo desta forma os gastos com o investimento inicial.

A seleo das reas disponveis no Municpio deve ser feita utilizando a estimativa

preliminar da rea total do aterro. Segundo Monteiro (2001, p.153) a situao fundiria do

imvel de extrema importncia para evitar futuros problemas para a prefeitura. Sugere-se

levar em considerao critrios tcnicos, econmico-financeiros, poltico-sociais.

Os critrios tcnicos so:

Uso do solo as reas a serem selecionadas devem localizar-se onde o uso do solo

seja rural/agrcola ou industrial e fora de Unidade de Conservao Ambiental;

Proximidade a cursos dgua - localizar-se a mnimo 200 metros distantes de corpos

dgua;

Proximidades de ncleos habitacionais estar no mnimo a 1000 metros distantes de

ncleos habitacionais;

Proximidades de aeroportos a rea no pode estar localizada prxima a aeroportos;

Distncia do lenol fretico respeitar as normas estaduais e federais;

Vida til no mnimo cinco anos de vida til;

Permeabilidade do solo as reas devem ter caractersticas argilosas,

impermeabilidade natural, com vistas a reduzir as possibilidades de contaminao no lenol

fretico;

Extenso da bacia fretica: a bacia de drenagem das guas deve ser pequena a fim de

evitar grandes volumes de gua de chuva na rea do aterro;

Facilidade de acesso a veculos pesados: a pavimentao de acesso deve ser de boa

qualidade permitindo livre acesso mesmo na poca de chuva intensa;

Disponibilidade de material de cobertura: o terreno deve possuir material de

cobertura prximo a fim de assegurar custos de cobertura do lixo a baixo custo.

Os critrios econmico-financeiros so:

28

Distncia do centro geomtrico da coleta: aconselhvel que o trajeto de ida (e de

volta) que os veculos de coleta realizam seja o menor possvel, com vistas a reduzir os

custos;

Custos de aquisio do terreno: se a prefeitura no disponibilizar terreno, a sugesto

adquirir na rea rural uma vez que so mais baratos que os localizados no permetro urbano;

Custos em investimentos em construo: importante que a rea escolhida disponha

de infraestrutura completa, com vistas a diminuir os gastos em investimentos;

Custos com a manuteno do sistema de drenagem: a rea escolhida deve ter um

relevo suave, de modo minimizar a eroso do solo e reduzir com a limpeza e manuteno

dos componentes de drenagem.

Os critrios poltico-sociais:

Distantes de ncleos urbanos de baixa renda: deve se criar iniciativas de incentivo a

formao de cooperativas de catadores, que possam trabalhar em instalaes de reciclagem

dentro do prprio aterro ou mesmo nas ruas da cidade, de forma organizada e incentivada pela

prpria prefeitura;

Acesso rea: o trajeto feito pelos caminhes at a rea do aterro passe por locais de

baixa densidade demogrfica;

Inexistncia de problema com a comunidade: desejvel que o terreno a ser instalado

o aterro sanitrio no tenha tido nenhum problema com a prefeitura, ONGs, com a Mdia a

fim de evitar indisposio e gerar reaes negativas com a Comunidade.

O Manual de Gerenciamento de Resduos Slidos (MONTEIRO, 2001, p.156)

apresenta informaes a respeito da hierarquizao de critrios de seleo a ser levados em

conta ao instalar um aterro sanitrio.

O local a ser implantado um aterro sanitrio deve ser aquele que atende o maior

nmero de critrios e ser precedida de anlise individual de cada rea selecionada com relao

aos diversos critrios estabelecidos. Na impossibilidade do terreno escolhido no atender o

item dos tributos naturais, tais deficincias devero ser sanadas atravs de implementao de

solues da moderna engenharia, de forma que o critrio seja atendido. Para selecionar a

melhor rea Monteiro (2001) sugere levar em considerao os critrios estabelecidos na

Tabela 1.

29

Tabela 1 - Hierarquizao de critrios de seleo

Hierarquizao de critrios

Critrios Prioridades

Atendimento ao SLAP*e a legislao ambiental em vigor 1

Atendimento aos condicionantes poltico-sociais 2

Atendimento aos principais condicionantes econmicos 3

Atendimento aos principais condicionantes tcnicos 4

Atendimento aos demais condicionantes econmicos 5

Atendimento aos demais condicionantes tcnicos 6

*Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras

Fonte: Manual do Gerenciamento Integrado de Resduos Slidos, 2001.

Para que se possa efetuar a escolha da melhor rea, necessrio que se fixem pesos,

tanto para as prioridades, quanto para o atendimento aos critrios, como mostra a Tabela 2.

Tabela 2 - Pesos dos critrios e do tipo de atendimento.

Pesos dos critrios e do tipo de atendimento

Prioridade dos critrios Peso

1 10

2 6

3 4

4 3

5 2

6 1

Tipo de Atendimento Peso

Total 100%

Parcial ou com Obras 50%

No atendido 0%

Fonte: Manual do Gerenciamento Integrado de Resduos Slidos, 2001.

