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EU SOU UMA OBRA DE ARTE: ETNIAS DO MUNDO · PDF fileEU SOU UMA OBRA DE ARTE: ETNIAS DO MUNDO Jayse Antonio da Silva FERREIRA 1 - Docente da rede pública estadual de ensino, graduado

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EU SOU UMA OBRA DE ARTE: ETNIAS DO MUNDO

Jayse Antonio da Silva FERREIRA1 - Docente da rede pblica estadual de ensino, graduado em Educao Artstica UFPB. Especialista em Psicopedagogia UVA

[email protected]

1. INTRODUO

As primeiras propostas para o projeto Eu Sou uma Obra de Arte surgiram atravs da experincia de muitos anos como professor de Arte de adolescentes, em sua maioria socialmente desprivilegiados e fora dos padres europeus de beleza estabelecidos socialmente. Essa realidade me mostrava como esses jovens se sentiam menosprezados e como sua estima se encontrava baixa.

Uma situao, em particular, fez-me instituir as diretrizes norteadoras que realmente queria que o projeto privilegiasse. Uma discusso em sala de aula me chamou bastante ateno, os alunos problematizavam o fato de encontrarem dificuldades em responder o questionrio socioeconmico do Enem, na questo que versava sobre como eles se consideravam, brancos, negros, pardos ou mestios. Dentro desse contexto, observei que a dificuldade no estava em marcar uma alternativa, ou em se colocar nessa ou naquela categoria, mas em reconhecerem-se especialmente como negros, pardos ou mestios, j que o preconceito de cor ou raa no Brasil seria no fundo raas socialmente marginalizadas.

Os alunos mostraram que existe muita insatisfao com estas categorias. Uma boa parte dos discentes no se identifica e no gosta de alguns destes termos, pois estariam ligadas diferenas importantes de condies de vida, oportunidade e eventuais problemas de discriminao e preconceito.

Socializando minhas observaes com a professora de biologia Viviane Menezes, sobre o fato relatado, em uma tentativa de orient-los neste quesito de raa ou cor, levamos em considerao esses diversos questionamentos, e comeamos a introduzir de forma sistemtica a varivel de origem nos estudos sobre a populao brasileira. E, com vistas, a identificar a viso geral do colegiado estudantil e examinar a pertinncia ou aceitao de seus traos tnicos, elaboramos um conjunto de questes e aplicamos atravs de uma pesquisa, com cerca de 340 alunos de 14 a 18 anos de idade, dos 1s, 2s e 3s anos do ensino mdio da nossa escola.

O objetivo seria comparar as respostas pergunta tradicional sobre cor, como tambm sobre a ocorrncia de bullying, de preconceito racial e sobre a crena de uma raa ou cultura ser superior outra, o que permitiria examinar em que medida estas categorias correspondem, ou no, forma pela qual os alunos se veem.

Em face s polticas de valorizao e de respeito diversidade tnica cultural e como uma forma de combate ao bullying e de elevar a autoestima dos aprendizes foi decidido que o Projeto Eu sou uma Obra de Arte, deste ano, teria como tema: Etnias do Mundo surgindo com ele a possibilidade de trazer a imagem do ser humano, retratando sua origem tnica, oportunizando a valorizao dos vrios tipos de beleza, desmitificando assim o velho paradigma de que s belo(a) aquele(a) que branco(a), alto(a), de olhos claros e cabelos lisos. Para isso, seriam retratados, atravs de uma mostra fotogrfica os alunos que apresentavam algum trao fisionmico que remetesse a outras etnias diferentes da brasileira. 2. DESENVOLVIMENTO

Tendo em vista o que diz os PCNs de Arte para o Ensino Mdio no que se refere ao respeito s diversidades das manifestaes artsticas em suas mltiplas funes, identificamos, relacionamos e compreendemos a arte como fato histrico contextualizado nas diversas culturas, o que nos levou a fomentar uma reflexo sobre a importncia da valorizao das razes de um povo, no sentido da afirmao de sua identidade despertando com isso, o sentimento de pertinncia a sua origem tnico-racial.

Dentro desse contexto, buscamos enfatizar atravs da arte fotogrfica a importncia da

memria cultural de um povo trazendo para esses jovens o orgulho de seus traos fisionmicos tornando-os disseminadores da valorizao e do respeito dessa diversidade. Pois:

Educar para os direitos humanos, como parte do direito educao, significa fomentar processos que contribuam para a construo da cidadania, do conhecimento dos direitos fundamentais, do respeito pluralidade e diversidade de nacionalidade, etnia, gnero, classe social, cultura, crena religiosa, orientao sexual e opo poltica, ou qualquer outra diferena, combatendo e eliminando toda forma de discriminao. (Diretrizes Curriculares Nacionais da Educao Bsica, pagina 165).

Logo, verificamos que o ensino baseado no respeito pluralidade e a diversidade deva

estar pautado em prticas que busquem desenvolver, nos aprendizes contemporneos uma nova maneira de pensar, agir e se relacionar.

