Aula IV - Continuação de Competência - Competência Territorial, Em Razão Da Pessoa e Funcional

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PROGRAMA DE ATIVIDADES ACADMICAS

FUNDAO UNIVERSIDADE DO TOCANTINS UNITINSPR-REITORIA DE GRADUAO CAMPUS DE AUGUSTINPOLIS/TO

COMPETNCIA TERRITORIAL (EX RATIONE LOCI)

Uma vez identificada a competncia material da Justia do Trabalho, preciso determinar o local de processamento da causa da a competncia territorial, que encontra previso no art. 651 da CLT:

Art. 651, CLT - A competncia das Juntas de Conciliao e Julgamento determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar servios ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro. 1 - Quando for parte de dissdio agente ou viajante comercial, a competncia ser da Junta da localidade em que a empresa tenha agncia ou filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na falta, ser competente a Junta da localizao em que o empregado tenha domiclio ou a localidade mais prxima. 2 - A competncia das Juntas de Conciliao e Julgamento, estabelecida neste artigo, estende-se aos dissdios ocorridos em agncia ou filial no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e no haja conveno internacional dispondo em contrrio. 3 - Em se tratando de empregador que promova realizao de atividades fora do lugar do contrato de trabalho, assegurado ao empregado apresentar reclamao no foro da celebrao do contrato ou no da prestao dos respectivos servios.

Regra fundamental: competncia se d em razo do ltimo local da prestao de servios, ainda que a contratao tenha ocorrido em outro local.

Hipteses especficas:

1: agente ou viajante comercial competncia da Vara da localidade qual est vinculado empresa ou, na falta desta vinculao, vara da localidade em que ele tenha domiclio ou a mais prxima de seu domiclio.

2: dissdios ocorridos no estrangeiro competncia da JT (desde que o empregado seja brasileiro e no haja tratado ou acordo internacional dispondo em contrrio independentemente da nacionalidade do empregador), mas com aplicao da lei do local da prestao de servios. Smula 207, TST:

SUM-207 CONFLITOS DE LEIS TRABALHISTAS NO ESPAO. PRINCPIO DA "LEX LOCI EXECUTIONIS" A relao jurdica trabalhista regida pelas leis vigentes no pas da prestao de servio e no por aquelas do local da contratao.

Doutrina e jurisprudncia divergem quanto Vara competente no Brasil; porm, prevalece o entendimento de que o trabalhador poder escolher entre a Vara da localidade em que foi assinado o contrato, em que se situa a filial da empresa no Brasil ou de seu domiclio. Ainda, pode optar por ingressar com a ao diretamente no estrangeiro, se preferir.

3: empregador que realiza atividades fora do local da contratao no caso de empresa itinerante, empregado pode escolher foro para apresentao da reclamao trabalhista, se da celebrao do contrato ou da ltima prestao de servios (ex.: circo). Hoje tambm aplicado ao empregado que se desloca, e no apenas empresa.

OBS: No se admite eleio de foro no direito do trabalho, pois norma do art. 651 de ordem pblica.

COMPETNCIA EM RAZO DA PESSOA (EX RATIONE PERSONAE)

No direito processual do trabalho, a maior expresso dessa competncia encontra-se no julgamento de Mandados de Segurana j que a competncia determinada a partir da autoridade coatora.

Assim: 1. MS impetrado contra auditor-fiscal do trabalho: Vara do Trabalho 2. MS impetrado contra juiz do trabalho (Vara ou TRT): TRT correspondente 3. MS impetrado contra Ministro do Trabalho ou ministro do TST: TST

OBS: Parte da doutrina associa a competncia em relao s pessoas aos sujeitos das causas de competncia da justia do trabalho (assim, e.g., empregado e empregador, excludos funcionrios pblicos). Tal entendimento, entretanto, no se coaduna com a acepo terica da competncia ex ratione personae, i.e., competncia especfica de julgamento determinada por fora da qualidade do sujeito envolvido no conflito.

COMPETNCIA FUNCIONAL DA JUSTIA DO TRABALHO

Para conhecer a fundo a competncia funcional da Justia do Trabalho, preciso estudar os regimentos internos de seus tribunais. Portanto, apontaremos abaixo apenas os casos de competncia funcional mais pedidos em concursos.

DISSDIOS COLETIVOS: competncia originria do TRT ou do TST, dependendo da abrangncia do conflito (abrangncia da base territorial do sindicato envolvido). Ser competncia do Pleno ou, se houver, da Seo Especializada em Dissdios Coletivos.

INCIDENTE DE UNIFORMIZAO DE JURISPRUDNCIA: competncia originria do Pleno do TST. Destinado a pacificar determinada questo trabalhista, mediante promulgao de Smula ou Orientao Jurisprudencial.

AES RESCISRIAS: competncia originria do TRT ou do TST, dependendo da provenincia da deciso que ser revista. Destinada a rever deciso j transitada em julgado. Como regra, compete ao pleno do TRT o julgamento de ao rescisria das decises das Varas, dos juzes de direito investidos de jurisdio trabalhista, das turmas e de seus prprios acrdos. No TST, compete SBDI-2 ou SDC julgar aes rescisrias propostas contra decises de turmas do TST e de suas prprias decises (a depender da natureza do conflito, se individual ou coletivo).

MANDADOS DE SEGURANA E CONFLITOS DE COMPETNCIA: conforme regras acima mencionadas.

AO DE CUMPRIMENTO: competncia da Vara do Trabalho. Ao destinada a compelir o empregador a cumprir determinada clusula de conveno ou acordo coletivo.