Segundo Monteiro (2001) ser considerada melhor a rea que na soma dos critrios

obtiver o maior nmero de pontos aps a anlise e aplicao de pesos s prioridades e ao

atendimento dos critrios.

A prefeitura logo que tiver decidido onde ser instalado o aterro sanitrio, dever

proceder a compra ou desapropriao do imvel e contratar o seu levantamento topogrfico,

realizando, ainda, pelo menos quatro furos de sondagens, com o objetivo de se conhecer as

caractersticas geolgicas do terreno natural.

30

Os trmites para o licenciamento compreendem: Pedido de Licena Prvia- LP,

Acompanhamento da elaborao da instruo tcnica-IT, Elaborao do EIA/RIMA,

Acompanhamento da anlise e aprovao do EIA, Audincia pblica, Elaborao do Projeto

do Executivo, Entrada de pedido de licena de instalao LI, Acompanhamento do aterro

sanitrio, Pedido de Licena de Operao LO e Cronograma do licenciamento.

A Licena Prvia - LP concedida pelo rgo de Controle Ambiental, liberando o

empreendedor a realizar os estudos de impacto ambiental relativos implantao do aterro e

elaborao do projeto por parte do executivo. Este pedido deve ser feito j nos primeiros 30

dias da assinatura do contrato.

A Instruo Tcnica um documento onde o rgo de Controle Ambiental define os

aspectos relevantes que devero ser enfocados no Estudo de Impacto Ambiental. Os autores

do projeto na medida do possvel devem acompanhar a elaborao da instruo tcnica, a fim

de tomar conhecimento antes da publicao formal e para minimizar o nvel de exigncia

formulada pelo rgo ambiental.

O Estudo do Impacto Ambiental - EIA corresponde a estudo tcnico contratado junto

s firmas especializadas, com vistas a levantar os pontos positivos e negativos do aterro

sanitrio a ser implantado com relao aos meios fsico, bitico (flora e fauna) e antrpicos

(aspectos relacionados ao homem), e que estabelece uma srie de medidas e aes que visam

minimizar os impactos negativos registrados. O EIA aprovado pelo rgo Ambiental do

Estado.

O Relatrio de Impacto Ambiental RIMA um relatrio que apresenta um resumo

dos principais pontos do EIA, redigido em linguagem acessvel ao pblico em geral. A

Empresa responsvel pelo EIA/RIMA no pode ser a mesma que elabora os projetos bsicos

do poder executivo.

Com o EIA aprovado, precede-se publicao exigida por lei. A populao poder

ser convocada a participar da audincia pblica de sua apresentao marcada, em geral 30

dias a partir da data da publicao em jornal de grande circulao no Municpio.

As demais etapas compreendem: Obteno da Licena Prvia LP, Elaborao do

Projeto do Executivo, Entrada de Pedido de Licena de Instalao LI, Acompanhamento da

Concesso da Licena de Operao-LI, Implantao do Aterro Sanitrio, Pedido de Licena

de Operao - LO e Cronograma do Licenciamento (MONTEIRO, 2001).

Nos municpios onde no existe a coleta seletiva, os resduos so muitas vezes jogados

no meio ambiente causando grandes impactos a paisagem. A paisagem objeto de interesse e

de estudo para o jurista especializado em direito urbanstico, para o gegrafo, para o

31

urbanista, para o paisagista, entre outras profisses. A paisagem sob o ngulo da

Geografia constitui tema central para a compreenso dos diferentes aspectos da organizao

do espao. Para Librio (2011, p.1) (...) as inter-relaes estabelecidas pelos diversos

enfoques cientficos o cenrio de nossas experincias cotidianas, devem estar centradas em

pontos comuns para que possam, de fato, ser propiciadoras de medidas efetivas para a sua

proteo.

Para Custdio (2002, p.4) considera-se paisagem o complexo de elementos naturais

ou de elementos artificiais visveis por uma pessoa parada em determinado local (paisagem

esttica) ou em movimento ao longo de um percurso (paisagem dinmica).

A paisagem urbana aquela constituda por um conjunto de elementos, tais como:

logradouros, edificaes, muros, reas verdes, monumentos, fontes, equipamentos urbanos e

comunitrios, anncios publicitrios ou culturais, mobilirio urbano entre outros que definem

um espao urbano (CUSTDIO, 2002, p.4).

Custdio (2002) aborda o conceito de paisagem como bem juridicamente protegido e

integrante do meio ambiente. Essa autora conceitua ainda paisagem como sendo o resultado

da combinao dinmica de elementos fsico-qumicos, biolgicos e antropolgicos que, em

mtua dependncia, geram um conjunto nico e indissocivel em perptua evoluo (p.4).

