DIVINOS E HUMANOS VERSOS - ler.· misericórdia divina. Versos «divinos» ou versos «humanos»,

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  • DIVINOSE HUMANOS

    VERSOS

    D. Francisco de Portugal

    Centro Inter-Universitrio de Histria da EspiritualidadeD

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    ugal A srie de publicaes agora programada

    resulta da investigao desenvolvida pelo CentroInter-Universitrio de Histria da Espiritualidadeda Universidade do Porto (CIUHE) no mbitodos Projectos Espiritualidade e Corte e Poesiae Bblia que, ncleos inaugurais de uma pesquisainovadora, originaram ainda diferentes colquios,seminrios e ensaios publicados na ou em tornoda revista Via Spiritus.

    *****

    Divinos e humanos versos de D. Francisco dePortugal uma obra compilada e publicada em1652, vinte anos depois da morte do seu autor.Poeta muito apreciado no seu tempo, associa nasua poesia, como diria D. Francisco Manuel deMelo, as gentilezas de corteso com as considera-es de devoto. A maior parte dos poemas revelama figura do corteso galante, combinando de formaoriginal a herana petrarquista no tratamento dostemas do amor e da ausncia com tpicos e proces-sos estilsticos caractersticos da potica barroca. Ospoemas de inspirao religiosa, numericamenteescassos, traduzem uma atitude asctica de desen-gano e desprendimento das coisas terrenas, de arre-pendimento dos erros do passado e confiana namisericrdia divina. Versos divinos ou versoshumanos, em todos eles o autor revela um vir-tuosismo expressivo, muitas vezes complexo, e umnotvel domnio das tcnicas poticas consagradasna poca.

    E o retrato de D. Francisco de Portugal queeste volume pretende fixar perfeito corteso,homem de letras, piedoso cristo , completadopela sua biografia, escrita por Lus Francisco deVasconcelos, a quem se ficou a dever a organizaodo esplio potico que o seu autor no chegara aordenar.

    Coleco Via Spiritus II Srie:Espiritualidade e Corte

    1. Jos Adriano de Freitas Carvalho Poesia e Hagiografia

    2. Diogo Bernardes Vrias Rimas ao Bom Jesus Edio, introduo e notas deMaria Luclia Gonalves Pires

    3. Pais e nobres I Cartas de instruo para aeducao de jovens nobres (Scs. XVI-XVII)Compilao, leitura e edio de Jos Adrianode Freitas Carvalho

    Jos Adriano de Freitas CarvalhoPais e nobres II A descendncia portuguesa deum texto clebre. A Instruccin de Juan de Vega aseu filho Hernando de Vega (1548)

    4. D. Francisco de Portugal Arte de GalanteraEdio e notas de Jos Adriano de FreitasCarvalho

    4. D. Francisco de Portugal Divinos e HumanosIntroduo e notas de Maria Luclia GonalvesPires

    Em Preparao:

    Fr. Hernando de Talavera, O.S.H.Avisacin a la condesa de Benavente

    Lus de Abreu de MeloAvisos para o pao

    D. Manuel de PortugalObras

    DIVINOS E HUMANOS

    VERSOS

  • Coleco Via Spiritus II Srie

    DIVINOS E HUMANOS

    VERSOS

    Centro Inter-Universitrio de Histria da Espiritualidade

    INTRODUO E NOTAS DE

    Maria Luclia Gonalves Pires

    D. Francisco de Portugal

  • Ttulo

    Divinos e Humanos Versos

    Autor

    D. Francisco de Portugal

    Edio

    Centro Inter-Universitrio de Histria da Espiritualidade

    Faculdade de Letras da Univ. do PortoVia Panormica, s/n

    4150-564 Portociuhe@esoterica.pt

    Ano: 2012

    Execuo grfica

    Rainho & Neves Lda. / Santa Maria da Feira

    geral@rainhoeneves.pt

    ISBN: 978-972-99670-6-1

    Dep. legal: 350847/12

    Edio apoiada pela Fundao para a Cincia e Tecnologia

  • Quero deixar aqui expressa a minha profunda gratido ao Professor Jos Adriano de Freitas Carvalho, modelo de Mestre

    e Amigo, que ao longo da preparao deste trabalho tanto me ajudou com o seu muito saber e a sua amizade generosa

  • 7

    INTRODUO

    1.

    Quando, em 1632, D. Francisco de Portugal morre emLisboa, gozava h muito da fama e prestgio de poetainsigne. Mas a sua produo potica permanecia quase todaindita, exceptuando-se apenas uma obra em prosa e versointitulada Tempestades y batallas de un cuidado ausente que,segundo testemunho de Joo Franco Barreto, que com eleparticipou nas lutas de reconquista de Baa em 16241, tersido publicada em Madrid em 16262, no tendo chegadoat ns qualquer exemplar dessa edio. Os seus versoscorriam manuscritos, forma normal de difuso da poesiana poca.

    1 Joo Franco Barreto, na nota biogrfica sobre D. Francisco, depois deescrever que fez muittas e boas obras em vero que sam muitto esti-madas, refere a participao do poeta na restaurao da Baa em1624, acrescentando: e l o vi muitas vezes caregado de Fachinnaper as trincheiras e fortifficassoins que se ffizeram em que elle tra-balhava com muitto valor (Cf. Joo Franco Barreto, Biblioteca lusi-tana, fotocpia do ms. Cadaval depositada na BNP, vol. 3, p. 481).

