Guia Do Hardware - Carlos Morimoto

  • View
    14

  • Download
    1

Embed Size (px)

Text of Guia Do Hardware - Carlos Morimoto

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 2

    Porque ligar micros em rede? A partir do momento em que passamos a usar mais de um micro, seja dentro de uma empresa,escritrio, ou mesmo em casa, fatalmente surge a necessidade de transferir arquivos e programas,assim como compartilhar perifricos de uso comum entre os micros. Certamente, comprar umaimpressora, um modem e um drive de CD-ROM para cada micro e ainda por cima, usar disquetespara trocar arquivos, no a maneira mais produtiva, nem a mais barata de se fazer isso. A melhor soluo na grande maioria dos casos ligar todos os micros em rede. Montar emanter uma rede funcionando, tem se tornado cada vez mais fcil e barato. Cada placa de redecusta, dependendo da marca, entre 15 e 50 dlares; 10 metros de cabos de par tranado, custam de3 a 5 dlares, enquanto um Hub simples custa entre 50 ou 70 dlares. Se voc mesmo for fazer o trabalho, ligar 10 micros em rede, custaria entre 200 e 400 dlaresusando cabos de par tranado e um Hub ou, um pouco menos, caso fosse usado cabo coaxial (jque neste caso no precisaramos de um hub). Com a rede funcionando, voc poder compartilhar e transferir arquivos, compartilharperifricos, melhorar a comunicao entre os usurios da rede atravs de um sistema demensagens e de uma agenda de grupo, jogar jogos em rede, entre vrias outras possibilidades.

    Compartilhando arquivos

    Num grupo onde vrias pessoas necessitem trabalhar nos mesmos arquivos (dentro de umescritrio de arquitetura, por exemplo, onde normalmente vrias pessoas trabalham no mesmodesenho), seria muito til centralizar os arquivos em um s lugar, pois assim teramos apenas umaverso do arquivo circulando pela rede e, ao abri-lo, estaramos sempre trabalhando com a versomais recente. Centralizar e compartilhar arquivos tambm permite economizar espao em disco, j que aoinvs de termos uma cpia do arquivo em cada mquina, teramos uma nica cpia localizada noservidor de arquivos. Com todos os arquivos no mesmo local, manter um backup de tudo tambmtorna-se muito mais simples. Simplesmente ligar os micros em rede, no significa que todos tero acesso a todos os arquivosde todos os micros; apenas arquivos que tenham sido compartilhados, podero ser acessados. E sepor acaso apenas algumas pessoas devam ter acesso, ou permisso para alterar o arquivo, bastaproteg-lo com uma senha. Alm de arquivos individuais, possvel compartilhar pastas oumesmo, uma unidade de disco inteira, sempre com o recurso de estabelecer senhas.

    A Internet nada mais do que uma rede em escala mundial. Se por exemplo voc abrir ocone redes no painel de controle, instalar o compartilhamento de arquivos e impressoraspara redes Microsoft e compartilhar suas unidades de disco, sem estabelecer uma senha deacesso, qualquer um que saiba localizar seu micro enquanto estiver conectado, ter acessoirrestrito a todos os seus arquivos, j que eles esto compartilhados com a rede (no caso aInternet inteira).

    Compartilhando perifricos

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 3

    Da mesma maneira que compartilhamos arquivos, podemos tambm compartilhar perifricos,permitindo a qualquer micro da rede imprimir na impressora ligada ao micro 2, ler um CD queest no drive do micro 4, ou mesmo compartilhar a mesma conexo Internet estabelecida atravsdo modem instalado no micro 7. Como no caso dos arquivos, possvel estabelecer senhas de acesso para evitar, por exemplo,que a Maria do micro 5 use a impressora Laser para imprimir seus rascunhos, ao invs de usar amatricial.

    Sistema de mensagens e agenda de grupo

    Um sistema que permita enviar mensagens a outros usurios da rede, pode parecer intil numapequena rede, mas numa empresa com vrias centenas de micros, divididos entre vrios andaresde um prdio, ou mesmo entre cidades ou pases diferentes, pode ser muito til para melhorar acomunicao entre os funcionrios. Alm de texto (que afinal de contas pode ser transmitidoatravs de um e-mail comum) possvel montar um sistema de comunicao viva voz, ou mesmode vdeo conferncia, economizando o dinheiro que seria gasto com chamadas telefnicas. Outro recurso til seria uma agenda de grupo, um programa que mantm a agenda de todos ouusurios e pode cruzar os dados sempre que preciso; descobrindo por exemplo um horrio em quetodos estejam livres para que uma reunio seja marcada.

    Jogos em Rede

    Mais um recurso que vem sendo cada vez mais utilizado, so os jogos multiplayer como Quake3 e Diablo II que podem ser jogados atravs da rede. A maior vantagem neste caso, que acomunicao permitida pela rede muito mais rpida que uma ligao via modem, evitando ofamoso LAG, ou lentido, que tanto atrapalha quando jogamos os mesmos jogos via Internet.

    Como as redes funcionam Genericamente falando, existem dois tipos de rede, chamadas LAN e WAN. A diferena queenquanto uma LAN (local area network, ou rede local) uma rede que une os micros de umescritrio, prdio, ou mesmo um conjunto de prdios prximos, usando cabos ou ondas de rdio,uma WAN (wide area network, ou rede de longa distncia) interliga micros situados em cidades,pases ou mesmo continentes diferentes, usando microondas ou mesmo satlites. Geralmente umaWAN formada por vrias LANs interligadas: as vrias filiais de uma grande empresa porexemplo.

    Placas de Rede

    O primeiro componente de uma rede justamente a placa de rede. Alm de funcionar apenascomo um meio de comunicao, a placa de rede desempenha vrias funes essenciais, como averificao da integridade dos dados recebidos e a correo de erros. A placa de rede dever serescolhida de acordo com a arquitetura de rede escolhida (Ethernet ou Token Ring) e tambm deacordo com o tipo de cabo que ser usado.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 4

    Cabos

    Para haver comunicao entre as placas de rede necessrio algum meio fsico decomunicao. Apesar dos cabos de cobre serem de longe os mais utilizados, podemos tambmusar fibra ptica ou mesmo ondas de rdio. Em matria de cabos, os mais utilizados so os cabosde par tranado, cabos coaxiais e cabos de fibra ptica. Cada categoria tem suas prpriasvantagens e limitaes, sendo mais adequado para um tipo especfico de rede. Os cabos coaxiaispermitem que os dados sejam transmitidos atravs de uma distncia maior que a permitida peloscabos de par trancado sem blindagem (UTP), mas por outro, lado no so to flexveis e so maiscaros que eles. Os cabos de fibra ptica permitem transmisses de dados a velocidades muitomaiores e so completamente imunes a qualquer tipo de interferncia eletromagntica, porm, somuito mais caros e difceis de instalar.

    Topologias

    Temos em seguida, a topologia da rede, ou seja, de que forma os micros so interligados. Comoquase tudo em computao, temos aqui uma diviso entre topologias fsicas e topologias lgicas.A topologia fsica a maneira como os cabos conectam fisicamente os micros. A topologialgica, por sua vez, a maneira como os sinais trafegam atravs dos cabos e placas de rede. Asredes Ethernet, por exemplo, usam uma topologia lgica de barramento, mas podem usartopologias fsicas de estrela ou de barramento. As redes Token Ring, por sua vez, usam umatopologia lgica de anel, mas usam topologia fsica de estrela. Temos trs tipos de topologia fsica, conhecidas como topologia de barramento, de estrela e deanel. A topologia de barramento a mais simples das trs, nela um nico cabo coaxial interligatodos os micros. Na topologia de estrela, os micros no so ligados entre s, mas sim a um hub,usando cabos de par tranado. O Hub permite que todos os micros conectados se vejammutuamente. Finalmente temos a topologia de anel, onde apenas um cabo passa por todos osmicros e volta ao primeiro, formando um anel fechado. A topologia de anel fsico praticamenteapenas uma teoria, pois seria complicado e problemtico demais montar uma rede deste tipo naprtica. Sempre que ouvir falar em uma rede com topologia de anel, pode ter certeza que naverdade se trata de uma rede Token Ring, que usa uma topologia de anel lgico, mas que aomesmo tempo usa topologia fsica de estrela.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 5

    Topologias fsicas de barramento (acima esquerda), de estrela (acima) e de anel (aolado).

    Arquiteturas

    Ethernet, Token Ring e Arcnet so duas arquiteturas de rede diferentes, que exigem placas derede diferentes, e possuem exigncias diferentes a nvel de cabeamento, que iremos examinar maisadiante. Uma arquitetura de rede define como os sinais iro trafegar atravs da rede. Todo o trabalho feito de maneira transparente pela placa de rede, que funciona de maneira diferente de acordo coma arquitetura para a qual tenha sido construda. Por isso, existem tanto placas de rede padro Ethernet, quanto padro Token Ring e Arcnet.Uma vez que decida qual arquitetura de rede ir utilizar, voc ter que usar apenas placascompatveis com a arquitetura: 30 placas Ethernet para os 30 micros da rede, por exemplo.

    Protocolos

    Cabos e placas de rede servem para estabelecer uma ligao fsica entre os micros, a fim depermitir a transmisso de dados. Os protocolos, por sua vez, constituem um conjunto de padresusados para permitir que os micros falem a mesma lngua e possam se entender. Os protocolosmais usados atualmente so o TPC/IP (protocolo padro na Internet), NetBEUI e IPX/SPX. Podemos fazer uma analogia com o sistema telefnico: veja que as linhas, centrais, aparelhos,etc. servem para criar uma ligao que permite a transmisso de voz. Mas, para que duas pessoaspossam se comunicar usando o telefone, existem vrios padres. Por exemplo, para falar com umamigo voc discar seu nmero, ele atender e dir al para mostrar que est na linha. Vocs secomunicaro usando a lngua portuguesa, que tambm um conjunto de cdigos e convenes e,finalmente, quando quiser terminar a conversa, voc ir despedir-se e desligar o telefone. Os protocolos de rede tm a mesma funo: permitir que um pacote de dados realmente chegueao micro destino, e que os dados sejam inteligveis para ele. Para existir comunicao, precisoque todos os micros da rede utilizem o mesmo protocolo (voc nunca conseguiria comunicar-secom algum que falasse Chins, caso conhecesse apenas o Portugus, por exemplo). possvel instalar vrios protocolos no mesmo micro, para que ele torne-se um poliglota epossa se entender com micros usurios de vrios protocolos diferentes. Se voc usa o protocoloNetBEUI em sua rede, mas precisa que um dos micros acesse a Internet (onde e utilizado oprotocolo TCP/IP), basta instalar nele os dois protocolos. Assim ele usar o TCP/IP para acessar aInternet e o NetBEUI para comunicar-se com os outros micros da rede. Dentro do Windows 98,voc pode instalar e desinstalar protocolos atravs do cone redes no painel de controle.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 6