Afirma que ao antrpica aliada tcnica acaba convertendo as paisagens naturais e ou

virgens em paisagens humanizadas e diz que a ao humana tambm destruidora e

ocasiona graves danos paisagem. Desta forma, h necessidade de leis que imponham

medidas preventivas a fim de velar pela conservao da natureza e evitar uma destruio

irracional e injustificada da paisagem e manter o equilbrio do meio ambiente (CUSTDIO,

2002, p.4).

Em relao ao conceito de paisagem, Callai (2000) diz que:

a paisagem revela a realidade do espao em um determinado momento do processo.

O espao construdo ao longo do tempo de vida das pessoas, considerando a forma

como vivem, o tipo de relao que existe entre elas e o que estabelecem com a

natureza. Dessa forma, o lugar mostra, atravs da paisagem, a histria da populao

que ali vive, os recursos de que dispe e a forma como se utiliza de tais recursos

(2000, p.96).

A paisagem o resultado do processo de construo do espao, isto ,

tudo aquilo que ns vemos, o que nossa viso alcana, a paisagem. Esta pode ser

definida como o domnio do visvel, aquilo que a vista abarca. No formada

apenas de volumes, mas tambm de cores, movimentos, odores, sons, etc; (...). A

percepo sempre um processo seletivo de apreenso (CALLAI, 2000, p.97).

32

As pessoas vem as paisagens a partir de sua viso, de seus interesses, de sua

concepo. A aparncia da paisagem nica, embora na aparncia as formas estejam

dispostas e apresentadas de modo esttico, na realidade no so assim por acaso. A paisagem

precisa ser vista alm do que visvel, observvel, buscar as explicaes do que est por

detrs da paisagem, a busca de significado do que aparece (CALLAI, 2000).

O estudo do conceito de lugar s ganhou importncia para a Geografia a partir da dcada de

1980. Desde a implantao da Geografia como disciplina acadmica - o conceito de lugar foi

eventualmente estudado pelos gegrafos, mas sempre em um plano secundrio. Estudar as paisagens

de um determinado lugar , portanto, compreender a realidade. As paisagens trazem a marca

das culturas e, ao mesmo tempo, as influenciam" (CLAVAL, 1999, p.318). Para Santos (1998,

p.65) A paisagem um conjunto heterogneo de formas naturais e artificiais, formada por

fraes de ambas. J Callai (2000), coloca que existem paisagens naturais e artificiais. As

paisagens artificiais so aquelas transformadas pela ao antrpica, enquanto que existem

lugares que so basicamente naturais, com vegetao nativa e as caractersticas de equilbrio

ambiental. Essas paisagens aparentemente parecem naturais, mas na realidade no so, uma

vez que de alguma forma houve interferncia humana, causando modificaes concretas

naquele lugar. Estudar as paisagens de um lugar buscar e entender a trajetria da construo

de certo espao, preciso estabelecer e entender as relaes entre os fenmenos que vo

encadeando para formar o espao. A anlise do espao deve ocorrer a partir de um vaivm

constante entre a descrio, as relaes, as explicaes do aparente e a busca de justificativas

desta aparncia.

Callai (2000, p.111) sugere analisar as paisagens fazendo a leitura do que est

expresso e que a nossa viso apreende, percebendo a histria, o movimento, a mobilidade

territorial. A autora recomenda buscar e identificar os fixos e reconhecer os fluxos em suas

origens e nas formas de concretizao material. O espao sempre formado de fixos e fluxos.

Cada tipo de fixo (rea de estudo) surgiu com caractersticas, que so tcnicas organizacionais

do municpio na poca. Os fluxos so o movimento, a circulao e assim eles nos do

tambm, a explicao dos fenmenos da distribuio e o consumo, podem ser estudados

atravs desses dois elementos: fixos e fluxos.

Ao longo da histria, segundo lamo (1994), o homem tem demonstrado que possui

capacidade para alterar o meio ambiente que o rodeia de forma deliberada e inconsciente. As

mudanas e alteraes que ocorrem na paisagem dependem em grande parte de medidas e

de formas como as pessoas percebem seu entorno e os objetivos e aspiraes que tm em

relao ao uso, modificaes e adaptaes desses meios a suas necessidades. Por essa razo,

33

para compreender as inter-relaes que existe entre o homem e sua paisagem

necessrio aprofundar a percepo subjetiva que este mantm com respeito ao entorno de

onde realiza as atividades vitais. Tambm coloca que em um mesmo lugar, existem grupos

culturais muito distintos e cada um tem um jeito de interpretar o mundo que o rodeia. lamo

(1994) coloca que, se um grupo capaz de revelar as razes pelas quais justificam certas

agresses ambientais e comportamentais prejudiciais ao meio ambiente, ento esse tem

condies de atravs de processos educativos de sensibilizao ambiental, intervir para

sugerir atitudes mais equilibradas e respeitosa com a natureza. O mesmo autor conceitua a

percepo ambiental fazendo referncia ao conjunto de processos (sensitivos, cognitivos e

atitudinais), atravs dos quais o homem individual e coletivamente conhece seu entorno e se

dispe atuar sobre ele (LAMO, 1994).

