Cartilha Cal§ada Acess­vel

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  • M I N I S T R I O P B L I C O D O R I O G R A N D E D O S U L 1

  • M I N I S T R I O P B L I C O D O R I O G R A N D E D O S U L

    FICHA TCNICA

    COORDENAO

    CENTROS DE APOIO OPERACIONAL DA ORDEM URBANSTICA E QUESTES FUNDIRIAS E DOS DIREITOS HUMANOS

    TEXTOS

    DBORA MENEGAT (PROMOTORA DE JUSTIA)ANDR HUYER (ARQUITETO E URBANISTA - MPRS)

    RODRIGO JAROSESKI (ARQUITETO E URBANISTA - CAU/RS)LEANDRO DA SILVA MACHADO (ENGENHEIRO CIVIL - CREA/RS)

    IMAGENS

    UNIDADE DE ASSESSORAMENTO AMBIENTAL MPRSASSOCIAO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND

    FREE IMAGES - BANCO DE IMAGENS

    DIAGRAMAO

    ASSESSORIA DE IMAGEM INSTITUCIONAL MPRS

    CAPA

    ASSESSORIA DE IMAGEM INSTITUCIONAL MPRS

  • U R B E | C A L A D A A C E S S V E L

    SUMRIO

    APRESENTAO

    DEFINIES

    FAIXAS NECESSRIAS PARA UMA CALADA ACESSVEL

    INCLINAO

    INCLINAO TRANSVERSAL

    INCLINAO LONGITUDINAL

    PISOS E MATERIAIS

    BLOCOS DE CONCRETO

    PLACA DE CONCRETO PR-MOLDADA

    CONCRETO MOLDADO IN LOCO

    LADRILHO HIDRULICO

    ESQUINAS ACESSVEIS

    REBAIXO DE CALADA

    REBAIXO DE CALADA PADRO

    REBAIXO DE CALADA SEM ABAS

    REBAIXO TOTAL DE CALADA NA ESQUINA

    REBAIXO TOTAL DE CALADA

    REBAIXO NO CANTEIRO

    PISO DIRECIONAL

    PISO TTIL OU ALERTA

    CALADA VERDE

    VEGETAO

    OBSTCULOS

    CASOS ESPECIAIS

    CALADAS COM MENOS DE 2 METROS

    OBRAS NA CALADA

    PR-EXISTNCIAS E PATRIMNIO

    MARCO LEGAL

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    Dados do censo 2010 indicam que 84,35% da populao brasileira (160.879.708 de pessoas) vive nas cidades, gerando uma demanda permanente por habitao adequada, trabalho, mobilidade e lazer. A circulao nas cidades fator fundamental para agregar qualidade de vida e torn-la espao de realizao do homem. No so poucos os estudos, por exemplo, que indicam a relao das dificuldades em mobilidade urbana com problemas associados rea da sade, segurana, meio ambiente, alm do impacto no desenvolvimento urbano e econmico das cidades. Surge, assim, a Poltica Nacional de Mobilidade Urbana, instituda por meio da Lei 12.587/2012, com o objetivo de promover a integrao entre os diferentes modos de transporte e a melhoria da acessibilidade e mobilidade de pessoas e cargas no territrio do Municpio, como condio ao acesso universal cidade, fomentando e concretizando as condies que contribuam para a efetivao dos princpios, objetivos e diretrizes da poltica de desenvolvimento urbano. Os Planos de Mobilidade, principal instrumento desta poltica, devem definir princpios, diretrizes e aes estratgicas para promover a incluso social e garantir, na circulao viria, a acessibilidade, tambm preconizada no contexto da Poltica Nacional para Integrao da Pessoa Com Deficincia, das Normas para Promoo da Acessibilidade e da Conveno Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficincias. Nesse contexto da mobilidade urbana, que tem como uma de suas diretrizes a priorizao dos modos de transporte no motorizados sobre os motorizados, ganha destaque e

    relevncia a circulao por meio dos deslocamentos a p, assim considerado o percurso que se faz da origem ao destino que se pretende ou o percurso como complemento de outros meios de transporte, o que corresponde, conforme levantamento da ANTP em 2012, a 40.2% da mobilidade urbana nas grandes cidades. Nos municpios menores de 60 mil habitantes, onde o transporte coletivo mais rarefeito e a extenso territorial menor, esse percentual ainda maior. Veja-se que, apesar dos deslocamentos a p constituirem o preponderante modo de locomoo da populao, ainda vige, nas cidades, a dinmica do predomnio do transporte motorizado e o pouco cuidado em relao ao caminho do pedestre, que se defronta, nos seus deslocamentos, com caladas mal cuidadas, inexistentes ou sem acessibilidade. Frequentes so as situaes de pessoas com deficincia que no conseguem exercer com autonomia, e sem dificuldades, tarefas da vida diria, como ir ao mdico, ao supermercado ou sequer trabalhar, porque as caladas esto sem acessibilidade, sem sinalizao adequada e com diversas barreiras arquitetnicas que impedem a circulao com segurana. Frequentes so as quedas de pessoas idosas, com leses graves, em razo da m conservao ou inexistncia de calada. Mes com carrinho de beb, crianas, pessoas com mobilidade reduzida, enfim, todos so atingidos pela m conservao ou confeco da calada ou que no propiciam acessibilidade e no preservam a largura mnima de circulao. As caladas, como principal infraestrutura urbanstica de mobilidade urbana, devem, por isso, ter a ateno