    Recursos

    Tudo que compartilhado atravs da rede, seja um arquivo, um CD-ROM, disco rgido ouimpressora, chamado de recurso. O micro que disponibiliza o recurso chamado de servidor ouhost, enquanto os micros que usam tal recurso so chamados de clientes, ou guests. Talvez o tipomais conhecido (e mais obsoleto) de rede cliente-servidor, sejam as antigas redes baseadas emmainframes e terminais burros, onde todo o processamento era feito no servidor, enquanto osterminais funcionavam apenas como interfaces de entrada e sada de dados. Num conceito mais moderno, existem vrios tipos de servidores: servidores de disco (quedisponibilizam seu disco rgido para ser usado por estaes sem disco rgido, mas com poder deprocessamento), servidores de arquivos (que centralizam e disponibilizam arquivos que podem seracessados por outros micros da rede), servidores de fax (que cuidam da emisso e recepo defaxes atravs da rede), servidores de impresso (que disponibilizam uma impressora) e assim pordiante. Dependendo do seu poder de processamento e de como estiver configurado, um nicomicro pode acumular vrias funes, servindo arquivos e impressoras ao mesmo tempo, porexemplo. Existem tambm servidores dedicados e servidores no-dedicados. A diferena que enquantoum servidor dedicado um micro reservado, um servidor no dedicado um micro qualquer, que usado normalmente, mas que ao mesmo tempo disponibiliza algum recurso. Se voc tem 5micros numa rede, todos so usados por algum, mas um deles compartilha uma impressora eoutro disponibiliza arquivos, temos dois servidores no dedicados, respectivamente de impressoe de arquivos. Outro vocbulo bastante usado no ambiente de redes o termo estao de trabalho. Qualquermicro conectado rede, e que tenha acesso aos recursos compartilhados por outros micros darede, recebe o nome de estao de trabalho. Voc tambm ouvir muito o termo n de rede. Umn qualquer aparelho conectado rede, seja um micro, uma impressora de rede, um servidor ouqualquer outra coisa que tenha um endereo na rede.

    N.O.S.

    Finalmente chegamos ao ltimo componente da rede, o NOS, ou Network OperationalSystem. Qualquer sistema operacional que possa ser usado numa rede, ou seja, que ofereasuporte redes pode ser chamado de NOS. Temos nesta lista o Windows 3.11 for Workgroups, oWindows 95/98, Windows NT, Windows 2000, Novell Netware, Linux, Solaris, entre vriosoutros. Cada sistema possui seus prprios recursos e limitaes, sendo mais adequado para umtipo especfico de rede.

    Cabeamento At agora tivemos apenas uma viso geral sobre os componentes e funcionamento das redes.Vamos agora estudar tudo com mais detalhes, comeando com os sistemas de cabeamento quevoc pode utilizar em sua rede.

    Tipos de cabos

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 7

    Como j vimos, existem trs tipos diferentes de cabos de rede: os cabos coaxiais, cabos de partranado e os cabos de fibra ptica.

    Cabo coaxial

    Os cabos coaxiais so cabos constitudos de 4 camadas: um condutor interno, o fio de cobre quetransmite os dados; uma camada isolante de plstico, chamada de dieltrico que envolve o cabointerno; uma malha de metal que protege as duas camadas internas e, finalmente, uma novacamada de revestimento, chamada de jaqueta.

    Se voc envolver um fio condutor com uma segunda camada de material condutor, a camadaexterna proteger a primeira da interferncia externa. Devido a esta blindagem, os cabos coaxiais(apesar de ligeiramente mais caros que os de par tranado) podem transmitir dados a distnciasmaiores, sem que haja degradao do sinal. Existem 4 tipos diferentes de cabos coaxiais,chamados de 10Base5, 10Base2, RG-59/U e RG-62/U O cabo 10Base5 um tipo mais antigo, usado geralmente em redes baseadas em mainframes.Esta cabo muito grosso, tem cerca de 0,4 polegadas, ou quase 1 cm de dimetro e por isso muito caro e difcil de instalar devido baixa flexibilidade. Outro tipo de cabo coaxial poucousado atualmente o RG62/U, usado em redes Arcnet. Temos tambm o cabo RG-59/U, usado nafiao de antenas de TV. Alm da baixa flexibilidade e alto custo, os cabos 10Base5 exigem uma topologia de rede bemmais cara e complicada. Temos o cabo coaxial 10base5 numa posio central, como um backbone,sendo as estaes conectadas usando um segundo dispositivo, chamado transceptor, que atuacomo um meio de ligao entre elas e o cabo principal. Os transceptores perfuram o cabo 10Base5, alcanando o cabo central que transmite os dados,sendo por isso tambm chamados de derivadores vampiros. Os transceptores so conectados aosencaixes AUI das placas de rede (um tipo de encaixe parecido com a porta de joystick da placa desom, encontrado principalmente em placas antigas) atravs de um cabo mais fino, chamado cabotransceptor. Alm de antiquada, esta arquitetura muito cara, tanto a nvel de cabos eequipamentos, quanto em termos de mo de obra.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 8

    Os cabos 10Base5 foram praticamente os nicos utilizados em redes de mainframes no inicioda dcada de 80, mas sua popularidade foi diminuindo com o passar do tempo por motivosbvios. Atualmente voc s se deparar com este tipo de cabo em instalaes bem antigas ou,quem sabe, em museus ;-) Finalmente, os cabos 10Base2, tambm chamados de cabos coaxiais finos, ou cabos Thinnet,so os cabos coaxiais usados atualmente em redes Ethernet, e por isso, so os cabos que vocreceber quando pedir por cabos coaxiais de rede. Seu dimetro de apenas 0,18 polegadas,cerca de 4,7 milmetros, o que os torna razoavelmente flexveis. Os cabos 10Base2 so bem parecidos com os cabos usados em instalaes de antenas de TV, adiferena que, enquanto os cabos RG-59/U usados nas fiaes de antena possuem impedncia de75 ohms, os cabos 10Base2 possuem impedncia de apenas 50 ohms. Por isso, apesar dos cabosserem parecidos, nunca tente usar cabos de antena em redes de micros. O 10 na sigla 10Base2, significa que os cabos podem transmitir dados a uma velocidade deat 10 megabits por segundo, Base significa banda base e se refere distncia mxima paraque o sinal pode percorrer atravs do cabo, no caso o 2 que teoricamente significaria 200metros, mas que na prtica apenas um arredondamento, pois nos cabos 10Base2 a distnciamxima utilizvel de 185 metros. Usando cabos 10Base2, o comprimento do cabo que liga um micro ao outro deve ser de nomnimo 50 centmetros, e o comprimento total do cabo (do primeiro ao ltimo micro) no podesuperar os 185 metros. permitido ligar at 30 micros no mesmo cabo, pois acima disso, o grandenmero de colises de pacotes ir prejudicar o desempenho da rede, chegando ao ponto depraticamente impedir a comunicao entre os micros em casos extremos.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 9

    Conectamos o cabo coaxial fino placa de rede usando conectores BCN, que por sua vez soligados a conectores T ligados na placa de rede. Usando cabos coaxiais os micros so ligados unsaos outros, com um cabo em cada ponta do conector T.

    Conector BCN a ser crimpado. Daesquerda para a direita temos oconector em s, a ponta (crimpadano cabo usando o orifcio maisfino do alicate) e a bainha, quetambm deve ser crimpada a fimde deixar o cabo bem preso aoconector.

    Conectores BCNligados ao conectorT.

    So necessrios dois terminadores para fechar o circuito. Os terminadores so encaixadosdiretamente nos conectores T do primeiro e ltimo micro da rede. Pelo menos um dosterminadores, dever ser aterrado.

    Conector BCNencaixado esquerda e umterminadorencaixado direita

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 10

    Se voc no instalar um terminador em cada ponta da rede, quando os sinais chegarem spontas do cabo, retornaro, embora um pouco mais fracos, formando os chamados pacotessombra. Estes pacotes atrapalham o trfego e corrompem pacotes bons que estejam trafegando,praticamente inutilizando a rede. Em redes Ethernet os terminadores devem ter impedncia de 50 ohms (a mesma dos cabos),valor que geralmente vem estampado na ponta do terminador. Para prender o cabo ao conector BCN, precisamos de duas ferramentas: um descascador decabo coaxial e um alicate de crimpagem. O descascador serve para retirar o dieltrico do cabo,deixando exposto o fio de cobre (voc pode fazer este trabalho com algum outro instrumentocortante, como um estilete, mas usando o descascador o resultado ser bem melhor). O alicatepara crimpagem serve para perder o cabo ao conector, impedindo que ele se solte facilmente. Oalicate de crimpagem possuir sempre pelo menos dois orifcios, o menor, com cerca de 1 mm dedimetro serve para prender o pino central do conector BCN ao fio central do cabo. A maior servepara prender o anel de metal. Para crimpar os cabos coaxiais indispensvel ter o alicate de crimpagem. No d para fazer oservio com um alicate comum pois ele no oferece presso suficiente. Um alicate de crimpagemde cabos coaxiais custa partir de 45 reais; entretanto, a maioria das lojas que vendem cabostambm os crimpam de acordo com a necessidade do cliente.

    Descascador de cabos coaxiais( esquerda) e alicate decrimpagem

    Cabo de par tranado

    O nome par tranado muito conveniente, pois estes cabos so constitudos justamente por 4pares de cabos entrelaados.

    Veja que os cabos coaxiais usam uma malha de metal que protege o cabo de dados contrainterferncias externas; os cabos de par trancado por sua vez, usam um tipo de proteo mais sutil:o entrelaamento dos cabos cria um campo eletromagntico que oferece uma razovel proteocontra interferncias externas, como ilustrado na figura abaixo:

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 11

    Alm dos cabos sem blindagem, conhecidos como UTP (Unshielded Twisted Pair), existem oscabos blindados conhecidos como STP (Shielded Twisted Pair). A nica diferena entre eles que os cabos blindados alm de contarem com a proteo do entrelaamento dos fios, possuemuma blindagem externa (assim como os cabos coaxiais), sendo mais adequados a ambientes comfortes fontes de interferncias, como grandes motores eltricos e estaes de rdio que estejammuito prximas. Outras fontes menores de interferncias so as lmpadas fluorescentes(principalmente lmpadas cansadas que ficam piscando), cabos eltricos quando colocados lado alado com os cabos de rede e mesmo telefones celulares muito prximos dos cabos. Quanto maior for a interferncia, menor ser o desempenho da rede, menor ser a distncia quepoder ser usada entre os micros e mais vantajosa ser a instalao de cabos blindados. Emambientes normais porm os cabos sem blindagem costumam funcionar bem. Existem no total, 5 categorias de cabos de par tranado. Em todas as categorias a distnciamxima permitida de 100 metros. O que muda a taxa mxima de transferncia de dados e onvel de imunidade a interferncias .