H trs vertentes legislativas para a instrumentalizao do sistema de limpeza urbana.

Primeira, de ordem poltica e econmica, estabelece as formas legais de funcionamento de

institucionalizao dos gestores do sistema e as formas de remunerao e cobrana dos

servios. Uma segunda, conformando um cdigo de posturas, orienta, regula, dispe

procedimentos e comportamentos corretos por parte dos contribuintes e dos agentes da

limpeza urbana, definindo ainda processos administrativos e penas de multa; e a terceira que

compe o aparato legal que regula os cuidados com o meio ambiente de modo geral no pas e,

em especial, o licenciamento para implantao de atividades que apresentem riscos para a

sade pblica e para o meio ambiente (MONTEIRO, 2001, p.20).

As leis, decretos, resolues e normas evidenciam a preocupao com o meio

ambiente e, especialmente, na questo da limpeza pblica, tambm iniciativas do legislativo

municipal nas leis orgnicas e demais instrumentos legais locais nos diversos municpios. A

seguir so apresentadas algumas leis existentes, as quais foram selecionadas pela para este

trabalho.

Nas Constituies (1891, 1937, 1946 e 1967) no constam disposies especficas

sobre a proteo e preservao do meio ambiente. A Constituio Federal de 1988, no seu

captulo VI do Ttulo VIII versa a respeito das providncias do Meio Ambiente. A partir da

Constituio de 1988 o direito de um ambiente ecologicamente equilibrado e preservado para

as geraes do presente e do futuro passou a ser um direito de todos, cabendo ao poder

pblico e a coletividade a obrigao e o dever de preservar e defender a natureza.

34

A partir do exposto, alm do poder pblico, a sociedade civil solidariamente fiscal da

lei do envolvimento e do interesse pelas providncias quanto ao meio ambiente. A exemplo, a

discusso em torno dos resduos slidos pauta de toda a coletividade.

A Constituio Federal para viabilizar a aplicao e eficcia do Direito Ambiental

disps no disposto legal do Art. 61, pargrafo 2: A iniciativa popular pode ser exercida

Cmara de Deputados de projeto de lei subscrito por, no mnimo um por cento do eleitorado

nacional, distribudo pelo menos por cinco Estados, com no menos de trs dcimos por cento

dos eleitorados de um deles (BRASIL, 1988).

O primeiro registro na legislao na esfera federal em relao preocupao com o

meio ambiente trata-se da Lei Federal n 6.938, de 31 de agosto de 1981. Esta lei instituiu a

Poltica Nacional do Meio Ambiente seus fins e mecanismos de promulgao e aplicao, e

d outras providncias. A lei n 6.938 foi alterada em vrios itens pela lei n 7.804 de 18 de

julho de 1989.

A Lei n 7.804/1989 estabelece a Poltica Nacional do Meio Ambiente, seus fins e

mecanismos de formulao e aplicao, constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente

SISNAMA e criou o Conselho Superior do Meio Ambiente CSMA, e institui o Cadastro de

Defesa Ambiental.

A Resoluo n 001/1986 publicada em 23 de janeiro de 1986 estabelece as definies, as

responsabilidades, os critrios e diretrizes para uso e implementao da Avaliao de Impacto

Ambiental como instrumentos da poltica Nacional.

A lei 10.257, de 10 de julho de 2001, refere-se ao Estatuto da Cidade e visa

estabelecer diretrizes gerais da poltica urbana e especialmente regulamentar o Art. 182 da

Constituio Federal, fixando os princpios, objetivos, diretrizes, e instrumentos de gesto

urbana. Com a aprovao desta lei foi estabelecidos novos marcos regulatrios da gesto

urbana, como a lei do saneamento bsico e de resduos slidos.

A lei n 8.666 no Art.24, item XXVII permite a dispensa de licitao para a

contratao e remunerao de associaes ou cooperativas de catadores de materiais

reciclveis, formadas por pessoas fsicas de baixa renda reconhecida pelo poder pblico como

catadores de materiais reciclveis, esses devem fazer uso de equipamentos compatveis com

as normas tcnicas.

A Resoluo n 358 de 29 de abril de 2005 dispe sobre o tratamento e a disposio

final dos resduos dos servios de sade e d outras providncias.

A Resoluo 258/1999, de 26 de agosto de 1999, publicada no dirio oficial em

02/12/1999, aborda sobre a venda, distribuio, coleta e a destinao final, ambientalmente

35

adequada, aos pneus inservveis existentes no territrio nacional, na proporo definida nesta

relativamente s quantidades fabricadas e/ou importadas.

O Decreto 38.356 de 01 de abril de 1998 aprova o Regulamento da Lei n 9.921, de 27

de julho de 1993, que dispe sobre a gesto dos resduos slidos no Estado do Rio Grande do

Sul.