    2 O texto de J. Franco Barreto indica a data de 1624, o que um lapsoevidente. D. Francisco de Portugal, em carta a D. Rodrigo da Cunhadatada de Madrid em 5 de Outubro de 1626, informa-o de que umamigo o fizera imprimir esta obra, publicada sem nome de autor, mas a 16 de Janeiro seguinte que lhe envia um exemplar, certamente sento acabado de sair.

  • o seu filho mais velho, D. Lucas de Portugal, quedecide fazer publicar as obras do pai.

    No sabemos em que estado se encontrariam ento ostextos de D. Francisco, mas sabemos que o seu esplio liter-rio no fora objecto de qualquer prvia organizao por partedo seu autor. Sabemos tambm que a organizao do volumedos Divinos e humanos versos esteve a cargo de Francisco Lusde Vasconcelos, autor da biografia do poeta que neste volumeprecede a edio dos poemas. Quem nos fornece esta informa-o D. Francisco Manuel de Melo que, no seu Hospital dasLetras, escreve acerca de D. Francisco de Portugal: Muitosanos depois de sua morte se estamparam algumas rimas suas,com ttulo de Divinos e Humanos Versos, a quem deu forma delivro e ps os remates Francisco Lus de Vasconcelos3. Umtestemunho autorizado, tendo em conta as relaes pessoaise literrias que existiam entre estes dois homens de letras.Recorde-se que F. Lus de Vasconcelos destinatrio de duasdas Cartas familiares4 de Manuel de Melo e o dedicatrio da suagloga rstica, integrada nas Segundas trs musas do Melodino5.

    conhecido o cuidado posto por D. Lucas na tarefa dedar a pblico as obras literrias do pai, comeando por pro-curar o parecer de pessoas dotadas de prestgio e competn-cia para ajuizar da qualidade dos textos a publicar. Assim,antes da publicao da Arte de galantera, mostra o texto aFr. Cristvo de Almeida, facto de que este d testemunhono parecer que, como censor do Santo Ofcio, elabora comvista concesso da licena de impresso6. No que se refere

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    3 Cf. Jean Coloms, Le dialogue Hospital das letras de D. FranciscoManuel de Melo, Paris, FCG, 1970, p. 78.

    4 D. Francisco Manuel de Melo, Cartas familiares, Lisboa, INCM, 1980,pp. 68 e 159.

    5 In Obras mtricas, vol. II, Braga, APPACDM, 2006, pp. 532-544.6 Este livro composto por D. Francisco de Portugal, to conhecido

    neste reino pelo seu ilustre sangue como pelo seu singular juzo, haviaeu visto h pouco tempo por mo haver mostrado seu filho, DomLucas de Portugal, que pede licena para o dar estampa (in Arte degalantera, edio e notas de Jos Adriano de Freitas Carvalho, Porto,CIUHE, 2012, p. 28).

  • apreciao da obra potica, D. Lucas consulta D. FranciscoManuel de Melo7.

    Este autor, na sua conhecida carta a Manuel Temudo daFonseca, datada de 24 de Agosto de 1650, em que apresentao esboo de uma Biblioteca Lusitana de Autores Modernos,inclura j, entre os poetas dignos de nota, o nome de D.Francisco de Portugal, que juntou discrio todas as boaspartes e fez raramente caber juntas as gentilezas de cortesocom as consideraes de devoto8. Algum tempo depois, em25 de Junho de 1651, escreve uma carta a D. Lucas dePortugal em que, correspondendo ao pedido do destinat-rio, lhe d a sua opinio acerca de estes versos do senhor D.Francisco de Portugal9. uma carta que revela leituraatenta, pois, para alm dos compreensveis encmios, nodeixa de apontar uns leves descuidos, inevitveis em todosos escritos que no gozam a ltima perfeio de seus auto-res, ressalvando no entanto que alguns desses descuidospodem ser erros dos copiadores e no do autor. Os levesdescuidos a que se refere so de trs tipos. Em primeirolugar, alguns consoantes incertos, constitudos por pala-vras que na nossa lngua so consoantes e na castelhana ono so, devido diferena de pronncia nas duas lnguas;uma incorreco que se verificaria em todos os poetas por-tugueses que at agora escreveram versos castelhanos, sendoele prprio a nica excepo. O remdio deste defeito seriacorrigir os versos em que ocorre. Mas quem ser to atre-vido que v tirar a clava da mo de Hrcules? Eu no, pelomenos. Portanto, o melhor deixar passar, eventualmentecom algu~a advertncia aos leitores.

    O segundo tipo de descuidos so os agudos em versoshericos, um erro que acaba por considerar despiciendo,

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    7 D. Francisco Manuel de Melo foi tambm leitor do manuscrito daArte de galantera, tendo aproveitado trechos desta obra na elabora-o da sua Visita das Fontes (vd. Arte de galantera, ed. cit., p. 14).

    8 D. Francisco Manuel de Melo, Cartas familiares, Lisboa, INCM,p. 414.

    9 Ib., pp. 430-432.

  • pois cousa de que todos os poetas vulgares esto cheos,limitando-se por isso a assinal-los o mais que ousei afazer, foi anot-los.

    Finalmente, o que poderemos designar de expressesambguas, susceptveis de induzirem o leitor em erro, poispodem ter avessa interpretao e muito desviada do espritocom que foram escritas. Nestes casos, que assinalou comasteriscos, limita-se a sugerir: o melhor modo de satisfazerpor estas cousas escus-las, se assi parecesse.

    A avaliar por esta carta, D. Francisco Manuel de Meloagiu como crtico minucioso e respeitador do texto. Mas nosabemos como tero sido utilizadas as suas sugest