    Categoria 1: Este tipo de cabo foi muito usado em instalaes telefnicas antigas, porem no mais utilizado.Categoria 2: Outro tipo de cabo obsoleto. Permite transmisso de dados a at 4 mbps.Categoria 3: o cabo de par tranado sem blindagem usado em redes, pode se estender por at100 metros e permite transmisso de dados a at 10 Mbps. A diferena do cabo de categoria 3(que praticamente o nico tipo de cabo sem blindagem usado atualmente) para os obsoletoscabos de categoria 1 e 2 o numero de tranas. Enquanto nos cabos 1 e 2 no existe um padrodefinido, os cabos de categoria 3 (assim como os de categoria 4 e 5) possuem atualmente de 24 a45 tranas por metro, sendo muito mais resistente a rudos externos. Cada par de cabos tem umnmero diferente de tranas por metro, o que atenua as interferncias entre os cabos. Praticamenteno existe a possibilidade de dois pares de cabos terem exatamente a mesma disposio detranas.Categoria 4: Por serem blindados, estes cabos j permitem transferncias de dados a at 16 mbps,e so o requisito mnimo para redes Token Ring de 16 mbps, podendo ser usados tambm emredes Ethernet de 10 mbps no lugar dos cabos sem blindagem.Categoria 5: Este o cabo blindado de qualidade mais alta, permitindo transferncias de dados aat 100 mbps. Apesar de ser um pouco mais caro, este o cabo mais recomendvel, pois alm deser blindado e consequentemente mais resistente a interferncias externas o nico das 5categorias que permite seguramente transferncias de dados a 100 mbps em conjunto com placasde rede Ethernet de 100 mbps.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 12

    Independentemente da categoria, todos os cabos de par tranado usam o mesmo conector,chamado RJ-45. Este conector parecido com os conectores de cabos telefnicos, mas bemmaior por acomodar mais fios. Uma ponta do cabo ligada na placa de rede e a outra no hub.

    Para prender o cabo ao conector, usamos um alicate de crimpagem. Aps retirar a capaprotetora externa e inserir os fios dentro do conector, basta pressionar os pinos do conector com oalicate. A funo do alicate fornecer presso suficiente para que os pinos do conector RJ-45, queinternamente possuem a forma de lminas, esmaguem os fios do cabo, alcanando o fio de cobre ecriando o contato. Voc deve retirar apenas a capa externa do cabo e no descascarindividualmente os fios, pois isto ao invs de ajudar, serviria apenas para causar mal contato,deixado o encaixe com os pinos do conector frouxo.

    Cabo de par tranado sendo crimpado coma ajuda do alicate

    Os alicates para crimpar cabos de par tranado so um pouco mais baratos que os usados paracrimpar cabos coaxiais. Os alicates mais simples custam a partir de 40 reais, mas os bons alicatescustam bem mais. Existem alguns modelos de alicates feitos de plstico, com apenas as pontas demetal. Estes custam bem menos, na faixa de 15 reais, mas so muito ruins, pois quebram muitofacilmente e no oferecem a presso adequada. Como no caso dos coaxiais, existe tambm aopo de comprar os cabos j crimpados.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 13

    Existe uma posio certa para os cabos dentro do conector. Note que cada um dos fios do cabopossui uma cor diferente. Metade tem uma cor slida enquanto a outra metade tem uma cormesclada com branco. Para criar um cabo destinado a conectar os micros ao hub, a seqnciatanto no conector do micro quanto no conector do hub ser o seguinte (usando o padroAT&T258A):

    1- Branco mesclado com Laranja2- Laranja3- Branco mesclado com verde4- Azul5- Branco mesclado com Azul6- Verde7- Branco mesclado com marrom

    lado esquerdo lado direito 8- Marrom

    possvel tambm criar um cabo para ligar diretamente dois micros, sem usar um hub,chamado de cabo cross over. Logicamente este cabo s poder ser usado caso a sua rede tenhaapenas dois micros. Neste tipo de cabo a posio dos fios diferente nos dois conectores:

    Conector da esquerda: Conector da direita:1- Branco com Laranja 1- Branco com Verde2- Laranja 2- Verde3- Branco com Verde 3- Branco com Laranja4- Azul 4- Azul5- Branco com Azul 5- Branco com Azul6- Verde 6- Laranja7- Branco com Marrom 7- Branco com Marrom

    lado esquerdo 8- Marrom lado direito 8- Marrom

    Existe um teste simples para saber se o cabo foi crimpado corretamente: basta conectar o cabo placa de rede do micro e ao hub. Tanto o LED da placa quanto o do Hub devero acender.Naturalmente, tanto o micro quanto o hub devero estar ligados.

    Par tranado x Coaxial

    Disse anteriormente que cada uma destas categorias de cabos possui algumas vantagens edesvantagens. Na verdade, o coaxial possui mais desvantagens do que vantagens em relao aoscabos de par tranado, mas ainda pode ser atraente para uso em pequenas redes, pois a topologiade barramento traz a vantagem de no exigir um hub. Numa comparao direta entre os dois tiposde cabos teremos:

    Distncia mxima: o cabo coaxial permite uma distncia mxima entre os pontos de at 300metros, enquanto os cabos de par tranado permitem apenas 100 metros.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 14

    Resistncia a interferncias: Os cabos de par tranado sem blindagem so muito mais sensveis interferncias do que os cabos coaxiais, mas os cabos blindados por sua vez apresentam umaresistncia equivalente ou at superior.Mau contato: Usando cabo coaxial, a tendncia a ter problemas na rede maior, pois este tipo decabo costuma ser mais suscetvel a mal contato do que os cabos UTP e STP. Outra desvantagem que usando o coaxial, quando temos problemas de mal contato no conector de uma das estaes, arede toda cai, ou, na melhor das hipteses, teremos a rede dividida ao meio. Usando par trancado,por outro lado (devido existncia do hub), apenas o micro problemtico ficar isolado da rede.Custo: Os cabos coaxiais so mais caros que os cabos de par tranado sem blindagem, masnormalmente so mais baratos que os cabos blindados. Por outro lado, usando cabos coaxiais vocno precisar de um hub.Velocidade mxima: Se voc pretende montar uma rede que permita o trfego de dados a 100mbps, ento a nica opo usar cabos de par tranado blindados categoria 5, pois tanto os caboscoaxiais, quanto os cabos de categoria 3, so adequados a transmisses de apenas 10 mbps.

    Montar uma rede usando cabos de par tranado sempre melhor, mas no caso de uma redepequena, de 3 ou 5 micros, usar cabo coaxial pode mais vantajoso no quesito custo, j que umhub, por mais simples que seja, dificilmente custa menos que 50 ou 70 dlares.

    Fibra ptica

    Ao contrrio dos cabos coaxiais e de par tranado, que nada mais so do que fios de cobre quetransportam sinais eltricos, a fibra ptica transmite luz e por isso totalmente imune a qualquertipo de interferncia eletromagntica. Alm disso, como os cabos so feitos de plstico e fibra devidro (ao invs de metal), so resistentes corroso. A distncia permitida pela fibra tambm bem maior: os cabos usados em redes permitemsegmentos de at 1 KM, enquanto alguns tipos de cabos especiais podem conservar o sinal por at5 KM (distncias maiores so obtidas usando repetidores). Mesmo permitindo distncias tograndes, os cabos de fibra ptica permitem taxas de transferncias de at 155 mbps, sendoespecialmente teis em ambientes que demandam uma grande transferncia de dados. Como nosoltam fascas, os cabos de fibra ptica so mais seguros em ambientes onde existe perigo deincndio ou exploses. E para completar, o sinal transmitido atravs dos cabos de fibra maisdifcil de interceptar, sendo os cabos mais seguros para transmisses sigilosas. As desvantagens da fibra residem no alto custo tanto dos cabos quanto das placas de rede einstalao que mais complicada e exige mais material. Por isso, normalmente usamos cabos depar tranado ou coaxiais para fazer a interligao local dos micros e um cabo de fibra ptica paraservir como backbone, unindo duas ou mais redes ou mesmo unindo segmentos da mesma redeque estejam distantes.

    O cabo de fibra ptica formado por um ncleo extremamente fino de vidro, ou mesmo de umtipo especial de plstico. Uma nova cobertura de fibra de vidro, bem mais grossa envolve eprotege o ncleo. Em seguida temos uma camada de plstico protetor chamada de cladding, umanova camada de isolamento e finalmente uma capa externa chamada bainha.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 15

    A luz a ser transmitida pelo cabo gerada por um LED, ou diodo emissor de luz. Chegando aodestino, o sinal luminoso decodificado em sinais digitais por um segundo circuito chamado defoto-diodo. O conjunto dos dois circuitos chamado de CODEC, abreviao decodificador/decodificador. Existem dois tipos de cabos de fibra ptica, chamados de cabos monomodo e multimodo, ousimplesmente de modo simples e modo mltiplo. Enquanto o cabo de modo simples transmiteapenas um sinal de luz, os cabos multimodo contm vrios sinais que se movem dentro do cabo.Ao contrrio do que pode parecer primeira vista, os cabos monomodo transmitem mais rpidodo que os cabos multimodo, pois neles a luz viaja em linha reta, fazendo o caminho mais curto.Nos cabos multimodo o sinal viaja batendo continuamente mas paredes do cabo, tornando-se maislento e perdendo a intensidade mais rapidamente. Ao contrrio do que costuma-se pensar, os cabos de fibra ptica so bastante flexveis e podemser passados dentro de condutes, sem problemas. Onde um cabo coaxial entra, pode ter certezaque um cabo de fibra tambm vai entrar. No necessrio em absoluto que os cabos fiquem emlinha reta, e devido s camadas de proteo, os cabos de fibra tambm apresentam uma boaresistncia mecnica.

    Redes de energia x Redes telefnicas

    Duas novas idias de ambientes de rede, que vm ganhando espao conforme tem amadurecido, o uso das fiaes eltricas e extenses telefnicas, que j esto presentes em praticamentequalquer ambiente, como mdia de comunicao no lugar dos cabos de rede tradicionais. Por umlado, isto tornaria a instalao da rede bem mais pratica, pois no seria preciso instalar cabos derede, apenas ligar os micros nas tomadas eltricas ou extenses telefnicas j existentes usando osperifricos necessrios. Por outro lado, h vrias dificuldades tcnicas. Do lado das redes deenergia eltrica temos a taxa de transferncia limitada a apenas 350 Kbps e riscos de seguranadecorrentes de variaes de tenso. Nas redes telefnicas a velocidade um pouco maior, 1 mbps,mas em compensao as placas de rede so mais caras. Em ambos os casos, as transmisses de rede so feitas usando transmisses freqnciassuperiores a 2 MHz, no prejudicando o funcionamento normal da rede eltrica ou atrapalhando asconversas telefnicas e mesmo comunicaes via modem, que so feitas utilizando freqnciasbem inferiores. Apesar dos produtos comerciais ainda serem raros, estas prometem ser mais duas opes deredes domsticas nos prximos anos, apesar de ambas as tecnologias j nascerem com graveslimitaes tcnicas.