A Lei 11.445, de 05 de janeiro de 2007 estabelece as diretrizes nacionais para o

saneamento bsico.

A Resoluo de 11 de novembro de 2008 trata dos critrios e diretrizes para o

licenciamento ambiental de aterro sanitrio de pequeno porte de resduos slidos urbanos.

Consideram-se aterros sanitrios de pequeno porte aqueles com disposio diria de at 20

(vinte toneladas) de resduos slidos urbanos. Na prtica elimina algumas etapas burocrticas

tais como dispensa da apresentao do Estudo Prvio de Impacto ambiental - EIA/Relatrio

do Impacto ambiental RIMA para realizar o licenciamento.

A lei n 12.305 de 2 de agosto de 2010 instituiu a Poltica Nacional de Resduos

Slidos. Entre os instrumentos da PNRS encontram-se os planos de resduos slidos: plano

nacional de resduos slidos; planos estaduais de resduos slidos; planos microrregionais de

resduos slidos e os planos de resduos slidos de regies metropolitanas ou aglomeraes

urbanas; planos intermunicipais de resduos slidos; planos municipais de gesto integrada de

resduos slidos; e os planos de gerenciamento de resduos slidos (BRASIL, MMA, 2011). A

PNRS estabelece que os municpios tm at agosto de 2014 para eliminar os lixes e

implantar aterros sanitrios, que recebero apenas rejeitos (aquilo que no pode ser reciclado

ou reutilizado) e continuar a ter acesso aos recursos do Governo Federal, na rea de resduos

(BRASIL, MMA, 2011).

O Decreto n 7.404, de 23 de dezembro de 2010 regulamenta a Lei no 12.305, de 2 de

agosto de 2010, o qual institui a Poltica Nacional de Resduos Slidos e cria o Comit

Interministerial da Poltica Nacional de Resduos Slidos e o Comit Orientador para a

Implantao dos Sistemas de Logstica Reversa, e d outras providncias.

O Decreto n 7.404/2010 vem regulamentar a Lei no 12.305, de 2 agosto 2010, a qual

institui a Poltica Nacional de Resduos Slidos e cria o Comit Interministerial da Poltica

Nacional de Resduos Slidos e o Comit Orientador para a Implantao dos Sistemas de

Logstica Reversa, e d outras providncias.

O municpio de Panambi tambm possui vrias leis e estas foram elaboradas de acordo

com as leis no mbito nacional e estadual. Segue leis que abordam a questo dos resduos

slidos.

36

No municpio de Panambi, a lei Municipal n 927/1986 cria, denomina e delimita

oficialmente os Bairros, estabelece o zoneamento urbano da cidade de Panambi. Em 1993 a

lei complementar n 07/93 alterou a delimitao de alguns bairros, principalmente aos que

faziam limite com o Bairro Centro. No Apndice A Mapa da Zona Urbana de Panambi:

Delimitao dos Bairros.

O Plano Diretor do municpio de Panambi/RS foi aprovado pela lei complementar

municipal n. 01 /93, de 23 de dezembro de 1993. Faz parte deste um diagnstico que

descreve a situao dos resduos slidos. Os Arts 61 e 62 tratam sobre os servios de

recolhimento de lixo.

A Lei n 1.357, de 3 de dezembro de 1993 criou o Conselho Municipal do Meio

Ambiente - Panambi/RS, que tem por finalidade prestar auxlio direto ao Poder Pblico

Municipal e a Comunidade Panambiense em relao s questes ambientais.

A Lei municipal n 2031/2002 introduz alteraes na Lei n 1780 de 15/12/1999, que

dispe sobre a criao do Conselho Municipal do Meio Ambiente. Essas alteraes referem-

se a composio da representatividade no Conselho.

A lei n 1.853, de 27 outubro de 2.000 dispe sobre a poltica ambiental de proteo,

controle, conservao e recuperao do meio ambiente.

A Lei n 1860/2000, de 08 novembro 2000 criou o Fundo Municipal de Defesa do

Meio Ambiente de Panambi FUNDEMA. No 2 traz o seguinte sero aplicados, no

mnimo 25% dos recursos do Fundo Municipal em Projetos e programas propostos por

Organizaes no governamentais.

A Lei Complementar n 008/2008 institui o Plano Diretor Participativo de

Desenvolvimento Municipal de Panambi, e d outras providncias. Os Arts 74 e 75 tratam

sobre questes relacionadas ao meio ambiente, em especial aos resduos slidos.

O Plano de Saneamento Bsico teve incio em 2008 e foi entregue ao prefeito em

2009. No item 5.3 trata sobre o Manejo dos resduos Slidos no municpio de Panambi,

descrevendo como acontecem as diferentes frentes de trabalho na Central de Triagem e

Compostagem de Resduos Slidos localizada em Rinco Frente, Panambi/RS. Entre os

vrios objetivos, existe um especifico que se refere definio de programas para a gesto de

resduos slidos, com a finalidade de reduzir a gerao de resduos na fonte, estabelecer

prticas de reutilizao e reciclagem, e a disposio final adequada.

