BAZAR DA VIDA FRANCISCO C‚NDIDO XAVIER ESPRITO Bazar da Vida...  Nunca recuse a esperan§a,

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BAZAR DA VIDA

FRANCISCO CNDIDO XAVIER

ESPRITO DE JAIR PRESENTE

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Sumrio

1 - Corta isso / 03

2 - Uma frase amiga / 05

3 - Para servir e amar / 07

4 Anotao / 10

5 Seqestro / 12

6 Vibraes / 15

7 Recado / 17

8 Barras / 18

9 Encabulado / 20

10 - O caso Librio / 22

11 - Lio imprevista / 25

12 - O cofre / 28

13 - Pequena histria de Joaquim / 31

14 - Tia e sobrinho / 34

15 - Pedacinho / 37

16 - O presente / 38

17 - O irmo conselheiro / 40

18 - Dinheiro tem muitas faces / 43

19 Promessas / 45

20 - Viver em paz / 48

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CORTA ISSO

Quem deseja o dom da paz

Que auxilia e reconforta,

Oua o conselho da vida:

-Corta isso, corta, corta...

que a paz simples e viva

Para instalar-se na mente,

Nenhuma iluso aceita,

E peso nenhum consente.

por isso que cortar

Significa o dever

De buscar-se o necessrio

E quanto ao resto: esquecer.

Olvida as rixas de casa;

A incompreenso do vizinho;

O amigo que se afastou;

Os entraves do caminho;

Qualquer desgosto passado;

A provao j vencida;

O parente atrapalhado;

A fala mal- entendida;

A camisa fuchicada;

O palet sem boto;

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A parede descascada;

O conserto do porto;

A poeira desatada;

A fogueira do sol quente;

O vento do temporal

Que desabou de repente;

O copo de jeribita;

O caf antigo e morno;

O bolo queimado e cru;

Os desarranjos do forno;

As promessas de mandraca;

Qualquer servio mal-feito;

A conduo atrasada;

A conversa sem proveito...

Se voc procura paz,

Que o tranqilize, a contento,

No carregue bagatelas

No campo do pensamento.

Por isso, que a vida, quando

A nossa idia se entorta,

Est sempre repetindo:

- Corta isso, corta, corta!...

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UMA FRASE AMIGA

No prossiga descuidado

No passo com que vai indo...

Veja ao redor de voc

Os tristes que vo seguindo...

A quem lhe pea consolo

Nunca recuse a esperana,

muita gente sofrendo

Nas trevas da insegurana.

Aquele homem robusto,

Que empina a cabea erguida,

No poderia contar

As mgoas que traz na vida.

Aquela mulher bonita...

Quem sabe? a bela doente,

Que procura por socorro

De algum mdico eminente.

Cada pessoa se ocupa

Do que se lhe faz preciso;

Demonstre a prpria bondade,

A comear do sorriso.

Siga sempre auxiliando,

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Na escola viva do Bem,

No sonegue o seu concurso,

Nunca despreze a ningum.

Se voc no cr na fora

Da frase amiga em ao,

Olhe o pedao de vela

Acesa na escurido.

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PARA SERVIR E AMAR

Amigo, voc me pede

Para que o livre das crises,

Queixando-se amargamente

Dos momentos infelizes;

Diz haver chorado tanto

Que hoje um pobre sofredor,

Arrastando a dura carga

De desenganos do amor.

Decerto, voc julga em mim

Um companheiro eminente,

Mas sou apenas Jair,

O amigo Jair Presente;

Um pequeno servidor,

Procurando sem alarme,

Entre as pedreiras da vida

O processo de encontrar-me.

Voc sabe: a evoluo

No aparece de estalo...

Sinceramente, no sei

O modo de consol-lo.

Sabendo, porm, que a dor

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disciplina de lei,

Anoto para conversa

Um caso que acompanhei.

Junto a uma estrada de barro

Em que eu fazia ida e vinda,

Via sempre admirado

Uma cana nobre e linda.

Dava gosto v-la enorme

A balanar-se no vento

E pensava: o que seria

Do seu tronco suculento?

Certo dia, veio um homem

E atacou-a de faco,

Depois, cortou-a aos pedaos

Sem que eu soubesse a razo.

Ao valente cortador

Que estava de boa veia,

Supliquei para segui-la

E, atnito, acompanhei-a.

Ela foi largada a um canto,

Depois, levada moenda,

Foi triturada, de todo,

Para o acar na fazenda.

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A cana altaneira e bela

Tinha um dever a cumprir:

Submeter-se moenda

Para a misso de servir.

