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BREVIÁRIO FORENSE EXPRESSÕES E FRASES DE TRANSIÇÃO PARA PETIÇÕES Observação: O diferencial desse livro está em trazer ao profissional do direto frases diversas para iniciar uma peça, uma contestação, citar artigos de Lei, Doutrina, Jurisprudência, deixando de lado a “mesmice” contidas nos chamados modelos “padronizados” do CTRL+C e CTRL+ V”. Com todo o nosso respeito, o nosso único intuito é a criação, inerente a todo ser humano. Contém ainda: DICAS - ASPECTOS LÓGICOS E METODOLÓGICOS REGRAS DA LÓGICA JURÍDICA EXPRESSÕES E FRASES LATINAS DIVERSAS SIGLAS E ABREVIATURAS MÉTODO PRÁTICO PARA LOCALIZAR A AÇÃO CABÍVEL ESTUDO PRÉVIO DA AÇÃO MÉTODO PRÁTICO POR EXCLUSÃO Prefácio Muitas vezes, quando estamos redigindo uma peça processual, enfrentamos a dificuldade em encontrar a expressão ou frase adequada ao encadeamento e desenvolvimento do raciocínio. Nesse momento surgem várias indagações: Que palavra se adapta melhor? Inicialmente, primeiramente. Como destacar a citação de um artigo de lei? Diz o artigo tal, ou, reza o disposto. E a doutrina? No mesmo sentido a doutrina..., ou,

BREVIÁRIO FORENSE

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Um diferencial: O livro é novidade no mercado de livros de direito.

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Page 1: BREVIÁRIO FORENSE

BREVIÁRIO FORENSEEXPRESSÕES E FRASES DE TRANSIÇÃO PARA

PETIÇÕES

Observação: O diferencial desse livro está em trazer ao profissional do direto frases diversas para iniciar uma peça, uma contestação, citar artigos de Lei, Doutrina, Jurisprudência, deixando de lado a “mesmice” contidas nos chamados modelos “padronizados” do CTRL+C e CTRL+ V”. Com todo o nosso respeito, o nosso único intuito é a criação, inerente a todo ser humano.

Contém ainda:

DICAS - ASPECTOS LÓGICOS E METODOLÓGICOS

REGRAS DA LÓGICA JURÍDICA

EXPRESSÕES E FRASES LATINAS DIVERSAS

SIGLAS E ABREVIATURAS 

MÉTODO PRÁTICO PARA LOCALIZAR A AÇÃO CABÍVEL 

ESTUDO PRÉVIO DA AÇÃO

MÉTODO PRÁTICO POR EXCLUSÃO

Prefácio

Muitas vezes, quando estamos redigindo uma peça processual, enfrentamos a dificuldade em encontrar a expressão ou frase adequada ao encadeamento e desenvolvimento do raciocínio. Nesse momento surgem várias indagações: Que palavra se adapta melhor? Inicialmente, primeiramente. Como destacar a citação de um artigo de lei? Diz o artigo tal, ou, reza o disposto. E a doutrina? No mesmo sentido a doutrina..., ou, a melhor doutrina...... Há coesão textual? Está coerente a frase? O receptor entenderá o que escrevo? Estou sendo Cortes? A redação não está prolixa?

Pensado nisso, garimpando centenas de livros e petições, compilamos neste breviário, uma coletânea de expressões e frases já consagradas e rubricadas pelo estilo forense, com o intuito de estimular a criatividade do consulente, através do raciocínio lógico - dedutivo, tão valioso na ciência do direito.

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In passant, trazemos ainda dicas sobre os Aspectos lógicos e metodológicos;

Regras da lógica jurídica; Expressões e frases latinas diversas; Siglas e

abreviaturas, e um Método prático para localizar a ação cabível.

Finalmente, longe da pretensão de esgotar o assunto, esperemos despertar o

interesse pela leitura de pensadores primos e cultivados na arte de escrever.

UMA ADVERTÊNCIA PARA REFLETIR

O texto confuso de uma petição inicial fez o juiz Rodolfo Cezar Ribeiro da Silva,

da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Itajaí (SC), extinguir -- sem

julgamento de mérito -- uma ação proposta pela empresa M. Reis & Cia. Ltda.

Ainda cabe recurso.

 

O juiz afirmou: “Não vislumbro possibilidade de dar prosseguimento à ação em

face de a técnica redacional ser totalmente confusa, obscura e enleada de

forma que da narração dos fatos não decorre uma conclusão lógica

justificadora do pedido”.

Ribeiro afirmou que a empresa não aponta, na petição inicial, contra quem

exatamente pretende litigar em busca de seu direito. O réu é indicado como

“Estado de Santa Catarina=Besc”. As informações são do site Espaço Vital.

Segundo o juiz, enquanto o estado de Santa Catarina é pessoa jurídica de

direito público interno, o Besc é instituição financeira e pessoa jurídica de

direito privado. De acordo com Ribeiro, “o intuito de demonstrar um vocabulário

rebuscado e erudito, torna o entendimento da peça exordial verdadeiro jogo de

quebra-cabeças, onde se tenta descobrir quais são os fatos que o levaram a

intentar a presente ação junto ao Poder Judiciário”.

O juiz critica a falta de uso do ponto final “depois de tantas leituras” da petição

inicial e lembra que "a concisão é o mais importante requisito do estilo forense".

