Arist³teles e Dante descobrem os segredos do universo

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Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão.Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas - e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.http://www.editoraseguinte.com.br/titulo/index.php?codigo=55045

Text of Arist³teles e Dante descobrem os segredos do universo

  • Traduo

    clemente pereira

    Benjamin alire Senz

  • Copyright da edio original 2012 by Benjamin Alire Senz

    Publicado mediante acordo com Simon & Schuster Books For Young Readers, um selo da Simon & Schuster Childrens Publishing Division.

    Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida em nenhuma forma e por nenhum meio, eletrnico ou mecnico, incluindo fotocpia, gravao ou qualquer sistema de armazenamento de informao, sem permisso por escrito da editora.

    O selo Seguinte pertence Editora Schwarcz S.A.

    Grafia atualizada segundo o Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009.

    ttulo original Aristotle and Dante Discover the Secrets of the Universe

    capa Chlo Foglia

    ilustrao de capa 2012 by Mark Brabant

    lettering de capa e desenhos ao redor 2012 by Sarah J Coleman

    preparao Thais Rimkus

    reviso Renato Potenza Rodrigues e Mariana Cruz

    [2014]Todos os direitos desta edio reservados editora schwarcz s.a.Rua Bandeira Paulista, 702, cj. 3204532-002 So Paulo spTelefone (11) 3707-3500Fax (11) 3707-3501www.seguinte.com.brwww.facebook.com/editoraseguintecontato@seguinte.com.br

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (cip)

    (Cmara Brasileira do Livro, sp, Brasil)

    Senz, Benjamin Alire

    Aristteles e Dante descobrem os segredos do universo /

    Benjamin Alire Senz ; traduo Clemente Pereira. 1a ed. So

    Paulo : Seguinte, 2014.

    Ttulo original: Aristotle and Dante Discover the Secrets

    of the Universe.

    isbn 978-85-65765-35-0

    1. Fico juvenil I. Ttulo.

    14-02805 cdd-028.5

    ndice para catlogo sistemtico:

    1. Fico : Literatura juvenil 028.5

  • A todos os garotos que tiveram de aprender a jogar com regras diferentes.

  • Por que SorrimoS? Por que damoS riSada? Por que nos sentimos ss? Por que somos tristes e confu-sos? Por que lemos poesia? Por que choramos ao ver uma pintura? Por que nosso corao se descontrola quando estamos apaixonados? Por que sentimos vergonha? O que essa coisa no fundo das entranhas chamada desejo?

  • As diferentes regras do vero

    O problema da minha vida era que ela tinha sido ideia de outra pessoa.

  • 13

    Um

    Certa noite de vero, Ca no Sono deSejando

    que o mundo fosse diferente quando eu acordasse. Quando abri os

    olhos de manh, estava tudo igual. Afastei os lenis e permaneci

    deitado, enquanto o calor entrava pela janela aberta.

    Estendi o brao para sintonizar o rdio. Tocava Alone. Droga.

    Alone, de uma banda chamada Heart. No era minha msica

    favorita. No era minha banda favorita. No era meu assunto favo-

    rito. Voc no sabe quanto tempo

    Eu tinha quinze anos.

    Estava entediado.

    Estava infeliz.

    Por mim, o sol poderia ter derretido todo o azul do cu. A o cu

    seria to infeliz quanto eu.

    O locutor dizia coisas irritantes e bvias, como vero! Faz

    calor l fora!, para depois chamar a vinheta antiga do Cavaleiro

    Solitrio; ele gostava de tocar aquilo todas as manhs, achava que

    era um bom jeito de acordar o mundo. Ai, Silver! Quem contra-

    tou esse cara? Ele era pssimo. Acho que pensava que, ao escutar-

    mos a abertura da pera Guilherme Tell, imaginaramos o Cavaleiro

  • 14

    Solitrio e o Tonto cavalgando pelo deserto. Talvez algum devesse

    dizer quele cara que j no tnhamos mais dez anos. Ai, Silver!

    Droga. A voz dele preencheu de novo o ar: Hora de acordar, El

    Paso! Segunda-feira, 15 de junho de 1987! 1987! D pra acredi-

    tar? Um grande feliz aniversrio a Waylon Jennings, que completa

    cinquenta anos hoje!. Waylon Jennings? Aquilo era uma estao

    de rock, caramba! Mas o que o locutor disse em seguida deu a

    impresso de que talvez tivesse crebro. Ele contou como Waylon

    Jennings tinha sobrevivido ao acidente de avio que matara Buddy

    Holly e Richie Valens, em 1959. Para finalizar o comentrio, tocou

    a verso de La bamba de Los Lobos.

    La bamba. Era tolervel.

    Comecei a batucar o cho de madeira com os ps descalos.

    Enquanto balanava a cabea no ritmo da msica, imaginava o que

    Richie Valens teria pensado antes de o avio se espatifar no cho. Ei,

    Buddy! Acabou a msica.

    A msica acabou to cedo. A msica acabou quando mal tinha

    comeado. Era muito triste.

  • 15

    Dois

    entrei na Cozinha. minha me PreParava um

    almoo para as amigas da igreja. Peguei um copo de suco de laranja.

    Minha me sorriu.

    No vai me dar bom-dia?

    Estou pensando no assunto eu disse.

    Bom, pelo menos voc conseguiu sair da cama.

    Foi preciso muito esforo.