A vida assim, meu caro,

Para ter o dom de amar,

Qualquer pessoa no mundo

H de sofrer e chorar.

Se voc chora, recorda

Que Deus cuidar de si.

Lembra o episdio da cana;

Amar sempre isso a.

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ANOTAO

Era um dia de saudade...

Na mgoa que me afligia,

Intentava minorar

A minha melancolia...

Para isso, demandei

Sem aflio, sem alarme,

Antigos afetos meus

A fim de reconfortar-me.

Primeiro, quis abraar

Os meus queridos parentes,

Estavam todos cansados,

To tristes, quanto doentes.

Busquei prezado colega...

Achei-o... Encontro irrisrio,

Tinha um filhinho com febre

E a esposa num sanatrio.

Lembrei-me de um companheiro

Que era forte, qual um touro...

Ao fim de uma cirurgia

Estava de sonda e soro.

Quis ver uma namorada

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Dos meus caminhos de moo;

Casara-se... Tinha filhos,

O corpo era pele e osso.

Visitei um companheiro

Que muito me distraa,

Depois de duro acidente

Cara em paralisia.

Procurei outro cupincha

De distrao e cinema;

Dos ps at a cabea,

Todo ele era eczema...

De tantos dos meus colegas,

As provas vinham a rodos,

Dentre quantos procurara,

Eu era o melhor de todos.

Orando, rememorei

Muitas lies de Jesus;

Cada qual de ns na vida

Vive atado prpria cruz.

Ento pensei: nosso mundo

No est fora da Lei.

Deus que o fez, Deus que o conserve,

Que eu, por mim, de nada sei.

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SEQESTRO

No sentido de ampliar

Os pensamentos do Bem,

que ouso comentar

A lio que vi do Alm.

A viva nobre e rica,

Dona Ceclia Trindade,

Tinha um filho e duas filhas

Com destaque na cidade.

Certo dia, junto ao filho,

To plida quanto a cera,

Mostra-lhe Dona Ceclia

A carta que recebera.

Era um texto repulsivo

De cruel seqestrador

Que lhe falava na escrita

Com menosprezo e rancor.

Que ela atendesse sem falta,

No que se punha a intim-la

Cinqenta milhes, no menos,

Ou, ento, a morte bala...

Que colocasse o dinheiro

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Por entre jornais em monte,

Certa noite, em certa hora,

Debaixo de antiga ponte.

Nada dissesse polcia,

Que agisse de lbio mudo,

Nada falasse a ningum,

Se no mudaria tudo...

Rogava ao filho conselho

Contra o esperto marginal,

Esperando recorrer

Ao tato policial.

Mas o moo respondeu:

-Escute, mame querida,

Nisso tudo, apenas vejo

A bno de sua vida.

preciso resguardar

Seus santos cabelos brancos,

Essa quantia migalha

Do que j possui nos bancos.

Convm se evite a polcia,

Ponha o dinheiro em jornais

E fique livre de vez

Da mira de marginais.

Mas a senhora, ao contrrio,

Foi polcia em segredo,

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Pediu providncias claras,

Falando firme e sem medo.

Orientada, a capricho,

Por antigo delegado,

Colocou todo o dinheiro

Sobre o terreno indicado.

A nobre dama, distncia,

Ficou serena, a contento,

Queria ver o desfecho

Do triste acontecimento.

Em hora escura da noite,

Um mascarado chegava,

Sem ver os homens atentos

Da guarda que o vigiava.

Quando tomou do pacote,

Eis que a polcia o esfacela...

Descobriu-se, ento, que o morto

Era o prprio filho dela.

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VIBRAES

Buscando maior proveito

Em nossas reunies,

Falemos, mesmo de leve,

Na fora das vibraes.

Quem desejar sade

No mais seguro alicerce,

Tenha sempre a caridade

No que interfira ou converse.

Sentimento cria a idia,

A idia entra em questo,

Articulando a palavra

E o fato surge em ao.

Nas discusses e conflitos,

Se o nosso verbo injuria

Teremos logo conosco

Herpes, coceira, alergia...

Se reprovamos algum

De forma infeliz e avessa,

Sofreremos, muitos dias,

Moleza e dor-de-cabea.

Se a queixa contra parentes,

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Eis que essa queixa nos liga

sombra da urucubaca,

Ao banzo e dor-de-barriga.

Frase, atitude e expresso

Que se irradiem da gente,

De imediato, produzem

Vibrao correspondente.

Palavra de luz e treva

Tem esta nota sensata:

A vibrao nos eleva,

Mas vibrao ta