    Placas de Rede A placa de rede o hardware que permite aos micros conversarem entre s atravs da rede. Suafuno controlar todo o envio e recebimento de dados atravs da rede. Cada arquitetura de rede

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 16

    exige um tipo especfico de placa de rede; voc jamais poder usar uma placa de rede Token Ringem uma rede Ethernet, pois ela simplesmente no conseguir comunicar-se com as demais. Alm da arquitetura usada, as placas de rede venda no mercado diferenciam-se tambm pelataxa de transmisso, cabos de rede suportados e barramento utilizado. Quanto taxa de transmisso, temos placas Ethernet de 10 mbps e 100 mbps e placas TokenRing de 4 mbps e 16 mbps. Como vimos na trecho anterior, devemos utilizar cabos adequados velocidade da placa de rede. Usando placas Ethernet de 10 mbps por exemplo, devemos utilizarcabos de par tranado de categoria 3, 4 ou 5, ou ento cabos coaxiais. Usando uma placas de 100mbps o requisito mnimo a nvel de cabeamento so cabos de par tranado blindados nvel 5. No caso de redes Token Ring, os requisitos so cabos de par tranado categoria 2(recomendvel o uso de cabos categoria 3) para placas de rede de 4 Mbps, e cabos de par tranadoblindado categoria 4 para placas de 16 mbps. Devido s exigncia de uma topologia em estrela dasredes Token Ring, nenhuma placa de rede Token Ring suporta o uso de cabos coaxiais. Cabos diferentes exigem encaixes diferentes na placa de rede. O mais comum em placasEthernet, a existncia de dois encaixes, uma para cabos de par tranado e outro para caboscoaxiais. Muitas placas mais antigas, tambm trazem encaixes para cabos coaxiais do tipo grosso(10Base5), conector com um encaixe bastante parecido com o conector para joysticks da placa desom. Placas que trazem encaixes para mais de um tipo de cabo so chamadas placas combo. Aexistncia de 2 ou 3 conectores serve apenas para assegurar a compatibilidade da placa com vrioscabos de rede diferentes. Naturalmente, voc s poder utilizar um conector de cada vez.

    As placas de rede que suportam cabos de fibra ptica, so uma exceo, pois possuem encaixesapenas para cabos de fibra. Estas placas tambm so bem mais caras, de 5 a 8 vezes mais do queas placas convencionais por causa do CODEC, o circuito que converte os impulsos eltricosrecebidos em luz e vice-versa que ainda extremamente caro. Finalmente, as placas de rede diferenciam-se pelo barramento utilizado. Atualmente vocencontrar no mercado placas de rede ISA e PCI usadas em computadores de mesa e placasPCMCIA, usadas em notebooks e handhelds. Existem tambm placas de rede USB que vem sendocada vez mais utilizadas, apesar de ainda serem bastante raras devido ao preo salgado. Naturalmente, caso seu PC possua slots PCI, recomendvel comprar placas de rede PCI poisalm de praticamente todas as placas PCI suportarem transmisso de dados a 100 mbps (todas asplacas de rede ISA esto limitadas a 10 mbps devido baixa velocidade permitida por estebarramento), voc poder usa-las por muito mais tempo, j que o barramento ISA vem sendo cada

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 17

    vez menos usado em placas me mais modernas e deve gradualmente desaparecer das placas menovas. A nvel de recursos do sistema, todas as placas de rede so parecidas: precisam de um endereode IRQ, um canal de DMA e um endereo de I/O. Bastando configurar os recursos corretamente. O canal de IRQ necessrio para que a placa de rede possa chamar o processador quando tiverdados a entregar. O canal de DMA usado para transferir os dados diretamente memria,diminuindo a carga sobre o processador. Finalmente, o endereo de I/O informa ao sistema aondeesto as informaes que devem ser movidas. Ao contrrio dos endereos de IRQ e DMA que soescassos, existem muitos endereos de I/O e por isso a possibilidade de conflitos bem menor,especialmente no caso de placas PnP. De qualquer forma, mudar o endereo de I/O usado pelaplaca de rede (isso pode ser feito atravs do gerenciador de dispositivos do Windows) uma coisaa ser tentada caso a placa de rede misteriosamente no funcione, mesmo no havendo conflitos deIRQ e DMA. Todas as placas de rede atuais so PnP, tendo seus endereos configurados automaticamentepelo sistema. Placas mais antigas por sua vez, trazem jumpers ou DIP switches que permitemconfigurar os endereos a serem usados pela placa. Existem tambm casos de placas de rede delegado que so configurveis via software, sendo sua configurao feita atravs de um programafornecido junto com a placa. Para que as placas possam se encontrar dentro da rede, cada placa possui tambm umendereo de n. Este endereo de 48 bits nico e estabelecido durante o processo de fabricaoda placa, sendo inaltervel. O endereo fsico relacionado com o endereo lgico do micro narede. Se por exemplo na sua rede existe um outro micro chamado Micro 2, e o Micro 1precisa transmitir dados para ele, o sistema operacional de rede ordenar placa de rede quetransmita os dados ao Micro 2, porm, a placa usar o endereo de n e no o endereo defantasia Micro 2 como endereo. Os dados trafegaro atravs da rede e ser acessvel a todas asos micros, porm, apenas a placa do Micro 2 ler os dados, pois apenas ela ter o endereo den indicado no pacote. Sempre existe a possibilidade de alterar o endereo de n de uma placa de rede, substituindo ochip onde ele gravado. Este recurso usado algumas vezes para fazer espionagem, j que oendereo de n da rede poder ser alterado para o endereo de n de outra placa da rede, fazendocom que a placa clonada, instalada no micro do espio tambm receba todos os dados endereadosao outro micro.

    Hubs Numa rede com topologia de estrela, o Hub funciona como a pea central, que recebe os sinaistransmitidos pelas estaes e os retransmite para todas as demais. Existem dois tipos de hubs, oshubs passivos e os hubs ativos. Os hubs passivos limitam-se a funcionar como um espelho, refletindo os sinais recebidos paratodas as estaes a ele conectadas. Como ele apenas distribui o sinal, sem fazer qualquer tipo deamplificao, o comprimento total dos dois trechos de cabo entre um micro e outro, passando pelohub, no pode exceder os 100 metros permitidos pelos cabos de par tranado. Um Hub ativo por sua vez, alm de distribuir o sinal, serve como um repetidor, reconstituindo osinal enfraquecido e retransmitindo-o. Enquanto usando um Hub passivo o sinal pode trafegarapenas 100 metros somados os dois trechos de cabos entre as estaes, usando um hub ativo osinal pode trafegar por 100 metros at o hub, e aps ser retransmitido por ele trafegar mais 100

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 18

    metros completos. Apesar de mais caro, este tipo de hub permite estender a rede por distnciasmaiores.

    Hubs Inteligentes

    Alm dos hubs comuns, que apenas distribuem os sinais da rede para os demais microsconectados a ele, existe uma categoria especial de hubs, chamados de smart hubs, ou hubsinteligentes. Este tipo de hub incorpora um processador e softwares de diagnstico, sendo capazde detectar e se preciso desconectar da rede estaes com problemas, evitando que uma estaofaladora prejudique o trfego ou mesmo derrube a rede inteira; detectar pontos decongestionamento na rede, fazendo o possvel para normalizar o trfego; detectar e impedirtentativas de invaso ou acesso no autorizado rede e outros problemas em potencial entre outrasfunes, que variam de acordo com a sofisticao do Hub. O SuperStak II da 3Com por exemplo,traz um software que baseado em informaes recebidas do hub, mostra um grfico da rede,mostrando as estaes que esto ou no funcionando, pontos de trfego intenso etc. Usando um hub inteligente a manuteno da rede torna-se bem mais simples, pois o hub far amaior parte do trabalho. Isto especialmente necessrio em redes mdias e grandes.

    Conectando Hubs

    A maioria dos hubs possuem apenas 8 portas, alguns permitem a conexo de mais micros, massempre existe um limite. E se este limite no for suficiente para conectar todos os micros de suarede? Para quebrar esta limitao, existe a possibilidade de conectar dois ou mais hubs entre s. Quasetodos os hubs possuem uma porta chamada Up Link que se destina justamente a esta conexo.Basta ligar as portas Up Link de ambos os hubs, usando um cabo de rede normal para que os hubspassem a se enxergar. Como para toda a regra existe uma exceo, alguns hubs mais baratos no possuem a porta UpLink, mas nem tudo est perdido, lembra-se do cabo cross-over que serve para ligar diretamentedois micros sem usar um hub? Ele tambm serve para conectar dois hubs. A nica diferena nestecaso que ao invs de usar as portas Up Link, usaremos duas portas comuns. Note que caso voc esteja interligando hubs passivos, a distncia total entre dois micros darede, incluindo o trecho entre os hubs, no poder ser maior que 100 metros, o que bem poucono caso de uma rede grande. Neste caso, seria mais recomendvel usar hubs ativos.

    Repetidores Caso voc precise unir dois hubs que estejam muito distantes, voc poder usar um repetidor.Se voc tem, por exemplo, dois hubs distantes 150 metros um do outro, um repetidorestrategicamente colocado no meio do caminho servir para viabilizar a comunicao entre eles.

    Crescendo junto com a rede O recurso de conectar hubs usando a porta Up Link, ou usando cabos cross-over, utilizvelapenas em redes pequenas, pois qualquer sinal transmitido por um micro da rede ser

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 19

    retransmitido para todos os outros. Quanto mais micros tivermos na rede, maior ser o trfego emais lenta a rede ser. Para resolver este problema, existem dois tipos de hubs especiais: os hubs empilhveis e osconcentradores (tambm chamados de hubs de gabinete). Os hubs empilhveis so a soluo mais barata; inicialmente produzidos pela 3Com, so hubsnormais que podem ser conectados entre s atravs de um barramento especial. Temos ento,dois barramentos de comunicao, um entre cada hub e os micros a ele conectados, e outrobarramento de comunicao entre os hubs. Caso o micro 1 conectado ao hub A, precise transmitirum dado para o micro 22 conectado ao hub C, por exemplo, o sinal ir do Hub A diretamente parao Hub C usando o barramento especial, e em seguida para o micro 22, sem ser transmitido aosdemais hubs e micros da rede. Os hubs empilhveis so conectados entre s atravs de conectores localizados em sua partetraseira. Como um hub conectado ao outro, voc poder ir interligando mais hubs conforme arede for crescendo

    Os concentradores por sua vez, so grandes caixas com vrios slots de barramento. Da mesmamaneira que conectamos placas de expanso placa me do micro, conectamos placas de portaaos slots do concentrador. Cada placa de porta na verdade um hub completo, com 8 ou 16portas. O barramento principal serve para conectar as placas. Voc pode comear com apenasalgumas placas, e ir adicionando mais placas conforme necessrio. Um concentrador pode trazer at 16 slots de conexo, o que permite a conexo de at 256micros (usando placas de 16 portas). Mas se este nmero ainda no for suficiente, possvelinterligar dois ou mais concentradores usando placas de backbone, que so conectadas ao ltimoslot de cada concentrador, permitindo que eles sejam interligados, formando um grandeconcentrador.