A lei n 2.614, de julho 2007, dispe sobre as sacolas plsticas utilizadas pelos

estabelecimentos comerciais no mbito do municpio de Panambi/RS, e d outras

providncias.

37

CARACTERIZAO DO MUNICPIO DE PANAMBI-RS

2.1 Criao, Localizao, Ocupao e Colonizao de Panambi/RS

O Municpio de Panambi foi criado pela lei estadual n 2524, de 15 de dezembro de

1954. Em cumprimento ao disposto nos artigos 87 inciso II e inciso I da Constituio do

Estado, a Assembleia Legislativa decretou e o governador Ernesto Dorneles sancionou e

promulgou a lei de criao e instalao do municpio de Panambi. O Art. 1 da lei citada diz o

seguinte criado o municpio de Panambi, com sede na localidade do mesmo nome,

constitudo dos distritos de Panambi e de Condor, cuja instalao far-se- no dia vinte e oito

do ms de fevereiro de 1955 (RIO GRANDE DO SUL, SEUS MUNCIPIOS E LEIS DE

CRIAO, 1954, p.1).

Aps a criao do Municpio de Panambi, o distrito de Condor passou a ser segundo.

Em 17 de novembro de 1965 foi criado o Municpio de Condor pela lei 5094, de 17 de

novembro de 1965. A data de instalao oficial do Municpio de Condor 14 de maio de

1966 (WEHRMANN, 1992). Aps a emancipao do municpio de Condor, este passou a

administrar a questo dos resduos slidos de seu municpio.

O municpio onde esto localizados os lugares de depsitos de resduos slidos, objeto

de estudo desta pesquisa, teve as denominaes de New Wrttemberg, Pindorama, Tabapir e

a partir de 1944 passou a denominar-se de Panambi. Abrange uma rea de 490,9 km e est

localizada no Planalto Mdio Gacho, regio Noroeste Colonial do Estado do Rio Grande do

Sul. Faz parte da regio da AMUPLAM, e a qual compreende os municpios de Ajuricaba,

Augusto Pestana, Bozano, Catupe, Condor, Coronel Barros, Iju, Jia, Nova Ramada e

Pejuara. Segundo Korb (2003, p.17), ... a Regio da AMUPLAM est composta por

municpios da subdiviso regional do Noroeste Colonial. No entanto a leste contempla alguns

municpios da Regio do Planalto e ao oeste e norte, com a Regio Noroeste, ao sul com

municpios da Regio Central.

Panambi um dos atuais 496 municpios do Rio Grande do Sul. Localiza-se entre as

coordenadas geogrficas 281733 de latitude Sul e 533006 de longitude Oeste, a 418 m

de altitude. A figura 1 traz a mapa do Municpio de Panambi e a Figura 2 apresenta a

localizao do Municpio de Panambi no Rio grande do Sul.

38

Figura 1 Mapa do Municpio de Panambi

Figura 2 - Mapa do Rio Grande do Sul. Localizao de Panambi.

Fonte: SIQUEIRA, 2008.

39

A organizao dos municpios teve incio em 1809, quando o Rio Grande do Sul se

desmembrou oficialmente em quatro territrios municipais: Porto Alegre, Rio Grande, Rio

Pardo e Santo Antnio da Patrulha. Esse perodo remonta a fase em que o atual Estado ainda

era uma capitania e, com o passar do tempo, novas divises ocorreram, fazendo com que o

Rio Grande do Sul tivesse alteraes em sua configurao territorial (CAETANO, 2012).

A ocupao do atual municpio de Panambi teve incio a partir da segunda metade do

sculo XVIII. Entre 1850 a 1900 os primeiros povoadores que habitavam no atual municpio

de Panambi eram as famlias: Encarnao, Malheiros, Bairros, Almeida, Sousa, Pires, Batista,

Nunes, entre outras famlias. Estas eram procedentes de So Paulo, Santa Catarina e do

prprio Rio Grande de So Pedro (MALHEIROS, 1953).

Manuel Jos da Encarnao era natural da freguesia de So Roque em So Paulo. No

incio de 1820, veio para o Rio Grande de So Pedro, estabelecendo-se por algum tempo em

Capela Grande de Viamo e depois para os garimpos da cabeceira do rio Camaqu. Tambm

residiu em Caapava, posteriormente em Santa Maria da Boca do Monte. E por ltimo

habitou a regio que hoje, o atual municpio de Panambi (rea de campo) onde encontrou

terras devolutas, situadas entre os rios Arroio Corticeira e Porongos (PEREIRA, 2004,

MUNDIA, 2012).A legalizao das sesmarias foi muito demorada, portanto resolveu acelerar

o processo e para isso viajou sozinho, no lombo de uma mula at o Rio de Janeiro, onde

conseguiu uma audincia com o Imperador que lhe concedeu o ttulo das terras. Por ser

imperialista, foi perseguido durante a Revoluo Farroupilha, refugiou-se no Paran at o

final do conflito, em 1845 retornou sua fazenda encontrando os campos despojados do gado

e suas instalaes danificadas (LEITZKE, 1980).

