CRISTIANISMO E ESPIRITISMO - . 1. Sobre a autoridade da Bíblia e as origens do Antigo Testamento N

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Text of CRISTIANISMO E ESPIRITISMO - . 1. Sobre a autoridade da Bíblia e as origens do Antigo Testamento N

  • Cristianismo e Espiritismo Leon Denis

    SUMRIO

    Prefcio da nova edio francesa

    Introduo I. Origem dos Evangelhos II. Autenticidade dos Evangelhos III. Sentido oculto dos Evangelhos IV A Doutrina Secreta V. Relaes com os Espritos dos mortos VI. Alterao do Cristianismo. Os dogmas VII. Os dogmas (continuao). Os sacramentos, o culto VIII. Decadncia do Cristianismo IX. A Nova Revelao. 0 Espiritismo e a Cincia X. A Nova Revelao. A Doutrina dos Espritos XI. Renovao

    Concluso

    Notas Complementares

  • N. 1. Sobre a autoridade da Bblia e as origens do Antigo Testamento N. 2. Sobre a origem dos Evangelhos N. 3. Sobre a autenticidade dos Evangelhos N. 4. Sobre o sentido oculto dos Evangelhos N. 5. Sobre a Reencarnao N. 6. Sobre as relaes dos primeiros cristos com os Espritos N. 7. Os fenmenos espritas na Bblia N. 8. Sobre o sentido atribudo s expresses deuses e demnios N. 9. Sobre o perisprito ou corpo sutil; opinio dos padres da Igreja N. 10. Galileu e a Congregao do ndex N. 11. Pio X e o Modernismo N. 12. Os fenmenos espritas contemporneos; provas da identidade dos Espritos . N. 13. Sobre a telepatia N. 14. Sobre a sugesto ou a transmisso do pensamento

    INTRODUO

    No foi um sentimento de hostilidade ou de

    malevolncia que ditou estas pginas. Malevolncia no a tem por nenhuma idia, por pessoa alguma. Quaisquer

  • que sejam os erros ou asfaltas dos que se acobertam com o nome de Jesus e sua doutrina, o pensamento do Cristo em ns no desperta seno um sentimento de profundo respeito e de sincera admirao. Educado na religio crist, conhecemos tudo o que ela encerra de poesia e de grandeza. Se abandonamos o domnio da f catlica pelo da filosofia esprita, no esquecemos por isso as recordaes da nossa infncia, o altar ornado de flores diante do qual se inclinava a nossa fronte juvenil, a grande harmonia dos rgos, sucedendo aos cantos graves e profundos, e a luz coada atravs dos vitrais coloridos, a brincar no ladrilhado solo, entre os fiis prosternados. No esquecemos que a austera cruz estende os seus braos por sobre o tmulo dos que mais amamos neste mundo. Se h para ns uma imagem, entre das venerveis e sagrada, a do supliciado do Calvrio, do mrtir pregado ao madeiro infamante, ferido, coroado de espinhos e que, ao expirar, perdoa aos seus algozes.

    Ainda hoje com viva emoo que escutamos os longnquos convites dos sinos, a voz de bronze que vo acordar os sonoros ecos dos bosques e dos vales. E, nas horas de tristeza, praz-nos meditar na igreja silenciosa e solitria, sob a penetrante influncia que nela acumularam as preces, as aspiraes, s lgrimas de tantas geraes.

    Uma questo, porm, se impe, questo que muitos resolveram mediante o estudo e a reflexo. Todo esse aparato que impressiona os sentidos e move o corao, todas essas manifestaes artsticas, pompa do ritual romano e o esplendor das cerimnias no so como um brilhante vu que oculta a pobreza da idia e a

  • insuficincia do ensino? No foi a convico da sua impotncia para satisfazer as elevadas faculdades da alma, a inteligncia, o discernimento e a razo, o que impeliu a Igreja para o caminho das manifestaes exteriores e materiais?

    O protestantismo, ao menos, mais sbrio. Se desdenha as formas, a decorao, para melhor fazer sobressair grandeza da idia. Estabelece a autoridade exclusiva da conscincia e o culto do pensamento e degrau em grau, de conseqncia em conseqncia, conduz logicamente ao livre exame, isto , filosofia.

    Conhecemos tudo o que a doutrina do Cristo encerra de sublime; sabemos que ela por excelncia a doutrina do amor, a religio da piedade, da misericrdia, da fraternidade entre os homens. Mas a doutrina de Jesus a que ensina a Igreja Romana? A palavra do Nazareno nos foi transmitida pura e sem mescla, e a interpretao que dela nos d a Igreja isenta de todo elemento estranho ou parasita?

    No h questo mais grave, mais digna da meditao dos pensadores, como da ateno de todos os que amam e procuram a verdade. o que nos propomos examinar na primeira parte desta obra, com o auxlio e a inspirao dos nossos guias do espao, afastando tudo o que poderia perturbar as conscincias, excitar as ms paixes, fomentara diviso entre os homens.

    verdade que esse trabalho foi, antes de ns, empreendido por outros. Mas o objetivo destes, seus meios de investigao e de crtica eram diferentes dos nossos. Procuram menos edificar que destruir, ao passo que, antes de tudo, quisemos fazer obra de reconstituio

  • e de sntese. Consagramo-nos tarefa de destacar da sombra das idades, da confuso dos textos e dos fatos, o pensamento bsico, pensamento de vida, que a fonte pura, o foco intenso e radioso do Cristianismo, ao mesmo tempo em que a explicao dos estranhos fenmenos que caracterizam as suas origens, fenmenos renovveis sempre, que efetivamente se renovam todos os dias sob os nossos olhos e podem ser explicados mediante leis naturais. Nesse pensamento oculto, nesses fenmenos at agora inexplicados, mas que uma nova cincia observa e registra, encontramos a soluo desses problemas que h tantos sculos pairam sobre a razo humana: o conhecimento da nossa verdadeira natureza e a lei dos nossos destinos progressivos.