    10BaseT Voc ouvir muito o termo rede Ethernet 10BaseT. O termo 10BaseT usado para designaruma rede com topologia de estrela, onde temos vrios hubs interligados. Esta apenas umaconveno, no existe necessariamente diferena entre uma placa de rede Ethernet e uma placade rede Ethernet 10BaseT. Um hub 10BaseT por usa vez, nada mais do que um hub que podeser conectado a outros hubs.

    10 ou 100?

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 20

    Para que a sua rede possa transmitir a 100 mbps, alm de usar placas de rede Ethernet PCI de100 mbps e cabos de par tranado categoria 5, preciso tambm comprar um hub que transmita aesta velocidade. A maioria dos hubs venda atualmente no mercado, podem funcionar tanto a 10quanto a 100 mbps, enquanto alguns mais simples funcionam a apenas 10 mbps. No caso dos hubs10/100 mais simples, possvel configurar a velocidade de operao atravs de uma chave,enquanto hubs 10/100 inteligentes freqentemente so capazes de detectar se a placa de rede daestao e o cabo so adequados para as transmisses a 100 mbps sendo a configuraoautomtica.

    Bridges, Roteadores e Gateways Montar uma rede de 3 ou 4 micros bem fcil. Mas, e se ao invs de apenas 4 PCs, forem umcontingente de centenas de PCs divididos em vrios prdios diferentes, algumas dezenas de Macs,e de brinde, meia dzia de velhos mainframes, todos esperando algum (no caso voc ;-)conseguir realizar o milagre de coloc-los para conversar? Em redes maiores, alm de cabos e hubs, usamos mais alguns dispositivos, um pouco maiscaros: bridges (pontes) e Roteadores (routers).

    Bridges (pontes)

    Imagine que em sua empresa existam duas redes; uma rede Ethernet, e outra rede Token Ring.Veja que apesar das duas redes possurem arquiteturas diferentes e incompatveis entre s, possvel instalar nos PCs de ambas um protocolo comum, como o TCP/IP por exemplo. Comtodos os micros de ambas as redes falando a mesma lngua, resta apenas quebrar a barreira fsicadas arquiteturas de rede diferentes, para que todos possam se comunicar. justamente isso queum bridge faz. possvel interligar todo o tipo de redes usando bridges, mesmo que os microssejam de arquiteturas diferentes, Macs de um lado e PCs do outro, por exemplo, contanto quetodos os micros a serem conectados utilizem um protocolo comum. Antigamente este era umdilema difcil, mas atualmente isto pode ser resolvido usando o TCP/IP, que estudaremos fundomais adiante.

    Como funcionam os Bridges?

    Imagine que voc tenha duas redes, uma Ethernet e outra Token Ring, interligadas por umbridge. O bridge ficar entre as duas, escutando qualquer transmisso de dados que seja feita emqualquer uma das duas redes. Se um micro da rede A transmitir algo para outro micro da rede A, obridge ao ler os endereos de fonte e destino no pacote, perceber que o pacote se destina aomesmo segmento da rede e simplesmente ignorar a transmisso, deixando que ela chegue aodestinatrio atravs dos meios normais. Se, porm, um micro da rede A transmitir algo para omicro da rede B, o bridge detectar ao ler o pacote que o endereo destino pertence ao outrosegmento, e encaminhar o pacote.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 21

    Caso voc tenha uma rede muito grande, que esteja tornando-se lenta devido ao trfego intenso,voc tambm pode utilizar um bridge para dividir a rede em duas, dividindo o trfego pelametade. Existem tambm alguns bridges mais simples (e mais baratos) que no so capazes dedistinguir se um pacote se destina ou no ao outro lado da rede. Eles simplesmente encaminhamtudo, aumentando desnecessariamente o trfego na rede. Estes bridges so chamados de bridgesde encaminhamento.

    Roteadores (routers)

    Os bridges servem para conectar dois segmentos de rede distintos, transformando-os numanica rede. Os roteadores por sua vez, servem para interligar duas redes separadas. A diferena que usando roteadores, possvel interligar um nmero enorme de redes diferentes, mesmo quesituadas em pases ou mesmo continentes diferentes. Note que cada rede possui seu prprioroteador e os vrios roteadores so interligados entre s. Os roteadores so mais espertos que os bridges, pois no lem todos os pacotes que sotransmitidos atravs da rede, mas apenas os pacotes que precisam ser roteados, ou seja, quedestinam-se outra rede. Por este motivo, no basta que todos os micros usem o mesmoprotocolo, preciso que o protocolo seja rotevel. Apenas o TCP/IP e o IPX/SPX so roteveis,ou seja, permitem que os pacotes sejam endereados outra rede. Portanto, esquea o NetBEUIcaso pretenda usar roteadores. Como vimos, possvel interligar inmeras redes diferentes usando roteadores e no seria de seesperar que todos os roteadores tivessem acesso direto a todos os outros roteadores a que estivesseconectado. Pode ser que por exemplo, o roteador 4 esteja ligado apenas ao roteador 1, que estejaligado ao roteador 2, que por sua vez seja ligado ao roteador 3, que esteja ligado aos roteadores 5e 6. Se um micro da rede 1 precisar enviar dados para um dos micros da rede 6, ento o pacotepassar primeiro pelo roteador 2 sendo ento encaminhado ao roteador 3 e ento finalmente aoroteador 6. Cada vez que o dado transmitido de um roteador para outro, temos um hop.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 22

    Os roteadores tambm so inteligentes o suficiente para determinar o melhor caminho a seguir.Inicialmente o roteador procurar o caminho com o menor nmero de hops: o cominho maiscurto. Mas se por acaso perceber que um dos roteadores desta rota est ocupado demais, ento eleprocurar caminhos alternativos para desviar deste roteador congestionado, mesmo que para isso osinal tenha que passar por mais roteadores. No final, apesar do sinal ter percorrido o caminho maislongo, chegar mais rpido, pois no precisar ficar esperando na fila do roteador congestionado.

    A Internet na verdade uma rede gigantesca, formada por vrias sub-redes interligadas porroteadores. Todos os usurios de um pequeno provedor, por exemplo, podem ser conectados Internet por meio do mesmo roteador. Para baixar uma pgina do Yahoo por exemplo, o sinaldever passar por vrios roteadores, vrias dezenas em alguns casos. Se todos estiverem livres, apgina ser carregada rapidamente. Porm, se alguns estiverem congestionados pode ser que apgina demore vrios segundos, ou mesmo minutos antes de comear a carregar. O tempo que um pedido de conexo demora para ir at o servidor destino e ser respondido chamado de Ping. Voc pode medir os pings de vrios servidores diferentes usando o prompt doMS-DOS. Estando conectado Internet basta digitar:ping endereo_destino, como em: ping www.uol.com.br ou ping 207.167.207.78

    Ns de interconexo

    Os bridges trabalham apenas checando o endereo destino dos pacotes transmitidos atravs darede, e os encaminhando quando necessrio, para o outro segmento. Os roteadores so bem maissofisticados, mas no fundo fazem a mesma tarefa bsica: encaminhar os pacotes de dados. Tantoos bridges quanto os roteadores trabalham lendo e transmitindo os pacotes, sem alterarabsolutamente nada da mensagem. Mas, e se voc precisar interligar mquinas que no suportem o mesmo protocolo: interligarPCs a um mainframe projetado para se comunicar apenas com terminais burros, por exemplo? O trabalho dos ns de interconexo justamente este, trabalhar como tradutores, convertendoas informaes de um protocolo para outro protocolo inteligvel ao destinatrio. Para cumprir estatarefa so utilizveis dois artifcios: o tunnelling e a emulao de terminal.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 23

    O tunnelling o mtodo mais simples e por isso mais usado. Ele consiste em converter ainformao para um protocolo mutuamente inteligvel, que possa ser transportado atravs da rede,e em seguida novamente converter o pacote para o protocolo usado na rede destino. Se, por exemplo, preciso transmitir um pacote de dados Novell IPX de uma rede de PCs paraum Macintosh conectado a uma rede AppleTalk, podemos do lado da Rede Novell envelopar osdados usando o protocolo TPC/IP que inteligvel para ambas as redes, para que ele possa chegarao destino, e do lado da rede AppleTalk retirar o envelope para obter os dados reais. A emulao de terminal j um processo um pouco mais trabalhoso e se destina a permitir aconexo de PCs com mainframes. Como os mainframes so capazes de se comunicar apenas comterminais burros e no com PCs, preciso fazer com que o PC finja ser um terminal burro durantea conversao. O fingimento feito atravs de um programa de emulao de terminal, instaladoem cada PC usurio do mainframe. Para conectar vrios PCs ligados em rede a um mainframe, preciso instalar uma placa deinterconexo em um dos PCs da rede (para poder conect-lo fisicamente ao mainframe). Este PCpassar a ser o servidor do n de interconexo. Aps estabelecer a conexo da rede com omainframe, o acesso feito usando o programa de emulao instalado em cada PC da rede, sendoa comunicao feita atravs do micro que est atuando como n de interconexo. Note que por serrealizado via software, o processo de emulao relativamente lento.

    Arquiteturas de rede Como vimos no incio deste livro, temos uma diviso entre topologias fsicas de rede (a formacomo os micros so interligados) e as topologias lgicas (a forma como os dados sotransmitidos). Quanto topologia fsica, temos topologias de barramento, onde usamos um nico cabo coaxialpara interligar todos os micros, e topologias de estrela, onde usamos cabos de par tranado e umhub. As redes com topologia de estrela so as mais usadas atualmente, pois nelas a soluo deproblemas muito mais simples. Se uma estao no funciona, temos o problema isolado prpria estao. Basta ento verificar se a estao est corretamente configurada e se a placa derede est funcionando, se o cabo que liga o micro ao hub est intacto, no existe mal contato e se aporta do hub qual o micro est conectado est funcionando. As nicas vantagens da topologia de barramento fsico residem no custo, j que geralmenteusamos menos cabo para interligar os micros e no precisamos de um hub. As desvantagens porsua vez so muitas: como um nico cabo interliga todos os micros, uma nica estao comproblemas ser capaz de derrubar toda a rede. A soluo de problemas tambm mais difcil, poisvoc ter que examinar micro por micro at descobrir qual est derrubando a rede. A possibilidadede mal contato nos cabos tambm maior, e novamente, um nico encaixe com mal contato podederrubar toda a rede (e l vai voc novamente checando micro por micro...). Finalmente, usandocabo coaxial, sua rede ficar limitada a 10 mbps, enquanto usando cabos de par trancado categoria5 numa topologia de estrela, podemos chegar a 100 mbps. Dependendo do caso, a topologia de barramento pode ser vantajosa para redes de no mximo 8ou 10 micros, acima disto voc deve considerar apenas a topologia de estrela. Citei no incio a topologia fsica de anel, onde um nico cabo interligaria todos os micros evoltaria ao primeiro formando um anel. Esta topologia porm apenas uma teoria, j que o

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 24

    cabeamento seria muito mais difcil e no teramos vantagens sobre a redes em barramento eestrela.