A segunda famlia que h registro a do Senhor Joo Luiz Malheiros. Este nasceu em

24 de janeiro de 1837 na Provncia de Alto Douro, Portugal, veio para o Brasil em 1855.

Desembarcou em So Paulo, seguindo depois para o Rio Grande do Sul, estabelecendo-se em

Cruz Alta. Casou-se com Laurinda Maria de Moraes, neta de Encarnao, em 1858. Fixou

residncia em Boa Vista no atual municpio de Panambi, onde se dedicou ao cultivo de vrias

culturas e ao comrcio. Comercializava no municpio de Cruz Alta, em Santa Maria, Porto

Alegre, Bag e Pelotas. Joo Lus era um exmio conhecer dos servios de marcenaria e

fabricou vrias carretas. De Boa vista a Santa eram dispendidos nove meses de viagem. Por

esse motivo mantinha sempre dois ternos de animais para o transporte (MALHEIROS, 1953).

40

No final da ltima dcada do sculo XIX, algumas reas de mata, do atual municpio

de Panambi que pertencia ao municpio de Cruz Alta foram adquiridas pela Firma de

Colonizao de Dr. Hermann Meyer, dando incio a colonizao particular denominada Neu-

Wrttemberg. Dr. Hermann Meyer, nasceu em Hislburghausen, na Alemanha em 11 de

janeiro de 1871, no estado da Turngia e faleceu em Leipzig em 17 de maro de 1932. Casou

com Else Mayer em maro de 1900. Meyer realizou trs viagens ao Brasil, sendo que a

primeira foi em fevereiro do ano de 1896 e se estendeu at 1897. Foi nesta viagem que surgiu

a ideia de criar uma colonizao no sul do Brasil A segunda foi em torno do ano 1898 e a

terceira e ltima ao Brasil ocorreu no ano de 1900 acompanhado de sua esposa Elisabeth

Margarethe Johanne Gareis Meyer, conhecida na histria da colnia Neu-Wrttemberg, por

Else Meyer.

A Sociedade de 1897 a 1900 era denominada Firma de Colonizao Dr. Herrmann

Meyer e aps a dissoluo desta, passou a denominar-se Empresa de Colonizao Dr.

Herrmann Meyer. Conforme Wehrmann (1992), em setembro do ano de 1897 Hermann

Meyer passou a primeira procurao para Carlos Dhein. O documento era restrito e tinha a

finalidade de regular e disciplinar a participao na atividade da colonizadora. E a partir da

vigncia deste documento passou a existir a Firma de Colonizao Dr. Hermann Meyer.

Dhein foi indicado e ou recomendado por Karl von den Steinen, pois este havia participado de

viagens expedicionrias.

Dhein foi responsvel pela compra dos primeiros lotes de terras na colnia Neu-

Wrttemberg. As terras de matas, adquiridas foram divididas em colnias de

aproximadamente 25 hectares. A primeira posse adquirida foi de Magdalena, em 31 de agosto

de 1898. A partir desta data foram adquiridas outras reas de terras de matas. A compra de

terras dava-se atravs de contrato da compra e venda, a prazo ou a vista. O registro da terra

somente era expedido, aps o pagamento total do contrato da terra (WEHRMANN, 1992).

Em relao derrubada do mato, no regulamento de compra e venda das terras dizia o

seguinte: cada proprietrio pode desmatar tanto quanto for necessrio para abertura de terras

cultivveis e (...) para a construo e conservao das benfeitorias (...) fabricao e

conservao de suas ferramentas, utenslios e mveis. Recomenda-se aos proprietrios que o

mato seja poupado tanto quanto possvel (WEHRMANN, 1992, p.35).

41

No incio da colonizao Dr. Hermann Meyer foi contratado o engenheiro Rudolfo

Arns para fazer a medio e diviso em lotes coloniais das terras adquiridas na colnia Neu-

Wrttemberg. Os trabalhos de medio tiveram algumas dificuldades, pois ocorreram

complicaes com os proprietrios, posseiros, vizinhos e lindeiros, os quais inclusive

chegaram a opor embargos no Foro de Cruz Alta. Essas dificuldades levaram o engenheiro

Dr. Rudolfo Arns a desistir da tarefa, obrigando Carlos Dhein a contratar outro agrimensor.

Foi contratado, um segundo agrimensor, o Senhor Silvestre Manuel da Silva, para continuar

os trabalhos de medio.