AO CIVIL PBLICA: competncia da Vara do Trabalho. Destinada a tutelar interesses transindividuais.

COMPETNCIA NORMATIVA DA JUSTIA DO TRABALHO

Prerrogativa da Justia do Trabalho de estabelecer novas condies de trabalho, no julgamento de dissdio coletivo do trabalho em ltima anlise, a JT exerce funo legislativa (fato que costuma ser severamente criticado pela doutrina).

Hoje, o poder normativo regulado pelo 2 do art. 114 da CF/88:

2 - Recusando-se qualquer das partes negociao coletiva ou arbitragem, facultado s mesmas (sic), de comum acordo, ajuizar dissdio coletivo de natureza econmica, podendo a Justia do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposies mnimas legais de proteo ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. O poder normativo previsto pela primeira vez na CF/46, tendo por objetivo inibir a luta entre classes, em razo da proibio da greve. Nessa ocasio, atribui-se lei a competncia para estabelecer limites do poder normativo (a qual, entretanto, nunca foi promulgada).

Atualmente, o poder normativo criticado por enfraquecer a atuao do sindicato (que fica acomodado com a possibilidade de qualquer litgio ser resolvido pela JT). Por isso, houve ntida tentativa da EC 45/2004 em reduzir a amplitude de tal poder.

Aspectos relevantes:

- Recusa negociao coletiva ou arbitragem: dissdio s pode ser proposto aps esgotadas todas as tentativas de soluo negociada pelas partes. Deve-se demonstrar que houve tentativa de negociao infrutfera. Nesse sentido:

Art. 616, CLT

4 - Nenhum processo de dissdio coletivo de natureza econmica ser admitido sem antes se esgotarem as medidas relativas formalizao da Conveno ou Acordo correspondente. - Comum acordo (pleonasmo?): partes devem chegar a um consenso para levar o dissdio JT. Questionamentos em doutrina e jurisprudncia sobre a constitucionalidade de tal dispositivo (violao ao acesso justia? art. 5, XXXV, CF/88) ADIN pendente de julgamento no STF.

Na prtica, muitos tribunais tm simplesmente ignorado tal exigncia a ao de dissdio coletivo transforma-se em via arbitral institucional.

- Respeito s disposies mnimas e s convencionadas anteriormente: disposies envolvendo direitos indisponveis do trabalhador ou clusulas j existentes no instrumento coletivo. Ademais, nos termos da Sm. 190 do TST, ao julgar ou homologar ao coletiva ou acordo nela havido, o Tribunal Superior do Trabalho exerce o poder normativo constitucional, no podendo criar ou homologar condies de trabalho que o Supremo Tribunal Federal julgue iterativamente inconstitucionais.

A sentena normativa pode ser considerada uma fonte heternoma de direito do trabalho, de natureza estatal. Questiona-se, porm, se se trata de ato jurisdicional ou legislativo (natureza jurdica). Segundo Carnelutti, a deciso normativa tem alma de lei e corpo de sentena portanto, dotada de natureza hbrida. Para outros autores, entretanto, tem natureza jurisdicional, j que depende de uma provocao, de uma pretenso resistida.

Problemas:

- Vedao atividade legislativa pelo Poder Judicirio, em razo da Separao de Poderes? H limitao do contedo das sentenas normativas: poder normativo no pode ser exercido onde no houver previso legal para tanto s pode disciplinar o que j est previsto na lei (no pode, e.g., criar uma nova estabilidade, ou estabelecer a obrigao de a empresa avisar por escrito a dispensa do empregado (segundo entendimento do STF).

Assim, o poder normativo atua no espao em branco deixado pela lei no poder, jamais, contrariar a legislao em vigor, mas poder complement-la. Da a CF/88 fazer meno necessidade de se respeitarem as disposies mnimas legais de proteo ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente.

Em outros pases (e.g., Mxico), JT pode interferir em questes relevantes da prpria organizao empresarial (como, e.g., no nmero de empregados).

- Intuito de pacificao social

Justificado quando o Estado tentava trazer o sindicato para junto de si e evitar as greves e agora? Como hoje a greve permitida, autores defendem a revogao do poder normativo.

OBS: No se reconhece o direito de o servidor pblico ajuizar dissdio coletivo de natureza econmica para discutir reajustes salariais. Isso porque, segundo os artigos 37, caput e incisos X, XI, XII e XIII e 39, 3 da CF/88, a Administrao Pblica direta, autrquica ou fundacional s pode conceder vantagem ou aumento de remunerao, a qualquer ttulo, ao seu pessoal, mediante autorizao especfica na lei de diretrizes oramentrias e prvia dotao oramentria, nos limites previstos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Nesse sentido, a OJ-SDC-5, TST:

OJ-SDC-5. DISSDIO COLETIVO CONTRA PESSOA JURDICA DE DIREITO PBLICO. IMPOSSIBILIDADE JURDICA. Aos servidores pblicos no foi assegurado o direito ao reconhecimento de acordos e convenes coletivos de trabalho, pelo que, por conseguinte, tambm no lhes facultada a via do dissdio coletivo, falta de previso legal.

Admite-se, to somente, o ajuizamento de dissdio coletivo para discusso de clusulas sociais.

QUESTO DISSERTATIVA

1. Disserte fundamentando legalmente sobre qual a competncia territorial para apresentao de uma reclamao trabalhista?

(ENTREGAR EM FOLHA AVULSA)