    Topologias Lgicas A topologia lgica da rede, determina como os dados so transmitidos atravs da rede. Noexiste necessariamente uma ligao entre a topologia fsica e lgica; podemos ter uma estrelafsica e um barramento lgico, por exemplo. Existem trs topologias lgicas de rede: Ethernet, Token Ring e Arcnet. Como a topologialgica determina diretamente o modo de funcionamento da placa de rede, esta ser especfica paraum tipo de rede. No possvel usar placas Token Ring em Redes Ethernet, ou placas Ethernet emRedes Arcnet, por exemplo.

    Redes Ethernet As placas de rede Ethernet so de longe as mais utilizadas atualmente, sobretudo em redespequenas e mdias e provavelmente a nica arquitetura de rede com a qual voc ir trabalhar.Numa rede Ethernet, temos uma topologia lgica de barramento. Isto significa que quando umaestao precisar transmitir dados, ela irradiar o sinal para toda a rede. Todas as demais estaesouviro a transmisso, mas apenas a placa de rede que tiver o endereo indicado no pacote dedados receber os dados. As demais estaes simplesmente ignoraro a transmisso. Mais umavez vale lembrar que apesar de utilizar uma topologia lgica de barramento, as redes Ethernetpodem utilizar topologias fsicas de estrela ou de barramento.

    Como apenas uma estao pode falar de cada vez, antes de transmitir dados a estao irouvir o cabo. Se perceber que nenhuma estao est transmitindo, enviar seu pacote, casocontrrio, esperar at que o cabo esteja livre. Este processo chamado de Carrier Sense ousensor mensageiro.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 25

    Mas, caso duas estaes ouam o cabo ao mesmo tempo, ambas percebero que o cabo estlivre e acabaro enviando seus pacotes ao mesmo tempo. Teremos ento uma coliso de dados.Dois pacotes sendo enviados ao mesmo tempo geram um sinal eltrico mais forte, que pode serfacilmente percebido pelas placas de rede. A primeira estao que perceber esta coliso irradiarpara toda a rede um sinal especial de alta freqncia que cancelar todos os outros sinais queestejam trafegando atravs do cabo e alertar as demais placas que ocorreu uma coliso.

    Sendo avisadas de que a coliso ocorreu, as duas placas faladoras esperaro um nmeroaleatrio de milessegundos antes de tentarem transmitir novamente. Este processo chamado deTBEB truncated exponencial backof. Inicialmente as placas escolhero entre 1 ou 2, se houveroutra coliso escolhero entre 1 e 4, em seguida entre 1 e 8 milessegundos, sempre dobrando osnmeros possveis at que consigam transmitir os dados. Apesar de as placas poderem fazer ate 16tentativas antes de desistirem, normalmente os dados so transmitidos no mximo na 3 tentativa.

    Veja que apesar de no causarem perda ou corrupo de dados, as colises causam uma grandeperda de tempo, resultando na diminuio do desempenho da rede. Quanto maior for o nmero deestaes, maior ser a quantidade de colises e menor ser o desempenho da rede. Por isso existeo limite de 30 micros por segmento numa rede de cabo coaxial, e recomendvel usar bridgespara diminuir o trfego na rede caso estejamos usando topologia em estrela, com vrios hubsinterligados (e muitas estaes). Outro fator que contribui para as colises o comprimento do cabo. Quanto maior for o cabo(isso tanto para cabos de par trancado quanto coaxial) mais fraco chegar o sinal e ser maisdifcil para a placa de rede escutar o cabo antes de enviar seus pacotes, sendo maior apossibilidade de erro.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 26

    Usar poucas estaes por segmento e usar cabos mais curtos do que a distncia mximapermitida, reduzem o nmero de colises e aumentam o desempenho da rede. O ideal no caso deuma rede com mais de 20 ou 30 micros, dividir a rede em dois ou mais segmentos usandobridges, pois como vimos anteriormente, isto servir para dividir o trfego na rede. Veja que todo este controle feito pelas placas de rede Ethernet. No tem nada a ver com osistema operacional de rede ou com os protocolos de rede usados.

    Pacotes

    Todos os dados transmitidos atravs da rede, so divididos em pacotes. Em redes Ethernet, cadapacote pode ter at 1550 bytes de dados. A estao emissora escuta o cabo, transmite um pacote,escuta o cabo novamente, transmite outro pacote e assim por diante. A estao receptora por suavez, vai juntando os pacotes at ter o arquivo completo. O uso de pacotes evita que uma nica estao monopolize a rede por muito tempo, e torna maisfcil a correo de erros. Se por acaso um pacote chegar corrompido, devido a interferncias nocabo, ser solicitada uma retransmisso do pacote. Quanto pior for a qualidade do cabo e maiorforem as interferncias, mais pacotes chegaro corrompidos e tero que ser retransmitidos e,consequentemente, pior ser o desempenho da rede. Os pacotes Ethernet so divididos em 7partes:

    O prembulo serve para coordenar o envio dos demais dados do pacote, servindo como umsincronizador. O byte de incio avisa as estaes recebedoras que a transmisso ir comear (ataqui todas as estaes da rede esto lendo o pacote). O endereo de destino indica a qual estaoo pacote est endereado. Apenas a placa de rede que possuir o endereo indicado ir ler orestante do pacote, as demais ignoraro o restante da transmisso. O endereo de origem indicaqual estao est enviando os dados. Antes de comear o envio dos dados em s, temos mais um campo de 16 bits (2 bytes) queindica o tipo de dados que ser transmitido, alguns dos atributos so: imagem, texto ASCII ebinrio. Finalmente temos enviados os dados, sendo que cada pacote pode conter at 1550 bytesde dados. Caso o arquivo seja maior que isso, ser dividido em vrios pacotes. Finalizando opacote temos mais 32 bits de verificao que servem para a estao receptora checar se os dadosdo pacote chegaram intactos, atravs de um processo de paridade. Caso o pacote cheguecorrompido ser solicitada sua retransmisso.

    Redes Token Ring Diferentemente das redes Ethernet que usam uma topologia lgica de barramento, as redesToken Ring utilizam uma topologia lgica de anel. Quanto topologia fsica, utilizado umsistema de estrela parecido com o 10BaseT, onde temos hubs inteligentes com 8 portas cadaligados entre s. Tanto os hubs quanto as placas de rede e at mesmo os conectores dos cabos tm

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 27

    que ser prprios para redes Token Ring. Existem alguns hubs combo, que podem ser utilizadostanto em redes Token Ring quanto em redes Ethernet. O custo de montar uma rede Token Ring muito maior que o de uma rede Ethernet, e suavelocidade de transmisso est limitada a 16 mbps, contra os 100 mbps permitidos pelas redesEthernet. Porm, as redes Token Ring trazem algumas vantagens sobre sua concorrente: atopologia lgica em anel quase imune a colises de pacote, e pelas redes Token Ringobrigatoriamente utilizarem hubs inteligentes, o diagnstico e soluo de problemas maissimples. Devido a estas vantagens, as redes Token Ring ainda so razoavelmente utilizadas em redes demdio a grande porte. Contudo, no recomendvel pensar em montar uma rede Token Ring paraseu escritrio, pois os hubs so muito caros e a velocidade de transmisso em pequenas redes bem mais baixa que nas redes Ethernet. Como disse, as redes Token Ring utilizam uma topologia lgica de anel. Apesar de estaremfisicamente conectadas a um hub, as estaes agem como se estivessem num grande anel. Disseanteriormente que as redes Token Ring so praticamente imunes colises, curioso em sabercomo este sistema funciona?

    Se voc tem uma grande quantidade de pessoas querendo falar (numa reunio por exemplo),como fazer para que apenas uma fale de cada vez? Uma soluo seria usar um basto de falar:quem estivesse com o basto (e somente ele) poderia falar por um tempo determinado, ao final doqual deveria passar o basto para outro que quisesse falar e esperar at que o basto volte, casoqueira falar mais. justamente este o sistema usado em redes Token Ring. Um pacote especial, chamado pacotede Token circula pela rede, sendo transmitido de estao para estao. Quando uma estaoprecisa transmitir dados, ela espera at que o pacote de Token chegue e, em seguida, comea atransmitir seus dados. A transmisso de dados em redes Token tambm diferente. Ao invs de serem irradiados paratoda a rede, os pacotes so transmitidos de estao para estao (da a topologia lgica de anel). Aprimeira estao transmite para a segunda, que transmite para a terceira, etc. Quando os dadoschegam estao de destino, ela faz uma cpia dos dados para s, porm, continua a transmissodos dados. A estao emissora continuar enviando pacotes, at que o primeiro pacote enviado duma volta completa no anel lgico e volte para ela. Quando isto acontece, a estao pra detransmitir e envia o pacote de Token, voltando a transmitir apenas quando receber novamente oToken.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 28

    O sistema de Token mais eficiente em redes grandes e congestionadas, onde a diminuio donmero de colises resulta em um maior desempenho em comparao com redes Ethernetsemelhantes. Porm, em redes pequenas e mdias, o sistema de Token bem menos eficiente doque o sistema de barramento lgico das redes Ethernet, pois as estaes tm de esperar bem maistempo antes de poder transmitir.

    Redes Arcnet Das trs topologias, a Arcnet a mais antiga, existindo desde a dcada de 70. claro que de lpra c houve muitos avanos, mas no o suficiente para manter as redes Arcnet competitivasfrente s redes Token Ring e Ethernet. Para voc ter uma idia, as redes Arcnet so capazes detransmitir a apenas 2,5 mbps e quase no existem drivers for Windows para as placas de rede. Ospoucos que se aventuram a usa-las atualmente normalmente as utilizam em modo decompatibilidade, usando drivers MS-DOS antigos.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 29

    Atualmente as redes Arcnet esto em vias de extino, voc dificilmente encontrar placasArcnet venda e mesmo que as consiga, enfrentar uma via sacra atrs de drivers para conseguirfaze-las funcionar. Apesar de suas limitaes, o funcionamento de rede Arcnet bem interessante por causa de suaflexibilidade. Como a velocidade de transmisso dos dados bem mais baixa, possvel usarcabos coaxiais de at 600 metros, ou cabos UTP de at 120 metros. Por serem bastante simples, oshubs Arcnet tambm so baratos. O funcionamento lgico de uma rede Arcnet tambm se baseia num pacote de Token, adiferena que ao invs do pacote ficar circulando pela rede, eleita uma estao controladora darede, que envia o pacote de Token para uma estao de cada vez. No h nenhum motivo especial para uma estao ser escolhida como controladora, geralmente escolhida a estao com o endereo de n formado por um nmero mais baixo.

