DANIEL GUIMARÃES ELIAN DOS SANTOS CIÊNCIA, POLÍTICA .iii DANIEL GUIMARÃES ELIAN DOS SANTOS CIÊNCIA,

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Fundao Oswaldo Cruz

Casa de Oswaldo Cruz

Programa de Ps-Graduao em Histria das Cincias e da Sade

DANIEL GUIMARES ELIAN DOS SANTOS

CINCIA, POLTICA E SEGURANA NACIONAL: O MASSACRE DE

MANGUINHOS" (1964-1970)

Rio de Janeiro

2016

ii

DANIEL GUIMARES ELIAN DOS SANTOS

CINCIA, POLTICA E SEGURANA NACIONAL: O MASSACRE DE

MANGUINHOS" (1964-1970)

Dissertao de mestrado apresentada ao curso de Ps-

Graduao em Histria das Cincias e da Sade da Casa

de Oswaldo Cruz Fiocruz, como requisito parcial para

obteno do Grau de Mestre. rea de Concentrao:

Histria das Cincias.

Orientador: Prof. Dr. Nara Azevedo

Rio de Janeiro

2016

iii

DANIEL GUIMARES ELIAN DOS SANTOS

CINCIA, POLTICA E SEGURANA NACIONAL: O MASSACRE DE

MANGUINHOS" (1964-1970)

Dissertao de mestrado apresentada ao curso de

Ps-Graduao em Histria das Cincias e da

Sade da Casa de Oswaldo Cruz Fiocruz, como

requisito parcial para obteno do Grau de

Mestre. rea de Concentrao: Histria das

Cincias.

BANCA EXAMINADORA

Prof. .Dr Nara Azevedo (Programa de Ps-Graduao em Histria das Cincias e da Sade

da Casa de Oswaldo Cruz-Fiocruz) Orientadora.

Prof. Dr Moema de Rezende Vergara (Programa de Ps-Graduao em Museologia e

Patrimnio do Museu de Astronomia e Cincias Afins)

Prof. Dr. Luiz Otvio Ferreira (Programa de Ps-Graduao em Histria das Cincias e da

Sade da Casa de Oswaldo Cruz-Fiocruz)

SUPLENTES

Prof. Dr Simone Petraglia Kropf (Programa de Ps-Graduao em Histria das Cincias e da

Sade da Casa de Oswaldo Cruz-Fiocruz)

Prof. Dr. Antonio Augusto Passos Videira (Programa de Ps-Graduao em Filosofia do

Instituto de Filosofia e Cincias Humanas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

Rio de Janeiro

2016

iv

S237c Santos, Daniel Guimares Elian dos.

Cincia, poltica e segurana nacional: o Massacre de

Manguinhos (1964-1970) / Daniel Guimares Elian dos. Rio

de Janeiro: s.n., 2016.

111 f.

Dissertao (Mestrado em Histria das Cincias e da

Sade) Fundao Oswaldo Cruz. Casa de Oswaldo Cruz,

2016.

1. Histria das Cincias. 2. Poltica 3. Ditadura. 4.

Pesquisadores. 5. Brasil.

CDD 981.063

v

Aos cientistas cassados do Instituto Oswaldo Cruz e suas

famlias.

vi

AGRADECIMENTOS

Aproveito esse espao para agradecer a todos aqueles que contriburam no processo de

escrita desse trabalho. O interesse por esse tema nasceu a partir do contato direto com os

arquivos dos cientistas, que sofreram perseguies e inquritos nas esferas civil e militar.

Como documentalista do projeto de organizao de acervos do Departamento de Arquivo e

Documentao da Casa de Oswaldo Cruz tive a oportunidade de conhecer a trajetria de vida

pessoal e profissional de alguns desses cientistas atravs da leitura de ofcios, cartas,

manifestos de apoio da comunidade cientfica, processos administrativos e depoimentos dos

inquiridos para a investigao. Agradeo aos colegas de trabalho, aos funcionrios do

DAD/COC, em especial, Francisco Loureno e Maria da Conceio Castro por coordenarem a

execuo dessa atividade de extrema importncia para a realizao dessa pesquisa.