Dessa maneira, trabalhar igualmente essas diferenas no uma tarefa fcil para ns professores, por que lidar com elas necessrio ter em mente como a diversidade se manifesta e em que contexto. Pensar uma forma que integra a valorizao tnico-racial significa progredir na discusso a respeito das desigualdades sociais, das diferenas raciais e no direito de ser diferente. Nesse sentido, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Mdio (1999, pg. 152) assegura que:

A educao escolar, comprometida com a igualdade de acesso ao conhecimento a todos e especialmente empenhada em garantir esse acesso aos grupos da populao em desvantagem na sociedade, uma educao com qualidade social e contribui para dirimir as desigualdades.(Diretrizes Curriculares Nacionais Ensino Mdio 152)

Assim, a maneira que encontramos para diminuir os estigmas e as desigualdades dos

grupos que se apresentavam em situao de excluso no ambiente escolar, foi desmistificar por meio da arte fotogrfica a ideia de um padro de beleza que s abrangeria os de pele branca, cabelos lisos e olhos claros, atravs de pesquisas de vrias etnias do mundo, dando destaque quelas que poderiam ser encontradas em nossa escola, o que atenderia aos pressupostos expressos no nosso PPP que assegura o respeito ao patrimnio das culturas, bem como a sua afirmao, com o objetivo de promover a aceitao da diversidade e favorecer a construo de um ambiente harmonioso que valorize a pluralidade cultural. 2.1. DESCRIO DETALHADA DA EXPERINCIA

A Escola de Referncia em Ensino Mdio Frei Orlando, encontra-se localizada na Zona da Mata de Pernambuco, na cidade de Itamb, rua Ademar Correia de Melo, n226 ,no bairro Planalto, rea perifrica da cidade.

A unidade de ensino classificada de grande porte. Tem 52 anos de fundao, mas h quatro anos ela tornou-se referncia em Ensino Mdio. Em seu espao fsico ela dispe de uma biblioteca, uma quadra de esportes e um refeitrio. Apesar de um grande espao fsico

suas instalaes so modestas e ao longo dos anos, vem tentando se modernizar para melhor atender a grande demanda de alunos locais e oriundos de cidades e estado vizinho, j que sua localizao geogrfica faz fronteira com Pedras de Fogo pertencente ao estado da Paraba.

Em suas 10 salas de aula esto quatro 1s anos, trs 2s anos e trs 3s anos, totalizando assim, 340 alunos, os quais estudam em regime integral. As turmas so compostas, em mdia, por 35 alunos vindos de escolas particulares e pblicas. Os mesmos demonstram nveis de aprendizagem diversificados, mas se mostram muito participativos e abertos s iniciativas pedaggicas inovadoras, o que facilitou o desenvolvimento do projeto.

Um ponto positivo da nossa escola que cada disciplina/professor contm uma sala de aula prpria onde os alunos que se deslocam para assistirem as aulas. Este sistema viabiliza despertar no educando a responsabilidade e autodisciplina como prega o protagonismo juvenil descrito no Projeto Poltico Pedaggico da instituio.

No que diz respeito participao efetiva dos pais na escola, ainda no acontece de maneira satisfatria, pois uma pequena parte s se faz presente nas reunies de pais e mestres.

Tendo como norte a questo tnica-racial levantada nas aulas de Arte a respeito do preenchimento do formulrio scio econmico do ENEM, surgiu a ideia de traar um plano de ao que pudesse ser aplicado nas minhas aulas.

Pesquisando na internet descobri um livro de fotografias intitulado: Face a face, uma jornada por povos do mundo, do fotgrafo Alejandro Szanto de Toledo da USP. O livro retratava diversos povos dos cinco continentes, ressaltando sua cultura e costumes. Logo, tratei de compr-lo. Era o que faltava para dar o pontap inicial do projeto. Com o livro em mos, fui observando os 340 alunos da escola procurando neles alguns traos fisionmicos que se assemelhassem com os povos retratados no livro.

Os materiais utilizados no projeto foram: Questionrio ( anexo 1) Livro de fotografias; ( anexo 2) Pesquisas na internet; Mquina fotogrfica;

Foi aplicada uma pesquisa sobre como eles se consideravam etnicamente e se j tinham sofrido bullying por conta de sua cor e traos fisionmicos, o mesmo foi aplicado pelas alunas do 3 ano sobre a coordenao da professora de biologia e, em seguida fizeram o levantamento dos dados coletados ( anexo 3).

Os alunos que se assemelhavam com as etnias previamente identificadas no livro foram reunidos na biblioteca da escola para combinarmos onde, quando e como se daria todo o processo de fotografia de cada um. Na ocasio foram indagados se gostariam de serem fotografados e se estariam de acordo. Aqueles que aceitassem de imediato j levariam para os pais um termo para que eles autorizassem o uso da sua imagem j que os mesmos eram menores de 18 anos.

Inicialmente, reunimos todos os alunos na biblioteca da escola para que eles tomassem conhecimento do projeto e de seus principais objetivos:

Enfatizar atravs da arte fotogrfica a importncia da memria cultural de um povo, trazendo para esses jovens o orgulho de suas razes culturais e tornando-os disseminadores da valorizao da diversidade.

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