    Ponto a ponto x cliente - servidor Seguramente, a polmica em torno de qual destas arquiteturas de rede melhor, ir continuardurante um bom tempo. Centralizar os recursos da rede em um servidor dedicado, rodando umsistema operacional de rede, como um Windows NT Server ou Novell Netware, garante umamaior segurana para a rede, garante um ponto central para arquivos; e ao mesmo tempo, ofereceuma proteo maior contra quedas da rede, pois muito mais difcil um servidor dedicado travarou ter algum problema que o deixe fora do ar, do que um servidor de arquivos no dedicado,rodando o Windows 95, e operado por algum que mal sabe o efeito de apertar ctrl+alt+del ;-) Por outro lado, uma rede cliente - servidor mais difcil de montar e configurar (certamente muito mais fcil compartilhar arquivos e impressoras no Windows 98 do que configurarpermisses de acesso no Novell Netware...) e, na ponta do lpis, acaba saindo muito mais cara,pois alm das estaes de trabalho, teremos que montar um servidor, que por exigir um bom poderde processamento no sair muito barato. Um consenso geral que para redes pequenas e mdias, de at 40 ou 50 micros, onde asegurana no seja exatamente uma questo vital, uma rede ponto a ponto geralmente a melhorescolha. Em redes maiores, o uso de servidores comea a tornar-se vantajoso.

    Cliente - servidor

    Montando uma rede cliente - servidor, concentraremos todos os recursos da rede no ou nosservidores. Arquivos, impressoras, servios de fax e acesso Internet, etc. tudo ser controladopelos servidores. Para isso, teremos que instalar um sistema operacional de rede no servidor.Existem vrios sistemas no mercado, sendo os mais usados atualmente o Windows 2000 Server,Windows NT 4 Server, Novell Netware e verses do Linux. Em todos os sistemas preciso um pouco de tempo para configurar as permisses de acesso aosrecursos, senhas, atributos, etc. mas, em compensao, uma vez que tudo estiver funcionandovoc ter uma rede muito mais resistente tentativas de acesso no autorizado. Como j vimos, existem vrios tipos de servidores, classificados de acordo com o tipo derecurso que controlam. Temos servidores de disco, servidores de arquivos, servidores deimpresso, servidores de acesso Internet., etc.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 30

    Servidores de disco

    Os servidores de disco foram bastante utilizados em redes mais antigas, onde (para cortarcustos) eram utilizadas estaes de trabalho sem disco rgido. O disco rgido do servidor era entodisponibilizado atravs da rede e utilizado pelas estaes. Todos os programas e dados usadospelos micros da rede, incluindo o prprio sistema operacional de cada estao, eram armazenadosno servidor e acessados atravs da rede. Neste tipo de rede, instalamos placas de rede com chips de boot nas estaes. Nestes chips dememria EPRON, ficam armazenadas todas as informaes necessrias para que o microinicialize e ganhe acesso rede, tornando-se capaz de acessar o disco do servidor e, a partir delecarregar o sistema operacional e os programas. Veja que a estao no solicita os arquivos aoservidor, ela simplesmente solicita uma cpia da FAT e acessa diretamente o disco. Veja oproblema em potencial: a cpia da FAT recebida durante o processo de boot de cada estao,mas durante o dia, vrios arquivos do disco sero renomeados, deletados, movidos, novosarquivos sero criados, etc., e a cpia da FAT, de posse da estao, tornar-se- desatualizada. Secada vez que houvessem alteraes nos arquivos do disco, o servidor tivesse que transmitir umanova cpia da FAT para todas as estaes, o trfego seria to intenso que no conseguiramosfazer mais nada atravs da rede. A soluo mais usada neste caso particionar o disco rgido do servidor em vrios volumes, umpara cada estao. Para armazenar dados que sero acessados por todas as estaes, mas noalterados, pode ser criado um volume pblico apenas para leitura. Redes baseadas em servidores de disco e estaes diskless (sem disco rgido), so utilizveisapenas em conjunto com sistemas operacionais e programas somente-texto (como no MS-DOS),pois neles preciso transmitir uma quantidade pequena de dados atravs da rede. Se fossemosquerer rodar um sistema operacional grfico como o Windows, a rede tornar-se-ia extremamentelenta, pois o trfego de dados seria gigantesco, congestionando tanto o servidor quanto a rede ems.

    Servidores de arquivos

    Muito mais utilizados atualmente, os servidores de arquivos disponibilizam apenas arquivosatravs da rede e no o disco rgido em s. A diferena que cada estao dever ter seu prpriodisco rgido, onde estar instalado seu sistema operacional, e acessar o servidor apenas parabuscar arquivos. Enquanto um servidor de disco simplesmente disponibiliza seu disco rgido dizendo: Vo,usem a cpia da FAT que dei a vocs e peguem o que quiserem, num servidor de arquivos aestao dir qual arquivo quer e o servidor ir busca-lo em seu disco rgido e em seguidatransmiti-lo para a estao. Veja que enquanto no primeiro caso a estao acessa diretamente odisco do servidor para pegar o arquivo, no segundo o prprio servidor pega o arquivo e otransmite para a estao. Como o sistema operacional e a maioria dos programas estaro localizados nos discos rgidosdas estaes, o trfego na rede ser bem menor e no existir problema em rodar sistemasoperacionais e programas pesados.

    Ponto a ponto

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 31

    Enquanto nas redes cliente - servidor temos o servidor como o ponto central da rede, de ondetodos os recursos so acessados, numa rede ponto a ponto todas as estaes dividem os recursos eesto no mesmo nvel hierrquico, ou seja, todos os micros so ao mesmo tempo estaes detrabalho e servidores. Praticamente qualquer recurso de uma estao de trabalho, arquivos, impressoras, etc. podemser compartilhados com a rede e acessados a partir de outras estaes. A diferena que no preciso reservar uma mquina para a tarefa de servidor, a configurao da rede muito maissimples e rpida e, se por acaso a rede cai, todos os computadores continuam operacionais, apesarde separados. A desvantagens, como vimos, so uma segurana mais frgil contra acesso noautorizado e contra panes nos micros que disponibilizam os recursos.

    Servidores no dedicados

    Imagine uma rede com 4 micros: O micro 1, operado pelo Joo que disponibiliza a nicaimpressora da rede, o micro 2, operado pela Renata, que serve como um ponto central dearmazenamento dos arquivos na rede, o micro 3, operado pelo Rodrigo, que disponibiliza um CD-ROM (tambm o nico da rede) e o micro 4, operado pelo Rafael, onde est instalado o modemque compartilha sua conexo Internet. Todos os micros so servidores, respectivamente de impresso, arquivos, CD-ROM e acesso Internet. Porm, ao mesmo tempo, todos esto sendo usados por algum como estao detrabalho. Dizemos ento que os 4 micros so servidores no dedicados. Sua vantagem que(como no exemplo), no precisamos sacrificar uma estao de trabalho, mas em compensao,temos um sistema mais vulnervel. Outro inconveniente que preciso manter o micro ligado(mesmo que ningum o esteja usando), para que seus recursos continuem disponveis para a rede.

    Impressoras de rede

    Simplesmente disponibilizar uma impressora a partir de uma estao de trabalho a forma maissimples e barata de coloca-la disposio da rede. Este arranjo funciona bem em redes pequenas,onde a impressora no to utilizada. Mas, se a impressora precisar ficar imprimindo a maiorparte do tempo, ser difcil para quem est usando o micro da impressora conseguir produziralguma coisa, j que o micro fica bastante lento enquanto est imprimindo. Neste caso, talvez fosse melhor abandonar a idia de um servidor de impresso no dedicado, ereservar um micro para ser um servidor dedicado de impresso. Neste caso, o micro no precisaser l grande coisa, qualquer 486 com espao em disco suficiente para instalar o Windows 95 (emais uns 80 ou 100 MB livres para armazenar os arquivos temporrios do spooler de impresso)dar conta do recado. Coloque nele um monitor monocromtico, deixe-o num canto da salasempre ligado e esquea que ele existe ;-) Outra opo seria usar um dispositivo servidor de impresso. Estas pequenas caixas possuemseu prprio processador, memrias e placa de rede, substituindo um servidor de impresso. Asvantagens deste sistema so a praticidade e o custo, j que os modelos mais simples custam emtorno de 200 - 250 dlares. Um bom exemplo de dispositivos servidores de impresso so osJetDirect da HP. Basta conectar o dispositivo rede, conecta-lo impressora e instalar o programacliente nos micros da rede que utilizaro a impressora. Para maiores informaes sobre osJetDirect, consulte o site da HP, http://www.hp.com/net_printing

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 32

    Finalmente, voc poder utilizar uma impressora de rede. Existem vrios modelos deimpressoras especiais para este fim, que tem embutida uma placa de rede, processador e memriaRAM, ou seja, vem com um JetDirect embutido. Normalmente apenas as impressoras a Lasermais caras (a HP Laser Jet 8500 N por exemplo) possuem este recurso, por isso, na maioria doscasos as duas primeiras opes so mais viveis para a sua pequena rede.

    Protocolos Toda a parte fsica da rede: cabos, placas, hubs, etc., serve para criar um meio de comunicaoentre os micros da rede, como o sistema telefnico ou os correios, que permitem que voccomunique-se com outras pessoas. Porm, assim como para que duas pessoas possam falar pelotelefone preciso que ambas falem a mesma lngua, uma saiba o nmero da outra, etc. para quedois computadores possam se comunicar atravs da rede, preciso que ambos usem o mesmoprotocolo de rede. Um protocolo um conjunto de regras que definem como os dados sero transmitidos; comoser feito o controle de erros e retransmisso de dados; como os computadores sero endereadosdentro da rede etc. Um micro com o protocolo NetBEUI instalado, s ser capaz de se comunicaratravs da rede com outros micros que tambm tenham o protocolo NetBEUI, por exemplo. possvel que um mesmo micro tenha instalados vrios protocolos diferentes, tornando-se assimum poliglota. Graas aos protocolos, tambm possvel que computadores rodando diferentessistemas operacionais de rede, ou mesmo computadores de arquiteturas diferentes secomuniquem, basta apenas que todos tenham um protocolo em comum. O TCP/IP, por exemplo, um protocolo suportado por praticamente todos os sistemasoperacionais. O uso do TCP/IP que permite o milagre de computadores de arquiteturastotalmente diferentes, como PCs, Macs, Mainframes e at mesmo, telefones celulares e micros debolso poderem comunicar-se livremente atravs da Internet.