    Por que meninos precisam dormir tanto?

    Somos bons nisso. Ela riu da resposta. Mas eu no

    estava dormindo. Estava ouvindo La bamba.

    Richie Valens ela disse baixinho. To triste.

    Igual Patsy Cline.

    Ela concordou com a cabea. s vezes, quando a flagrava can-

    tarolando aquela msica, Crazy, eu abria um sorriso. Era como

    se compartilhssemos um segredo. Minha me tinha uma bela

    voz.

    Acidentes de avio ela murmurou. Acho que estava falan-

    do mais para si mesma do que para mim.

    Talvez Richie Valens tenha morrido jovem mas pelo menos

  • 16

    ele fez alguma coisa. Quer dizer, ele realmente fez alguma coisa. E

    eu? O que eu fiz?

    Voc tem tempo ela disse. Ainda tem muito tempo.

    Eterna otimista.

    Bom, primeiro preciso virar gente eu disse.

    Ela fez uma cara engraada.

    Tenho quinze anos completei.

    Sei quantos anos voc tem.

    Com quinze anos voc ainda no considerado gente.

    Minha me riu. Ela era professora de colegial. Eu sabia que em

    parte ela concordava comigo.

    E ento? Por que essa grande reunio?

    Vamos reorganizar o banco de alimentos.

    Banco de alimentos?

    Para distribuir alimentos pra quem no tem.

    Minha me se sensibilizava com a pobreza. J fora pobre. Tinha

    passado por situaes que eu jamais passaria.

    Entendi comentei.

    Talvez voc possa ajudar

    Claro concordei.

    Eu odiava ser escalado para essas funes. O problema da minha

    vida era que ela tinha sido ideia de outra pessoa.

    O que voc vai fazer hoje? a pergunta soou como um

    desafio.

    Vou entrar em uma gangue.

    No tem graa.

    Sou mexicano. No isso que a gente faz?

  • 17

    J disse que no tem graa.

    No tem graa mesmo eu disse, por fim. , no tinha graa.

    Precisava sair de casa. No que tivesse algum lugar para onde ir.

    Me sentia sufocado quando minha me convidava as amigas da

    igreja para ir em casa. No era porque elas tinham mais de cinquenta

    anos No, no era. Nem por causa dos comentrios sobre como eu

    estava virando homem to rpido. Quer dizer, eu sabia que era bes-

    teira. E, dentre todas as besteiras possveis, aquela era at simptica,

    inofensiva e carinhosa. Dava para suportar quando elas me pegavam

    pelos ombros e diziam: Deixe-me olhar para voc. Djame ver. Ay,

    que muchacho tan guapo. Te pareces a tu papa. No que houvesse

    alguma coisa para ver. Era s eu. Tudo bem, eu era mesmo parecido

    com meu pai. Mas no achava aquilo grande coisa.

    O que realmente me incomodava era o fato de minha me ter

    mais amigos do que eu. Tem coisa mais triste?

    Resolvi ir nadar na piscina do Memorial Park. Uma ideia boba,

    mas pelo menos era minha.

    Enquanto seguia em direo porta, minha me pegou a toa-

    lha velha apoiada em meu ombro e trocou por uma melhor. O

    mundo da minha me tinha algumas regras que eu simplesmente

    no entendia. E as regras no paravam nas toalhas.

    Ela encarou minha camiseta.

    Eu sabia reconhecer um olhar de censura. Antes que ela me

    fizesse trocar de roupa, retribu o olhar.

    minha camiseta predileta falei.

    Voc no usou ontem?

    Sim confirmei. do Carlos Santana.

  • 18

    Eu sei que ela disse.

    Meu pai me deu de aniversrio.

    Se bem me lembro, voc no demonstrou tanta empolgao

    quando abriu o presente.

    Eu esperava outra coisa.

    Outra coisa?

    Sei l, outra coisa. Uma camiseta de aniversrio? Olhei

    para ela e completei: Acho que eu no entendo ele.

    Ele no to complicado, Ari.

    Mas ele no fala.

    s vezes as pessoas falam, mas no dizem a verdade.

    Talvez eu disse. S que agora eu gosto da camiseta.

    D pra notar ela comentou, com um sorriso no rosto.

    Eu tambm estava sorrindo.

    O papai me disse que comprou no primeiro show que ele foi.

    Eu estava junto. Lembro bem. J est velha e gasta.

    Tem um significado sentimental.

    Ah, claro.

    Me, vero.

    Sim ela disse. vero.

    Regras diferentes eu disse.

    , regras diferentes.

    Eu adorava as regras do vero. Minha me as tolerava.

    Ela estendeu a mo e passou os dedos no meu cabelo.

    S prometa que no vai usar de novo amanh.

    Tudo bem. Prometo. Mas s se voc prometer que no vai

    colocar na secadora.

  • 19

    Talvez voc mesmo devia lavar ela disse, achando graa.

    S no v se afogar.

    Retribu o sorriso.

    Se acontecer, no se desfaa do meu cachorro.

    O negcio do cachorro era piada. No tnhamos animais de

    estimao.

    Minha me entendia meu senso de humor; e eu, o dela. Dava

    certo. No que ela no tivesse seus mistrios. Mas uma coisa eu de

    fato entendia: por que meu pai tinha se apaixonado por ela. J o

    porqu de ela ter se apaixonado por meu pai era algo que no me

    entrava na