Agradeo minha orientadora, a professora Nara Azevedo, que mesmo antes de meu

ingresso ao Programa de Ps-Graduao em Histria das Cincias e da Sade auxiliou-me na

elaborao do anteprojeto. Nossas reunies ao longo dessa trajetria foram fundamentais para

a definio de um novo objeto de pesquisa. As questes propostas em nossas discusses sobre

o tema de pesquisa enriqueceram o trabalho realizado. Agradeo Wanda Hamilton,

responsvel por me apresentar a histria dos cientistas cassados de Manguinhos e por ser

incentivadora dessa pesquisa. Aos professores Luiz Otvio Ferreira e Simone Kropf, por suas

importantes contribuies no momento da qualificao. Aos demais professores do PPGHCS

Jaime Benchimol, Juliana Malzoni, Gilberto Hochman, Dilene Nascimento, Kaori Kodama,

Marcos Chor, Lorelai Kury e Tamara Rangel cujas aulas proporcionaram profcuos debates.

coordenao do curso, que soube entender as dificuldades encontradas ao longo do trabalho

e por ter me dado as condies necessrias para o desenvolvimento da pesquisa. Aos

funcionrios Paulo Chagas, Sandro Hilrio, Maria Cludia e Deivison Henrique, que sempre

se colocaram disposio. Agradeo tambm aos funcionrios da biblioteca da Casa de

Oswaldo Cruz.

Aos amigos de turma que pude admirar e conviver durante esses meses.

Maria Teresa Villela Bandeira de Mello, diretora do Arquivo Pblico do Estado do

Rio de Janeiro (APERJ), que me convidou a fazer parte da equipe do Arquivo. Sou grato pela

oportunidade de dirigir a Diviso de Processamento Tcnico, que assumi em 2015 no

transcorrer do processo de pesquisa. Aos colegas do APERJ, que conhecem a instituio

como ningum e com os quais aprendo diariamente.

vii

Ao Srgio Lamaro pela reviso cuidadosa e competente dos originais.

Aos amigos que a vida me deu e que fao questo de levar sempre ao meu lado.

Ao meu padrinho, incentivador dos meus estudos. Aos meus pais, irmo, tios e avs

por estarem presentes nas diversas fases da minha vida. Vocs sabem a importncia que

tiveram ao longo desse processo. Sem o apoio de vocs esse trabalho no seria possvel. Pai e

me, obrigado por sempre buscarem o melhor para mim. Vocs so meu orgulho!

Gratido!

viii

RESUMO

Esta dissertao analisa o chamado Massacre de Manguinhos, episdio conhecido como um

exemplar do arbtrio e da violncia do regime militar brasileiro. Seu objetivo reconstruir a

cassao dos cientistas, no enquanto um episdio isolado, ocorrido no ano de 1970, mas

como o pice de um processo relativamente longo, tramado pelos rgos de segurana, com

base em histrico policial anterior a 1964, e que contou, posteriormente, com a ativa

participao do diretor do Instituto Oswaldo Cruz. Logo nos primeiros dias dos militares no

poder, dois inquritos foram instaurados a fim de apurar supostos crimes de subverso e

corrupo cometidos por funcionrios do IOC. Aps a concluso dos inquritos que nada

provaram contra os cientistas o regime manteve o controle sobre as atividades subversivas

ocorridas no IOC como afirmam os documentos secretos produzidos pelos diferentes rgos

de informao. O trmite da cassao se apresentou nos bastidores, por trs das denncias

oriundas do prprio Instituto aos rgos de segurana e informao. Procuro contrapor a essa

dimenso institucionalizada da represso verso dos cientistas, praticamente a nica

existente at hoje e registrada em escritos, depoimentos e declaraes imprensa. Argumento

que os atritos pessoais entre os cientistas foram consequncia das discusses acerca de um

projeto de cincia para o IOC e para o pas. A essas divergncias deve-se somar a ideologia

do anticomunismo, presente como poltica governamental e como organizadora da prtica

policial a partir da dcada de 1930, e que fortaleceu os argumentos para a atuao efetiva dos

rgos de represso sobre as atividades praticadas pelos cientistas dentro e fora da instituio.

Palavras-chave: cassao de direitos polticos; cientistas; Instituto Oswaldo Cruz; ditadura

militar; rgos de segurana e informao; polcia poltica.

ix

ABSTRACT

This dissertation analyzes the Slaughter of Manguinhos, known episode as an example of

the will and the violence of the Brazilian military regimen. The goal of the research is to

reconstruct the cassation of the scientists, not as a single episode of the year of 1970, but as a

relatively long process set up by the security organs, based on police history prior to 1964,

and with the active participation of the director of the Oswaldo Cruz Institute in the later

period. In the early days of the military in power, two surveys one in the civil sphere and

another on military were initiated in order to investigate alleged crimes of subversion and

corruption committed by officials of the Oswaldo Cruz Institute. Upon completion of the

surveys that nothing proved against scientists the regime maintained over control the

"subversive" activities that occurred in the OCI as the secret documents produced by different

information agencies. The path of cassation happened offstage, behind the complaints from

the Institute of security and information bodies, in information exchange between the organs

of the system. I try to counter this institutionalized repression dimension to the version of the

scientists, practically the only existing until today and recorded in writings, testimonials and

statements to the press. I argue that personal friction among scientists were as a result of

discussions about a science project for the Oswaldo Cruz Institute and the country. Plus, t