    APRESENTAO

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    prioritria de todos. A comear pelo planejamento das cidades, no que diz com a poltica de desenvolvimento urbano, mobilidade urbana e acessibilidade, para que se interfira positivamente nesse cenrio, transformando procedimentos e atitudes at ento vigentes rumo a uma nova cultura de sustentabilidade, equidade na apropriao dos espaos e vias e incluso social. Aos Municpios incumbe esta importante misso, promovendo tambm as medidas necessrias para garantir que a produo do espao urbano seja acessvel, seja por meio da aprovao de projetos arquitetnicos que garantam a acessibilidade, seja atuando na sua fiscalizao. Ao lado da ao que se espera do Poder Pblico, importante que a comunidade tambm valorize esse elemento urbanstico, pois serve a todos: eu, voc e populao em geral. Embora a caracteristica pblica, na forma das disciplinas normativas municipais a regra a responsabilidade dos proprietrios dos lotes lindeiros na sua confeco e conservao, a quem se impe a devida ateno sua adequao. Os profissionais da rea de arquitetura, urbanismo e engenheria, mesmo modo, devem observar em seus projetos as normas tcnicas de acessibilidade, previstas na ABNT, atravs da NBR 9050/2004, declarando sua ateno expressa quando da emisso da ART ou RRT. Mostra-se urgente, assim, a necessidade de qualificarmos as condies oferecidas pelos municpios gachos quanto mobilidade urbana e que os rgos e profissionais que trabalham em prol dessas melhorias unam esforos no sentido de potencializar a eficcia das polticas

    pblicas referidas. Essa induo tambm incumbe ao Ministrio Pblico, no seu papel de zelar pelo efetivo respeito aos direitos assegurados na Constituio Federal. A sociedade, por sua vez, precisa compreender que uma boa mobilidade urbana precisa vir acompanhada de mudanas de comportamentos, procedimentos e paradigmas, todos colaborando para que a priorizao da circulao no motorizada e centrada na ideia de cidade para pessoas, e no carros, comece a ser uma realidade. A acessibilidade nas caladas permite, nesse ajuste de foco, concretizar as condies de segurana, conectividade e conforto na circulao de pessoas nas cidades. Deste modo que a presente cartilha, fruto de uma parceria entre o Ministrio Publico do Estado do Rio Grande do Sul MP/RS -, Federao das Associaes de Municpios do Rio Grande do Sul FAMURS -, Conselho de Arquitetura e Urbanismo CAU/RS - e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia CREA/RS -, tem a pretenso de servir de apoio sociedade, gestores e profissionais, para compreenso das normas tcnicas de acessibilidade na confeco das caladas, como instrumento indutor e facilitador da implementao desta fundamental poltica pblica.

    inseridas nas Leis n.s 7.853/1989, 10.048/2000 (regulamentadas pelos Decretos n.s 3.298/1999 e 5.296/2004) e Decreto n.6.949/2009, respectivamente.

    Conforme Caderno PlanMob, Ministrio das Cidades, 2015, pgina 35.

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    APRESENTAO

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    DEFINIES

    ACESSIBILIDADE

    Condio para utilizao, com segurana e autonomia, total ou assistida, dos espaos, mobilirios e equipamentos urbanos, das edificaes, dos servios de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicao e informao, por pessoa portadora de deficincia ou com mobilidade reduzida.

    A acessibilidade deve possibilitar s pessoas com deficincia viver de forma independente e participar plenamente de todos os aspectos da vida, assegurando o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, ao meio fsico, ao transporte, informao e comunicao, inclusive aos sistemas e tecnologias da informao e comunicao, bem como a outros servios e instalaes abertos ao pblico ou de uso pblico, tanto na zona urbana, como na rural. Essas

    medidas incluiro a identificao e a eliminao de obstculos e barreiras acessibilidade (Conveno Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficincia - Decreto n6.949/2009).

    CALADA

    Parte da via no destinada circulao de veculos, reservada ao trnsito de pedestres e, quando possvel, implantao de mobilirio, sinalizao, vegetao e outros fins (Cdigo de Trnsito Brasileiro).

    PASSEIO

    Parte da calada livre de interferncias, destinada circulao exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas (Cdigo de Trnsito Brasileiro).

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    FAIXAS NECESSRIAS PARA UMA CALADA ACESSVEL

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    FAIXA LIVRE

    Destinada exclusivamente circulao de pedestres, portanto deve estar livre de quaisquer desnveis, obstculos fsicos, temporrios ou permanentes ou vegetao. Deve atender s seguintes caractersticas:

    possuir superfcie regular, firme, contnua e antiderrapante sob qualquer condio, que no provoque trepidao em dispositivos com rodas (cadeiras de rodas ou carrinhos de beb); (NBR 9050:2004 item 6.1.1); ser contnua, sem qualquer emenda, reparo ou fissura. Portanto, em qualquer interveno o piso deve ser reparado