Ele indaga também: “Será que não houve interrupção de pensamento no

decorrer de duas folhas escritas pelo autor?”.

Ação: consignação em pagamento

Requerente: M.REIS E CIA LTDA.

Requerido: ESTADO DE SANTA CATARINA

Proc. nº 033.04.027273-0

DICAS

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ASPECTOS LÓGICOS E METODOLÓGICOS

A estética e a escrita de acordo com o padrão culto da língua portuguesa são importantes no momento da redação de peças forenses. Escrever bem e correto não significa redigir uma petição utilizando palavras difíceis e incompreensíveis. O ideal é que o juiz tenha interesse em ler uma petição até o final, portanto:

Evite abreviaturas: Prefira sempre a escrita por extenso. Por exemplo, use "Vossa Excelência" ao invés de "V. Exa.".

O pronome de tratamento Vossa Excelência exige o verbo na terceira pessoa. O pronome possessivo correspondente é seu e sua. Por isso, não construa esta frase: “Vossa Excelência resolveu o vosso problema?”. Corrija para: “Vossa Excelência resolveu o seu problema?” Da mesma forma, é incorreto elaborar a seguinte oração: “O autor vem, mui respeitosamente, à vossa presença”. Corrija para: “O autor vem, mui respeitosamente, a sua presença” ou “O autor vem, à presença de Vossa Excelência, requerer o julgamento antecipado da lide.”

Utilize autor e réu (ou demandante e demandado) como termos genéricos da jurisdição contenciosa; exeqüente e executado (ou credor e devedor) no processo de execução; requerente e requerido no processo cautelar; requerente no processo de jurisdição voluntária.

Não use, em nenhum caso, suplicante e suplicado, pois súplica é um termo inadequado para o ato de propor ou requerer em juízo.

Não faça inversões de períodos: As inversões confundem o leitor

trazendo um resultado indesejado. No lugar de "Vale ressaltar, de vários

fatores alheios à pessoa do Requerente depende o sucesso do evento",

use: "Vale ressaltar, que o sucesso do evento depende de vários fatores

alheios à pessoa do Requerente".

Evite citação excessiva de expressões em latim: Utilize apenas

expressões em latim que são mais conhecidas no mundo jurídico, por

exemplo: fumus boni juris e periculum in mora.

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Cuidado com erros ortográficos ou gramaticais: Sempre que estiver em

dúvida, consulte um bom dicionário.

Nunca faça a petição em primeira pessoa. Afinal, não é você quem está

pedindo, é seu cliente. Ao invés de "tenho em meu poder um contrato

assinado pelo Réu" use "o Autor tem em seu poder um contrato

assinado pelo Réu".

Outro erro:

Não use a expressão Senão, vejamos. Como já assinalado acima, o

pedido é redigidas em terceira pessoa. A expressão Senão, vejamos é

primeira pessoa do plural, pois a expressão completa é: “Senão,

vejamos nós”. A permuta de pessoas do discurso, na produção textual

jurídica, é considerada erro gramatical. As peças processuais devem ser

redigidas em terceira pessoa. Expressões do tipo: “Vejamos, pois”,

“Senão, vejamos”, estão incorretas. Tais expressões precisam ser

corrigidas para: “Veja-se, pois”, “Senão, veja-se”, Senão, confira-se, etc.

Usa-se senão (a expressão leva a uma confirmação do que foi

anteriormente enunciado) , quando puder ser substituída por do

contrário, mas sim; a não ser, de outro modo. Por exemplo: “A oposição

precisa ser oferecida antes da audiência, senão ela será processada

como procedimento autônomo”, “Razão assiste ao opoente, senão

vejam-se os arestos colacionados”. Ao usar o se não (separado), deve-

se observar que seu significado equivale a caso não, pois equivale a

incerteza, condição, precisão. Por exemplo: “Se não chover, o opoente

irá ao fórum”, “A resposta está correta? Se não, vejamos”.

Evite linguagem rebuscada:

Confira:: “O réu vive de espórtula, tanto é que é notória sua cacosmia”.

Conseguiu traduzir?

E assim: “O réu vive de donativos, tanto é que é notória sua

miserabilidade”.

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Se tiver dificuldade em escrever, experimente o método de fazer a

narração dos fatos em forma de itens (1, 2, 3 etc.), assim, seu raciocínio

será mais lógico e mais inteligível.

Caso seja necessário escrever algumas laudas (folhas), quer para

descrever os fatos, quer para explicar o direito em jogo, deixe claro cada

ponto, abrindo itens e subitens e até intitulando cada um deles.

Fuja do gongorismo ( excesso de erudição) e de alusões estranhas,

metáforas esdrúxulas, trocadilhos etc.

Confira o que o árcade português Correia Garção já dizia sobre o

gongorismo no século XVI:

EPÍSTOLA I

Não busques pensamentos esquisitos,Em denegridas nuvens embrulhadas;Não tragas, não, metáforas violentas,Imitando esse corvo do Mondego,Que entre os cisnes do Tejo anda grasnando;Usa da pura língua portuguesaQue aprendido já tens no bom Ferreira,No Camões imortal, um Sousa e Barros.

 (Obras Completas, vol. I, Livraria Sá da Costa, Lisboa, 1957, pp.199-200)

 

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