    Camadas da rede

    Uma rede formada por vrias camadas. Primeiro temos toda a parte fsica da rede, incluindoos cabos, hubs e placas de rede. Sobre a parte fsica temos primeiramente a topologia lgica darede que, como vimos, determinada pela prpria placa de rede. Em seguida, temos o driver daplaca rede que fornecido pelo fabricante e permite que o sistema operacional possa acessar aplaca de rede, atendendo s solicitaes do protocolo de rede, o sistema operacional de rede efinalmente os programas. A primeira camada fsica, e as demais so lgicas. Atualmente so usados basicamente 3 protocolos de rede: o NetBEUI, o IPX/SPX e o TCP/IP.Cada um com suas caractersticas prprias:

    NetBEUI O NetBEUI uma espcie de vov protocolo, pois foi lanado pela IBM no incio da dcadade 80 para ser usado junto com o IBM PC Network, um micro com configurao semelhante doPC XT, mas que podia ser ligado em rede. Naquela poca, o protocolo possua bem menosrecursos e era chamado de NetBIOS. O nome NetBEUI passou a ser usado quando a IBMestendeu os recursos do NetBIOS, formando o protocolo complexo que usado atualmente.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 33

    No jargo tcnico atual, usamos o termo NetBEUI quando nos referimos ao protocolo de redeem s e o termo NetBIOS quando queremos nos referir aos comandos deste mesmo protocolousado pelos programas para acessar a rede. Ao contrrio do IPX/SPX e do TPC/IP, o NetBEUI foi concebido para ser usado apenas empequenas redes, e por isso acabou tornando-se um protocolo extremamente simples. Por um lado,isto fez que ele se tornasse bastante gil e rpido e fosse considerado o mais rpido protocolo derede durante muito tempo. Para voc ter uma idia, apenas as verses mais recentes do IPX/SPX eTCP/IP conseguiram superar o NetBEUI em velocidade. Mas, esta simplicidade toda tem um custo: devido ao mtodo simples de endereamento usadopelo NetBEUI, podemos usa-lo em redes de no mximo 255 micros. Alm disso, o NetBEUI nosuporta enumerao de redes (para ele todos os micros esto ligados na mesma rede). Istosignifica, que se voc tiver uma grande Intranet, composta por vrias redes interligadas porroteadores, os micros que usarem o NetBEUI simplesmente no sero capazes de enxergar microsconectados s outras redes, mas apenas os micros a que estiverem conectados diretamente. Devidoa esta limitao, dizemos que o NetBEUI um protocolo no rotevel Apesar de suas limitaes, o NetBEUI ainda bastante usado em redes pequenas, por ser fcilde instalar e usar, e ser razoavelmente rpido. Porm, para redes maiores e Intranets de qualquertamanho, o uso do TCP/IP muito mais recomendvel.

    IPX/SPX Este protocolo foi desenvolvido pela Novell, para ser usado em seu Novell Netware. Como oNetware acabou tornando-se muito popular, outros sistemas operacionais de rede, incluindo oWindows passaram a suportar este protocolo. O IPX/SPX to rpido quanto o TPC/IP (apesar deno ser to verstil) e suporta roteamento, o que permite seu uso em redes mdias e grandes. Apesar do Netware suportar o uso de outros protocolos, incluindo o TPC/IP, o IPX/SPX seuprotocolo preferido e o mais fcil de usar e configurar dentro de redes Novell. Voc j deve ter ouvido muito a respeito do Netware, que o sistema operacional de redecliente - servidor mais utilizado atualmente. O Netware no um sistema operacional completo, esim apenas um sistema operacional de rede que roda sobre o sistema operacional, no caso oWindows. As primeiras verses do Netware rodavam sobre o DOS. Alm do mdulo principal, que instalado no servidor, fornecido um mdulo cliente, quedeve ser instalado em todas as estaes de trabalho, para que elas ganhem acesso ao servidor. Alm da verso principal do Netware, existe a verso Personal, que um sistema de rede pontoa ponto, que novamente roda sobre o sistema operacional. Esta verso do Netware bem fcil deusar, porm no muito popular, pois o Windows sozinho j permite a criao de redes ponto aponto muito facilmente.

    DLC O DLC um protocolo usado por muitas instalaes Token Ring para permitir a comunicaode PCs com ns de interconexo de mainframe. Alguns modelos de JetDirects da HP tambm spodem ser acessados usando este protocolo. Apesar de ser necessrio instala-lo apenas nestes doiscasos, o Windows oferece suporte ao DLC, bastando instala-lo junto com o protocolo principal darede.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 34

    TCP/IP Uma das principais prioridades dentro de uma fora militar a comunicao, certo? No final dadcada de 60, esta era uma grande preocupao do DOD, Departamento de Defesa do ExrcitoAmericano: como interligar computadores de arquiteturas completamente diferentes, e que aindapor cima estavam muito distantes um do outro, ou mesmo em alto mar, dentro de um porta aviesou submarino? Aps alguns anos de pesquisa, surgiu o TCP/IP, abreviao de Transmission ControlProtocol/Internet Protocol ou Protocolo de Controle de Transmisso/Protocolo Internet. OTPC/IP permitiu que as vrias pequenas redes de computadores do exrcito Americano fosseminterligadas, formando uma grande rede, embrio do que hoje conhecemos como Internet. O segredo do TCP/IP dividir a grande rede em pequenas redes independentes, interligadas porroteadores. Como apesar de poderem comunicar-se entre s, uma rede independente da outra;caso uma das redes parasse, apenas aquele segmento ficaria fora do ar, no afetando a rede comoum todo. No caso do DOD, este era um recurso fundamental, pois durante uma guerra ou duranteum ataque nuclear, vrios dos segmentos da rede seriam destrudos, junto com suas respectivasbases, navios, submarinos, etc., e era crucial que o que sobrasse da rede continuasse no ar,permitindo ao comando coordenar um contra ataque. Veja que mesmo atualmente este recursocontinua sedo fundamental na Internet, se por exemplo o servidor do Geocities cair, apenas eleficar inacessvel.

    Apesar de inicialmente o uso do TPC/IP ter sido restrito a aplicaes militares, com o passar dotempo acabou tornando-se de domnio pblico, o que permitiu aos fabricantes de softwareadicionar suporte ao TCP/IP aos seus sistemas operacionais de rede. Atualmente, o TPC/IP suportado por todos os principais sistemas operacionais, no apenas os destinados a PCs, mas atodas as arquiteturas, inclusive mainframes, minicomputadores e at mesmo celulares ehandhelds. Qualquer sistema com um mnimo de poder de processamento, pode conectar-se Internet, desde que algum crie para ele um protocolo compatvel com o TCP/IP e aplicativoswww, correio eletrnico etc. J tive notcias de um grupo de aficcionados que estava criando umaplicativo de correio eletrnico para MSX ;-) Alguns exemplos de sistemas operacionais que suportam o TCP/IP so: o MS-DOS, Windows3.11, Windows 95/98/NT/2000/CE, Netware, MacOS, OS/2, Linux, Solaris, a maioria das versesdo Unix, BeOS e vrios outros. Voltando histria da Internet, pouco depois de conseguir interligar seus computadores comsucesso, o DOD interligou alguns de seus computadores s redes de algumas universidades ecentros de pesquisa, formando uma inter-rede, ou Internet. Logo a seguir, no incio dos anos 80, aNFS (National Science Foundation) dos EUA, construiu uma rede de fibra tica de altavelocidade, conectando centros de supercomputao localizados em pontos chave nos EUA einterligando-os tambm rede do DOD. Essa rede da NSF, teve um papel fundamental nodesenvolvimento da Internet, por reduzir substancialmente o custo da comunicao de dados paraas redes de computadores existentes, que foram amplamente estimuladas a conectar-se aobackbone da NSF, e consequentemente, Internet. A partir de abril de 1995, o controle dobackbone (que j havia se tornado muito maior, abrangendo quase todo o mundo atravs de cabossubmarinos e satlites) foi passado para o controle privado. Alm do uso acadmico, o interessecomercial pela Internet impulsionou seu crescimento, chegando ao que temos hoje.

  • Redes, Guia completo 2000 Carlos E. Morimoto (http://www.guiadohardware.net)

    Pgina 35

    Segurana na Internet

    De qualquer ponto podemos ter acesso a qualquer outro computador conectado Internet, queesteja disponibilizando algum recurso, existe inclusive a possibilidade de invadir outros micros oumesmo grandes servidores que no estejam protegidos adequadamente, mesmo usando como baseum simples 486 ligado Internet via acesso discado. O protocolo TCP/IP foi concebido para ser tolerante a falhas de hardware, mas no a ataquesintencionais. O principal risco o fato dele permitir que usurios remotos acessem dados earquivos de outros equipamentos conectados rede. Como a Internet inteira funciona como umagrande rede TCP/IP, possvel ganhar acesso qualquer mquina localizada em qualquer pontodo globo. J que o protocolo em s no oferece grande proteo contra ataques externos, a segurana ficaa cargo do sistema operacional de rede, e de outros programas, como os firewalls. Para proteger osdados que sero enviados atravs da rede, possvel usar um mtodo de encriptao, para quemesmo interceptados, eles no tenham utilidade alguma. Atualmente so usados dois tipos decriptografia, de 40 bits e de 128 bits. Dados criptografados com algoritmos de 40 bits podem serdesencriptados em cerca de uma semana por algum competente, porm a desencriptao dedados encriptados com um algoritmo de 128 bits virtualmente impossvel. Dizemos que um sistema perfeito apenas at algum descobrir uma falha. Existem vriosexemplos de falhas de segurana no Windows NT, em Browsers, em programas de criao emanuteno de sites Web, como o MS Front Page 2000 e at mesmo em programas como o VDOLive. Logicamente, aps se darem conta da brecha, os criadores do programa se apressam emdisponibilizar uma correo, mas nem todos os usurio instalam as correes e com o tempooutras falhas acabam sendo descobertas. Por que o Unix em geral considerado um sistema mais seguro do que o Windows NT, porexemplo? Por que por ser mais velho, as vrias verses do Unix j tiveram a maioria de suasfalhas descobertas e corrigidas, ao contrrio de sistemas mais novos. Porm, a cada dia surgemnovos softwares, com novas brechas de segurana, e alm disso, cada vez mais mquinas soconectadas, ampliando a possvel rea de ataque.

    Como so feitas as invases

    Muitas vezes os chamados Hackers so vistos pelos leigos quase como seres sobrenaturais, umaespcie de mistura de Mac-Giver com Mister M, mas veja uma frase postada em um grande grupode discusso sobre Hacking:.You may wonder whether Hackers need expensive computer equipment and a shelf full oftechnical manuals. The answer is NO! Hacking can be surprisingly easy! numa traduo livre:Voc pode achar que os Hackers precisam de computadores caros e uma estante cheia demanuais tcnicos. A resposta NO! Hackear pode ser surpreendentemente fcil. Frases como esta no so de se admirar, pois na verdade, a maioria dos ataques exploram falhasbobas de segurana ou mesmo a ingenuidade dos usurios, no exigindo que o agressor tenhagrandes conhecimentos. Pelo contrrio, a maioria dos ataques so feitos por pessoas com poucoconhecimento, muitas vezes lanando os ataques a partir do micro de casa. Ultimamente tm sido descobertos vrios ataques a sites, como por exemplo, o do Instituto dePrevidncia dos Servidores Militares do Estado de Minas Gerais, da Escola de Equitao d