Os primeiros colonos que se estabeleceram em Neu - Wrttemberg, eram das colnias

antigas, Jacob, Peter Bock e Ernest Mller, estes chegaram em julho de 1899 e instalaram-se

provisoriamente no galpo de Fidncio Mello, a beira do campo, na extremidade da antiga

Linha Leipzig, no demorando muito para se estabelecerem em suas terras. No incio da

colonizao, a ocupao ocorreu pela migrao interna das colnias velhas ou antiga zona de

colonizao alem, entre elas Teutnia, Estrela, Lajeado, Montenegro, localizadas no Vale do

Rio dos Sinos e Taquari (LEITZKE 1997).

Segundo Herdia (2001, p.1) o movimento de colonizao iniciada no Brasil em 1824

trazia em seu bojo uma srie de objetivos que, interligados, mostravam a proposta do prprio

movimento, entre eles: a ocupao dos espaos vazios que propiciasse o desenvolvimento da

agricultura, do comrcio e da indstria, entre outros.

A Empresa de Colonizao Hermann Faulhaber, tinha preferncia em manter a

germanidade trazendo imigrantes diretos de Wrttemberg, mas no deu certo. Os povoadores

da colnia Neu Wrttemberg foram descentes de imigrantes que j havia vindo para o Brasil

por volta de 1824. Estes que j estavam radicados no Rio Grande do Sul e no houve

dificuldades de origem cultural, lingustica e climtica, pois se tratava apenas uma mudana

interna. Somente depois da Primeira Guerra Mundial, que chegaram os primeiros

contingentes da Alemanha (LEITZKE, 1980).

O municpio de Cruz Alta progredia muito no final do sculo XIX, mas a sua rea era

muito extensa. Os meios de comunicao com a colnia Neu-Wrttemberg (hoje Panambi),

era complicado, quase no existia. Aos poucos foram ampliando-se as picadas, os caminhos e

estradas de rodagem. Por volta de 1880 surgiram s primeiras carretas puxadas a bois. A

estrada de ferro chegou a Cruz Alta influenciando no desenvolvimento de Neu-Wrttemberg

quarto Distrito de Cruz Alta. A rea urbana do municpio de Panambi localiza-se em terras

42

que pertenciam a Francisco Manuel de Bairros e que foi adquirida pela Empresa de

Colonizao Hermann Meyer. A razo para a escolha pode ter sido o fato de que era o lugar

da residncia e neste lugar j funcionava um ponto de convergncia das rsticas estradas e

trilhos que ligavam os moradores de Neu-Wrttemberg entre os rios Fiza e Palmeira.

Tambm havia uma infraestrutura, embora muito rudimentar e primitiva: o aude do engenho,

onde funcionava um monjolo e uma pequena serraria. As benfeitorias de Chico Saleiro

ofereciam recursos para as primeiras moradias (LEITZKE, 1991). Na lavra de escritura, feita

em 13 de julho de 1899 consta o seguinte texto: ... uma posse de matos, terras de cultura,

engenho de serrar madeiras e mais benfeitorias, situada na Serra Geral de Iju, no lugar

denominado Salina, no quarto distrito deste municpio. Salina, portanto, era denominao da

localidade do stio de Bairros, que hoje abrange a parte central da cidade de Panambi

(LEITZKE, 1991). A Empresa de Colonizao Hermann Meyer em seu Projeto oferecia

infraestrutura para preservao da cultura, atravs da educao e assistncia religiosa. Este

mantinha na Colnia Neu-Wrttemberg professor, pastor e tambm incentivava a organizao

de entidades sociais, culturais e associativas.

2.2 Aspectos Fsicos do Municpio de Panambi/RS

Segundo o Plano de Saneamento Bsico (2008/2009) os solos onde est situado o

municpio ,

composto na sua maioria por solos litlicos eutrficos com horizonte A. So

moderadamente cidos e neutros, com altos valores da soma e saturao em bases e

praticamente desprovidos de alumnio trocvel. O horizonte A comumente do tipo

chernozmico, com estrutura fraca pequena e mdia granular ou em blocos

subangulares e textura mdia, com presena comum de cascalhos. Ocorrem sempre

em associao com outros solos, tais como Cambissolo, Brunizm Avermelhado e

Terra Roxa Estruturada. Nestas reas de vegetao originalmente florestal

desenvolveu-se intensa colonizao em pequenas propriedades rurais, sendo o

manejo do solo executado de maneira bastante rudimentar devido forte limitao

do relevo, normalmente forte ondulado ou montanhoso, e alta pedregosidade.

Apesar destes fatores limitantes, so intensamente utilizados com culturas bastante

diversificadas, como milho, feijo, frutferas e outras. Este fato decorre

principalmente das boas propriedades qumicas destes solos e da estrutura de posse

efetiva da terra da regio (2008/2009, p.16).

Segundo consta no PRAD (2005, p.71) As terras que constituem o municpio de

Panambi e Noroeste Colonial pertence aos domnios morfoestruturais das Bacias e Coberturas

Sedimentares, na provncia geolgica da Bacia do Paran e Regio Geomorfolgica Planalto

43

das Misses. O relevo na unidade menc