    Uma das mais srias objees lanadas ao Cristianismo pela crtica moderna que a sua moral e a sua doutrina da imortalidade repousam sobre um conjunto de fatos ditos "miraculosos", que o homem esclarecido relativamente ao das leis da natureza no poderia hoje admitir.

    Se milagres, acrescentam, puderam ser outrora necessrios para fundar a crena na outra vida, s-lo-o menos em nossa poca de dvida e de incredulidade? E, alm disso, a que causa atribuir esses milagres? No , como alguns o pretenderam, natureza divina do Cristo, porquanto seus discpulos igualmente os obtinham.

    A questo, porm, ficar esclarecida por uma luz intensa, e as afirmaes do Cristianismo relativamente. imortalidade adquiriro mais fora e autoridade, se for possvel estabelecer que esses fatos, ditos "miraculosos", se produziram em todos os tempos, particularmente em

  • nossos dias; que eles so o resultado de causas livres, invisveis, que perpetuamente atuam, submetidas, porm, a imutveis leis, se neles, em uma palavra, j no vemos milagres, mas fenmenos naturais, uma forma da evoluo e da sobrevivncia do ser.

    precisamente esta uma das conseqncias do Espiritismo. Por um aprofundado estudo das manifestaes do alm-tmulo, ele demonstra que esses fatos ocorreram em todas as pocas, quando as perseguies no lhes opunham obstculos; que quase todos os grandes missionrios, os fundadores de seitas e de religies foram mdiuns inspirados; que uma perptua comunho une duas humanidades, ligando aos do mundo terrestre os habitantes do espao.

    Esses fatos se reproduzem em torno de ns com renovada intensidade. Desde h cinqenta anos aparecem formas, fazem-se ouvir vozes, chegam-nos comunicaes por via tipolgica ou de incorporao, assim como pela escrita automtica. Provas de identidade, em profuso, vm revelar-nos a presena de nossos parentes, dos que na terra amamos, que foram a nossa carne e o nosso sangue, e dos quais nos havia momentaneamente a morte separado. Em suas prticas, em seus ensinos, aprendemos a conhecer esse Alm misterioso, objeto de tantos sonhos, debates e contradies. Em nosso entendimento se acentuam e definem as condies da vida ulterior Dissipa-se a obscuridade que reinava sobre tais questes. O passado e o futuro se esclarecem at o mais ntimo de suas profundezas.

  • Assim o Espiritismo nos oferece as provas naturais, tangveis, da imortalidade e por esse meio nos conduz s puras doutrinas crists, ao prprio mago do Evangelho, que a obra do Catolicismo e a lenta edificao dos dogmas mal cobriram de tantos elementos incongruentes e estranhos. Graas ao seu estudo escrupuloso do corpo fludico, ou perisprito, ele torna mais compreensveis, mais aceitveis, os fenmenos de aparies e materializaes, sobre as quais o Cristianismo repousa integralmente.

    Estas consideraes melhor faro sobressair importncia dos problemas suscitados no curso desta obra e cuja soluo oferecemos, apoiando-nos ao mesmo tempo nos testemunhos de sbios imparciais e esclarecidos, e nos resultados de experincias pessoais, realizadas consecutivamente h mais de trinta anos.

    Sob esse ponto de vista, a oportunidade do presente trabalho a ningum decerto escapar. Nunca a necessidade de esclarecimento das questes vitais, a que se acha indissoluvelmente ligada sorte das sociedades, se fez sentir de modo mais imperioso.

    Cansado de dogmas obscuros, de interesseiras teorias, de afirmaes sem provas, o pensamento humano h muito se deixou empolgar pela dvida. Uma crtica inexorvel joeirou rigorosamente todos os sistemas. A f se extinguiu em sua prpria fonte; o ideal religioso desapareceu. Concomitantemente com os dogmas, perderam o seu prestgio as elevadas doutrinas filosficas. O homem esqueceu ao mesmo tempo o caminho dos templos e dos prticos da sabedoria.

  • Para quem quer que observe atentamente as coisas, os tempos que vivemos esto carregados de ameaas. Parece brilhante a nossa civilizao, e, todavia, quantas manchas lhe obscurecem o esplendor! O bem-estar e a riqueza se tm espalhado, mas acaso por suas riquezas que uma sociedade se engrandece? O objetivo do homem na terra , porventura, levar uma vida faustosa e sensual? No! Um povo no grande, um povo no se eleva seno pelo trabalho, pelo culto da justia e da verdade.

    Em que se tornaram s civilizaes do passado, aquelas em que o indivduo no se preocupava seno com o corpo, com as suas necessidades e as suas fantasias? Acham-se em runas; esto mortas.

    Voltamos a encontrar, precisamente em nossa poca, as mesmas tendncias perigosas que as perderam: so as que consistem em tornar tudo adstrito vida material, em constituir objeto e fim da existncia a conquista do